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Imagens caídas

Uma imagem vale mais do que mil palavras. Porque não fazer o contrário? Com as palavras construir e falar de imagens.

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O Sexo no Cinema I - Um post com bolinha - Maiores 16

Aviso à navegação, este post tem cenas potencialmente chocantes.

Vou mesmo falar de sexo no cinema, de uma forma nua e crua. Assim, quem for mais sensível pode e deve fazer return e não se incomodar mais. Obrigado pela Visita.

Aviso à outra navegação, a mais voyeurista, este post, apesar de abordar o sexo, não tem imagens, estão caídas, lembram-se?

 

Imagem 1  - O equilibrista

James tenta fazer sexo oral a ele próprio. Após várias tentativas, consegue uma posição bastante contorcionada em que chega ao pénis. A sua própria câmara filma a cena. Um vizinho, secretamente, filma-o também, através da janela. James ejacula sobre a sua própria cara. Nada é escondido, a nudez, o pénis, a ejaculação e o sémen são apresentados friamente.

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Imagem 2  - Sexo banal afinal

Sofia tem uma relação sexual com o seu marido, Rob. A sua envolvência parece cheia de desejo, tal é a força com que fazem os movimentos sexuais. Procuram diferentes posições. A penetração é filmada sem artifícios. Rob atinge o clímax após uma série de movimentos pélvicos bastante fortes.

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Imagem 3  - Quanto mais me bates

Severine, uma dominatriz, chicoteia um rapaz, seu cliente, que está amarrado. Insulta-o. Ele parece ter muito prazer com isso. Ela torna-se mais feroz. Ele delira cada vez mais, até atingir o orgasmo. O resultado da sua ejaculação acaba por sair disparado e atingir um quadro, pintura abstracta, que está na parede. O líquido a escorrer parece fazer parte da própria pintura.

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As 3 cenas que descrevi, não são invenção minha. São o início do filme Shortbus, um filme independente americano do John Cameron Mitchell. Por vezes, para me desintoxicar um pouco das fornadas industriais de cinema made in Hollywood (que considero muito bom) vou ver assim umas obras independentes ou de cinematografias alternativas, sobretudo europeias, não excluindo as ditas por vezes de exóticas. Na maioria dos casos aborreço-me de morte, porque além de toda a vontade artística inerente à criação (olha o plano lindo, para o Festival!), faltam-lhe, por vezes, algum rigor técnico, como ritmo, montagem eficiente, bons desempenhos artísticos, boa cenografia, duração adequada e por aí fora. Outras vezes, em menor quantidade, consigo interessar-me, porque ainda me conseguem surpreender. Foi o caso.

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Sobre o filme falarei mais abaixo. A questão que me traz aqui a estas linhas diz respeito à abordagem do sexo no cinema e do seu declínio nos últimos tempos.

O sexo no cinema está quase desde o início. Umas vezes subentendido outra vez explicito. Este último acabou por ter uma carreira paralela, o cinema pornográfico, e nunca foi considerado cinema propriamente dito, mas sim apenas uma variação, em imagens animadas, de outro fenómeno sexual, a pornografia. A questão da pornografia abordarei talvez num próximo post, agora quero falar apenas do sexo no cinema, dito normal.

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O sexo no cinema, até aos anos 60, teve sempre um inimigo muito grande, o próprio público. Não porque este não o gostasse de ver, mas porque a moral conservadora não permitia que fossem exibidos conteúdos sexuais, muitas vezes até a sugestão era proibida, o que fazia com as pessoas, que tanto gostavam do assunto, não admitissem em público esse desejo.

Mais tarde, com a revolução sexual, a coisa pôde começar a ser mostrada, mas aí voltou a haver um outro inimigo, senão o mesmo, a classificação. Na Europa a situação foi mais fácil, porque tudo se resolveu às classificações por idades, mas nos EUA a situação foi mais complexa, pois alem da idade, havia restrição quanto às salas pois os filmes classificados de X e R não podiam passar nas salas normais.

