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A PÁSCOA E A BOA NOVA

Na vida de cada um de nós, “nada acontece por acaso”.

Recebi recentemente uma mensagem com o título citado. Esta mensagem vinha acompanhada com uma série de fotogramas de pessoas que transportavam uma cruz. Entre essas pessoas havia uma que achava que a cruz lhe era demasiado pesada e disse:

- Senhor [esta cruz] está muito pesada, Vou cortar um pedaço.

E cortou. Não tardou e exclamou novamente:

- Senhor - cortei um pedaço da cruz … Assim poderei carregá-la melhor.

Mais adiante agradeceu por ter transportado uma cruz que era uma miniatura. Entretanto encontrou na estrada um vala que não a pôde ultrapassar. E ouviu uma mensagem “use a cruz como ponte, atravesse e siga em frente”. E observou que todos os companheiros que transportavam, cada um a sua cruz, sem reclamar no peso nem no comprimento, puderam ultrapassar facilmente o obstáculo e seguir a caminhada, pois a cruz lhes serviu como ponte entre as beiras do precipício. Então o portador da cruz em miniatura entrou em pânico e em depressão por não poder prosseguir o caminho.

        

É assim que às vezes ficamos abatidos porque recusámos transportar a nossa própria cruz.

                         

A todos desejo uma ótima passagem para e pela Páscoa e que a cruz sirva de ponte para um futuro justo e promissor.

Abraço e Páscoa feliz.  

fred

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Agradecimento pela 2ª imagem http://aveluz.com/rosari17.jpg ; http://media.photobucket.com ; http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons

Tomás Júlio Leal da Câmara um dos maiores expoentes da expressão plástica de cariz político e social

Leal da Câmara nasceu na Índia Portuguesa em 1876. Veio para a metrópole ainda em criança e faleceu aos 72 anos na Rinchoa, em 1948. Foi essencialmente um pintor de intervenção político-social e professor de desenho e artes decorativas, tendo exercido actividade em Portugal, Espanha, França, Bélgica e Brasil. Consta também que colaborou com edições inglesas e alemãs.

Atendendo a que a Arte humorística e sarcástica era uma das “armas” mais presentes e mais extensivas; a esta Arte recorreram artistas plásticos e literários envolvidos na ideologia de cariz socialista utópico, republicano e laico. 

Abandonou os cursos de Agronomia e Medicina Veterinária para se dedicar à intervenção política e sarcástica contra o sistema monárquico, especialmente contra o rei D. Carlos I, por achar que representava a cabeça de um sistema corrupto, face a uma República que se lhe apresentava idealmente como jovem e promissora da justiça social.

A fase mais interventiva da sua Arte vai de 1896 até ao eclodir da República e até mesmo mais tarde. Em 1912, temos notícia de que Leal da Câmara fez uma exposição individual, em Lisboa. 

A 1ª Guerra Mundial gerou mudanças e Leal da Câmara, ao estilo modernista, fez uma exposição intitulada “Arte e Guerra”.

Como tantos outros europeus partiu para o Brasil, em 1922, onde esteve uma temporada. Quando regressou, trabalhou na decoração do Jardim-Escola João de Deus. De seguida prosseguiu com uma infinidade de desenhos e pinturas de figuras populares da zona saloia.  

Adquiriu a casa que servira como estação de muda de cavalos e que fora pertença do Marquês de Pombal. Melhorou-a, adaptando-a para residência, onde viveu a última fase da sua vida, desde 1930 a 1948. Esta moradia serviu para nela instalar o seu ateliê. A colecção que nela se encontra, em exposição e em reserva, permite torná-la numa das mais importantes Casas-Museu de Portugal. É ainda de destacar, na proximidade da sua casa, o Núcleo de Arte "Saloios", instalado num edifício construído, primeiro para servir de projecto de museu português para a Flandres e, posteriormente, acabou por servir para escola primária com adaptação da responsabilidade de Leal da Câmara. Deste modo a Rinchoa é depositária de um dos mais importantes núcleos de arte e cultura saloia da zona metropolitana da Grande Lisboa. 

Ainda, no que concerne à importante colecção das pinturas saloias que constituem o grosso das peças preservadas na Rinchoa, estas peças não têm o cariz intervencionista e ideológico das que realizou na fase do período monárquico.

Entre 1930 a 1948 Leal da Câmara realiza uma nova e última fase artística. A carga jocosa e depreciativa de outrora deu lugar a uma representação social de hábitos, costumes e tradições. Esta fase da sua vida e arte ficou conhecida por “Fase dos Saloios”, coincidindo com o tempo em que morou na Rinchoa, concelho de Sintra.

Leal da Câmara é hoje apreciado como um  dos expoentes da expressão plástica, de cariz político, intervencionista e antimonárquico, por um lado; e, por outro lado, é um dos maiores pintores de figuras da classe popular. O Regime Republicano muito lhe ficou a dever, desde a altura da sua intervenção em jornais, tais como: A Sátira, A Corja, O Diabo, O Jornal de Arte e Crítica, a Marselheza, os Ridículos, o Inferno, o Miau, entre outros. Por estes motivos é de não perder uma visita guiada à Casa-Museu Leal da Câmara. Quem não souber onde fica, a internet apresentrar-lhe-á o percurso.

Fontes e referências documentais:  

- Casa-Museu de Leal da Câmara. Disponível em http://www.cm-sintra.pt/Artigo.aspx?ID=2012, acedido em 21.02.2012

- Casa-Museu Leal da Câmara. Disponível em http://www.lifecooler.com/edicoes/lifecooler/desenvRegArtigo.asp?reg=326812, acedido em 21.02.2012

- Casa-Museu Leal da Câmara. Disponível em http://www.ipmuseus.pt/pt-PT/rpm/museus_rpm/admin_local/ContentDetail.aspx?id=1207, acedido em 21.02.2012

- Saloios (os) Disponível em http://segundavida-jam.blogspot.com/2008/04/os-saloios.html, acedido em 23.02.2012

- Tomás Júlio Leal da Câmara. Disponível em  http://sala17.wordpress.com/2010/05/01/leal-da-camara-1876-1948/#comment-250, acedido em 21.02.2012

- Tomás Júlio Leal da Câmara na Hemeroteca de Lisboa. Disponível em http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/RecursosInformativos/Biografias/Textos/LealdaCamara.pdf, acedido em 21.02.2012

O HOMEM (DE) NOVO

                                           

O termo advento vem do latim “adventus” e tem a conotação de “preparação e chegada” de um tempo novo que tem início na quarta semana antes do Natal. Como marcas deste advento podemos indicar o solstício de Inverno que começa a 22 de Dezembro no hemisfério norte.

Para os cristãos e creio que para muitos agnósticos e praticantes de outras fés, o advento tem toda pertinência, porquanto além da conotação relacionada com a mudança de ano, a vinda do homem novo (1) revolucionou Israel e quase todo o mundo.

A revolução do homem novo, mas também a contra-revolução e reacção a esse mesmo homem novo, ainda hoje se verificam a uma escalada surpreendente e arrebatadora. Basta referir que “a cada cinco minutos um cristão é morto no mundo [… como] num holocausto esquecido, que passa ao lado das parangonas dos jornais […]” (2).

Outro exemplo de revolução do homem novo, apesar de estarmos num tempo de laicidade, é a do crescimento de conversões, especialmente em África onde nas últimas décadas os praticantes têm aumentado em número na ordem das dezenas de milhões.

Após as perseguições de que foram alvo as igrejas do Ocidente (Portugal incluído) hoje em dia as populações, não só toleram o homem novo, como há uma aceitação e procura das instituições religiosas onde recebem apoios que escasseiam no Estado e na sociedade civil.

Continuam, porém, hoje em dia e, fora do mundo ocidental, perseguições ligadas a regimes, a extremistas e ao desconhecimento do espírito da tolerância e da convivência do homem novo. Daí a necessidade da divulgação do conteúdo da Carta de Paulo aos Gálatas, entre outras filosofias e práticas de convivência pacífica.  

Que este Advento de 2011 traga mais uma oportunidade para o homem novo, isto é para o Homem local, global, solidário, justo e tolerante.

Continuação do espírito natalício / Bom Ano 2012.

