SOL

Imagens caídas

Uma imagem vale mais do que mil palavras. Porque não fazer o contrário? Com as palavras construir e falar de imagens.

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O Sexo no Cinema II - Tudo Nu (e a Comissão Europeia também!)

Aviso à navegação, I’m back. O prometido é devido

Ora vamos lá continuar a dissertar sobre esse assunto tão enfadonho que é o sexo.

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Para começar e para animar a malta, vamos ver um vídeo e, além disso, ver também que não ando aqui a falar de sexo no cinema à toa, pois a própria Comissão Europeia não pensa noutra coisa, senão vejamos.

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[YouTube:g5OY0NRz0As]

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Pois é, trata-se do clip de promoção Let's come together, uma medida para divulgar o cinema europeu. Depois o tarado sou eu. Adiante que aí vem gente, mais abaixo (do post, claro) retomarei o assunto.

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Imagem 1  - Música no Peito

Felix Farmer (Richard Mulligan), um produtor, está angustiado com o possível fracasso do seu próximo filme, onda estrela Sally Miles (Julie Andrews), outrora um símbolo dos musicais infantis, protagoniza sem brilho. Como tentativa de salvar a produção resolve incluir no filme uma cena de nudez da diva. Sally Miles canta uma canção num cenário de um filme musical. Como clímax e grand final, ela abre a sua blusa e mostra os seios (vemos pela 1ª vez as maminhas da Julie Andrews) – Filme: SOB – Tudo boa Gente (1981) de Blake Edwards.

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Imagem 2  - Trazeiro com Lobos

Lieutenant Dunbar (Kevin Costner) banha-se num charco. Ouvindo qualquer coisa, um índio talvez, sai da água, nu. Vê-se o traseiro do actor. Não traz nada de novo ao filme, podia estar a cortar os arbustos, ou outra tarefa de homem só, que tinha o mesmo impacto na narrativa. O que nos interessava a nós que ele tivesse a tomar banho e ainda, para mais, que víssemos algumas borbulhas do seu traseiro? Esperto, o Kevin, criou este fait-divers que levou o mulherio a ver o filme de cowboys e aguentar a estopada das 3 horas de duração – Filme: Dança com Lobos (1990) de Kevin Costner

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Imagem 3  - Movimento Fatal

Catherine Tramell (Sharon Stone) completamente nua pega num vestido. Veste-o sem mais nada. Para o espectador é notório que é a única peça que colocou em cima do corpo. Mais tarde na esquadra, ao fazer o mais famoso cruzar de pernas da história do cinema, consegue desconcentrar o batalhão inteiro de inquiridores. Esta é das poucas cenas em que a nudez, além de uma questão estética, é fundamental para a compreensão da cena seguinte. Precisávamos de saber que ela não tinha cuecas para perceber a desconcentração total da polícia. – Filme: Instinto Fatal (1992) de Paul Verhoeven

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No Post anterior referi que o sexo no cinema foi sempre uma coisa com muito interesse privado mas nem sempre foi mostrada em público, havia que acautelar a moral e os bons costumes.

Nos EUA, um célebre código das Produções da MPAA (entidade que regula o circuito dos filmes) proibia não só as cenas de nu, bem como qualquer alusão ao sexo de uma forma explícita.

Assim, até meados dos anos 60, o sexo era apenas insinuado (Tema do 1º Post da Trilogia), técnica que foi mantida até hoje, mesmo quando tudo pode ser mostrado.

Em 1968 houve uma mudança no sistema de classificação, o que permitiu que a representação sexual, quer em termos da nudez, quer do acto sexual, pudesse começar a ser exibida, desde que para adultos. Este desaparecimento da censura trouxe um outro tipo de censura, a económica. Os filmes com nudez frontal ou com actos sexuais fortes (sem ser explícito, porque o cinema porno tem uma carreira própria) acabam por ser penalizados pelo facto de ficarem confinados a salas e a público mais restrito, logo limitados no encaixe financeiro. O problema não seria grave se houvesse bom senso, mas o que acontece maioritariamente é que por vezes uma simples pilinha mostrada em ritmo flash num filme banal, tem uma classificação adulta e os produtores para não perderem uma boa fatia do negócio eliminam a cena, transfigurando assim a obra do realizador.

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Mas como dizia, com a instituição voluntária do sistema de classificação por faixa etária pela MPAA em 1968, a nudez e o sexo finalmente puderam ser legitimamente incluídas no filme comercial de sucesso. Desde então, vários filmes começaram a usar a nudez em níveis variados, no entanto, a nudez frontal ainda é muito mais presente (e aceite) no cinema europeu do que no norte-americano.

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Nudez

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Só faço uma cena de nu se não for gratuito, se tiver interesse para história. Treta! Assistimos várias vezes a este tipo de declaração por parte dos actores, a justificar o porquê de se fazer uma cena de nu. Mais outra mentira mal contada. Salvo rara excepções (se um fulano vai ser acusado de ter puxado da pistola e morto a parceira do lado, enquanto passeava numa praia, e se diz inocente, é bom que o realizador mostre que era impossível tirar a pistola pois estava em pelota numa praia de nudistas) a nudez não acrescenta nada à história e qualquer plano a mostrar umas costas nuas faz o mesmo efeito. A nudez é meramente uma questão estética e comercial. Estética, porque o corpo nu tem a sua beleza e da mesma forma que arranjam um trapinho Versace para porem a Angelina Jolie a descer uma escadaria numa festa, fica também muito bem com o trapinho da sua própria pele. Comercial, porque saber-se que vamos finalmente ver as maminhas da Nicole Kidman dá outro ânimo à densidade dramática do tal filme que inicialmente era só a querida esposa que queria ver e agora somos os primeiros na fila da bilheteira.

