SOL

Dos Açores para o Mundo

Divagações de quem procura transmitir aquilo que lhe vai na ALMA
PRODUÇÃO DE BANANA NAS CANÁRIAS EM AMBIENTE PROTEGIDO
Sempre que vou de férias, aproveito para conhecer um pouco do desenvolvimento agrícola de cada localidade que tenho oportunidade de visitar. Aproveitando deste modo para aprender e principalmente comparar com as nossas praticas culturais. Muitas vezes chego à simples conclusão que, felizmente, muitas coisas já estão inventadas, experimentadas e com excelentes resultados. E que o que poderíamos fazer era somente aprender com eles e adaptar à nossa realidade. No entanto, e em muitas áreas, parece que somos orgulhos ou arrogantes e que evitamos ao máximo aprender com esses bons exemplos, preferindo, pelo contrário, começar tudo de novo, como fossemos inventar o que já foi inventado e experimentado há décadas. Com isso, e com essa óptica e mentalidade, arrastamo-nos e levamos muito tempo (eternidade) a implementar qualquer inovação, por mais básica que seja. A justificação é sempre a mesma…mentalidades! As Ilhas Canárias são as maiores produtoras de banana da Europa, com 412 mil toneladas produzidas em 2004, ocupando a primeira posição das regiões produtoras de banana da União Europeia, sendo que esse cultivo representa cerca de 30% da produção agrícola da Ilha, ocupando pouco mais de 25% das terras irrigadas. O cultivo da bananeira nessa região é a principal actividade económica para muitas localidades, gerando 25.000 postos de trabalho directos e outros 10.000 indirectos. Actualmente, nas Canárias, são cultivados mais de 3.000 ha de banana sob cultivo protegido, o que representa mais de um terço da área destinada a esse cultivo. O cultivo protegido é um sistema agrícola especializado no qual se controla o meio edafoclimático, alterando suas condições, tais como solo, temperatura, radiação solar, vento humidade e composição atmosférica. Mediante essas técnicas de protecção, cultivam-se plantas modificando o ambiente no qual serão produzidas, o que acarreta em alterações de seus ciclos, aumentando os rendimentos e melhorando a qualidade do produto final. Outras vantagens atribuídas ao cultivo da bananeira em ambiente protegido referem-se à melhor qualidade dos frutos, menores riscos de danos climáticos, melhor aproveitamento da água, maior facilidade ao emprego do cultivo orgânico, uma vez que forma-se uma barreira física entre o bananal e os insectos praga. O cultivo protegido para bananeira apresenta como principais vantagens a protecção contra o vento, aumento da temperatura, aumento da superfície foliar e redução do consumo de água. As estruturas das estufas apresentam, em geral, grande resistência ao vento, chegando a resistir a ventos superiores a 100 km/h.. A redução no consumo de água é devido a uma menor evapotranpiração que ocorre dentro das estufas (em torno de 25%), o que é de vital importância nas Canárias, pois a água tem custo muito elevado Outro aspecto importante do cultivo protegido é a possibilidade de melhor adequação da época de produção em função do mercado. No caso das Canárias, que sofre grande competição pelo mercado europeu por empresas multinacionais, o cultivo protegido se mostrou muito eficiente nesse aspecto cultural da bananeira. As estruturas são simples e de baixo custo, consistindo basicamente de uma estrutura vertical formada por tubos verticais internos onde se prendem cabos de aço ou arame, que dará sustentação à cobertura (redes).
Agricultura Segura – A produção e a protecção integrada - O Futuro Presente

A agricultura sustentável, produtiva e ambientalmente equilibrada, apoia-se em práticas agrícolas que promovam a biodiversidade e os processos biológicos naturais, utilizando o mínimo possível de produtos químicos.

O controlo biológico, cada vez mais assume-se como uma alternativa promissora para o controlo de pragas em sistemas agrícolas sustentáveis, visto constituir-se num processo natural de regulação do número de indivíduos da população da praga por acção dos agentes inimigos naturais ou agentes de controle biológico.

O homem através dos tempos, descobriu como manipular esses inimigos naturais para uso na agricultura, daí surgindo o Controlo Biológico Aplicado como uma biotecnologia baseada na utilização recursos genéticos microbianos, insectos predadores e parasitóides para o controle de pragas, especialmente os insectos e ácaros fitófagos, nos sistemas de produção agrícola.

