- Democracia sempre!
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"A democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos, em tempos".
Winston Churchill
(Em discurso na Casa dos Comuns, em 11 de Novembro, 1947)
Já escrevi e não me canso de afirmar como admirador dos capitães de Abril, na sua postura mais pura, desinteressada e patriótica.
Quando nasci, o 25 de Abril tinha sido há mais de 3 anos e por isso toda a minha visão sobre tal momento e sua evolução é na perspetiva da investigação/leitura histórica e do enquadramento feito ao longo da minha vida por muitos e diversos amigos e familiares mais velhos.
Desde sempre tive a perceção que a deriva populista e oportunista que alguns queriam impor após o 25 de Abril no sentido de uma democracia popular ou de colocar Portugal na rota do comunismo, (a que não é alheia a ideia de fazer de nós a Cuba da Europa, não só pelo simbolismo, mas sobretudo pela localização estratégica que temos, num contexto de guerra fria que já se vivia nos anos 70), tinha sido o leitmotiv desses alguns e não a defesa intransigente dos interesses da população.
Esta minha reflexão inicial serve de enquadramento ao comentário que pretendo fazer à última intervenção da Associação 25 de Abril e nomeadamente do seu Presidente, Vasco Lourenço e os recentes dislates de Otelo Saraiva de Carvalho.
Se louvo e admiro todos quantos fizeram o 25 de Abril, com o objetivo de colocar o país em liberdade, que hoje e nos últimos 38 anos nos permite intervir cívica e politicamente com toda a frontalidade e sem medos, louvo e admiro principalmente aqueles que não se aproveitaram do novo regime.
Se Salgueiro Maia e muitos mais se remeteram à sua vida, outros quiseram logo cavalgar a onda abrilista, com destaque para Otelo Saraiva de Carvalho e Vasco Lourenço entre outros. Já agora, porquê que são só estas figuras que aparecem por esta altura? O movimento de capitães não tem mais ninguém capaz de os representar? Para reflexão...
Otelo, nos últimos tempos só fala na necessidade de um golpe de estado (sim com letra pequena, não merece mais que isso), pondo em causa as decisões democráticas dos portugueses em eleições e Vasco Lourenço, lembrou-se esta semana, como presidente, que "A Associação 25 de Abril" não vai participar em nenhum ato oficial programado para esta quarta feira, em sinal de protesto contra as medidas do Governo.
A Associação 25 de Abril, no seu site, expressa que é uma associação sem fins lucrativos, de natureza altruísta, destinada à consagração e defesa dos valores cívicos, tendo como fins principais: "a consagração e divulgação, no domínio cultural, do espírito do movimento libertador de 25 de Abril de 1974", (...) "a divulgação, pedagogia e defesa dos valores e espírito democráticos".
Para mim, Abril, não é de alguém ou de qualquer grupo, Abril é dos portugueses e entendo que não foi para cenas destas que se fez o 25 de Abril. É certo que se não fosse o 25 de Novembro, se calhar a nossa liberdade não seria a atual, mas o que desejo, é que homens como Otelo e Vasco Lourenço, ganhem juízo, até porque já têm idade para tal e saibam honrar a liberdade e a democracia, que para mim e julgo para a maioria das pessoas, tem como valores primordiais, aceitar as decisões da maioria e sobretudo respeitar opiniões e ações diferentes das nossas.
Se prezam tanto os interesses dos portugueses, submetam as vossas ideias a eleições e aceitem os resultados. Coisa que pelo menos Otelo não fez.
Não penso assim por o Governo ser liderado pelo partido onde milito, mas sim porque a democracia está acima dos partidos e da democracia depende e muito o nosso FUTURO.
- 2012: O ano de todos os desafios.
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“Alguns homens vêem as coisas como são e dizem «Por quê?» Eu sonho com as coisas que nunca foram e digo «Por que não?».”
George Bernard Shaw
Politicamente, 2011 foi um ano com alguma intensidade, relembremos que em Janeiro Cavaco Silva foi reeleito Presidente da República. Em Maio José Sócrates em nome do Governo de Portugal assinou com a troika (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia) um memorando de entendimento que permitiu ao nosso país ter ajuda financeira externa em virtude de não nos conseguirmos financiar externamente, pelo menos a taxas de juro comportáveis.
Em Junho Pedro Passos Coelho vence as eleições e passa a ser o Primeiro-Ministro, liderando um Governo de coligação PSD/CDS-PP. José Sócrates foi para Paris estudar filosofia, mas acho que devia, era estudar ética e finanças públicas.
Entretanto, António José Seguro assume a direcção do PS, mas com dois grandes problemas, está imbuído de uma enorme falta de memória e responsabilidade e a cada decisão/intervenção tem um conjunto de militantes ou deputados que o desautorizam, como diria António Guterres, é a vida!
Mas o que quero principalmente abordar neste texto é o ano de 2012 que está prestes a nascer e que nos apresenta um conjunto enorme de desafios, sem esquecer que é o ano que precede o ano das eleições autárquicas que será 2013.
Em primeiro lugar, 2012 é o ano em que estarão em exercício muitas das directrizes impostas pela troika. No final do próximo ano e após um conjunto de sacrifícios e retrocessos financeiros, alguns resultados terão que aparecer e estou certo que assim será, pois se há algo que hoje temos, é um Governo que fala verdade, por mais dolorosa que ela seja.
Estão a ser dados passos muito concretos na mudança do país, estão em preparação alterações substanciais ao nosso maior problema, a Justiça. Recentemente foi lançado o Programa Estratégico para o Empreendedorismo e a Inovação, alavanca dinamizadora da nossa competitividade económica além de outras mudanças substanciais que vão mexendo com alguns interesses instalados mas que apenas têm como objectivo dotar o nosso país de um Estado mais ligeiro, dinâmico e sobretudo mais sustentável.
Não pretendo fazer louvores ao Governo, até porque também comete alguns erros, mas sobretudo recordar e referir algumas medidas tomadas, sem esquecer que apenas está em funções desde 20 de Junho de 2011.
Mas 2012, exige sobretudo da nossa parte uma atitude mais activa e interventiva. Continuo a defender e aqui uma vez mais o faço que é fundamental uma cidadania activa, não no sentido apenas das greves e manifestações, mas no sermos úteis à comunidade e principalmente estarmos atentos ao que se passa e escrutinando quem governa, central e localmente.