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Numa perspectiva histórica, podemos dizer que vários filmes da era do mudo de Hollywood já apresentavam nudez, claro que de uma forma artística! Audrey Munson foi a primeira actriz protagonista a aparecer nua, em 1915. No entanto foi Annette Kellerman, no filme Inspiração, em 1916, a derrubar a barreira da nudez frontal feita por uma actriz principal, no filme A Daughter of the Gods.

Mas o pessoal tinha que estragar a festa com a tal cartilha da MPAA em 1934. Vai tudo andar vestidinho e bem comportado como as Carmelitas Descalças em peregrinação.

Felizmente que apareceram os malucos do anos 60 (ai, como eu gosto desta geração maluca!) e a pele também foi considerada um guarda-roupa digno de um qualquer Galliano da altura.

Jayne Mansfield tornou-se a primeira actriz norte-americana conhecida do grande público a aparecer nua, mostrando seus seios e o seu rabiosque em 1963 no Promises! Promises! Ao contrário dos políticos não foi só promessas, promessas! A coisa foi insinuando-se cada vez mais e em 1969, com o filme Medium Cool, houve o primeiro filme comercial norte-americano a apresentar nudez frontal masculina e feminina ao mesmo tempo.

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Na Europa a falta de agasalhos foi mais à descarada e começou antes. O sueco Ingmar Bergman, como não podia deixar de ser estes suecos são danados para a brincadeira, trouxe no filme Summer with Monika, em 1953, as nalguinhas da  Harriet Andersson a correr numa praia, criando assim  a primeira cena de nudez no cinema europeu pós-Guerra e a dar um ar mais leve ao circunspecto realizador.

Mas senhoras e senhores, a grande Diva do Nu na Europa, e não só, foi  ... Tcharan! Brigitte Bardot! Com o filme E Deus Criou a Mulher, em 1956,  mostrou-se nua na primeira cena do filme francês do Roger Vadim, seu marido, bronzeando-se ao sol, por detrás de um varal de roupa a secar. Mais tarde, Jean-Luc Godard voltou a mostrar o rabiosque da Diva, no filme Le Mépris, em 1963. Godard voltaria à carga, e a chocar, em 1969 com British Sounds, um filme experimental onde mostra um longo close-up do púbis de uma mulher. O homem tinha destas coisas, por vezes dava seca aos cinéfilos mas alegrava-os um pouco com estes petit rien.

Mas o grande nu frontal feminino, num filme comercial, foi, em 1966 (ainda antes de Godard), nesse belo filme de Michelangelo Antonioni, chamado Blowup, onde Jane Birkin aparecia como Deus a deitou ao mundo. Depois os anos 70, na Europa, foi o regabofe geral e filme que não tivesse nu não entrava em festival, nem em cineclube.

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Penso que devia haver um código secreto, não escrito, que dizia que filme europeu que não tivesse nu, e/ou sexo, não era filme de qualidade. Este facto parece continuar a ser bem actual. Digamos até que deixou de ser secreto e passou às claras, pois a própria Comissão Europeia patrocinou um spot publicitário sobre o cinema europeu  chamado Let's come together (aquele que mostrei lá em cima), em que faz uma apologia ao nosso cinema, através de uma montagem acelerada de cenas de sexo dos filmes europeus relativamente recentes.

E não é que ela, a dita Comissão, tem razão, senhoras e senhores. Da mesma forma que os efeitos especiais são o ex-libris do cinema industrial americano, o truca-truca é a nossa mais valia para a 7ª arte. Digam lá se não levamos vantagem? Faz melhor à saúde, é amigo do ambiente (não há explosões nem quinquilharias não recicláveis a provocar o aquecimento global) e é muito mais barato. São uns espertalhões estes senhores da Comissão Europeia. Voltarei a este assunto no post final da trilogia, para já fica a seguinte ideia: Os Americanos têm os efeitos especiais, nós, os Europeus, temos os efeitos sexuais.

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Se a matéria do descascanso não foi pacífica com as Ladies, com o maralhal masculino a coisa foi mais complicada. Havia uns troncos nus e tal, mas não se passava disso.  Charlton Heston, talvez por andar lá metido com os Macacos no seu Planeta, foi o primeiro grande actor a mostrar o traseiro num grande filme comercial, em 1968.

Além do Médium Coll (na América), penso que If (1968), foi talvez o primeiro filme a apresentar a nudez frontal dos 3 protagonistas, numa cena de banho. No entanto foi o já referido (post anterior) Mulheres Apaixonadas, de Ken Russel, em 1969, a apresentar a nudez frontal masculina, sem complexos, fora do ambiente de duche, e para vários actores.

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No meio de tanta coisa ao léu, a nudez foi-se banalizando. No entanto nunca deixa de causar um certo frisson sempre que vemos a generosidade da natureza da stars que tanto amamos. Assim podemos dividir os nus nestes 10 tipos, que este humilde analítico vos oferece:

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Artistica

As desculpas para pôr alguém em pelotas sempre foram muitas. A artística é talvez a mais banal. Não me importo de fazer um nu desde que seja artístico. Meu Deus, como tanta mocinha já caiu nesta canção do bandido. Mas o que é isso de um nu artístico? Nu é nu. No entanto, no cinema, isto traduzido por miúdos significa que:

- Vamos ter o corpo em planos que nunca deixam perceber muito bem o que estamos a ver, tipo reportagens de moda, em que com tanto plano e tanto corte, acabamos por não ver as roupinhas;

- Vai ter iluminação boazinha, filtros qb, para esconder as maleitas que andam naqueles poros;

- A fotografia, se não for a Preto-e-branco, vai ser num tom pastel, cru ou cheia de grão, para dar assim ar intelectual e de peça de museu, e sempre com muitos filtros.

