Fim de emissão
Vamos lá directos ao assunto: esta é a minha última crónica. É verdade que andei a ‘flirtar’ com o outro lado do ecrã em idas esporádicas a estúdios de televisão, mas nada me preparava para dar efectivamente o nó. É verdade, senhores leitores e telespectadores, eu sou uma troca-tintas, uma vira-casacas, uma vendida, uma vergonha – uma apresentadora de televisão.
Há um velho argumento que costuma ser atirado violentamente à cara de todos os que criticam alguma coisa nas páginas de um jornal: ‘Ah e tal, dizem mal porque são frustrados, porque queriam era ser músicos e não sabem, porque queriam era fazer filmes e não podem, porque queriam era aparecer na televisão...’. Pois bem, visto que acabo de vencer essa minha alegada frustração, eis que o Telenovelo termina. Sem pontas soltas.
Foi um par de anos em que fingi ver mais televisão do que realmente vi e, sobretudo, em que fingi saber mais sobre o assunto do que realmente sabia. Agora, que trabalho do lado de lá, sei um bocadinho mais. Mas não esperem que me comova ou, muito menos, que me redima de algumas barbaridades que aqui teci: não retiro nada do que disse. À excepção de um lapso que associava Rita Ferro Rodrigues ao CNL (a rapariga teve, de facto, um programa de entrevistas interessante há uns bons anos, mas não nesse canal).
Acho que a boa notícia é: todas as pessoas que se sentiram lesadas com os meus comentários vão poder vingar-se de mim. Como Rita Ferro Rodrigues, suponho. Mas talvez não seja preciso. É meu desejo que, neste sofá, continue a existir um monstro que aponte o dedo ao monstro que aparece no ecrã: eu e eu mesma. E que, no final, dêem as mãos e vivam felizes para sempre.