Que sei eu de mim?
Se eu pudesse ter...
Se também eu pudesse fruir ...
Os filósofos bem podem explicar-nos que a opinião do mundo pouco conta e que só importa aquilo que somos.
Quando deixamos de nos preocupar com a maneira como o outro nos vê, deixamos de o amar.
(Milan Kundera)
Um dia, quando a ternura for a única regra da manhã, acordarei entre os
teus braços, a tua pele será talvez demasiado bela. E a luz compreenderá a
impossível compreensão do amor.
Um dia, quando a chuva secar na memória, quando o Inverno for
tão distante, quando o frio responder devagar com a voz arrastada
de um velho, estarei contigo e cantarão pássaros no parapeito da
nossa janela, sim, cantarão pássaros, haverá flores, mas nada disso
será culpa minha, porque eu acordarei nos teus braços e não direi
nem uma palavra, nem o princípio de uma palavra, para não estragar
a perfeição da felicidade...
Texto de autor - Tomás Gonçalves
O que é que designa por «primeiro nível da ética»?
"É o nível mais imediato e universalmente acessível. Somos mais propensos para combater o mal que sentimos, ou do qual somos testemunhas, do que a procurar uma felicidade que imaginamos.
A busca do bem-estar é mais difícil do que o alívio do sofrimento, porque é mais individual e perdura. É mais fácil estarmos de acordo sobre uma ética mínima para evitar o mal e a dor do que sobre uma ética mais elaborada, para o cumprimento do bem e a busca da felicidade.
A primeira é uma ética da criança, quase espontânea, desencadeada, sem reflexão, pela piedade ou pela indignação. Actualmente é esta a que melhor funciona, graças aos media, pois constitui o principal motor daquilo que se designa por humanitário.
A outra é uma ética de adulto, exigindo uma longa reflexão e mesmo uma ascese, dado que não é obtida imediatamente.
Poderíamos esperar que o poder poético, aquele que pertence aos jornalistas-educadores, fosse exercido por «bons poetas»: a educação deve não só procurar ensinar a verdade e desencadear a indignação mas desenvolver também o espírito crítico.
Trata-se, em especial, de formar telespectadores críticos e exigentes. É o único meio para que os programas que os vão educar durante toda a vida sejam eles próprios de qualidade."
ATLAN, H. - Bousquet, C. (1996) Questões sobre a Vida. Entre o saber e a Opinião, Lisboa, Instituto Piaget, pp. 14 - 15.
...
No Vazio das minhas mãos
Trago um Cheio imenso que não consigo suster.
...
Há Vazios que são Cheios. E que por serem tão Cheios nos deixam convencidos que são Vazios.Ou melhor, existem Vazios que são exactamente o contrário do que são...É estranho ter a estante cheia de livros, alguns ainda não lidos, e afirmar que não temos absolutamente nada para ler. Também é extremamente bizarro ter o roupeiro a abarrotar de roupa e não encontrarmos absolutamente nada para vestir. Estaremos cegos ou confusos? Estaremos afinal Vazios ou Cheios? E esse Vazio é o Cosmos ou o Caos ? Até podemos chamar-lhe confusão. Até aceito que podem ser confusões desarrumadas onde os próprios Cheios nos levam assimilá-los como Vazios. Mas a confusão é tão relativa como o belo, assim como o perfeito é tão relativo como o Amor...
D. Carlos.
Regicídio.
A banda do Exército foi impedida por Despacho Governamental de actuar nas festividades.
Encontro-me com o meu ser. Desacordada nesta cama. Foste mais do
que memória nos corpos de outros. Não eras tu. Não era ninguém. Ninguém
que me ficasse na memória. Só tu. Quem eu procurei noutros sorrisos,
noutros seres. Fiquei, sorri. Entreguei-me aos prazeres da carne. Fingi
que te tinha. Mas não tinha. Não eras tu. Nem sequer uma imitação de
ti. Mas fechei os olhos e vi-te. Talvez até te tenha sentido. Em muitas
alturas, estiveste comigo. Até ao despertar. Até voltar a olhar o
escuro. Este escuro em que a minha alma se tornou. É quando esta luz
sombria me envolve, que a solidão me dói mais. Porque percebo que me
enganei de novo. Que me afundei mais ainda nesta escuridão. Não eras
tu. Nunca mais serás tu, aqui ao meu lado, no meu corpo. Apenas
permaneces em mim, em memória que teima em não desaparecer. E eu, que
te tenho aqui, percebo que a cada imitação tua que encontro me sinto
mais só, mais longe de te ter. A ilusão dos corpos. O pesadelo logo a
seguir. Agora, apenas quero deixar-me dormir. Deixar o meu corpo
repousar deste sexo fingido que não me cala a dor. Deixar-me dormir e
quem sabe, sonhar contigo. Uma vez mais.
(in "O corpo dos outros")
Foi assim
no prazer duma certa dor
ou na dor que há em todo o prazer.
Com a Reforma Gregoriana (15 de Outubro de 1582) estabeleceu-se o dia 1 de Janeiro para começo do ano. Com esta reforma institui-se o calendário Cristão.
Janeiro é representado pelo Deus Janus, o Deus da Paz.
Celebra-se a 1 de Janeiro de 2008, o 40.º aniversário do "Dia Mundial da Paz". O dia 1 de Janeiro de 1968 foi o "Dia da Paz". De cariz religioso, este "Dia" de Paulo VI, prosseguido com muito empenho por João Paulo II, não pode hoje ser apenas mais um "Dia". Sejamos religiosos ou não, somos seres humanos que vivemos em sociedade, a qual, para se desenvolver precisa urgentemente de PAZ.
Mas onde se encontra afinal o animus da Paz?
Andará tão perdido quanto os homens onde seria suposto habitar? É o que parece.
Eu ainda quero acreditar que Segurança e Paz podem e devem coexistir em harmonia.


