SOL
O Mundo Tropical...geomorfologia e climao de Angola
O Mundo Tropical

O Mundo Tropical (MT) situado entre o Trópico de Câncer no Hemisfério Norte e o Trópico de Capricórnio no H. Sul, é conhecido pelas suas temperaturas mais tórridas e por paraísos de férias. Mas a realidade nem sempre é assim, ou seja, o MT, tem grandes assimetrias de temperaturas e humidade de região para região, que no geral variam zonalmente com a latitude, mas por vezes as altitudes e outros fenómenos distorcem esse zonamento climático.

O espaço da superfície terrestre entre os dois trópicos, onde a obliquidade dos raios solares estão sempre próximos da vertical do lugar (zénite desse lugar), favorece o aquecimento e a pouca variação de temperaturas ao longo do ano. Frequentemente, varia mais a temperaturas durante o dia que durante o ano, ou seja, a amplitude térmica anual costuma em muitas destas regiões ser menor que a amplitude da temperatura diária nas mesmas.

Para além da incidência solar ou obliquidade da radiação que permite que haja um balanço radiativo positivo ao longo de todo o ano, ainda as precipitações marcam grandemente extensas regiões tropicais. As que se situam junto do Equador são as mais atingidas pelos climas tropicais húmidos, pois aí convergem os alísios dos dois hemisférios que proporcionam a convecção de grandes massas de ar húmido arrastadas dos oceanos e transferidas para as higrométricas massas de ar dos alísios. Assim se forma a CIT, "Convergência Intertropical", que se caracteriza pelas baixas pressões, de cúmulos-nimbos de grande formação vertical, atingindo os 20km de altitude, e estes, transportam grandes massas de vapor de água que se precipita na forma de chuvas fortes ou tempestades tropicais que assolam a faixa equatorial. Mas, esta CIT, oscila de Norte a Sul do Equador, acompanhando o movimento aparente do Sol ao longo do ano, ou seja, em Junho, movimenta-se para Norte, e em Dezembro para Sul, e dessa forma vai atingir regiões fora do Equador, muitas vezes para além dos trópicos.

Fig.1,CIT, Convergência Intertropical, Fonte; http://en.wikipedia.org/wiki/Intertropical_Convergence_Zone (Junho, 2008)

No caso de Angola, a CIT desloca-se para Sul do Equador em Dezembro, desta forma atingindo grande parte do território de Angola por essa época. Mas que devido às altitudes do Planalto Antigo, esse período é mais alargado. Aí as épocas das chuvas vão de Outubro a Abril. Assim, no período em que a CIT se desloca para Norte do Equador, então o tempo seco atinge o território, à excepção do extremo Norte, nas Lundas e na Bacia do Zaire que diminuem de precipitação mas que têm quase chuvas permanentes.

O território de Angola

O território de Angola abrange uma superfície de 1.246 7000 Km2 na porção ocidental da África Austral entre 4º 20’ ao 18º de latitude S e 12º a 24º de longitude a E do meridiano de Greenwich.

Clima de Angola

Este contexto geográfico do continente africano implica que em termos climáticos a maior parte do território tenha um clima contrastado subtropical, com época de chuva e época seca (cacimbo). (ver post anteriormente publicado sobre o clima de Angola: http://sol.sapo.pt/blogs/antoniorbtavares/archive/2009/03/06/Geografia-de-Angola_2D00_-aspectos-cl_ED00_m_E100_ticos-e-outros-aspectos-f_ED00_sicos.aspx

A excepção a este clima subtropical de cariz contrastado é feita a uma pequena faixa litoral sob a influência do clima seco adjacente à “corrente fria de Benguela”, desde Luanda até sul do território, ao deserto do Namibe, (Moçâmedes). Nesta faixa sul do território estas condições de secura ainda se fazem sentir para o interior de forma cada vez mais esbatida.

Corrente Fria de Benguela

Na figura anterior, verifica-se o contorno continental da costa da Namibía a Sul de Angola. De notar a aridez, esta, está directamente relacionada com a Corrente Fria de Benguela, da qual a figura capta seu upwelling na mancha de fitoplancton ao largo da costa, e ainda mais para Ocidente, as vulgares neblinas ou nevoeiros que tanto atingem a costa na província do Namibe e de Angola.

Fig.2 Corrente Fria de Benguela; Fonte; Http://eosdata.gsfc.nasa.gov/oceancolor/scifocus/oceanColor/sulfur_plume.shtml,(Junho,2008)

Precipitação

As precipitações no território angolano são geralmente de génese convectiva, verificando-se precipitações orográficas na Zona de Transição (altitudes intermédias) e na Cadeia Marginal de Montanhas. As repartições das precipitações médias anuais, verificam-se em alguns quadros mais homogéneos em todo o Planalto, com máximos de precipitação no eixo de Huambo-Bié com 1400mm anuais. Ainda assim os maiores registos é desde o Norte a NW de Angola, mais pormenorizadamente, desde Região do Uíge à região da Lunda Norte e parte setentrional da Lunda Sul de 1400mm, com 1600mm na área envolvente à localidade do Uíge, como também com valores desta ordem se encontram na área mais setentrional da Lunda Norte junto à fronteira, evidenciando a influência climática de tropical húmido da Bacia do Congo. Os registos mais baixos, 50mm, no extremo SE do território (região do Namibe), seguindo-se em termos de baixas precipitações a faixa litoral desde para Sul de Luanda. (mapa das precipitações não publicado, requerer ao autor: antonio.rbt@sapo.pt).

Fig.3 Precipitações Médias Anuais em Angola,  Fonte; Norwegian Water Resources and Energy Directorate, September 2004,” National strategy plan for rehabilitation of the hydrometric network in Angola”(Junho,2008).

Principais Tipos Climáticos em Angola

Os climas de Angola segundo a classificação de Thornthwaite, variam do árido (E no mapa) numa estreita faixa litoral a Sul de Luanda, que engrossa para larga dezenas de quilómetros no Sudoeste. De carácter semiárido (D), corresponde a regiões concordantes com a anterior numa outra estreita faixa, mas aqui desde o Noroeste até ao Sul, onde se expande por centenas de quilómetros em direcção à Bacia do Cunene e Cubango. O clima Sub-húmido seco (C1) e Sub-húmido chuvoso se sucedem em faixas concordantes com o último desde pequenas faixas na Região Noroeste até ao sopé da Serra de Chela, (Oeste do Lubango), e desde aí estes tipos climáticos se direccionam para Este em direcção ao Cuando-Lubango até à fronteira coma Zâmbia. Todos os climas Húmidos, (B1, B2, B3 e B4), que representam respectivamente desde o B1 ao B4 do menos húmido ao mais húmido, situam-se no Planalto Antigo, ou seja, mais de 60% do Território, desde a Grande Escarpa para Norte e para Oeste, de onde, se repartem junto às Montanhas Marginais os climas B4 e se estendem os B2 para Norte e Nordeste, restando o clima B1 para Oeste correspondendo ao Moxico, e para o Norte a Ocidente da província de Malanje. (mapa das classificações não publicado. Requerer ao autor do blogue: antonio.rbt@sapo.pt ).