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O sexo no cinema pode-se resumir a 3 tipos de cenas:

    • A Sugestão Sexual
    • A nudez
    • Acto sexual

 

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Sugestão Sexual

Todos nós conhecemos aquela famosa frase do melhor do que mostrar é sugerir. Intelectualmente todos aceitam, mas na boa da verdade não é bem assim. O cineasta até pode criar um efeito giro, de fumo e vidro embaciado, para sugerir que a Angelina Jolie está a tomar banho, o certo é que se pudéssemos, se o cinema fosse inteiramente interactivo, toda a malta punha a câmara do lado de lá do vidro do chuveiro para ver bem as gotas de água a caírem no corpinho da Angelina. A cena até pode ter um bom enquadramento com o Brad Pitt a mostrar um pouco dos seus glúteos por debaixo do lençol, o certo é que a senhoras todas, e não só, puxariam já de imediato, com a câmara, o maldito lençol que não está ali a fazer nada. Ou seja, a velha máxima do sugerir e do não mostrar é mais uma das muitas mentiras que se contam sobre o sexo, mentiras essas que serão objecto de um post autónomo, enquadrado numa trilogia sobre o sexo (isto não só os americanos a terem o exclusivo dos números romanos nas usa obras).

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Mesmo com estes constrangimentos a sugestão, por vezes, tem piada e já criou algumas das muito boas cena do cinema. Imaginar o que poderia ter acontecido é um grande exercício de fantasia e faz crescer à água na boca. Podemos dividir a sugestão sexual no cinema em 7 tipos (lá vem teoria pseudo analítica!):

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Madre teresa

Uma sugestão que pode ocorrer em plena missa, numa escolinha, num lar de velhinhos, na sessão duma Assembleia de Deputados, em qualquer parte, pois é de tal forma inocente que ninguém leva a mal. Também é certo que quase ninguém repara que ela existe. O quê, esse lencinho no ar era um convite para ir para a cama comigo? Pensava que queria afastar um mosquito.

Podemos encontrar esse tipo de sugestão nas comédias românticas ou de acção para toda a família.

 

Boquinhas

O jeitinho que se dá à boca, tipo homem do Martini, aos olhos, tipo matador, ou ao cabelo, tipo anúncio de shampoo, são por vezes indiciadores que ali há algo mais do que um simples tique congénito. O problema é que se não tiverem cuidado no doseamento, e em muitos filmes não têm, mais parece uma técnica de engate rafeiro numa qualquer discoteca a alta horas da madrugada.

Este tipo tem muito a ver com a actriz ou actor que é protagonista do filme, pois ele é mais gerado sempre que há estrelato por um galã oxigenado ou por uma pin up de silicone. Claro que há aqueles casos que, por uma característica física congénita, parecem não saírem destas insinuações. Angelina Jolie e Scarlett Johansson, mesmo que nada façam, mesmo que estejam a ler a conta do supermercado, sempre que abrem as boquinhas parecem que já me convidaram para pernoitar nos seus lençóis.

 

Roupinhas

Semelhantes às boquinhas, existe uma outra forma de dar o corpo ao manifesto, mas desta vez com ajuda externa. Assim o vestuário e seus adereços aparecem muitas vezes nos filmes a indiciar o cariz sexual da cena. O normal é ser vestida para matar, o eterno vestido vermelho decotado e justo, os sapatos altos, o colar de pérolas num decote nu, etc, fazem por vezes muito mais calor do que o todo o elenco da Playboy numa praia dos trópicos. Esta técnica ultrapassa em muito o cinema e vai desaguar no eterno fenómeno do Fetiche associado a muitas peças de vestuário.

Mas se vestidas já são o que são, imagine-se o que será despi-las. Lembram-se do famoso chapéu da Kim Basinger em 9 semanas e meia? Acabou por ter mais importância que a própria nudez da actriz.

Mas o ex-libris deste tipo de cenas, para mim, está num par de luvas que Rita Hayworth tirou cantado Put the blame on Mamee no filme Gilda, pois a forma como ela as tirou insinuou um perfeito e fogoso strip-tease. Glenn Ford quase que ia ardendo ao ver a cena. E a censura também quando viu aquilo, só que já era tarde demais. Muitos países proibiram Gilda por personificar a tentação da carne.

