SOL

 

Manhã serena. O Sol mantêm-se firme no firmamento indiferente ao calor intenso que emite sem cessar. Nada se move. O tempo parou. As flores estão petrificadas. As arvores estáticas…meditativas.

Manhã serena. Mais uma no meio de tantas outras que nascem e morrem sempre iguais, sempre diferentes. Nascem e morrem para voltar a nascer. Trazem com elas a esperança e o brilho no olhar, enquanto  roubam sonhos e transportam a sombra escondida no regaço.

Manhãs…tardes…noites serenas que fundidas nos dias, meses e anos, passam por nós como uma brisa suave e rápida, deixando-nos perceber o quanto a vida é breve e a importância de colher os frutos que ela nos oferece.

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Passeio tranquila à beira-mar enquanto os pensamentos me assolam.

O vento arranca com crueldade pedaços de espuma branca que arrasta pelo ar, como pedaços de sonho à deriva pela vida.

Aperto com força o casaco contra o peito, enquanto um arrepio de frio me percorre.

O rugido do mar é forte e ameaçador, e as ondas enormes, lutam entre si, cruzam-se iradas, deitando salpicos a longa distância devido ao embate violento.

Continuo sem pressas, com passos lentos, deixando o cheiro a maresia invadir-me, purificar-me. Continuo aqui, como na estrada da vida, a deixar-me deslumbrar pela força da natureza, a perceber que nós Homens, tão donos da verdade, tão detentores da ciência, ainda não conseguimos travar a força do planeta enfurecido que habitamos, não conseguimos assimilar a energia positiva que ele nos transmite com os seus silêncios, com os dias tranquilos cheios de luz.

A natureza. Vejo-a tão doce e bela em dias calmos de sol, e tão impiedosa e diabólica em dias de tempestade. Nesses momentos percebemos a nossa pequenez e fragilidade.

Permitimo-nos então com humildade, observar a nossa permanência no planeta e o respeito que lhe devemos para o aquietar.

Temos então noção que as nossas mansões, não valem nada, podem ser apenas castelos na areia varridos por ondas traiçoeiras, trazidas pela vida, por situações perfeitamente inesperadas, transformando-nos de principes em mendigos de afectos e de valores materiais.

Caminho à beira-mar. Deixo o vento forte brincar com os meus cabelos enquanto os meus pensamentos vagueiam inquietos pela praia . Dou por mim a dar graças a Deus por a preciosidade do momento, por todos os pequenos/ enormes momentos da minha vida, e por ter a graça de saber olhar com os olhos do coração, a simplicidade versus grandiosidade, da magia dos dias simples. 

 

 

 

Ao longe, ouve-se um grito aflitivo de um pássaro perdido na escuridão, enquanto um frio gélido e intenso, penetra profundamente a noite. A vida parou. Não se ouve um som.

As casas descansam no silêncio de olhos fechados. Salpicadas nas trevas, vêem-se  uma ou outra janela iluminada, sinal que ali a vida acontece, que está desperta para a negritude  que habita o exterior.

Descansam os cansaços, nutre-se o ser com os silêncios que enriquecem, que nos ensinam.

A meu lado, repousam tranquilos os pensamentos, enquanto deslumbrada pelo cenário, me sinto invadir por uma doce serenidade de ser e estar.

Deixo a paz invadir-me por completo, enquanto os meus olhos se fecham para o mundo  suavemente.

 

 

 

Solto as memórias ao sabor do tempo.

Solto-as ao vento, que as leva e que, as trás de volta até mim. São pedaços de tesouros que liberto por breves momentos, que solto e volto a guardar, que me enriquecem, me formam e  que me alimentam.

No céu, imagino desenhado um sorriso enorme, por o que morreu, por o que nasceu e por o que irá nascer.

Corre assim a vida desenfreada, como um cavalo enfurecido, transportando sonhos, deixando outros para trás e trazendo sempre um rasto de esperança e de beleza pelo viver.

 

 

 

Continuo a minha caminhada ainda sonolenta,  devido à vigília feita no nascimento do novo ano. Este, foi uma ponte para um novo mundo. Lá, do outro lado da ponte, reparo na luminosidade diferente, ofuscante, que incide de forma mágica sobre a folhagem das árvores e da vegetação, dando-lhes uma tonalidade irreal e diferente.

Começo assim o ano. Dou as boas-vindas ao sol, ao brilho das estrelas que cai sobre a noite e olho fascinada para o milagre da vida. Abro os braços à esperança e abraço o amor.

Amor por mim, por os outros, por os animais, por a natureza, por tudo, por nada. Amor pelo próprio amor.

E forro caminhos com ternura, bordados com compreensão, alinhavados com a paixão de viver, tecendo assim, um hino de louvor à vida.

 

 

 

Agoniza o ano velhinho. Olho para ele nos momentos finais, gélido, já sem cor, sofrido nos últimos momentos, cheio de vontade de partir.

