SOL

Imagens caídas

Uma imagem vale mais do que mil palavras. Porque não fazer o contrário? Com as palavras construir e falar de imagens.

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Sexo no Cinema 1/3 de III - Vias de Facto - 5 Posições
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 etermidade

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O prometido é devido e cá está finalmente a última parte da Trilogia sobre o Sexo no cinema. Comecei por falar das insinuações, depois do nu e finalmente o prato forte, os actos sexuais propriamente ditos.

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Como um bom político digo uma coisa e faço outra. Assim, se anunciei uma trilogia acabo por fazer umas variações da mesma. Acho que inventei a Trilogia em 5 partes.

Vi que os últimos post’s estavam muito extensos e resolvi partir o episódio III, também ele, em 3 partes. E para não perder mais tempo em preliminares, vamos lá a esta Espécie de Trilogia.

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Dividi as cenas sexuais em 15 posições, perdão, 15 tipos. Aqui vai a primeira tranche de 5, que é para o pessoal não ficar muito cansado. Como uma boa telenovela, temos sexo por episódios, que é para render.

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Cars

cars 

Não, não venho com uma teoria conspiradora e paranóica sobre os filmes e as cenas de animação da Disney (ver estes lindos exemplos: Exemplo1, Exemplo2, Exemplo3). Quando falo em Cars, falo sobre as cenas de sexo nos carros. São quase tão antigas como o cinema. Não é que o local seja propriamente afrodisíaco (para mim tem objectos a mais à volta, para uma coisa que se quer intima), mas o certo é que o pessoal do cinema gosta muito de vir com uma cenita passada num banco de trás. Deve ser para matar saudades de uma certa juventude que, ao ter o T3 sempre ocupado com os progenitores, aliviava a suas hormonas num T0 metalizado. Por isso este tipo de acto vem, na maior parte das vezes, associado aos Borbulha Movies. Antes ou depois do baile de finalistas há que levar a louraça mais vistosa da turma para uma noitada cheia de romantismo à luz da lua no seu lindo objecto velocípede, só que tem tanto de romântico como a verbe de um qualquer andaime de construção civil portuguesa. O pior é quando vem um serial killer à maneira e estraga a festa. Bom, mas isto não é deste filme. Adiante.

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As cenas normalmente primam por não mostrar muito, ter muito barulho e quase nunca acabam bem. Quando estou a ver aquilo, a única excitação que encontro é o “advinha quem vai estragar a festa”, o serial, o polícia, o ex-namorado, o pai ou a própria menina, que num gesto de arrependimento resolve ingressar na ordem das Mónicas? Claro que se for um voyeur a coisa anima mais um bocado, porque, ainda que platonicamente, faz-se ali uma menage 3.

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Mas sobre o mostrar pouco, não pensem que é por pudor do realizador. É mesmo pela dificuldade de colocar a câmara. A cena já não fica fácil, com os corpos dos actores a terem que se contorcionarem em 0,5 m2, quanto mais ainda terem uma objectiva, um projector e um espanador voador (vulgo microfone de cena) a passearem a meia dúzia de cms das suas zonas mais acarinhadas (no verdadeiro sentido).

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Mas se nunca encontrei muita libido (ao vivo e no cinema) no truca-truca num Cadillac em 2ª mão, então depois de ver o Crash do David Cronenberg é que fiquei mais angelical do que Madre Teresa. O homem, o David, foi-se aos automóveis e vá de filmar todas as variantes de sexo numa IC19 lá do sítio, como se um filme porno se tratasse, mas em cima duma lataria sobre rodas. Então se houvesse um acidente e umas feridas ali pelo meio, é que era o delírio total. Digamos que o acidente funcionava assim como uma espécie de revista porno (Alô Gina! Você ainda existe?!) para um adolescente com hormonas as saltos. Bom, o resultado deste filme levou-me a que quando olho para o meu carro apetece-me colocar lá uma imagem de uma Senhora de Fátima pendurada no retrovisor, para nunca me deixar cair em tentação. Além disso quase que me fazia perder outro Crash, o excelente filme do Paul Haggis, só por terem o mesmo nome. Só pode ser trauma.

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Fora da Cama, já!

piscina 

A cama é o altar do sexo. Não sei quem disse, mas concordo. Talvez por isso, Pedro Almodóvar e a sua Carmen Maura, no Mulheres à beira de um ataque de nervos, resolveram pegar fogo à dita. Mas não é de efeitos pirotécnicos no sexo que venho falar aqui, até porque isso podia levar a segundas interpretações pouco abonatórias para a minha, ainda que quase nula, reputação.