(1)    Homem novo porque, com Cristo o homem se emancipa das formalidades da Lei e da visão estreita e egoísta que considerava que apenas o Judeu tradicional era escolhido por Deus. Tal como refere Paulo de Tarso na sua carta aos Gálatas (23-24) o interesse da Lei (Antigo Testamento) foi apenas a de pedagogia. A Liberdade para o homem novo a nível planetário, e não só de Israel, viria com a adesão aos novos cânones dos valores difundidos pelos Apóstolos: “Não há judeu nem grego; não há servo nem livre, não há homem nem mulher, pois todos vós sois de Cristo, sois um só em Cristo”. (Gálatas, 24). Confrontar também: J. Herculano Pires “O Homem Novo” disponível em:

http://www.biblioteca.radiobomespirito.com/o_homem_novo.pdf, acedido em 04.11.2011, p. 8   

(2)    In Voz da Verdade, 04.12.2011, p. 10  

EUROPA OU EUROPAS? DE ONDE VINDES PARA ONDE IDES?

Difusoras de civilização as Europas (do Sul ou Mediterrânica, Norte, Ocidental, Central e Oriental) passaram por crises diversas. Algumas crises surgiram devido a alterações climáticas naturais ou as provocadas pela acção do Homem (aquecimento e poluição da Terra, da água e do ar). Outras crises foram provocadas por epidemias e pandemias: A lepra, no seguimento das Cruzadas; a peste negra, no seguimento das comunicações entre Ásia e Europa no século XIV; a sífilis a partir finais do século XV; o sarampo, cólera, varíola, peste bubónica, sífilis, lepra e tuberculose, todas existentes na Europa dos séculos XVI/XVII; o tifo no século XIX; a gripe espanhola e a sida no século XX.

Outras crises foram provocadas pelas ambições humanas desregradas e/ou pela defesa ou resposta desmesurada às ameaças. É o caso do envolvimento em guerras dentro da própria Europa ou no exterior (guerras religiosas, dinásticas, napoleónicas, políticas e comerciais).

No Século XXI, apesar de tanta evolução nas ciências e nas técnicas, vivemos uma nova crise que ameaça ser sistémica, embora na Europa se note com maior preocupação, dado que a mesma Europa se habituou a níveis de desenvolvimento crescentes nas últimas décadas. Existe, pois, hoje em dia, uma depressão psicológica e social ao verificarmos que o desenvolvimento estagnou ou regrediu, contra expectativas criadas.

A comparação com outros países que estão à margem, ou menos expostos às crises económicas e financeiras dos últimos anos, como por exemplo a China e os “tigres ou dragões asiáticos” vem preocupando industriais, governantes, estudiosos, e a população em geral, em especial a que sente mais os efeitos nefastos. Invoca-se muito a crise financeira mas a realidade e os estudos mostrarão que as causas são variadas.

Lembro-me nos finais do anos 70 ter visto um livro numa vitrina de livraria cuja capa ostentava no título “Quando a China despertar … o mundo tremerá” da autoria de Alain Peyrefitte. Há quem diga que a frase que deu origem ao título já vem do primeiro quartel do século XIX e terá sido proferida pelo próprio imperador Napoleão Bonaparte. Não comprei o dito livro, hoje esgotado, mas lembro-me ter entrado no estabelecimento e desfolhado algumas páginas. Não posso reproduzir textualmente de memória o que li mas deu para fixar a ideia de que aquele gigante asiático meio adormecido estaria estrategicamente preparando o seu tempo de actuar, iria ser um dos principais países actores na cena económica e de crescimento do século XXI.

Lenta mas progressivamente a China tem vindo a globalizar-se e a integrar a administração de territórios que, outrora, eram pertença doutras nações. A sabedoria milenar chinesa soube esperar e tem vindo a preparar-se para ser uma das principais potências a vários níveis: Financeiro, industrial, militar, espacial e científico.

Certamente que um poder desta natureza despertará a acção e reacção de outras potências. Será que as “Europas” conseguirão unir-se, organizar-se, defender os seu modelos civilizacionais e de direitos humanos e, simultaneamente, competir com a China, os “tigres ou dragões asiáticos” e outras potências emergentes? Seria bom que uma competição inteligente e sadia acontece-se. Em primeiro lugar, para salvaguardar o nível económico que ainda temos, em segundo lugar, salvaguardar a paz e a segurança relativas que ainda temos e em terceiro lugar e a um médio prazo salvaguardar as próprias economias mundiais, incluindo a própria China, Índia e “tigres asiáticos”, bem como as economias dos EUA, Europa ou “Europas”, Brasil, África do Sul, Angola, Turquia e o mundo em geral.

As crises da(s) Europa(s)  serão a médio ou longo prazo crises globais que poderão fazer regredir o bem estar individual e social.  Que as grandes potências, actuais e emergentes, se consciencializem e saibam partilhar problemas e recursos em sadia competição e, mais uma vez, este velho continente tenha a capacidade para ultrapassar as graves crises financeiras, económicas, sociais, ambientais, de segurança e  justiça. 

Referências documentais:

Clima e alterações climáticas. História do clima. Disponível em http://alteracoesclimaticas.agrinov.wikispaces.net/2.2+Hist%C3%B3ria+do+clima, acedido em 30.10.2011

Clima sofre com a acção do Homem / Vanessa de Sá. Disponível em http://www.agr.feis.unesp.br/fsp09102004.php, acedido em 30.10.2011

Europa: Em torno da origem do nome. Disponível em http://herodoto4.blogspot.com/2005/05/europa-filha-de-agenor-palavra.html, acedido em 03.11.2011

Mundo (O) no tempo das pestes / Lúcia Helena de Oliveira, Regina Prado. Disponível em: http://super.abril.com.br/superarquivo/1992/conteudo_112913.shtml, acedido em 30.10.2011

Quando a China despertar … o mundo tremerá / Turma Formadores Certform 66. Disponível em http://certform66.blogspot.com/2009/03/quando-china-despertar-o-mundo-tremera.html, acedido em 30.10.2011

Quem são os Dragões asiaticos(paises)? Disponível em http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20071117153901AAaOaTQ, acedido em 30.10.2011

Tigres Asiáticos: As forças emergentes do Oriente (21.03.2007). Disponível em http://www.arturbruno.com.br/cursos/texto.asp?id=942, acedido em 30.10.2011

LINHAS DE TORRES VEDRAS: Mercantilismo Absolutismo Liberalismo económico e político Ambição Miséria Ciência Cultura Cavalheirismo Miscigenação Patriotismo Independência Revolução

A toponímica e construções das Linhas de Torres situam-se não só neste concelho de Torres Vedras, donde lhe vem o nome, mas também nos concelhos de Vila Franca, Arruda, Sobral, Loures, Mafra e Oeiras. Inserem-se na terceira invasão francesa à Peninsula Ibérica (1).

Como causas remotas  das invasões francesas podemos referir a evolução do capitalismo: do mercantilismo ao liberalismo económico, concebendo o mercantilismo como uma forma de economia intervencionada pelos Estados com procura e dominação de mercados e territórios. O mercantilismo dos finais do século XVIII chocou com as teorias e práticas do liberalismo, dado que este sistema económico e político defendia o livre acesso aos bens e o seu mercado. Deste modo, a França que se achava prejudicada no seu comércio, sobretudo o de acesso e distribuição por via marítima opõe-se a outras potências com marinha. A batalha de Trafalgar (1805) entre a França napoleónica e Espanha contra a Inglaterra é um exemplo.  

As invasões francesas são o seguimento de uma política que visa controlar mercados e territórios, constituindo o seu império. Neste aspecto o liberalismo económico está em contradição com o primado do liberalismo político e parece assemelhar-se ao moribundo mercantilismo.

A terceira e última invasão a Portugal decorre entre Novembro de 1810, até Abril de 1811, continuando depois em Espanha e envolve, não só o espaço geográfico à volta da capital onde se situam as Linhas, mas também as Beiras, Trás-os-Montes  e especialmente a Estremadura. Indirectamente afecta todo o país, quer pelo desvio de bens, quebra de negócios e receitas fiscais, quer pela mobilização de recursos humanos. 

