Pior que marinheiros num bordel depois de meses em alto mar. Pior ainda?! Pior que ex-presidiário na sua primeira noite de liberdade, após cumprir uma longa pena de 20 anos. Pior que tudo isto, ou seja, com umas ganas de comer um manjar inteiro todo de uma vez. Muitas das cenas de sexo do cinema enfermam deste síndrome, o de mostrar uma vontade exacerbada das partes em cumprir o seu contrato. Qual acto banal, qual coisa simples, o sexo, meus senhores e minhas senhoras, é algo transcendente de eros, executado por homens sedentos e viris e por mulheres cheias de apetite, a demonstrar-nos que nós, os pobres mortais anónimos, praticamos uma coisa miserável e insossa quando comparada com as acrobacias de luta livre praticada pelos ilustre da tela. Digamos que eles praticam um combate completo de Wrestling enquanto nós apenas treinamos uma simples sessão de pilatos. Quando comparados com a fúria dos actos deles, os nossos quase que poderiam figurar, se filmados, num filme da Disney. Claro que os mais fanfarrões já estão neste momento a comentar, só se fores tu, que eu cá comigo ainda faço autênticos tsunamis todas a noites. Ai, como se gosta tanto de mentir sobre este assunto, até mesmo em pensamento! Bom, já que falamos nisto, vamos lá por os pontos nos is, eu estou a falar em abstracto e numa análise sobre terceiros, evidentemente. Sim, porque eu nesta minha vidinha sou também um cinéfilo energético, qual King Kong a trepar pela Naomi Watts, o que ando é a disfarçar. Ora ia lá eu ficar mal na fotografia. Isto de escrever nos blogues é como ser actor numa telenovela ainda nos confundem. Ò sr, bp63 gosto muito do seu programa, especialmente das suas performances. Pena que o meu Tonho não faça o mesmo, se bem que eu agora já não posso muito com essas coisas, sou uma mulher muito doente, ainda ontem tive o dia todo deitada com falta de ar. Felizmente que tive a companhia da D. Fátima e da D. Júlia, que são muito boas pessoas. O mau é que a Júlia e a Rita dão ao mesmo tempo, não há direito. Lá no seu blogue é que podia dar um jeitinho… Voltando ao assunto e ao furacão sexual. Não há nada como apresentar uma boa cena sexual cheia de energia para o filme aquecer. Pára tudo. Interessa lá se aquilo era importante para a narrativa. O assassino que espere, que agora é altura de calcinhas para baixo, a menina loura de serviço deitada em cima da secretária e zás – quem foi o cretino que pôs estes pisa-papéis de adereço aqui em cima? Quase que me iam furando as costas. Já não me bastava ter que aturar um gajo com mau hálito e passadote, que isto de ser loura tem sempre estas contrariedades, temos sempre que servir de pestisco aos galãs que já estão com as botas descaídas. Se não se toma cuidado com tanta pressa, um homem não vê onde põe as mãos, para não lhe chamar coisa pior, e cai numa esparrela. Veja-se o caso de Harrison Ford em Presumível Inocente, foi com tanta sede ao pote da Greta Scacchi, que perdeu o norte e acabou de Procurador a Procurado. Ainda por cima nem foram precisos cães faroleiros para detectar os vestígios de Harrison no local do crime. Bastou procurar cromossomas na greta, perdão na Greta. Este foi o meu momento de homenagem ao grande poeta Quim Barreiros. O problema é que depois quando põem as malas no chão, aquela primeira coisa que fazem depois do acto arrebatador e a segunda depois de chegarem a casa, não fica muita energia para a narrativa. E se nas cenas sem diálogo, ou antes, de diálogo monossílabo, havia bastante pujança, nas conversas seguintes tudo fica muito frouxo. Vejamos o caso de Sliver, Violação de Privacidade, em que Alec Baldwin depois de espreitar a vizinha, atirou-se a ela, à Sharon Stone, como gatos a bofes, e não lhe perdoou nada, nem sequer uma visita ao seu condomínio das traseiras (hoje estou mesmo muito Quim). Claro que com o furacão Stone da altura, 1993, não era difícil qualquer homem ficar à beira do vulcão, neste caso do Videotape. Só que passada a performance, ele ficava a andar por ali, no joguinho do espreita ó vídeo, feito um