Porque ter fantasias é preciso.
Porque a magia ainda pode acontecer.
Porque sempre é melhor ser-se melhor por força do calendário, embora o desejável fosse que tal acontecesse sempre...
Feliz Natal!
Com muita PAZ.
VIVER NÃO É UMA ALEGORIA!
VAMOS ABRIR O CORAÇÃO.


mais imagens em Hartmut
Schwarzbach, Biography, aqui,e aqui

3 º Prémio de Hartmut Schwarzbach, Alemanha, ARGUS
Smokey Mountain - "Crianças de carvão "acampamento em Manila (tradução parcial e livre)
No seu nono aniversário, Annalyn S. * foi fotografada pelo fotógrafo
alemão Hartmut Schwarzbach, feliz a saltar sobre um sofá vermelho
que ela tinha encontrado na lixeira perto da cidade de Manila
(Filipinas). Já lá vão três anos Annalyn e sua família vivem ao lado
de Manila e da enorme lixeira chamada "Aroma Smokey Mountain", num acampamento de carvão.
Como a
maioria das outras crianças, neste campo, Annalyn tem que procurar madeira entre o lixo todos os dias (...)
Como quase todas as crianças aqui, Annalyn é subnutrida para o seu tamanho e idade real, parecendo ter apenas cinco anos de idade. Muitas das crianças não sabe ler nem escrever. Um dia, Annalyn pretende ser professora.
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Comentário:
Isto sim, deve ser o tão proclamado por estes dias, Espírito de Natal. Não, não o proclamado (efémero, consumista, hipócrita). Este. Sim, este, tão perto da pureza, da entrega, da verdade, em suma...da Alegria da Vida. Que estranho paradoxo! ... Ou seremos nós que somos estranhos?
Quando soubermos dar valor às coisas simples, a vida terá mais côr.
Então será Natal.
Boas Festas para todos.
... Ou Santo e Feliz Natal.
... Ou Solstício.
... Ou ... autenticidade!

Aumento do HIV/ SIDA, co-infecções (tuberculose, tuberculose multi-resistente, hepatites), sub-notificação, não monitortização, aumento da discriminação por parte de quem tem grandes responsabilidades, ineficácia das campanhas, aumento da incidência de morte nas crianças com mais de 2 anos, reaparecimento da sifilis neo-natal, aumento da gravidez da adolescência.
Adenda: Escamoteando esta realidade, o Sr. Ministro da Saúde, disse no Conselho Nacional para o HIV/Sida que " a incidência e a prevalência do HIV/sida em Portugal está a diminuir".
Primeiro
choramos as sílabas por dizer
e os sons agudos que não queremos percorrer.
Depois
Descobrimos que a estrada é de ferro
e que as palavras ficaram no estendal.
E a seguir...
Não me encontrei.
Chorei sem calma.
Gritei por mim.
A voz perdeu-se.
Quem me vê
Não me vê o que sou.
Lê-se num artigo do DN de Hoje, Secção "Ciência", o seguinte:
(negrito e sublinhado nosso)
A espécie humana corre o risco de se dividir em duas subespécies dentro de cem mil anos. Esta possibilidade foi avançada pelo especialista em evolução Oliver Curry, do Centro de Investigação de Darwin da London School of Economics.
As duas subespécies vão dar origem a uma classe superior e uma inferior. Para o investigador, a espécie humana vai atingir o seu pico no ano 3000. Mas depois vai entrar em declínio, devido à sua dependência da tecnologia. A partir deste ponto, o ser humano vai tornar-se mais exigente na escolha de um parceiro, causando uma divisão em duas espécies. Os descendentes da classe superior serão altos, magros, saudáveis, atraentes, inteligentes e criativos. Os descendentes da classe inferior serão baixos, feios e pouco inteligentes, uma espécie de goblins.
Até lá, os seres humanos vão medir entre 1,80 e 2,10 metros, enquanto a esperança média de vida vai prolongar-se até aos 120 anos. Os homens vão ter feições mais simétricas, o queixo mais quadrado, a voz mais profunda e o pénis maior, enquanto as mulheres vão ter menos penugem, olhos maiores e mais claros, cabelo brilhante e seios mais robustos.
No entanto, a dependência humana pela tecnologia terá as suas consequências. Oliver Curry acredita que, dentro de dez mil anos, o ser humano perderá as capacidades de comunicar e sentir. Sentimentos como o amor, simpatia, confiança ou respeito deixarão de existir. Os nosso hábitos alimentares também vão sofrer alterações. Vamos mastigar menos, pois os alimentos serão menos elaborados. Ficaremos com maxilares menos desenvolvidos e com queixos mais pequenos.
"Não podemos prever exactamente o que irá acontecer, mas podemos fazer previsões com base no conhecimento que temos da evolução", disse Oliver Curry.|