No processo de “ajuda” à Península Ibérica, os Ingleses ganham tanta hegemonia que mais tarde haveria de contribuir para revoltas e mesmo para a revolução republicana em Portugal com a adopção de um novo hino nacional onde constavam inicialmente as referências “contra os bretões (e não contra os canhões) marchar, marchar”.

A partida da corte portuguesa para o Brasil data da primeira invasão (1807) e a independência do Brasil é potenciada pela revolução francesa, pela difusão das ideias liberais, pela própria estada da corte no Brasil e pela pressão da abertura do comércio directo do Brasil com as nações estrangeiras.

As linhas de Torres permitiram poupar Lisboa a uma nova perda do controle do território, conforme acontecera aquando da primeira invasão e poderia levar à perda da independência, como se verificou em Espanha. Segundo o parecer dos Ingleses que comandaram o projecto das Linhas de Torres, estes trabalhos constituiram uma das maiores obras, a nível mundial, que permitiram a obstrução da passagem de um dos maiores exércitos invasores. Por este motivo, estas Linhas têm vindo a ser recuperadas como um património nacional e de interesse internacional.

Os Ingleses, especialmente os virados para a  História, a Arquitectura Paisagística e Militar  são os mais entusiastas no estudo e nas visitas às Linhas de Torres. Porém, e não obstante a barreira destas Linhas que vão do Tejo (Vila Franca / Loures) ao Atlântico (Torres Vedras, Ericeira, Mafra), as principais causas da retirada do exército napoleónico francês foram as dificuldades de aprivisioamento de bens para alimentar um grande exército de homens, cavalos e outros animais de tracção e carga.

Uma outra razão da derrota francesa deve-se às condições de avanço no terreno através de péssimos e estreitos caminhos da época, onde as carruagens de transportes de equipamento frequentemente avariavam ou simplesmente não avançavam por não caberem nas vias e trilhos portugueses. Talvez por esta razão Wellington, o principal estratega Inglês da construção e defesa das Linhas de Torres optou por concentrar o grosso das tropas e recursos nas linhas de Torres, próximas da capital e do mar onde a Armada Britânica tinha primazia de manobra e poder.

Wellington Foi criticado por algumas patentes militares e membros do governo por ter contribuído para o quase desguarnecimento do restante território e fronteiras portuguesas, optando pela política de “terra queimada”, mandando destruir bens de consumo, moínhos, casas e outros bens, a fim de privar o inimigo de condições de abrigo e subsistência. Mandou igualmente retirar as populações, concentrando-as na capital onde viveram miseravelmente e em muitos casos com a separação ou perda do agregado familiar.

Durante a terceira invasão, entre a chegada, estada e a retirada  deram-se confrontos no Rio Côa, Almeida (2), Buçaco, saque de Coimbra, Alenquer, Sobral de Monte Agraço, Dois Portos, Seramena (Sobral), Alhandra e Bulhaco (V.F. Xira), Runa, Cartaxo, Ponte do Abade, Vila da Ponte, Rio Maior, Pombal, Redinha, Casal Novo, Foz do Arouce e Sabugal.   

Mas nem só de batalhas e combates com mortos e feridos, privações e fomes se fez a História das invasões. Chegou a haver difusão de ideias políticas e de cultura, participações em folclor, ópera, episódios de cavalheirismo entre tropas das duas facções nos períodos de acalmia, tal como convites aos oficiais inimigos para assistirem a peças de teatro e animação. O cômputo geral foi, essencialmente, de enormes perdas de vidas e feridos, não só em combate mas pelo cansaço, doenças, fome e frio. Os recursos alimentares e equipamentos foram em grande parte destruídos, tudo pela ambição de riquezas e para ampliar os espaços de hegemonia e negócios.

A ciência e a técnica foram incrementadas, nomeadamente no conhecimento do território, através da elaboração de cartas e posições geodésicas. As telecomunicações desenvolveram-se no tempo da revolução Francesa e das invasões. Inventaram-se sistemas de telegrafia com recurso a códigos e telescópios (exemplos de telégrafos óptico/visuais desta altura: francês de Chappe, inglês com sistema de bolas e português de Ciera) 

Em Portugal, o telégrafo de Ciera constituíu um avanço tecnológico pela maior facilidade em comunicar. Esta aptidão, resultante da necessidade e da vontade em inovar, haveria de ser prosseguida no tempo, tendo sido o nossso país um dos pioneiros em inovações tecnológicas nas comunicações.

As lutas, de corpo-a-corpo e em campo aberto, passaram a desenvolver-se com o recurso à artilharia, espingardaria e telecomunicações, permitindo afastar as frentes de combate e dar a possibilidade de tratar dos feridos, recolhendo-os para enfermarias e hospitais.

As difusão das ideologias liberais também estão ligadas às invasões francesas, bem como à consequente queda do absolutismo. As independências de vários países na América Central e do Sul, influenciadas pelos EUA e pela Europa, muito devem aos movimentos revolucionários e aos interesses comerciais de países que queriam ter mais liberdades para abastecimenos, vendas e trocas de produtos evitando pagamentos de taxas alfandegárias.

(1)   Por questões de espaço passamos por cima da 1ª e da 2ª invasão, tendo de antemão que as mesmas foram prejudiciais para Portugal e para a própria França com as várias derrotas que sofreu. A Inglaterra que se bateu em batalhas navais, na Peninsula Ibérica e outros teatros da Europa, conseguiu aumentar a sua hegemonia que durou até praticamente à segunda Guerra Mundial.

(2)    Que se rendeu devido ao acidente da explosão do paiol.

Fontes de apoio:

A Armada de Portugal ... / Cristina CLÍMACO. Disponível em http://www.linhasdetorresvedras.com/ficheiros/pdf_artigos/l_armaee_du_portugal_ou_o_desconcerto_de_um_exaercito_cristina_claimaco.pdf, acedido em 14.09.2011

Account of the war in Spain, Portugal and the South of France. From 1808 to 1814 inclusive / John Thomas JONES. Disponível em  http://books.google.com/books?id=5VdeAAAAIAAJ&printsec=frontcover&dq=bibliogroup:%22Account+of+the+War+in+Spain,+Portugal,+and+the+South+of+France:+From+1808+to+1814+Inclusive%22&hl=pt-PT&ei=n1Z3TuqGLsib0QX1oMmXCA&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0CCwQ6AEwAA#v=onepage&q&f=false, acedido em 19.09.2011

A última campanha napoleónica contra Portugal. 1810-1811 / Coronel José Custódio Madaleno GERALDO. Disponível em http://www.revistamilitar.pt/modules/articles/article.php?id=578, adedido em 18.09.2011

As Linhas de Torres Vedras / Carlos Guardado da SILVA. Disponível em http://www.linhasdetorresvedras.com/ficheiros/pdf_artigos/as_linhas_de_torres_vedras_carlos_guardado_da_silva.pdf, acedido em 18.09.2010

As Linhas de Torres Vedras. Invasão e Resistência. 1810-1811 / Cristina CLÍMACO. Lisboa: Edições Colibri, Câmara Municipal de Torres Vedras, 2010

Associação Napolenónica Portuguesa. Disponível em http://linhasdetorres.wordpress.com/2008/03/28/associacao-napoleonica-portuguesa/, acedido em 19-10.2011

Associação Napoleónica Portuguesa e Grupo de Recriação Histórica de Almeida. Disponível em  http://linhasdetorres.wordpress.com/2008/04/15/associacao-napoleonica-portuguesa-e-grupo-de-recriacao-historica-de-almeida/, acedido em 19.10.2011

Bicentenário do Corpo Telegráfico 1810-2010 / major-general António Luís Pedroso de Lima, et. al. s.l.: Blueprint, Ldª, 2010. Também disponível em http://www.exercito.pt/historiatm/Documentos/Livros/Bicenten%C3%A1rio%20do%20Corpo%20Telegr%C3%A1fico%201820-2010.pdf, acedido em 14.10.2011

Bocage poeta da liberdade. Extraído da exposição bibliográfica dos 230 e 190 anos do seu nascimento e morte. Câmara Municipal de Setúbal, Daniel Pires. Disponível em http://purl.pt/1276/1/liberdade.html, acedido em 26.09.2011