- Para compensar a falta de roupa há sempre uns panos a esvoaçar;

- O resultado final pode ser bom, mas ninguém vai perceber porque raio está ali aquilo no meio do filme.

Os antigos filmes eróticos tinham muito esta mania, talvez para compensar a falta de conteúdo. Não mostravam muito mas depois lá a punham as donzelas em cenas iluminadas por velas, em cadeiras de verga, com um vestido molhado, a andar Godivamente sobre um cavalo, enfim, como se estivessem a ser filmadas para uma película que tivesse que figurar na colecção Berardo.

Jonh Derek, com a sua musa e mulher Bo Derek (sei que a minha geração não precisa de ir já ao Google e à Wikipédia, sabe de quem falo), foi um dos mestres a fabricar este tipo de nudez. Bolero e Fantasies são alguma das suas obras afilhadas (primas seria muito forte). 

Bruce Weber e Helmut Newton, 2 grandes fotógrafos do corpo nu, nunca foram chamados para fazer a fotografia de nenhum filme, com excepção de vídeo clips. Estranho, não é?

 

Tímida

Este tipo de nudez, que, de tão inocente, parece ser tirada de um livro juvenil da Enid Blyton, é resultante, na maioria das vezes, do facto de não querem fazer uma sobrexposição do actor/actriz, ou porque realizador não quer comprometer muito o filme, pois quer lá as família todas, com balde de pipocas e tudo, a ver o seu filmezinho.

Divide-se em 2 subgéneros: A Rapidex - Tímida por ser muito rápida e  a Rarex - Tímida por mostrar só um pouquinho.

Na Rapidex o plano é tão curto ou a passagem da personagem nele é tão rápida que acabamos sempre por dizer “Ah, assim de repente parecia-me que a Jennifer Lopez, esqueceu-se de vestir a saia, mas deve ser confusão minha!” Claro que isto é uma estratégia comercial secreta estudada em todas as universidades americanas de marquetingue, para a malta logo a seguir comprar os DVD’s e pôr a função pause em funcionamento.

A Rarex é prima da do tipo Lençol, pois mostra só mesmo um pouquinho. É quase que para coleccionadores mais atentos. “Ó pá, eu já vi o bico do peito da Jennifer Aniston.” “Deixa lá, que eu já sei do cor a tatuagem secreta da Winona Ryder”.  Assim uma espécie de cromos para a troca. Acaba por ser um pouco irritante porque parece sempre que entramos num restaurante e só nos servem o pão com manteiga e as azeitonas. Cadê o prato principal?

 

Lençol

A nudez e o lençol têm uma relação quase que siamesa no cinema. Muitas das cenas começam ou acabam por juntar o corpo ao prazer do 100% algodão (bom em versões mais folhetinescas teremos cetim) enrolado. O problema, e a irritação, é que este casamento nem sempre nos é favorável. Porquê? Porque o lençol funciona como o marido ciumento e antiquado, que tenta sempre tapar a mulher na primeira vez que ela veste 1 biquini na praia.

Que coxas lindas! Lá vem o lençol tapar o resto. Agora quando se levantar é que vai se ver tudo, oh se vai! Bolas, então não é que a tipa se levanta e leva o lençol com ela!

Quantas vezes esta cena não repetiu? O lençol a esconder os corpos, nós a tentar espreitar os poucos centímetros de pele que emergem e a esperar pelo momento em que alguém se levante e, como qualquer comum dos mortais, caminhe um pouco nu até chegar à roupa. Mas não, saiem com ele enrolado como se fosse o último trapinho da D & G a apresentar na cerimónia de entrega dos Óscares.

O lençol da cama tem um primo chegado que e o lençol de banho. Já imaginaram em quantas cenas o actor ou actriz sai já do banho enrolado na toalha? Então, naquelas em que a diva está numa banheira de espuma e mete o toalhão ou o roupão quase que ainda dentro de água, brada ao céus. É de ficar com os nervos em franja. Por amor de deus, vão ficar com o lençol de banho todo molhado. Será eu não leiem aqueles avisos dos quartos de hotel para se poupar a roupa de banho, por causa do ambiente e do buraco do ozono?

 

Apagaram a Luz

Não sei se é um género primo do Artístico ou se Tímido. O certo é que a nudez apesar de ser visível acaba por ser disfarçada nos pontos X com sistemas de iluminação. Quase que podiam estar com cintos de castidade que ninguém reparava.

Aliás, faz parte da técnica, e dos contratos também, as partes genitais serem tapadas com umas fitas tipo velcro (o que deve doer a tirar!) para que os tipos da equipa técnica não sejam uns privilegiados e não comecem logo a babar. Assim, com os truques de iluminação, tudo fica disfarçado e não se vê o adesivo.

Por vezes, com tanta falta de luz ficamos na dúvida se é o próprio que lá está ou um mero duplo. E já levamos tanto gato por lebre.

Lembram-se da cena inicial do The Terminator, do James Cameron, quando o Arnold Schwarzenegger e o Michael Biehn vinham mesmo como foram deitados ao mundo, literalmente? Pois o jogo de luzes impediu de se ver o que quer que fosse. Bom tendo em conta a figura do Arnorld, penso que acabamos por ser poupadinhos a uma triste cena. Venham mais luzes ainda, e já agora se tiverem som, tanto melhor, assim também não o precisamos de ouvir.

 

Estorvo

A nudez, imagina-se, é integral. No entanto, há sempre um raio de um objecto que está no sítio menos próprio e lá nos tira a perspectiva. Faz lembrar quando se ia ver aquela peça de teatro experimental, super inteligente, de bastante qualidade, uma visão futurista de um excelente autor, que tinha uma pequena parte em que uma actriz ou um actor se despia. E quem nos havia de calhar à frente, mesmo na linha da trajectória do nosso olhar até ao ponto X onde se estava em pelota? A senhora mais permanenteada do bairro. Claro que depois parecia mal esticar o pescoço para o lado naquele momento, ainda nos arriscávamos a levar um pontapé da nossa companhia pela figura babosa que estaríamos a fazer.

