SOL

Imagens caídas

Uma imagem vale mais do que mil palavras. Porque não fazer o contrário? Com as palavras construir e falar de imagens.

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Era uma vez um Muro e umas meninas gulosas

muro berlin 

Era uma vez um muro chamado Berlin. Não sabia como tinha nascido, mas sentia-se assim, um paspalhão ali no meio a dividir não sabia muito bem o quê.

menina cinzenta 

Do lado oriental vivia uma menina cinzenta que tinha tudo aquilo que pensava precisar. Mesmo assim queria saber o que estava para lá do muro. Os pais, uns senhores muito rigorosos, cuidavam que nada faltasse para manter a sua cor e não a deixavam trepar ao muro porque, por certo, se ia aleijar.

Além de lhe dizerem que do outro lado vivia o papão capitalista, que apesar de parecer ser muito sedutor corrompia as meninas e as transformava em bruxas, fazendo assim mal a todo o reino, tratavam também muito bem da sua segurança e impediam uma aproximação ao muro.

 menina colorida

Do lado ocidental vivia uma menina muito colorida, mais traquina e mais exigente. Mesmo tendo muita coisa achava que lhe faltava muito. Por isso, também tentava saber o que estava para lá do muro, especialmente porque lha cantavam musicas muito bonitas.

Os pais diziam que do outro lado estava o papão comunista, que comia criancinhas. Temendo que não fosse o suficiente para a convencer, tais eram o capricho da menina, eles não deixavam de lhe dar quase todos os doces e outras guloseimas que ela exigia. O quarto da menina ia ficando cada vez mais cheio, enquanto que a dispensa dos pais ia ficando cada vez mais vazia porque para comprar as coisas para a menina iam deixando de comprar outras coisas. Para suprir este problema os pais iam tirando de outras dispensas de outros pais, que por sua vez tiravam também de outras dispensas, entrando-se assim num ciclo contínuo dentro do reino.

Um dia, ventos fortes sopraram sobre o muro. E de um momento para o outro ele caiu. Todos ficaram felizes, inclusive o muro.

A menina cinzenta correu para o outro lado e viu todo um reino colorido e cheio de coisas. Ficou tão deslumbrada com tantas cores e doces que quis ter tudo. Não conseguiu. Afinal não tinha despensa que permitisse chegar lá. Com o tempo começou a conseguir também algumas guloseimas, que trocava por outras coisas que já tinha anteriormente seguras. Hoje, não sabe afinal que coisas é que são os doces de verdade, mas é feliz porque gosta de um vento a que chama liberdade.

A menina colorida também correu para o outro lado do muro. Viu que a canção estava errada e que para além das cortinas, afinal, não eram palcos azuis. Depressa esqueceu o assunto e voltou para o seu quarto para saborear todos os doces que lhe davam. O problema é que agora os pais já não se sentiam obrigados a dar-lhe nada, e se ela queria ter alguma coisa tinha que trabalhar mais nas tarefas do Reino. Não gostou da ideia mas também não lhe adiantou ameaçar os pais que ia para o outro lado do muro, ele até já não existia.

Mas ainda não tinha acontecido tudo. Com o tempo, o sistema piramidal de alimentar as dispensas (quando uma não tinha o suficiente uma outra cobria a falta) foi ficando cada vez mais fraco e os doces para a menina colorida e cinzenta, que agora também já tinha cores, começaram a ser mais raros porque os pais além de não terem capacidade para alimentar tamanha gula tinham agora um outro problema que era a vinda de outras crianças, monocromáticas, de outros lugares, que sem exigência de guloseima alguma faziam o mesmo que as crianças do reino.

Assim um novo vento global voltou a mudar as coisas. Agora as crianças, se não querem ser substituídas por outras quaisquer de uma só cor, têm que não só prescindir dos doces, para que os seus pais possam ter uma dispensa segura, como também dedicar-se mais às tarefas do reino.

Moral da história: Nem sempre os ventos sopram caminhos abertos.

Uma historieta como reflexão dos Estados, especialmente do Estado Providência Social e Cultural que muita qualidade de vida nos deu, a nós Ocidentais, mas que começa a definhar aos poucos.

