Cars |
|
Não, não venho com uma teoria conspiradora e paranóica sobre os filmes e as cenas de animação da Disney (ver estes lindos exemplos: Exemplo1, Exemplo2, Exemplo3). Quando falo em Cars, falo sobre as cenas de sexo nos carros. São quase tão antigas como o cinema. Não é que o local seja propriamente afrodisíaco (para mim tem objectos a mais à volta, para uma coisa que se quer intima), mas o certo é que o pessoal do cinema gosta muito de vir com uma cenita passada num banco de trás. Deve ser para matar saudades de uma certa juventude que, ao ter o T3 sempre ocupado com os progenitores, aliviava a suas hormonas num T0 metalizado. Por isso este tipo de acto vem, na maior parte das vezes, associado aos Borbulha Movies. Antes ou depois do baile de finalistas há que levar a louraça mais vistosa da turma para uma noitada cheia de romantismo à luz da lua no seu lindo objecto velocípede, só que tem tanto de romântico como a verbe de um qualquer andaime de construção civil portuguesa. O pior é quando vem um serial killer à maneira e estraga a festa. Bom, mas isto não é deste filme. Adiante. As cenas normalmente primam por não mostrar muito, ter muito barulho e quase nunca acabam bem. Quando estou a ver aquilo, a única excitação que encontro é o “advinha quem vai estragar a festa”, o serial, o polícia, o ex-namorado, o pai ou a própria menina, que num gesto de arrependimento resolve ingressar na ordem das Mónicas? Claro que se for um voyeur a coisa anima mais um bocado, porque, ainda que platonicamente, faz-se ali uma menage 3. Mas sobre o mostrar pouco, não pensem que é por pudor do realizador. É mesmo pela dificuldade de colocar a câmara. A cena já não fica fácil, com os corpos dos actores a terem que se contorcionarem em 0,5 m2, quanto mais ainda terem uma objectiva, um projector e um espanador voador (vulgo microfone de cena) a passearem a meia dúzia de cms das suas zonas mais acarinhadas (no verdadeiro sentido). Mas se nunca encontrei muita libido (ao vivo e no cinema) no truca-truca num Cadillac em 2ª mão, então depois de ver o Crash do David Cronenberg é que fiquei mais angelical do que Madre Teresa. O homem, o David, foi-se aos automóveis e vá de filmar todas as variantes de sexo numa IC19 lá do sítio, como se um filme porno se tratasse, mas em cima duma lataria sobre rodas. Então se houvesse um acidente e umas feridas ali pelo meio, é que era o delírio total. Digamos que o acidente funcionava assim como uma espécie de revista porno (Alô Gina! Você ainda existe?!) para um adolescente com hormonas as saltos. Bom, o resultado deste filme levou-me a que quando olho para o meu carro apetece-me colocar lá uma imagem de uma Senhora de Fátima pendurada no retrovisor, para nunca me deixar cair em tentação. Além disso quase que me fazia perder outro Crash, o excelente filme do Paul Haggis, só por terem o mesmo nome. Só pode ser trauma. |
o |
Fora da Cama, já! |
|
A cama é o altar do sexo. Não sei quem disse, mas concordo. Talvez por isso, Pedro Almodóvar e a sua Carmen Maura, no Mulheres à beira de um ataque de nervos, resolveram pegar fogo à dita. Mas não é de efeitos pirotécnicos no sexo que venho falar aqui, até porque isso podia levar a segundas interpretações pouco abonatórias para a minha, ainda que quase nula, reputação. Na cama é bom, mas fora dela ainda é melhor. Fazemos (os realizadores, claro, que eu sou como as estrelas, não falo da minha vida intima) umas variações no cardápio e zás, vamos até à cozinha, à sala, ao banho (este é sempre de eleição) e, se não chegar o menu saímos porta fora, vamos até à piscina e ao jardim, e há que fazê-lo ao ar livre. Se a coisa ainda arder mais, então saímos portão fora e é o Do it em qualquer espaço público. Enfim uma pouca-vergonha. Podemos dividir as cenas em 2 blocos, o Ainda dentro de Portas (sem segundos sentidos com qualquer figura pública) e o Mesmo Fora de Portas. O 1º bloco é típico nas cenas do banho. Não sei é do efeito líquido/gasoso, mas o certo é que o cinema já nos deu muita