Só que no cinema não adianta esticar o pescoço, o objecto que tapa, vai andar também com o nosso olhar, tipo o olhar da Mona-Lisa, que nos persegue sempre.

Lembro-me de um filme recente, Separados de fresco, numa cena em que a Jennifer Aniston faz um percurso do quarto até à cozinha, passando pela sala, toda nua, para se exibir ao seu ex que está implantado frente à TV. Tudo, desde o sofá até ao paspalhão do rapaz acaba por ser empecilho para que não se contemple todo o talento, naquele pequeno momento, dessa grandiosa actriz.

 

Silicone

Directamente do produtor para o consumidor. As meninas vão ao senhor doutor para fazer um pequeno dói dói nas maminhas. Ficam mais grandinhas. Depois é só correr para os estúdios, que as põem também a correr pelas cenas, para que as suas 2 meloazinhas saltitem, não só dentro das suas t-shirts justas mas também fora, como 2 balões ao vento.

Digamos que este tipo de nudez, é uma fixação, e uma constante, nos filmes de tipo Borbulha, os tais de e para adolescentes. Conjuntamente com a sua alarvidade continuada sobre a vontade de fazer sexo e a sua falta de jeito para o praticar, temos um desfile enorme de glândulas mamárias para todos os gostos, mas sempre com um ponto em comum, bastantes m3 de silicone.

Curiosamente este tipo também está sempre muito presente nos filmes de terror. Não há filme que se preze que não tenha uma loura de mamocas ao léu a gritar perante uma faca afiada. Já viram o cartaz do próximo Hostel (II)? Não me deixa mentir.

Pelos 2 tipos de filme apresentados acima, penso que há aqui uma lógica matemática de neurónios versus seios de silicone: quanto mais baixo for o nível de neurónios do filme, maior é propagação da mamocas. Teorema ainda não demonstrado cientificamente. Fica o desafio.

 

Health-Club

Ginásios de todo o mundo uni-vos! Parece ser o lema. A rapaziada, contente com os bíceps que fabricaram nas imensas horas de ginásio, lá arranjam uma cena em que despem as camisola e mostram ao mundo como estão bem trabalhados. Não há nenhuma estrela que resista a isso. Digam-me só um que resistiu a esta praga, desde que tenha ganho bom cabedal, claro. Arranjam-me um e eu faço já aqui também uma cena com o meu corpinho. Mesmo o mais Shakespeareano do actores, logo que ganha corpo quer mostrar o seu grande talento de actor, Meu reino por um cavalo, meus peitorais por uns momentos de adoração!

Típico dos filmes de acção (Alô 007!) e não só. Como se querem os nossos heróis másculos, tem que haver sempre uma cena em que salvam o mundo em tronco nu. Já sabemos, se aqueles músculos nunca falham, então eles também não e podemos dormir mais descansados, os maus vão pagar caro. Bruce Wills fez uma variação, digamos que mais podofilia (fetish sobre os pés, não confundir com outra palavra parecida e pouca dada a brincadeiras) ao nos presentear toda a sua luta, contra os terroristas, descalço sobre vidros, no Assalto ao arranha-céus. Enfim, há que variar na perspectiva, mas nunca na testosterona.

Não sendo propriamente cinema, há um outro tipo de narrativa audovisual que usa e abusa deste tipo de nudez, as telenovelas. É impressionante o nº de minutos que os galãs bem dotados de peitorais passam de camisa aberta. Será que as senhoras se impressionam assim tanto com isso? Deve haver aqui um mau estudo de mercado, mas adiante!

 

Bum-Bum

Alguém deve ter escrito que glúteos não é pecado. Só pode ser. Nunca se viu outra parte tão mostrada, na nudez, como as nalguinhas da malta da 7ª arte.

Quando querem parecer muito avançados e que já fizeram um nu, pimba, lá gramamos com os seus traseiros. Claro que há traseiros e traseiros, mas daí a termos que os ver todos! Deve fazer parte do curriculum, já fiz Becket, Shakespeare, filmei com Allen, participei em Veneza, mostrei o meu traseiro, portanto sou um/a actor/actriz de nível.

Houve inclusive actores que quase se especializaram na matéria. Mel Gibson, parece que não houve filme que não o mostrasse. Devia ser uma espécie de terapia, enquanto apanhava ar na parte de baixo, não se metia nos copos. Parecendo que não, sempre dava mais uns cobres em receita.

Normalmente este tipo de nu é filmado em planos afastados. Porquê? Porque dá uma trabalheira enorme o make up para um close up. Conhecem algo mais inestéticos que estrias de celulite, pêlos e umas borbulhas no rabiosque? Que o diga Brad Pitt que passou horas na maquilhagem só para lhe disfarçarem uma pequena (diz ele) borbulha na cena do Legends of the Fall ( Lendas de Paixão), em que ele filma deitado de rabiosque para o ar.

 

Ponto X

Tecnicamente chama-se nudez frontal. Mas tirando o sitio X (genitália), quem é que se lembra do resto da frontaria? Se houvesse uma máquina para medir a direcção da pupila, veríamos que, logo que aparece um nu frontal numa cena, o olhar desvia-se imediatamente para os genitais, independentemente de ser homem ou mulher e de se gostar de uma ou coisa ou outra. Não há volta a dar. É como encontrar um conhecido numa praia a fazer nudismo, mesmo que não se queira não se sai de lá sem lhe tirar as medidas.

Bem pode a Angelina Jolie estar estendida numa cama com uma faca no abdómen. O resultado é o mesmo, primeiro há que conferir o Ponto X, depois, se houver tempo e o plano não for muito rápido, olha-se para o resto.