Temos um défice financeiro, mas também moral e de cidadania. São muitas as vezes em que oiço e observo pessoas a criticarem a Câmara ou o Governo, mas não vislumbro essas pessoas, a pelo menos, assistirem a Assembleias Municipais ou de Freguesia. É fundamental o alargamento da intervenção cívica por dois grandes motivos, a obtenção de informação fidedigna das decisões tomadas e também a possibilidade de participar junto dos decisores. A nível nacional existem pelo menos meios como o correio (tradicional e electrónico).
Só uma sociedade mais atenta, informada e motivada a participar, poderá contribuir para a evolução do nosso país. Não podemos ficar à espera que os outros (governos locais e nacionais) façam tudo por nós, nós também temos a nossa parte a cumprir.
Sejamos activos, no nosso trabalho (para quem felizmente o tem), nas associações, mas também na política, integrando e rejuvenescendo os partidos e as juventudes partidárias, mais que nunca é necessária iniciativa, vontade, coragem e pujança para afirmarmos e desenvolvermos a nossa terra e o nosso país.
Em 2012, vamos chutar a crise e já agora que Portugal vença o Europeu!
Um Bom ano para todos! Cheio de alegria, energia e vontade de participar.
- Administração Local para o século XXI
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“Saber exactamente qual a parte do futuro que pode ser introduzida no presente é o segredo de um bom governo.”
Victor Hugo
Actualmente, existem em Portugal, 308 municípios, dos quais 278 no continente e 30 nas Regiões Autónomas dos Açores e Madeira. O país tem ainda 4.259 freguesias, das quais, 4.050 no território continental e 209 nos territórios insulares.
Estão eleitos 43.489 autarcas, distribuídos por:
· 308 Presidentes de Câmara;
· 1.735 Vereadores;
· 4.259 Presidentes de Junta de Freguesia;
· 6.884 Membros de Assembleia Municipal;
· 30.303 Membros de Juntas e Assembleias de Freguesia
Em 1836 os municípios sofreram uma reforma profunda que reduziu fortemente o seu número e lhes deu a configuração territorial que ainda hoje possuem, salvo os nascimentos recentes de alguns concelhos.
A administração local foi desde sempre uma preocupação das sociedades organizadas. Antes da fundação de Portugal – há quase nove séculos – já o país tinha uma organização municipal. Ao longo dos tempos, essa organização assumiu várias formas até à criação do Poder Municipal Autárquico, após a Revolução de Abril de 1974.
Se queremos um Portugal moderno e competitivo, temos que implementar uma dinâmica de desenvolvimento, de novos caminhos, de novas oportunidades.
É necessária uma nova geração de políticas que permita, igualmente, promover uma efectiva coesão territorial esbatendo progressivamente as disparidades de condições de vida que ainda hoje tantas vezes se registam entre os portugueses do litoral, do interior, do continente e das Regiões autónomas.
Está em curso a discussão da reforma da administração local, após a edição de um livro verde da autoria do Governo que de entre várias matérias inclui a reorganização das Juntas de Freguesia, com o objectivo de diminuir os cargos políticos, sem pôr em causa os serviços disponíveis e a entidade de cada localidade.
Uma reforma de tal dimensão não é fácil de executar e a prova é que a última do género foi há 175 anos. Surgirão resistências, mas tenhamos consciência que temos que começar a diminuir a estrutura do Estado e por algum lado se tem que começar.
Considero essencial que se discuta um assunto com a responsabilidade deste, procurando encontrar as melhores soluções para um eficaz, célere e diversificado serviço público de proximidade.
Mais que uma reforma do Governo, esta tem que ser uma reforma nacional, de todos, para todos, pois é o nosso futuro que está em causa.
O Partido Socialista e seus militantes não se podem dissociar desta discussão, como se não fosse com eles, pois inclusive o programa eleitoral para as eleições de Junho último, apesar das suas 30 páginas em branco, na página 39, abre o capítulo “3.4 REFORMAR A ORGANIZAÇÃO DO ESTADO E O SISTEMA POLÍTICO”, e na página seguinte estabelece: “Outro domínio da maior importância é o da reforma da organização do Estado. Neste capítulo, o Governo do PS já tomou a iniciativa de lançar um amplo debate público sobre a reorganização do poder local, em particular ao nível das freguesias. Introduzir factores de racionalização e eficiência neste sistema complexo e diversificado afigura-se, efectivamente, absolutamente necessário, estando o PS disponível para a formação do consenso político indispensável, com a participação das associações representativas dos municípios e das freguesias.”
Outra ideia não se esperaria depois de em Maio, ter assinado o memorando com a troika, onde sobre esta matéria está vertido:
“3.44 - Reorganizar a estrutura da administração local. Existem actualmente 308 municípios e 4.259 freguesias. Até Julho de 2012, o Governo desenvolverá um plano de consolidação para reorganizar e reduzir significativamente o número destas entidades. O Governo implementará estes planos baseado num acordo com a C.E. e o F.M.I.. Estas alterações, que deverão entrar em vigor no próximo ciclo eleitoral local, reforçarão a prestação do serviço público, aumentarão a eficiência e reduzirão custos.”
Nesta como noutras questões, quem primeiro se preparar para as alterações a efectuar, estará na vanguarda do desenvolvimento e acautelará o futuro. Urge começar o debate e a procura de soluções, sem demagogias e onde impere acima de tudo a procura de um futuro melhor para as populações.
Tenho a convicção que demonstraremos que será possível fazer mais e melhor com uma estrutura mais ligeira, dinâmica, activa e sobretudo moderna.
Assim se fará um país novo!
- Usemos o poder de MUDAR!
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Recentemente e fruto da enorme incompetência do Governo socialista de José Sócrates e pela terceira vez, Portugal teve que recorrer a ajuda externa para evitar a bancarrota.
É importante que as pessoas tenham consciência que esta ajuda foi imprescindível, para que Portugal não entrasse em colapso financeiro e perdesse a pouca credibilidade e honra que ainda tem perante o estrangeiro.
Em auxílio do nosso país vieram três instituições internacionais, o Fundo Monetário Internacional, o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia. É certo que não vieram fazer caridade e sobretudo o seu objectivo, pelo menos dos europeus, foi evitar o desmoronar da moeda única europeia.
