SOL
Saco vazio

Para caçar gambuzinos, bichos inexistentes que vivem no campo em estado semi-selvagem, necessitamos de dois ou mais conspiradores, uma ou mais vítimas credíveis (de preferência personalidades do meio local, com família, com pouco tempo e por isso pouco dadas a noitadas no bar publicitado do burgo), que não apreciem rural raves e as suas controversas vicissitudes logo e sempre desculpáveis pelos parceiros por causa dos elos sociopolíticos.

A tradicional saca de serapilheira pode ser substituída pelas novas tecnologias de informação, de preferência registadas noutro continente e, por isso, protegidas da lei deste canto à beira mar plantado. Já as latas e os paus, para cada um dos conspiradores fazer barulho a apanhar gambuzinos, estão logo garantidas pois o anonimato de quem grita blogues hipoteticamente protegidos sempre dispensa provas de masculinidade, trabalho, família, crença religiosa e política e também lhes confere a falta de vergonha ou, em agrometal, a “ganda lata”.

Caçar gambuzinos = saco + conspiradores + vítimas + barulho

Todavia, todos sabem que a caça aos gambuzinos é proibida. Só que… promove socialmente quem a organiza e, até economicamente, pois alguém sempre lucra pelo status, pela reunião e pelos copos do grupo de amigos. A paródia, a maledicência, a mentira (tomada verdade por ausência de resposta, mas quem cala consente?!), funcionam como espanta-espíritos de bom rendimento. A avidez dos consumidores destes jogos mistura-se com a necessidade de encontrar culpados para o estado das cousas que nos apoquentam, ou seja, para o triste quotidiano, para a crise, e até, nalguns casos, para mostrar que os cursos superiores não servem para coisa nenhuma (excepto para avivar a mágoa de não ter neurónios ou conhecimentos que, há uns anos, lhes garantissem um diploma e outros voos, esses por concelhos mais prósperos ou pela Europa fora).

Mas, sabe-se lá como, sempre há algo que escapa ao grupo que pretende gozar e denegrir as vítimas pois:

- elas podem querer entrar no jogo, fazerem-se despercebidas e… os caçadores podem afinal, enganar-se ou caír em armadilhas doutros jogos ou até serem confrontados com animais ferozes;

- um dos caçadores denuncia-se, inadvertidamente, ou talvez não;

- os copos e a música pesada atordoam a comunicação e entendimento no grupo;

- a lengalenga já é velha e, com tanto barulho, com latas repetidas e rastos criados, o saco revela-se roto.

Desmascarados ou conscientes da situação gorada, os caçadores desarmados e apoderados de cobardia, sem apoio do poder mal calculado, fogem em debandada antes de se abrirem os sacos à beira das tocas, pois… já sabem que há momentos em que se pia mais fino e sempre souberam que os gambuzinos não alimentam o povo.

Afinal há mais vida para lá do espectáculo!

Ser feliz

Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma .
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Augusto Cury


"Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

Nemo Nox

Brilho constante

A pedagogia ou a transmissão/facilitação do acesso ao conhecimento não se centram dentro de quatro paredes ou cantos. Cada vez mais a aprendizagem é uma estrela ou uma flor (não uma rede ou uma malha) de ponto central no indivíduo, em que ele, por si e com a ajuda de mediadores (de origem diversificada), no seu meio e com experiências no mundo real ou virtual, vai alongando e fortalecendo as diversas pontas ou pétalas e, assim, cresce e desenvolve-se de forma completa.

 

Na perfeição, essa estrela chega à fase em que esgota o seu combustível, concentra-se, fechando-se em novos elementos e, no caso de estrelas mais crescidas, fantasticamente, explode como supernova. Quanto à flor, preenchida ou entrecortada por pétalas, passe ou não pela fase de fruto, concentra-se na semente que, ao seu jeito e no seu meio, rebenta (nova). E o ciclo completa-se e recomeça, não é um fim, não é um princípio, é uma transformação, ou melhor, uma ligação. Se quisermos, essas sim serão as ligações ou laços nas redes física e espiritual, em que a massa compreende e se abre em energia.

