Baú de Recordações - Se as minhas mão falassem ...

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Habitua-se a gente a viver nesta simplicidade e ao dizer singelo do povo que não sendo erudito se exprime muitas vezes com velhos ditados ou com as chamadas expressões idiomáticas que são irrepetíveis.
Vem isto a propósito de alguém com quem eu conversava e que pelos vistos aprecia algum dote mais proeminente em mim.
E com um ar admirativo disse-me como que em despedida:
-Ah, a senhora tem umas mãos…
E eu fiquei-me a meditar.
É que, de verdade, não são as minhas umas mãos de lady ; nem sequer ricas de cuidados de manicures; são umas simples mãos de trabalho. De mulher.
Será?
E pensando, pensando, concluí que era chegado o tempo de rever a minha opinião sobre esta matéria e de repor a verdade .Uma verdade muito sentida uma vez debruçada sobre este tema.
Surgiu então esta elegia às minhas importantes mãos:
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Minhas mãos vazias…
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Cheias de tanto
Que desconhecia:
De energia no trabalho;
De coragem no desgosto;
De Amor, em carícias
Que posso fazer num rosto.
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Mãos que no desespero
me não abandonaram.
Que choraram comigo
Quando eu chorei.
Mãos que,
sem nunca pensar,
me acompanharam
quando um ser querido,
sozinha,
amortalhei.
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Mãos a quem devo tudo.
Mãos a quem quero agradecer
porque,
sempre comigo,
permitem
que eu possa escrever.
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E assim me vou.
Um abraço.