SURGIMENTO DO CINEMA E FORMAÇÃO DA LINGUAGEM
Como sabem estou a adorar a acção de formação em cinema que faz parte do lançamento do PNC, deixo aqui alguns apontamentos sobre esta matéria para ajudar a quem se interessa por este assunto.
1. Foi no final do século XIX, em 1895, em França, que os irmãos Louis e Auguste Lumière inventaram o cinema. O Cinema nasce com a apresentação de filmes dos irmãos Lumière a um grupo de 30 pessoas que pagaram para ver cinema pela primeira vez. Na primeira metade deste século a fotografia já havia sido inventada por Louis-Jacques Daguerre e Joseph Nicéphore Niepce, possibilitando esta criação revolucionária no mundo das artes e da indústria cultural: o cinema.
http://www.youtube.com/watch?v=lW63SX9-MhQ

2. LUMIÈRE, MÉLIÈS E O PRIMEIRO CINEMA
O surgimento do cinema no fim do século XIX e o estabelecimento dos dois princípios básicos: o cinema como documento (Lumière) e como sonho (Méliès). As primeiras criações estilísticas: a não estaticidade de Lumière, os truques em Méliès que é o precursor dos efeitos especiais. O surgimento da indústria (Pathé). Hoje admite-se que este cinema dos primórdios corresponde a um outro tipo de espectáculo. Apresentação de vários filmes ingleses, franceses e americanos da primeira década do séc. XX e dos finais do século XIX.
http://www.youtube.com/watch?v=7JDaOOw0MEE

Georges Méliés é personagem do livro "A Invenção de Hugo Cabret",escrito por Brian Selznick, que se tornou filme e ganhou 5 Oscars em 2012.
3. D.W. GRIFFITH – SURGIMENTO DA LINGUAGEM CLÁSSICA
Filmes base: "The Lonely Villa" e "The Lonedale Operator"
É o criador da linguagem cinematográfica.
O surgimento da linguagem narrativa tal como a conhecemos ainda hoje. Procedimentos criados ou sistematizados por Griffith: a ideia de plano, a decupagem clássica (divisão em planos), a montagem alternada, a câmara transparente, a importância da luz, a busca do realismo, a psicologia e a subjectividade. Como todo o movimento de Griffith, a partir de 1908, leva a uma nova compreensão do cinema, que se consubstancia na linguagem clássica e no filme de longa metragem, a partir de 1915. Trechos de Way Down East.
"O nascimento de uma nação"
http://www.youtube.com/watch?v=r9jlJVmXrPk
4. A ESCOLA RUSSA - REVOLUÇÃO E MONTAGEM

Filme base: "O Couraçado Potemkin", de Sergei Eisenstein
http://www.youtube.com/watch?v=3i9FkLOac9s
Filmes de propaganda sobre os planos quinquenais impostos por Estaline.
A influência de Griffith. A montagem como base do cinema. A experiência Kulechov. A montagem estrutural de Pudovkin. Eisenstein e a busca de uma nova narratividade, proletária, a partir do uso da montagem. O épico e o patético. Dziga Vertov e o documentário.
Filme complemento: "O Homem com a Câmara", de Dziga Vertov.
http://www.youtube.com/watch?v=iNCoM6xoO
5. A ESCOLA ALEMÃ 1
Filme base: "O Gabinete do Dr. Caligari", de Robert Wiene
Cultura da Weimar - O expressionismo alemão tem raizes na pintura (1910) e foi rapidamente adoptado pelo teatro, literatura, arquitectura...
O surgimento do cinema alemão de qualidade como decorrência da I Guerra Mundial. Presença do romantismo. Influência de Max Reinhardt. Importância da luz e da cenografia. A derrota na guerra e a emergência de forças irracionais. Características do expressionismo e sua presença em O Gabinete do Dr. Caligari e O Golem. Neste fime tudo gira em torno da angústia. O horror, o fantástico e o crime eram temas dominantes do expressionismo alemão.