Principais Bacias hidrográficas e Rios

Angola tem um pendor enorme para o Atlântico de Norte a Sul a Ocidente do Planalto Antigo, por isso, a Bacia principal é da vertente do atlântico, na qual se realça o Cuanza, cujo curso de água, se inicia bem no interior do Planalto Antigo, aí configurando uma reentrância da vertente ocidental para o interior do território. A Nordeste a rede do Rio Zaire, que corresponde aos rios que correm do planalto para Norte em direcção à Bacia do Congo Belga, na qual também se juntam alguns cursos de água do Norte de Malanje e Uíge, como também uma pequena porção da região Norte do Zaire angolano. A vertente de Moçambique abrange as redes hidrográficas dos cursos angolanos do Zambeze, Lungue.Bungo e Cuango, que drenam o planalto para Este e Sudeste. A vertente do Okavango, drena o planalto para Sul através do Cubango (Endorreico) e Cuíto, e por último a vertente do Etosha, a Sul do território, entre o Rio Cunene e o Rio Cubango, drena para o Namibe

Carta da Vegetação

A vegetação que maiores regiões parecem ocupar é de Savanas e matas de panda, que ocorrem em grande parte do Planalto Antigo, em especial a sul deste, como nas regiões mais interiores até ao Zambeze, onde é interrompido pela Anhara das Cameias, também se expande por regiões de Malanje, a este do Uíge e a Ocidente das Lundas, interrompido a nordeste de Malanje pela Baixa de Cassange por Savanas distintas. Uma outra ocorrência importante é de Matas e Savanas húmidas nas regiões das Montanhas Marginais, direccionando-se para o interior planáltico na região centro deste. As florestas húmidas parecem circunscrever-se a pequenas regiões do Norte nas faixas de transição de altitudes para a região interior de Luanda e daí para Norte ao Ocidente do Uíge. Na faixa litoral de Norte a Sul encontra-se estepes e savanas secas, sendo de deserto absoluto no litoral da província do Namibe. O quadro de estepes secas continua deste para o interior sul em direcção ao Cubango-Lubango.(Mapa da vegewtação não publicado, requerer ao autor: antonio.rbt@sapo.pt ).

Geomorfologia de Angola

A componente de altitude abrange grande parte do território angolano, é o marco mais relevante, e que, mais influi na distribuição de condições de temperatura, humidade e precipitação. Cerca de 73% do território angolano encontra-se acima dos 1000m de altitude.

A temperatura no território angolano no contexto tropical é assim, influenciada por dois factores mais determinantes, a corrente fria de Benguela e o relevo de altitude.

O relevo de Angola é caracterizado segundo alguns autores pelas seis grandes unidades geomorfológicas, a Faixa litoral, a Zona de transição (Superfícies Intermédias), a Cadeia Marginal de Montanhas, o Planalto Antigo, a Bacia do Zaire e as Bacias do Zambeze e Cubango. (Carta Generalizada dos Solos de Angola, CEPT, 1968).

A Faixa Litoral, talhada em formações sedimentares e rochas do maciço antigo que poucas vezes passa os 200m de altitude está na sua grande parte sobre maior influência do clima seco proporcionado pela corrente fria de Benguela.

A Zona de Transição, onde duas escarpas vincam de forma imponente a mudança de altitudes, poderá ser fenómeno de flexura continental, tal parece coincidir com a antecedência de alguns rios. Uma das escarpas ergue-se entre o rio Cuanza e Lucira com orientação SSW-NNE, outra para o interior, desde o Cassongue até ao Cunene a sul. (Fonte;Carta Generalizada dos Solos de Angola, CEPT, 1968).

A Cadeia Marginal de Montanhas ergue-se em concordância com a escarpa interior da Zona de Transição, consolidando o relevo desta. Constitui um relevo acidentado e com pontos de altitude muito elevados a atingir os 2600m, faz a divisória do contraste entre as altitudes médias com rejuvenescimento do relevo e o planalto central de superfícies de erosão aplanadas.

O Planalto Antigo, com altitudes desde os 1200m no sul (Baixo Cunene) até 1850m em Cutato e Também em Capeio (Centro ocidental do planalto) e a norte do planalto 1650-1750m no Congolo.

Bacia do Zaire, região a norte do território, desde a Zona de Transição a noroeste de Malange até ao nordeste da província da Lunda, compreende ainda extensa rede hidrográfica que tem origem no Planalto Antigo. Há ainda a destacar nesta unidade morfológica a Baixa de Cassange, uma depressão com vertentes de escarpa a nordeste de Malange e o curso do alto Cuanza que sulca as vertentes voltadas para a grande depressão congolesa onde a região morfológica da Bacia do Zaire está incluída.

Bacias do Zambeze e Cubango constituem a drenagem desde o planalto central para Este, e para Sul do território angolano. A Este a drenagem do Cassai, mais a sul Lungué-Bungo, Cuando e Cuíto estes três últimos afluentes do Zambeze. A ocidente deste último situa-se a bacia endorreica do Cubango.

Fig.4 As Unidades Geomorfológicas de Angola,Fonte; (Carta Generalizada dos Solos de Angola, Centro de Estudos de Pedologia Tropical, Lisboa 1968).

As Grandes Unidades Geomorfológicas

1-      Faixa Litoral

2-      Zona de Transição

3-      Cadeia Marginal de Montanhas

4-      Planalto Antigo

5-      Bacia do Zaire

6-      Bacias do Zambeze e do Cubango

 Faixa Litoral

Esta unidade de relevo corresponde a uma extensão territorial ao longo da costa desde o ponto mais setentrional em Cabinda até ao mais meridional no extremo Sudeste do deserto do Namibe, cujo prolongamento para o interior varia de algumas dezenas de quilómetros no sudeste, com faixa mínima em Lucira (a Norte de Namibe), até às duas centenas de quilómetros na Bacia do Cuanza.

Composta por formações mesocenozóicas em grande parte das regiões mais litorânias que transitam para rochas do Rochas do Maciço Antigo para ao interior. O seu relevo mais significativo é marcado por plataformas de abrasão marinha, entre as quais se destaca as plataformas truncadas nos relevos cársicos a Este de Sumbe (Novo Redondo), que intercalam ao longo do litoral com praias levantadas, observadas até os 135 metros de altitude.