O documento apresentado tem diversas medidas que forçosamente teremos que implementar e aquilo que mais me atormenta é que muitas das ideias e reformas propostas, já foram sobejamente discutidas e apresentadas anteriormente, mas faltou algo fundamental em política e na vida, CORAGEM.
Domingo, temos a oportunidade de alterar o rumo do país, digo mais, de dar um rumo ao país, pois o partido socialista, desde as eleições de 2009, não governa, mantém-se em campanha eleitoral e foi o principal provocador desta crise política, pois viu os resultados da sua política colocarem o país na bancarrota e criou as condições para estarmos em eleições.
A maior prova da incapacidade socialista é ter apresentado um programa de governo tão vago onde inclusive 30% das 68 páginas, apenas têm títulos ou estão em branco.
A desgovernação de José Sócrates é constatável pela herança que nos deixa:
- PIB potencial da economia nacional a crescer 0% ao ano;
- Dívida pública recorde: no final de 2004, a dívida pública portuguesa rondava os 56% do PIB. No final de 2011, a nossa dívida pública vai ser cerca de 100% do PIB nacional. Níveis só atingidos há 160 anos;
- No final de 2004, a taxa de desemprego era 6,6% . Hoje a taxa de desemprego já ultrapassou os 12,4%. Esta é a maior taxa de desemprego desde, pelo menos, os anos 30 do século passado e representa 700.000 desempregados. Em 2007 e em 2008, mais de 100 mil portugueses emigraram do país à procura de oportunidades de emprego;
- A dívida externa total (bruta) da economia nacional era 167,9% do PIB no início de 2005. Hoje a nossa dívida externa bruta é cerca de 230% do PIB. Esta é a maior dívida externa desde 1892, quando entrámos em bancarrota;
- A dívida externa líquida nacional era 64% do PIB no final de 2004. Hoje, a nossa dívida externa líquida é de 110% do PIB;
- O défice externo, medido pela balança corrente, tem ficado sistematicamente acima dos 8% do PIB. Todos os anos o país endivida-se ainda mais para financiar este défice externo;
- O PIB português está na mesma posição relativa em relação à Europa Avançada que estava em 1990. Ou seja, perdemos 20 anos de esforço de convergência real com a Europa. A divergência da economia com a Europa é uma das marcas deste governo;
É importante ainda referir que a grande maioria destes indicadores já tinham atingido valores recordes antes da crise internacional que eclodiu em 2008. Por isso, esta infeliz herança é fruto de incompetência, de inépcia e de inconsciência.
Temos o dever e a responsabilidade de tomar uma opção clara de mudança. Uma mudança para uma política de verdade e competência. O nosso país anseia por uma nova orientação que nos devolva a esperança.
A participação de todos é essencial. O poder do nosso voto não pode ser renunciado, não podemos deixar a decisão do nosso futuro nas mãos dos outros. Votar, vai ser o acto mais importante que todos poderemos exercer nas eleições mais relevantes de sempre.
Mais que nunca, estas eleições sentenciam o nosso futuro colectivo.
De uma vez por todas temos que mudar de vida e optar pela via da política de rigor e coragem em detrimento total de uma política de fantasia e ilusão que o PS e Sócrates nos legaram.
Desta vez ou arrepiámos caminho e fazemos o que tem que ser feito, para sermos uma nação organizada, moderna e capaz de crescer economicamente, ou seremos definitivamente colocados à parte da Europa desenvolvida.
Só com um novo governo e uma nova política de desenvolvimento económico se pode inverter a actual situação de crise e de bancarrota a que o país chegou.
Chegou a hora de MUDAR!
- A seriedade faz prosperar
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Numa altura de forte crise como a que vivemos e onde mais que a crise financeira e económica, sente-se e nota-se uma enorme carência de valores e a ausência de esperança no futuro é importante reflectir sobre o enriquecimento ilícito, principalmente dos responsáveis políticos.
Ouvimos apelos constantes aos sacrifícios que temos que fazer e até aceito que em algumas situações estávamos a exceder um pouco os nossos limites, mas o que é certo é que quem apela a sacrifícios e cortes por vezes não dá o exemplo e com frequência demonstra totalmente o contrário.
Recentemente um jornal diário nacional, promoveu uma petição pública, que em 2 meses recebeu a adesão de 30.070 portugueses. É uma Petição pela Criminalização do Enriquecimento Ilícito onde se afirma a vontade generalizada de habilitar a Justiça com leis que dêem maior capacidade de combater a corrupção, prejudicial para o desenvolvimento do país e de melhores condições de vida para todos.
O texto que já foi entregue na Assembleia da República expressa: "O titular de cargo político ou equiparado que, durante o período de exercício das suas funções ou nos três anos seguintes à respectiva cessação, adquirir, por si ou por interposta pessoa, quaisquer bens cujo valor esteja em manifesta desproporção com o seu rendimento declarado para efeitos de liquidação do imposto sobre o rendimento de pessoas singulares e com os bens e seu rendimento constantes da declaração, aditamentos e renovações, apresentados no Tribunal Constitucional, nos termos e prazos legalmente estabelecidos, é punido com pena de prisão de 1 a 5 anos. O agente político ou equiparado não será punido se for feita prova da proveniência lícita do meio de aquisição dos bens e de que a omissão da sua comunicação ao Tribunal Constitucional se deveu a negligência."
Tenho a firme convicção que só com uma grande alteração de postura por parte dos eleitos nacionais e locais o povo poderá com firmeza respeitar os sacrifícios a fazer e assim teremos uma economia onde a verdade e a honra sejam primordiais.
Estas situações não são novas, já o nosso povo na sua imensa sabedoria criou o adágio: "quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lado vem", mas urge erradicar da nossa sociedade este tipo de atitudes, não só dos políticos mas dos cidadãos em geral.
Estamos com uma economia paralela que já é 25% da economia total e se as renúncias e ajustamentos são necessários é importante que comecem por cima, não só nos cortes, mas sobretudo nos exemplos.
É pena que este tipo de situações tenham que ser legisladas, mas se for a única forma de as banir e de recuperar a credibilidade nas instituições que assim seja.
Cresci com a noção que a palavra e a honra são os nossos valores fundamentais, mas infelizmente é triste e desanimador verificar tanta quebra de compromissos e acordos na nossa sociedade, particularmente por variados agentes económicos e políticos.