Nem todo cinema alemão dos anos 20 é expressionista.
http://www.youtube.com/watch?v=gGeG_KYWdO4
O fantástico em F.W. Murnau. Outras escolas: o kammerspielfilm (Murnau), o realismo social (Pabst), a comédia.
http://www.youtube.com/watch?v=rcyzubFvBsA
6. ERICH VON STROHEIM E O NATURALISMO AMERICANO *
Filme base: "A Marcha Nupcial" de Erich von Stroheim

A decadência de Griffith. O realismo de Stroheim. Busca e importância do detalhe. A coloquialidade como base do cinema americano. Destruição e herança de Stroheim.
7. A ESCOLA ALEMÃ 2: MURNAU
Filme base: "Tabu"
http://www.youtube.com/watch?v=Zlw0fGA9sEI
8. A ESCOLA ALEMÃ 3: FRITZ LANG
Filme base: "M, o Vampiro de Dusseldorf", de Fritz Lang
http://www.youtube.com/watch?v=wfrlp9IzmSs

Fritz Lang e o filme de aventura. As doenças da alma e a questão do olhar em Dr. Mabuse. O duplo em Metrópolis.
http://www.youtube.com/watch?v=ekL3VBD00W0
A derrota da razão em M, o Vampiro de Dusseldorf.
Esta escola foi levada para os Estados Unidos quando importantes realizadores alemães emigraram para Hollywood. O expressionismo influenciou dois géneros: o cinema de terror e o filme negro.
Alemanha nazi - O cinema como instrumento de propaganda do regime:
"O Triunfo da vontade" de Leni Riefenstahl.

"O Judeu Suss" de Veidt Harlan.

A ERA CLÁSSICA: O CINEMA DE GÉNERO
9. HOLLYWOOD, A FORMAÇÃO DA INDÚSTRIA E DOS GÉNEROS - O POLICIAL *
Filme base: Fúria Sanguinária, de Raoul Walsh
Como se forma a indústria hollywoodiana. O sistema de estúdios. A ideia de linha de montagem e o controle do produtor. O filme de género como regulador da ideia industrial (produção em escala). Géneros e estúdios. Apogeu e decadência do sistema clássico. O policial clássico, visto em Fúria Sanguinária, obra-prima do género.
http://www.youtube.com/watch?v=_P-gq2qnuWQ
Exemplo de comédia: Contrastes Humanos, de Preston Sturges, clássico da segunda geração da comédia sofisticada; Vincente Minnelli e Assim Estava Escrito; o funcionamento da Hollywood clássica e sua decadência. O “génio do sistema”.
10. O CLÁSSICO POR EXCELÊNCIA – JOHN FORD
Filme base: No Tempo das Diligências
Situação de John Ford na indústria cinematográfica americana. O que é o filme clássico e sua relação com o moderno. Ford, o criador do mito da América.
http://www.youtube.com/watch?v=oqmCDu41gPI
11. COMÉDIA – LUBITSCH
Filme base: Ser ou Não Ser
Os tipos de comédia. Contribuição europeia para Hollywood: Murnau, Fritz Lang, Lubitsch, outros. Significado do classicismo cinematográfico. Grandes cultores da comédia sofisticada. Lubitsch, a censura, o duplo sentido. O desejo no universo de Lubitsch.
A comédia burlesca (slapstick) e sua passagem do teatro ao cinema. Urbanização, velocidade e comédia. Conflito homem vs. máquina. Os comediantes mais destacados do mudo: Charlie Chaplin, Buster Keaton. O primeiro grande comediante: Max Linder. O burlesco no sonoro: Os Irmãos Marx (incorporação da palavra à mímica e à música), Jerry Lewis.
12. FAROESTE - O GÉNERO HISTÓRICO AMERICANO
Filme base: E o Sangue Semeou a Terra, de Anthony Mann
Carácter histórico e mitológico do género, seu significado e evolução. A guerra de conquista territorial, suas justificativas. Evolução do género e seus temas. A primeira geração do sonoro: John Ford. A segunda geração: Anthony Mann. Decadência e "western spaghetti".