No século III, os chineses utilizaram a predação de formigas (Oecophylla smaragdina) para o controlo de pragas de citrinos, marcando o início da história do uso do controle biológico de pragas agrícolas. Todavia, somente no século XX é que o controlo biológico passou a ser objecto de pesquisas constantes para sua implantação de forma mais presente e intensiva nos ecossistemas agrícolas.

Na agricultura convencional, os inimigos naturais (as pragas) são geralmente eliminadas com o recurso a pesticidas, muitas vezes extremamente agressivos para o ambiente, ecossistemas e saúde humana.  

Mundialmente, a tendência do controlo biológico é aumentar consideravelmente, atendendo aos problemas mundiais, derivados da utilização intensiva de práticas agrícolas agressivas ao meio ambiente.

 Em comparação ao controlo químico, o controlo biológico tem as seguintes vantagens: protege a biodiversidade, maior especificidade e, portanto, com menor risco de atingir organismos não-alvos (benéficos) , não deixa resíduos tóxicos em alimentos, água e solo e aumenta o lucro do produtor, uma vez que tende a ser mais barato que os pesticidas.

Basicamente, existem três estratégias pelas quais os inimigos naturais podem ser utilizados pelo homem para que causem redução no nível populacional de uma praga:

Controle Biológico Clássico – Envolve a importação de agentes de controlo biológico da região de origem da praga, seja de um país para outro, ou de uma região para outra, de modo a estabelecê-los permanentemente como novos elementos da fauna local.

Controle Biológico Aumentativo – Nessa estratégia, o inimigo natural é multiplicado em laboratórios especializados, portanto, envolve a criação ou produção massal do inimigo natural. Posteriormente, eles são libertados no campo no momento apropriado. Esse momento é decido baseando-se na biologia da praga alvo, de modo a sincronizar as libertações quando a praga encontra-se em seu estágio mais susceptível.

Controle Biológico por Conservação - Envolve a manutenção dos inimigos naturais nos ecossistemas ou fornecer condições de sobrevivência e reprodução e, consequentemente, aumentando sua efectividade. Nesse sentido, essa estratégia envolve, portanto, o manejo do habitat através de práticas agronómicas que vise o aumento e a preservação de inimigos naturais nos ecossistemas, destacando-se a incorporação de espécies vegetais que proporcionem recursos vitais (abrigo, microclima, pólen, néctar, hospedeiros alternativos etc.) para os inimigos naturais.

 

Frases que "tocam"
"As pessoas podem dividir-se em dois grupos: as que seguem na frente e fazem alguma coisa e as que vão atrás a criticar". Séneca
Sustentabilidade na agricultura

Os desiquilibrios ecológicos nas áreas agricolas, consequencia de uma agricultura intensiva, cada vez mais absorvedora de recursos, esta intimamente associada às mudanças  climáticas e às catástrofes ambientais. Torna-se  necessário a divulgação dos conceitos de sustentabilidade na agricultura moderna.

Por isso mesmo, é importante criar mecanismos que permitam o desenvolvimento da cultura de sustentabilidade na agricultura moderna e das boas práticas agrícolas. As necessidades cada vez maiores e mais urgentes por grandes quantidades de alimentos a baixos preços,  provocaram o aparecimento de pesticidas e adubos químicos muito poderosos e que provocaram uma acentuada degradação do solo e dos recursos hídricos.

 Paralelamente a isso, a desflorestação e o desmatamento sem qualquer ordenamento nem preocupação com a biodiversividade, tem contribuido para a alteração e a eliminação de determinados habitats, o que provoca ataques devastadores de novas e mais pragas.Hoje, a agricultura é como uma indústria e pretende explorar a terra com uma dramática eficiência.

O desenvolvimento da agricultura moderna juntamente com a sustentabilidade em torno das áreas agrícolas pode ser a chave para que  sejamos capazes de garantir uma melhor condição de vida para as populações que vivem da agricultura e para uma determinada localidade ou região.

 Reduzir a aplicação de produtos fitofarmaceuticos, evitar a contaminação das águas e o uso freqüente de adubos quimicos, pode promover uma recuperação das terras degradadas e já está provado que o rendimento por área plantada pode ser o mesmo ou ficar bem próximo do que já é conseguido hoje através das práticas “normais” de cultivo.