Nas regiões de formações mesozóicas, encontram-se também relevos acidentados no litoral como no Dondo, Capolo, Porto Amboim e Quicombo, onde os vales são fechados, escavados pelos cursos de água nas rochas duras.

A sudeste do território nesta faixa estreita litoral, encontram-se relevos bem distintos que correspondem ao clima seco do deserto do Namibe (Moçâmedes), com dunas móveis, por vezes em extensas áreas que são interrompidas por relevos rochosos de formas acutilantes provocadas pela erosão eólica, como também, pela fragmentação mecânica provocadas pelas grandes amplitudes térmicas diurnas.

Zona de Transição

Esta zona de altitudes intermédias, intercala, de Norte a Sul do território entre Faixa Litoral e as cadeias montanhosas. Nesta zona situam-se as duas grandes escarpas, uma a ocidente, desde o Rio Cuanza até Lucira com sentido NWE-SSW e outra mais no interior desde Cassongue ao Cunene

 Ao que se julga, segundo Feio, estas altitudes intermédias derivam da flexura continental que se deu a partir do Cretácico Superior. Para esta teoria, contribuíram os estudos feitos por este, sobre provas de antecedência de alguns rios nas duas grandes escarpas.

Cadeia Marginal de Montanhas

Corresponde ao à margem mais ocidental do Planalto Antigo desde o Rio Queve até Humpata, respectivamente de Norte para Sul. Nesta margem do planalto as montanhas atingem altitudes acima dos 2000m. Situam-se aí, os relevos mais acidentados do território de Angola, onde as escarpas têm declives muito acentuados que na Serra de Chela o desnível supera os 1000m de forma abrupta.

 Planalto Antigo

Esta zona estende-se desde o Sul do Rio Cuanza até à fronteira com a Namíbia no Sul, entre a escarpa a ocidente e o Rio Cunene a Leste. Toda esta região planáltica se situa desde os 1200 metros no Sul, passando pelas altitudes de 1800-1850 metros em Cutato e Capeio até de mais de 1400 metros na Sanga no Norte desta, ao Sul e Oeste do Rio Cuanza. Constitui relevo de aplanação, uma extensíssima peneplanície, de onde em onde surgem relevos residuais.

Bacia do Zaire

É uma região a Norte do território, encorpada pelas regiões do Uíge, Malanje, Lunda-Norte, Lunda-Sul e um troço desde Luena penetrando para SW no Planalto Antigo até SE do Kuíto. Nestas regiões, há a destacar de relevos mais proeminentes a escarpa para a Baixa de Cassange talhada em Formações do Karroo, cuja estrutura terá tido origem em falhas em actividade tectónica e a região de drenagem do Rio Cuanza.

Bacias do Zambeze e do Cubango

Esta unidade corresponde a um vasto território homogéneo desde o Sul do Rio Cassai para Sul e para Sudeste até ao final do curso do Rio Cunene, a Leste deste. Esta região, embora relativamente homogénea, tem algumas distinções morfológicas relevantes em que se destaca à latitude de 12º no extremo fronteiriço a Leste do curso do Rio Zambeze uma sub-região que corresponde a um Maciço Montanhoso referido como o Alto Zambeze limitado pela escarpa de sentido NE-SW, na qual no extremo SW o Rio Zambeze encaixa.

Para além deste relevo bem distinto, ainda é referido mais três regiões geomorfológicas. Uma, a Sul do Cassai, onde uma grande área de planura com vales largos constitui a chamada Anhara da Cameia (região assim chamada devido à vegetação escassa e terreno arenoso).

Outra região desde o Rio Cuito ao Rio Lungué-Bungo onde as vertentes são mais declivosas e recortadas por imensos vales de fundo largo.

Ainda nesta unidade encontra-se uma outra sub-região que corresponde à depressão do Zambeze, entre o Rio Cubango e o Rio Lungué-Bungo que se estende além da fronteira em relação à bacia do Zambeze.

Autor: António Tavares

Para mais informação contactar: antónio.rbt@sapo.pt

1-      Faixa Litoral

2-      Zona de Transição

3-      Cadeia Marginal de Montanhas

4-      Planalto Antigo

5-      Bacia do Zaire

6-      Bacias do Zambeze e do Cubango

 Faixa Litoral

Esta unidade de relevo corresponde a uma extensão territorial ao longo da costa desde o ponto mais setentrional em Cabinda até ao mais meridional no extremo Sudeste do deserto do Namibe, cujo prolongamento para o interior varia de algumas dezenas de quilómetros no sudeste, com faixa mínima em Lucira (a Norte de Namibe), até às duas centenas de quilómetros na Bacia do Cuanza.

Composta por formações mesocenozóicas em grande parte das regiões mais litorânias que transitam para rochas do Rochas do Maciço Antigo para ao interior. O seu relevo mais significativo é marcado por plataformas de abrasão marinha, entre as quais se destaca as plataformas truncadas nos relevos cársicos a Este de Sumbe (Novo Redondo), que intercalam ao longo do litoral com praias levantadas, observadas até os 135 metros de altitude.

Nas regiões de formações mesozóicas, encontram-se também relevos acidentados no litoral como no Dondo, Capolo, Porto Amboim e Quicombo, onde os vales são fechados, escavados pelos cursos de água nas rochas duras.

A sudeste do território nesta faixa estreita litoral, encontram-se relevos bem distintos que correspondem ao clima seco do deserto do Namibe (Moçâmedes), com dunas móveis, por vezes em extensas áreas que são interrompidas por relevos rochosos de formas acutilantes provocadas pela erosão eólica, como também, pela fragmentação mecânica provocadas pelas grandes amplitudes térmicas diurnas.

Zona de Transição

Esta zona de altitudes intermédias, intercala, de Norte a Sul do território entre Faixa Litoral e as cadeias montanhosas. Nesta zona situam-se as duas grandes escarpas, uma a ocidente, desde o Rio Cuanza até Lucira com sentido NWE-SSW e outra mais no interior desde Cassongue ao Cunene

 Ao que se julga, segundo Feio, estas altitudes intermédias derivam da flexura continental que se deu a partir do Cretácico Superior. Para esta teoria, contribuíram os estudos feitos por este, sobre provas de antecedência de alguns rios nas duas grandes escarpas.

Cadeia Marginal de Montanhas

Corresponde ao à margem mais ocidental do Planalto Antigo desde o Rio Queve até Humpata, respectivamente de Norte para Sul. Nesta margem do planalto as montanhas atingem altitudes acima dos 2000m. Situam-se aí, os relevos mais acidentados do território de Angola, onde as escarpas têm declives muito acentuados que na Serra de Chela o desnível supera os 1000m de forma abrupta.

