Mistérios
Sentado no degrau da escada
olho as portas da vida:
em frente
uma janela debruçada nas sensações
de uma primavera palpitante;
à esquerda
um caminho que conduz aos mistérios;
à direita
o filho de Deus feito homem.
Alberto Luís-2011 in “Poemas”
Natal:o menino Jesus não tem culpa
No natal, sobretudo no natal
surgem de todos os lados fariseus travestidos.
Apregoam resmas de produtos supérfluos
como se deles necessitássemos para sobreviver.
Vende-se de tudo: felicidade, amor, saúde…
Oferecem-nos o céu
em todos os formatos
e com prazo alargado.
Chegam de todos os sítios
e em todas as línguas: é uma blasfémia.
Lembram-se de tudo e de todos
para branquearem a consciência até ao próximo ano.
Pedem, pedem
e voltam a pedir
para todas as causas sem causa nenhuma.
A.Luís
Era uma vez um mateiro que vivia com a sua modesta família na parte mais Ocidental da Europa. Nada de extraordinário, não fosse o caso de ser dono de um cão. De todo o lado acorriam multidões para ver espécime tão desusado. O caso alimentava na aldeia e fora dela, enorme polémica.
-- Como é que os parcos recursos daquela família podiam continuar a alimentar uma boca que valia por três? As perguntas sucediam-se, mas as respostas tardavam em chegar. O enigma ia crescendo na alma daquelas almas pouco dadas a elaboradas cogitações filosóficas. Os vendedores, que liam nas intervalas o futuro, tinham opinião bem diferente. O cão era um grande negócio, como aquele lugar jamais lograra produzir. Não propriamente o cão, mas as pessoas que alertadas pelo facto, vinham em sua demanda. Era vê-los a botar água na fervura.
Sabemos que o dinheiro não dá a felicidade, mas ajuda muito.
O mateiro, homem de poucas palavras, adensava o enigma, se é que havia algum. A aldeia, encaixada entre duas vertentes montanhosas, era ladeada a sul por uma ribeira, que tanto aldeões como forasteiros aproveitavam para as mais diversas funções. À sombra dos freixos e salgueiros, olhando as águas transparentes da ribeira e comendo uma bucha, os debates mantinham-se tarde adentro, dia a dia mais acalorados. O cão, aparentemente, alheado de toda a controvérsia, parecia não ter a lucidez suficiente para tirar partido de tal situação e como sempre fazia, comia e dormia, nem um breve rosnar se lhe ouvia. Havia também os que pensavam que o animal tinha direito à sua privacidade, e sempre que possível zombavam dos incautos forasteiros. Podemos ver neles os precursores dos defensores dos direitos dos animais. Como podemos vislumbrar, nem tudo é negativo nesta história…(1ª parte)
Os animais sabem sempre o que querem. O homem foi, é, e será sempre: ignorante, …
As palavras ecoavam com a sensatez do pensamento dos velhos filósofos gregos, antes de Sócrates.
Um muro a tolher-nos o passo da evolução.
Não há sábios como antigamente, esses sim, compreendiam a natureza como as palmas da mão. Eram a voz de Deus na terra, como se Deus precisasse de intermediários.
-- Do que é que Deus necessita?
-- Muito pouco.
Não há meias palavras, ou se é, ou se não é.
Os bancos da escola e os conselhos dos pais estão sempre presentes na vida, balizam-nos as acções, como as margens controlam o leito dos rios, que são seus. Direccionam as águas até à foz.
Era o autêntico objectivo dos rios, antes de o homem interferir no seu destino.
Sair é um passo nos degraus da evolução.
- Valeu a pena?
Todos os dias à mesma hora, como se não bastasse, fazemos a nós mesmos esta pergunta, que consideramos crucial; a mesma forma de ver, a mesma forma de sentir e continuamos como se nada fosse, como se a memória olvidasse o tempo vivido. O ser humano tem mais defeitos que virtudes, e isso já todos nós sentimos na pele.
