“Breves
notas
Não vou falar do aspecto económico da cortiça no nosso país, mas da sua
utilidade e eficácia no rolhamento do vinho, principalmente, porque começam a
aparecer vinhos de qualidade indiscutível, com rolhamento de metal tipo latão,
à “americana”, como já lhe chamam, o que, no meu entender, não lhe dá
prestígio, bem pelo contrário. As reacções têm sido muito negativas. Desde
logo, sendo mal aceite no consumidor mais criterioso, no mínimo, desvalorizando
o produto, por melhor que seja.
O uso da
cortiça para preservar o vinho é histórico. Usada por Assírios, Egípcios,
Gregos e Romanos, é comprovadamente o material mais adequado, pela eficácia
para o rolhamento das garrafas do vinho.
Depois
de estar algum tempo em desuso, voltou a reaparecer em finais do século XVII.
Dom Pérignom, para melhor preservar o champanhe promoveu a sua reaparição.
Recorde-se
que o recurso à rolha de cortiça em conjugação com a garrafa cilíndrica,
facilitou a maturação do vinho em vidro e teve origem em Portugal, no Douro, por
isso mesmo com especial responsabilidade nesta matéria…
A cortiça
é um material vegetal, não tóxico, que não transmite, odor nem sabor. A sua
elasticidade provoca o vácuo na garrafa e a aderência sob pressão às paredes de
vidro no gargalo.
A sua
aderência e impermeabilidade, não só preserva o vinho como facilita a maturação
que foi desenvolvida em dois momentos importantes: as fermentações primária e
secundária, a que se segue a trasfega para cascos de madeira, onde se dá um
lento processo de oxidação, promovida pela passagem de ar pelos poros da
madeira, fase indispensável para a produção de vinhos, tintos de qualidade,
operação não necessária nos brancos. Engarrafados, estes vinhos, sofrem uma
série de reacções químicas, complexas e lentas, em que se dá o processo
reversivo da redução química que, os entendidos acham que é responsável pela
chamada fragrância do bouquet, de alguma forma confundido com a
influencia odorífica da madeira. Certamente, nada melhor que uma boa rolha
de cortiça para facilitar esta fase de desenvolvimento do vinho em que não
é indiferente a sua preservação do contacto com a atmosfera, facilitada pela
composição orgânica da cortiça (as suas miríadas de células compartimentadas,
cada qual estanque com a vizinha, através de cinco membranas separadas: duas
celulósicas e elásticas, duas que contêm subarina, espécie de cera impermeável
à água e uma última membrana mais fibrosa e mais rígida). Sabemos que a cortiça
é extraída da casca do sobreiro (Quercus suber), que abunda no Alentejo e
Algarve, que é oriundo da área mediterrânica ocidental, que Portugal está à
frente dos países produtores a que se segue Espanha, Argélia, Marrocos, França,
Itália e Tunísia, que é colhida, de nove em nove anos, de sobreiros ou
chaparros, árvores com 20 a 25 anos, de acordo com legislação protectora dos
montados de sobreiros, desde o século XIV.”