- Tu viste o tamanho da faca que ela tinha espetado?

 - Faca, que faca?

A nudez frontal é aquela que mais demorou a ser mostrada e a que ainda hoje tem muitas reservas. Poucos actores aceitam fazê-la, talvez porque o pobre pessoal só se considera verdadeiramente despido quando mostra os genitais.

Existe também uma outra reserva, mas essa diz respeito exclusivamente ao órgão masculino. Tendo em conta que o órgão sexual do homem é exterior (daí talvez o consideram mais chocante do que a mulher, por apenas ser visível a púbis) seria muito mais natural ser mostrado, quando há uma cena de nu, por estar sempre à espreita, a sua pendência é tão natural como é o nosso nariz ou os nossos dedos. Mas não, raramente o é, e dá uma trabalheira enorme escondê-lo. Mas porque há este preconceito contra o símbolo sexual masculino?

Além da tal questão de se estar a mostrar na íntegra o órgão sexual masculino (contrariamente ao feminino, que fica sempre escondido mesmo com nudez frontal) penso que deriva de uma outra situação: O Pénis é um mau actor.

Podem ter a escola do Método, ter frequentado o Actor Studio, ter todo o talento e técnica do mundo, mas o pilinhas não. Ou ele não foi às aulas, ou se foi, cabulou sempre. Um actor pode ter sido exemplar numa cena em que representou uma excelente cena de sexo, bem quente, mas se há um descuido do realizador e mostra o pirulito da rapaz bem frouxo, todos se ficam a rir e já ninguém leva a sério a performance representativa.  O contrário também é confrangedor. O rapaz está todo nu, amarrado, a ser torturado por uma série de donas de casa desesperadas, mas se vislumbramos alguma felicidade abaixo da cintura, além de ficarmos a saber que afinal aquelas lambadas todas são só festinhas ainda se lançam logo uma série de suspeitas sobre os comportamentos sexuais do pobre actor ou se tem uma leitura diferente da cena, afinal o SM está em todo o lado. Daí ocultar-se o dito cujo, para que não se desfaça o mistério.

Mas voltando ao cerne da questão, que é como diz ao X no mapa nudista, a nudez frontal só é mesmo integral se o plano deixar ver abaixo da cintura e acima do joelho. O típico desta situação é serem planos afastando, guardando, ainda assim, algum mistério, ou então com alguma iluminação difusa, que não permita desvendar tudo. O contrário, tudo em pratos limpos, é mais típico do género abaixo.

 

A La Francaise

À grande e à francesa. Este tipo de nudez além de não ocultar nada, mostra em doses industriais, tipo arma de destruição maciça, tudo o que há para mostrar. Quem cair num filme com este tipo de cenas, já sabe que vai ter que andar grande parte da rodagem como se tivesse a passar uma temporada contínua de praia no Meco. Pior (melhor?!) que isso, vai ter as objectivas a uns poucos palmos das suas partes supostamente mais reservadas.

Apenas presente em poucos filmes independentes americanos (Ken Park, 9 canções e Shortbus), é quase que uma figura de estilo do cinema europeu, nomeadamente após os anos 70. Como já referi, a partir de uma certa altura parece que para ser inteligente, fazer parte do círculo dos mestres e andar de festival em festival havia que pôr tudo em pelota e não deixar um poro de fora das filmagens (Olha o  Let's come together fresquinho!).

A grande diferença deste género, é que ele vai muito mais além do que o da nudez frontal, sempre bem disfarçada, bem iluminada e rápida. Aqui os corpinhos aparecem como carne num talho, não escondem estrias, pêlos pouco cuidados, barriguinhas flácidas, etc. O que houver é para aparecer. Qualquer filme do Pasolini, especialmente as últimas 3 obras, fazem-nos querer vestir como um monge tibetano, todo tapadinhos que faz muito frio, tal é a overdose de corpos.

Este tipo de nudez está um pouco para a restante nudez fílmica, como a música de vanguarda está para a dita clássica e ligeira. Não se preocupa com a harmonia dos corpos (sons), mas apenas apresentá-los nas suas diferentes linhas, acabando assim por criar uma harmonia agreste e desconsonante. Se calhar é este o princípio de toda a arte contemporânea.

Curiosamente não me consigo lembrar de nenhum filme europeu da minha fase cine-clube (há uns 20 anos atrás) que não tenha nus pelo meio. Será que sou tarado?!

Fica a dúvida de tanta fartura.

 

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Como qualquer bom analista teórico, o nº de elementos analisados é sempre uma mentira, ou seja, ou falta um ou está um a mais (estejam atentos ao discurso do Pacheco Pereira e do Paulo Portas, quando eles se põem a enumerar razões e factos, e vejam como tenho razão). Assim, há um 11º tipo de nudez a que apelidei carinhosamente de Mentirosa (faz-me lembrar uma velha canção do saudoso Serafim Saudade). Não a inclui no quadro acima porque de facto ela não existe.

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Mentirosa

Gato por Lebre, já o referi. Então não é que a malta, ou por preguiça, ou para se armarem em bons, arranjam outros corpinhos ou outros esquemas para parecerem que mostram, mas não mostram. Não há direito. A malta toda contentinha a pensar que tinha ali finalmente uma obra original e vai a ver-se não passa tudo de uma boa imitação.

Brooke Shields, na Lagoa Azul (o 1º e único filme erótico infantil) teve uma dupla para as cenas mais ousadas. Se reparem bem as cenas de nu nas profundezas do oceano são sempre em contraluz, quando a sua personagem é mostrada. Já o rapaz, o Christopher Atkins (o que será feito dele?), mais atrevidote, não teve para esquisitices e deu o corpo ao manifesto.