Bocage [poeta neo-clássico, arcádico, pré-romântico, pró-revolucionário e anticlerial] Disponível em http://www.elsonfroes.com.br/bocage.htm, acedido em 28.09.2011

Bicentenário do Corpo telegráfico 1810-2010 / major-general António Luís Pedroso de Lima et al. s.l.: Blueprint, Ldª, 2010. Disponível também em http://www.exercito.pt/historiatm/Documentos/Livros/Bicenten%C3%A1rio%20do%20Corpo%20Telegr%C3%A1fico%201820-2010.pdf, acedido em 14.10.2011)

Fundo de Arquivo Pessoal do general Jean-Gabriel MARCHAND disponível em  http://daf.archivesdefrance.culture.gouv.fr/sdx-222-daf-bora-ap/ap/fiche.xsp?id=DAFANCH00AP_275AP, acedido em 09.10.2011

Francisco António Ciera / Maria Helena Dias. Disponível em http://cvc.instituto-camoes.pt/ciencia/p48.html, acedido em 11.09.2011

Gazeta de Lisboa, edições 1-52 [para contexto anterior às invasões peninsulares e biografia de Massena, Savary e Napoleão]. Disponível em http://books.google.pt/books?id=1WFVAAAAYAAJ&pg=PT25&lpg=PT25&dq=Savary+exercito&source=bl&ots=11OC5mb0HE&sig=LKyt4x5CiYP2JDWa3Fwxy9gKoh0&hl=pt-PT&ei=4bqMTrLeM6TT0QXM7NHmBQ&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&sqi=2&ved=0CCQQ6AEwAA#v=onepage&q=Savary%20exercito&f=false, acedido em 06.10.2011

Gomes Freire de Andrade. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Gomes_Freire_de_Andrade), acedido em 15.09.2011

História da guerra e do estabelecimento do governo parlamentar em Portugal, compreendendo a história diplomática, militar e política deste reino desde 1777 até 1834 / José Luz Simão SORIANO. Lisboa: Lisboa: Imprensa Nacional, 1866-1990). Disponível na BNP - Biblioteca Nacional de Portugal e referências em http://www.archive.org/details/historiadaguerr09sorigoog, http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:Z019e0h6cMUJ:pt.wikipedia.org/wiki/Luz_Soriano+historia+da+guerra+e+do+estabelecimento+do+governo+parlamentar+em+Portugal+compreendendo+a+historia+diplomatica+militar+e+politica+deste+reino+desde+1777+ate+1834+Jos%C3%A9+da+Luz+Simao+soriano&cd=3&hl=pt-PT&ct=clnk&gl=pt, http://purl.pt/12103/1/ acedidos em 20.09.2011

Histoire de la guerre de la péninsule et dans le midi de la France depuis l`année 1808 jusqu`à  l `année 1814" / William Francis Patrick NAPIER. Paris: Treutel et Wurtz, 1828-1844. Disponível também em  http://books.google.co.uk/books?id=VCZKepmKxwEC&printsec=frontcover&dq=bibliogroup:%22Histoire+de+la+guerre+dans+la+p%C3%A9ninsule+et+dans+le+midi+de+la+France,+depuis+l'ann%C3%A9e+1807+jusqu'%C3%A0+l'ann%C3%A9e+1814%22&hl=pt-PT&ei=BFR3TqKUGsOb1AXd2ryXCA&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0CCkQ6AEwAA#v=onepage&q&f=false, acedido em 19.09.2011

La mémoire des campagnes napoléoniennes au Portugal (1807.1811). Au croisement des sources orales, écrites et iconographiques / Tereza Caillaux de ALMEIDA. Disponível em http://www.msh-clermont.fr/IMG/pdf/04-CAILLAUX_27-38_br.pdf, acedido em 12.10.2011

La mission de Lagard policier de l´empereur pendant la guerre d`Espqagne 1809-1810. Edition des depeches concernant la Peninsule Iberique / Nicole GOTTERI. Paris: Publisud, 1991 

L`armée du Portugal ou o desconcerto de um exército: Preparação e concretização de uma expedição a Portugal. 1810-2010 Linhas de Torres Vedras. Comemoração bicentenário.  Torres Vedras: Nov. 2009 - Nov. 2010 / Cristina CLÍMACO. Disponível em  http://www.linhasdetorresvedras.com/ficheiros/pdf_artigos/l_armaee_du_portugal_ou_o_desconcerto_de_um_exaercito_cristina_claimaco.pdf, acedido em 03.10.2011

Liberalismo económico. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Liberalismo_econ%C3%B3mico, acedido em 29.08.2011

Mártires de Arrifana. Disponível em: http://joelcleto.no.sapo.pt/textos/Comercio/MassacreemArrifana.htm, acedido em 19.10.2011

Mémoires de Masséna redigées d`après les documents qu`il a laissée et ceux du dépôt de la guerre et du dépôt des fortifications / General Jean Baptiste Fréderic KOCH. Paris: Paulin et Lechavalier, 1848-1850

Memoires sur les Lignes de Torres Vedras élevées pour couvrir Lisbonne en 1810. faisant suit aux Journaux des sièges entrepis par les allés em Espagne / John T. JONES. Paris: Anselin, 1832

Mémoires sur ma campagne du Portugal 1810-1811 / general Jean Jacques Germain PELET-CLOZEAU. Paris: Librairie Historique F. Teissèdre, 1999. Resumo disponível em  http://www.clavreuil.fr/editions.php?p=17, acedido em 12.10.2011

Mémoires sur ma campagne du Portugal (1810-1811) annotées par Christian Schneider / general Jean Jacques Germain PELET-CLOZEAU. Paris: Editions Historiques Teissèdre, 2003

Memórias de Massena. Disponível em http://www.guardamor.com/livro.php?id=892, acedido em 11.10.2011

Memórias de Massena - Campanha de 1810-1811 em Portugal / António Ventura. Lisboa: Livros Horizonte, 2007

Mercantilismo. Disponível em  http://www.infopedia.pt/$mercantilismo, acedido em 29.08.2011

O Absolutismo. Aliança entre o Trono e o Altar. Disponível em: http://www.pime.org.br/missaojovem/mjhistdaigrejatrono.htm, acedido em 28.08.2011

O portal da História. Cronologia das invasões francesas, 1810 a 1813. Disponível em: http://www.arqnet.pt/portal/portugal/invasoes/inv1810.html, acedido em 28-08-2011

Recueil choisi des dépêches et ordres du jour de feld Maréchal duc Wellington / Colonel John GURWOOD. Bruxelles: Meline, Cans et Cie, 1843. Edição impressa disponível na BNP - Biblioteca nacional de Portugal.

Souvenirs / Louis Samuel BÉCHET DE LÉOCOUR. Paris: Teissedre, 1999

Sé Catedral da Guarda e invasões francesas. Disponível em http://www.guiadacidade.pt/pt/poi-catedral-da-guarda-14600, acedido em 19.10.2011

Telecomunicações militares: Inovação e Soberania / José Vegar, Estados-Maiores do Exército e da Força Aérea disponível em http://www.fpc.pt/FPCWeb/docs/20820.pdf, acedido em 14.10.2011

Telégrafo Português de Francisco António CIERA na Atalaia - Vila Nova da Barquinha - Abrantes no ano de 1810. Disponível em http://atalaia-barquinha.blogspot.com/2010/02/o-telegrafo-de-ciera-ano-1810-abrantes.html, acedido em 14.10.2011

Telégrafo Português de Francisco António Ciera no ano de 1810. Disponível em http://coisasdeabrantes.blogspot.com/2011/03/abrantes-militar-telegrafo.html, adecido em 14.10.2011

CAMÕES. COUTINHO. SÃO BENTO E EUROPA

Consta que Álvaro Gonçalves Coutinho (“O Magriço” por alcunha) nasceu no castelo da minha Terra, em Penedono, bem no interior da Beira Alta. Magriço foi um exemplo de cavalheiro que serviu el-rei D. João I (1) , o duque da Borgonha e a corte inglesa para defender as "doze damas ultrajadas".

O pedido de auxílio veio por indicação do duque de Lencastre. Constou que o Magriço era a pessoa certa para capitanear o grupo de cavaleiros portugueses que se haviam de defrontar com doze cavaleiros ingleses, em defesa da honra das damas cortesãs de Inglaterra.