Adotando práticas preocupadas com a sustentabilidade, os agricultores poderão manter uma biodiversidade protetora nas áreas cultivadas e impedir o ataque constante de pragas. O que, por sua vez, reduzirá o uso de pesticidas poderosos. Desta maneira a aplicação de conhecimento e o desenvolvimento da sustentabilidade na agricultura pode promover uma maior conservação dos recursos naturais e da produtividade das áreas exploradas; reduzindo drasticamente o impacto da produção em larga escala no ambiente e otimizando a produção (e os lucros) com um mínimo de influência de produtos quimicos.

O paradigma a ser estabelecido para o desenvolvimento da sustentabilidade na agricultura deve ser a não diferenciação da evolução tecnológica e produtiva do desenvolvimento humano. Além disso, o Governo deve ter um papel decisivo na implementação desses paradigmas e desses conceitos. Fomentando e incentivando as  novas técnicas e dando apoio fiscal e financeiro para os projetos que desejarem seguir esses caminhos.

 

O Destino é Tramado

Ás vezes ponho a matutar sobre a fortuna de cada um de nós. E sempre que o faço fico abatido. Não faz sentido. Não faz qualquer sentido. Encontro pessoas que nasceram pobres. Foram toda a sua vida batalhadoras. Seguindo bons princípios, muitas vezes fundamentados na religião católica. Pessoas de uma pureza e bondade cândida. Pessoas que toda a sua vida procuraram o bem comum, acreditando piamente que o mundo era diferente. Pessoas que eu olho para elas e digo, merecem tudo, merecem ser felizes. Pessoas com uma fragilidade e uma delicadeza tão grande que vivem na sua redoma desfasadas de um mundo  cheio de espinhos. E observo. Presencio à infelicidade destas pessoas. Assisto com pesar ao seu sofrimento, tentando perceber porque não há razão. Parece que a estas pessoas tudo acontece, de mal, doenças, divórcios, abusos, azares, infortúnios! E revolta. Faz pensar. Se estas não merecem tudo de bom, então quem deve?!  Não está tudo trocado?! Os que parecem ter melhor sorte são os opostos ! Faz sentido ?! Os que apresentam uma conduta completamente diferente ou melhor um comportamento avassalador sem olhar a princípios, concentrados somente na sua pessoa. Sentimentos. Visões. Interpretações. Deus onde estás ?

Medidas Novas – Adaptação Rápida e Corajosa à Nova Realidade

 

PEC 1, 2,3,4,5,…n,…, quantos mais serão necessários ? Parece uma novela. Mexicana ou Venezuelana. A Crónica de uma morte anunciada !

Essa tentativa de “proteger” os portugueses da realidade, amortecendo os efeitos da crise, convencidos  que com o passar do tempo mais facilmente se habituarão e se adaptarão, naturalmente, será a melhor solução ? Não terá mais custos ? Um preço mais elevado a pagar ?

Tenho dúvidas, muitas dúvidas. Penso eu, que devíamos ser mais audazes, realistas e radicais. Qualquer problema se não for atacado na sua raiz, não será resolvido, será sim remediado.

A coragem de enfrentar a realidade, nua e crua, implica um único PEC com o alcance e a dimensão necessária e sobretudo os efeitos desejados. Julgo ser mais facilmente aceite pelo povo. Talvez não o seja pelos partidos. Nem pelo governo, que não pode continuar a querer governar sem uma maioria. Dizem-me que as medidas seriam tantas e austeras que não se poderiam suportar. Talvez. Mas não estaríamos a adiar o inevitável e a camuflar a realidade. E sobretudo quanto mais depressa enfrentarmos a crise mais rapidamente podemos sair dela.

Muito se fala da administração publica. No peso excessivo da função publica. No excesso de quadros e chefias afetos aos organismos públicos. Muitos são profissionais altamente qualificados e muitos mais, infelizmente, mal aproveitados. Pelo contrário muito do nosso tecido empresarial (micro e pequenas empresas), precisa de pessoal altamente qualificado, principalmente em áreas de gestão e de investigação & desenvolvimento. Precisa mas tem grandes dificuldades, naturais, em conseguir “aguentar” profissionais com esse gabarito nos seus quadros.