Enquanto não valorizarmos os compromissos assumidos, dificilmente poderemos singrar numa economia cada vez mais global. Quando falo de compromissos, falo dos pagamentos, mas também da execução das tarefas que nos são confiadas. Quantos e quantos contratos não são revogados por realizações ou entregas fora de prazo?
Lutemos por uma sociedade mais séria, pois a seriedade transporta justiça e esta traz de certeza crescimento!
O exemplo de quem lidera é fundamental para mobilizar uma sociedade que pretende encontrar esperança num futuro onde afirmemos a nossa competência e dinamismo, elementos fundamentais ao nosso crescimento económico.
- Censos, o Verdadeiro retrato do país
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Uma correcta análise económica e/ou social deve basear-se em informação verdadeira e que permita tirar conclusões com bases sólidas e apropriadas. Neste âmbito o uso de estatísticas é uma constante e a sua origem deve ser a mais fidedigna e credível.
Em Portugal a instituição responsável pelas estatísticas do país é o Instituto Nacional de Estatística (INE), entidade de reputação imaculada, de grande rigor e profissionalismo e que constantemente produz documentação sobre os mais variados aspectos da nossa nação.
Actualmente está a decorrer a operação estatística "CENSOS 2011", que abarca o XV Recenseamento Geral da População e o V Recenseamento Geral da Habitação.
Em Portugal estas operações iniciaram-se em 1864 com o I Recenseamento Geral da População, tendo por base as orientações do Congresso Internacional de Estatística, que teve lugar em Bruxelas, em 1853. Segundo este Censo, em 1864, Portugal tinha 4.188.410 "habitantes de facto" e o número médio de pessoas por família era de 4,1.
Em 1970 realizaram-se, pela primeira vez e simultaneamente, os recenseamentos da população e da habitação, passando a palavra Censo, a ser utilizada no plural como referência às duas operações simultâneas.
Tendo decorrido pouco mais de um século desde o I recenseamento da população, este XI recenseamento populacional recenseou 8.663.252 indivíduos residentes, praticamente uma duplicação da população. As famílias apresentavam um número médio de 3,7 indivíduos.
O último Censos realizado foi em 2001, com os resultados de 10.356.117 indivíduos residentes, (ultrapassando a barreira dos 10 milhões)
3.650.757 famílias clássicas com uma média de 2,8 indivíduos, 5.046.744 alojamentos familiares, 8.178 alojamentos colectivos e 3.160.043 edifícios.
De todos os inquéritos, estes são os mais dispendiosos, pois os resultados são totais reais e não obtidos por estimativa. São inquiridos todos os cidadãos e referenciados todos os edifícios e alojamentos do país.
Com os resultados obtidos, poderemos saber em concreto quantos e como somos e onde e como vivemos.
Os dados obtidos são indispensáveis para as decisões políticas em termos de financiamento das autarquias, mas sobretudo dos investimentos a realizar, em termos de infra-estruturas como escolas a criar, lares de idosos, equipamentos de saúde, vias de comunicação, etc.
Entendo que os Censos são fundamentais para nos transmitir o autêntico retrato da situação do país, desmistificando e desmentindo muitas realidades apregoadas e que se verificarão falhadas. Por exemplo, daqui a menos de um ano saberemos em concreto qual a população activa, elemento fundamental para sabermos a real taxa de desemprego por concelho. Por outro lado com o recenseamento da habitação teremos a certeza do número de fogos devolutos e novos por habitar. Também vamos saber quais os municípios e freguesias que aumentaram ou diminuíram a população residente, entre muitos outros dados e informações.
Daqui a menos de um ano saberemos em concreto quais os concelhos mais pujantes e apelativos, mas também os que precisam de mais apoio e atenção.
Se em termos do estudo da economia e sobretudo na análise prospectiva, é essencial conhecer as evoluções ou regressões que os dados de uma operação desta natureza oferecem, estes também nos permitirão ter a percepção verídica da efectiva situação económica e social do país e dos resultados das opções tomadas, a nível nacional mas também local.
Neste momento, além da obrigatoriedade legal, mas encarando a mais-valia dos Censos 2011, a principal obrigação que todos e cada um de nós, tem que adoptar é colaborar, respondendo.
2011, também ficará na história dos Censos pois pela primeira vez será possível a resposta pela internet. Uma forma mais célere e prática para quem responde mas sobretudo para a obtenção e tratamento dos dados.
Só espero que o sistema informático não bloqueie, como por vezes tem acontecido em diversas situações relacionadas com as finanças e a justiça. Vezes a mais que o razoável e onde os anunciados benefícios transformam-se em inconvenientes e atrasos.
- A minha geração não é parva, bem pelo contrário!
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Recentemente e de forma surpreendente o grupo musical Deolinda apresentou a canção: "Parva que sou", que rapidamente alcançou o sucesso e dizem que se transformou no hino de uma geração. A geração dos 15 aos 35 anos, na qual me incluo e da qual tenho muito orgulho em pertencer.
De facto, a letra expõe de uma forma verídica, a realidade por que presentemente passa um grande número de jovens desta faixa etária.
Já em Dezembro, o Instituto Nacional de Estatística (INE), revelava que mais de 300 mil jovens, entre os 15 e os 30 anos, não trabalham, nem estudam. Esta fatia da população, em idade activa mas sem uma ocupação, tem vindo a crescer, tendo atingido no terceiro trimestre de 2010 o valor mais alto dos últimos anos.
São cerca de 314 mil jovens, o que representa perto de 16 por cento do total de pessoas, entre os 15 e os 30 anos.
Nos dados do INE, as estatísticas desde 2007 mostram um país com quase mais 30 mil jovens sem ocupação do que há três anos. Nesta caracterização estão não só os desempregados mas também pessoas que não estão à procura de trabalho, segundo o INE são os "inactivos desencorajados".
Em Espanha, os sociólogos baptizaram estes jovens de geração "ni ni" ou "nem nem" em português.
Se na faixa até aos 30 anos os números são alarmantes, alargando um pouco mais até aos 34/35, a situação ainda persiste. As perspectivas de futuro de toda esta geração são muito diferentes da geração precedente.
Actualmente, a dificuldade em conseguir um emprego (para além da perspectiva de um emprego estável e fixo já ser algo fora de série), é a maior destruição da esperança num futuro aprazível.