O homem pensa muito, mas observa pouco.
Os animais, diria, ao terem um objectivo em vista, canalizam todas as suas forças para a realização desse móbil, que consideram fundamental. Neste aspecto são muito diferentes dos humanos.
A vida do homem abarca diferentes finalidades em simultâneo -- dispersão que pode considerar-se retentora de forças realizadoras imprescindíveis...
Objectivação
Estão dispostos e dispersos
um a um: quietos, surdos, mudos.
Retinha-lhes o olhar de tão quietos.
São assim os objectos da minha mesa
de trabalho. Há pessoas assim
– de tão dispersas e quietas,
pensam que não existem.
São objectos dispostos e dispersos
- tal como nós.
Vivem uma vida sem sentido – igual á nossa.
Há pessoas que fazem das outras
objectos, ou números de uma matemática
esquizofrénica.
Há pessoas assim.
A.L.3140
Ana Luísa Amaral nasceu em Lisboa em 1956. Aos nove anos foi viver para Leça da Palmeira. É licenciada em Germânicas pela Faculdade de Letras do Porto. Actualmente é professora de Literatura e Cultura Inglesa e Americana na Faculdade de Letras do Porto. Dos diversos livros de poesia já publicados, destaco: Minha Senhora de Quê , Fora do Texto, Coimbra, 1990; Epopeias, Fora do Texto,Coimbra, 1994; Às Vezes o Paraíso, Quetzal, Lisboa, 1998;Imagens, Campo das Letras, Porto, 2000; A Arte de Ser Tigre, Gótica, Lisboa, 2003;A Génese do Amor, Campo das Letras, Porto, 2005;Se Fosse Um Intervalo, Dom Quixote, Lisboa 2009.Está representada, entre outras, na seguinte antologia: Writing in Reverse - portuguese women poets. A sua obra encontra-se traduzida em diversas línguas.
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A minha escolha:
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PRIMEIRA IMAGEM
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Numa tarde de sol,
dispôs-se no bordado e a bordar.
É que a luz da varanda era tão forte
que os olhos se detinham,
implodindo.
“Um sonho”, desejara.
E alguém, sorrindo,
lentamente afastou-se,
monte acima.
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A.L.AMARAL,Imagens,Campo das Letras,2000
A Páscoa é para todos nós um período de pausa e reflexão. A palavra provém, para alguns, do termo hebraico pessagh. Período importante para os cristãos, por se encontrar ligado à ressurreição de Cristo. As festas de cariz religioso têm lugar um pouco por todo o lado, de norte a sul do país. Muitos são os que aproveitam os feriados para saírem do bulício das cidades. Também os emigrantes aproveitam este período para visitarem os seus familiares. Professores e alunos estão, agora, de férias… é o descanso merecido, para reentrarem, com ânimo, na fase final. Faltam-me as palavras para descrever a ambiência que se sente nesta época de pausa e reflexão…Assim, vou desejar uma Páscoa Feliz, com tudo de bom, para todos os povos . Que a Paz reine, um dia, neste pequeno Mundo.
AL
A água
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Cabe a todos nós preservar este bem essencial. Diminuir o seu consumo é zelar pelo futuro da humanidade. De toda a água existente no planeta, apenas 1% é água potável.
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O Dia Mundial da Água foi criado pela ONU no dia 22 de Março de 1992,Neste mesmo dia a ONU também divulgou um importane documento: a “Declaração Universal dos Direitos da Água”.-
Declaração Universal dos Direitos da Água
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Art.1º - A Água faz parte do património do planeta.Cada Continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada cidadão é plenamente responsável aos olhos de todos.
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Art. 2º - A água é a seiva do nosso planeta. Ela é a condição essencial de vida de todo ser vegetal, animal ou humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura. O direito à água é um dos direitos fundamentais do ser humano: o direito à vida, tal qual é estipulado do Art. 3 º da Declaração dos Direitos do Homem.