Porque não os aproveitar melhor ? Porque não investir numa transição ? Um pouco na mesma linha do que se fez, e bem, com os estagiários L, poderia ser feito com técnicos da função publica. Exercerem funções nas empresas (que aderirem), durante um ano ou mais (durante esse período de tempo vinculados à função publica), findo esse prazo podiam ser integrados totalmente nas empresas (caso assim fosse justificável e aceite pela empresa) ou em regime de part-time (função publica e empresa). Penso eu, que as micro e pequenas empresas poderiam evoluir com esses recursos humanos qualificados, possibilitando a criação de mais riqueza para as empresas e para a sociedade.

As Forças Politicas

Dizem por ai que os jovens deviam participar mais, intervir mais, fazer parte dos partidos, que podíamos ganhar com isso.

Parece uma verdade de la palice. Mas porque não acontece ! Porque cada vez mais os jovens estão a afastar-se ? Vários fatores. Um deles é a imagem negativa, infelizmente, da politica actual, fruto de más politicas e de um aproveitamento pessoal da politica em detrimento do serviço social. Outra é a falta de identificação e de percepção das ideologias vigentes. Ninguém consegue perceber o que é ser socialista, comunista ou social-democrata. Os partidos parece que esqueceram as suas ideologias e atuam ao sabor do vento, como quem diz conforme a opinião publica. Os meios de comunicação atuais são a maior arma dos partidos, aparecer é preciso. Marketing, muito marketing politico. E as ideologias, as diferenças entre partidos ? Parece pouco clara. A imagem é o que conta.

Mas também todos já perceberam que as ideologias estão obsoletas, estão completamente desadequadas ao nossos tempos. Todas elas. Mas também nunca vi reformas ! Nunca vi um partido a reescrever as suas ideologias (aberta à sociedade civil).

Há empresas que fazem fusões, reestruturações, aquisições, etc. porque não se faz o mesmo com os partidos ? Porque não se criam partidos novos com ideologias novas ? Que possam originar forças politicas distintas, que sigam esse manifesto e que o mesmo seja sempre o porta estandarte do partido e não uma figura humana.

A falta de um líder

É incrível a falta que faz um líder nos nossos tempos! Alguém que possa ser a voz de toda uma geração amarrada, amordaçada e temerosa, que tendo um elevado capital intelectual é no entanto manipulada e empurrada por uma geração egoísta, monopolista e que usa armas aprendidas e apreendidas na escola da vida.

Com isso perdemos todos. Perde o país. Que falta faz um líder. Alguém que quebre as amarras que possa ser o símbolo e a esperança dessa nova geração. Um revolucionário que todos possam se identificar. Mais do mesmo, não, já todos percebem ao longe, sentem logo pelo cheiro, pelo porte. Não se esqueçam que a geração é evoluída intelectualmente, já não é parva, já não se deixa enganar, por isso muito mais exigente.

 E não é um Coelho que as convence, é sim um sinal, um grito, talvez um aviso. Precisam e continuam á espera de alguém que possa emergir de entre eles, um como eles, que não seja corrompido, que possa lutar por eles. Mas como? Como poderá ser possível? Um novo Jesus Cristo. Enquanto isso vão vivendo…libertando as frustrações, as angustias e a incompreensão. Direccionam o seu elevado potencial para outras actividades lícitas e ilícitas, vivem o seu mundo, criam o seu mundo, fechado, cada vez mais fechado. E perdem. Perdemos nós. Vencem os mesmos.

A VERDADE DA MENTIRA

Julien Assange, foi a figura do ano de 2010, ele apresentou-se ao mundo através da sua organização WikiLeaks e conseguiu por a descoberto muito do que não se sabia.

Mas não foi a primeira vez que alguém despejou para a opinião publica um conjunto de documentos secretos do governo dos EUA. Em 1971, Daniel Ellsberg teve a mesma proeza. Através da divulgação de documentos do Pentágono, comprovou-se, pela primeira vez, algo que muita gente já suspeitava: que o governo dos EUA mentiu aos cidadãos. Enquanto o governo dizia ao povo que tinha intenção de promover a retirada do Vietname, os documentos revelaram que na realidade o governo estava era a promover a escalada massiva na guerra.

Ellsberg enfrentou ameaças de prisão, de assassinado, de condenação por alta traição – o que se pode imaginar e também o inimaginável, por ter exposto a verdade ao mundo. Conseguiu obter e divulgar a primeira evidência tangível de que o governo dos EUA mentira descaradamente aos cidadãos.

