SOL

E mais vampiros

Publicação: 05 Fevereiro 10 10:00

tanto para dizer sobre vampiros. Tanto, que me vejo obrigada a regressar ao tema que em tempos abordei em jeito de antecipação, que é para depois não andarem a dizer: «Ah e tal, a gaja diz mal do que não vê». Não, meus caros, eu vejo tudo – como o Outro – e isso confere-me o poder para dizer mal de tudo. E por isso vi Lua Vermelha, a nova série juvenil (ou telenovela retardada) da SIC.

Tenho para mim que o fiasco de Rebelde Way está a ser reciclado neste novo produto. Só que, em vez de os jovens protagonistas beberem Sumol, bebem A Rh positivo (centros de análises clínicas do país, eis uma boa oportunidade de patrocínio). Ora, temos um colégio finório, uma loura betinha, uma morena rebelde – enfim, os ingredientes do costume. E depois temos os irmãos Azevedo, que bebem «aqueles sumos estranhos», como refere a tal loura logo no primeiro episódio. Bebem sumos estranhos e são macilentos, acrescento eu. Devem andar nas drogas, dirão os pais dos colegiais.

E dizem os conhecedores da obra da maldita Stephanie Meyer que Lua Vermelha é uma imitação desavergonhada do imaginário de Crepúsculo. Ainda há pouco afirmei que via tudo mas a verdade é que não vi o suficiente para corroborar. Sei que Lua Vermelha – ou, pelo menos, o seu primeiro episódio – sofre da mesma falta de imaginação e conhecimento da adolescência que qualquer outra série portuguesa do género. E sei que não é por lhes meterem mais pó de arroz que os inadaptados desta vida ganham glamour. Com o dinheiro gasto em efeitos especiais, investia-se numa boa história e, em vez de vampiros, arranjava-se outra minoria qualquer que não andasse aos saltos e a quem não crescessem os dentes. E isto não acaba aqui – que eu cá vejo tudo, mas ainda não mordi os vampiros da TVI.

 

por Ana

Comentários

# jrlviseu said on Fevereiro 7, 2010 23:06:

Cara Ana.

Tenho acopahado os seus textos e aos mesmos vou dando a atenção que merecem por serem expressao livre dos seus sentimentos e também pela boa escrita que transmitem.

Quanto á vampirização da televisão, concordo que é algo que traduz, em tempos tão difíceis, em gastos supérfulos e sem sentido. Acaba por ser o retrato da sociedade que temos e de algumas polítticas vampirescas que nos são impostas.  No entanto julgo, que no puro campo do entretenimento, as apostas até podem ser conseguidas. Terão como as telenovelas finais previsíveis. Que importa? Vou mais por este caminho do que pelas enfadonhas - embora bem interpretadas - telenovelas. Já que as nossas televisões não conseguem criar uma programação capaz de agragar as famílias ao serão como outrora, então deixemos correr o barco.

Pior do que temos não deverá ser possível e, de quando em vez, lá aparce um grande momento de televisão!

Um abraço,

João Ricardo Lopes _ Abraveses/Viseu

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