Somos iguais na diferença e isso é bom!

Desde
já agradeço a Sónia Pessoa o convite para o
lançamento do seu novo livro Ser
Diferente é Bom,
publicado agora pela Editora Papiro, com
ilustrações de Carla Carvalho e prefácio de Dra. Gabriela Moita.
A
6 de Dezembro, pelas 15 horas, o lançamento é na Fnac Alfragide com
apresentação a cargo da jornalista Ana Leal e, para a malta do Norte, a
13 de Dezembro pelas 16 horas, na Fnac Gaiashopping.
Acho
que é a primeira vez que falo aqui de um livro que ainda não li, mas o texto
que Sónia Pessoa escreveu no e-mail que
me enviou encantou-me e despertou-me a vontade de o partilhar com vocês. Então
aqui vai:
“A minha filha
mais velha, a Rita, tinha cerca de um ano de idade, quando, como qualquer
família, íamos às compras ao hipermercado. Ao entrar levávamos sempre dois
carros de compras… um para as compras e o outro para a Rita. Sentávamo-la lá
dentro, logo à entrada passávamos na secção dos livros e enchíamos, quase
literalmente, o carro de livros infantis. Enquanto fazíamos as compras, a Rita
devorava cada livro e, no fim, à saída, tinha sempre o direito a escolher um
para levar…”(esta parece-me
uma boa prática que provavelmente vou adoptar) “A Rita desde pequena que adora livros e, nesses primeiros anos de inocência, o que
lá estava escrito ou ilustrado era, para ela uma verdade absoluta, como o é aliás para qualquer criança que
mergulha na fantasia de uma história infantil. Dizer-lhe que a bela adormecida não acordaria pelo milagre de um beijo,
que o nariz do pinóquio não crescia por ele mentir, que o lobo mau nunca conseguiria
engolir a avó inteira, quanto mais o caçador abrir-lhe a barriga e ela sair de
lá de dentro viva, seria algo impensável, pois para ela e para a maioria das
crianças que lêem essas histórias, inclusive nós pais que também já as lemos,
são verdades absolutas.
A Rita já não
acredita em tudo o que lê, porque cresceu, adquiriu sentido crítico, mas
continua a devorar livros da mesma forma, só que agora com objectivos
diferentes. Mas muito embora a Rita já não acredite em tudo o que lê,
e apesar de agora com 15 anos, não acreditar seguramente na bela adormecida, no
Pinóquio ou no lobo mau, houve valores
que a Rita aprendeu com essas histórias que nunca mais esqueceu… que o amor
quando é verdadeiro vence todas as barreiras, mesmo as raízes que a bruxa má
lançou à volta do castelo; que a mentira não compensa, não faz crescer o nariz
mas provoca pesos de consciência, e que nunca, mas nunca, devemos falar com
desconhecidos, ainda por cima com más intenções como as do lobo mau… é por isso
que para mim escrever sobre a Maria que tem dois papás, o Pedro que tem um papá
e uma mamã, ou um menino que veio da Roménia para um país que não conhece à
procura de um futuro melhor, faz todo o sentido.
“Ser diferente é
bom” é a primeira de algumas histórias que escrevi sobre ser diferente. O
objectivo destas histórias, para além de encantar (porque não deixam de ser
histórias também, de encantar) é ensinar às nossas crianças, e aos pais, que
cada vez mais vivemos num mundo onde a diversidade nos enriquece como seres humanos
e devemos por isso respeitá-la. Mais importante do que ensinar-lhes que somos
todos iguais, é ensinar-lhes que somos todos diferentes e só temos a ganhar com
isso. São as diferenças que nos
distinguem uns dos outros, e que nos ensinam que o outro não é melhor ou pior
que eu, só é diferente e isso é bom.
E, no fundo,
ensinar estes valores do amor, da verdade, da segurança, ou da diferença, deve
ser feito quando eles ainda cabem dentro dos carrinhos de compras, pois é nessa
altura que para eles ser branco, preto, amarelo ou vermelho, não faz na verdade
diferença nenhuma, desde que sejam amados como têm o direito de o ser.”
Não
resisti ao acto de sublinhar alguns excertos a negrito…
E
já agora, e visto que este post já consiste num amplo lençol, lençol por
lençol, tenho de citar também um excerto do prefácio deste livro, da autoria da
Dra. Gabriela Moita, pela sua relevância na defesa da educação para a
diversidade:
“Os tempos mudaram: os estilos
de vida são cada vez mais diversificados, a imigração é cada vez maior, na
escola misturam-se as várias classes sociais, os credos religiosos já não são
impostos pelo Estado. As sociedades são, felizmente, cada vez mais
democráticas. Esta estrutura não impede que se escolha o estilo de vida
que se quer, pelo contrário, permite, exactamente, que cada família e cada
pessoa faça a sua escolha sem que um só modelo seja imposto. Cada pessoa
e cada família pode escolher o que quer para si, com todo o direito de
considerar essa escolha a melhor, mas sem o direito de considerar que o melhor
para si é também o melhor para outros ou para todos os outros. É nesse sentido,
que educar as nossas crianças para a realidade de um mundo composto de
diversidade, tal como ele é, e não continuar a escamotear na educação grande
parte da realidade - ou porque não nos é atraente, ou porque se considera que
ocultando se evita que aquela passe a ser uma escolha possível - se torna
um imperativo na promoção do desenvolvimento social e da paz.”

Podem ler
todo o prefácio assim como ficar a conhecer melhor a
Sónia Pessoa no seu blogue Os livros que
ninguém quis dar a ler.
Resta-me só dizer que o facto de a Sónia ter
escrito tão bem a apresentação do seu livro, me abriu o apetite para Ser Diferente é Bom. Agora vou ter que
o ler!
Pronto, já vos estendi um lençol de leituras…para
que vocês o apanhem (se o desejarem obviamente)…J