E a importância do emprego é crucial, pois dele depende todo o futuro desta geração. Só com possibilidade de subsistência autónoma é que nos podemos afirmar como cidadãos na sua plenitude. Ao ter a vida adiada, todos os projectos se esboroam na espuma dos dias. É a habitação própria, a constituição de família, o querer contribuir para a sociedade, a independência, tudo isto se fica por uma miragem.
Mas nem tudo é mau e só depende de nós fazer algo para mudar, até porque o que esta geração tem que fazer é ser o motor da refundação da sociedade e das suas instituições a todos os níveis.
Já que existe disponibilidade, apliquemos o tempo livre, participando civicamente.
É crucial que esta geração se envolva cada vez mais em todos os movimentos e seja dinamizadora da sociedade, porque só estando integrados nos alicerces da comunidade, poderemos fazer algo para mudar esta situação que nos tenta condicionar, desanimar e prender ao presente sem futuro.
Estou convicto que existe solução e essa passa por colocarmos a nossa visão, empenho, acção, dinamismo e dedicação ao serviço do bem comum. Com a participação de mais jovens nos lugares de acção e decisão, este país voltará a entrar nos trilhos do desenvolvimento, limpo de corrupção e outros actos menos correctos que arruínam a confiança da sociedade e provocam graves consequências na economia em geral.
Deixo aqui o meu apelo para que esta geração, que querem passar por parva, como já quiseram fazer passar por rasca, é sobretudo uma geração que está cada vez mais à rasca mas que tem muito a dar, a nível local e nacional.
Nós, somos apenas, a geração com mais qualificações desde sempre e com a maior panóplia de ferramentas e informação disponíveis que alguma vez existiu.
Demonstremo-lo na prática, participando, envolvendo-nos nas associações, clubes, nos partidos e nas juventudes partidárias, sobretudo para mostrar uma visão diferente e melhor, evidenciando as nossas capacidades e o nosso valor.
Sejamos empreendedores, económica mas também socialmente.
Só estando no interior do sistema, o poderemos mudar.
Pelo nosso Futuro, não nos resignemos!
Que a canção dos Deolinda, sirva de inspiração:
"Sou da geração sem remuneração
e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar,
já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração ‘casinha dos pais’,
se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração ‘vou queixar-me pra quê?’
Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração ‘eu já não posso mais!’
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar."
- A Vitória do Povo
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Cavaco Silva foi reeleito para a Presidência da Nossa República de forma categórica e “sem espinhas”, como diz o nosso povo.
Vitória à primeira volta, deixando o principal adversário a mais de 33 % de distância, vencendo em todos os distritos e regiões autónomas (só não venceu em 16 concelhos) e aumentando a percentagem de votação relativamente a 2006.
Estamos perante a vitória da humildade, da competência e de um referencial de estabilidade, mas principalmente do anseio de maior intervenção e correcção do rumo de Portugal. Esse é o grande desígnio e mensagem que os portugueses delegaram.
Foi uma vitória da vontade de um povo que recusou frontalmente uma campanha onde 5 adversários se limitaram a caluniar e a lançar suspeitas ao candidato e actual Presidente.
Esta é também uma derrota desta forma de fazer e estar na política, não é a primeira vez que assistimos à renúncia a este estilo, que nada acrescenta ou esclarece e sobretudo afasta as pessoas do debate e da participação cívica. Quem o pratica que reflicta e assimile, a nível nacional, mas também local.
Por outro lado, este plebiscito também demonstrou que algo tem que mudar no nosso sistema político.
Uma abstenção de 53,37%, quase 2% de votos nulos e quase 5% de votos em branco, têm que fazer meditar todos aqueles que estão envolvidos na política portuguesa.
Além destes números, temos que ter em conta o resultado de 4,5% de José Manuel Coelho, que usou um registo muito informal, mas acintoso e até satírico e que cativou o voto de protesto de muitos dos que actualmente não acreditam nos políticos.
Algo tem que mudar para que não fique tudo na mesma. Esta campanha e a votação de domingo também revelaram um alheamento dos mais jovens, basta ver a abstenção nas mesas mais recentes.
Que se mude a praxis política, da qual não serão alheios casos onde a promiscuidade e a corrupção minam de uma forma definitiva os grandes alicerces da confiança da sociedade portuguesa nos seus representantes.
Uma palavra também para todos aqueles que sofreram com o choque (caos) tecnológico, devido aos problemas provocados pelo cartão de cidadão. Além dos grandes incómodos criados, fomentou-se a abstenção de uma forma indigna. Por trapalhadas muito menores já se demitiram governos.
Que a força que o povo consagrou, inspire Cavaco Silva nos próximos 5 anos.
- O futuro de Portugal está na nossa mão
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“Vivemos todos sob o mesmo céu, mas nem todos temos o mesmo horizonte.”
Konrad Adenauer
No próximo domingo somos chamados a eleger o Presidente da República para os próximos 5 anos.
O Presidente da República portuguesa é acima de tudo o nosso representante, alguém que demonstre as qualidades e competências dos portugueses.
Apoiei Cavaco Silva há 5 anos e faço um balanço bastante positivo da sua magistratura. Uma magistratura onde foi notória a sua influência, apesar da grande reserva com que interveio. Será que alguém duvida que nas audiências de quinta-feira e noutras ocasiões, Cavaco Silva não chamou a atenção de José Sócrates para certos e determinados assuntos?
É certo que algumas opções tomadas pelo actual Presidente, não foram totalmente do meu agrado, mas como democrata que sou, não voto para que me agradem, mas sim para que os eleitos cumpram os seu programas e manifestos e sobretudo para que procurem melhorar o bem comum e neste caso concreto a nossa mui nobre nação.
Se Cavaco Silva tomou posições com as quais concordei menos, também reconheço que o fez sobretudo para ser aquilo para que foi eleito, PRESIDENTE DE TODOS OS PORTUGUESES e é de facto.
Nestas eleições não podemos claudicar, não podemos hesitar, temos que tomar uma posiçãoconvicta. Precisamos na presidência de alguém que além da sua competência,energia e não resignação seja também um exemplo. Cavaco Silva é um exemplo para todos, tem uma vida de sucesso, mas feita a pulso, com muita humildade e trabalho e não podemos esquecer todo o seu empenho e dedicação à causa pública. É umgrande português, um exemplo a seguir, principalmente pelas novas gerações.