 Planalto Antigo

Esta zona estende-se desde o Sul do Rio Cuanza até à fronteira com a Namíbia no Sul, entre a escarpa a ocidente e o Rio Cunene a Leste. Toda esta região planáltica se situa desde os 1200 metros no Sul, passando pelas altitudes de 1800-1850 metros em Cutato e Capeio até de mais de 1400 metros na Sanga no Norte desta, ao Sul e Oeste do Rio Cuanza. Constitui relevo de aplanação, uma extensíssima peneplanície, de onde em onde surgem relevos residuais.

Bacia do Zaire

É uma região a Norte do território, encorpada pelas regiões do Uíge, Malanje, Lunda-Norte, Lunda-Sul e um troço desde Luena penetrando para SW no Planalto Antigo até SE do Kuíto. Nestas regiões, há a destacar de relevos mais proeminentes a escarpa para a Baixa de Cassange talhada em Formações do Karroo, cuja estrutura terá tido origem em falhas em actividade tectónica e a região de drenagem do Rio Cuanza.

Bacias do Zambeze e do Cubango

Esta unidade corresponde a um vasto território homogéneo desde o Sul do Rio Cassai para Sul e para Sudeste até ao final do curso do Rio Cunene, a Leste deste. Esta região, embora relativamente homogénea, tem algumas distinções morfológicas relevantes em que se destaca à latitude de 12º no extremo fronteiriço a Leste do curso do Rio Zambeze uma sub-região que corresponde a um Maciço Montanhoso referido como o Alto Zambeze limitado pela escarpa de sentido NE-SW, na qual no extremo SW o Rio Zambeze encaixa.

Para além deste relevo bem distinto, ainda é referido mais três regiões geomorfológicas. Uma, a Sul do Cassai, onde uma grande área de planura com vales largos constitui a chamada Anhara da Cameia (região assim chamada devido à vegetação escassa e terreno arenoso).

Outra região desde o Rio Cuito ao Rio Lungué-Bungo onde as vertentes são mais declivosas e recortadas por imensos vales de fundo largo.

Ainda nesta unidade encontra-se uma outra sub-região que corresponde à depressão do Zambeze, entre o Rio Cubango e o Rio Lungué-Bungo que se estende além da fronteira em relação à bacia do Zambeze.

Autor: António Tavares

Para mais informação contactar: antónio.rbt@sapo.pt

1-      Faixa Litoral

2-      Zona de Transição

3-      Cadeia Marginal de Montanhas

4-      Planalto Antigo

5-      Bacia do Zaire

6-      Bacias do Zambeze e do Cubango

 Faixa Litoral

Esta unidade de relevo corresponde a uma extensão territorial ao longo da costa desde o ponto mais setentrional em Cabinda até ao mais meridional no extremo Sudeste do deserto do Namibe, cujo prolongamento para o interior varia de algumas dezenas de quilómetros no sudeste, com faixa mínima em Lucira (a Norte de Namibe), até às duas centenas de quilómetros na Bacia do Cuanza.

Composta por formações mesocenozóicas em grande parte das regiões mais litorânias que transitam para rochas do Rochas do Maciço Antigo para ao interior. O seu relevo mais significativo é marcado por plataformas de abrasão marinha, entre as quais se destaca as plataformas truncadas nos relevos cársicos a Este de Sumbe (Novo Redondo), que intercalam ao longo do litoral com praias levantadas, observadas até os 135 metros de altitude.

Nas regiões de formações mesozóicas, encontram-se também relevos acidentados no litoral como no Dondo, Capolo, Porto Amboim e Quicombo, onde os vales são fechados, escavados pelos cursos de água nas rochas duras.

A sudeste do território nesta faixa estreita litoral, encontram-se relevos bem distintos que correspondem ao clima seco do deserto do Namibe (Moçâmedes), com dunas móveis, por vezes em extensas áreas que são interrompidas por relevos rochosos de formas acutilantes provocadas pela erosão eólica, como também, pela fragmentação mecânica provocadas pelas grandes amplitudes térmicas diurnas.

Zona de Transição

Esta zona de altitudes intermédias, intercala, de Norte a Sul do território entre Faixa Litoral e as cadeias montanhosas. Nesta zona situam-se as duas grandes escarpas, uma a ocidente, desde o Rio Cuanza até Lucira com sentido NWE-SSW e outra mais no interior desde Cassongue ao Cunene

 Ao que se julga, segundo Feio, estas altitudes intermédias derivam da flexura continental que se deu a partir do Cretácico Superior. Para esta teoria, contribuíram os estudos feitos por este, sobre provas de antecedência de alguns rios nas duas grandes escarpas.

Cadeia Marginal de Montanhas

Corresponde ao à margem mais ocidental do Planalto Antigo desde o Rio Queve até Humpata, respectivamente de Norte para Sul. Nesta margem do planalto as montanhas atingem altitudes acima dos 2000m. Situam-se aí, os relevos mais acidentados do território de Angola, onde as escarpas têm declives muito acentuados que na Serra de Chela o desnível supera os 1000m de forma abrupta.

 Planalto Antigo

Esta zona estende-se desde o Sul do Rio Cuanza até à fronteira com a Namíbia no Sul, entre a escarpa a ocidente e o Rio Cunene a Leste. Toda esta região planáltica se situa desde os 1200 metros no Sul, passando pelas altitudes de 1800-1850 metros em Cutato e Capeio até de mais de 1400 metros na Sanga no Norte desta, ao Sul e Oeste do Rio Cuanza. Constitui relevo de aplanação, uma extensíssima peneplanície, de onde em onde surgem relevos residuais.

Bacia do Zaire

É uma região a Norte do território, encorpada pelas regiões do Uíge, Malanje, Lunda-Norte, Lunda-Sul e um troço desde Luena penetrando para SW no Planalto Antigo até SE do Kuíto. Nestas regiões, há a destacar de relevos mais proeminentes a escarpa para a Baixa de Cassange talhada em Formações do Karroo, cuja estrutura terá tido origem em falhas em actividade tectónica e a região de drenagem do Rio Cuanza.

Bacias do Zambeze e do Cubango

Esta unidade corresponde a um vasto território homogéneo desde o Sul do Rio Cassai para Sul e para Sudeste até ao final do curso do Rio Cunene, a Leste deste. Esta região, embora relativamente homogénea, tem algumas distinções morfológicas relevantes em que se destaca à latitude de 12º no extremo fronteiriço a Leste do curso do Rio Zambeze uma sub-região que corresponde a um Maciço Montanhoso referido como o Alto Zambeze limitado pela escarpa de sentido NE-SW, na qual no extremo SW o Rio Zambeze encaixa.

Para além deste relevo bem distinto, ainda é referido mais três regiões geomorfológicas. Uma, a Sul do Cassai, onde uma grande área de planura com vales largos constitui a chamada Anhara da Cameia (região assim chamada devido à vegetação escassa e terreno arenoso).

