Trabalhar entre a vida e a morte: "KAROSHI"

          VIVEMOS numa sociedade contemporânea exigente, vertiginosa, alucinante e inclemente que veio transformar radicalmente a vida das pessoas.

Passámos a ser os actores principais num mundo de stress e angústias, onde se vive a um ritmo acelerado com uma propensão alucinante, num estado de insatisfação constante (e crescente), sem haver tempo para coisas tão indispensáveis como saborearmos o bom que a vida nos pode dar ou "convivermos" com aquilo que nos permita a felicidade espiritual e extrinseca.

A ocupação é contínua, estamos atarefados e entregues ao "vazio mundano". Temos dificuldade em gerir as 24 horas de cada dia, seriam necessárias o dobro das horas e sempre num ritmo frenético que quase nos leva ao esgotamento físico e psíquico.

No Japão esse excesso de actividade ligado ao stress ocupacional deu origem a uma nova palavra "Karoshi" que significa "morte por sobrecarga de trabalho", que se reflecte clinicamente por morte súbita, ataque cardiaco e acidente vascular cerebral.

Segundo reza a história o aparecimento desse termo significou alívio para muitas viuvas, filhos e familiares os quais então não sabiam o porquê da razão das mortes, provocando os processos indemnizatórios que então se iniciaram.

Vivemos num mundo moderno em que a competição é intensa, ao qual nos teremos de adaptar. Precisamos de uma nova inteligência para saber lidar com estas mudanças, que nos amplie a visão, nos permita reagir aos problemas com destreza, astucia, arte e engenho, reflectidamente e sem stress.

Precisamos da adequação das vias neurológicas sensitivas e motoras ao novo mundo, para que possa ser possível o reaparecimento do entusiasmo estável e do relaxamento firme através de uma maior harmonia com o nosso ego, com o meio ambiente e a natureza que nos rodeia, permitindo aquilo que todos nós desejamos, ou seja, o retorno ao essencial da vida

Publicação: segunda-feira, 30 de Outubro de 2006 17:59 por asclepio

Comentários

# re: Trabalhar entre a vida e a morte: "KAROSHI"

segunda-feira, 30 de Outubro de 2006 19:24 por trout

Os Japoneses Exageram,conheço pessoas que lá trabalharam ,e não aguentaram o ritmo

é alucinante.

# re: Trabalhar entre a vida e a morte: "KAROSHI"

segunda-feira, 30 de Outubro de 2006 19:30 por siber

olá Asclepio, afinal apareceu ...

do original porque não há tradução para português (se for necessário coloco em outro comentário):

"Kar?shi (??? kar?shi?) (pronounced /karo:?i/), which can be translated quite literally from Japanese as "death from overwork", is occupational sudden death. The major medical causes of kar?shi deaths are heart attack and stroke due to stress. This term has special significance in Japanese culture due to historical traditions of seppuku."

"The first case of kar?shi was reported in 1969 with the death from a stroke of a 29-year-old male worker in the shipping department of Japan's largest newspaper company."

fonte: wikipédia

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agora sobre a conciliação do descanso e actividade, em termos quantitativos o que será o ideal para obter um melhor bem estar ?

suponhamos que se divide o dia (24h) a meio então ficamos com 2 dias, se em cada uma dessas partes dormirmos a quota respectiva resulta em dois períodos de descanso e outros dois de actividade só que alternados ... pessoalmente acho muito eficiente mas é claro que existem condicionalismos para aplicar a teoria a quem tem horários ditos normais !

pronto teoria pela água abaixo.

um grande abraço e obrigado por mais um tema importante

# re: Trabalhar entre a vida e a morte: "KAROSHI"

segunda-feira, 30 de Outubro de 2006 19:33 por Anahory

Compreendo perfeitamente o que quer dizer com o seu post. Hoje em dia a vida, sobretudo de mulheres com filhos e que trabalham é alucinante.

Atenção, eu não digo que os homens que trabalham e há muitos que trabalham até tarde, não seja stressante e cansativa.

Mas, e apesar de hoje em dias, as gerações mais novas dividirem as tarefas caseiras, a mulher continua a ser penalizada com o trabalho em casa.

Tudo nesta nossa sociedade está feito de modo a tornar a nossa vida mais stressante e cansativa, desde as filas de carro logo pela manhã, as esperas pelos transportes, à correria ao fim-do-dia no regresso a casa. Enfin, um horror.

E o nosso corpo é que paga tudo isto, mais tarde ou mais cedo.

Kiki

# re: Trabalhar entre a vida e a morte: "KAROSHI"

segunda-feira, 30 de Outubro de 2006 20:48 por bluewater68

Boa noite.

Ao ler este seu post, lembrei-me de um artigo ainda recente que li na revista Visão, Edição nº 708, 28 Set 2006. Tratava de um conceito chamado 'slow life'. Aliás, era um conjunto de conceitos todos à base do 'slow', tais como 'slow food'.

Este movimento, teve origem precisamente no Japão.

Neste caso, pode-se mesmo dizer: 'Antes que lhe dê um Karoshi tente ficar slow'.

Tenho pena de já não ter a revista pois tinha achado o assunto bastante interessante.

Deixo aqui dois links:

Visão

http://visaoonline.clix.pt/default.asp?SqlPage=publication&VSPublicationId=3056

Cidade Japonesa que vive no conceito slow

http://www.japanfs.org/db/database.cgi?cmd=dp&num=202&dp=data_e.html

Uma coisa é certa. Não somos de ferro e um dia a 'máquina' acaba por falhar.

Sem dúvida que temos de adoptar uma postura mais calma em relação à vida.