Portugal, na actual situação de debilidade económica, não pode desperdiçar a oportunidade de reeleger alguém que demonstrou sempre estar à altura do cargo. Nos últimos 5 anos tivemos um Presidente da República que colocou os interesses de Portugal acima de tudo, evidenciou toda a sua isenção e em inúmeras ocasiões colocou osseus conhecimentos e experiência ao serviço da nação.
Infelizmente a actual campanha eleitoral e também a pré-campanha não serviu propriamente para exaltar a importância do mais alto cargo da nação e particularmente paraesclarecer os portugueses e, por isso, temo muito pela abstenção.
Porque não estamos em tempos de fazer experiências, ou de ir atrás de lindos poemas ecantigas devemos reflectir e participar, votando.
No próximo domingo não devemos deixar tão importante decisão para os outros. Todos somos parte da solução. Participemos na vida cívica do país.
Devemos votar evotar em alguém que nos dá provas de confiança, determinação e competência.
Votemos Aníbal Cavaco Silva!
- Mais Menino Jesus e Menos Pai Natal
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O Natal é por excelência uma época de reflexão, até pelo aproximar do final do ano, altura perfeita para se fazerem balanços, contabilísticos e não só.
Nesta altura devemos sobretudo pensar em todo o bem que podemos fazer ao próximo, sobretudo àqueles que mais precisam e hoje em dia em particular a quem sofreu recentemente alguma rasteira na sua vida.
O Natal é uma época onde deve imperar a reflexão, a solidariedade e a amizade. Mas deve sê-lo como ponto de partida para o resto do ano e não como ponto de chegada. Ou seja não basta ser caridoso nesta época ou lembrar agora os amigos, quando durante todo o ano se é omisso relativamente a estes sentimentos.
O espírito natalício deve permanecer durante todo o ano, a mensagem que Deus nos legou em Belém, fazendo nascer o Seu filho num humilde palheiro, mas mesmo assim celebrado em todo o mundo, é prova suficiente de que não precisamos de muito para ser felizes. Se houver Amor e Boa Vontade tudo acontece e tudo é possível.
Hoje, mais que nunca e fruto das dificuldades actuais, só a partilha de bens, mas sobretudo de sentimentos e vontades são a força energia necessárias para enfrentarmos o futuro.
A dinamização económica é importante, mas os constantes apelos ao consumo roçam a desfaçatez quando cada vez mais gente passa por dificuldades e especialmente penso nas crianças que vêem na televisão tantos e bonitos brinquedos e eventualmente não terão nenhum, além de terem fome.
Porque estamos em crise e sem querer ser um fundamentalista religioso, mas porque sou católico e sigo princípios cristãos, devemos apelar e divulgar a verdadeira essência do Natal – o Nascimento de Jesus.
Fruto da comunicação social, da publicidade ou de alguma crise religiosa, sinto que em grande parte se perdeu o verdadeiro significado do Natal.
Quando era pequeno, quem me trazia prendinhas era o Menino Jesus e só muito mais tarde, ouvi falar em Pai Natal.
Estas duas figuras simbolizam dois significados antagónicos que marcam o Natal.
Para mim o Pai Natal simboliza o consumismo e a festa pela festa. Por outro lado, o Menino Jesus personifica o renovamento, a simplicidade, a dádiva ao próximo.
O presépio que também começa a ser substituído pela árvore de natal, acima de tudo expressa toda uma sociedade a querer fazer a sua oferta ao menino acabado de nascer. A verdadeira solidariedade.
O nascimento de Jesus traduz a crença num futuro melhor, a força da naturalidade e a vitória dos humildes.
Que a Estrela de Belém nos guie ao futuro, que começa já amanhã!
Procuremos ser benignos todos os dias, fazendo com que este mundo pejado de cinismo, falsidade e materialismo se transforme num mundo de Amizade, Confiança e Solidariedade.
Façamos o Bem, porque FAZER BEM, FAZ-NOS BEM!
A todos os leitores, desejo um Santo e Feliz Natal e muita Força para superar 2011!
- Francisco Sá Carneiro, Um Exemplo
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"Saber estar e romper a tempo, correr riscos da adesão e da renúncia, pôr a sinceridade das posições acima dos interesses pessoais — isto é a política que vale a pena!"
Sá Carneiro — Julho de 1975
A 4 de Dezembro de 1980, eu tinha pouco mais de 3 anos, logo o meu conhecimento sobre Francisco Sá Carneiro, advém das conversas com quem o conheceu, mas sobretudo com o legado que nos deixou nomeadamente em escritos e através de registos da comunicação social.
Considero que actualmente é cada vez mais necessário reflectir sobre a importância e a actualidade do legado político de um dos pais da nossa democracia.
Passando 30 anos do seu desaparecimento, pretendo deste modo perpetuar a memória de alguém que acendeu paixões, que gerou controvérsias e que não deixou indiferentes os aliados e os adversários políticos.
O legado político de Sá Carneiro apresenta uma dupla dimensão: de um lado, um pensamento estruturado e consistente, do outro, uma atitude, uma metodologia e um estilo muito próprios de acção.
Sá Carneiro não foi apenas um político e fundador de um dos partidos portugueses, foi acima de tudo um Líder e um Homem que ainda hoje é amado por grande parte da população portuguesa.
A matriarca do PSD e militante número 2, Conceição Monteiro, que foi secretária pessoal de Francisco Sá Carneiro, sobre o Governo da AD, afirmou: " um cometa passara por aquele governo em 10 meses. Sá Carneiro não parava 24 horas por dia. Tinha sempre projectos, coisas novas para mostrar."
Era um Homem de Estado, com uma visão de Estado. Não confundia as árvores com a floresta. Era portador de uma enorme cultura política e tinha uma ideia clara para Portugal.
Fazia política para as pessoas. Não fazia da prática política uma abstracção.
Tinha enorme gosto em fazer política, apesar do enorme desgosto que sempre lhe provocava o afastamento de alguns companheiros que não compreenderam os seus objectivos e a necessidade de cortar a direito para os atingir.
Nunca ninguém, em Portugal, encarnou melhor a definição de carisma de Max Weber, do que Francisco Sá Carneiro: "A autoridade do encanto pessoal. A figura que é vista como a de alguém que leva dentro de si a `chamada´ para ser condutor de homens, os quais lhe prestam obediência não porque mande o costume ou uma norma legal, mas porque acreditam nele."