Os empreendedores, na procura de soluções, não se centram nunca em quatro simples cantos. Não se definem pela geometria ou por uma visão única e fechada das situações.

Um professor é um cidadão privilegiado para estabelecer ligações, entre pessoas e meios, definir problemas, estudar soluções e transmiti-las. Por vezes, de modo formal e estruturado, em associação. É um cidadão normalmente mais vocacionado para unir margens e compreender diferenças. A linguagem que escolhe deve adaptar-se ao que pretende e a quem pretende transmitir. A sua actuação está no meio envolvente e na comunidade; É, desde há muito, inaceitável fechar-se num quadro negro, entre quatro paredes e com portas e janelas fechadas. Daí se apelar à sua polivalência como educador e até como animador.

O político quererá sobretudo agradar, o educador tem a sua missão, aceitem-na ou não, ... O dilema reside nesse ponto, entre o que deve ser feito porque é justo, correcto e faz falta e o que a maioria gostaria (ou daria jeito) que acontecesse, mesmo sem medir consequências. Os alunos/formandos costumam saber distinguir entre quem assume uma missão e quem apenas exerce a profissão; Sabem fazê-lo pondo de lado simpatias e amizades,...

  • Na política (local, de pequena dimensão e reduzido raio de actuação) qual é o caminho ou a orientação? Não se sabe para onde se vai e só se sabe que não se vai por ali?
  • Quem gere os destinos de um município deve concentrar-se nessa actividade, encontrar aí uma missão e ser esse o centro do seu universo? Ou deve, antes, tomá-la como ponta de uma estrela, mesmo que em fase de supernova?
Qualidade de vida em Constância

OU ANTES a necessidade de desmistificação dos resultados de...

       ... uma das 5 melhores escolas do país

       ... o melhor município para estudar

       ... o 6º concelho em qualidade de vida, subindo 42 posições

 

Dá sempre jeito olhar para os rankings e prémios num ano de eleições. E mais uma vez disso tem dado BOA conta a Câmara (CDU) de Constância.
A seguir ao prémio de "melhor município para estudar" e à classificação de "muito bom" obtida pelo Agrupamento de Escolas de Constância, constando de um leque muito restrito que obteve essa menção em resultado de uma inspecção, chega agora "O município do distrito de Santarém com melhor qualidade de vida em 2006". Tudo isto se explica pela relatividade numérica ou de dimensão da amostra. Tudo isto concentrado em sete meses de 2009!
  • No primeiro caso tínhamos apenas cerca de uma dezena de municípios a concorrer por categoria. E vários dos méritos da candidatura de Constância espalham-se por várias entidades do concelho. O prémio deveria antes justificar-se em "melhor município para estudar de entre 10 ou 12 concorrentes". A bem da informação tão cara (mesmo financeiramente) ao Município, deveriam fazer esses esclarecimento e contextualização.
  • No segundo caso, um agrupamento com reduzido número de alunos e de escolas, em que a realidade e a preparaçao dos painéis avaliados se prepara rigidamente e treinadamente nada tem a ver com outros contextos de outros municípios. Por exemplo, Constância nem consta do ranking de exames do Ensino Secundário e tem um pavilhão recentemente construído para leccionar Ensino Secundário. Mas, também é verdade que nem todos os agrupamentos de escolas deste país se podem vangloriar de terem nos seus executivos dois "familiares" directos de vereadores do município. São, digamos, um concelho e uma escola demasiado familiares e unívocos.

DESTA VEZ, não tenhamos novas ilusões nem nos queiram vender mais gato por lebre. O que está em causa é o investimento por mil habitantes em diversas áreas. Sendo um concelho com menos de 4.000 habitantes, qualquer investimento aparece sobrevalorizado. E, de facto, apesar de se criticar o interesse para a população local, têm sido concretizadas obras como um Centro Náutico, o Parque Ambiental, o Centro de Ciência Viva, parques de jogos, actividades culturais de avultados investimentos. O valor por habitante é elevado, daí a boa posição.