água. Richard Gere e a francesa Valerie Kaprisky, no Último Fôlego, presentearam-nos com muito bom sexo no chuveiro. Talvez já antecedendo a problemática da água, vamos é tomar banho juntos que isto além de sair mais barato, ainda é amigo do ambiente. O filme era uma versão de um outro, o À bout de souffle, do Godard. A intelectualidade cinéfila ficou horrorizada. O mulherio nem tanto, afinal puderam ver à grande (não é para levar à letra) e à francesa (tinha que ser, não fosse um remake de um franciú) o Ricardinho Giro de frente, que é como quem diz, ver o dito cujo. A cozinha também tem das suas, deve ser do cheiro a alho na frigideira (há algo mais afrodisíaco que um cheiro a alho? Nem sei como os povos mediterrânicos têm filhos!!). O certo é que uma ceninha entra tachos e panelas é sempre aquecedora. A mais emblemática talvez seja a de Jack Nicholson e a da Jessica Lange no Carteiro toca sempre 2 vezes (tenho foto, mas não ponho!! Nha, Nhã!!). Mas quando o calor aperta e a sede desperta, a malta sai para a rua e não há jardim que chegue. Eis o 2º bloco. Mais uma vez a água e o seu efeito eros é protagonista. Cenas na praia e nas piscinas sucedem-se. Quem já esqueceu a famosa cena na praia entre o Burt Lencanster e a Deborah Kerr no filme From Here to Eternity?. Estávamos em 1953 e aqueles poucos minutos de 2 corpos a rolar na areia tiveram mais calor do que uma tarde soalheira de Agosto no Alentejo. Talvez por isso ela profere “I never knew it could be like this”. Claro que o espectador só vê o bonito e esquece o incómodo da areia entre os corpos, como se fosse um penetra numa festa privada. As piscinas não deixam de trazer cenas bens quentes, como se compreende, pois a malta vai para dentro de água é porque tem calor. Em 1969, Alain Delon e Romy Schneider provocavam o choque com as suas cenas na Piscine. Hoje em dia isso parece-nos a história da Branca de Neve. Especialmente se comparamos com as cenas da Cor da Noite (foto acima) onde nem debaixo de água há descanso. Digamos que o rapaz Bruce Willis foi bastante corajoso ao se deixar filmar sem preconceitos dentro de água, sabendo nós homens, que esse ambiente nunca nos favorece o “perfil”. Quando o jardim já não chega, há mesmo que o fazer para além de muros, e aí, restaurantes, escritórios, elevadores de todo o mundo, preparai-vos. Michael Douglas e Glen Colose, na Atracção fatal, assim o pensaram, e o elevador naquele prédio pouco recomendável foi testemunha da sua fogosa libido. Pena que a coisa depois tenha acabado mal. Enfim, não se pode ter tudo. Mas a minha cena favorita fora de portas, acaba por ser uma que não o é, ou seja, a famosa simulação do orgasmo por Meg Ryan no When Harry Met Sally, que teve um titulo perfeitamente estúpido em português, Um Amor Inevitável, que acabava por desvendar a premissa misteriosa de todo o filme. |
o |
2 em 1 |  |
Woody Allen costumava dizer que era um grande adepto da masturbação, pois era fazer amor como uma pessoa da qual ele gostava muito (mais ou menos esta ideia). Não duvido dele, afinal ele é um Mestre. Mas não deixa ser curioso que é das cenas mais incomodativas do cinema. Podemos estar a espreitar a maior das orgias, que nos sentimos, como espectador, mais um na molhada, daqueles que ficam paradinhos, num cantinho, só a ver. Agora quando nos é mostrado uma cena de alguém que resolve fazer amor com ela própria apetece-nos logo ir comprar pipocas para o cinema inteiro, para demorarmos muito na volta. Não sei explicar essa sensação, talvez porque aquilo que vemos é supostamente para ser feito sozinho. Ou será porque nos vem à mente algum pânico recalcado da adolescência de sermos apanhados? Talvez por esse desconforto, não é um tipo de cena muito utilizada no cinema. Já reparam que hoje em dia qualquer filme, até para maiores de 6, pode ter uma cena de sexo, com maior ou menor explicitação. No entanto, se houver uma cena de masturbação, por muito simples que seja, a classificação vai logo para Maiores de 16. Não é caricato que