Feliz 2010
Não é que um serão passado em frente à televisão seja propriamente um réveillon de sonho, mas consigo recordar um ou outro momento em que pensei: esta festança está gira e tal, mas espero que amanhã repitam este, aquele ou aqueloutro programa especial de passagem de ano. Não sei há quanto tempo terei deixado de sentir isto. Ou os meus réveillons estão melhores ou algo está mal na televisão de Portugal (ou, definitivamente, não havia necessidade nenhuma de rimar).
Lembro-me da última vez em que uma festa de arromba parou para que os olhos dos convivas se fixassem demoradamente na caixa mágica, mesmo depois da inevitável contagem decrescente (uma questão: por que confiamos nós nessa contagem mais do que em qualquer outra?): Zé Maria acabara de ganhar o Big Brother. O Big Brother uniu o país como a selecção no tempo do Scolari. Nunca mais me esquecerei da Cantina Velha da Universidade de Lisboa, em peso, a aplaudir de pé a expulsão do Marco depois do mítico pontapé na garota que sabia muito sobre iogurtes.
Este ano não há nada de novo em relação a qualquer outro. Na RTP, o Dança Comigo no Gelo (que, não tendo audiências de todo extraordinárias, significa uma estratégia desesperada); na SIC, o Ídolos (a maior e mais eficaz aposta da SIC, digna de fazer orgulhoso o maior orgulhoso dos orgulhosos, Pedro Boucherie Mendes, responsável pelo apadrinhamento do apresentador João Manzarra); na TVI, as criancinhas a cantar (fórmula comprovada no último ano porque, como já terá sido referido, tudo o que é pequenino tem graça – até um crocodilo). Como entrará 2010, nova década, nas nossas contas? Da mesmíssima maneira que todos os outros mistérios da vida.