Cumprimentos.

# re: Trabalhar entre a vida e a morte: "KAROSHI"

segunda-feira, 30 de Outubro de 2006 22:53 por scscoutinho

A sede de vencer hoje em vida é tanta, que as pessoas se esquecem de viver...a ganância então é das piores inimigas, quando têm muito ainda querem muito mais...e isso é o preço a pagar por uma vida que é relâmpago...

# re: Trabalhar entre a vida e a morte: "KAROSHI"

segunda-feira, 30 de Outubro de 2006 23:18 por afrancis

Boa noite,

Bem-haja pelo seu comentário. Serei assiduamente sua leitora.

Cumprimentos

# re: Trabalhar entre a vida e a morte: "KAROSHI"

terça-feira, 31 de Outubro de 2006 1:09 por nsampaio

Amigo Doutor.

Percebo  e concordo!

Mas todos trabalhamos entre a vida e a morte, até um dia...

abração

nsampaio

# re: Trabalhar entre a vida e a morte: "KAROSHI"

terça-feira, 31 de Outubro de 2006 1:17 por Luana

Amigo Asclépio

Penso que já entendeu porque razão não vou sair tão cedo dos Açores. Exactamente. gostava de não morrer de Karoshi porque já vi muita gente que eu amava morrer desse mal. Porque nos julgamos insubstituíveis, desafiamos constantemente a vida.

Não tem tanto assim a ver com o trabalho porque desde que me reformei encontrei imensas coisas interessantes para fazer. Mas tem a ver, e isso garanto-lhe com a vida que cada um quer para si e ocm decisões de fundo que temos que tomar.

Já ouviu falar de Reiki, com certeza. Quando fiz o primeiro nível fiquei "passada". Literalmente. Hoje em dia é uma prática comum para mim. Mas olhe que não me custou nada passar por cime de muitas coisas que eu pensava que fossem importantes para me encontrar. E vou-lhe citar o pensamento simples que deu a volta ao miolo:

NÃO FAÇO PLANOS PARA A VIDA PARA NÃO ESTRAGAR OS PLANOS QUE A VIDA TEM PARA MIM".

Pois é, Asclépio. Tome conta dos seus doentinhos mas nunca se esqueça de si! Você sem eles ainda fica vivo...

# re: Trabalhar entre a vida e a morte: "KAROSHI"

terça-feira, 31 de Outubro de 2006 16:35 por JAMES

Caro Doc.,

KAROSHI para este governo inteirinho..., JÁ!

Abraço

James

# re: Trabalhar entre a vida e a morte: "KAROSHI"

terça-feira, 31 de Outubro de 2006 17:18 por Reis

Caro Asclepio, lúcido como sempre.

A sua frase " o retorno ao essencial da vida" é onde reside parte do problema.

O que deveria ser o essencial da vida, a própria vida encarrega-se de o atirar para o secundário.

São as nossas prioridades - impostas ou não - que estão trocadas. Engraçado, escrevi hoje sobre o mudar de vida. Visite-me se tiver tempo.

# re: Trabalhar entre a vida e a morte: "KAROSHI"

terça-feira, 31 de Outubro de 2006 19:10 por Arden

Interessante como sempre este tema. Eu entendo que podemos fazer muito, com calma e sem Stress. NEm sempre o ritmo elevado e a ansiedade em fazer tudo rápido produz o melhor resultado. É preciso aprender o ritmo do corpo e nunca ultrapassar os limites do razoável ( Dizer isto a um médico é quase um abuso ). Um palavra para o comentário da Anahory. DE facto a minha muher é uma heroína. Gere duas lojas e tem dois filhos. Eu trabalho e tenho dois filhos. Quando um não pode o outro está lá e nenhum abusa do outro. Trata-se de uma questão de respeito.

# re: Trabalhar entre a vida e a morte: "KAROSHI"

terça-feira, 31 de Outubro de 2006 23:19 por dissidencias

Artigo interessantíssimo e que me fez pensar na vida que levo, onde há que cumprir prazos apertados, para não perder o emprego, o que me leva frequentemente a fazer "directas" para poder cumprir o que me é exigido... Mas isso são contas de outro rosário...

A minha proposta é outra:

Proponho que se chame ao morrer a rir, de "death hihihi"...  (pronuncia-se como se estivéssemos a chamar o nosso pai, em inglês)

E a minha agenda oculta nesta comunidade é precisamente essa: atentar contra a vossa vida, através da morte pelo riso...hihihi...

Um Abraço

# re: Trabalhar entre a vida e a morte: "KAROSHI"

quarta-feira, 1 de Novembro de 2006 2:46 por AJSM

Caro Asclepio

Desde há uns anos que este tema é muito oportuno. Sociedade altamente competitiva, prazos, objectivos, fim do mês... Família, vida sã, quer física quer mental, é já a seguir... às vezes nem chega. Eu, por mim, foi difícil, mas consegui.

Vou passar este link para alguns amigos.

Abraços

AJSM

# re: Trabalhar entre a vida e a morte: "KAROSHI"

quarta-feira, 1 de Novembro de 2006 23:35 por meiadeleite

Caro Asclépio, Gostei muito de ler sobre esta morte absurda, que não conhecia. Sendo mulher com 2 filhos e trabalhando fora, o tempo em que estou por exemplo aqui a escrever isto é um verdadeiro luxo. Mas a morte por trabalho deve vir acompanhada de solidão, de ausência da família, de desenraizamento... estou apenas a adivinhar. O sorriso dos filhos consegue apagar pelo menos 12 horas de trabalho! Felicidades e cuidado com o karoshi, ele anda aí!

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