SOL

PEDRA DE TOQUE

Porque ser Cidadão é pensar... E porque pensar é existir...
Ser Cidadão em Portugal

Qualquer um de nós, o "Cidadão", ainda que muitas vezes apenas formalmente, tem à sua disposição pelo menos dois estilos de vida. O mais egoísta, pensando apenas na sua satisfação pessoal. O mais envolvido com a comunidade, pensando em como esta se deve organizar e qual o destino colectivo para a comunidade em que se encontra inserido.

 

Desenvolvendo, o estivo de vida mais comprometido com a comunidade, implica que o Cidadão pense (coisa que é de evitar quando se opta apenas pela satisfação pessoal). Ora, o Cidadão pensando no tal destino colectivo da comunidade, chega, inevitavelmente, ao “Estado da Nação”, e fica deprimido.

 

De seguida, após ouvir de umas quantas pessoas avisadas e próximas, a inevitável frase: “Não devias pensar nisso”, acompanhada de um sério aviso, “ainda te lixas…”, O cidadão pensa, se calhar têm razão! Que isto de uma pessoa se expor e dizer o que pensa, ainda que de forma respeitosa, só acontece em países democráticos onde há espaços de debate públicos e a opinião divergente é valorizada (ou pelo menos permitida). Ora estamos em Portugal, e tirando alguns jornais… Bom…

 

Acontece que o Cidadão é teimoso e quer mesmo participar em debates públicos, emitir a sua opinião, sujeitar-se à crítica de outros com opinião diferente, enfim participar. Tomada essa decisão, o cidadão depara-se imediatamente com dois enormes monstros… Ser de Direita ou ser de Esquerda. O primeiro monstro é tido por ser o defensor da iniciativa privada e da propriedade, mas tem às costas a culpa de com ele estarem os neo-liberais, causadores da actual crise mundial. O segundo monstro é tido por ser o defensor dos trabalhadores e da colectivização dos meios de produção, mas tem às suas costas a culpa de ter engordado o Estado de tal maneira que, grande parte do que se produz, é directamente gasto a alimentar este “monstro”.

 

Ora, o Cidadão após ponderar bem, tem essencialmente duas hipóteses, ou não pensa, e escolhe de acordo com as amizades (e mais valia ter ficado pela satisfação pessoal, e poupava todo este esforço mental), ou pensa um pouco e, inevitavelmente chega à conclusão que nem a Esquerda nem a Direita o satisfazem intelectualmente, pois não respondem cabalmente a nenhuma das questões que, hoje em dia, perturbam a sociedade. Chegado a esta conclusão, ao Cidadão são oferecidas, pelo menos duas vias, a mais comum é a do “são todos iguais”, frase que tem soundbites, e que repetida muitas vezes pode servir de tónico para quase tudo o que se vê na TV, nos dias que correm (tem ainda o efeito prático de ser um óptimo desbloqueador de conversa, sendo que, de seguida, se podem despejar os chorrilhos de situações deprimentes que o confirmam).

 

No entanto, admitido que o Cidadão não terá ido tão longe no seu pensamento (e acreditem que chegar aqui é ir bastante longe), para desistir de forma tão inglória. O Cidadão admite a hipótese de que para pensar o destino colectivo de forma coerente e consequente, há que ultrapassar esse dicotomia entre a Direita e a Esquerda, raciocinando, caso a caso, com sustentação ideológica mas também financeira, sobre o que será indispensável que o Estado assuma, e o que será para além das tarefas “Estaduais”. Por outro lado temos a questão da intensidade, ou seja, com que vigor é que queremos que o Estado participe ou desempenhe as suas “tarefas”, na defesa e segurança, com o máximo da sua capacidade, na saúde, apoio social e educação, com o mesmo empenho, mas e nas comunicações? Nos transportes? Na habitação? Na energia? Na defesa das pescas? Na defesa da agricultura?

 

Claro que o Cidadão vai sentir-se esmagado por aqueles que, virtude da sua educação muito contextualizada temporalmente, ou por filiação partidária ou mera conveniência, o vão permanentemente querer reconduzir a catalogação de ser de “Esquerda” ou ser de “Direita”. Claro que, o Cidadão vai ser rotulado de “mais um” à procura do tacho. Claro que, o Cidadão vai assistir a muita boa gente que primeiro lhe atira pedras, depois rouba-lhe as propostas, furta-lhe os argumentos, subtrai-lhe as razões. Mas o Cidadão não se importa… O Cidadão resiste a tudo isso, porque quem tem alma de Cidadão é resistente, é resiliente, mas acima de tudo, é sempre paciente.

Posted: segunda-feira, 19 de Julho de 2010 12:26 por betamiodealmeida
Arquivado em: ,

Comentários

Sem Comentários

Para comentar necessita de estar registado