Francisco Sá Carneiro defendendo a democracia na ditadura e rejeitando a ditadura na democracia, trouxe a muitos portugueses a esperança de uma nova alternativa, de um novo projecto, de um novo ideal.
Sá Carneiro legou-nos um património de seriedade e de serviço a uma causa com o objectivo de alcançar determinado modelo de sociedade.
Sá Carneiro continua connosco e agora que passam 30 anos do seu assassinato, esta é a minha humilde homenagem ao político mais Corajoso e Sério do pós-25 de Abril!
Sigamos o seu exemplo!
- Gastam mal e nós Abonamos?
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Desde segunda-feira, 373 mil famílias vão deixar de auferir abono de família e um milhão de famílias receberá menos. O impacto desta (má) decisão, varia consoante a composição do agregado familiar, as idades das crianças e o rendimento da família.
Serão sobretudo os casais com rendimento médio e as famílias mais numerosas os mais prejudicados por estas (más) opções.
Numa altura em que já se verifica a inversão da pirâmide etária da população, com evidentes consequências para a sustentabilidade da Segurança Social nacional e considerando a quebra na natalidade, o Governo dá uma facada nos auxílios às famílias. Desta vez a facada é no coração dos apoios sociais, no abono de família, algo que reputo de essencial.
Em 2006, apresentei e foi aprovada uma Moção no Congresso Nacional do PSD, que apontava diversas medidas que apoiariam e incentivariam à natalidade. Felizmente foi com agrado que verifiquei, coincidência ou não, que algumas das propostas que apresentei, este governo (socialista) veio a colocar em prática, mas agora verifico que não o fez por convicção, mas sim por puro oportunismo e eleitoralismo.
Se houvesse convicção na bondade de tais iniciativas, não se abandonava o projecto cheque-bebé e não se faziam agora estes cortes no abono de família, por exemplo.
A partir de agora, 1,4 milhão de lares terão cortes entre os 7,00 e os 158,00 euros, consoante a dimensão do seu agregado familiar e do seu rendimento. Quem aufere uma remuneração entre 628,80 e 1.048,00 euros, são os mais afectados. Estes agregados tinham direito a um abono entre 158,00 e 22,59 euros por mês. A partir de agora, não receberão qualquer cêntimo!
Para além destes cortes insensíveis, o Governo decidiu também terminar com a majoração de 25% que tinha concedido ao primeiro e segundo escalões em 2008. Com esta restrição, são prejudicadas 1 milhão de famílias.
Esta mexida no abono de família é feita para os cofres do Estado pouparem 250 milhões de euros por ano, o equivalente a 0,14% do PIB.
É com medidas destas e outras recentes que o aumento da natalidade e da qualidade de vida das famílias portuguesas ficam postas em causa.
Porque tudo se resume a prioridades, refiro que até Setembro de 2009 (dados que consegui apurar) o programa e-escolas envolveu verbas do Estado no valor de 225 milhões de euros.
Questiono, será mais prioritário o projecto “Magalhães” ou o Abono de Família?
- Política de Verdade e Política de Ilusão
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Há um ano os portugueses foram chamados a eleger uma nova Assembleia da República e por conseguinte um novo Governo para Portugal.
Apresentaram-se dois projectos distintos, mas particularmente duas lideranças antagónicas.
O Partido Socialista apresentou o seu programa eivado de fantasias e promessas que sabia não poder cumprir, baseado em ilusões da realidade e tentando esconder a verdadeira situação do país.
Por outro lado, o Partido Social Democrata apresentava uma liderança competente e sobretudo apta e disponível a fazer o que tinha que ser feito. Colocar um travão no despesismo e descontrolo das contas do Estado, evitando prejuízos futuros. O seu discurso não era muito agradável, mas primava pelo realismo e pragmatismo.
Infelizmente, a realidade veio dar razão a quem defendia a austeridade e no fundo falava Verdade. Pena que se o trabalho tem sido iniciado há um ano, de certeza a curva descendente não seria tão acentuada e difícil de digerir.
Hoje muitos estarão arrependidos da opção que tomaram, mas devem é reflectir quais os critérios do seu voto. Foi pela aparência física dos candidatos? Foi pelas mensagens idílicas e agradáveis do PS? Foi devido à forma correcta, assertiva, sincera e sobretudo verdadeira com que Manuela Ferreira Leite vislumbrava o nosso futuro?
Reconheço que em política ser sério e dizer a verdade, é algo que por vezes custa fazer e principalmente para o comum cidadão, custa ouvir, mas da mesma forma que um pai pede sacrifícios aos filhos quando a situação não está famosa, é assim que um político deve ser. Honesto, preocupado, verdadeiro e fiel.
Só há uma forma de estar na política, com verdade, caso contrário e mais cedo que se imagina cai-se no descrédito e aniquila-se decisivamente as esperanças de quem depositou a sua confiança.
Ilusão e demagogia são os piores males da política.
Quando se quebra a confiança, dificilmente se conseguirá mobilizar um povo para os sacrifícios a fazer e as tarefas a empreender.
Continuar com um discurso de prometer este mundo e o outro, só agravará a nossa situação. Por um lado, porque se se concretizarem muitas ideias e projectos para os quais não há possibilidades de realização e sobretudo de manutenção, estará a ser hipotecado o nosso futuro e a nossa esperança.
- Inflação, Desemprego e Crescimento
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Ao longo dos últimos anos, as variáveis do emprego (ou, mais precisamente, do desemprego) e do défice das contas públicas têm vindo a concentrar a atenção das discussões em torno de aspectos macroeconómicos no nosso País.
Neste período, as taxas de inflação mantiveram-se controladas pela política monetária do Banco Central Europeu (BCE) e as taxas de juro acabaram por repercutir a nível europeu as dificuldades que atravessaram os mercados de crédito internacionais.
Os economistas concordam em geral que taxas de inflação elevadas e hiperinflação são causadas por um crescimento excessivo da oferta de moeda. O consenso é menor sobre que factores determinam taxas de inflação moderadas. Uma inflação moderada ou reduzida pode ser atribuída a flutuações na procura real de bens e serviços, a mudanças na oferta disponível como acontece durante períodos de escassez, e também ao crescimento da oferta de moeda.
O ponto de vista que reúne consenso é o de que um período sustentado de inflação é causado quando a oferta de moeda aumenta mais rapidamente do que o aumento da produtividade na economia.
