SOL

shiuuuu......

 

SHIUUUUUU……….

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Boa Páscoa

 

                                                     

                Este coelhinho malabarista deseja a todos os meus amigos


               BOA PÁSCOA

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Ouvimos dizer que estás cansado...

 

Ouvimos dizer que estás cansado

Ouvimos dizer que estás arrasado.

Que já não podes andar de cá para lá.

Que estás muito cansado.

Que já não és capaz de aprender.

Que estás liquidado.

Não se pode exigir de ti que faças mais

Pois fica sabendo: nós exigimo-lo.

Se estiveres cansado e adormeceres

ninguém te acordará,  nem

dirá: levanta-te, está aqui a comida.

Porque é que a comida havia de estar ali?

Se não podes andar de cá para lá, ficarás estendido.

Ninguém te irá buscar e dizer : houve uma Revolução.

As fábricas esperam por ti.

Porque é que havia de haver uma Revolução?

Quando estiveres morto, virão enterrar-te,

quer tu sejas ou não culpado da tua morte.

Tu dizes: que já lutaste muito tempo.

Que já não podes lutar mais.

Pois ouve: quer tu tenhas culpa ou não,

se já não podes lutar mais serás destruído.

Dizes tu: que esperaste muito  tempo.

Que já não podes ter esperanças.

Que esperavas tu? Que a luta fosse fácil?

Não é esse o caso: a nossa situação

é pior do que tu julgavas.

É assim: se não levarmos a cabo o

sobre-humano, estamos perdidos.

Se não pudermos fazer o que ninguém

de nós pode exigir afundar-nos-emos.

Os nossos inimigos só esperam que

nós nos cansemos.

Quando a luta é mais encarniçada é

que os lutadores estão mais cansados.

Os lutadores que estão cansados demais,

perdem a batalha.

Bertolt  Brecht

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Explosões do Paiol Militar em Maputo

 

Foto de Alfredo Mueche, semanário "Domingo" 25/03/07

A 22 de Março, deram-se várias explosões no paiol militar de Malhanzine em Maputo.  Dessas explosões resultaram já 117 mortos, 450 feridos e continuam cerca de 200 crianças desaparecidas. Entre as vítimas, o escritor Fernando Pedro, membro fundador da Associação Moçambicana da Língua Portuguesa (AMOLP), vai hoje a sepultar.

Mais informações aqui.

http://ma-schamba.blogspot.com/2007/03/em-memoria-de-fernando-pedro-vitima-da.html

http://www.oficinadesociologia.blogspot.com/

http://www.globalvoicesonline.org/2007/03/26/mozambique-blasts-kill-dozens-in-maputo/


O voto de Nhanengue


De merenda na neneca, Nhanengue caminha no árduo solo da planície. Aquela tortuosa caminhada é-lhe familiar.
Já curva, pesam naqueles ombros flácidos os anos de vivências com as obrigações do sistema africano. Não tivera oportunidade para a livre escolha das melhores coisas da vida: o marido fora-lhe imposto pelos familiares. Os filhos foram aparecendo, teimosamente, como gotas em torneira avariada e o número já não o conhece ao certo; espalhou-os pelo mundo onde se procura a vida e ela ficou esquecida pelas circunstâncias do tempo. Andando a uma velocidade rápida, ruma à aldeia Munhembete, onde a primeira oportunidade de escolher algo a espera. Na ponta da capulana, está enrolado em forma de cilindro o cartão do eleitor, que é nele onde a velha tem concentrada a sua mente de fumo. Em Magul, pelas fendas abertas no solo pelos tempos de seca, nasce agora um verde-vivo, gozando a paz dos homens. A cacimba pinga cristalina no solo, abanada pelo vento matinal. A velhota recorda, agora, os seus tempos de juventude. Dos búfalos e das manadas enormes. Naquele tempo, os rapazes realizavam campeonatos de pancadaria. Os mais valentes tinham como troféu as moças mais belas da aldeia. "Éramos tão importantes!" Falava baixinho. A fila é longa junto à mesa eleitoral; Nhanengue vai perdendo forças, mas a esperança lhe faz aguentar. Está alegre e conta coisas dos tempos que já lá vão aos co-eleitores. Há festa em Munhembete!