 

Trolha

(Homem das Obras)

Uma insinuação de tão básica e rasteira, que quase o deixa de ser. Bronco mais bronco, não há. É o equivalente ao piropo brejeiro e rasca vindo de um qualquer andaime de uma qualquer obra portuguesa: Ó filha és tão boa que te comia todo! Dito assim parece que nem devia figurar como insinuação, mas o que é certo é que este tipo de alarvidade está em abundância no cinema como cogumelos.

Onde? Especialmente nos filmes de e para adolescentes, os filmes tipo “Borbulha”, onde se fala 10 vezes em sexo por cada 5 palavras proferidas. Não vamos vais longe, American Pie está aí para não me deixar mentir. Mas se quiser ser ainda mais profundo, basta a minha geração puxar pela memória e lembra-se de uma série de vómito chamado Porky’s. Para termos um bom indicador deste género basta estarmos atentos a qualquer filme onde participe Seann William Scott, um rapaz que de capacete e martelo de pedreiro fazia uma linda figura numa qualquer obra perto de si.

Atenção, não é um exclusivo dos homens. As mulheres, especialmente entre elas, adoptam, por vezes, uma linguagem do género, ainda que mais polite e não tão vernácula. Engraçado, que muito dos diálogos das 4 amigas no Sexo e a Cidade se enquadravam neste género, mesmo com a finesse toda, mesmo com o ambiente urbo-sofisticado de NY, as mocinhas falavam dos homens e das suas conquistas como quem avia meia dúzia de bifes do lombo no talho da esquina.

 

Biblot

Á semelhança do Roupinhas, a existência de objectos domésticos e a sua manipulação não deixam de estar associados à libido no cinema. Quando se é mais básico são sempre os objectos fálicos a querem insinuar algo, a velha banana, a salsicha, alguns legumes, etc. Quando há um pouco de imaginação colocam-se outro género de objectos, como por exemplo cubos de gelo (diz-vos alguma coisa?), ovos, panos de seda, líquidos viscosos, manteiga (nem pensem que vou falar do Último Tango, que isso de insinuação não tem nada), estatuetas, etc.

Lembro-me de uma velha cena de um filme de Buñuel (Los Olvidados ou Susana) em que uma jovem partia uns ovos e deixava as claras escorrem pelas pernas abaixo, perante um olhar cúmplice de um adulto, revelando, assim, a perda da sua virgindade. Surrealista? Sim, mas insinuação através de objecto o que é, se não o próprio surrealismo?

No filme Celebridades de Woody Allen, Judy Davis ao simular um fellatio com uma banana ia desta para melhor, pois a téncia não foi das melhores e não contou que o objecto pudesse ir mais longe, inclusive quebrar, e ficou com a banana entalada. Talvez o melhor gag do filme (Tinha que ser. Estão a ver? Tem sexo é logo o que tem mais piada!).

 

Vendaval

Ninguém viu nada porque os actores não estiveram pelos ajustes, se calhar não gostavam do hálito um do outro, mas quando se vê as primeiras imagens da casa apercebemo-nos logo que ali andou truca-truca. Roupa espalhada pelo chão, objectos caídos e, claro, uma cama completamente desarrumada. O rapaz até pode estar na sanita a ler o jornal e a rapariga junto a um oratório a pedir pelas alminhas, mas o certo é que já não enganam ninguém, andaram enrolados um com o outro.

Se querem mesmo insinuar o acto no momento, não há nada como criar um efeito de tempestade, bem montada (no sentido cinematográfica, claro), em que o barulho de porta a bater continuamente, a cama a tremer, como se estivesse num epicentro de um terramoto, o vento a chicotear as árvores, a chuva a desfazer-se na janela, permitem concluir que algo de intenso e pecaminoso se está a passar.

Este género de insinuação é típico de 2 tipos de filmes. Os de suspense, que são filmes que gostam de reservar alguns detalhes da história (será que eles deram mesmo a queca, será que não nos estão a aldrabar para depois fazer um twist?) e os filmes protagonizados pelo star-system já instalado na vida, que já não estão para dar o corpo ao manifesto e vai daí o realizador lá faz o trabalhinho para fingir que foi. Depois a crítica aplaude o excelente trabalho cinematográfico da sugestão, esquecendo que muitas das vezes foram apenas obstáculos e exigências de contrato.