Art. 3º - Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo, a água deve ser manipulada com racionalidade, precaução e parcimónia.
Art. 4º - O equilíbrio e o futuro do nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende, em particular, da preservação dos mares e oceanos, por onde os ciclos começam.
Art. 5º - A água não é somente uma herança dos nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores. Sua protecção constitui uma necessidade vital, assim como uma obrigação moral do homem para com as gerações presentes e futuras.
Art. 6º - A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor económico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo.
Art. 7º - A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e discernimento para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração da qualidade das reservas actualmente disponíveis.
Art. 8º - A utilização da água implica no respeito à lei. Sua protecção constitui uma obrigação jurídica para todo homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo homem nem pelo Estado.
Art. 9º - A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua protecção e as necessidades de ordem económica, sanitária e social.
Art. 10º - O planeamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.
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O Rio
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O rio cavou a custo o leito onde se deita – e não morreu.
O corpo é uma linha sinuosa por entre os canaviais.
A alma é água cristalina.
Bebam as águas do meu rio!
E deixem que a tarde fique a namorar
nas suas margens.
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A.Luís
Para ser grande, sê inteiro
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Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.
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Ricardo Reis
Daniel Maia Pinto Rodrigues nasceu na cidade do Porto em 1960. A sua obra literária tem sido estudada por nomes como Mário Cláudio, entre outros. A sua primeira publicação data de 1983 “Vento”. A sua poesia consta de diversas antologias.
A minha escolha:
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DE VESTIDO LILÁS
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Repousam há horas os tordos
nos cedros.
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Agora vou-me embora. Levo uma menina loira
muito nova
a despedir-se de mim.
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Daniel Maia
Ontem, dia 8 de Março de 2010, comemorou-se o Dia Internacional da Mulher.
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Mu-lher
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Na-da emu-de-ce a tu-a bo-ca
Na-da pá-ra a cen-te-lha do o-lhar
Os te-us de-dos são do-ces a-gres-tes
Tens no cor-po a fra-grân-cia dos bos-ques
por a-brir
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És o véu que faz vi-brar o meu o-lhar
Ro-sa dos ven-tos
Á-gua das fon-tes
Au-ro-ra bo-re-al
Ar-co í-ris
Pan-do-ra
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A.P.
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A mulher é um efeito deslumbrante da natureza.
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Arthur Schopenhauer
Parabéns Madeira
(Mito e Realidade)
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Para lá das colunas de Hércules
vivem dois povos:
os madeirenses, destruídos pela catástrofe;
o outro, pela própria sombra.
Os Titãs tiveram conhecimento
da catástrofe.
Num ápice, o caos deu lugar à vida.
“Chamo-me Zé,
vim para aqui a pé,
e agora tenho um Cadilac”.
E a CREL aqui tão perto.
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A.L.
Pedro e a "Amiga" Adolescência
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Chegado a casa, atirou a mochila para o sofá da sala, como se de um pesado fardo se tratasse. O dia na Escola tinha sido um verdadeiro xeque-mate ao aluno – Pedro Santiago Pedrosa, de seu nome. A professora de Inglês, chamou-o a atenção por causa dos trabalhos de casa. Isa, sua namorada, fez uma cena de ciúmes por causa da sua amiga Raquel. E, se tudo isto não bastasse, chegou atrasado à aula de Português. Se há dias para esquecer, este era, sem sombra para dúvidas, um desses dias.
À mãe, Inês Santiago Pedrosa, nada passou desapercebido. Ficou calada, pela sapiência adquirida ao longo de muitos anos de experiência, pensa o fiel narrador deste conto. O nosso herói - foi direito ao seu quarto: uma cocheira perfumada, tal era a desarrumação que por ali proliferava: livros, posters, cê dês, t-shirts, patins, frascos de eau de toilette, garrafas vazias, bicicleta de montanha, e muitos outros objectos de culto. Um autêntico arsenal de uma guerra pessoal e necessária. A chamada “Crise” da Adolescência bateu-lhe à porta. Sabia que tinha que estar à altura dos acontecimentos. A família e os amigos eram aliados com que podia contar nos bons e nos maus momentos. Pedro sabia que não estava só na ultrapassagem desta malfadada “Crise”.