Note-se que nesse tempo o rei de Portugal era dom João I (Mestre de Avis) e a raínha era D.Filipa de Lencastre da famíia do duque de Inglaterra. Destaque-se ainda que, em memória do Magriço, a equipa da Selecção Nacional de Portugal de 1966, incluindo Eusébio foi denominada de “Os Magriços”.

Álvaro Gonçalves pertencia à linhagem dos Coutinhos ligada à Reconquista e à defesa de Portugal, ganhando, assim, senhorios de terras e castelos em Leomil, Penedono, Trancoso, Marialva, Redondo, entre outras localidades.

Por intermédio de dom Francisco Coutinho, 2º Governador e 8º vice-rei da Índia, Camões ficou eternamente agradecido aos Coutinhos. Com efeito, Camões foi ajudado a regressar à Pátria quando se encontrava no Oriente praticamente indigente. Daí, o ter escrito nos Lusíadas sobre os Coutinhos, incluindo o episódio sobre os “Doze de Inglaterra” cujo capitão fora Álvaro Gonçalves Coutinho (o Magriço)(2).

Sendo Camões um dos primeiros homens da modernidade nos inícios de globalização, nem por isso poupou elogios à cultura tradicional cavalheiresca, nomeadamente em relação ao episódio da defesa da honra das doze damas ultrajadas. Magriço deslocara-se a Inglaterra e aos Países Baixos para ajudar a resolver diferendos sociais de honra e disputas políticas. No regresso passou pelos Países Baixos borgonheses onde serviu o conde Filipe (o Bom) marido da princesa Isabel de Portugal, filha de D. João I.

Em atenção ao Magriço, à corte e a Portugal, o conde Filipe concedeu importantes privilégios à “nação portuguesa” de Bruges. No século XXI, mais uma vez é preciso relevar valores, tal como o fez são Bento, sendo por isso considerado um dos fundadores e Padroeiro da Europa.

De destacar são também os fundadores do projecto de Comunidade  Europeia demonstrando que o ideal de Europa Unida e solidária não é dispiciendo. Homens corajosos, humanistas, com sentido de comunidade e ensejo de bem servir são precisos para o progresso, o equilíbrio dos povos europeus e do mundo contemporâneo.

(1)    Na altura em que Portugal se preparava para dar um passo de gigante para a modernidade e para o processo de globalização.

(2) Este episódio consta no canto I, estrofe 12 e o no canto VI da estrofe 38 à 41 como preparação do leitor para o episódio de "Os Doze de Inglaterra". Da estrofe 42 à 69 o poeta dá largas ao episódio propriamente dito  e em que destaca a figura do Magriço. Da estrofe 70 à 84 é de descrição tormentosa da viagem marítima, para depois da 85 em diante o poeta tratar de um tempo mais promissor em que fala de Vénus, Ninfas e Amores, até que os marinheiros encontram a muito ambicionada, procurada e prometida Índia. E assim termina o canto VI. 

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Fontes: Descrição para português actual e interpretação das estrofes de Camões sobre o episódio de o Magriço e Os Doze de Inglaterra: 

    -  Os Luzíadas / Luís de Camões, José Hermano Saraiva, José António Lima e Henrique Monteiro. Edição Expesso, com o apoio do Grupo Totta, em 10 volumes, [Lisboa]: 2003;

   -   Camões. Os Doze de Inglaterra. Episódio do Canto VI de Os Lusíadas. Paráfrase, Ilustrações e Estudo do Torneio Medieval  / Luís de Camões, Jorge Tavares. Porto: Lello & Irmão - Editores, 1985.

A "INVENCÍVEL ARMADA"

PROSÁPIA SOBERBA COBIÇA – FACE AOS ELEMENTOS NATURAIS E AO BOM SENSO

Filipe II, I de Portugal, enviou a sua “Invencível Armada” contra a Inglaterra (1588). O comandante-mor, duque de Medina fazia-se transportar pelo galeão português S. Martinho. Vários outros navios desta armada eram portugueses, incluídos na chamada Esquadra de Portugal, cuja Esquadra participava, ao que tudo parece indicar, contra vontade na louca aventura.

Nesta altura os domínios do rei de Espanha envolviam praticamente metade do mundo. A saber: o império espanhol, incluindo as possessões ultramarinas, o império português, sob a mesma coroa de Espanha/Portugal e uma boa parte da Europa a que chamaram Sacro Império Romano-Germânico.

Contudo a luta pelo controle marítimo entre Espanha e Inglaterra levou ao imprudente desafio feito por Filipe II aos Ingleses que, já naquela época, tinham técnicas mais modernas na arte do domínio dos mares, bem como uma avaliação mais racional das condições de defesa e ataque no mar. Nesta batalha, no Canal da Mancha, os Ingleses usaram embarcações não tripuladas, os chamados burlotes adoptados para incendiar os navios do inimigo.

Para lá do erro do desafio de Filipe II à Armada Inglesa, acresceu ainda a imprudência em relação à avaliação dos elementos naturais, ou seja, aos ventos contrários, tendo os Espanhóis sido involuntariamente empurrados para o Atlântico Norte antes de poderem regressar às suas bases, derrotados e extremamente debilitados.

Durante o tempo em que os marinheiros andaram arrastados pelos ventos padeceram à míngua de alimentos e água, além de acumularem perdas humanas (cerca de 20.000) e ainda muitos feridos e doentes. Esta tragédia causada, entre outros factores, pelos ventos contrários aos desígnios Espanhóis, levou a que os Holandeses, na altura dominados por Espanha, afirmassem com plácida altivez: «Deus soprou, e eles [Espanhóis] foram dispersos» (sublinhado meu). 

Fontes: - “Como o tempo mudou o rumo da História” in revista «Despertai», Junho 2011, pp 24-25; - Invencível armada – pesquisa do Google – Windows Internet Explorer: A «Invencível Armada» Disponível em: http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:41D657ptp80J:pt.wikipedia.org/wiki/Invenc%C3%ADvel_Armada+invenc%C3%ADvel+armada&cd=1&hl=pt-PT&ct=clnk&gl=pt&source=www.google.pt acedido em 28.06.2011; - http://www.google.pt/search?q=invencivel+armada&hl=pt-PT&biw=754&bih=600&prmd=ivns&tbm=isch&tbo=u&source=univ&sa=X&ei=whcJTqehL8mj-gbloqBm&sqi=2&ved=0CHUQsAQ  acedido em 28.06.2011.

OLINDA GIL ARTISTA E DIVULGADORA

Olinda Gil é leão de signo. A costela beirã de nascença (Covilhã) dá-lhe o sentido da luta permanente. (1) Porém, aos 5 anos, Olinda vai para África. As terras de Nacala, ao norte de Moçambique, acabam de moldar-lhe o carácter.

A informalidade e descontracção de influência africana são marcas a par da sensibilidade para as artes que colhe junto da galeria de que seu pai era proprietário, em Moçambique. Uma galeria de arte, neste ponto do hemisfério, tem de apostar nos recursos locais, isto é, nos artistas nativos e naqueles que são capazes de captar a alma do povo e do território. O carácter herdado na infância e juventude no seio da família e no meio social são essenciais para a absorção de conhecimentos que Olinda manifesta, quer na sua pena, quer na tela e pincel.

A meu ver não podemos dissociar completamente Olinda de Malangatana, a começar pela Terra comum (Moçambique) que lhes serviu de berço e de vivência. Em ambos há a prevalência das representações humanas colectivas e uma cultura baseada na religiosidade do mundo judaico-cristão. Malangatana com uma prática muito desenvolvida e uma grande dedicação à pintura consegue quadros com uma carga muito densa e com semelhanças a um Picasso, passando pela estilização e formas distorcidas propositadamente. 

As cores são quentes, quer no distinto Malangatana, quer em Olinda. Apostam nos vermelhos simbolizadores de vida e energia. A religiosidade e o simbolismo judaico-cristão são presença frequente em ambos. Em Olinda há vários elementos da cultura judaico-cristã na virgem e santos e até em vários quadros com a presença da serpente. Porém, a serpente em Olinda não é um animal que rasteja mas sim um elemento mais decorativo e algo simbólico, tal como é apresentado na Farmacologia e na Medicina. A formação em História e Ciências Sociais dão a Olinda uma recorrência a temáticas que transcendem a arte pela arte e a contemporaneidade.

