As afirmações que o Primeiro-Ministro israelita, Ehud Olmert, proferiu durante o sua viagem de avião até Washington, para discutir com George W. Bush, entre outros assuntos, a melhor forma de fazer o Irão respeitar a Resolução da ONU, cancelando o seu programa de enriquecimento de urânio estão, a meu ver, a ser empoladas pela comunicação social.
O que Olmert afirmou foi:
“O Irão só chegará a acordo sobre o nuclear se tiver razões para ter medo.”
“O Presidente Ahmadinejad é um homem pronto a cometer crimes contra a humanidade e é necessário fazê-lo parar.”
Ou ainda que Israel não pode tolerar um Irão Nuclear.
Ainda hoje, em declarações à televisão norte-americana, Olmert afirmou que espera que a diplomacia consiga resolver a grave crise provocada pelo programa nuclear do Irão.
Também o seu Vice-Ministro da Defesa, Efraim Sneh, salientou que Israel não pretende atacar o Irão, pretende sim que sejam tomadas medidas de força para impedir o Irão de continuar com o seu programa nuclear e que a opção do recurso às armas, embora não desejável não pode ser, completamente, posta de lado.
O que realmente me surpreende é que as declarações do Primeiro-ministro israelita tenham sido tão empoladas e que as de Mahmud Ahmadinejad de que Israel está condenado “ao desaparecimento e à destruição”, ou as ameaças feitas pelo Irão de que irá acelerar o seu programa nuclear ou que responderá de forma “destruidora” a qualquer ataque de Israel que vise destruir as suas instalações nucleares não sejam considerada graves.
Elas são extremamente graves, pois as declarações do Presidente do Irão contra a existência do Estado de Israel já não são de hoje e o Mundo sabe bem que se o Irão prosseguir com o seu programa nuclear, Israel corre sérios riscos de continuar a existir.
É ainda minha opinião que foi a incapacidade da ONU de fazer cumprir as resoluções do seu Conselho de Segurança e o facto dos membros deste Conselho não conseguirem chegar a um acordo, que levou o Primeiro-Ministro de Israel a proferir declarações de força.
Senão, vejamos:
Em Julho passado, o Conselho de Segurança da ONU adoptou uma resolução exigindo que o Irão suspendesse o seu programa de enriquecimento de urânio, dando?lhe até 31 de Agosto para o fazer, após o qual seriam adoptadas sanções económicas.
Ahmadinejad, não só ignorou essa resolução como ainda intensificou o seu programa nuclear.
Passaram-se dois meses e meio e os membros do Conselho de Segurança continuam a não se entender quanto às sanções a impor ao Irão.
Será que não tiveram já tempo suficiente para chegarem a um acordo?
Ou estão à espera que o Irão seja uma potência nuclear para depois agirem?
Quando já for tarde demais…
Israel tem todo o direito a existir como um Estado livre e independente, sem ter que viver sob a ameaça constante de qualquer “louco” que pretenda aniquilá-lo. Assim como os seus dirigentes têm todo o direito e dever de defenderem aquele país de todo e qualquer país que incite à sua destruição.
É, pois urgente que a ONU saiba fazer respeitar as suas resoluções. E que o faça, sem mais demoras, mas de modo eficaz. E foi isso que Olmert, certamente, pretendeu com as suas declarações.
Uma tomada de força não significa o uso das armas
Muito pelo contrário, são as reacções de medo e de fraqueza de hoje, que podem originar guerras no futuro.
Shalom Israel
Kiki Anahory Garin