Julia Roberts no Pretty Woman fez a mesma coisa. O seu longo corpo desnudado foi dobrado por uma especialista, da Júlia pouco mais do que o pescoço se viu. Bom, alguns planos das longas pernas (quando em mini-saia) eram mesmo da Júlia. O resto foi contrafacção.

Se a dobragem do corpo é mais típico das mulheres (estes homens são uns desavergonhados!), a rapaziada macho quando chega a altura de mostrar o seu tesouro também faz alguns truques. Isto de aparecer como um anjinho barroco não dá fama a ninguém, e quando dá não é pelos melhores motivos. Vai daí recorre-se a uma prótese para dar ideia de uns cms a mais. O mulherio fica impressionado e os homens invejosos (Quem disse que o tamanho não importa, contou mais uma grande mentira sobre o sexo!).

Mark Wahlberg no Boogie Nights (Jogos de Prazer) bem recorreu a essa técnica na cena final em que se olha ao espelho e contempla o que lhe sai das calças.

Silvester Stallone também fez umas coisitas com uma prótese para o filme Demolition Man (Homem Demolidor), mas foi uma dupla mentira, nem aquilo era dele, nem a cena apareceu no filme. Foi apenas uma estratégia de promoção, com a circulação da fotografia na imprensa.

Já agora, e armado em porteira, dizem as más-línguas que Ewan McGregor faz muitas cenas de nu nos filmes, porque não precisa de próteses e tem uma tamanho de fazer inveja, que ele gosta de exibir no plateau.

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Já vai longa a conversa da nudez. Se alguém chegou até aqui deve estar tão desesperado que em lugar de arrancar a roupa e fazer jus ao Post, arrancou foi os cabelos de tanta leitura.

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Os diversos tipos de Actos Sexuais (Interruptus – Porque é que o não acabar a refeição num restaurante e o não consumar totalmente o acto, são duas das cenas mais comuns dos filmes?), a extinção do filme sexual (O que tem em comum o urso panda e a Bo Derek?),  as mentiras do sexo no cinema (Porque ninguém se lava no depois?) e a tábua de salvação do sexo no cinema europeu  (Será que “Vimos (nos) todos juntos” poderia ser um filme produzido pelo governo português?) Eis algumas das questões do próximo e último post da Trilogia – O Sexo no cinema! 

Posted: domingo, 8 de Julho de 2007 18:43 por bp63

Comentários

camionista said:

Continuo a gostar do humor, ligeiramente acidulado, com que está a tratar o tema.

# Julho 8, 2007 20:01

bp63 said:

Obrigado caminiosta

Lá consegui meter o video.

Isto quando se fala de sexo, e em cinema, temos que pôr alguma acidez, senão a coisa ainda fica complicada.

Abraço

bp63

# Julho 8, 2007 21:15

Luana said:

Julgo que andaste a tomar a bica com o humanrace. Só pode!

VAi aparecer por aí um filme português com sexo qb. A nossa "Eu, Carolina". E aí ficas com a mistura perfeita: sexo e futebol. Com uma dose dupla de piocas, vai ser um tal!!!

A publicidade ao cinema europeu parece-me fantástica!!!.

Beijinhos

Luana

# Julho 8, 2007 22:23

bp63 said:

Luana

Não andei a tomar bicas com o Humanrace.  Apenas passo por lá a vista nas suas ?grandes teses de mestrado de engenharia aeroespacial ? , sempre ficamos com os dias mais alegres.

Não sei se vai ter tanto sexo assim, o Eu Carolina. Castos como são os realizadores portugueses, ainda sai um filme para ser visto no Convento de Stª Clara.

Bjs

Bp63

# Julho 8, 2007 22:49

anatarouca said:

BP63,

pensei em deitar-me mais cedo, fui só espreitar o mail, depois o blogue e acabei aqui a ler este post ENORME, a sorrir e a rir... Muito, muito bom, muita informação veiculada com ainda mais humor. Gosto desta escrita directa, polvilhada de um humor ligeiramente caústico. Li com muito prazer... mas vestida!hihi

Falta pois o terceiro capítulo prometido. Cá estarei quando for publicado.

Bjs

Votos de uma boa semana

Ana T.

# Julho 9, 2007 0:14

Talina said:

Oi Caro Amigo bp63

É sempre um prazer passar por aqui, tens um tipo de humor raro, parabéns.

Abraços Talina

# Julho 9, 2007 1:44

Annnna said:

Mais um excelente Post.

Desejo uma excelente semana

Um beijo enorme

Annnna

# Julho 9, 2007 9:11

Nemesis said:

excelente :)

é fascinante, como é que foi arranjar esta informação toda?

Acho que se torna difícil de comentar os seus posts, porque são tão bons, que os nossos pobres comentários ficam sempre com cara de insossos.

abraço

nemesis

# Julho 9, 2007 14:43

bp63 said:

Mais uma Aninha, ai como eu gosta deste nome!

Mas ó Ana T. eu não quero ficar responsável pela baixa de produtividade no dia seguinte ao ler os meus post?s, por ter adormecido tarde. Prometo, os próximos vão ser mais curtos. Quer dizer, o próximo, o próximo não sei se será, mas os outros, sim, vão ser.

Boa semana tb.

Bjs

Bp63

# Julho 9, 2007 20:27

bp63 said:

Obrigado Talina.

E é de prazer que falamos aqui!!!

Pena que o humor não possa ser cotado na bolsa, pois face à raridade sempre ganhava umas coroas. O problema é que a inspiração por vezes tem o mesmo factor, a raridade. E dói querer escrever e as palavras fugirem. Tchau, tenho que ir atrás delas?

1 abraço

Bp63

# Julho 9, 2007 20:31

bp63 said:

Olha mais uma Aninha, desta vez com muitos excelentes nnnnnnnnnn.