 

Armário

Ora aqui está um tipo de insinuação complicada mas, talvez, aquela que mais foi usada. As cenas gays e lésbicas (ainda mais raras) foram sempre evitadas no cinema. Ultimamente tem-se assistido a uma abordagem mais clara sobre o assunto, mas no passado as coisas foram sempre muito escondidas. A ser armário, era mesmo um que estava lá no fundo do sótão, onde se guardavam as coisas que ninguém ousava já procurar. Como tal, foram-se utilizando técnicas de insinuação para mostrar que havia ali mais qualquer coisa que uma simples confraternização de rapaziada amiga.

Mesmo quando o filme se baseava em obras cuja temática era abordada ou em personalidades que tinham esse tipo de orientação, passava-se por ela como cão por vinha vindimada. Vejamos o caso de Mente Brilhante, em que a homossexualidade do matemático americano John Forbes Nash foi completamente banida do mapa, nem sequer por ela ter sido uma das causas da sua esquizofrenia foi motivo para uma abordagem. Outro caso foi o Tróia, que adulterou completamente a personagem de Aquiles porque o Brad Pritt não esteve para bichanisses e a sua revolta final passou a set por terem morto um primo e não o seu doce namorado. Claro que o realizador deu umas dicas, ninguém chora assim a morte de um simples primo, ainda por cima numa época em que o conceito de família era muito restrito.

Este tipo de insinuação, na maioria das vezes, nunca passa de uma simples troca de olhares, um abraço mais forte ou de umas lutas de em tronco nu. Aliás, a luta tem sido talvez o esquema como esta tipo de insinuação homo tem mais passado, pois é a única forma em que se permite que dois corpos masculinos se juntem e se toquem sem que de imediato sejam levantados problemas e os moços sejam internados de imediato numa cura de masculinidade cavalar.

Lembro-me de uma cena do filme Mulheres Apaixonadas de Ken Russel, o primeiro filme inglês a mostrar a nudez masculina completa, clara e frontal, em que dois homens lutavam virilmente, nus, junto a uma lareira. Claro que depois o seu desempenho com as mulheres era fraco, mas isso era só porque estavam cansados das lutas, não sejam más-línguas!

Em jeito de provocação, se analisarmos melhor a relação do Homem-Aranha e do seu amigo riquinho, do Frodo e do Sam no Senhor dos Anéis e até do vilão do último James Bond, temos ali conversa que chegue!!

 

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Mas isto das insinuações, depende muito de olhar de quem vê. Muitas das vezes, e isso é que é giro, está tudo nas nossas cabeças. O realizador não quis dizer nada com aquilo. Lembro-me do que uma vez disse o mestre Alfred Hitchcock quando interrogado por Truffaut sobre a interpretação dada a uma determinada cena, que todos tinham entendido como uma alegoria à questão racial americana ou coisa assim (já não me lembro bem), ele apenas disse que não tinha pensado nisso, apenas tinha filmado aquilo assim porque dava jeito pôr a câmara naquela posição. De Mestre! 

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Em jeito de remate, após a morte de Rock Hudson, em 1992 foi feito um documentário em que se mostravam todas as cenas dos filmes em que ele participou e em que era supostamente visível uma certa insinuação gay entre ele e a outras personagens masculinas. O Documentário Rock Hudson's Home Movies tem piada pela teoria académica que desenvolve, mostrar que a sua orientação sexual sempre esteve presente nos seus filmes, ainda que subentendida. O certo é que no meio, durante muitos e muitos anos ninguém soube que ele era homossexual, teve inclusive vários romances com actrizes e era apelidado de Mr. Clean, logo seria bastante improvável que os realizadores assumissem esse ponto de vista. Ou teria sido só apenas uma questão de química, a desmascarar algo que se escondeu, e a passar involuntariamente para o outro lado do ecran? Não sei, o que é certo é que Mark Rappaport, o realizador do dito documentário, viu isso e passou esse seu olhar.

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Como a conversa já vai longa, vou deixar a apreciação da Nudez e do Acto sexual para o próximo post, tipo folhetim, aos pedaços. A sério, penso que ficaria muito pesada toda esta análise numa só edição. Para fechar, só uma pequena apreciação do filme Shortbus, que originou todo este palavreado.