NA PASSAGEM DO CLÁSSICO AO MODERNO
13. GRANDES AUTORES 1 – JEAN RENOIR
Filme base: A Besta Humana
Influência de Auguste Renoir, seu pai. Influência de Von Stroheim. Diversidade da obra: comédias, dramas, musicais, adaptações. O engajamento político. Renoir e Emile Zola: a tragédia operária em A Besta Humana. Destino e determinismo social. O precursor do neo-realismo.
14. GRANDES AUTORES 2 - HOWARD HAWKS
Filme Base: Levada da Breca Elementos de modernidade no classicismo hawksiano. O individualismo. A acção como resgate do homem. A amizade masculina. A câmara à altura do homem e o humanismo hawksiano. O sentido da existência. Levada da Breca e a comédia screwball.
15. GRANDES AUTORES 3 – HITCHCOCK *
Filme base: Frenesi Hitchcock e o suspense. A aventura do homem num mundo organizado pela aparência. O catolicismo em Hitchcock. A natureza dual do mundo: crime e inocência, aparência e realidade, ser e parecer, corpo e alma. “O que é verdade?”. “O que é a imagem?”
16. GRANDES AUTORES 5 - YASUJIRO OZU
Filme base: Bom Dia As tradições do cinema japonês, desde o mudo. Alguns de seus grandes autores: Kenji Mizoguchi (geração do mudo); Akira Kurosawa (pós-guerra), Nagisa Oshima e Shohei Imamura (nouvelle vague).Ozu e a crítica do cinema como manipulador de realidade: “uma media tirânica”. O sistema Ozu: formas de retirar o autoritarismo do cinema, pelo estabelecimento de um diálogo espectador-tela. A arte como forma de dominar o caos do mundo e exibi-lo.
17. GRANDES AUTORES 5 – DOUGLAS SIRK
Filme base: Palavras ao Vento
Sirk e o maneirismo. O melodrama como transposição da tragédia para o universo da classe média. Estética do excesso. O flerte com o banal. Rainer W. Fassbinder, discípulo de Sirk.
18. A CRISE DE 1930 E O FILME “B”
Filme-base: Gun Crazy – Mortalmente Perigosa, de Joseph H. Lewis
O que é filme“B”. Significado histórico dessa categoria de filmes. Decorrências para o cinema moderno e contemporâneo. “Tirar o tudo do nada”. A liberdade na pobreza: policial e erotismo em Gun Crazy. Outro Lewis: Reinado de Terror. A escola de Val Lewton (fragmentos de Sangue de Pantera).
19. A MONTAGEM
O que é montagem. O trabalho do montador. Exemplos de montagem.
20. A DIRECÇÃO CINEMATOGRÁFICA
Princípios de direcção cinematográfica. Etapas da realização do filme. Os vários elementos envolvidos no acto de dirigir.
21. PANORAMA DO CINEMA JAPONÊS
22. BRASIL 1 – O CLASSICISMO
Filme-base: Ganga Bruta, de Humberto Mauro
O surgimento do cinema no Brasil. Primeiras crises. A era dos ciclos regionais. Adhemar Gonzaga e a ideia de cinema industrial: a Cinédia. Arte industrial num país pré-industrial. O ciclo de Cataguazes. Humberto Mauro: traços de realismo, naturalismo e romantismo. A “arte prosaica”. Apogeu do mudo brasileiro no início dos anos 30: Mauro, Mario Peixoto, Octavio Gabus Mendes.
23. Dreyer - A ESCOLA NÓRDICA
Filme-base: A Palavra, de Carl Theodor Dreyer
24. ORSON WELLES E A MODERNIDADE *
Filme base: Cidadão Kane
O que é cinema moderno. Condições para o surgimento da estética moderna. Transformação da linguagem cinematográfica (crise da estética da transparência). Prefigurações do moderno. O cinema se repensa a partir de sua história. Kane e a nova organização espacial: profundidade de campo, plano sequência, o som, sentido da fotografia. Orson Welles e o tema do labirinto: o mundo moderno como mundo instável. Diálogo com outras artes.
