SOL

Fim de emissão

Publicação: 01 Abril 10 10:00

Vamos lá directos ao assunto: esta é a minha última crónica. É verdade que andei a ‘flirtar’ com o outro lado do ecrã em idas esporádicas a estúdios de televisão, mas nada me preparava para dar efectivamente o nó. É verdade, senhores leitores e telespectadores, eu sou uma troca-tintas, uma vira-casacas, uma vendida, uma vergonha – uma apresentadora de televisão.

Há um velho argumento que costuma ser atirado violentamente à cara de todos os que criticam alguma coisa nas páginas de um jornal: ‘Ah e tal, dizem mal porque são frustrados, porque queriam era ser músicos e não sabem, porque queriam era fazer filmes e não podem, porque queriam era aparecer na televisão...’. Pois bem, visto que acabo de vencer essa minha alegada frustração, eis que o Telenovelo termina. Sem pontas soltas.

 

Foi um par de anos em que fingi ver mais televisão do que realmente vi e, sobretudo, em que fingi saber mais sobre o assunto do que realmente sabia. Agora, que trabalho do lado de lá, sei um bocadinho mais. Mas não esperem que me comova ou, muito menos, que me redima de algumas barbaridades que aqui teci: não retiro nada do que disse. À excepção de um lapso que associava Rita Ferro Rodrigues ao CNL (a rapariga teve, de facto, um programa de entrevistas interessante há uns bons anos, mas não nesse canal).

 

Acho que a boa notícia é: todas as pessoas que se sentiram lesadas com os meus comentários vão poder vingar-se de mim. Como Rita Ferro Rodrigues, suponho. Mas talvez não seja preciso. É meu desejo que, neste sofá, continue a existir um monstro que aponte o dedo ao monstro que aparece no ecrã: eu e eu mesma. E que, no final, dêem as mãos e vivam felizes para sempre.

por Ana

Comentários

# jrlviseu said on Abril 11, 2010 16:01:

Cara Ana.

Não sei se alguma vez lês-te os cometários por mim tecidos aos teus textos.

escrever sobre qualquer tema ou assunto, não tem necessáriamente que ser feito por um especialista na matéria em apreço. Se assim fosse, teríamos muitos e bons artigos sobre os mais variados propoósitos. Infelizmente, assim não sucede.

Aquilo que eu penso é que, de cada vez que nos diposmos a escrever sobre algo ou alguém, o façamos con seriedade e sentimento.

Foi sempre isso que encontrei nos teus textos mesmo sentindo que na maior parte dos casos a coisa não seria bem assim.

Não te censures ou martirizes por eventuais incorrecções ou imperfeições. Dizis o que sentias e isso basta. O facto de agora ires fazer parte de um mundo que em muito contestavas, só prova ou confirma, a velha máxima: "só os burros é que não mudam".

Poderás até encontrar no teu novo habitat, motivos ainda mais fortes para escrever e explicar, agora com maior veracidade e conhecimento, o que realmente existe no mundo televisivo.

Deixar de escrever ou relatar, em nada te vai redimir. Apenas afastar e inibir o que tens de mais profundo e puro: a liberdade de pensar e exprimir os teus pensamentos.

Não nos deixes na sombra da curiosodade. Transforma-te antes, na nossa linha avançada do mondo televisionário.

Um abraço,

João Ricardo Lopes - Abraveses/Viseu

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