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Depois de todas as cenas forte do inicio, vemos que Sofia é uma terapeuta sexual que tem uma má relação com o seu próprio sexo e parte em busca de Olimpo do orgasmo nunca atingindo. Severine apesar de todas as técnicas SM apenas quer um pouco de atenção e lembrar o seu verdadeiro nome. James, no meio de tanta liberdade sexual, quer apenas traçar um caminho, o suicídio, para se encontrar com o seu verdadeiro eu. No meio de orgias e de uma grande overdose undeground de psicose sexual, vamos assistindo à perturbação das diferentes personagens, numa Nova Iorque a perder cada vez mais a sua cor e a sua luz (no verdadeiro sentido). Uma cidade de cartão (uma excelente visão/animação cenográfica de NY no início e no fim) a diluir-se nos seus fantasmas, que se iluminam num grande happenig end no momento em que tudo se apaga (quem for ver o filme perceberá que é mais do que uma figura estilo o que estou a dizer). Quem resistir até ao fim verá um desfecho bastante teatral, quase uma Opereta, em que ao som de uma ária mal cantada há um clímax da solidão compartilhada de cada um. Aliás, num filme que fala sempre da transgressão colectiva, o elemento que sobressai é a solidão, a que aprecem estar agarradas as diferentes personagens, mesmo quando numa orgia se está supostamente acompanhado.

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Shortbus conseguiu provocar em mim o mesmo que Salo, 120 dias de Sodoma, de Pier Paolo Pasolini, me provocou quando tinha 18 anos. Não sabia se gostava, não sabia se saia, não sabia se ficava. Engraçado como passado 20 e tal anos ainda há filmes que surpreendem pela transgressão, apontando novos caminhos. O sexo também pode ser nu e cru e ser mostrado fora dos ambientes dos filmes pornográfico. Acho que o filme foi onde nunca foram na filmagem do sexo, fora dos filmes porno, ou então, John Cameron Mitchell fez um delírio porno com questões existencialistas.

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Por último um outro aviso à navegação, tenham cuidado, se forem ver o filme, com o quem vão ver. Eis algumas misturas explosivas a evitar, se for ver o filme acompanhado:

  • Casal – Só se estiverem muito bem, com uma boa abertura de mentes e com uma satisfação plena da vida sexual, caso contrário pode ser complicado o depois;
  • Amigos – Evitem ir 2 amigos masculinos, vão sentir-se pouco confortáveis e depois de saírem, lá terão que ter aquelas conversas apressadas sobre futebol, gajas e copos, que há que pôr logo a virilidade em dia. Caso sejam 2 amigas não deve haver problemas, penso que se vão divertir muito porque as mulheres, entre elas, têm uma visão mais descontraída do sexo.
  • Parceiro/a ainda em fase de sedução – Não vai ter bons resultados, ai não vai não! Um vai pensar, sobre o outro, que o levaram a ver o filme para lhe dar alguma indirecta sobre qualquer coisa, e o máximo que conseguem garantir no fim é um ”Tá, um dia destes eu telefone e voltamos a marcar qualquer coisa”.
  • Família – É como apagar fogo com gasolina, vão sair de lá a quererem ver os episódios todos da Floribela em sessão contínua durante uma semana para se redimirem. Se levarem a sogra, correm o risco de passar o resto do serão numa urgência hospitalar.

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  •  Os diversos tipos de Nudez (porque está sempre o maldito jarrão à frente quando eu ia ver qualquer coisa?) e de acto sexual (Porque será que aquela gente nunca se lava depois do truca-truca?) nos filmes dos últimos tempos. O cinema sexual, uma espécie em vias de extinção. Eis algumas cenas dos próximos Postes. Não perca! 
Posted: domingo, 1 de Julho de 2007 14:20 por bp63

Comentários

anatarouca said:

Bp63,

não conhecia este blogue. Segui o link do blogue da semana. Já agora, os meus parabéns pela nomeação.

Adorei o post. O tema é interessante e está escrito com muito humor. Fico a aguardar "a nudez" e o "acto sexual", salvo seja.