Nhanengue arranja um canto e senta-se; tira um pedaço de mandioca da panelinha e começa a mastigar. Por causa da falta dos dentes, nota-se o trabalho que faz para comer; rumina lentamente, com o olhar fixo na lista dos candidatos colada num quadro próximo da mesa onde vai votar. É a sua vez. Levanta-se vagarosamente e caminha a passos lentos rumo à mesa. O jovem, com o distintivo das eleições, molha o seu dedo com tinta vermelha. A velhota caminha em direcção ao quadro onde estão patentes as caras e os símbolos dos partidos. Uma lágrima teimosa rola pelo seu rosto. Pára diante do quadro e pinta com o dedo a cara de um dos candidatos. - Não é aí vovó! - grita o presidente da mesa. Nhanegue vira-se, lentamente, e fixa o olhar lacrimejante no homem que falara, Subitamente, roda sobre os calcanhares e cai pesadamente no solo. Nhanengue morreu! Não teve a possibilidade de um dia escolher algo por vontade própria…



(in “Tantã, um tambor na neve”, Fernando Pedro, Editora Ndjira, 1998)

 

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Peças de engrenagem...

 

É curioso ver rolar cabeças, apalpar por cima dos ombros e confirmar… Não, não é a minha a que acaba de cair… A lei da selva no local de trabalho é implacável, e, apesar da tensão que se mistura ao ambiente muito tempo antes… sempre nos surpreende e sobressalta a mão do verdugo no pescoço de um companheiro… Mesmo que não nos salpique nem uma gota de sangue do caído… Mesmo que nunca nos tenham dispensado… sente-se uma certa amargura pelo que se vai… e reconforta saber que o facto de ser só uma simples e vulgar porca da engrenagem não é mau… Hoje alegrei-me, e de que maneira, de não ser um sofisticado sensor fabricado a pedido… Porque a funcionalidade e a humildade da porca tornam-na invisível…discreta como só o são as peças importantes…em que só se repara quando se rompem e deixam o mecanismo parado… fazendo com que a produção pare e se comece a medir o tempo em dinheiro perdido… Porcas que se vendem em qualquer loja de ferragens por uma ninharia, mas que, desde que funcionem, mesmo que só seja por preguiça, para não desmontar a engrenagem, continuam ali, e ali continuarão por séculos e séculos… E, se a máquina se desliga, até se podem aproveitar para montar outro mecanismo… É o que têm, são peças simples mas universais, e servem para qualquer motor, para uma máquina de rebuçados ou para um monta-cargas… Porcas duras, resistentes, baratas e polivalentes, encaixamos em qualquer lugar onde nos queiram colocar, e servimos para que a máquina nunca deixe de funcionar…

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Sensibilidade de um Rectângulo...

 

Um mundo diferente

outro… vamos supor

as fotografias são rectângulos

que sentem… e os homens

espelhos de expressão.

O real é mera matriz

para a motriz vontade

de inventar o que existe…

Vou querer pensar

que há um caminho para o verde

e que é o verde que indica a saída…

Vou querer saber

como se rema num coração

que nunca afunda

que resiste à tempestade…

Vou querer estar

nem que só um momento

num mundo miúdo

que é só de papoilas…

Vou querer continuar

a ver a árvore que floresce

e não o muro que me engana

e na volta

a força que empurra a vida

mais motriz que a vontade

porque é dentro…

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As mulheres que me habitam...

 

Percorro o trilho eterno do meu ser… os meus pés cansados caminham pela areia da ampulheta do tempo… que me transporta nos seus braços… ouço o meu nome escrito no vento… Sinto que não vou só… ao longe ouço as vozes das mulheres que me habitam… que se escondem… e me protegem de mim mesma…

A primeira procura entre carícias … revela-se… veste-se de branco… e como uma menina nas noites mais escuras abre os braços ao pó das estrelas que cintilam…para semear sorrisos na manhã…

Outra mais descarada veste-se de vermelho… abraça a vida momento a momento… faz do desejo a sua bandeira… a que não quer esperar… a apressada…a que se transforma em paixão quando ninguém a ouve…

Pode ser a que se veste de negro... vive na minha face mais obscura… no meu outro lado escondida… a mais dura… a que esconde a fera que habita em mim… a que se protege da ignorância por trás dos muros altos que constrói… para que o sentimento não a alcance…

Uma delas é a que se passeia na noite e inunda de chamamentos sem resposta os silêncios das que vivem e morrem nas marés da minha alma…

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Em Companhia do Sol

 

                                                               