Na cama é bom, mas fora dela ainda é melhor. Fazemos (os realizadores, claro, que eu sou como as estrelas, não falo da minha vida intima) umas variações no cardápio e zás, vamos até à cozinha, à sala, ao banho (este é sempre de eleição) e, se não chegar o menu saímos porta fora, vamos até à piscina e ao jardim, e há que fazê-lo ao ar livre. Se a coisa ainda arder mais, então saímos portão fora e é o Do it em qualquer espaço público. Enfim uma pouca-vergonha.

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Podemos dividir as cenas em 2 blocos, o Ainda dentro de Portas (sem segundos sentidos com qualquer figura pública) e o Mesmo Fora de Portas.

O 1º bloco é típico nas cenas do banho. Não sei é do efeito líquido/gasoso, mas o certo é que o cinema já nos deu muita água. Richard Gere e a francesa Valerie Kaprisky, no Último Fôlego, presentearam-nos com muito bom sexo no chuveiro. Talvez já antecedendo a problemática da água, vamos é tomar banho juntos que isto além de sair mais barato, ainda é amigo do ambiente. O filme era uma versão de um outro, o À bout de souffle, do Godard. A intelectualidade cinéfila ficou horrorizada. O mulherio nem tanto, afinal puderam ver à grande (não é para levar à letra) e à francesa (tinha que ser, não fosse um remake de um franciú) o Ricardinho Giro de frente, que é como quem diz, ver o dito cujo.

A cozinha também tem das suas, deve ser do cheiro a alho na frigideira (há algo mais afrodisíaco que um cheiro a alho? Nem sei como os povos mediterrânicos têm filhos!!). O certo é que uma ceninha entra tachos e panelas é sempre aquecedora. A mais emblemática talvez seja a de Jack Nicholson e a da Jessica Lange no Carteiro toca sempre 2 vezes (tenho foto, mas não ponho!! Nha, Nhã!!).

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Mas quando o calor aperta e a sede desperta, a malta sai para a rua e não há jardim que chegue. Eis o 2º bloco. Mais uma vez a água e o seu efeito eros é protagonista. Cenas na praia e nas piscinas sucedem-se. Quem já esqueceu a famosa cena na praia entre o Burt Lencanster e a Deborah Kerr no filme From Here to Eternity?. Estávamos em 1953 e aqueles poucos minutos de 2 corpos a rolar na areia tiveram mais calor do que uma tarde soalheira de Agosto no Alentejo. Talvez por isso ela profere “I never knew it could be like this”. Claro que o espectador só vê o bonito e esquece o incómodo da areia entre os corpos, como se fosse um penetra numa festa privada.

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As piscinas não deixam de trazer cenas bens quentes, como se compreende, pois a malta vai para dentro de água é porque tem calor. Em 1969, Alain Delon e Romy Schneider provocavam o choque com as suas cenas na Piscine. Hoje em dia isso parece-nos a história da Branca de Neve. Especialmente se comparamos com as cenas da Cor da Noite (foto acima) onde nem debaixo de água há descanso. Digamos que o rapaz Bruce Willis foi bastante corajoso ao se deixar filmar sem preconceitos dentro de água, sabendo nós homens, que esse ambiente nunca nos favorece o “perfil”.

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Quando o jardim já não chega, há mesmo que o fazer para além de muros, e aí, restaurantes, escritórios, elevadores de todo o mundo, preparai-vos. Michael Douglas e Glen Colose, na Atracção fatal, assim o pensaram, e o elevador naquele prédio pouco recomendável foi testemunha da sua fogosa libido. Pena que a coisa depois tenha acabado mal. Enfim, não se pode ter tudo.

Mas a minha cena favorita fora de portas, acaba por ser uma que não o é, ou seja, a famosa simulação do orgasmo por Meg Ryan no When Harry Met Sally, que teve um titulo perfeitamente estúpido em português, Um Amor Inevitável, que acabava por desvendar a premissa misteriosa de todo o filme.

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2 em 1

 sliver

Woody Allen costumava dizer que era um grande adepto da masturbação, pois era fazer amor como uma pessoa da qual ele gostava muito (mais ou menos esta ideia). Não duvido dele, afinal ele é um Mestre. Mas não deixa ser curioso que é das cenas mais incomodativas do cinema. Podemos estar a espreitar a maior das orgias, que nos sentimos, como espectador, mais um na molhada, daqueles que ficam paradinhos, num cantinho, só a ver. Agora quando nos é mostrado uma cena de alguém que resolve fazer amor com ela própria apetece-nos logo ir comprar pipocas para o cinema inteiro, para demorarmos muito na volta. Não sei explicar essa sensação, talvez porque aquilo que vemos é supostamente para ser feito sozinho. Ou será porque nos vem à mente algum pânico recalcado da adolescência de sermos apanhados? Talvez por esse desconforto, não é um tipo de cena muito utilizada no cinema.

