SOL

 

 

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"Magia bonita… sorriso de mar… abraço de luz… sinto-te algures na escadinha do arco-iris, pintando feitiços, arrepios de cores."

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Nos restos desta noite, no princípio da manhã,  queria ver o alvor do teu desejo sobre o meu banal corpo, derramar-se como um líquido nascente.

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Nenhuma estrela nos guia no mundo, nenhuma palavra dos livros, nenhum fio por entre o labirinto das horas. Somos o caminho que fazemos: erros sucessivos, perdas, muros erguidos contra o rumo dos astros, o orgulho, as primeiras lágrimas, a ilusão do amor.

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Quando te escuto

o mar é o som que amplio.

Quando te toco

cresço na areia salgando a espuma.

Quando te sei

o infinito é consequência.

Quando te olho

a gaivota nidifica.

Quando te apartas

morre-me o silêncio.

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Quando já se contemplou de todos os ângulos a incidência das manhãs e se conhece bem a noite por dentro, palmo a palmo, sombra a sombra, medo a medo, o valor inexacto de uma renúncia é um desconhecimento que se aceita porque também se sabe que todos os dias se perde um pouco o que se ama.

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Não digas nada.

Talvez não exista nada, nada,

Nesse reino – que esquecemos - das palavras.

Não digas nada. Essa curva

do teu braço docemente

sobre a curva dos meus olhos

deve dizer o que ainda

felizmente não dissemos.

Não digas nada. Lá fora

a noite corre para onde?

Os homens falam? Existem?

Nada existe. Nada corre.

Está tudo vivo e nós mortos.

Está tudo morto e nós vivos.

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Ela queria fazer tudo: picar-se no dedo, morder a maçã, seguir o coelho… mas ao fechar os olhos esborrataram-se os sonhos.

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É só isto… vem sem aviso. Em pequeninas doses. E vai como veio,  talvez com um pouco menos de ruído. É só isto a felicidade -  um sorriso a abrir o nevoeiro.

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Estou à procura, procura do vento. Porque a minha vontade tem o tamanho de uma lei da terra. Porque a minha força determina a passagem do tempo. Eu quero.

Eu sou capaz de lançar um grito para dentro de mim, que arranca árvores pelas raízes, que explode veias em todos os corpos, que trespassa o mundo. Eu sou capaz de correr através desse grito, à sua velocidade, contra tudo o que se lança para deter-me, contra tudo o que se levanta no meu caminho, contra mim próprio. Eu quero.

Porque a minha vontade me regenera, faz-me nascer, renascer.

Porque a minha força é imortal."

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Estou perdidamente emaranhada

Nos teus fios de delícias e doçuras.

Já não encontro o começo da meada,

não sei nem mesmo

se há uma ponta de saída,

ou se a loucura

vai num ritmo crescente

até subjugar a minha vida.

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A felicidade tem a temperatura do teu colo. A chuva a fechar a noite, os cobertores a aquecerem-nos o coração, o meu cansaço, a tua mão no meu cabelo. O mar podia entrar agora pelo chão da sala, invadir o sofá, que nem assim eu acordaria.

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O meu acordar é agora o anúncio de um harmonioso tríptico em que se transformaram os meus dias: à esquerda, a alvorada, cheia de amarelos a sublinhar o balanço da sua encantadora voz; no centro, em tons pastel e rosas marmóreos, “a sua ausência de pedra desenhada”, e à direita, em tons de vermelho a desmaiar em arroubos de laranja, a fortaleza dos seus abraços.

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É preciso pensar com as mãos!

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