Em 1512 o rei Fernando o Católico, ordena ao Duque de Alba a conquista e anexação do reino de Navarra. Os filhos mais velhos de D. João de Jasso partem do feudo familiar para combater pela causa da dinastia destronada. O mais novo, Francisco de Jasso, permanecerá no castelo e vai ser testemunha de tristes acontecimentos como o ataque a Sangüesa e as sevícias às famílias que se mantêm leais ao seu rei. Mais tarde, e por vontade de sua mãe, parte para Universidade de Paris onde é um entre os muitos estudantes do colégio de Santa Bárbara. Vive a vida de estudante universitário entre o estudo de Filosofia e Lógica, as tabernas, a amizade, as mulheres e assiste a autos de fé. Torna-se muito popular pelo seu carisma e qualidades de desportista na corrida e salto em altura. Decidirá aventurar-se numa viagem apaixonante pelo Oriente desde a Índia, passando pelo Japão e a China, guiado por um misterioso ímpeto místico e uma energia transbordante. No romance EM COMPANHIA DO SOL, Jesus Sánchez Adalid descreve com grande fidelidade a fascinante personalidade do protagonista. Tudo isso se mistura com uma delirante realidade tangível, terrena e ao mesmo tempo espiritual, que nos ilustra sobre uma das passagens mais emocionantes da nossa história, pois Francisco Xavier parte para a Índia no reinado de D. João III como núncio apostólico do papa Paulo III. A leitura deste romance constituiu para mim uma agradável surpresa pois mais que um simples romance histórico - biográfico , é uma verdadeira viagem pelo mundo espiritual e místico da figura de S. Francisco Xavier. “Os meus romances são uma forma de evangelização”, diz Adalid. Este escritor da Extremedura começou por ser advogado e juiz, mas aos 25 anos entrou no seminário e actualmente é a pároco de Alage, que pertence à diocese de Mérida-Badajoz. Tem vários romances publicados com grande sucesso La luz del Oriente, El Mozárabe, Félix de Lusitânia, La Tierra sin Mal, El cautivo e La sublime puerta.

“Francisco teve de aguardar algum tempo na antessala que precedia os aposentos privados do bispo. Ali nada denotava luxo, nem estava disposto para impressionar os homens, ao contrário do que era frequente encontrar nas moradas de outros dignatários eclesiásticos. O casarão do bispo de Goa tinha tectos altos e grandes janelas. Mas o mobiliário era austero e as paredes estavam decoradas com escassos quadros, em geral pouco valiosos. Aguardava sentado num forte banco, em frente do qual havia um amplo portão de batente duplo. Pensou que seria a entrada para o escritório. Mas, de repente, abriu-se uma pequena porta a seu lado e apareceu o secretário levando pelo braço o prelado. Francisco pôs-se de pé. O bispo de Goa era um ancião de barbas longas, completamente grisalhas, que caminhava com dificuldade apoiando-se numa bengala. Vestia o tosco hábito dos frades chamados “capuchos” e só se conhecia a sua dignidade episcopal por usar o barrete cardinalício roxo, o peitoril de prata e o anel. Olhou para Francisco com um olhar confuso e perguntou: - Sois na verdade o núncio do Santo Papa de Roma? - Para servir a Deus e a vós, mui ilustre senhor bispo de Goa – respondeu Francisco, ajoelhando-se. O bispo ancião sobressaltou-se e, com grande dificuldade, ajoelhou-se diante dele enquanto exclamava: - Eu é que vos servirei reverendíssimo senhor! Eis aqui o pobre frade franciscano João de Albuquerque, indigno servo da Santa Igreja de Nosso senhor Jesus Cristo! Ambos tentaram beijar a mão um do outro. Esforçaram-se durante alguns momentos. O bispo quase caiu de bruços. De repente, olharam-se fixamente nos olhos. Aperceberam-se do ridículo da situação e do olhar espantado do secretário. - Santíssimo Deus, que tontaria é esta! – suspirou o prelado ancião irrompendo num ataque de riso. Francisco ajudou-o a levantar-se. - Não sabia que vossa reverência era um padre capucho, senhor bispo – disse. - Ah, nem eu esperava que o núncio papal aparecesse com uma tão pobre indumentária. Riram-se de novo. Desde esse momento abandonaram as reverências e o protocolo; deixaram de lado os tratamentos e começaram a falar amigavelmente, como se se conhecessem e fossem amigos de longa data.”