Alguns anos depois, já ninguém condenava Ellsberg por expor a verdade, e todos condenávam os governos corruptos. Ellsberg, em pouco tempo, passou a ser tratado como herói, não como traidor

Ellsberg viveu numa geração de hippies – geração que valorizava a integridade e a verdade como princípio de vida–, e a revelação de Ellsberg incendiou a indignação pública como faísca em mato seco.

Quarenta anos depois, Julian Assange apresenta-se no cenário mundial com sua organização WikiLeaks, como um Ellsberg do século 21. A Wikileaks divulga documentos em escala jamais vista antes, enormemente mais ampla que as 1.000 páginas dos Documentos do Pentágono. O que revela, inclusive informação nova sobre assassinatos e tortura no Iraque depois de Abu Ghraib, entre elas 66.081 mortos iraquianos civis, provavelmente ainda mais chocante que as informações contidas nos Documentos do Pentágono. E, surpreendentemente, todos só falam sobre o homem que vazou a informação, que seria alguma coisa entre um idiota e um traidor; e ninguém comenta o conteúdo das novas informações.

Todo a atenção sobre WikiLeaks parece concentrada sobre acusações de crime sexual que teria sido praticado pelo autor  na Suécia, ou sobre notícias de que o homem teria personalidade de ditador. Daniel Ellsberg disse ao New York Times que esperou “quarenta anos por alguém que divulgasse informação secreta em escala que realmente fizesse diferença”. Mas a verdade distribuida por WiliLeaks parece não fazer diferença alguma. A verdade é que, sim, o mundo mudou muito entre os anos de Ellsberg e os anos de Assange. Hoje, quando a nova informação que Assange afinal expôs ao mundo deveria ter provocado protestos de massa e clamor crescente por transparência e responsabilidade em tudo que os governos digam aos cidadãos, a espantosa maioria dos cidadãos e absolutamente toda da imprensa só fala sobre Assange, e em quase todos os casos contra Assange.

É como se Assange tivesse nascido em momento errado. Como se tivesse de esforçar-se muito para impor a verdade num mundo que já não manifesta qualquer apetite pela verdade.

Se temos fome, queremos uma cana

Ao viajar na Sata e durante a degustação do snack fornecido pela tripulação, comecei a cogitar comigo próprio (interessante esta capacidade que temos de estar sempre a aprender). Não encontrei um único produto dos Açores. Coca-cola, Sprite, Compal, fruta enlatatada, Vinhos, etc. tudo de fora da Região. A minha única duvida quedou-se pelo pão e pelo queijo, mas presumo que também não sejam dos Açores.

Sendo a Sata Açoriana e de capitais maioritariamente públicos, não seria possível colocar aqui os nossos produtos?! Mesmo subsidiados, eu veria com bons olhos, aplaudiria todas as medidas neste sentido. Se todas as empresas regionais só adquirissem produtos açorianos, penso eu, estaríamos a contribuir para a nossa economia e para a divulgação dos nossos produtos, possivelmente com um forte incremento no orgulho daquilo que é nosso.

Não sei é se seria inconstitucional, isto não sei, mas também não me compete saber, é só uma ideia, resultado de uma simples observação.

O Pais em que vivemos

Cada vez fico mais assustado e desiludido com o meu pais. É triste dizer isso, mas é verdade. Todas as notícias, constantes e contínuas, têm sido o grande catalizador do meu actual estado de espírito. Todos os dias são casos novos, burlas, falsificações, milhões para um, mais milhões para o outro, redes de interesse envolvidas, todos os estratos sociais envolvidos, figuras com os mais altos cargos na sociedade, com elevada responsabilidade, em quem depositávamos esperança e respeito. Chegamos a um ponto em que não sabemos quem serão os próximos, quem mais estará envolvido, qual será o próximo facto consumado. É lamentável. É deprimente. Ainda o outro dia despedi-me de um colega, emigrou, com a família, não por necessidade, opção própria. A última coisa que me disse, foi que não estava preocupado consigo, mas sim com os filhos, e não queria Portugal para eles, não via futuro. Dura realidade.