Bjs

Ana T.

# Julho 2, 2007 12:52

bp63 said:

Obrigado Ana T.

A nudez e o acto vai seguir. Só estou a ganhar balanço porque há algumas correntes de ar e ainda posso ficar contspado. :)

Bjs

Bp63

# Julho 2, 2007 19:37

Nemesis said:

Uau, isto é um post de lua cheia, ou algo assim? Adorei, ri alto, então as quatro a falar das suas relações como quem avia uns bifes de lombo no talho da esquina... no ponto!

Acho que não posso ir ver esse filme. Não consegui passar da m**** nos 120 dias, chegou a sangue e fui-me embora.

Mas vou reler o seu post, só para me rir mais e fico à espera do resto.

Um beijo

# Julho 3, 2007 1:26

meiadeleite said:

Bp63,

Para mim, claramente e sem dúvida o post do mês!!!

Fico como a Ana Tarouca, "Fico a aguardar "a nudez" e o "acto sexual", salvo seja."  Avidamente, claro!

Boa noite..

meiadeleite

# Julho 3, 2007 1:46

Annnna said:

Eu fico como a Ana e a Meiinha a aguardar eheheheheh

Um beijo enorme

Annnna

# Julho 3, 2007 9:34

bp63 said:

Nemesis

Lua Cheia? Ainda vou acabar por virar lobisomem.

Cuidado com o riso alto, ainda vem a ASAE e vai presa por estar a poluir sonoramente o seu condomínio.

Já tentou rever o filme do PPP? É que o tempo acabou por ?menorizar? o seu impacto. Hoje é apenas um sombra da ideia que foi na altura. Ainda tem valor mas já há muita coisa que parece naif.

Bjs

Bp63

# Julho 6, 2007 22:18

bp63 said:

Meiadeleite

Ena! Depois do BS temos o PM. Temos prémio!!!

Os outros estão quase aí, o tempo tem sido um maldito para mim. Deve ser da canícula.

Bp63

# Julho 6, 2007 22:21

bp63 said:

Annnnnnnna

Me aguarde? Porque eu to voltando!

Beijo

bp63

# Julho 6, 2007 22:22

bluewater68 said:

bp63,

ainda não é desta que comento. Apenas para dizer que já identifiquei o tal filme

# Julho 7, 2007 20:57

bp63 said:

Sim, já vi que sim.

Realmente essa cena do Delicatessen representa um marco na insinuação sexual. Apenas o som e a sua cadência a fazer toda a sua representação.

Agora percebo porque quando me tentava lembrar, só me vinha à ideia um porco. Por causa do cartaz.

# Julho 7, 2007 23:43

camionista said:

Abstenho-me, modestamente, de aprofundar comentário sobre o tema, por notória falta de capacidade.

No entanto, li com interesse todo o post e, num intuito de alargar os meus horizontes, até fui ao YouTube ver uns clips (colocaram lá bastantes...)

Bom domingo!

# Julho 8, 2007 12:41

bp63 said:

Oh meu caro caminiosta

Não diga que não comenta o tema do sexo por falta de capacidade. Digamos que é apenas por falta de tempo ou porque prefere o seu aprofudamento noutro contexto.

É que isto de ligar falta de capacidade quando o assunto é o sexo, não costuma ficar muito bem :)

Bom domingo com muitos youtube

# Julho 8, 2007 13:51

camionista said:

Gostei da sua reacção, que aliás esperava.

Mas o tema não era mesmo... cinema?!

AHAHAH

Bom domingo (O último YouTube era o Astor Piazzola, no blog da crisruas

        http://sol.sapo.pt/blogs/crisruas/archive/2007/06/30/Piazzola-e-Borges.aspx

)

# Julho 8, 2007 15:01

bp63 said:

Boa! Realmente era mesmo cinema

1-0 , ganha o caminiosta.

Eu ando às voltas para colocar um video do youtube num proximo post e a coisa não me sai. Irra!

# Julho 8, 2007 15:08

HelderFraguas said:

O verdadeiro humor a nu!!!

Vale a pena ir ao Museu Berardo e ver que o nu pode ser artístico.

# Julho 14, 2007 22:15
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