Outra região desde o Rio Cuito ao Rio Lungué-Bungo onde as vertentes são mais declivosas e recortadas por imensos vales de fundo largo.

Ainda nesta unidade encontra-se uma outra sub-região que corresponde à depressão do Zambeze, entre o Rio Cubango e o Rio Lungué-Bungo que se estende além da fronteira em relação à bacia do Zambeze.

Autor: António Tavares

Para mais informação contactar: antónio.rbt@sapo.pt

1-      Faixa Litoral

2-      Zona de Transição

3-      Cadeia Marginal de Montanhas

4-      Planalto Antigo

5-      Bacia do Zaire

6-      Bacias do Zambeze e do Cubango

 Faixa Litoral

Esta unidade de relevo corresponde a uma extensão territorial ao longo da costa desde o ponto mais setentrional em Cabinda até ao mais meridional no extremo Sudeste do deserto do Namibe, cujo prolongamento para o interior varia de algumas dezenas de quilómetros no sudeste, com faixa mínima em Lucira (a Norte de Namibe), até às duas centenas de quilómetros na Bacia do Cuanza.

Composta por formações mesocenozóicas em grande parte das regiões mais litorânias que transitam para rochas do Rochas do Maciço Antigo para ao interior. O seu relevo mais significativo é marcado por plataformas de abrasão marinha, entre as quais se destaca as plataformas truncadas nos relevos cársicos a Este de Sumbe (Novo Redondo), que intercalam ao longo do litoral com praias levantadas, observadas até os 135 metros de altitude.

Nas regiões de formações mesozóicas, encontram-se também relevos acidentados no litoral como no Dondo, Capolo, Porto Amboim e Quicombo, onde os vales são fechados, escavados pelos cursos de água nas rochas duras.

A sudeste do território nesta faixa estreita litoral, encontram-se relevos bem distintos que correspondem ao clima seco do deserto do Namibe (Moçâmedes), com dunas móveis, por vezes em extensas áreas que são interrompidas por relevos rochosos de formas acutilantes provocadas pela erosão eólica, como também, pela fragmentação mecânica provocadas pelas grandes amplitudes térmicas diurnas.

Zona de Transição

Esta zona de altitudes intermédias, intercala, de Norte a Sul do território entre Faixa Litoral e as cadeias montanhosas. Nesta zona situam-se as duas grandes escarpas, uma a ocidente, desde o Rio Cuanza até Lucira com sentido NWE-SSW e outra mais no interior desde Cassongue ao Cunene

 Ao que se julga, segundo Feio, estas altitudes intermédias derivam da flexura continental que se deu a partir do Cretácico Superior. Para esta teoria, contribuíram os estudos feitos por este, sobre provas de antecedência de alguns rios nas duas grandes escarpas.

Cadeia Marginal de Montanhas

Corresponde ao à margem mais ocidental do Planalto Antigo desde o Rio Queve até Humpata, respectivamente de Norte para Sul. Nesta margem do planalto as montanhas atingem altitudes acima dos 2000m. Situam-se aí, os relevos mais acidentados do território de Angola, onde as escarpas têm declives muito acentuados que na Serra de Chela o desnível supera os 1000m de forma abrupta.

 Planalto Antigo

Esta zona estende-se desde o Sul do Rio Cuanza até à fronteira com a Namíbia no Sul, entre a escarpa a ocidente e o Rio Cunene a Leste. Toda esta região planáltica se situa desde os 1200 metros no Sul, passando pelas altitudes de 1800-1850 metros em Cutato e Capeio até de mais de 1400 metros na Sanga no Norte desta, ao Sul e Oeste do Rio Cuanza. Constitui relevo de aplanação, uma extensíssima peneplanície, de onde em onde surgem relevos residuais.

Bacia do Zaire

É uma região a Norte do território, encorpada pelas regiões do Uíge, Malanje, Lunda-Norte, Lunda-Sul e um troço desde Luena penetrando para SW no Planalto Antigo até SE do Kuíto. Nestas regiões, há a destacar de relevos mais proeminentes a escarpa para a Baixa de Cassange talhada em Formações do Karroo, cuja estrutura terá tido origem em falhas em actividade tectónica e a região de drenagem do Rio Cuanza.

Bacias do Zambeze e do Cubango

Esta unidade corresponde a um vasto território homogéneo desde o Sul do Rio Cassai para Sul e para Sudeste até ao final do curso do Rio Cunene, a Leste deste. Esta região, embora relativamente homogénea, tem algumas distinções morfológicas relevantes em que se destaca à latitude de 12º no extremo fronteiriço a Leste do curso do Rio Zambeze uma sub-região que corresponde a um Maciço Montanhoso referido como o Alto Zambeze limitado pela escarpa de sentido NE-SW, na qual no extremo SW o Rio Zambeze encaixa.

Para além deste relevo bem distinto, ainda é referido mais três regiões geomorfológicas. Uma, a Sul do Cassai, onde uma grande área de planura com vales largos constitui a chamada Anhara da Cameia (região assim chamada devido à vegetação escassa e terreno arenoso).

Outra região desde o Rio Cuito ao Rio Lungué-Bungo onde as vertentes são mais declivosas e recortadas por imensos vales de fundo largo.

Ainda nesta unidade encontra-se uma outra sub-região que corresponde à depressão do Zambeze, entre o Rio Cubango e o Rio Lungué-Bungo que se estende além da fronteira em relação à bacia do Zambeze.

Autor: António Tavares

Para mais informação contactar: antónio.rbt@sapo.pt

1-      Faixa Litoral

2-      Zona de Transição

3-      Cadeia Marginal de Montanhas

4-      Planalto Antigo

5-      Bacia do Zaire

6-      Bacias do Zambeze e do Cubango

 Faixa Litoral

Esta unidade de relevo corresponde a uma extensão territorial ao longo da costa desde o ponto mais setentrional em Cabinda até ao mais meridional no extremo Sudeste do deserto do Namibe, cujo prolongamento para o interior varia de algumas dezenas de quilómetros no sudeste, com faixa mínima em Lucira (a Norte de Namibe), até às duas centenas de quilómetros na Bacia do Cuanza.

Composta por formações mesocenozóicas em grande parte das regiões mais litorânias que transitam para rochas do Rochas do Maciço Antigo para ao interior. O seu relevo mais significativo é marcado por plataformas de abrasão marinha, entre as quais se destaca as plataformas truncadas nos relevos cársicos a Este de Sumbe (Novo Redondo), que intercalam ao longo do litoral com praias levantadas, observadas até os 135 metros de altitude.