Com todos essas apreensões policiais e investigações, não é de admirar que o pais tenha chegado onde chegou, só não percebo porque só agora se desencadeou todos esses processos. Só agora é que estão a descobrir todo esse festival próprio de uma republica das bananas que só tinha a preocupação da imagem. E parece que estamos só na ponta do iceberg. Ninguém sabe, suspeitamos, da verdadeira extensão do polvo. Mais triste mesmo é que quem sofre, para não variar, é o elo mais fraco, sempre foi assim e sempre será, aguenta-te povo. Mais extravagante é perante esses cenários, a iminência de uma crise sem precedentes, os partidos políticos continuarem a preocupar-se com os seus jogos políticos, de sempre, relegando para segundo plano o que realmente interessa, a resolução do orçamento de estado. A inquietação é que ganhará o braço de ferro, que sairá para a opinião publica a declamar-se vencedor! Surreal. Sem dúvida. Somos todos perdedores. Todos.

CORTES NA SAUDE

As últimas noticias, vindas a publico, de cortes na saúde, são alarmantes. Desde a primeira hora que senti que estavam a “pisar” em terreno muito sensível, não fosse a saúde o nosso bem mais precioso e aquele que devemos e queremos preservar em primeira instância. Por isso, quando comecei a ouvir as primeiras notícias, fiquei, numa primeira fase, apreensivo, matutei nas consequências, na necessidade dos cortes e de que incisões estariam a falar. Estou completamente de acordo que façam reduções, que se optimize tudo, que façam uma gestão adequada, que procurem poupar em alguns gastos, normalmente naquilo que é possível e viável reduzir, isso faz parte de qualquer boa gestão, de qualquer empresa. Fiquei desconfiado, com a projecção dada à volta das reduções na saúde, as noticias começaram a sair e serem lançadas como se tratasse de uma façanha sem precedentes. Falou-se numa equipa de consultores especializada na matéria, que já tinha reduzido tantos por cento, que iriam conseguir mais, etc. comecei a ficar convencido que na saúde, há muito despessismo, muito para cortar, por outro lado, comecei a ficar preocupado, porque essas não deveriam ser as verdadeiras prioridades no sector, pelo menos não deveriam ser as com mais projecção, as que fossem prioritárias, julgava eu, na minha ingenuidade. Infelizmente as noticias não ficaram por ai. Chegou-se ao ponto de limitar os especialistas nas urgências! Retirar a pediatria à noite! Eu que já tive de ir mais do que uma vez com a minha filha ao Hospital, de noite e de dia, que felizmente sempre encontrei um especialista de serviço, que me queixava que ele (s) tinham muito trabalho e que não estavam a dar a atenção devida/merecida á minha filha, como será a partir de agora? Como será a partir do momento em que o próprio director da pediatria pede para lhe tirar a sua idoneidade! Só pergunto uma coisa. Não poderiam ter cortado em outros sectores? Em outros departamentos da administração publica? Tinha de ser na saúde! tinha de começar pela saúde! Não faz sentido. Nem temos alternativa. Era mais aceitável (julgo eu) que se introduzisse taxas, pagas conforme o rendimento de cada pessoa, para essas situações pontuais e que são de maior custo para o hospital (noites, feriados, prevenções, etc.). Sempre que fui ao Hospital (nunca vamos porque queremos ir mas sim porque temos de ir), critiquei o tempo de espera, a quantidade de pessoas para poucos médicos, até, confesso, pus em causa o serviço dos médicos, perante o cenário e as dificuldades e stress vigente. A partir de agora como será? A partir de agora, chego a ter medo em ir parar ao Hospital!

 

 

O PODER ECONÓMICO

 

O poder económico controla o poder político, dirige os governos, impõe a sua estratégia, condiciona a opinião pública e estabelece as regras e orientações a seguir. Nós, comuns cidadãos, nem nos apercebemos disso, nem sabemos quem está no cimo da pirâmide, quem na realidade controla o mundo.

Só 2% concentram metade da riqueza mundial ! A riqueza mundial está concentrada nas mãos de poucas pessoas, isso é um facto. Essa realidade têm gerado muita especulação em torno de quem são os “donos do mundo”, como eles manipulam e decidem a vida do planeta.