Por outro lado quem preenche os inquéritos analisados são as próprias câmaras, ou seja, não é o grupo de investigação que faz essa recolha ou levantamento. Leia-se:
Recorde-se que de 2005 para 2006 Constância subiu 42 posições! "Subir oito ou 10 lugares parece-me normal, mas há outras em que, se pensarmos um pouco, não vemos razões para serem tão grandes". "Não consigo encontrar explicação. Nós trabalhamos com os dados do INE. Pode às vezes ter havido o preenchimento de inquéritos com menos seriedade", refere. Seja como for segundo o principal responsável, "nunca se fez um estudo em Portugal com tanta variável como nós utilizamos neste. É um trabalho fiável", garante.
A bem da transparência e da verdade para os cidadãos, recomenda-se que o Presidente Mendes e a Câmara Municipal de Constância usem, finalmente, o bom senso na divulgação dos prémios ou rankings ou seja, que se divulguem os critérios ou formas de avaliação e as diferentes realidades nacionais tratadas todas do mesmo modo! É que quem faz os estudos ou atribui prémios sabe, e muitas vezes releva as linhas com que se cosem, mas quem os divulga com interesse próprio prefere não contar tudo.
Ser constante
Ser constante é não se perder dos objectivos traçados e não perder a esperança de ver seus sonhos realizados.
Clara da Costa
Inconstância 3

Sedução procurada

 

Inconstância 2

Procurei o amor, que me mentiu.
Pedi à vida mais do que ela dava;
Eterna sonhadora edificava
Meu castelo de luz que me caiu!

Tanto clarão nas trevas refulgiu,
E tanto beijo a boca me queimava!
E era o sol que os longes deslumbrava
Igual a tanto sol que me fugiu!

Passei a vida a amar e a esquecer...
Atrás do sol dum dia outro a aquecer
As brumas dos atalhos por onde ando...

E este amor que assim me vai fugindo
É igual a outro amor que vai surgindo,
Que há-de partir também... nem eu sei quando...

Florbela Espanca

Quantos seremos?

QUANTOS SEREMOS?


Não sei quantos seremos
mas que importa?!
Um só que fosse
e já valia a pena
Aqui no mundo
alguém que se condena
A não ser conivente
Na farsa do presente
Não podemos mudar a hora da chegada
Nem talvez a mais certa
A da partida.
Mas podemos fazer a descoberta
Do que presta
E não presta
Nesta vida.
E o que não presta é isto
esta mentira
Quotidiana.
Esta comédia desumana
E triste
Que cobre de soturna maldição
A própria indignação
Que lhe resiste.


Miguel Torga, Câmara Ardente

Braços cruzados

Uma das coisas que muito me custa é a promiscuidade versus impunidade nas entidades que gerem dinheiros públicos. Custa em termos éticos, e muito em termos económicossociais. Custa ainda mais quando temos conhecimento próximo dessas realidades e nos damos conta que tudo isso se aceita com normalidade. Sai do nosso bolso, de quem cumpre o seu papel na sociedade. Sei o quanto custa assumir obrigações contributivas e pagar as condições normais da vida actual. Sei do sacrifício de ter preocupações no interior de concelhos interiores e de ver como se adensam e recriam problemas em vez de soluções. Custa porque se hipoteca o futuro, dos nossos filhos e do nosso país.

Fico inquieto perante a complacência e a injustiça, posso gerir algum silêncio, algum benefício da dúvida e chamar a atenção para a má gestão ou organização, posso até cometer erros iniciais de apreciação mas estou sempre disposto a emendar e a aceitar boas explicações, mas daquelas que não esbarrem nos exemplos pela negativa de que "toda a gente sabe como é" e que as coisas são assim e que não se podem mudar ou que foram simplesmente copiadas e decalcadas de outros locais em que foram devidamente aplicadas. Mas, assinalo sempre o sucedido.