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Já reparam que hoje em dia qualquer filme, até para maiores de 6, pode ter uma cena de sexo, com maior ou menor explicitação. No entanto, se houver uma cena de masturbação, por muito simples que seja, a classificação vai logo para Maiores de 16. Não é caricato que supostamente o acto sexual mais banal, mais precoce, e alcance de qualquer um, seja depois aquele que tem uma carga maior quando é visionado no cinema? Além disso tem outro problema, é que a cena tem que ser muito bem filmada e um pouco explícita, senão a malta ainda vai pensar que está a dar um ataque epiléptico à personagem.

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Lembro-me da cena da banheira do Sliver (Violação de Privacidade), em, que o William Baldwin espreitava a doce donzela Sharon Stone entregue aos prazeres solitários. Como a coisa ficou muito forte, com ela nunca seria para menos, há que fazer uns cortes para o filme passar na malha dos censores, perdão, classificadores. Corte dali, corte daqui e aquilo acabou por ficar numa cena em que não se percebia se ela estava a ter um ataquinho ou se o Spielberg tinha sido convidado para as filmagens e o seu Tubarão tinha invadido a banheira. Felizmente que a senhora Stone pôs-se em cima dos seus saltos altos e disse, ou aquilo fica por inteiro ou sai tudo. No EUA não sei, mas que aqui no doce Europa vimos tudo, lá isso vimos.

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Naomi Watts também nos presenteou com uma boa sessão em Mulholland Drive, talvez das cenas mais forte do filme de David Lynch. Não há nada como uma mãozinha para ajudar a narrativa por vezes complicada do Lynch.

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Mas se no cinema erótico as cenas femininas são um must e um exclusivo, menino não entra, no cinema dito normal a rapaziada por vezes também aparece com as calças na mão. Comecemos logo pela cena do Amacord, Fellini, em que vai logo uma colectiva ao som dos nomes das suas namoradas em fantasia. Estes italianos nunca fazem a coisa por menos.

Almodóvar um rapaz que nos gostava logo de chocar na primeira cena para depois tudo o que vier serem peanuts, fez-nos essa brinquinha em 2 filmes consecutivos, na Lei do Desejo, embora aqui não fosse muito bem um self-service, dado que a cena era quase que telecomandada por uma voz, e em Matador, onde um toureiro se espraiava todo ao ver um filme de sexo, sangue e morte. Isto das Touradas é o que tem, por alguma coisa lhe chamam a Festa Brava, e que festa!

Recentemente tivemos Babel que nos mostrou uma cena muito incomodativa, pois tratava-se de um miúdo a espiar a sua irmã, é das tais que queremos mesmo sair para comprar pipocas.

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Mas como corolário tinha mesmo que incluir 2 filmes, o Spanking the Monkey, por tratar quase em exclusivo o tema, aliás qualquer jovem americano sabe o quer dizer o título, e o American Pie por ter feito de tão nobre acto uma mais valia gastronómica. A mim nunca mais me apanham a comer tartes daquelas.

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CITES

Ou

Quando for grande quero ser Porno

 emmanuelle

Há quem diga que a diferença entre um filme porno e um erótico, é que nestes últimos falam mais, gastam mais dinheiro em cenários e mostram muito menos. De resto é tudo igual. Senão vejamos, uma conversa, uma queca, outra conversa, outra queca, agora perde-se a cabeça e vêm 2 quecas de seguida, mesmo sem conversa. Ora isto tanto está no Boazonas Gulosas IV como no Emmanuelle II. Ok, neste último há mais elegância no falar, a luz nas praias foi mais cuidada e não vimos as entranhas das meninas até à exaustão. Mas de resto, não é a mesma filosofia? Ou melhor, quem precisa de filosofia para se avançar para o truca-truca? Quanto menos conversa melhor.

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Este fenómeno de filmes de sexo para o mainstream tem, em mim, uma razão muito simples, o pessoal tinha vergonha de ir ver sexo do bom e do duro às sessões continuas dos Olimpyas locais, e então ia ver estas cenas mais puras em salas refinadas, mas claro, sempre com o mesmo principio, aquecer um pouco a alma mater.

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Assim estas cenas caracterizam-se por um pretenso bom gosto, umas pérolas ficam sempre bem numa senhora, mesmo com os seus elegantes membros inferiores abertos, muito bem iluminadas, nunca esquecer umas velinhas espalhadas pelo décor, com uma banda sonora cuidada, ai o piano e os violinos são sempre tão chiques, e onde se escondem todo e qualquer gemido mais abrupto, as senhoras ainda podem soltar uns ais, mas os gajos nem pio. Não se vê nenhuma parte do corpo menos própria, com excepção da púbis feminina, e mesmo esta nunca em close up. Os corpos, sempre belos das donzelas são percorridos por longos travellings desde o pescoço até às coxas, como se estivéssemos numa viagem guiada num parque de diversões maroto. Aos senhores, além de estarem calados como um rato enquanto executam a sua perfomance só lhe és permitido mostrar os glúteos e os bíceps. O seu papel é só dar um imenso prazer à senhora sua partenair. Depois ainda dizem que a mulher é que é objecto nestes tipo de filmes.