paspalhão sem chama nenhuma. Quando abria a boca tinha mais efeito que um xanax. Já a famosa f.u.c.k of century (palavras do Michael Douglas, não minhas) em Instinto Fatal, não deixou margem para dúvidas. Aquilo foi mesmo para nos meter inveja. E à mulher do Michael também, na altura uma srª Douglas qualquer sem Zetas nenhuns. Parece que o entusiasmo foi tanto entre o ganda Miguel e miss Pedra, que quando houve o clássico Cut os actores baralharam-se um pouco e quase que trocaram o t pelo m. Diz-se que foi a primeira cena de sexo explícito não explícito. Para mim foram apenas balelas para vender o filme, mas conhecendo a Sharon como eu conheço (íntimos, trocamos mails semanais todos os dias) não meto as mãos no fogo por ninguém, até porque ambos dispensaram a célebre tapadinha negra (não sei se há versões coloridas), uma espécie de pano velcro (ui, o que deve doer ao tirar!) que os actores põe nas partes genitais para não haver contacto entre as ditas. Cheira-me que com tanta fricção algumas bandeiras negras deverão ser erguidas durante muitas filmagens. Por falar em fogo, lembram-se das Noites Escaldantes da saudosa Kathelen Turner e do William Hurt, lá pelo ano 1981, filmado pelo Lawrence Kasdan em boa forma? As cenas escaldavam mesmo, tanto que acabaram por ter que se meter numa banheira com gelo (se a memória não me falha, ou estarei a confundir refrigerações?). Mas também a canícula lá para os lados da Florida era muito forte e a Catarina dava mesmo umas Voltas ao pastelão Guilherme Ferido. Não admira, com as curvas delas qualquer um se espalhava ao largo, por muito ABS que tivesse. Mesmo hoje, em que as curvas dela já deixaram de fazer parto do Grande Circuito Internacional, basta a senhora abrir a boca e explode mais sexualidade naquela voz do que em toda a colecção da Boazonas e Gostosas, consta que tem 6 volumes (consta-me, só isso). Claro que tanto amor só podia acabar mal, mas isso é tema de outra caixinha mais abaixo. Tenho em mim que este tipo de cenas, fortes e arrebatadoras, com figurões cheio de testosterona a rebentar pelo poros e mademoseilles mais esfomeadas do que uma activista do greenpeace em greve de fome, são apenas para representar uma eterna fantasia sexual masculina da mulher fatal ninfomaníaca, que todos os homens (bem, quase todos) esperam em encontrar um dia. Claro que depois também há uma projecção do autor no papel masculino, criando uma espécie de alter-ego bastante competente. Quem é que vai imaginar que encontra uma louraça esfomeadíssima e depois não tem sustento para tanta riqueza? Ninguém, ora já que o filme é meu (do realizador, claro) eu faço a fantasia como eu quero. Até porque estragava a festa. Vejam como eles, os realizadores, incham quando apresentam a sua obra numa sessão de estreia e o herói é um Rambo da competência erótica. Estão a ver, estão ver, aquele ali é uma personagem mas podia ser eu, fui eu o que criei à minha semelhança. Se o sexo já é uma coisa enérgica (vamos esquecer os tântricos para não adormecermos) então neste tipo de cenas é o reactor de uma central nuclear á beira de um colapso. Bom, para ser mais politicamente correcto será melhor utilizar uma eco-metáfora, digamos assim que o pessoal neste tipo de cenas é como um esquilo depois de tomar redbull (alguém se lembra do Pular a cerca?). Avassalados pela força do desejo, mais que uma dádiva, são uma autêntica Fúria de Deus. Ponham lá os olhinhos neste tipo de cenas, divirtam-se, mas não tentem repetir em casa, pelo menos todos os dias, ou ainda acabam a noite estendidos numa caminha branca, num longo corredor a serem medidos arterialmente por uma senhora também de branco. Só que esta, garanto, não será loura e nem terá um busto XXL. Bom, loura ainda poderá ser, mas de XXL só deve ter uma seringa para espetar no peito em caso de emergência. |