Proliferam os espertos que acham que  o mundo é deles, em contraponto desfalcado com os que se justificam pelo poder do dinheiro. Segundo todos eles não valerá a pena argumentar com o designado chavão do novo poder do conhecimento, pois esse não é o que se confunde com cunhas, relações e influências. E, afinal de que vale ter conhecimento se as acções consequentes não se podem executar?! Não posso aceitar que os fins alcançados justifiquem os meios, se bem que reconheço o mal da constante mudança legislativa que atrapalha ainda mais as decisões, os prazos e a fiscalização. Muito menos aceito o argumento estafado de que a única solução é a utilização  desses meios pouco abonatórios já que a alternativa seria devastadora, ao juntar a desistência, a degradação e o abandono. Para melhorar o estado de espírito, acrescente-se ainda o bom acto governativo de em primeiro lugar  "mudar tudo" para melhor poder controlar e manter todos ocupados e preocupados em compreender e, depois, tentar fazer de acordo com as novas regras.

Bem, e não temos nada a ver com isso? Quem representa os eleitores deve pactuar, sossegar e acalmar ou deve antes intervir activamente para o melhoramento do desempenho das entidades? Deve aceitar ou acusar? Denunciar ou  dialogar e regular? E onde se vai buscar tempo para isso, se tudo à nossa volta nos exige cada vez mais disponibilidade e esforço para bem da produtividade e dos cofres do estado?

De que vale a constatação ou desabafo? Simples devaneio de Verão à procura de ar puro... Leve sugestão para que os vocábulos acompanhar, avaliar, classificar e fiscalizar ganhem o devido sentido, serenidade e proveito de aplicação. Ou seja, que se cumpram! Sob pena continuada de crescente sumidouro também conhecido como triste prisão dos braços atados.

                                                “O Zé faz falta” 

Verão
Uma visão animada e borda d´água.

<a href="http://www.youtube.com/v/6U_k31CfaEM&hl=en&fs=1"><img src="http://www.youtube.com/v/6U_k31CfaEM&hl=en&fs=1" border = "0" width="425" height="344"></a><br /><a href = "http://www.youtube.com/v/6U_k31CfaEM&hl=en&fs=1">View Video</a><br />Format: ???<br />Duration: --:--

Publicado 05 Agosto 08 11:16 por RSPires | 0 Comentário(s)   
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Cadeiras novas

Cadeiras em queda e queda de cadeiras.

Em matéria de cadei(r)as, o país evoluiu... 

 ... para não poder cair em tentação.

Entre um açude e uma barragem...

Almourol mudou-se para Constância. Já sabíamos há uns meses. Constância pediu demais. Abrantes quedou-se pelas cotas. A barragem será uma miragem de tão extenso areal?

Constância, para já não será uma ilha. Já não será um caso isolado, entenda-se um monte situado entre um açude, uma barragem e um túnel.

Ninguém quis construir a barragem fantasma da Fatacinha - Constância. Justifica-se, desde já, sem entrar em vastas considerações sobre o processo, um comentário à notícia.

Ainda hoje se encontra mencionado na informação mais detalhada sobre o projecto no site do INAG que a barragem seria localizada em Almourol (centenas de metros a montante do castelo, após uma curva do rio), isto na própria versão final do PNBEPH (com declaração ambiental) apresentada a 07 de Dezembro de 2007 e após consulta pública. Nesse documento, a possibilidade de construção da barragem a montante de Constância não passa de uma alternativa técnica proposta e a necessitar de estudos. A outra possibilidade era a original, apresentada na foto.