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Emmanuelle é por excelência o filme de eleição deste tipo. Introduziu todo um género. Criou um estilo de filmar sexo e uma estrela própria, Sylvie Kristel. Os americanos não se quiseram ficar atrás e com o seu mestre do porno disfarçado, Jonh Derek, lançaram também uma estrela, Bo Derek em filmes como Bolero (teve cenas rodadas em Portugal, o cavalo que ela montava toda nua era o do João Moura, dizem) e Fantasias. Outras desculpas eróticas vieram para dar o corpo ao manifesto, como o 9 Semanas e Meia, Orquídea Selvagem, Betty Blue (este francês), Damage, até aos super conhecidos Instinto Fatal e Violação de Privacidade, com essa grande actriz Sharon Stone a ter brilhantes desempenhos, um autêntico Laurence Olivier de curvas mais finas e com uma propensão mais naturista.

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Mas se repararem bem tudo isto teve um fim. Vejam que filmes desta linha há agora por aí. Quase nenhuns. Porquê? Meus amigos, pelo simples facto de ter aparecido uma coisa chamada Internet.

O Unroyal publicou um excelente post sobre a economia e a pornografia, onde já se pode ver isso pois “28.258 pessoas vêem pornografia na Internet, por segundo “. Se as pessoas já tem o sexo aqui à mão porque razão hão-de ir ao cinema, ainda por cima poderem dar de caras com as trombas dos vizinhos de cima ou do colega do emprego e ter que dizer aquela conversa de xaxa, “Grande argumento, e a rapariga vai muito bem é muito boa actriz” ou então “O que me puxa a mim nestes filmes é a fotografia, têm sempre umas paisagens tão lindas”. Por amor de Deus, fica-se no quentinho do lar e vêm-se todas as mamocas, raboiosques e pilinhas que se quiser. E para mais não temos que gramar com conversas sem interesse nenhum de argumentos idiotas.

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Por isso eu chamo a este tipo de cenas de sexo, e de filme também, CITES (abreviatura de Convention on International Trade in Endangered Species of Wild Fauna and Flora, isto é Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção, também conhecida por Convenção de Washington). Temos uma espécie em vias de extinção, o filme erótico. Salvemos a Bo Derek e o Urso Panda, já!

 

Interruptus

 eyes

Qual é a coisa qual é ela, que mais fica interrompida nos filmes? Não comecem já a penar na marotice. São as refeições, especialmente nos restaurantes. Já repararam na quantidade de vezes que a protagonista se levanta e deixa o rapaz a falar sozinho? Nunca ninguém me rapa aqueles pratos. As entradas e o vinho ainda vá que não vá, mas agora chegar ao prato principal é que é muito raro, há sempre uma discussãozita, um convidado melga, um pequeno fait divers, que leva a pequena, por vezes também o pequeno, a atirar com o guardanapo de pano, puro linho, sim porque as personagens do filmes comem sempre em restaurantes muito bons, e sair porta fora. Na maioria das vezes a outra parte sai depois correndo, deixando ficar umas notas em cima da mesa. Caso para perguntar, o dinheiro não custa a ganhar a esta gente? Cum catano, se pediu tem que comer, além de ser esbanjamento também é falta de educação não comer aquilo que nos põe na mesa. Se a vida fosse como nos filmes eu queria mesmo era ser empregado de mesa, os fulanos deixam sempre um bom conjunto de notas em cima da mesa e saiem porta fora. Deve ser uma pipa de massa em gorjeta, tanto mais que nem chega a haver facturação pela comezaina. Ganha o empregado, ganha o patrão, mas perde o fisco porque facturar faz o país avançar e aqui factura nem vê-la.

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Mas tirando as refeições qual é a segunda coisa mais interrompida? Claro, um outro tipo de refeição, a carnal. É um desatino, ou porque o há um empecilho qualquer que aparece ou porque o realizador não está pelos ajustes e corta aquilo a meio. Assim podemos dividir as cenas Interruptus em 2 subtipos, as Toca o telefone e as Vou ali e já venho.

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Nas Toca o Telefone, esse elemento irritante que nos invade nos bons e maus momentos (não entro muito em detalhes para não ser muito escatológico), há sempre um elemento exterior que atrapalha a cena sexual, ou o telefone propriamente dito, ou a invasão da casa por todo o tipo de parentada, ou porque a coisa não está a dar certo e tudo é empecilho ou ainda porque a concentração (vamos chamar-lhe assim) não é muito grande e dá origem a um comentário do tipo Querido mudei a casa. O que é certo é que começam com um certo entusiasmo e depois nicles, parte-se para terra que o mar esta flat.  