In EM COMPANHIA DO SOL, Jesus Sánchez Adalid, tradução de Luís Cunha Pinheiro, Publicações D. Quixote, 1ª Edição, Novembro de 2006, páginas 271/272 de 342.

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Renascer...

 

O eco de meus passos
sobre a imensidão da vida
e a saudade da minha alma
humedecem como um furacão
os olhos, inundados de intranquilidade
espremendo até à última gota
de existir este coração…
A ânsia de liberdade o desejo de escutar
o seu palpitar e sentir-me surda,

querer ver a beleza da vida
de olhos vendados…
A necessidade de compartilhar
uma alegria e ter que reprimir
o melhor dos sentimentos …
Viver, sentada num barril de pólvora
à espera que a combustão

 dos sentimentos
o faça explodir…
Ter que sorrir
quando o meu desejo é chorar…
Temer o bem e não o mal
reflectir deitada nas lajes
sentir a sua frialdade e dureza
na escuridão da noite de breu…
Decidida
deixei de lado a maldade,
sepultei o que me atormenta…
Levantar… ir em  frente…  dar a cara…
Se nascer começa com pranto
e de felicidade também se chora,
que poderia fazer agora
se decidi renascer?

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Carta de amor... "A quem Amo!"

 

Esta carta é dirigida “A quem amo!” e nunca será entregue… no tempo… e na forma… Deixa de ter valor… pois esta declaração confusa carece de consentimento mutuo… integrando palavras reprimidas ou talvez poéticas o que faz que careça de total validade até na forma da sua entrega… imatura e muito pouco vulgar... Assim considerem sem efeito o que foi dito, e validem este simples comentário da autora:

“ Estas palavras foram escritas num momento de dor e angustia, e são resultado de repressão interior por falta de sinceridade... Se voltasse a escrever uma carta de amor diria: Hoje… agora… neste momento… amo-te… Sinto-te na ausência… naufrago no teu olhar… Reprimo beijos e abraços… correspondem ao chamado da tua alma… o meu corpo excita-se cada vez que te recorda quando me abraças... Por mais que existam medos… devo escrever estas palavras… consciente que são escudo e espada...”

Tua,

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A sombra...

 

A saudade da minha alma,
é fiel companheira
das sombras

do crepúsculo

dançarinas…

Mesmo quando brincam
a aparecer… e desaparecer…

Chegada a alvorada,
abandonam-na à sua sorte,
à luz do sol

numa selva

de asfalto
onde a pisam…
Mais uma vez…

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Não houve palavras...

 

Um fim de tarde,
cruzamos nossos olhos
não houve palavras…
O amor falou por nós,
alma e coração se fundiram
nesse primeiro encontro
entregamo-nos
tu a mim… eu a ti…

Não houve palavras

os olhares nos bastaram
mesmo quando nossos corpos
transpiravam amor…
Não houve palavras
para sentir

o calor de teu abraço
quando nossos olhos

se afastavam…
Não houve palavras

para dizermos

Amo-te.

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Uma pena...

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Liberdade de amar...

 

Como tudo é livre

 desde o inicio luminoso

 dos nossos corpos.

 Fortalezas de praias que perdemos

e frutos que parecem ter guardado

 a nossa respiração.

Um novo jardim sem muros

aquele claustro que soubemos

animar de nossos passos.

Pouso em ti um céu de estrelas

lábios com desejo de sal,

o mesmo luar de ontem

na noite, os olhos brilham

 na ponta dos teus dedos,

as carícias tecem teias

 os anjos riem de pé.

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Cantarolar...

                                                                               

                                                           

 

Há cantigas que nos invadem logo de manhã e que sem sabermos porquê não nos saem do ouvido durante todo o dia.

Hoje de manhã corria um vento, e ao passar junto ao mar lembrei-me da minha cantiga preferida da infância e todo o dia a trauteei. Cantava-a no Jardim Escola João de Deus que frequentei desde os três anos e que foi uma referência e uma recordação doce.

Vou partilhá-la aqui convosco.

 Lembram-se de alguma? Querem partilhar connosco?

 

O VENTO

 

Já o vento me leva ao ar

Coradinha da cor da romã

Pé aqui… pé ali… pé além…

Dá-me um abraço meu lindo bem…

 

Ò que praias tão lindas tão belas

Onde eu ia passear

Sentadinha na areia sozinha

Apanhar conchinhas do mar…

 

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