E mais vampiros
Há tanto para dizer sobre vampiros. Tanto, que me vejo obrigada a regressar ao tema que em tempos abordei em jeito de antecipação, que é para depois não andarem a dizer: «Ah e tal, a gaja diz mal do que não vê». Não, meus caros, eu vejo tudo – como o Outro – e isso confere-me o poder para dizer mal de tudo. E por isso vi Lua Vermelha, a nova série juvenil (ou telenovela retardada) da SIC.
Tenho para mim que o fiasco de Rebelde Way está a ser reciclado neste novo produto. Só que, em vez de os jovens protagonistas beberem Sumol, bebem A Rh positivo (centros de análises clínicas do país, eis uma boa oportunidade de patrocínio). Ora, temos um colégio finório, uma loura betinha, uma morena rebelde – enfim, os ingredientes do costume. E depois temos os irmãos Azevedo, que bebem «aqueles sumos estranhos», como refere a tal loura logo no primeiro episódio. Bebem sumos estranhos e são macilentos, acrescento eu. Devem andar nas drogas, dirão os pais dos colegiais.
E dizem os conhecedores da obra da maldita Stephanie Meyer que Lua Vermelha é uma imitação desavergonhada do imaginário de Crepúsculo. Ainda há pouco afirmei que via tudo mas a verdade é que não vi o suficiente para corroborar. Sei que Lua Vermelha – ou, pelo menos, o seu primeiro episódio – sofre da mesma falta de imaginação e conhecimento da adolescência que qualquer outra série portuguesa do género. E sei que não é por lhes meterem mais pó de arroz que os inadaptados desta vida ganham glamour. Com o dinheiro gasto em efeitos especiais, investia-se numa boa história e, em vez de vampiros, arranjava-se outra minoria qualquer que não andasse aos saltos e a quem não crescessem os dentes. E isto não acaba aqui – que eu cá vejo tudo, mas ainda não mordi os vampiros da TVI.