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Ainda recentemente no filme Dizem por aí, a Jennifer Aniston e o Mark Ruffalo criam concretizar uma fantasia e dar uma rapidinha na casa de banho de um avião, mas a coisa não funcionou, primeiro porque o espaço era apertado, e o Kamasutra viveu numa era em que não havia low cost  logo não havia posição que servisse, depois porque a tal concentração, para não lhe chamar uma outra rima mais brejeira, também não era muito grande. O que é certo que a fantasia ficou por cumprir. Tirando a Emmanuelle os filmes porno, estas cenas nos aviões nunca dão certo. Então se pensamos naquele vómito chamado Serpentes a Bordo, não só não dão certo, como quando se entra num WC de uma Air qualquer, pensamos tanto em sexo como o Castelo Branco pensa em gajas boas (não sei se vou deixar ficar esta piada).

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As Vou ali e já venho são uma seca. Primeiro o realizador entusiasma-nos com um bons preliminares, ainda nos dá algumas partes dos corpinhos já a trepidarem, mas depois, quando a coisa aquece mesmo, a câmara vai por ali fora e se não nos mostra os passarinhos lindos, com os seus biquinhos a cantarem numa árvore, faz-nos um desfoque da cena até acabar num plano escuro, assim tipo João César Monteiro na sua Branca de Neve, mas mais barato ao nosso erário. Apetece logo gritar, ouve lá se é para não mostrar, então não vale a pena tanto espalhafato.

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Estiveram a Nicole kidman e o Tom Cruise a apanhar esse frio todo, de Olhos bem fechados, e depois niente. Ainda por cima sabendo nós que o Stanley Kubrick era uma perfeccionista e repetia até à exaustão um pequeno detalhe. Dizem as más línguas, não eu, que não tenho feitio de porteira, Deus me livre!, que foi após esse filme que o casal começou a ter broncas e que nunca mais se recompôs. Já viram o que é ter que acariciar o seio da sua amada 999 vezes numa tarde? Depois quando chegavam a casa só queriam mesmo era chá com torradas e ver um episodia de uma Floribela qualquer que andasse a passar lá pelas terras de Sua Majestade (ou será que eles lá no nevoeiro não têm dessas coisas?).

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Uma cena Interruptus forte, e talvez a melhor, é a cena de assédio da Demi Moore ao Michael Douglas no filme Revelação. O coitado bem que tentava parar aquilo, não por vontade do realizador, mas porque ele não queria ser papado pela sua boss. Quanto mais tentava parar, mais subia o nível excitação. Acabou por vencer e resistir e deixar a pobre Demi a espumar (vê-se mesmo que é um homem de ficção). A desgraçada além de não ter levado a sua à avante, que é como quem diz, a do Michael ao seu moinho, ainda levou um processo de assédio sexual. Um homem a pôr um processo a uma mulher por assédio? Ou os tempos estão a mudar ou isto são mesmo fitas.

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Para mim tenho que esta solução é para evitar que se chegue àquela parte dos espasmos do orgasmo. O limite entre o ter prazer e o estar numa cena de terror, é muito pequeno, logo convém não arriscar. Vai-se para aquela máxima do fica subentendido que é mais bonito (mais outra mentira!).

Em resumo, o sexo Interruptus, faz jus àquele nosso velho ditado do nem faz, nem sai de cima.

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I’ll be back!!!! Com mais novas 10 cenas estimulantes.

Posted: terça-feira, 24 de Julho de 2007 21:40 por bp63

Comentários

Annnna said:

Ultimate!

Grande Post , aliás, como nos tens vindo a habituar.

Umas excelentes férias se for o teu caso (por acaso é o meu eheheh)

Um beijo enorme

Annnna

# Julho 25, 2007 9:54

bluewater68 said:

Bom dia bp63,

estas tuas análises são sempre uma maravila.

Difícil mesmo é comentá-las. Apenas por uma simples razão. É que o teu texto está perfeito e é muito exaustivo, esgotando os melhores exemplos.

Estava a ler o texto e lembrei-me de imediato do Crash. Pimba, mais adiante lá estava ele como exemplo.

Depois, no "Fora da Cama, já!", também me lembrei da famosa cena do "O Carteiro toca sempre duas vezes". Pimba, toma lá que também a referiste :)

Mas nesse capítulo, eu acrescento algumas cenas e que marcaram uma época. Todas retiradas do "9 Semanas e 1/2". A cena dele a alimentar a Kim junto a um frigorífico com a porta aberta (olha o desperdício de energia) e a cena na escadaria, com a água a escorrer pelos degraus, parecendo aquilo as cataratas do Niágara.