Nas regiões de formações mesozóicas, encontram-se também relevos acidentados no litoral como no Dondo, Capolo, Porto Amboim e Quicombo, onde os vales são fechados, escavados pelos cursos de água nas rochas duras.

A sudeste do território nesta faixa estreita litoral, encontram-se relevos bem distintos que correspondem ao clima seco do deserto do Namibe (Moçâmedes), com dunas móveis, por vezes em extensas áreas que são interrompidas por relevos rochosos de formas acutilantes provocadas pela erosão eólica, como também, pela fragmentação mecânica provocadas pelas grandes amplitudes térmicas diurnas.

Zona de Transição

Esta zona de altitudes intermédias, intercala, de Norte a Sul do território entre Faixa Litoral e as cadeias montanhosas. Nesta zona situam-se as duas grandes escarpas, uma a ocidente, desde o Rio Cuanza até Lucira com sentido NWE-SSW e outra mais no interior desde Cassongue ao Cunene

 Ao que se julga, segundo Feio, estas altitudes intermédias derivam da flexura continental que se deu a partir do Cretácico Superior. Para esta teoria, contribuíram os estudos feitos por este, sobre provas de antecedência de alguns rios nas duas grandes escarpas.

Cadeia Marginal de Montanhas

Corresponde ao à margem mais ocidental do Planalto Antigo desde o Rio Queve até Humpata, respectivamente de Norte para Sul. Nesta margem do planalto as montanhas atingem altitudes acima dos 2000m. Situam-se aí, os relevos mais acidentados do território de Angola, onde as escarpas têm declives muito acentuados que na Serra de Chela o desnível supera os 1000m de forma abrupta.

 Planalto Antigo

Esta zona estende-se desde o Sul do Rio Cuanza até à fronteira com a Namíbia no Sul, entre a escarpa a ocidente e o Rio Cunene a Leste. Toda esta região planáltica se situa desde os 1200 metros no Sul, passando pelas altitudes de 1800-1850 metros em Cutato e Capeio até de mais de 1400 metros na Sanga no Norte desta, ao Sul e Oeste do Rio Cuanza. Constitui relevo de aplanação, uma extensíssima peneplanície, de onde em onde surgem relevos residuais.

Bacia do Zaire

É uma região a Norte do território, encorpada pelas regiões do Uíge, Malanje, Lunda-Norte, Lunda-Sul e um troço desde Luena penetrando para SW no Planalto Antigo até SE do Kuíto. Nestas regiões, há a destacar de relevos mais proeminentes a escarpa para a Baixa de Cassange talhada em Formações do Karroo, cuja estrutura terá tido origem em falhas em actividade tectónica e a região de drenagem do Rio Cuanza.

Bacias do Zambeze e do Cubango

Esta unidade corresponde a um vasto território homogéneo desde o Sul do Rio Cassai para Sul e para Sudeste até ao final do curso do Rio Cunene, a Leste deste. Esta região, embora relativamente homogénea, tem algumas distinções morfológicas relevantes em que se destaca à latitude de 12º no extremo fronteiriço a Leste do curso do Rio Zambeze uma sub-região que corresponde a um Maciço Montanhoso referido como o Alto Zambeze limitado pela escarpa de sentido NE-SW, na qual no extremo SW o Rio Zambeze encaixa.

Para além deste relevo bem distinto, ainda é referido mais três regiões geomorfológicas. Uma, a Sul do Cassai, onde uma grande área de planura com vales largos constitui a chamada Anhara da Cameia (região assim chamada devido à vegetação escassa e terreno arenoso).

Outra região desde o Rio Cuito ao Rio Lungué-Bungo onde as vertentes são mais declivosas e recortadas por imensos vales de fundo largo.

Ainda nesta unidade encontra-se uma outra sub-região que corresponde à depressão do Zambeze, entre o Rio Cubango e o Rio Lungué-Bungo que se estende além da fronteira em relação à bacia do Zambeze.

Autor: António Tavares

Para mais informação contactar: antónio.rbt@sapo.pt

1-      Faixa Litoral

2-      Zona de Transição

3-      Cadeia Marginal de Montanhas

4-      Planalto Antigo

5-      Bacia do Zaire

6-      Bacias do Zambeze e do Cubango

 Faixa Litoral

Esta unidade de relevo corresponde a uma extensão territorial ao longo da costa desde o ponto mais setentrional em Cabinda até ao mais meridional no extremo Sudeste do deserto do Namibe, cujo prolongamento para o interior varia de algumas dezenas de quilómetros no sudeste, com faixa mínima em Lucira (a Norte de Namibe), até às duas centenas de quilómetros na Bacia do Cuanza.

Composta por formações mesocenozóicas em grande parte das regiões mais litorânias que transitam para rochas do Rochas do Maciço Antigo para ao interior. O seu relevo mais significativo é marcado por plataformas de abrasão marinha, entre as quais se destaca as plataformas truncadas nos relevos cársicos a Este de Sumbe (Novo Redondo), que intercalam ao longo do litoral com praias levantadas, observadas até os 135 metros de altitude.

Nas regiões de formações mesozóicas, encontram-se também relevos acidentados no litoral como no Dondo, Capolo, Porto Amboim e Quicombo, onde os vales são fechados, escavados pelos cursos de água nas rochas duras.

A sudeste do território nesta faixa estreita litoral, encontram-se relevos bem distintos que correspondem ao clima seco do deserto do Namibe (Moçâmedes), com dunas móveis, por vezes em extensas áreas que são interrompidas por relevos rochosos de formas acutilantes provocadas pela erosão eólica, como também, pela fragmentação mecânica provocadas pelas grandes amplitudes térmicas diurnas.

Zona de Transição

Esta zona de altitudes intermédias, intercala, de Norte a Sul do território entre Faixa Litoral e as cadeias montanhosas. Nesta zona situam-se as duas grandes escarpas, uma a ocidente, desde o Rio Cuanza até Lucira com sentido NWE-SSW e outra mais no interior desde Cassongue ao Cunene

 Ao que se julga, segundo Feio, estas altitudes intermédias derivam da flexura continental que se deu a partir do Cretácico Superior. Para esta teoria, contribuíram os estudos feitos por este, sobre provas de antecedência de alguns rios nas duas grandes escarpas.

Cadeia Marginal de Montanhas

Corresponde ao à margem mais ocidental do Planalto Antigo desde o Rio Queve até Humpata, respectivamente de Norte para Sul. Nesta margem do planalto as montanhas atingem altitudes acima dos 2000m. Situam-se aí, os relevos mais acidentados do território de Angola, onde as escarpas têm declives muito acentuados que na Serra de Chela o desnível supera os 1000m de forma abrupta.