Entre os vários quadros de Olinda escolhemos, quase ao acaso:

Homenagem a Malangatana”. Neste quadro Olinda representa o elemento social com rostos coloridos e olhos frequentemente amendoados que dão uma sensação de tranquilidade e beleza. 

Em “Oasis”. Uma pintura quase minimalista em que apresenta o essencial com cores onde se sente o fogo da vida e a água que refresca. O natural, o ideal e a evasão ao bulício da vida urbana estão ali presentes.

Em “Peixes”. Temos novamente a vivacidade da paleta de cores quentes mas também as refrescantes e de sonho no avermelhado, azul, verde e rosa. É de notar que o peixe é um dos símbolos cristãos. A água, fonte de vida, está habitada por peixes que se cruzam pacificamente, cada um em seu próprio percurso, delimitado por linhas onduladas.

Na “Virgem das Borboletas”. A autora manifesta uma simbiose entre a natureza representada pelas borboletas e o fundo cheio de flores, com a santidade (virgem com o menino). O vestido decorado com desenhos de faixas geométricas, atiram para uma influência da pintura das sociedades da pré e pro-história. O conjunto pictórico central encontra-se protegido de influências exteriores. Há como que uma redoma a dividir o desenho temático do ambiente exterior.

Em “The Seagull Princess”. Olinda representa mais uma vez um mundo ideal em que no centro figura uma princesa praticamente desnudada. Um palácio, árvores, pássaros e uma mão aberta, que se aproxima duma ave, complementam o sonho.

Enfim, é de notar a criatividade e a intensa actividade da nossa amiga bloguista no “Sol”. É de “invejar” a sua capacidade de realização entre a sua vida profissional, doméstica, artística e difusora de conhecimentos nos “Blogues”, no “Facebook” e, quiçá, na sua vida social.

                              Outros quadros de Olinda:

        

                                    Revolução Egípcia

           

                                          Fábula Nacala

(1)     Tal como diziam Arnold Toynbee (Inglaterra, 1889-1975) e Fernand Braudel (França, 1902-1985) citados frequentemente por João Evangelista (não o santo mas um professor que tive em Geo-História) a serra dá ao ser humano pernas e um sistema respiratório musculados para que consigam fazer face aos desafios e aos desníveis orográficos que permanentemente têm que vencer.

Bibliografia e fontes iconográficas:

Galeria de Arte e Signos; Pérola de Cultura / Olinda Gil, disponíveis em:

http://www.artmajeur.com/?go=artworks/display_mini_gallery&disp_m=normal&login=olindagil&artist_id=171073&image_id=5316139;

http://peroladecultura.blogspot.com/2011/02/pintura-de-olinda-gil.html, acedidos em 04.06.2011.

Introdução Geral à Filosofia da Arte / Evaldo Pauli, disponível em:

 http://www.simpozio.ufsc.br/Port/1-enc/y-micro/SaberFil/FilosArte/4926y005.html, acedido em 05.06.2011.

O Mediterrâneo e o Mundo Mediterrânico / Fernand Braudel, disponível em:

http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:UNYyc87-gPUJ:pt.wikipedia.org/wiki/Fernand_Braudel+fernand+braudel+biografia&cd=1&hl=pt-PT&ct=clnk&gl=pt&source=www.google.pt, acedido em 04.06.2011. 

Um estudo de História / Arnold Toynbee, disponível em:

http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:d7LzqqzgKT0J:pt.wikipedia.org/wiki/Arnold_J._Toynbee+arnold+toynbee+historiador&cd=1&hl=pt-PT&ct=clnk&gl=pt&source=www.google.pt, acedido em 04.06.2011.

Para mais fotos da Olinda consultar sua página do facebook: http://www.facebook.com/linda.girassol

DONA LIBÂNIA DO CARMO PRECURSORA DA ACÇÃO SOCIAL PORTUGUESA VAI SER BEATIFICADA

Perfaz hoje 100 postes por mim editados. O sistema sol.sapo também indica a totalidade de 4795 posts se contarmos com a soma dos posts e comentários (creio que é assim que se fazem as contas). Além deste evento pessoal dos 100 posts somados no dia 1º de Maio, dia do Trabalhador, é também o dia da beatificação de João Paulo II e o Dia da Mãe, embora algumas confissões religiosas e memórias orais digam que o Dia da mãe é no 2º Domingo do mês de Maio.

Mas não é da beatificação de João Paulo II e sua vida que eu venho falar mas sim da vida de uma senhora portuguesa, uma lutadora da acção social em Portugal.

Trata-se de Dona Libânia do Carmo.

Natural da “Porcalhota”, actual Amadora. Nascida em 1843 e falecida em 1899. Uma personalidade que marcou a conturbada, revolucionária, contra revolucionária, progressiva e decadente segunda metade do século XIX. Foi este turbilhão ideológico e social de restos do absolutismo, de liberalismo, de introdução de teorias socialistas, anarquistas, regeneracionistas, crises financeiras e políticas que forçou Portugal a mover-se na política colonial e internacional.

Foi também neste cadinho que viveu Madre Clara do Menino Jesus de seu nome de baptismo – Libânia do Carmo Galvão Mexia de Moura Telles e Albuquerque. O nome aponta claramente para alguém nascido no seio da nobreza. Libânia pertencia, pois, a uma ordem económica e social privilegiada e não precisava de preocupar-se muito para levar a sua “vidinha” de membro de classe possidente. Não foi, porém, esta a sua opção.

No novo mundo de liberalismo de salve-se quem puder, os mais fracos definharam e ficaram à mercê das caridades. Libânia ousou minimizar o sofrimento e dignificar os doentes, inválidos e abandonados nas ruas ou em casas. Num mundo de matriz tradicional cristã a classe de desvalidos não podia passar despercebida. A caridade de Libânia, aqui apresentada no seu sentido mais nobre, onde poucos ajudavam a levantar os desvalidos, ousou fazer a diferença face às situações degradantes da sociedade oitocentista.

Libânia sabia que só poderia fazer face a tal situação organizando-se em instituição. Só que nessa altura tudo era complicado. O liberalismo havia extinguido conventos e institutos religiosos e não criara outras organizações que tomassem o lugar para ajudar os mais necessitados, caídos na miséria.

D. Libânia e o padre Beirão, lembraram-se da Congregação francesa das Irmãs Hospitaleiras e Mestras. Neste contexto foram enviadas a França em 1870 algumas mulheres, entre elas, D. Libânia. Na localidade de Calais, Libânia e outras companheiras fizeram os seus noviciados.

Regressaram em 1871, tornando-se Libânia/Irmã Clara em superiora da Casa de São Patrício, ajudada pelo padre Beirão. Em 1874 amenizada a ideologia liberal/maçónica, foi possível obter a aprovação da criação de congregações religiosas pelo governo do reino de Portugal. Em 1876 consegue-se também a aprovação junto à Igreja portuguesa e a Roma. Foi então possível instituir D. Libânia como Irmã Clara – Superiora Geral e fundadora da Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição.

Esta Congregação veio a desenvolver-se e expandir-se no tempo da fundadora, não só pelo território continental europeu de Portugal, mas também por Angola, Índia portuguesa, e não só, Bissau e Cabo Verde. Fez obra missionária, criou e geriu creches, escolas, colégios, hospitais, casas de assistência a inválidos e a crianças abandonadas ou carentes e apoiou cozinhas económicas.

Nesta perspectiva, Libânia/Irmã Clara e a sua Congregação são consideradas, e justamente, como precursoras de uma acção social portuguesa. Após a morte da fundadora, a Congregação continuou a desenvolver-se por vários países do mundo, não obstante o rude golpe mais uma vez infligido pela ideologia liberal/maçónica, agora renovada com o primeiro regime republicano, pós 5 de Outubro de 1910.

