A ressaca
HÁ a terapia dos 12 passos. A cura dos 28 dias. Os 120 dias de Sodoma. Tudo isto me parece um agradável piquenique perante a perspectiva de passar os próximos oito meses sem Conan O’Brien. Já se disse tudo sobre esta grande desgraça que se abateu sobre o mundo da televisão. Mas eu ainda não disse que estou triste.
Conan O’Brien é, aos meus olhos, um super--herói da comédia. Daqueles super-heróis à antiga, dos tempos em que o Batman era invencível e não tinha crises existenciais. Reconforta--me a sensação de que nenhuma piada morre na boca de Conan, por mais ineficaz que possa parecer. Jay Leno é Jay Leno. Jimmy Fallon é Jimmy Fallon. E Conan O’Brien é uma piada viva com uma poupa ruiva.
Aliás, Jay Leno é, hoje em dia, precisamente aquilo que parece: uma caricatura feita na Baixa por um pelintra qualquer com algum jeito para o desenho. Há pessoas que acham graça e pagam um dinheirão pela caricatura sem se aperceberem de que o segredo do negócio é exagerar os traços todos independentemente das feições de cada um. Jay Leno é só mais um queixo. E Jimmy Fallon... A bem dizer, nem sei que traços tem.
Sim, estou zangada. Piursa. Fallon e Leno têm muitas qualidades, é verdade. Mas eu, que nem sequer sou apologista do amor incondicional, tenho vontade de empunhar cartazes a reivindicar a presença de Conan na minha vida mal o que nos resta do Tonight Show acabe na SIC Radical. Depois disso, apontarei um foco com a silhueta da sua poupa aos céus e esperarei que ele apareça para me salvar.