E lembrei-me também de outra cena bem intensa. Ou melhor, intensa ou uma das cenas mais longas de sexo jamais vistas. Refiro-me ao devaneio que ocorreu na sala de jantar do filme "Monster's Ball".

E que saudades da Bo. Grande, grande Bo.

Então e o "Império dos Sentidos"? não devia ter sido referido no capítulo porno?

Acredites ou não, ainda há dias questionava-me precisamente sobre essa questão dos restaurantes. Que raio. Se já sabem que o assunto é melindroso, para qê escolher um restaurante. Encontrava-se à esquina e despachavam a conversa rapidamente. Ou então, abordava-se a conversa ao pedir a conta. Mas logo no início?

Parabéns pelo teu texto que nada tem a ver com essas cenas de sexo do cinema, que prometem muito e acabam em desilusão. Este teu texto dá gosto ler do princípio ao fim.

E claro está, fica a curiosidade em relação aos capítulos seguintes.

Depois de ter escrito isto, sei que vou ficar a pensar em vários filmes e nas suas cenas. Por isso, é bem provável que aqui volte consoante me vá lembrando de aspectos singulares ou marcantes.

Abraço

# Julho 25, 2007 12:15

bp63 said:

Annnnna

Obrigado.  O post é grande mas desta vez encurtei-o ao dividi-lo em 3 partes. Achei que não havia pachorra para aguentar os meus lençóis que davam para fornecer uma unidade hoteleira algarvia (não é piada bw) no mês de Agosto. E por falar nisso estão aí, quase, quase, as férias, mas falta o quase. Boas férias para a menina.

Bjs

Bp63

# Julho 25, 2007 19:58

bp63 said:

Pois é BW!

Os filmes como as cerejas vão vindo à memória.

Quando começo a escrever tento partir da minha memória. Só que já não é o que era e depois tenho que me socorrer da Internet. Mesmo assim muita coisa fica de fora. Mas o objectivo é apenas falar de 2 ou 3 filmes por categoria para exemplificar a ?análise?.  

No fim, se tiver tempo e as pessoas pachorra para ler sou capaz de publicar uma lista mais ou menos exaustiva e a sua classificação perante as categorias. O problema é lembrar-me de todas as cenas. A lista é fácil, agora as cenas é que é mais difícil, mas vou tentar.

No que respeita ao 9 semanas e meia é realmente um marco, mas dos tais do porno disfarçado, os tais filmes que estão a desaparecer. Falei nele nessa categoria. Dado o conteúdo forte das cenas, sei que poderia ter debulhado melhor a sua análise. Talvez ainda apareça noutra categoria.

O Monster?s Ball, é uma das minhas falhas. Não o vi no cinema e na TV vi uns bocados, mas nunca consegui ver o filme todo. Não sei porque motivo.

Quanto ao Império dos Sentidos, bom, o menino já está a adiantar serviço. Não o inclui na categoria do ?Quando for grande quero ser porno? porque ele já era porno. Não de 1º escalão mas quase. Penso incluí-lo noutros 2 tipos que vão vir e que se chamam (eis um exclusivo!!!) ?Mau Sexo - Isto Ainda acaba mal? e ?Ao vivo e a cores ? Sexo real?.

Venham de lá esses comentários adicionais, pois podem ir ajudando as restantes análises. A edição ainda não está fechada. E a minha memória cada vez mais aberta, a deixar fugir muita coisa.

Abraço

Bp63

# Julho 25, 2007 20:24

nenufar said:

Bp63,

excelente como sempre. Adoro o teu sentido de humor. Ainda bem que o teu sentido de trilogia é mais lato porque assim prolonga-se o prazer...da leitura, óbviamente.

Fico a aguardar os próximos capítulos.

Bjs

Ana T.

# Julho 27, 2007 0:59

Nemesis said:

Eheheheh o império dos sentidos é um filme porno? Deve ter sido por isso que eu chorei metade do filme e só me lembro dos dois debaixo dum guarda chuva, dela a pôr um ovo e de ter concluído que um traseiro dum homem afinal pode ser divino (nunca percebi porque foi que chorei e de qualquer maneira era nova demais para perceber fosse o que fosse). Eu ia jurar que não o referiu por não ter conseguido enganar o porteiro acerca dos seus catorze anitos na altura em que foi exibido pela primeira vez :)

Obrigada por mais um bom momento, fico à espera, um beijo

nemesis

# Julho 27, 2007 1:29

bp63 said:

Obrigado Ana T.

Voltarei com mais tranches. Não para render o peixe mas porque este Verão tímido a isso obriga. Também muito calor só de uma vez fazia  mal.