25. ROBERTO ROSSELLINI E O NEO-REALISMO
Filme base: Alemanha, Ano Zero
O cinema italiano no fascismo. O que é neo-realismo. Características centrais. Se Roma, Cidade Aberta é a eclosão do novo cinema europeu, Alemanha, Ano Zero traz a plenitude desta corrente, ao mostrar um drama moral e social na Berlim do pós-guerra. A ideia de liberdade em R.R. O catolicismo. O cinema contra a sociedade do espectáculo. O primado da ética e do autor. Os “neo-realismos”. Multiplicidade do moderno.
26. A CRÍTICA FRANCESA NO PÓS-GUERRA
Filme base: Mónica e o Desejo, de Ingmar Bergman
Evolução do pensamento crítico. Os teóricos-realizadores da era clássica. Segunda Guerra e cinefilia. Surgimento da Cinemateca: o cinema e o reconhecimento de sua história. O realismo de André Bazin como matriz do pensamento crítico no pós-guerra. O cineclubismo. Os “Cahiers du Cinéma” e a geração dos “jovens turcos”: Truffaut, Godard, Rohmer, Rivette e Chabrol. Reavaliação histórica do cinema. Combate à “qualidade francesa”. O que é “autor”. A “política dos autores”. Redefinição do cinema e preparação da “Nouvelle Vague”.
27. ROBERT BRESSON
Filme base: Pickpocket - O Batedor de Carteiras
Robert Bresson, um “cineasta de cineastas”: a ideia de “cinematógrafo; o assunto como pretexto; o combate ao “teatro filmado”.
28. AMÉRICA: A GERAÇÃO DO PÓS-GUERRA
Filme: Anjo do Mal/Pick Up on South Street, de Samuel Fuller
A crise do “sonho americano”: desilusão do pós-guerra; Guerra Fria e macarthismo. A diluição das fronteiras morais. Transformações nos géneros e transformação do herói. A América da maturidade: Nicholas Ray, Elia Kazan.
29. DEPOIS DO NEO-REALISMO: ANTONIONI
Filme base: Blow Up - Depois daquele Beijo
O “neo-realismo sem bicicleta”. Desdramatização e rarefação da intriga. O real tensionado. O homem diante da liberdade. O homem depois de Deus.
30. NOUVELLE VAGUE 1 -FRANÇOIS TRUFFAUT
Filme base: Os Incompreendidos
Elementos básicos da Nouvelle Vague. O cinema que se faz a partir do conhecimento da história. A substituição do artesão pelo autor. NV: núcleo central (Truffaut, Godard, Rivette, Rohmer, Chabrol) e agregados. A acção e a coloquialidade como fundamentos do novo cinema. A ideia de independência criativa. Transformações técnicas, estéticas, políticas, sociais e económicas decorrentes da NV.
31. NOUVELLE VAGUE 2 – ALAIN RESNAIS
Filme base: Hiroshima Meu Amor
O impacto de Hiroshima. Relato não-linear e espaço fragmentário. Afastamento do literário e da psicologia. O filme como recriação (e não como imitação do mundo). A memória. Facto, memória e discurso. O real questionado. O realismo de André Bazin questionado. Campo e extracampo. Trama de imagens e som. A inexistência do tempo.
32. NOUVELLE VAGUE 3 - JEAN-LUC GODARD
Filme base: Alphaville
Vários momentos da “revolução” godardiana. Enquadramento e apreensão do real; plano sequência e decupagem clássica; ausência de roteiro e busca de reencontro do cinema mudo; montagem como princípio organizador; citação e agregação de outros universos; o filme como documento: actualidade e actualidades; descontinuidade; os diversos usos da fala, da música, dos ruídos.
33. CINEMA BRASILEIRO 2 – A ERA MODERNA *
Filme base: Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha
O cinema brasileiro e a busca de legitimidade a partir dos anos 40: Atlântida e Vera Cruz. Introdução do neo-realismo. Fundação de uma cinedramaturgia brasileira e seus fundamentos. Cinema como instrumento de libertação nacional: "estética da fome". Instauração de um modo de produção: a câmara na mão. Cinema Novo e sua relação com a técnica. Glauber e o anti-espetáculo: revelação e questionamento do real. Barroco e opacidade. História e destino.