Localização inicial da barragem

Em Outubro de 2007 houve entendimento político em Constância ao considerar-se que a barragem não deveria ser construída à cota 31 (se avançasse a localização proposta - Almourol), pois seria bastante prejudicial aos interesses do concelho. No entanto, o Presidente de Câmara antecipou-se a qualquer discussão em reuniões dos órgãos autárquicos e defendeu a proposta de essa barragem (às cotas 29 a 31) ser antes construída paredes-meias com a vila poema, logo a montante, e incluir a necessária ponte entre a EN118 e a A23 e o muito reclamado açude no Zêzere. Fez chegar essas intenções ao INAG antes de terminado o período de discussão pública - 13 de Novembro de 2007.

Como se chegou a ler sobre o assunto, o senhor Presidente quis sol na eira e chuva no nabal, exagerando nas suas pretensões, por recurso à sua visibilidade e influência. Depois, fez acreditar, através de desdobradas notas informativas e dos boletins municipais, que essa seria a melhor e única solução viável e apontou discursos contra a oposição, a bem da verdade, sem a defender bem e sem identificar as falsidades da oposição e seus autores.

Pela voz e ideias do seu Presidente, a Câmara Municipal reinvindicou uma barragem no Tejo, uma ponte na barragem, um açude no Zêzere, uma praia fluvial e, paradoxalmente, defendia ainda o transvaze das águas do Zêzere para a barragem do Tejo, acima da confluência dos dois rios!  "Será necessário implementar algumas salvaguardas, como o transvaze de água do rio Zêzere para a barragem. Encaro com simpatia a possibilidade de ser construída uma passagem para a outra margem." - In O Ribatejo 

Antes do conhecimento público destas pretensões, o PS de Constância defendeu, em comunicado, a construção da barragem em Almourol, com o devido abaixamento de cota e minimização de efeitos negativos nas construções ribeirinhas de Constância.

Em Janeiro, o INAG desvalorizou os impactes que a barragem à cota 31 em Almourol teria em Constância, evidenciando mesmo alguns erros do estudo apresentado pela Câmara Municipal, no qual se havia fundamentado a posição unânime de Outubro.

A CDU de Constância (no poder há mais de 20 anos) quis evitar que se esclarecesse e debatesse mais o assunto, ironizando a questão da barragem na sessão da Assembleia Municipal extraordinária convocada por todos os elementos da oposição e contra a vontade do próprio Presidente de Câmara. Por motivos de saúde, acabou mesmo por não participar na sessão.

Mas afinal, o que se terá passado desde meados de Janeiro até à data do lançamento do concurso em finais de Abril último e que levou a que se considerasse apenas, estranhamente, a alternativa a montante de Constância? O que é do conhecimento público é a compreensível intervenção da Câmara de Abrantes na defesa das construções ribeirinhas e do projecto Aquapolis. Atente-se numa notícia de 05 de Abril e respectivos comentários.

Uma pergunta continua a carecer de apurada explicação:

- Afinal, por que razão é que, apesar de a cota ter sido substancialmente reduzida (de 31 para 24 m, salvaguardando-se assim os interesses da vila), foi definido para concurso que a barragem seria a montante de Constância - precisamente a alternativa menos conhecida, consultada e estudada - com toda a sobrecarga de custos associados às infra-estruturas reinvindicadas e à maior largura da barragem?

Por isso não foi de estranhar que nenhum concorrente tenha manifestado intenção de construir algo tão dispendioso e, consequentemente, de tão reduzida ou nula viabilidade económica. Quem souber que explique muito bem a todos os ribatejanos, em especial aos de Abrantes, Constância, Chamusca e Vila Nova da Barquinha e a todos os que continuarão a queixar-se, com razão, da falta de uma ponte rodoviária digna entre a EN118 e a A23 e do crescente transporte de resíduos para o Eco-Parque da Chamusca. É o mínimo que qualquer cidadão pode pedir depois de tão atribulado processo!

Se não houver resposta, o bom senso, comum ou mesmo analítico, concluirá no mesmo tom dos comentários do próprio Presidente da Câmara de Constância quando quis sacudir milhões de hectolitros de água do capote, tantos quantos o seu envolvimento no processo. Pergunta-se:

- Um país que tanto quer e precisa apostar em energias alternativas, no ambiente e no turismo pode abandonar a concretização de uma reserva de água e o seu múltiplo aproveitamento no maior rio que o atravessa, ainda mais quando é desejada há várias décadas e precisamente para... Almourol?!