A tarefa de manter uma taxa de inflação reduzida é normalmente atribuída a autoridades monetárias que estabelecem a política monetária. Actualmente, as autoridades monetárias são em geral bancos centrais que controlam a dimensão da oferta de moeda estabelecendo taxas directoras, através de operações de mercado aberto, e determinando as exigências de reservas bancárias.
Quando o BCE divulga a sua decisão relativamente às taxas de juro, faz um discurso público onde dá indicações sobre as expectativas do BCE relativamente à inflação e ao crescimento económico na Zona Euro. O objectivo do BCE é controlar a inflação, mantendo-a abaixo dos 2%, mas sem prejudicar o crescimento económico.
Quando a inflação está muito alta, o BCE sobe a taxa directora de forma a controlar a inflação. No entanto, tem que ter sempre em conta que a subida das taxas de juro pode desacelerar o crescimento económico.
No início da década de 80 o mundo ocidental tinha três problemas: Inflação alta, desemprego elevado e estagnação económica. Os três reunidos faliram a solução keynesiana de incentivos à economia. A resposta encontrada por Ronald Reagan, porque ninguém ousava prescindir das políticas monetárias, foi a de reduzir a despesa governamental, os impostos sobre o capital e o rendimento e controlar a inflação.
A inflação é a ‘pedra no sapato' das políticas keynesianas. Durante décadas, o crescimento económico foi sustentado pela inflação (controlada e expectável) que, por contribuir para um falso sentimento de enriquecimento, permitiu baixos índices de desemprego.
Sucede que, a partir do momento em que o nível de inflação é passível de ser antecipado, ela deixa de ser benéfica. Tão só porque os prejuízos dela resultantes passam a ser tidos em consideração nos custos de produção e os lucros desaparecem. Quando tal sucede, e para que o efeito de estímulo continue, a inflação terá de ser cada vez mais alta. O risco é que se descontrole e se torne insustentável.
A solução passará por uma redução do peso do estado (para que se crie riqueza), ou uma mudança mais radical de encarar a realidade económica.
Sem crescimento económico não há emprego e o crescimento económico pode ser fomentado através da redução dos gastos públicos, de reformas estruturais, pela diminuição da burocracia, pela agilização da justiça e sobretudo pelo aumento das exportações e da inovação empresarial.
É esse o caminho que temos seguido?
- Nova Iorque, 11 de Setembro de 2001
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Os ponteiros do relógio marcam 8h46 (13h46 em Portugal), quando o agitado quotidiano matinal da Big Apple é interrompido por um estrondo ensurdecedor, cuja onda de choque quebra vidros, abala carros e faz estremecer o alcatrão.
Ali, no seio da cidade que dizem já ter visto tudo, as pessoas param e olham, incrédulas, para o que acaba de acontecer. Um avião embate na torre norte do World Trade Center (WTC), no coração de Manhattan. As ruas circundantes são inundadas por uma chuva torrencial de vidros, metais, destroços, labaredas e corpos humanos. Apenas 16 minutos depois, o mesmo acontecimento repete-se na torre sul, com um Boeing 767 a mergulhar nas janelas espelhadas do edifício. É demasiada coincidência para se tratar de acidente. Algo estranho, está a acontecer. Nova Iorque nunca mais seria a mesma. O mundo nunca mais foi o mesmo.
Parece que foi ontem. Vou relatar a forma como vivi os momentos aterradores deste ataque, que segui desde o primeiro minuto pela rádio.
Naquele início de tarde, após o almoço dirigi-me como habitualmente para o meu local de trabalho, na altura uma empresa situada na Avenida Vasco da Gama. Vinha a ouvir a TSF, descendo a Avenida do Mar, com o propósito de estacionar o carro no antigo parque onde hoje está a bomba da Galp.
De repente a emissão é interrompida para noticiar um acidente com um avião que embateu numa das torres gémeas do WTC. Achei estranho, porque diziam que o céu estava limpo e as torres não eram novas, estavam ali há cerca de 30 anos e acontece um acidente destes? Estranho. Muito estranho.
Seguiram-se relatos do cenário horroroso. Estaciono o carro e continuo a seguir o noticiário, como era meu hábito, pois só iniciava o trabalho às 14h30. De repente o correspondente da TSF, Luís Costa Ribas relata que assiste pela TV ao embate de um segundo avião na outra torre gémea. De imediato pensei, só pode ser um atentado com kamikazes ou coisa do género.
Seguem-se momentos de grande ansiedade, surgem entretanto notícias de outro avião que atinge o pentágono e outro que se despenha na Pensilvânia. Nunca esquecerei as palavras de Luís Costa Ribas, quando emocionado afirma que vai entrar em contacto com a sua esposa que na altura estava em Nova Iorque, Costa Ribas estava em Washington.
Julgo que este dia e todo o desenvolvimento que surgiu, bem como os atentados de Madrid, Londres, as ameaças da Al Qaeda, etc., só nos podem fazer pensar que vivemos num mundo perigoso e onde os fanatismos e fundamentalismos são ameaças para todos, inclusive para quem os defende.
Hoje, importa recordar todos aqueles que inocentemente pereceram e também todos aqueles que tentaram de todas as maneiras possíveis salvar vidas. A América ficou ferida de morte, que Deus nos proteja, de vivermos tal situação.
O mundo é cada vez mais, uma pequena aldeia, mas onde alguns pretendem impor a sua vontade, o que está errado. Devemos conseguir viver de uma forma harmoniosa, tendo cada um a sua forma de viver, pensar e agir.
Nestas alturas acho que a melhor reflexão é lembrar duas frases que já são universais, mas poucas vezes lembradas e muito menos aplicadas no quotidiano:
"A nossa liberdade termina, onde começa a do nosso semelhante."
"Não devemos fazer aos outros, o que não queremos que nos façam a nós."
Tenho fé e confiança num Mundo melhor, mas para isso temos que mudar muitos dos nossos hábitos.
Todos, em todo o mundo. Uns devem esmorecer um pouco o materialismo e o consumismo, outros devem repensar a sua leitura e interpretação dos escritos sagrados, temos que saber viver na diversidade, albergando as diferentes culturas e que estas se adaptem às culturas de acolhimento.
Com respeito mútuo, a harmonia imperará!
Só assim poderemos encarar o mundo como deve ser, enquadrado na evolução da humanidade e no progresso que se pretende aprazível e pacífico.
Que o futuro me dê razão!