
O Natal é uma época de emoções para mim.
Talvez as luzes que brilham nas ruas ainda tenham reflexo nos meus olhos. Talvez a criança que vive no meu interior, ainda se deslumbre a olhar no escuro, a iluminação da árvore de Natal, se sinta embevecida com o seu simbolismo.
Esta quadra para mim é um misto de contradições.
Se por um lado me lembra a paz, a solidariedade, o amor e respeito que devia existir para com todas as pessoas e suas opções, por outro lado, lembra-me que isto só existe na véspera do Natal, como que imposto por uma tradição.
Assim, o brilho destas mesmas luzes que invadem o meu interior, lembra-me a desunião, a maldade, a falta de solidariedade que impera o ano inteiro. Lembra-me a hipocrisia das pessoas que, apenas nesse dia, se lembram dos outros…porque fica bem.
No dia de Natal, quando vou deitar os papéis de embrulho para o lixo e vejo os caixotes atulhados, o meu pensamento é sempre igual: - Pronto! Voltou tudo ao mesmo!
Voltam as caras carrancudas, as más respostas, a falta de educação porque já não é Natal.
Lembra-me também que enquanto na ceia Natalícia, estou quentinha a olhar as chamas da lareira, há outros que estão na rua a tiritar de frio. Enquanto eu tenho uma mesa faustosa, existe quem tenha fome, existe pobreza envergonhada…aquela que dói mais, porque escondida.
Enquanto eu rio feliz, há quem engula lágrimas amargas por variadíssimos motivos…tudo isto na noite de Natal.
Assim, o Natal para mim é um misto de emoções contraditórias, de alegria e tristeza, de valorizar o que tenho e de lamentar profundamente o que os outros não têm e deveriam ter.