SOL

O essencial é invisivel aos olhos

 
O Principezinho é um dos meus livros favoritos. A história é simples mas contém pormenores essenciais ao ser humano. Fala da amizade, de amor e de um mundo onde os homens não se entendem e as palavras adquirem significados completamente opostos. Fala de tempo… tão pouco para alguns e muito para quem sabe aproveita-lo.
 
Aqui está um excerto do livro:

 

- Quem és tu? - Perguntou o principezinho. - És bem bonita...
- Sou uma raposa – disse a raposa.
- Anda brincar comigo – pediu-lhe o principezinho. - Estou triste...
- Não posso ir brincar contigo – disse a raposa. - Não estou cativa...
- AH! Então, desculpa! - Disse o principezinho.
Mas pôs-se a pensar, a pensar, e acabou por perguntar:
- O que é que "estar cativa" quer dizer?
- É a única coisa que toda a gente se esqueceu – disse a raposa. - Quer dizer que se está ligado a alguém, que se criaram laços com alguém.
- Laços?
- Sim, laços – disse a raposa. - Ora vê: por enquanto, para mim, tu não és senão um rapazinho perfeitamente igual a outros cem mil rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Por enquanto, para ti, eu não sou senão uma raposa igual a outras cem mil raposas. Mas, se tu me prenderes a ti, passamos a precisar um do outro. Passas a ser único no mundo para mim. E, para ti, eu também passo a ser única no mundo...
Mas a raposa voltou a insistir na sua ideia:
- Tenho uma vida terrivelmente monótona. (…) Mas, se tu me prenderes a ti, a minha vida fica cheia de sol. Fico a conhecer uns passos diferentes de todos os outros passos. Os outros passos fazem-me fugir para debaixo da terra. Os teus hão-de chamar-me para fora da toca, como uma música. E depois, olha! Estás a ver, ali adiante, aqueles campos de trigo? Os campos de trigo não me fazem lembrar de nada. E é uma triste coisa! Mas os teus cabelos são da cor do ouro. Então, quando eu estiver presa a ti, vai ser maravilhoso! Como o trigo é dourado, há-de fazer-me lembrar de ti. E hei-de gostar do barulho do vento a bater no trigo...
A raposa calou-se e ficou a olhar durante muito tempo para o principezinho.
- Por favor...Prende-me a ti! - Acabou finalmente por dizer.
- Eu bem gostava – respondeu o principezinho – mas não tenho muito tempo. Tenho amigos para descobrir e uma data de coisas para conhecer...
- Só conhecemos as coisas que prendemos a nós – disse a raposa. - Se queres um amigo, prende-me a ti!
- E o que é que é preciso fazer? - Perguntou o principezinho.
- É preciso ter muita paciência. Primeiro, sentas-te um bocadinho afastado de mim, assim, em cima da relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não me dizes nada. A linguagem é uma fonte de mal entendidos. Mas todos os dias te podes sentar um bocadinho mais perto...
O principezinho voltou no dia seguinte.
- Era melhor teres vindo à mesma hora – disse a raposa. Se vieres, por exemplo, às quatro horas, às três, já eu começo a ser feliz. E quanto mais perto for da hora, mais feliz me sentirei. Mas se chegares a uma hora qualquer, eu nunca saberei a que horas é que hei-de começar a arranjar o meu coração, a vesti-lo, a pô-lo bonito...São precisos rituais.
Foi assim que o principezinho prendeu a raposa. E quando chegou a hora da despedida:
- Ai! - Exclamou a raposa – ai que me vou pôr a chorar...
- A culpa é tua – disse o principezinho.- Eu bem não queria que te acontecesse mal nenhum, mas tu quiseste que eu te prendesse a mim...
- Pois quis – disse a raposa.
- Mas agora vais-te pôr a chorar! - Disse o principezinho.
- Pois vou – disse a raposa.
- Então não ganhaste nada com isso!
- Ai isso é que ganhei! - Disse a raposa. - Por causa da cor do trigo...
- Adeus...
- Adeus – disse a raposa. Vou-te contar um segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos...
- O essencial é invisível para os olhos – repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
Foi o tempo que tu perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante. Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que está preso a ti. Tu és responsável pela tua rosa...
- Sou responsável pela minha rosa... – repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
Publicação: segunda-feira, 22 de Janeiro de 2007 11:58 por anascorpio
Arquivado em:

Comentários

# re: O essencial é invisivel aos olhos

segunda-feira, 22 de Janeiro de 2007 12:13 by MssN

O meu diálogo preferido de um dos meus livros preferidos O Principezinho. A profundidade da explicação da arte de cativar explicada pela raposa ao pequeno princípe é fascinante bem como a conclusão de "Foi o tempo que passaste com a tua rosa que fez com que ela para ti fosse importante". A despedida com o segundo segredo há muito esquecido pelos homens "Só se vê bem com o coração o essencial é invisível para os olhos". E se mais vezes usassemos os olhos do coração menores seriam as dificuldades em entendermos as razões das opiniões contrárias.