 Planalto Antigo

Esta zona estende-se desde o Sul do Rio Cuanza até à fronteira com a Namíbia no Sul, entre a escarpa a ocidente e o Rio Cunene a Leste. Toda esta região planáltica se situa desde os 1200 metros no Sul, passando pelas altitudes de 1800-1850 metros em Cutato e Capeio até de mais de 1400 metros na Sanga no Norte desta, ao Sul e Oeste do Rio Cuanza. Constitui relevo de aplanação, uma extensíssima peneplanície, de onde em onde surgem relevos residuais.

Bacia do Zaire

É uma região a Norte do território, encorpada pelas regiões do Uíge, Malanje, Lunda-Norte, Lunda-Sul e um troço desde Luena penetrando para SW no Planalto Antigo até SE do Kuíto. Nestas regiões, há a destacar de relevos mais proeminentes a escarpa para a Baixa de Cassange talhada em Formações do Karroo, cuja estrutura terá tido origem em falhas em actividade tectónica e a região de drenagem do Rio Cuanza.

Bacias do Zambeze e do Cubango

Esta unidade corresponde a um vasto território homogéneo desde o Sul do Rio Cassai para Sul e para Sudeste até ao final do curso do Rio Cunene, a Leste deste. Esta região, embora relativamente homogénea, tem algumas distinções morfológicas relevantes em que se destaca à latitude de 12º no extremo fronteiriço a Leste do curso do Rio Zambeze uma sub-região que corresponde a um Maciço Montanhoso referido como o Alto Zambeze limitado pela escarpa de sentido NE-SW, na qual no extremo SW o Rio Zambeze encaixa.

Para além deste relevo bem distinto, ainda é referido mais três regiões geomorfológicas. Uma, a Sul do Cassai, onde uma grande área de planura com vales largos constitui a chamada Anhara da Cameia (região assim chamada devido à vegetação escassa e terreno arenoso).

Outra região desde o Rio Cuito ao Rio Lungué-Bungo onde as vertentes são mais declivosas e recortadas por imensos vales de fundo largo.

Ainda nesta unidade encontra-se uma outra sub-região que corresponde à depressão do Zambeze, entre o Rio Cubango e o Rio Lungué-Bungo que se estende além da fronteira em relação à bacia do Zambeze.

Autor: António Tavares

Para mais informação contactar: antónio.rbt@sapo.pt

Pequeno resumo sobre a Geografia/Geologia do diamante

O diamante, conhecido na Índia desde há perto de 2500 anos (embora haja indicações que possa ser ainda mais ancestral), numa exploração que permaneceu única durante mais de 2000 anos até que os portugueses em 1725 descobriram no Brasil estas pedras preciosas em aluviões na província de Minas Gerais. Em 1886 foi descoberto o primeiro diamante na África do Sul nas margens do Rio Orange, após a qual, várias outras lhe sucederam em território africano; em 1906 no Congo Belga, 1908 na Namíbia, 1910 na Tanzânia, 1912 em Angola, 1913 na República Centro Africana, 1917 no Ghana, 1930 na Serra Leoa e 1930 na Guiné. Estas descobertas viriam a dar origem a uma corrida ao diamante nestes países africanos, dos quais, a África do Sul, Angola e Congo se confirmaram como os mais ricos de todo o continente africano em jazidas diamantíferas. No entanto, este mineral veio a ser encontrado em jazidas um pouco por todo o Mundo, sendo que estes recursos minerais se revelaram mais numerosos na Austrália e Rússia.

 

A produção desta jóia remonta, como referido, há 2500 anos na mina de Golconda. Os mercadores indianos inicialmente comercializavam-no como amuleto para os homens de poder. Por essa altura a pérola era a jóia da nobreza feminina e não o diamante. Só em meados do século XIII o diamante começa a ganhar importância como jóia feminina, muito devido a técnicas de lapidação mais eficientes que tornaram esta pedra de cores foscas em uma pedra de brilho e transparência usada pelas na nobreza. (Gouveia, JorgeAugusto da Cunha, ICE, 1993).

 

O diamante jóia e o diamante industrial

O diamante é um mineral cristalizado, que pela sua raridade e suas características físicas, como, ser transparente ou translúcido, ou pelo seu brilho e sua forma, o leva a ser eleito a “gema das gemas”, e que por essas razões é comercializado como jóia, cujo valor comercial elevado, em parte devido à raridade, mas também devido à especulação exercida sobre as produções, que na verdade não se revelam de tal escassez em relação à procura.

 

Este minério também tem aplicações industriais, pelas suas qualidades de resistência a ácidos, como pela dureza, para as quais o diamante não tem rival disponível na natureza. Muitas jazidas, cuja mineralização não se encontra próxima das qualidades de gema de jóia, são então exploradas para a aplicação industrial deste minério. Ainda se acrescenta no âmbito da aplicabilidade industrial o diamante sintético cuja produção teve origem em meados do século XX.

 

A Geologia do Diamante

 

O diamante é carbono puro que constitui um xenocristal de inclusão em rochas ígneas, arrastadas de grandes profundidades até níveis superiores da crusta, estes xenocristais vêm incluídos em quimberlitos ou lamproítos, que se desenvolveram entre 150 km a 200 km de profundidade, e que, através de fluxos de lava que se elevaram pelas fissuras da crusta a grandes velocidades (cerca de 60km/hora). Sem essas condições, a velocidades mais lentas, os diamantes deteriorar-se-iam, a ponto de formar grafite, pois a sua constituição base é a mesma, carbono puro, as condições de formação é que são distintas. Esses fluxos de lava que arrastam as rochas diamantíferas são designadas de “vindas quimberlíticas”, e os seus cones, ou fissuras, que podem ter formas cónicas ou elípticas são designadas de “chaminés quimberlíticas”.

O quimberlito a rocha mãe do diamante, rocha intrusiva, apresenta minerais de alta pressão como o piropo e o diópsido cromífero. Os seus principais constituintes são a oliva, a flogopite e as serpentinas, apresentando a inclusão de xenólitos, nódulos ultramáficos e em alguns casos os diamantes. (Gouveia, J.A. da Cunha, ICE, 1993).

 

Seguem-se algumas imagens sobre exploração de diamantes. A primeira de um aluvião nas Lundas em Angola, onde também se exploram cones quimberlíticos como acontece no caso de Catoca com outras condições indústriais e logísticas ao nível de países desenvolvidos. A segunda imagem é de um grande cone quimberlítico na região ártica de Diavik no Canadá.

 

Este texto faz uma breve introdução à temática do diamante, mas não hesitem em me contactar para trocar impressões, tenho mais informação mas também agradeço outras contribuições para: antonio.rbt@sapo.pt

 

 

Angola

Garimpeiros em Angola, Fonte; Partenariat Afrique Canada (PAC),2008.