Em Portugal a sede da Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição encontra-se em Linda-a-Pastora, uma localidade do concelho de Oeiras, quase às portas de Lisboa, mas onde é possível ainda sentir alguns traços rurais e uma certa tranquilidade. Neste ano de 2011 vai justamente ser beatificada a fundadora da Congregação após precisamente 140 anos da fundação da instituição de caridade e solidariedade social.

A cerimónia do reconhecimento e beatificação de mais uma portuguesa decorrerá no Estádio do Restelo no dia 21 de Maio de 2011.

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Fontes bibliográficas: 1) Boletins trimestrais de Jan/Fev/Mar e Abr/Mai/Jun 2011, ano XVII Nºs 67 e 68 «A Irmã dos Pobres Madre Maria Clara do Menino Jesus Fundadora das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição»; 2) Jornais «Voz da Verdade» Semanários de Fev/Mar/Abr - Informação também acessível em www.confhic.com e www.provstmaria.com .

PÁSCOA: ÉCOS D`HOJE

Hoje apeteceu-me deixar alguns extractos e notas sobre A figura histórica de maior referência e, penso que também, de maior relevância, em todo o mundo, com especial destaque no mundo dito ocidental. Extractos e refexões estas, atinentes à época Pascal.

«[…] Todos os que me vêem escarnecem de mim. […] "Estou rodeado por matilhas de cães, envolvido por um bando de malfeitores; trespassaram as minhas mãos e os meus pés: […] Repartem entre si as minhas vestes e sorteiam a minha túnica […]» (Salmos 22(21)

«[…] Esta mesma noite, antes do galo cantar, vais negar-me três vezes.» Pedro disse-lhe: «Mesmo que tenha de morrer contigo, não te negarei!» […] Pedro estava sentado no pátio. Uma criada aproximou-se dele e disse-lhe: «Tu também estavas com Jesus, o Galileu.» Mas ele negou diante de todos […] «Não conheço esse homem […]»

«[…] Os soldados do governador conduziram Jesus para o pretório e reuniram toda a corte à volta dele. Despiram-no e envolveram-no com um manto escarlate. Tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça, e uma cana na mão direita. Dobrando o joelho diante dele, escarneciam-no, dizendo: «Salve! Rei dos Judeus!» […] Por cima da sua cabeça, colocaram um escrito, indicando a causa da sua condenação: «ESTE É JESUS, O REI DOS JUDEUS […]» (Mateus 26; 27).

In Bíblia Sagrada (Missionários Capuchinhos), Lisboa, 1984 ;  & www.evangelhoquotidiano.org . Domingo de Ramos.

Uma PÁSCOA FELIZ.

fred

A ÚLTIMA AULA

Há dias que valem a pena, quer para uma Instituição – como a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, quer para quem teve/tem a sorte de usufruir das aulas de uma professora de referência.

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Formalmente, o dia 31 de Março de 2011 foi a última aula de Ana Luísa; aula esta que decorreu na “sua casa”, o Anfiteatro da Fundação da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa ao Campo Grande. Estiveram presentes, muitos admiradores, amigos e colaboradores do CICTSUL – Centro de Ciência Tecnologia e Sociedade da Universidade de Lisboa (de que Ana Luísa foi fundadora) e de outras organizações, tais como: CSIC Madrid, TriploV, DBQ-FCUL, FSCH-UNL e SAHFC-FCUL.

Esta “última aula” teve o condão de servir como sessão de homenagem à professora. Em seu tributo discursaram amigos tais como: Antonio Lafuente com “Memórias de la ciencia y espacios de la ciencia”; Estela Guedes - “Viagens com Ana Luísa Janeira pela América do Sul”; Luísa Abrantes - “Combate à insensibilidade cultural”; Lucíla Valente - “Semeando ao vento. Uma Outra Forma de fazer Universidade”; Ana Carolina Regner - “Ana Luísa Janeira e a sabedoria das colecções: o caso das cartas darwinianas”. Foi ainda lido um texto de José Augusto Mourão que se fez representar por Mário Fortes com “ Saberes, Percursos, Saudades”, comunicações estas, rematadas pela própria Ana Luísa com a “Última aula de: História e Filosofia das Ciências: configurações, projectos e lacunas”.

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Os presentes contaram com conhecimentos, em parte inéditos, bem como de memórias por quem correu riscos por terras da América do Sul para dignificar e ampliar ciência e partilha de saber. Foi com muita curiosidade que ouvimos o relato de memórias na primeira pessoa, por parte de Estela Guedes, sobre os acontecimentos de quem viveu na pele o assalto e rapto, pelos “amigos do alheio”, quando ambas as investigadoras se deslocavam pela América Latina, em busca de novos conhecimentos sobre Índios, Jesuítas e missões. 

Outro gesto que muito tocou os presentes foi a distribuição/doação da biblioteca pessoal de Ana Luísa Janeira. Digo biblioteca pessoal pela dupla razão de que a homenageada distribuiu: “Para recordar a minha [de Ana Luisa Janeira] última aula 31.3.11”. (Vide imagem da nota manuscrita e assinada  por Ana Janeira).

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Entre as obras oferecidas cito uma: “O vazio do pensamento de Simone Weil: ensaio de uma leitura interpretativa” / Ana Luísa Janeira.- Porto: 1967, 230 páginas, correspondente à dissertação de licenciatura em Filosofia, apresentada à Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Perante tão precioso exemplar assinado com data da sua “última aula”, prometo que vou preservá-lo  religiosamente, bem como ler com vagar a informação preciosa, assimilá-la e divulgá-la, tanto mais que, logo no prólogo e agradecimentos da sua tese, descobri o nome do mui saudoso Luís Ribeiro Soares que, tendo sido professor e amigo de Ana Luísa, acabou também por ser meu amigo e professor em História das Mentalidades da Idade Média nos anos 80.

Por toda a experiência pessoal e académica de Ana Luísa, por todo o seu imenso trabalho em fazer e divulgar ciência, filosofia e letras; pela gentileza e amizade, aqui deixo mais uma vez expresso o meu reconhecimento pelo seu empenho e pelo convite para assistir à sua “última aula”.

Ana Luísa Janeira teria agora todo o direito e o mérito de se fazer repousar após uma carreira recheada de investigação, aulas e publicações, mas tenho quase a certeza que vai continuar a dar-nos o privilégio de contarmos com a sua presença e o seu exemplo de Vida.

Para a homenageada desejo um longo tempo com muitas prendas e felicidades mil. 

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Imagem – foto da Ana Luísa Janeira - gentileza jmrodrigues.jpg” in

 http://novaserie.revista.triplov.com/ana_luisa_janeira/index.html

FERNANDO PESSA

Seu nome completo Fernando Luís de Oliveira Pessa.

Nasceu na freguesia de Vera Cruz, junto a Aveiro e faleceu em Lisboa no ano de 2002 com 100 anos de idade. Estudou no concelho de Penela onde fez o ensino secundário. Veio para a capital tendo trabalhado no ramo dos seguros. Em 1926 rumou ao Brasil onde permaneceu até 1934.

Fernando Pessa. Foto anos 30, aproximadamente

Regressado a Lisboa concorreu à recém criada Emissora [de radiodifusão] Nacional, estriando-se com a reportagem de um festival de acrobacia aérea na Amadora, localidade que foi precursora na aviação, onde havia uma pista. Em 1938 foi para a BBC, Inglaterra, onde trabalhou, teve formação e se especializou em reportagem e locução. Função que desempenhou informando as comunidades lusófonas.

Acabada a II Guerra Mundial, ainda ficou em Londres mais uma temporada, até 1947, altura em que regressou a Lisboa, trabalhando novamente nos seguros. Depois fez dobragem de filmes e comentários que passavam nos intervalos dos cinemas. Casou com Alice Ruffier, inglesa filha de um americano e de mãe brasileira, residentes em Londres. Foi das primeiras caras profissionais que apareceram no início da radiotelevisão portuguesa, em 1956, e onde permaneceria até quase à sua morte, não fosse um acidente tê-lo empurrado para a reforma já na casa dos 90 anos de idade.