Parabéns pelo artigo.

Beijo

# re: O essencial é invisivel aos olhos

segunda-feira, 22 de Janeiro de 2007 12:57 by poetacomalma

"Como o trigo é dourado..."

Há pormenores na vida que nos escapam e sempre estiveram ao nosso lado...

O poetinha gostou de ler este teu post...

Tem um dia feliz!!!!

Besitos molhaditos,

poetinha

# re: O essencial é invisivel aos olhos

segunda-feira, 22 de Janeiro de 2007 13:37 by Mendro

Muito simples e original, se o mundo abrisse os olhos era bem diferente.

# re: O essencial é invisivel aos olhos

segunda-feira, 22 de Janeiro de 2007 14:04 by paulavale

É lindissimo este livro

já o li e reli div.vezes.

Passa-nos muitos valores.

Muita gente o devia ler e aprender c ele.

parabéns pela escolha e por me recordar o conteudo do livro.

bjsPV

# re: O essencial é invisivel aos olhos

segunda-feira, 22 de Janeiro de 2007 15:38 by atralha

"O Principezinho" é o "meu livro" com tudo o que isso pode implicar.

Um livro que não me canso de ler, de oferecer e de recomendar.

Beijos

# re: O essencial é invisivel aos olhos

segunda-feira, 22 de Janeiro de 2007 22:33 by Chinezinha

Ana

Também adoro esse livro e tenho aqui um texto e fotos para criar um post. O texto começa um pouco antes do teu e é mais longo.

Qaundo o postar vai ver. Talvez só no fim-de-semana porque me vai dar bastante trabalho.

Adorei o teu post.:)

Beijinhos

Ana

# re: O essencial é invisivel aos olhos

terça-feira, 23 de Janeiro de 2007 17:14 by PedroPenedo

Gostei da história, nunca a tinha lido.

Mas a questão do tempo?

Pouco para muitos que não o sabem aproveitar, pensava o contrário.

# re: O essencial é invisivel aos olhos

terça-feira, 23 de Janeiro de 2007 22:45 by vultoevidente

Ana,

Adorava comentar este teu post cuidadosamente, por ti, escolhido, porém talvez seja egoísmo da minha parte ou um pouco de intimismo cruel, mas não consigo comentar sentimentos puros incontornáveis como a sinceridade, amizade ou confiança...

Fica bem.

# re: O essencial é invisivel aos olhos

quarta-feira, 24 de Janeiro de 2007 11:49 by EuniceTavares

Olá Ana!

Excelente escolha! Todos deviam ler este livro!

Beijinhos

# re: O essencial é invisivel aos olhos

domingo, 18 de Fevereiro de 2007 6:51 by Piquita

SINCERAMENTE DESOLADO

O nosso servidor não está a colaborar

É com esta informação que somos brindados sempre que tentamos accionar uma das opções para manter este Blogue vivo e actuante.

Estivemos durante bastantes dias sem o serviço de informação através de e-mail da chegada de Mensagens Privadas ou Comentários.

Resolvido esse problema, surgiram outros, a saber:

Quando tentamos inserir imagens em O Meu Álbum de forma rápida, aparece-nos a informação acima, remetendo-nos para o Blogue Velocidade da Luz

Foi esse procedimento que já fizemos, onde expusemos esta situação aos elementos da Equipa Técnica, assim como demos conhecimento que as imagens inseridas em todos os Post do nosso Blogue tinham desaparecido, descaracterizando o texto apresentado, o qual tinha vindo a merecer considerandos positivos por parte de outros membros da Comunidade de Blogues ?SOL?.

Porque me sinto vilipendiado, informei a Equipa Técnica que, se até hoje à noite não estiver a situação regularizada, procederei como achar mais conveniente,

Espero que os demais membros do ?SOL? relevem esta anomalia, da qual não somos culpados e aceitem os meus melhores cumprimentos.

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