supostamente o acto sexual mais banal, mais precoce, e alcance de qualquer um, seja depois aquele que tem uma carga maior quando é visionado no cinema? Além disso tem outro problema, é que a cena tem que ser muito bem filmada e um pouco explícita, senão a malta ainda vai pensar que está a dar um ataque epiléptico à personagem. Lembro-me da cena da banheira do Sliver (Violação de Privacidade), em, que o William Baldwin espreitava a doce donzela Sharon Stone entregue aos prazeres solitários. Como a coisa ficou muito forte, com ela nunca seria para menos, há que fazer uns cortes para o filme passar na malha dos censores, perdão, classificadores. Corte dali, corte daqui e aquilo acabou por ficar numa cena em que não se percebia se ela estava a ter um ataquinho ou se o Spielberg tinha sido convidado para as filmagens e o seu Tubarão tinha invadido a banheira. Felizmente que a senhora Stone pôs-se em cima dos seus saltos altos e disse, ou aquilo fica por inteiro ou sai tudo. No EUA não sei, mas que aqui no doce Europa vimos tudo, lá isso vimos. Naomi Watts também nos presenteou com uma boa sessão em Mulholland Drive, talvez das cenas mais forte do filme de David Lynch. Não há nada como uma mãozinha para ajudar a narrativa por vezes complicada do Lynch. Mas se no cinema erótico as cenas femininas são um must e um exclusivo, menino não entra, no cinema dito normal a rapaziada por vezes também aparece com as calças na mão. Comecemos logo pela cena do Amacord, Fellini, em que vai logo uma colectiva ao som dos nomes das suas namoradas em fantasia. Estes italianos nunca fazem a coisa por menos. Almodóvar um rapaz que nos gostava logo de chocar na primeira cena para depois tudo o que vier serem peanuts, fez-nos essa brinquinha em 2 filmes consecutivos, na Lei do Desejo, embora aqui não fosse muito bem um self-service, dado que a cena era quase que telecomandada por uma voz, e em Matador, onde um toureiro se espraiava todo ao ver um filme de sexo, sangue e morte. Isto das Touradas é o que tem, por alguma coisa lhe chamam a Festa Brava, e que festa! Recentemente tivemos Babel que nos mostrou uma cena muito incomodativa, pois tratava-se de um miúdo a espiar a sua irmã, é das tais que queremos mesmo sair para comprar pipocas. Mas como corolário tinha mesmo que incluir 2 filmes, o Spanking the Monkey, por tratar quase em exclusivo o tema, aliás qualquer jovem americano sabe o quer dizer o título, e o American Pie por ter feito de tão nobre acto uma mais valia gastronómica. A mim nunca mais me apanham a comer tartes daquelas. |
o |
CITES Ou Quando for grande quero ser Porno |  |
Há quem diga que a diferença entre um filme porno e um erótico, é que nestes últimos falam mais, gastam mais dinheiro em cenários e mostram muito menos. De resto é tudo igual. Senão vejamos, uma conversa, uma queca, outra conversa, outra queca, agora perde-se a cabeça e vêm 2 quecas de seguida, mesmo sem conversa. Ora isto tanto está no Boazonas Gulosas IV como no Emmanuelle II. Ok, neste último há mais elegância no falar, a luz nas praias foi mais cuidada e não vimos as entranhas das meninas até à exaustão. Mas de resto, não é a mesma filosofia? Ou melhor, quem precisa de filosofia para se avançar para o truca-truca? Quanto menos conversa melhor. Este fenómeno de filmes de sexo para o mainstream tem, em mim, uma razão muito simples, o pessoal tinha vergonha de ir ver sexo do bom e do duro às sessões continuas dos Olimpyas locais, e então ia ver estas cenas mais puras em salas refinadas, mas claro, sempre com o mesmo principio, aquecer um pouco a alma mater. Assim estas cenas caracterizam-se por um pretenso bom gosto, umas pérolas ficam sempre bem numa senhora, mesmo com os seus elegantes membros inferiores abertos, muito bem iluminadas, nunca esquecer umas velinhas espalhadas pelo décor, com uma banda sonora cuidada, ai o piano e os violinos são sempre tão chiques, e onde se escondem todo e qualquer gemido mais abrupto, as senhoras ainda podem soltar uns ais, mas os gajos nem