Enquanto isso, 2010 prepara-se para nascer rico em esperança, trazendo consigo novos sonhos e a força, para recomeçar de novo esta aventura que é o viver.

Passam os segundos, os minutos e as horas. Sucedem-se os meses, as Estações do Ano,  os feriados para festejar ocasiões especiais, e a caminhada do Homem nunca se detem. Ela continua sempre com sol ou chuva, numa sucessão de acontecimentos alheios ou não à sua vontade, sem reconhecer a existência do tempo.

A todos eu venho desejar um Feliz 2010 pleno de sol, onde impere a paz, a coragem e a alegria para percorrer o novo caminho.

                                                   

                                  FELIZ ANO NOVO

 

 

 

Viajo na tua direcção. Ao calor da lareira revejo o teu rosto, o teu sorriso gaiato. Recebo o teu beijo envolvente e deposito todas as minhas armas. Repouso no calor do teu abraço e rejeito o mundo que me envolve.

Viajo ao sabor da saudade, de um beijo guardado no tempo. A tua recordação cola-se a mim mansamente. Chove lá fora. Lembro-me de ti, de como podias fazer deste dia, um dia cheio de sol.

Viajo na direcção da tua presença ausente.

 

 

 

 

Que o espírito desta quadra vos invada

e se mantenha ao longo de todos os dias do Novo Ano,

manifestando-se em atitudes nas quais imperem sempre a tolerância,

o respeito e o amor pelo próximo.

                                                     A TODOS EU DESEJO

                                                        FELIZ NATAL

 

 

Escuro como breu. A noite surgiu lânguida vestida de negro. Fundo-me com ela e deixo a minha alma repousar no seu seio.

Deposito no seu colo os meus cansaços e fundimo-nos na partilha dos nossos silêncios.

Dançam no vazio palavras caladas, imagens fantasmas do passado presente.

A noite na sua mudez, tudo acolhe num silêncio cúmplice.

Reparo num séquito de estrelas que, fascinado pela sua beleza, a persegue com uma luz ténue, na timidez de perturbar o seu descanso…a sua quietude.

Misturo-me nas suas sombras e deixo-me envolver pelo seu manto escuro. Deixo-me assim repousar em paz no seu sossego.

 

 

 

Aprendi que se aprende errando;

Que crescer não significa fazer mais um aniversário;

Que o silencio às vezes é a melhor resposta;

Que os amigos conquistamos sendo nós próprios;

Que os verdadeiros amigos estão connosco até ao fim;

Que não se espera a felicidade chegar, mas que se procura por ela;

Que quando penso saber tudo, ainda não aprendi nada;

Que a natureza é uma das coisas mais perfeitas da vida;

Que amar significa dar-se por inteiro;

Que apenas um dia pode ser mais importante do que muitos anos;

Que se pode conversar com as estrelas;

Que se pode conversar com a lua;

Que se pode viajar além do infinito;

Que sonhar é preciso e procurar realizar esses sonhos é ainda mais necessário;

Que se deve ser criança a vida toda;

Que o nosso ser é livre!!!

Que Deus não proíbe nada em nome do amor;

Que o julgamento alheio não é importante;

Que o que realmente importa é a paz interior.

 

 

                                    Blandinne

 

 

 

O Natal é uma época de emoções para mim.

Talvez as luzes que brilham nas ruas ainda tenham reflexo nos meus olhos. Talvez a criança que vive no meu interior, ainda se deslumbre a olhar no escuro, a iluminação da árvore de Natal, se sinta embevecida com o seu simbolismo.

Esta quadra para mim é um misto de contradições.

Se por um lado me lembra a paz, a solidariedade, o amor e respeito que devia existir para com todas as pessoas e suas opções, por outro lado, lembra-me que isto só existe na véspera do Natal, como que imposto por uma tradição.

Assim, o brilho destas mesmas luzes que invadem o meu interior, lembra-me a desunião, a maldade, a falta de solidariedade que impera o ano inteiro. Lembra-me a hipocrisia das pessoas que, apenas nesse dia, se lembram dos outros…porque fica bem.

No dia de Natal, quando vou deitar os papéis de embrulho para o lixo e vejo os caixotes atulhados, o meu pensamento é sempre igual:  - Pronto! Voltou tudo ao mesmo!

Voltam as caras carrancudas, as más respostas, a falta de educação porque já não é Natal.

Lembra-me também que enquanto na ceia Natalícia, estou quentinha a olhar as chamas da lareira, há outros que estão na rua a tiritar de frio. Enquanto eu tenho uma mesa faustosa, existe quem tenha fome, existe pobreza envergonhada…aquela que dói mais, porque escondida.

Enquanto eu rio feliz, há quem engula lágrimas amargas por variadíssimos motivos…tudo isto na noite de Natal.

Assim, o Natal para mim é um misto de emoções contraditórias, de alegria e tristeza, de valorizar o que tenho e de lamentar profundamente o que os outros não têm e deveriam ter.