Estendeu-se ao comprido na cama, como quem quer esquecer o mundo para obviar os tormentos de uma fase que lhe dava água pela barba: uns pêlos mal semeados com muitas borbulhas à mistura, um feitio embirrante, e, por vezes, insuportável.
O quarto era o seu mundo. Dava para pensar, rir e chorar, consoante as mudanças de humor:fechar-se como um túmulo, ou abrir-se ao mundo, como algo sem portas nem janelas . Ai se aquelas paredes falassem!
- O jantar está na mesa!
Era a voz da mãe a chamar toda a família. Não era a primeira vez que não lhe apetecia comer, e muito menos, encarar alguém. Como tardava em aparecer, a voz da mãe fez-se ouvir novamente:
- O jantar está pronto, menino Pedro!
- Estamos todos à sua espera!
A muito custo, levantou-se e desceu as escadas para se sentar à mesa. Ó que suplicio! Bem se podiam esquecer dele, mas não. Pedro conhecia a mãe, e sabia que não era pessoa para desistir.
Sentado à mesa, o nosso jovem, não dizia palavra, o que não passou desapercebido à Carla, sua irmã mais velha e a toda a família. Aliás, comportamento que tendia a repetir-se nos últimos tempos.
- O nosso (futuro) homem - está hoje igual a si próprio – está na “fase”.
- Está calada, mete-te na tua vida - retrucou Pedro.
- Está a atravessar um dos períodos mais interessantes da vida, mas parece que carrega o mundo às costas - disse o pai, com veemência.
Foi ao jantar, que se prolongou mais tempo do que o habitual, que todos aproveitaram para opinar sobre o comportamento do Pedro. Até o irmão mais novo não deixou de dar o seu parecer. Pedro estava um homem, apesar do mau humor e da barba mal semeada. A voz - era agora mais grave. Até o andar era diferente. Os traços do rosto davam-lhe um ar de Brad Pitt. A pele tornara-se mais escura. Estava mais alto que o pai, embora mais franzino. Os seus ideais e valores eram, agora, defendidos com tenacidade. Amava o que lhe parecia justo e detestava a hipocrisia.
Os pais tinham consciência que Pedro estava a atravessar a crise da Adolescência. Sabiam que o filho - tinha que ter cuidados redobrados com certas doenças sexualmente transmissíveis.Nada como os seus conselhos e ensinamentos nesta etapa da vida. As alterações físicas e psíquicas tinham trazido consigo outras alterações, que era importante não descurar, para bem do Pedro e de toda a família. Muita coisa aconteceu naquela noite, mas todos sabiam que há coisas na vida que pela sua importância não podem ser adiadas e, muito menos, fazer de conta que não existem. O problema das drogas também entrou na conversa, mas não era uma dificuldade para esta família que falava de tudo com discernimento e abertura, de forma preventiva, e, até à data, este método tinha dado os melhores resultados.
Pedro escutara tudo com atenção, embora com aquele ar de quem não quer a coisa, só para não dar o braço a torcer.
- Será possível dizer bem desta fase? Perguntou Pedro.
Um mundo de perplexidades povoou o seu imaginário. Tudo era diferente: o corpo, a forma de sentir e interpretar o mundo. Estava a caminho de construir a sua verdadeira Identidade - crucial em toda a sua vida futura. Um desafio aliciante que o obrigava a dar o melhor de si próprio. Uma questão de grande relevância para si e para todos os jovens de qualquer parte do mundo. Crise, que deixaria de o ser, quando encarada com firmeza e naturalidade.