34. O ROTEIRO
Filme base: O Padrinho (introdução), de Francis Ford Coppola
O texto dentro da concepção do filme. Estágios do roteiro. Género, tom, unidade. Elementos básicos do roteiro cinematográfico. Plot e subplots. As etapas do roteiro: exposição, evolução, desenlace. Tipos de cena. O clichê e sua função. Concisão, ritmação, “viradas”.
35. CINEMA BRASILEIRO 3
Filme Base: O Bandido da Luz Vermelha, de Rogério Sganzerla
Principais decorrências do Cinema Novo nos anos 60. A influência da cinefilia e do cinema popular. Embrafilme, experiência de empresa estatal.CINEMA CONTEMPORÂNEO
36. CLINT EASTWOOD *
Filme base: Os Imperdoáveis
A crise do moderno. O retorno à narratividade. A imagem como referencial do filme. Hollywood e a introdução do “blockbuster”. Os Imperdoáveis e a história do faroeste. Os Imperdoáveis no contexto contemporâneo. O Oeste como lenda e como história. O simulacro.
37. ERIC ROHMER
Filme base: Noites de Lua Cheia
O trabalho com a imagem numa era de inflação de imagens. Cinema meio e cinema fim. Cinema como arte do espaço. A recuperação da transparência narrativa. O jogo do real e do imaginário.
38. DAVID CRONENBERG
Filme base: eXistenZ
Os meios de comunicação como extensões do homem. Homem, ciência, mutação. Os monstros inquietantes. Diferença entre o monstro clássico e monstro cronenberguiano. Realismo e realidade virtual. Crise do sujeito. A comunidade desviante. Fonte narrativa em D.C. A imagem como ilusão.
39. ABBAS KIAROSTAMI
Filme base: Onde Fica a Casa do Meu Amigo?
Anos 80: a vanguarda vem da Ásia. China e Irão. Algumas características do modo de produção iraniano. Kiarostami: plano e duração do plano. Tempo e suspense. O sistema A.B.: filme como produto do contato entre espectador e projeção. Incompletude das imagens e público.
40. BRIAN DE PALMA
Filme base: Redacted - Guerra sem Cortes
41. CINEMA ARGENTINO
Filme base: O Pântano, de Lucrécia Martel
42. DAVID LYNCH
Filme base: Mulholland Drive - Cidade dos Sonhos
O mistério e a experiência do mistério. O quebra-cabeça narrativo. Dissociação do sujeito. Narrativa vs. verossimilhança.
43. CINEMA BRASILEIRO 4 - ANOS 90 E DEPOIS
Filme base: Serras da Desordem, de Andrea Tonacci
44. CINEMA PORTUGUÊS - 1
Filme base: "Saída dos operários da fábrica confiança"
Trata-se da saída dos operários da fabrica Confiança filmada em 1896 no Porto por Aurélio da Paz dos Reis. Aurélio Paz dos Reis nasceu no Porto em 28 de Julho de 1862, deslocou-se a França e ao Brasil, com intuito de fazer representações comerciais, mas também para fotografar. Na sua actividade de fotógrafo gostava de tirar retratos a pessoas, família, amigos, gentes do teatro, era também um fotógrafo de rua. Explorava essencialmente a estereoscopia (fotografia com relevo que cria uma sensação de tridimensionalidade). Aurélio vendia película da marca Lumière & Jougla, assim como também vendia máquinas de escrever Yast e automóveis franceses da marca Minerva.
A certa altura, pensou em comprar um cinematógrafo aos irmãos Lumière, mas estes não lho venderam, acabando, por comprar aos irmãos Werner (juntamente com o seu cunhado), um aparelho cronofotográfico, uma variante do cinematógrafo, com um funcionamento mecânico diferente mas que cumpria o propósito a que se destinava - filmar. Com este equipamento Aurélio da Paz dos Reis filma a fábrica do amigo, António da Silva Cunha, a Camisaria Confiança, na Rua de Santa Catarina, n.º 181. Este filme é a primeira obra de referência do cinema português.
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