Uma excelente semana tb, uma excelente volta por aqui e uns excelentes post tb, lá pelo lado dos sete.

Beijo

Bp63

# Julho 9, 2007 20:33

bp63 said:

Nemesis

2 coisas.

Primeiro sobre as fontes.

As minhas fontes são 3:

- A primeira é comum a toda a gente, andar aqui pela net à pesca dos factos, hoje em dia qualquer pessoa consegue ser uma enciclopédia ambulante se lhe dermos 10 minutos de avanço;

- A 2ª é uma estúpida biblioteca sobre cinema que eu há muitos anos resolvi começar a fazer, ignorando que passado alguns anitos ia aparecer um coisa chamada web information que me ia tornar tudo obsoleto e desnecessário. O dinheiro que me custou comprar livritos raros dava agora para construir uma mansarda para escrever os meus post?s (passo o exagero);

- A 3ª é uma memória RAM que ainda vou tendo por aqui nesta cabecita e que me faz lembrar de algumas coisas que vi e registei ao longo dos anos. O problema é que nesta altura, com esta idade, o normal seria fazer um upgrade para alargar os bytes, mas não, os anitos, todos os dias nos fazem downgrades.

Por último os comentários. Nunca são insossos. Um comentário é sempre algo que nos embala (olha eu a ser bebé!).

Os posts têm dias, e são sempre subjectivos, depende do gosto e da interpretação de cada um. Os comentários são objectivos, pequenas frases que reflectem o que as pessoas sentiram no momento. E isso é bom. Mesmo que seja um simples gostei e adeus.

Abraço

Bp63

# Julho 9, 2007 20:48

Snowmass said:

Cumprimentos,

Renovo os meus parabéns.

Afinal a sua criatividade, a nível sexual, também é do tipo extra!?

E de fitas nem falo. Temo que tire o emprego a algum que ande para aí a sobreviver com subsídios, armado em cineasta.

# Julho 9, 2007 23:43

bp63 said:

Obrigado Snowmass

Tem razão, a criatividade é mesmo como a sexualidade? tem dias!!!!

Quanto ao tirar emprego, não tema, porque navego em águas tão distantes desta coisa chamada cinema que não faço mal a ninguém, ou seja, não posso ser um Piratas das Fitas, à Procura do Cofre do Homem Subsidio.

1 abraço

Bp63

# Julho 10, 2007 0:08

dissidencias said:

Olá Brad Pitt,

Já muito tinha eu lido sobre sexo... desde enciclopédia sexuais, passando pelas famosas revistas GINA (na minha adolescência ainda não havia net... hehehehe), até aos manuais e livros que se vendem nas bancas dos hipermercados, sobre as melhores posições, formas, locais e níveis de humidade para se fazer sexo... Mas nunca tinha lido algo semelhante ao que li aqui. Vou passar a imprimir e a colocar num dossiers tudo o que publicares, pois és realmente uma enciclopédia ambulante...

Gostei especialmente do Nu Bum-Bum, talvez por desconfiar que esta categoria é um pouco auto-biográfica...:

"Que o diga Brad Pitt que passou horas na maquilhagem só para lhe disfarçarem uma pequena (diz ele) borbulha na cena do Legends of the Fall ( Lendas de Paixão), em que ele filma deitado de rabiosque para o ar."

um grande abraço e não leves a mal o meu comentário, porque eu já nasci assim... de rabo parvo para o ar...

dissidencias

# Julho 10, 2007 1:35

EuniceTavares said:

Olá Bernardo,

tens aqui um post muito bem elaborado. Parabéns e, acima de tudo, palmas para o cinema europeu.

Beijinhos

# Julho 10, 2007 15:12

bluewater68 said:

bp63,

desta vez não posso comentar à medida deste post.

Digo que me deu muito gosto em ler e fez-me abanar muitas vezes a cabeça em sinal de concordância.

Na história do nú, lembrei-me do Cinema Paraíso. Havia sempre um padre que fazia a censura dos filmes a exibir e todos os beijos eram cortados. No fim, o actor principal, revê numa bobine todas essas cenas cortadas. Essa cena, faz-me sempre um enorme nó na garganta. Chorar é que não, que nisso os homens...

Cito esta frase brilhante:

«Os Americanos têm os efeitos especiais, nós, os Europeus, temos os efeitos sexuais»

Essa campanha "Let's come together" foi acompanhada de uma outra só com imagens de humor. A primeira teve 2 milhões de visitas no YouTube, a segunda, umas 200 mil.

Não vi os dois filmes, "O Crime do Padre Amaro" e o "Alice". Em termos de qualidade, o segundo é capaz de ser bem superior ao primeiro. No entanto, o primeiro foi só o filme mais visto nas nossas salas de cinema e fez nascer mais uma sex-symbol nacional.

Nesta: "quanto mais baixo for o nível de neurónios do filme, maior é propagação da mamocas" eu concordo plenamente. Sem pensar muito, lembro-me dos clássicos Porkies.

O Mel Gibson e o Arma Mortífera era um clássico.

E qual a categoria dos nús do Kubrik (aquele que é difícil criticar) no "Eyes Wide Shut"?

bp63, um excelente texto e sobretudo, muito bem documentado em termos de factos.

Li no monior, mas agora vou imprimir para poder sublinhar alguns aspectos que ainda requerem comentário.

Abraço

# Julho 10, 2007 16:39

bp63 said:

Ora, ora Dissidências!

Sempre a descobrir a minha personalidade mais oculta. É que isto de ter todo o mulherio atrás de nós é uma tarefa ingrata para um pobre mortal como eu. Já a Angelina me dá muito trabalho, agora imaginem as outras.