Fernando Pessa. Desenho caricatura retratando o jornalista, cerca dos anos 70, aproximadamente

Adorava ser repórter de Rua. Daí que tenha desempenhado esta função durante tanto tempo. Recebeu as seguintes distinções,  especialmente em atenção ao seu desempenho como repórter durante a II Guerra Mundial: - Membro Honorário da Ordem do Império Britânico; Grande-Oficial da Ordem de Mérito e Comendador da Ordem do Infante D. Henrique” no Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas pelo Presidente da República – General Ramalho Eanes. Recebeu ainda o "Prémio Carreira", pelo Clube Português de Imprensa e a “Medalha Naval Vasco da Gama” pela Armada.

Ficou popularmente conhecido pela expressão com que terminava as reportagens, género de intervenção de cidadania ou se quisermos de serviço público:

“E esta hein!?

Cortesia das imagens in http://www.rtp.pt/web/fernando_pessa/biografia.shtm

 

JARDIM FERNANDO PESSA

Situado junto ao antigo cinema Roma, actual edifício da Assembleia Municipal de Lisboa.

Ao lado vivia o jornalista e locutor Fernando Pessa que fazia, neste local, os seus passeios higiénicos, a pé ou de bicicleta. Entretanto o sítio foi requalificado, tendo a Câmara Municipal atribuído o nome do jornalista ao Jardim.

         

Respira-se aqui um certo sossego pelo recolhimento, onde é possível abstrair o movimento das avenidas Roma e João XXI que passam ali perto. O local torna-se, pois, retemperador de energias e anti-stress.

Este pequeno oásis praticamente no centro de Lisboa data do tempo do Estado Novo, habitado por famílias de estrato social e económico médio + e elevado.

O grupo de esculturas hiper-realistas de Jorge Melício, luso angolano, que vive e trabalha predominantemente em Portugal, veio revalorizar este  espaço muito aprecicado de Lisboa.

Sobre Jorge Melício  – Alfredo Anciães AA in:  http://marcasdasciencias.fc.ul.pt/areareservada/ver/sujeito/minhas?id=703

 

JARDIM AUGUSTO GIL

Fica situado junto à Igreja da Graça, freguesia do mesmo nome, em Lisboa. Trata-se de um pequeno espaço ajardinado "baptizado" por Jardim Augusto Gil mas que na realidade parece ter ficado sempre um eterno nome desconhecido na zona. E não é muito de estranhar se pensarmos que não há qualquer placa identificadora no local. Ainda por cima, o sítio sofre da concorrência de outros nomes, tais como: Miradouro da Graça, Largo da Graça e desde 2009 também Miradouro Sophia de Mello Breyner Andresen.

   

A área do jardim propriaamente dito não é grande, sendo certamente um dos mais pequenos e mais simpáticos jardins de Lisboa. Compõem o espaço: um tanque redondo sensivelmente ao centro; alguns bancos, escassas árvores e umas pequenas tiras de relva, um fontanário de repuxo, algumas plantas, uma escultura, duas escadarias de pedra na parte virada a sul e sudoeste e uma edificação de apoio ao jardim e miradouro funcionando, por vezes, como bar e esplanada.

Falta ali, possivelmente desde há muito tempo, a placa "Jardim Augusto Gil", motivo que terá contribuído para o  desconhecimento deste topónimo ligando à memória do poeta de "Luar de Janeiro" e  "Balada de Neve" que tantos de nós terão aprendido nos bancos da Escola. Num pequeno inquérito, feito a residentes na zona à volta do Largo da Graça, nenhum dos entrevistados sabia da existência de um jardim designado Augusto Gil.

    

Num dos vídeos realizados em Julho de 2009 no momento da cerimónia de atribuição de novo nome ao miradouro anexo ao jardim, o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa Dr. António Costa, ali presente, referiu-se-lhe como Miradouro / Jardim da poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen, o que não deixou de cometer um erro, pois este lugar nos roteiros de Lisboa continua a ter a designação de Jardim Augusto Gil.

    

Deste modo há confusão de nomes oficiais ou popularmente conhecidos sobre o mesmo sítio, tais como: Miradouro da Graça, Jardim Augusto Gil, Miradouro Sophia de Mello Breyner Andresen e ainda Largo da Graça, sendo que a designação Largo da Graça (com placas toponímicas afixadas) contém no seu seio os equipamentos e designações referidas. Acrescente-se ainda que o sítio é também popularmente conhecido como "colina da Graça", "alto da Graça" ou seja, trata-se de uma das Sete Colinas de Lisboa.

Vide mais fotos, vídeos e descrição em:

http://marcasdasciencias.fc.ul.pt/areareservada/ver/objecto/minhas?id=2097 ; http://www.guiadacidade.pt/portugal/poi/16425/11/miradouro-de-sophia-de-mello-breyner-andresen-graca ; http://europaviva.blogspot.com/2009/07/miradouro-sophia-de-mello-breyner.html ; http://vimeo.com/5472060 ;

P.S. linq a Augusto Gil:  http://marcasdasciencias.fc.ul.pt/areareservada/ver/sujeito/minhas?id=698

 

FERNÃO DE MAGALHÃES

Nasceu cerca de 1480, sendo o local mais referido o actual concelho de Sabrosa. Porém, outras localidades têm reivindicado o seu berço, tais como Ponte da Barca onde teve família e a freguesia da Sé do Porto de onde um dos seus avós era natural. Faleceu a 27 de Abril de 1521 em combate nas actuais Filipinas durante o processo da primeira viagem de circum-navegação, rumando em sentido contrário ao habitual, isto é, para ocidente, a fim de alcançar o oriente.

 

Monumento a Fernão de Magalhães na Praça do Chile – Freguesia de Arroios – Lisboa.

Este projecto foi organizado e liderado por Magalhães até ao local do incidente que o vitimou. A viagem fora iniciada em Setembro de 1519 executada com o apoio da coroa espanhola ao tempo de Carlos I (Carlos V ou Carlos de Habsburgo do Sacro Império Romano-Germânico), sabendo-se que os serviços de Magalhães foram primeiro oferecidos à coroa portuguesa e que não foram aceites. Após a sua morte a viagem foi dirigida por Juan Sebastian del Cano que fazia parte da expedição. Magalhães estivera antecipadamente no Oriente (entre outras localidades, em Goa, Cochim. Quíloa, Cananor e Malaca), tendo-se alistado na armada comandada pelo vice-rei dom Francisco de Almeida.

 

«Homenagem da República do Chile em 1950»  por reconhecimento do pioneirismo e trabalhos de ciência, técnica e exploração geográfica da autoria de Fernão de Magalhães.

Posteriormente esteve no Norte de África (Azamor) onde ficou ferido. Alcançou honras pela sua bravura em combate. Um diferendo com o monarca português levou-o a oferecer os seus conhecimentos e serviços a Carlos I de Espanha. Além da experiência prática nas viagens e localização de Terras estudou cartografia em Lisboa, o que lhe permitiu conhecimentos para realizar a circum-navegação rumando via ocidente com o principal objectivo de atingir o arquipélago das Molucas. O fim era essencialmente poder provar que estas ilhas se podiam alcançar sem passar pelos mares reservados a Portugal por força do Tratado de Tordesilhas. A riqueza das Molucas devia-se à importante fonte de especiarias muito lucrativas nos séculos XVI e XVII. Era preciso saber efectivamente a quem pertenciam.

 

Placa toponímica da Praça do Chile em reconhecimento da homenagem da República do Chile através da oferta do monumento a Fernão de Magalhães que passou o Estreito de Magalhães na primeira viagem de circum-navegação e provando a esfericidade da Terra.

A viagem de Magalhães veio tornar mais evidente a esfericidade da Terra e deu origem à redefinição dos limites da demarcação dos direitos de posse e conquista de territórios de além-mar. O arquipélago das Molucas passou a figurar como referência para Espanha e Portugal por via do estabelecimento do antimeridiano de Tordesilhas tendo dado origem a mais um Tratado – o de Saragoça de 22 de Abril de 1529.

Este Tratado e acordos foram possíveis porque na altura havia boas relações entre os dois reinos ibéricos devido à política de casamentos, nomeadamente de Carlos I com Isabel de Portugal filha de dom Manuel I e de dom João III com Catarina de Áustria, irmã de Carlos I. Na sequência da prova das Molucas para o lado de Espanha, o nosso dom João III foi obrigado a negociar os direitos das Molucas, comprando-as por 350.000 ducados.

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