pio. Não se vê nenhuma parte do corpo menos própria, com excepção da púbis feminina, e mesmo esta nunca em close up. Os corpos, sempre belos das donzelas são percorridos por longos travellings desde o pescoço até às coxas, como se estivéssemos numa viagem guiada num parque de diversões maroto. Aos senhores, além de estarem calados como um rato enquanto executam a sua perfomance só lhe és permitido mostrar os glúteos e os bíceps. O seu papel é só dar um imenso prazer à senhora sua partenair. Depois ainda dizem que a mulher é que é objecto nestes tipo de filmes. Emmanuelle é por excelência o filme de eleição deste tipo. Introduziu todo um género. Criou um estilo de filmar sexo e uma estrela própria, Sylvie Kristel. Os americanos não se quiseram ficar atrás e com o seu mestre do porno disfarçado, Jonh Derek, lançaram também uma estrela, Bo Derek em filmes como Bolero (teve cenas rodadas em Portugal, o cavalo que ela montava toda nua era o do João Moura, dizem) e Fantasias. Outras desculpas eróticas vieram para dar o corpo ao manifesto, como o 9 Semanas e Meia, Orquídea Selvagem, Betty Blue (este francês), Damage, até aos super conhecidos Instinto Fatal e Violação de Privacidade, com essa grande actriz Sharon Stone a ter brilhantes desempenhos, um autêntico Laurence Olivier de curvas mais finas e com uma propensão mais naturista. Mas se repararem bem tudo isto teve um fim. Vejam que filmes desta linha há agora por aí. Quase nenhuns. Porquê? Meus amigos, pelo simples facto de ter aparecido uma coisa chamada Internet. O Unroyal publicou um excelente post sobre a economia e a pornografia, onde já se pode ver isso pois “28.258 pessoas vêem pornografia na Internet, por segundo “. Se as pessoas já tem o sexo aqui à mão porque razão hão-de ir ao cinema, ainda por cima poderem dar de caras com as trombas dos vizinhos de cima ou do colega do emprego e ter que dizer aquela conversa de xaxa, “Grande argumento, e a rapariga vai muito bem é muito boa actriz” ou então “O que me puxa a mim nestes filmes é a fotografia, têm sempre umas paisagens tão lindas”. Por amor de Deus, fica-se no quentinho do lar e vêm-se todas as mamocas, raboiosques e pilinhas que se quiser. E para mais não temos que gramar com conversas sem interesse nenhum de argumentos idiotas. Por isso eu chamo a este tipo de cenas de sexo, e de filme também, CITES (abreviatura de Convention on International Trade in Endangered Species of Wild Fauna and Flora, isto é Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção, também conhecida por Convenção de Washington). Temos uma espécie em vias de extinção, o filme erótico. Salvemos a Bo Derek e o Urso Panda, já! |
|
Interruptus |  |
Qual é a coisa qual é ela, que mais fica interrompida nos filmes? Não comecem já a penar na marotice. São as refeições, especialmente nos restaurantes. Já repararam na quantidade de vezes que a protagonista se levanta e deixa o rapaz a falar sozinho? Nunca ninguém me rapa aqueles pratos. As entradas e o vinho ainda vá que não vá, mas agora chegar ao prato principal é que é muito raro, há sempre uma discussãozita, um convidado melga, um pequeno fait divers, que leva a pequena, por vezes também o pequeno, a atirar com o guardanapo de pano, puro linho, sim porque as personagens do filmes comem sempre em restaurantes muito bons, e sair porta fora. Na maioria das vezes a outra parte sai depois correndo, deixando ficar umas notas em cima da mesa. Caso para perguntar, o dinheiro não custa a ganhar a esta gente? Cum catano, se pediu tem que comer, além de ser esbanjamento também é falta de educação não comer aquilo que nos põe na mesa. Se a vida fosse como nos filmes eu queria mesmo era ser empregado de mesa, os fulanos deixam sempre um bom conjunto de notas em cima da mesa e saiem porta fora. Deve ser uma pipa de massa em gorjeta, tanto mais que nem chega a haver facturação pela comezaina. Ganha o empregado, ganha o patrão, mas perde o fisco porque facturar faz o país avançar e aqui factura nem vê-la. Mas tirando