Pronto, as questão de estar de rabiosque ao léu a fazer um make up é chato, mas em compensação a maquilhadora não era má e acabamos por ter um caso, que eu sou assim irresistível? mas isto do caso com a mulher do pó-de-arroz não foi o Rob Lowe, depois de ter dado a bronca no congresso do Democratas ao meter-se como uma piquena ainda muito piquena? (olha eu de Porteira!) Estas minhas duplas personalidades andam a ficar baralhadas.

Quanto à enciclopédia, eu já avisei, com esta geringonça da net dêem-me 10 minutos de avanço e volto um doutor.

Um abraço mesmo para quem anda de rabo parvo para o ar? não será muito pior andar de rabo para terra?

Bp63

# Julho 10, 2007 20:11

bp63 said:

Obrigado Eunice.

E muitas palmadas para o cinema Europeu? perdão palmas! E para o Bernardo também, seja ele quem for.

Bjs deste que teimam em chamar de Bernardo

Bp63

# Julho 10, 2007 20:13

bp63 said:

Pois é caro BW realmente o Cinema Paraíso é uma referência. Mas eu penso que há outro filme, do género, muito injustiçado, porque teve o azar de ser esmagado pelo Cinema Paraíso.

Chama-se Splendor e é do Ettor Scolla. Tem 2 interpretações magníficas do Marcelo Mastroini e do Massimo Troisi (O mesmo do Carteiro de Pablo Neruda). O Cinema Paraíso tem o puto, é um pouco mais melodramátrico, mais fácil. Splendor está mais na linha da grande tradição do cinema italiano. Lembra Fellini no seu melhor, Amacord talvez. Aconselho, quando puderes (se ainda não vistes) a dar uma espreitadela.

Realmente o sexo move tudo, daí o filme da Comissão sobre o sexo ter tantas entradas enquanto que o outro nem por isso. Há quem diga que o sucesso da Internet se deve em parte ao acesso ao sexo que ela permitiu. Mas isso será outra discussão.

Sobre o Kubrick, e a nudez da Nicole Kidman e afins, penso que acabou por não ser muito ousado. Aliás penso que o filme prometia muito mais do que dava, em todos os aspectos. Acho que ele ficou demasiado tempo fechado no filme e depois não o conseguiu resolver. Manias de Mestre. Eu Classificava a nudez entre o Artístico e o Tímido.

O que é isso de imprimir? Olha o ambiente. Queimamos os olhos a ler no computador mas salvamos as arvorezinhas da pasta de celulose. Ainda vais ter o Al Gore e o pessoal da Live Earth à perna. Para imprimir os meus lençóis é quase preciso um Pinhal de Leiria deitado abaixo (a boca é também para o Dissidências que vai fazer dossier).

Espero então os outros sublinhados.

1 Abraço.

Bp63

# Julho 10, 2007 20:31

bluewater68 said:

bp63,

enquanto não vêm os sublinhados, acrescentos duas curtas.

O Boogie Nights vai ter direito ao merecido destaque.

Sexo, internet e afins - último post do Unroyal

Eu só imprimo em papel reciclado :)

# Julho 10, 2007 20:46

MarAzul2007 said:

Caro amigo BP63,

Mas que grande lençol, com um vantagem vê-se tudo sobre a nudez no cinema. Está muito bem feito, só falta mesmo um Top Ten dos filmes que aposto há-de estar para nascer.

Um abraço

# Julho 10, 2007 20:59

MarAzul2007 said:

Caro amigo BP63,

Mas que grande lençol, com uma vantagem vê-se tudo sobre a nudez no cinema. Está muito bem feito, só falta mesmo um Top Ten dos filmes que aposto há-de estar para nascer.

Um abraço

# Julho 10, 2007 20:59

MarAzul2007 said:

Caro amigo BP63,

Mas que grande lençol, com uma vantagem vê-se tudo sobre a nudez no cinema. Está muito bem feito, só falta mesmo um Top Ten dos filmes que aposto há-de estar para nascer.

Um abraço

# Julho 10, 2007 20:59

Annnna said:

Ultimate

Para quando nova Metragem???????

Estou à espera, mas vou sentar-me eheheheh

Uma boa semana

Um beijo enorme

Annnna

# Julho 10, 2007 21:12

bp63 said:

BW

Ah Boogie Nights! O que não há para dizer. Há um outro filme, mais antiguinho (1976?) chamado Inserts, do  John Byrum com Richard Dreyfuss, que aborda também um pouco a questão da decadência do cinema e da pornografia. Veio-me à memória (esta frase não seria um bom slogan para um novo filme da Comissão? Vou propor).

Já li o post do Unroyal. Vem confirmar alguns elementos que tinha, ainda que não tão bem quantificados como ele, e que irei falar no Post seguinte da trilogia (será de quatro?) pois há uma ligação do sexo na Internet e as modificações recentes no cinema.

abraço

# Julho 12, 2007 8:55

bp63 said:

Meu caro MarAzul

Depois do meu lençol, resolveu colocar 3 almofadas. Irei pensar que serão coisas que ai informática tece, e não que seja já uma piada a uma menage 3, com tanto sexo e nudez por aqui.

Quanto ao top faço um contraproposta mais democrática, digam as vossas preferências e ele será elaborado. Digamos que eu tenho algumas eleições, mas serão sempre só as minhas escolhas.

Digamos que no post seguinte irá aparecer um Top, mas da cenas escaldantes.

Abraço.

bp63

# Julho 12, 2007 9:00

bp63 said:

Annnnnnnnna

A Nova metragem vem aí.

Mas há atrasos na produção. Também o encaixe financeiro da última sequela não foi tão grande quanto estava estimado e agora teve que haver cortes. Mas vai vir (também é um bom trocadilho para o spot do cinema europeu).

Beijo e quase bom fim-de-semana,

# Julho 12, 2007 9:04
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