Ouviu-se o som de um telemóvel, e logo o nosso jovem aproveitou para se esgueirar para o quarto. Era a Isa, a pedir desculpa pela cena de ciúmes no átrio da Escola. Adorava-a, mas não tirava da cabeça a Raquel. Vendo bem, pensou, a Isa tinha razão. Estava tudo tão confuso na sua cabeça! Não queria ser assim, mas o instinto levava, por vezes, a melhor sobre a razão. Conversou demoradamente com a namorada, até que a porta se abriu, para mostrar o rosto de sua irmã Carla.
- O que queres daqui? Perguntou Pedro.
- Falar dos teus namoricos, seu mariola.
Pedro sempre gostara de conversar com a irmã, mas agora…
-Nada tenho a dizer...vai chatear outro.
-Vá lá maninho, fala-me das tuas aventuras e desventuras, sou a tua melhor amiga.
Falaram de namoricos, do professor de Matemática - estava a dar muita matéria, das desigualdades sociais, da festa de anos da Raquel, das calças de ganga compradas na F.I.C., das suas borbulhas, dos cabelos louros da Isa, da chuva que não parava de cair, da SIDA e do vírus da gripe: problemas de adolescentes.A mana mais velha, que já passara por tal, veio dar uma ajudinha. A conversa durou até a mãe os interromper a lembrar que era tarde para o Pedro. Começava as aulas, às 8 e meia da manhã.
- A minha vida é uma seca - respondeu Pedro.
- Ninguém está contente com a vida que tem - retrucou Alice.
- Boas noites, meus queridos - disse a mãe.
As ideias truncavam-se na sua mente e não o deixavam dormir. Finalmente, adormeceu a pensar nos bons e maus momentos da vida.
Eu, vosso humilde narrador, confesso que ouvi o Pedro balbuciar, um momentinho antes de adormecer:
- Boa noite, Adolescência.
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A.P. (Este conto foi publicado pela editora Mosaico.Faz parte de uma Colectânea de Contos, com o título:"Contos Cardeais".)
A minha escolha:
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Fim
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Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!
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Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro.
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Mário de Sá Carneiro
Pequeno conto de Natal
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Seguíamos uma estrela de brilho luminoso, que se destacava lá bem no alto do céu estrelado, de um Dezembro gelado - de 2009.
Ano difícil para os mais necessitados, por sinal.
Sinal era também a estrela de brilho luminoso que nos indicava o caminho. De todos os lugares acorriam pessoas. Ouviram dizer que nascera o Deus-Menino. Crentes no redentor dos homens e numa vida de esperança, num mundo de contrastes e desigualdades inumanas. Descrentes num consumismo desenfreado, que afasta o homem dos verdadeiros e justos valores da vida.
A noite avançava gélida, tornando penosa a procura - não fora o ambiente de festa e solidariedade que se criara, milagrosamente, entre todos. Talvez, por saberem que em breve estariam perante o Menino, que veio à Terra para morrer pelo homem e dar um sentido humano à sua existência.
As expectativas de toda esta gente não foram em vão: a estrelinha apontava o lugar, àqueles que jamais haviam perdido a fé na vinda do Messias.
Uma pequena e pobre cabana - de pastores, irradiava uma aura celeste de luz e clarividência. Fora o local escolhido por Deus para o nascimento do seu filho - feito homem.
Entrámos naquele lugar com o coração aberto, para homenagear o representante de Deus na terra. Saímos abençoados pela esperança de um mundo onde todos são iguais aos olhos de Deus.
Votos de um Feliz Natal e Próspero Ano Novo para os sem abrigo; para os idosos abandonados em Lares; para todos os que sofrem os horrores da guerra e da fome e para toda a comunidade educativa.
Um Feliz Natal e Próspero Ano Novo para todas as crianças e homens de boa vontade espalhados por esse Mundo fora.
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A.M.2009