Bjs

Bp63

# Julho 28, 2007 13:19

bp63 said:

Nemesis

Para o Império não enganei o porteiro, não me atrevi. Mas para a Dona Flor e os seus 2 maridos, aí sim. Com 14 anos armei-me em matulão de 18. Claro que os sapatos altos e o cabelo grande (como eram as modas, meu Deus!) ajudaram-

Quanto ao ser porno só mandei a boca porque esse filme era bastante verdadeiro no que respeitava ao sexo, não vinha com hipocrisias eróticas do ?ai também podia ser porno mas tenho que ser discreto?. Mostrava e pronto. Claro que o seu sexo (dele, do filme) explícito não se punha ao mesmo nível dos HardCore.

Porque choramos nos filmes? Um bom assunto para a psicanálise. Não sou propriamente de chorar mas por vezes emociono-me com coisas completamente patetas.

Mas é isto que é bom no cinema e no ser humano também. Olhar para uma fatia de melancia num filme, e uns verem um fruto a ser mastigado e outros um pedaço das suas vidas a escorrer na boca dos actores.

Voltarei.

Bjs

Bp63

# Julho 28, 2007 13:35

Nemesis said:

ora bem... o que é ser porno? a Susan Sontag tem um ensaiozito sobre isso, não devo ter concordado nem discordado muito porque li-o e varreu-se-me da memória. Mas parece-me que quando estou na cama com o meu parceiro, faça o que fizer, não estou a fazer nada de pornográfico. Mas se ligarmos a webcam e puzermos o pessoal cada um em sua casa a pagar para nos ver, já estou, não é? é como comer por ter fome ou comer para ter o prazer de poder ir ao quarto de banho descomer :) ou sei lá, comer profissionalmente por se ser a provadora da cleópatra.

Assim, se eu for especialista em filmes só com sexo e contratar repetidamente um par de actores para estarem três horas em diversos truca-trucas com o objectivo de vender o filme e com a encenação que mais excite os voyers na plateia que pagaram o filme com o objectivo único de se excitarem sexualmente, estou a fazer uma forma de sexo comprável que se consome com os olhos, um filme porno. Se fizer um filme sobre o sexo e o prazer erótico levado às últimas consequências, mesmo que mo paguem por ser esse o meu modo de vida e que as pessoas que o vão ver eventualmente se excitem (ou optem por ter sensações totais alternativas tais como chorar baba e ranho sabem lá por quê) não foi para fazer dinheiro que o fiz nem para excitar ninguém e quem lá foi também não foi em exercício da sua vida sexual embora o filme lhe possa ter aterrado em cheio nela. Portanto o filme que não é sexo nem acessório do sexo, mas é sobre o sexo, é erótico e não pornográfico.

está-me a ocorrer que é na mesma com os blogues. se eu for muito loura, muito holandesa e muito convencida e fizer um blogue só sobre sexo e tiver tantos comentários que nem preciso de lhes responder, estou a fazer um blogue pornográfico ou erótico?

# Julho 30, 2007 15:49

Nemesis said:

Fiquei a pensar no assunto e carreguei distraída em enviar, que despedida à francesa :)

um beijo

nemesis

# Julho 30, 2007 15:50

bp63 said:

Ai Nemesis, Nemesis!

Tanto que há por dizer. Tanta provocação!!!

E Este calor a nao deixar registar as palavras.

Voltarei com ela, com uma resposta, à la francaise e em grande, porque nesta coisas o tamanho é importante.

Até lá, bons refrescos... mas sem acúcar!!!

Beijos

bp63

# Julho 31, 2007 0:08

Jaguar said:

Com graça, com gosto, com pormenores....bp63 deu aqui uma sessão de cinema em cheio..

O problema da masturbação é sempre difícil no cinema..Só insinuando...~

e estou a lembrar a apresentação / in´+icio do filme  "o matador" de Almodóver, emq ue o Barreras está na sua função solitária , mas +aenas se vendo da cintura para cima..

na cozinha não gosto ...quer-se dizer..não gosto muito...

A ALELUIA MÁXIMA é num pinhal ao fim de auma tarde em que apenas eu e ela lá estejamos...ao céu vou.....

prometo voltar aqui..

Se para férias, que elas sejam óptimas...

abraço

jaguar

ps--parece que agora é politicamento incorrecto dizer que se gosta de sexo na cama..ora gaita,..eu gosto....

# Julho 31, 2007 19:13

Nemesis said:

olá

Mesmo sem qualquer ponto de vista moral sobre a pornografia, que não tenho - em princípio, salvo quando conduz a vícios de substituição lamentáveis, até porque reduzem o convívio :), ou a idéias obsessivas malucas que já vi por aí na blogosfera, tais como dormir com ovelhas - parece-me é que os filmes porno assentam num guião inexistente ou que começa com uma cena introdutória de pretexto (ia o capuchinho vermelho a caminho da praia em Miami quando encontrou um lobo mau no seu Vanwall F1 e depois pronto. É aquilo e aquilo mesmo. E no filme  seguinte do mesmo realizador ia o capuchinho mau a caminho do castelo da avó em Balmoral quando encontrou o lobo vermelho a bordo do seu F430 Blackmiracle equipado com correntes no banco traseiro) e zás truca truca até ao fim.