Canadá

Mina de Diavik no Canadá, Fonte; http://www.diavik.ca/loc.htm

Autor: António Tavares

Contacto: antonio.rbt@sapo.pt

 

Geografia de Angola- aspectos clímáticos e outros aspectos físicos

Compreender o Mundo Tropical sobre os aspectos físicos

O Mundo Tropical, não é de facto somente o paraíso que tanto se evoca nas agências de turismo ou se retrata em programas televisivos com temperaturas agradáveis, céu azul, praias calmas ou palmeiras à beira mar. De facto, o Mundo Tropical é muito adverso à ocupação humana, pois começando com as calmarias oceânicas, que aparentemente são aprazíveis, elas próprias no entanto, são a desgraça de muitas populações, pois os mares sob essas calmarias são pobres em recursos piscícolas. Nas regiões junto ao Equador, ao invés de calmarias, são de grandes instabilidades atmosféricas sob as depressões, que geram tempestades ou mesmo ciclones que tudo devastam. Quanto aos solos, em climas tropicais, que tanta flora geram, mais uma vez, são enganosamente ricos, pois se desflorestados, as terras deixam de ser renovadas, e o solo empobrece rapidamente. Para o caso do território aqui analisado, felizmente foge um pouco a essas realidades tão brutais e devastadoras do clima tropical, no entanto, tudo depende das regiões analisadas, assim, Angola, tem desde o mais inóspito clima desértico no Sudoeste até ao clima tropical mais ameno, este, considerado por vezes de temperado em altitude.

Compreender o território de Angola sobre o ponto de vista físico

O território de Angola abrange uma superfície de 1.246 700 Km2, porção ocidental da África Austral entre 4º 20’ aos 18º02’ de latitude Sul e de 11º41’ a 24º 05’ de longitude, a Este do meridiano de Greenwich.

O território de Angola é essencialmente caracterizado pelos contrastes entre o clima seco e quente de fracas precipitações no litoral, e o de clima húmido, mais ameno e de precipitações mais abundantes no planalto. Para tal, contribui a influência climática da zona em que se encontra o território, isto é, a meio caminho, entre o Equador e o Trópico de Capricórnio, onde a Convergência Intertropical é a principal origem das precipitações abundantes no país, durante a época quente nas regiões a Norte e regiões do planalto a Ocidente, e a secura no litoral, se deve à Corrente Fria de Benguela. As condicionantes para o desenvolvimento da vegetação são imensas em grande parte do território, onde a paisagem mais vulgar é de savana ou estepe. Contudo, há regiões imensas de grande potencial agrícola, estas localizam-se na parte Ocidental do planalto, outras porém têm potencial para a pastorícia como mais a Sul do planalto. De facto, o clima tanto é atroz, como proporciona excelentes condições para determinados recursos. O caso da Corrente Fria de Benguela, que grande secura traz à região Sudoeste, mas que por outro lado alimenta as águas costeiras de fitoplâncton, que por sua vez, dá origem a um enorme recurso piscícola ao largo da costa angolana.

Regiões de Angola (TAAG)

Http://www.taag.com.br/ (Junho 2008)

Geomorfologia

Cerca de 73% do território angolano encontra-se acima dos 1000 m de altitude, o que reforça o factor altimétrico a par da influência da Corrente Fria de Benguela como principais responsáveis pelas variações do clima neste território.

O relevo de Angola é caracterizado segundo alguns autores por seis grandes unidades geomorfológicas, a Faixa litoral, a Zona de transição (Superfícies Intermédias), a Cadeia Marginal de Montanhas, o Planalto Antigo, a Bacia do Zaire e as Bacias do Zambeze e Cubango. (Carta Generalizada dos Solos de Angola, CEPT, 1968: 17).

Bacias hidrográficas

O sistema hidrográfico angolano pode ser dividido em regiões das principais bacias de drenagem, que estão, estreitamente relacionadas com o relevo das Grandes Montanhas Marginais do Planalto Antigo. Deste modo, estas regiões podem delimitar as principais vertentes dos sistemas de drenagem das principais bacias hidrográficas; 1) Bacias de drenagem do Oeste de Angola, 2) Bacia de drenagem do rio Zaire, 3) Bacia de drenagem do Cuvelai, 4) Bacias de drenagem do Okavango, e 5) Bacia de drenagem do Zambeze. Delimitação das bacias segundo; “Norwegian Water Resources and Energy Directorate”, Setembro, 2004.

Cobertura Vegetal e Solos

O território de Angola sofreu alterações profundas, não tanto, pela ocupação humana pela altura do crescimento demográfico em cidades nos anos 60, caso de Huambo, Bié, Lubango, Malange, que estando no interior poderiam interferir com o meio natural, em especial nas suas vias de comunicação, industrialização, exploração mineira ou os investimentos em grandes explorações agrícolas de monocultura. Pois essa fase de antropização do interior angolano viria a ter um retrocesso após a independência, mas o que realmente veio a alterar em muito o meio natural, mais na fauna que na flora, foi uma guerra civil que só viria a ter termo em 2002. No entanto, este capítulo baseia-se de estudos anteriores a tais alterações do meio, pelo menos, de tal intensidade.

Assim, o determinismo geográfico, na distribuição geográfica da cobertura vegetal está relacionado com as condições do clima e do solo assim como pela geomorfologia do território e distribuição da rede hidrográfica.

Em Angola a repartição das formações vegetais, é feita pelos principais domínios característicos da África Tropical; (Brito, R. S. de, 1964: 18).

1)      Floresta densa e húmida (de baixa e média altitude);

2)      Floresta de montanha;

3)      Floresta aberta;

4)      Savanas e estepes arborizadas ou herbosas;

5)      Estepe subdesértica;

6)      Formações desérticas;

7)      Formações florestais edáficas.

Clima de Angola

No caso de Angola, esta CIT desloca-se para Sul do Equador em Dezembro, desta forma atingindo grande parte do território de Angola por essa época. Mas que devido às altitudes do Planalto Antigo, esse período é mais alargado. Aí as épocas das chuvas vão de Outubro a Abril. Assim, no período em que a CIT se desloca para Norte do Equador, então o tempo seco atinge o território, à excepção do extremo Norte, nas Lundas e na Bacia do Zaire que diminuem de precipitação mas que têm quase chuvas permanentes.

Nos mapas seguintes verifica-se em primeiro a oscilação da CIT, em Julho desloca-se para Norte do Equador, e em Janeiro, grande parte desta desloca-se para Sul do Equador.

Autor: António Tavares

Contacto: antonio.rbt@sapo.pt

(Retirei alguma informação. Julgo que é melhor abreviar os posts.)

Para mais informação, bibliografia, e outros aspectos da geografia física de Angola não hesitem em contactar o autor deste blogue; antonio.rbt@sapo.pt .

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