Tanto amor qualquer dia ainda acaba mal. Costumava dizer-se em tempos. Pois bem, muitas das cenas de sexo são apenas um interlúdio para que a coisa engrosse (malta, sem 2ºs sentidos) lá mais para o final e tudo descambe num banho, pouco sensual e um tanto avermelhado. Estas cenas normalmente derivam quase sempre das cenas referidas na classificação anterior, a tal dos esfomeados, o pessoal começa com muita vontade, e como tem à sua disposição um autêntico manjar, há que comer bem e depressa. O problema é que quando a esmola é grande o pobre desconfia, mas só desconfiamos nós, espectadores espertos que não andamos aqui a apanhar bonés, pois o tansinho (maioritariamente) ou a tansinha (menos vezes) nem dão pela coisa, a não ser quando vêm algo grande a ser-lhe espetado nas entranhas. Uma coisa lhe posso garantir, dessa penetração acutilante vão sair muitos ais, mas de prazer é que não são, ai não são, não! Esta terapia de choque, do primeiro pimba e depois pumba é típica dos filmes de terror. Vamos lá, até faz sentido, ao fim ao cabo estamos a falar de 2 tipos de excitação típicas que animam a rapaziada: uma de eros, para provocar uns ais mas sustenidos, outra de temor, com uns ais mais agudos. No que respeita a sensações há 2 tipos de filmes, o que relaxam e os que excitam. Nos que relaxam temos os clássicos dramas e as comédias, e aqueles que nem sendo uma coisa nem outra, de tão aborrecidos que são acabam por nos provocar uma boa soneca e saímos de lá como novos. Nos que excitam temos então os eróticos e afins (incluir aqueles como não quer a coisa lá vão mostrando umas cenitas no meio das introspecções existenciais), os de terror e afins (incluir os triller a fingir que querem mostrar muito a densidade psico de um psico, quando apenas nos querem assustar com as suas aberrações sanguinárias), a cowboiada (com muitas explosões, tiroteios e efeitos especiais á la carte). Claro que também temos os excitantes involuntários, que são aqueles filmes com argumentos tão complicados que saímos de lá irritados por não termos percebido nada (alguém me pode explicar qual é o resultado final do Matrix III, temos um jogo de Deus ou apenas uma brincadeira de gajos que tomaram LSD a mais?). O medo é excitante (se não fosse quem ia ver filmes de terror?), logo vamos juntar o pessoal noutras brincadeiras e aumenta-se o seu grau de excite, que assim se junta o útil ao agradável. Tenho para mim uma outra teoria - se calhar é sempre a mesma, mas como o pessoal que lê (será que leiem?) já perdeu a noção do que ficou escrito para trás, tal é o emaranhado de palavras e ideias, que nem repara - por causa das classificações dos filmes o pessoal corta-se um bocado nas cenas apimentadas, lá para o lado states, mas vontade não lhe falta. Assim, quando se apanham com um filme de terror nas mãos, e como sabem que este leva logo com um NC17 na testa, no mínimo, há que aproveitar e fazer aquilo que andou escondido e apetecido nos outros filmes, perdido por 100 perdido por 1000. No meu post sobre Sexo, Sangue Suor e Lágrimas já andei à volta disto (este gajo só pode ser tarado, sempre a falar do mesmo). Voltemos às cenas. Comecemos pelo Hostel, vendo a baba que corria pelos beiços dos rapazes americanos, para saltarem para cima de umas piquenas parolas e boazonas europeias, já se sabia que mais tarde ou mais cedo haveria outra coisa para escorrer do seu próprio corpo, e que não seria propriamente nenhum liquido fálico (esta não sei se não ficou ao nível de uma piada de caserna, ainda que, como o português é mais elaborado, será mais de uma caserna de oficiais da Marinha, tipo, assim, submarinos do Paulo Portas). Mas em conclusão, até é um filme com moral, se os rapazes trataram as meninas como carne para canhão, eles próprios acabaram com os focinhos pendurados como num talho (para quem não viu o filme, não é totalmente figura de estilo). Não há nada como uma boa moral de um bom filme, Disney ensinou-nos isto e a regra tem que ser respeitada, mesmo que o ambiente esteja tão distante do mundo Disney como um vegetariano super vega está de um Big Mac. Um pouco na fantasia, o filme acaba por denunciar a imagem que os americanos têm da Europa e especialmente das mulheres, é tudo uma cambada de galdérias ninfomaníacas a