Muitas teorias existem, muita tinta já se escreveu sobre os iluminados e grupos de poder mundial, da sua capacidade de escolher os líderes mundiais, o presidente dos Estados Unidos e de manipularem a impressa e com isso as grandes massas. Para que objectivos, para que propósitos? Qual a finalidade desses encontros, dessas reuniões secretas ? Há quem defenda que simplesmente preocupam-se com os seus negócios, com as suas actividades e querem garantir a expansão e permanência da mesma, outros afirmam que há algo mais, há ideias precedentes e uma ideologia a seguir, uma nova ordem mundial, que é habilmente discutida e seguida. Especulações, estórias, verdade ou ficção ? A verdade é que não somos livres (embora o desejássemos ou pensássemos ser ) e o mundo é cada vez mais um “Big Brother”, em que somos meras marionetas
Ser Cinzento

Quando somos miúdos, putos, crianças, ou lá como queiram chamar, somos lunáticos, acreditamos em tudo, cremos que somos imortais, pensamos que somos capazes de mudar o mundo, que tudo é possível, que tudo é eterno. Sonhos…vivemos deles. Com o crescimento vamos esbarrando contra várias barreiras, vários obstáculos, intransponíveis, que nos fazem ver a vida de outra perspectiva, mais realista, mais cinzenta, sem dúvida.

Nunca perder a capacidade de sonhar é importante, viver é preciso, o sonho é só teu, só tu é que tens de acreditar nele, lutar por ele, mesmo que tudo e todos o menosprezem, mesmo que tudo e todos não acreditem. E o mais normal é que ninguém acredite mesmo, que o depreciem, é próprio do mundo cinzento, de quem deixou de acreditar e de sonhar, os ditos adultos, crescidos, realistas e fortes. Pois são, na realidade,  máquinas, autónomos, que deixaram de ter qualquer capacidade de sonhar, ficando agarrados ao medo e à segurança, quando a única garantia é que envelhecemos e depois morremos. Medo de mudar porque estamos bem assim, receio de inovar porque sempre se fez assim, pânico de investir porque podemos perder. Sentimo-nos seguros, fortes, prontos e com capacidade para as demais batalhas, já nada abala o cinzentão, nada nem ninguém. Amealha muito, trabalho e mais trabalho, o objectivo é armazenar e guardar, a segurança sempre em primeiro lugar, ter dinheiro é segurança, é o apogeu da segurança, é o vicio dos vícios dos cinzentos, amealhar e amealhar, torna-se uma obsessão, um objectivo de vida, deixando para ultimo reduto qualquer outro sentimento, qualquer outro valor. E a vida é tão curta.

A Insegurança na Agricultura

Hoje em dia o que mais assusta os agricultores, não é a falta de apoios e/ou de incentivos, mas sim a insegurança. São várias as quintas abandonadas, aliás, a existência de uma quinta/prédio em produção é uma excepção à regra, sendo logo objecto de estupefacção e de estudo.

A verdade é que não se pense que não existem bons terrenos, boas quintas, prédios com condições e com infra-estruturas mais que suficientes para se produzir de tudo, existem, aliás abundam, só que, infelizmente, estão abandonadas, viradas mato, para grande desgosto dos seus proprietários que não vivendo da terra, viam nela um hobby saudável e agradável, com algum retorno financeiro, pelo menos numa óptica de economia familiar. A insegurança, mais do que uma realidade é um grave problema social, que infelizmente continua sem solução e parece que se agrava de ano para ano. Quem contacta com os seus proprietários, constata facilmente, que a preocupação é comum, todos tiveram experiencias negativas e crescentes de furtos ou vandalismo. Tantas são as experiencias e histórias contadas. Todas com um denominador comum, vencem os larápios. Os proprietários, são sempre o elo mais fraco, perante um cenário de escassez de resposta pelas forças de segurança, acabam por desistir, deixando ao abandono os terrenos, restando somente a frustração e o inconformismo de quem foi obrigado a desistir e abandonar algo que tanto lutara, que tanto apreciava e que tanto orgulho tinha. É desolador ouvir esses relatos, de tanta e tanta gente que aponta logo o dedo à sociedade, às forças de segurança e à permissividade da lei. “Apanham o larápio, no outro dia está cá fora outra vez…”, “Antigamente tinham medo, eram apanhados e ficavam presos, chegavam mesmo a levar porrada…” são as frases mais ouvidas.  A verdade é que já houve mais segurança e com menos forças de policiais, hoje em dia há mais forças de segurança e os problemas aumentam. Como se resolve esse flagelo? Quem põe cobro a esse tormento? Que leis são necessárias? Quem tem a resposta? São algumas das respostas que os agricultores gostariam de ouvir.

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