ConsTróia

Constância sitiada cumpriu, este Domingo, com a animação de Verão. Ocupou em especial as pessoas de Constância e algumas que vieram de fora. Animou a tarde de Verão, mas não trouxe muita gente ao concelho.  Muito positivo o facto de, efectivamente, se ocuparem muitos habitantes enquanto participantes no teatro (amador), os quais, naturalmente, em função da novidade, se fizeram acompanhar pelas respectivas famílias que as seguiram pelas ruas. E de negativo?  Bem, a organização deveria estabelecer uma sequência das diversas cenas nos diversos locais e, através de guias ou de som, conduzir os visitantes.

Viram-se, muito salutarmente, vários professores, animadores de tempos livres e funcionários da autarquia a animar o próprio fim-de-semana e dar que falar pela terra. Ninguém se viu grego...

Parece que Constância consTrói animação para tentar manter o fluxo de turistas de Verão e assim animar o comércio e restauração locais. Mas, na verdade, dezenas de pessoas que estavam na praia fluvial ou a praticar canoagem não mudaram de programa. E ouvia-se:

- O Centro Náutico, "eternamente nu"?

- Mas o que é que Constância tem a ver com Tróia?!...

- Onde está o cavalo de madeira?

Meninos, dêem asas à imaginação!... In Constância, há-de-se arranjar, se...  a Câmara quiser.

Um cavalo de batalha

Constância sitiada ou em estado de sítio?! Constância  será invadida e cairá às mãos do inimigo, surpreendida por um cavalo de batalha -  um enorme cavalo de madeira. Simples citação...

O que é preciso (faça ou não falta) é animar a malta!

Bem se pode querer agradar a gregos e a troianos, muito ao jeito de Constância. Mesmo que seja à procura do calcanhar de Aquiles ou participando nas aventuras de Hércules, que se enobreçam Helenas no meio daquelas mulheres de Atenas.

O espectáculo chega através do fresco e aromático Mercado da Cultura

Independentemente da qualidade da sua visão (ou do seu ponto de vista), há boas razões para visitar Constância este fim-de-semana e o Parque Almourol neste Verão.

Uma coutada feudal

Naqueles tempos o que contava era a segurança e o alimento. As guerras e a fome sucediam-se. Os servos - camponeses - trabalhavam para conseguirem algum alimento e a protecção do senhor feudal, a quem juravam fidelidade e trabalho. Eram obrigados a prestar serviços e a pagar tributos para poderem usar a terra e ter protecção militar.

As trevas multiplicaram-se, segundo alguns foram as bruxas, na boca de outros, os ogres e os bárbaros. Mas, a verdade é que o mal alastrou e deixou de haver água potável. Na batalha da água era imperioso "enterrar as bruxas" e voltar a ter rios e fontes límpidos. Um dos bravos e astutos guerreiros foi distinguido pelo rei e ficou senhor de uma bela coutada, quase uma ilha, percorrida por dois rios. Hábil, engenhoso e ambicioso, facilmente planeou e desenvolveu o seu feudo.

Nos seus primeiros tempos de suserano Re´Mendius criou o manso senhorial e um castelo bem fortificado. Começou a distribuir tenências, sempre à volta do forte e do domínio ou propriedade privada e, aos poucos, organizou um grande manso servil.

Contudo, no que respeita ao manso comunal - os terrenos livres ao dispor de todos - foi muito prudente e comedido, acabou por vedar o território, cobrando novos tributos que, de tão comuns, se chamaram banalidades. O feudo enriqueceu com outras cobranças, como o pedágio ou portagem, nas pontes para o forte e para o manso senhorial. Desse pagamento estavam isentos os servos conhecidos como "comunas" e, raras vezes, outros - apenas quando lá passavam por serem os compulsivamente seleccionados para as corvéias, trabalhos nas terras do senhor.