as refeições qual é a segunda coisa mais interrompida? Claro, um outro tipo de refeição, a carnal. É um desatino, ou porque o há um empecilho qualquer que aparece ou porque o realizador não está pelos ajustes e corta aquilo a meio. Assim podemos dividir as cenas Interruptus em 2 subtipos, as Toca o telefone e as Vou ali e já venho. Nas Toca o Telefone, esse elemento irritante que nos invade nos bons e maus momentos (não entro muito em detalhes para não ser muito escatológico), há sempre um elemento exterior que atrapalha a cena sexual, ou o telefone propriamente dito, ou a invasão da casa por todo o tipo de parentada, ou porque a coisa não está a dar certo e tudo é empecilho ou ainda porque a concentração (vamos chamar-lhe assim) não é muito grande e dá origem a um comentário do tipo Querido mudei a casa. O que é certo é que começam com um certo entusiasmo e depois nicles, parte-se para terra que o mar esta flat. Ainda recentemente no filme Dizem por aí, a Jennifer Aniston e o Mark Ruffalo criam concretizar uma fantasia e dar uma rapidinha na casa de banho de um avião, mas a coisa não funcionou, primeiro porque o espaço era apertado, e o Kamasutra viveu numa era em que não havia low cost logo não havia posição que servisse, depois porque a tal concentração, para não lhe chamar uma outra rima mais brejeira, também não era muito grande. O que é certo que a fantasia ficou por cumprir. Tirando a Emmanuelle os filmes porno, estas cenas nos aviões nunca dão certo. Então se pensamos naquele vómito chamado Serpentes a Bordo, não só não dão certo, como quando se entra num WC de uma Air qualquer, pensamos tanto em sexo como o Castelo Branco pensa em gajas boas (não sei se vou deixar ficar esta piada). As Vou ali e já venho são uma seca. Primeiro o realizador entusiasma-nos com um bons preliminares, ainda nos dá algumas partes dos corpinhos já a trepidarem, mas depois, quando a coisa aquece mesmo, a câmara vai por ali fora e se não nos mostra os passarinhos lindos, com os seus biquinhos a cantarem numa árvore, faz-nos um desfoque da cena até acabar num plano escuro, assim tipo João César Monteiro na sua Branca de Neve, mas mais barato ao nosso erário. Apetece logo gritar, ouve lá se é para não mostrar, então não vale a pena tanto espalhafato. Estiveram a Nicole kidman e o Tom Cruise a apanhar esse frio todo, de Olhos bem fechados, e depois niente. Ainda por cima sabendo nós que o Stanley Kubrick era uma perfeccionista e repetia até à exaustão um pequeno detalhe. Dizem as más línguas, não eu, que não tenho feitio de porteira, Deus me livre!, que foi após esse filme que o casal começou a ter broncas e que nunca mais se recompôs. Já viram o que é ter que acariciar o seio da sua amada 999 vezes numa tarde? Depois quando chegavam a casa só queriam mesmo era chá com torradas e ver um episodia de uma Floribela qualquer que andasse a passar lá pelas terras de Sua Majestade (ou será que eles lá no nevoeiro não têm dessas coisas?). Uma cena Interruptus forte, e talvez a melhor, é a cena de assédio da Demi Moore ao Michael Douglas no filme Revelação. O coitado bem que tentava parar aquilo, não por vontade do realizador, mas porque ele não queria ser papado pela sua boss. Quanto mais tentava parar, mais subia o nível excitação. Acabou por vencer e resistir e deixar a pobre Demi a espumar (vê-se mesmo que é um homem de ficção). A desgraçada além de não ter levado a sua à avante, que é como quem diz, a do Michael ao seu moinho, ainda levou um processo de assédio sexual. Um homem a pôr um processo a uma mulher por assédio? Ou os tempos estão a mudar ou isto são mesmo fitas. Para mim tenho que esta solução é para evitar que se chegue àquela parte dos espasmos do orgasmo. O limite entre o ter prazer e o estar numa cena de terror, é muito pequeno, logo convém não arriscar. Vai-se para aquela máxima do fica subentendido que é mais bonito (mais outra mentira!). Em resumo, o sexo Interruptus, faz jus àquele nosso velho ditado do nem faz, nem sai de cima. |
| | | |