 

Com passos lentos caminhava à beira do rio. Reparava na luminosidade que emanava do dia e que continuava a fasciná-la sempre que a olhava. Semicerrou os olhos com prazer, sentindo a carícia do sol e  no seu interior, vibrou fortemente com a magia da vida.

Junto a si, reparou numa pedra grande, semi-escondida pelas ervas e flores silvestres. Resolveu sentar-se. Respirou profunda e pausadamente como se o ar a purificasse e a enchesse ainda mais de energia. Sorriu. Abriu o alforge e olhou o seu interior. Contemplou embevecida um dos seus maiores tesouros: a amizade.

Sentiu a leveza que lhe transmitia, a alegria, o amor e o bem-estar que continha.

Com a amizade no alforge não há solidão. Os momentos difíceis tornam-se mais leves. Não existe distância nem existe tempo. Existe apenas presença.

Olhou mais uma vez o  alforge, que carrega consigo ao longo da sua vida e viu-o cheio de amizade.

Deu mentalmente graças a Deus pela presença de tantos amigos ao longo da caminhada. Lembrou-se então, que esta, não se agradece, demonstra-se através das atitudes e carinho.

Lançou mentalmente um beijo enorme ao sabor do tempo, do espaço, da distância a todos aqueles que de perto ou de longe, estiveram e estão perto de si com a sua amizade e...sentiu-se abençoada.

 

Hoje levantei-me cedo. Fui sentar-me na minha varanda e resolvi dar os bons dias ao Sol. Fechei os olhos enquanto recebia os raios solares no rosto e serenamente reflecti no que tenho aprendido ao longo da vida.

Aprendi que solidão não é estar só, pois pode-se estar só estando-se acompanhada e estando sózinha, não sentir solidão.

Aprendi que os sorrisos podem ser superficiais e falsos, mas que a tristeza é profunda e dificil de fingir. Aprendi que a mesma nos faz interiorizar as situações, dissecá-las e faz-nos renascer com uma força muito maior para a vida, com o amor-próprio mais elevado, com um sentimento enorme de bem-estar pela mesma.

Aprendi que a verdade é essencial para eu ser feliz  e que a serenidade faz parte do meu caracter. Entendi que quando não percebo as coisas, espero que o tempo me dê as respostas...e dá sempre!

Aprendi a desviar-me do que me faz mal, a valorizar e a dedicar-me de coração aos amigos verdadeiros e a desviar-me dos que não o são.

Aprendi a odiar a falsidade e a mergulhar cada vez mais na verdade, na minha e na dos outros...daqueles que respeito e dos que me respeitam.

Aprendi a saber sorrir com pena dos sorrisos falsos, ao invés de chorar, a responder com verdade à mentira, porque me sinto mais gente.

Por fim...aprendi que tenho muito que aprender, mas que é isso que me faz vibrar com a vida, e que, me faz abrir as mãos com fascinação, por tudo aquilo que ela me quiser dar.

Hallelujah!

 

 

Dei por mim a observar uma pequena borboleta. Saltitava de flor em flor, feliz, com o sol a brilhar no seu interior e a pureza a irradiar dos seus pequeninos passos, como se de uma bailarina se tratasse.

Era uma borboleta vestida de cores alegres e suaves, as mesmas que o criador colocou em todo o universo, que falava com o seu voar, de liberdade de ser e de estar, que voava permanentemente na procura de sonhos. Coloria os seus dias com amor, oferecia o sorriso no olhar, o mesmo que acariciava o universo em seu redor, através do seu voo suave e calmo.

Dei por mim a observar uma borboleta que amava a vida e as cores, o sol e as nuvens e voava tranquila de flor em flor.

 

 

 

Chove abundatemente lá fora. O vento teima em soprar furioso, arrancando folhas às árvores que se curvam doridas com a força que o mesmo faz sobre elas. O céu apresenta-se triste e cinzento, saudoso do sol que, teimoso, se recusa a aparecer.

Olho lá para fora e sinto-me em paz. Sinta esta força enorme de estar bem comigo e com as minhas atitudes. Sou verdadeira e isso basta-me.  É desta verdade que nasce o bem-estar comigo e com os outros. Deixei de exigir de mim. Deixo fluir lentamente, olho com tranquilidade pela janela da vida e teimo em ver o sol, porque não há dias cinzentos quando vivemos em verdade. Sei que a vida é um caminhar permanente, e, caminho com prazer nessa estrada, com muito respeito pelo caminhar dos que seguem a meu lado, sem atropelos, apenas no meu caminho. Se há momentos menos bons? Há! Existem para todos. E se é verdade que alguns servem para aprendermos, corrigirmos e crescermos interiormente, outros não podemos modificar,  restando-nos apenas ter poder de aceitação. Sei que não existem segundos, minutos ou horas que sejam uma repetição . É por isso, que irão surgir dias sempre novos, apesar de aparentemente  iguais.

Olho para o temporal lá fora e sinto-me em paz no meu caminho...na minha estrada.

 

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