O senhor feudal procurava cercar-se de uma corte numerosa, com dezenas de comensais entre vassalos, parentes, amigos, cavaleiros, além de criados domésticos e artesãos especializados (ferreiros, prateiros,  curtidores, tecelões e cervejeiros). A sua hospitalidade pressupunha adegas e celeiros sempre cheios, mesmo em épocas de colheitas baixas. Isso conseguia-se com a fiscalização dos intendentes ou encarregados à produção dos camponeses.

A ausência de pestes e de guerras - viessem estas de inimigos internos ou externos -  e o enriquecimento conseguido nesses primeiros anos proporcionaram a concretização de modas e de ambições entretanto desenhadas. Ali perto começavam a surgir cidades livres (os burgos) onde se rompia o sistema social dominado pelos nobres senhores feudais.

Re´Mendius reforçou a sua corte, chamou amigos e familiares de várias partes do reino e promoveu casamentos na forma de alianças com outros nobres.  A coutada passou a ser um centro cultural e a igreja fez-se escola para os cortesãos que a recrutassem.

Mas os problemas começaram a surgir... 

A crescente visita de estrangeiros para as engalanadas festas do nobre Re´Mendius despertou a curiosidade dos servos e promoveu a descoberta de gente nova e de outras formas de vida. Com tanto movimento na corte, o controlo do feudo passou a ser secundário, menos rigoroso e menos produtivo; A descendência numerosa dos servos não encontrava sustento nas terras pois boa parte - o manso comunal - continuava vedada, lembrando os primórdios do feudo, de origem numa coutada. Os servos mais velhos e sem esperanças de nova vida pela terra ficavam, enquanto que, nos alargados e descontrolados períodos de festa, muitos filhos conseguiam partir e instalar-se nos burgos. Da cidade, bastava o ar para ter liberdade.

A fama do feudo trouxe inimigos ávidos de mais terras, riqueza e alimento para os seus protegidos. Quando se avizinharam tempos de guerra, já a corte de Re´Mendius e os seus servos eram maioritariamente velhos e doentes. Não conseguiam  produzir o suficiente para um período de insegurança. Os seus muitos comensais e festeiros tinham mais preocupações ocupacionais e de animação do que propriamente ajudar a cuidar e defender tão vasto território. Mesmo entre eles, insatisfeitos com o que consideravam atribuições ou benesses injustas, era difícil chegar-se  a entendimentos e às rápidas resoluções que deveriam ser tomadas. Os mais fiéis servidores e apoiantes de Re´Mendius não passeavam pela corte, eram os "comunas"; Mas, lá no fundo não eram mais do que servos da gleba privilegiados, apenas tinham mais terra e mais direitos do que os outros. Habituados a favores adquiridos, seriam eles capazes de trabalhar para alimentar tantos cortesãos e apoiar a lavoura das terras pertença dos outros servos? Ou iriam eles beneficiar de uma emancipação, originando uma verdadeira comuna?

Não havia remédio ou remendo que valesse a Re´Mendius.

Para mal dos seus dias, tudo voltou a passar pela água. Os rios foram envenenados pelo Feiticeiro Merlimini e os bárbaros destruiram uma das pontes e derrubaram as vedações do manso comunal.

 

Alguns estoriadores contam que Re´Mendius se refugiou num burgo vizinho e que outra povoação cresceu tanto que acabou por anexar a coutada feudal e destruir as últimas vedações que barravam a liberdade e o progresso. Permitiu-se, assim, o regresso de filhos de camponeses que se estabeleceram como pastores, agricultores, comerciantes, artistas e artesãos.

Naquele tempo era assim... Algures entre o nomadismo e o capitalismo, existiram esses senhores donos de feudos e de coutadas. Outros tempos, outras vontades! Mas, será que a História se repete ou o tempo volta para trás?

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