quererem regabofe e que eles, salvadores da pátria, estão cá para satisfazer os apetites das donzelas, que os machos europeus não têm competência para tal. Ou seja, que as nossas mulheres são uma espécie de Iraque Sex-Shop. O problema é que tal como nas terras do Oriente, os meninos deram-se mal e não contaram com os danos cu-laterais, vísceras-frontais and so one, so one. Mas há coisas menos horripilantes. Será? O Império dos Sentidos, 1976, também era muita paixão e tal e depois acabou com todo o material, não pendurado num talho, mas numa espécie de frutaria, ou seja com a fruta na mão da vendedora depois de arrancada ao chão que a alimentava. Depois admiram-se que a Lorena Bobbit, lá para o ano de 1993, tivesse cortado o pénis do seu marido, John Wayne Bobbit. Isto há gente que não pode ir ao cinema. Se tivesse ido ver o Silêncio dos Inocentes, o que fazia? Um modelo do Galliano com a pele do menino Bobbit? Bem vistas as coisas sempre foi melhor a imitação do Império, pois assim o John Wayne pôde voltar a disparar, graças ao avanço da ciência cirúrgica. Consta que virou actor porno. Espero que leve sempre para o plateau de rodagem um kit suplente não vá a coisa correr mal e alguma actriz ficar com uma peça extra – olha, eu quase que jurava que antes de sair de casa não tinha pilinha. Outra coisa interessante nestas cenas, que mais tarde ou mais cedo dão para o torto, é que maioritariamente as vitimas são homens. Ok, vamos lá esquecer os filmes puros de terror, que isso da loura com as mamocas ao léu a fugir de uma faca depois de ter apreciado uma outra palavra (inglesa) foneticamente quase igual, já está mais que batido. Pronto lá vem ele com a cena do homem ser objecto sexual. Deve ser trauma. Quer o quê? Que o convidem para o calendário da Elite Model? Melhor seria para um da Michelin, assim como assim pneuzito já sabe o que é. Assim de repente, para contrariar esta tese, só me lembro da tadinha da Glen Close, na Atracção Fatal, em que acabou por ser ela a pagar o pato, neste caso o coelho. De resto é sempre o maralhal de barba rija a arcar com o prejuízo. Está bem que se diverte primeiro à grande e à francesa, mas também não era preciso levar a coisa tão a peito. C’um ca tano, afinal somos o sexo forte ou não? Teríamos que ser nós e não elas, depois de todas as cavalgadas, a seguir no cavalo em direcção ao pôr-do-sol, pois estamos mais preparados para isso. Acabarmos picados, e caipirinha nem sempre apetece, enquanto as damas seguem lindas no seu descapotável, pois isto de subir para um cavalo com saia travada não é assim tão fácil, não há direito. Tivemos o trabalho quase todo e depois, além de ficarmos com salários em atraso, a patroa ainda no manda fazer um recado dentro duma caixa de pinho. É melhor fazer delete deste parágrafo, que tenho leitoras por aqui e não quero acabar com o meu blogue a ser triturado com um picador de gelo. Ai que saudades que tenho da Catherine Tramell a ilustrar tão bem este tipo de cena com a sua excelente abertura… falo cena inicial do Instinto Fatal, claro. Mas pronto, para terminar em paz com todas as partes, refiro a cena final do Matador, aquela em que Assumpta Serna e Nacho Martínez, se espraiam todos numa arena improvisada e, onde sobre a luz do eclipse, ela dá a estocada final enquanto ele a estrangula (ou será ao contrário?) e vão os 2 desta para melhor. Paz à sua alma. Espera-me em cielo por favor, dizia a canção final. Eu cá dizia, vá tu andando que eu já lá vou ter, depois de despachar a leitura destes blogues todos que tenho aqui entre mãos … Afinal não terminei. É que para fechar tinha que deixar umas palavritas sobre 2 filmes que são um ex libris nesta categoria. Salô ou 120 dias de Sodoma e a Laranja Mecânica. Aqui o sexo além de ser mau é uma transgressão constante suportada por uma orgia de violência fascista. O sexo forçado como símbolo da barbárie social. O que sei é que, depois de ver filmes como estes, a nossa libido foi de férias para um mosteiro do Tibete e tem overbooking no avião na viagem de regresso. |