Já um filme erótico, feito por um realizador como Nagisa Oshima, é precedido por algo se calhar nada erótico e seguido de algo sobre a segunda guerra ou por aí, conta uma história, tem princípio, meio e fim, mas sobretudo tem QUALIDADE seja lá o que for essa coisa fugidia mas indispensável.

O que não implica que um filme porno não possa ter qualidade (e até passar por cinema erótico) e outro porno ser mesmo mau até dentro do género mas sempre e apenas dentro do género. Já um filme erótico com qualidade tem qualidade comparado seja com que filme for dentro e fora do género.

PS - Não foi de todo para provocar.Foi para aí porque a lua cheia quando nasce é para todos e porque aqui no Porto o tempo está até fresco.

beijo

nemesis

# Agosto 1, 2007 14:11

bp63 said:

Pornografia (geral) ? Representação obscena do sexo.

Pornografia (cinema) ? Representação explicita do sexo numa narrativa continua de cariz sexual.

Estas 2 definições (da minha autoria sobre inspiração de outros autores) se calhar arrumam já o assunto e acabam por nos aproximar, em termos de interpretações. Mas eu não vou deixar arrumar já.

Fazer sexo nunca será pornográfico. Fazê-lo, ligar a webcam para outros verem também não o será, é apenas uma variante moderna do sexo. Será pornografia se outros, para os quais não mostrei a minha cenita, também a fossem ver porque alguém colocou as minhas imagens. A pornografia seria o acto de mostrar imagens sem minha autorização e não o acto de as fazer.  Porque era obsceno esse acto. De resto qualquer acto, em que tenham prazer para todas as partes, e que não agrida ninguém que não tenha entrado, nunca é pornográfico.

Quando digo que o Império dos Sentidos é pornográfico, estou um pouco na brincadeira e apenas a ser redutor, pois em cinema normalmente quando havia sexo explícito dizia-se pornográfico. Isso hoje em dia não é bem assim. Aliás um dos filmes que já falei, Shortbus, que tem muitas cenas de sexo explícito não é pornográfico para mim, enquanto que o pastiche erótico Orquídea Selvagem é pornográfico, ainda que disfarçado. Não mostra muito sexo, mas toda a narrativa é um pretexto para mostrar sexo.

Para mim, filmes eróticos e pornográficos são a mesma coisa. Como já disse, uns mostram mais outros menos, mas o objecto é o mesmo, ter umas conversinhas e mostrar umas quequinhas (o diminutivo é apenas para tornar menos brejeiro o assunto). Nada mais. O que é diferente de um filme com erotismo, que são filmes dramáticos, de acção, suspense, etc que depois apresentam boas cenas eróticas. A narrativa vai mais além do que o sexo, e o sexo que apresenta tem enquadramento na narrativa. Exemplo básico, Instinto fatal, Noites Escaldantes e até mesmo o Império dos Sentidos, só para falar de nomes sonantes.

Mas não tenho nada contra a pornografia. Pelo contrário. É um género e tem que ser avaliado como tal. Desde que feito por adultos e em plena liberdade de escolha, é tão válido como outro tipo qualquer. O cinema de terror pretende assustar-nos. O porno pretende excitar-nos. O problema destes géneros exclusivos de único ambiente é que raramente acabam por fazê-lo, por ficaram demasiados obcecados com o seu objecto. Quantas vezes um bom thriller não nos assustou mais que um filme de terror? disse

Por último, mas não é último, uma última provocação: E se o cinema porno fosse o pai de um novo cinema moderno comercial? Eis a temática de um próximo post, logo que termine a falsa trilogia. Com tanta sexo ainda acabo a defender uma tese ou a publicar um livro como o Kinsey, mas claro, numa versão de cordel.

beijos

Ps: Andamos em Porto's diferentes. No meu estava mesmo muito calor.

bp63

# Agosto 1, 2007 22:18

bp63 said:

O comentário acima, como se deve subentender era uma reposta para a Nemesis. Ela sabe disso.

# Agosto 1, 2007 22:21

bp63 said:

Jaguar

Obrigado.

Realmente o acto mais simples de fazer é aquele que é mais complicado representar em cinema. Talvez por ser muito pessoal, o pessoal não fica muito bem a fazer aquilo rodeado de pessoal no plateau.

Quanto à cena do Matador, ele começava assim, só que não era o Banderas, acho que era o Nacho Martinez.

No que respeita aos ambientes para o Do it, cada um, cada qual.

Abraço

Bp63

# Agosto 1, 2007 22:26
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