Posted: quinta-feira, 13 de Setembro de 2007 21:50 por bp63

Comentários

aocontrariodepenelope said:

bp63

Uma alegoria muito bem concebida.

A crítica que lhe subjaz, perfeita.

Adorei.

Bjs

penélope

# Setembro 13, 2007 22:38

ladoposto said:

Muito bem descrito.Gostei!

 Cumprimentos!

# Setembro 13, 2007 23:16

bp63 said:

Obrigado

Penelope (Cruz?)

Estava com medo que estivesse bacoco (digamos que é barroco um pouco idiota) demais.

Bjs

bp63

# Setembro 13, 2007 23:38

bp63 said:

Meu caro ladoposto

ainda bem que gostou destas variações dos lados opostos (isto é uma homenagem ao humor anos 50, tipo António Silva)

Cmpts

bp63

# Setembro 13, 2007 23:40

aocontrariodepenelope said:

bp63

Não tenho nada contra o barroco, muito pelo contrário e se entendermos idiota como o idiotista, então tudo se encaixa.:)

Estava a brincar, gostei, muito a sério.

Qt à penélope ser Cruz, lamento, mas não... coisas!

Bjs

penélope

# Setembro 14, 2007 0:12

pessoalissimo said:

Ein! Mas isto é algum guião para uma história de cinema? Não era suposto este ser um blogue sobre cinema? Distraiu-se, não, amigo?

E ainda uma outra pergunta: Eu tinha dito que não comentava posts com mais de duas mil palavras, mas também não precisava de exagerar... O que lhe passou pela cabeça hoje?

Bom... Esta história, com contornos históricos, já todos conhecemos mais ou menos. Afinal foi o Estado Providência que vigorou na maior parte dos Estados europeus que permitiu a estes ter atingido o seu actual estadio de desenvolvimento. Apesar de se saber que a riqueza criada neste continente aconteceu muito à custa da exploração das riquezas naturais e da mão-de-obra barata de muitos outros países, o que configurou uma nova forma de exploração e colonianismo entre os povos.

Mas o capitalismo emergente nesses países tinha (e ainda tem) características bem piores que as que vigoram no continente europeu. À libertação das amarras coloniais seguiram-se outras amarras e hoje em dia continuam a existir muitos países onde os direitos básicos continuam uma miragem.

Oppps! Este post é seu, portou-se muito bem e eu é que fui hoje longe de mais, comportei-me como a menina cinzenta e abusei da liberdade que me deu.

Mas "ameaço" voltar...

Fernando

# Setembro 14, 2007 8:38

Annnna said:

Hum Ultimate.

Gostei muito.

Bom fim de semana.

Um beijo enorme

Annnna

# Setembro 14, 2007 9:16

bp63 said:

Pois cara Penélope sem Cruz ( o que por certo não lhe tira o encanto na mesma).

Eu também não tenho nada contra o barroco, apenas acho que nalguns textos se faz rendilhado demais, coisa que eu temia no meu, e fica assim uma espécie de coisa idiota que tem mais a ver com bacoco do que com barroco.

Quanto ao Cruz não se aflija que eu também não sou o Brad Pitt, apesar de me confundirem, inclusive na rua. É uma aflição, sou pior do que os meninos dos morangos, rasgam-me a roupa e tudo? enfim, delírios!

Bjs

BP63

# Setembro 14, 2007 9:26

bp63 said:

O caro Pessoalíssimo provoca-me e depois é isto.

Não tinha pedido um post com menos de 2000 palavras (ó sôtor tenho mesmo que ler este texto tão grande do Saramago, não me arranja aí uma coisa mais pequena, olhe, então se tivesse um bonecos é que ajudava, uma cena assim a curtir, tipo Tio Patinhas) então eu, como um menino obediente, fiz-lhe a vontade.

Quanto a isto ser um Blogue sobre Cinema, não é propriamente. Digamos que é um espaço para falar sobre as imagens, em que as ditas, são mais compostas pelas palavras do que propriamente pelo boneco. Claro que o cinema tem um espaço muito especial, não só por ser uma das minhas paixões, como por ele ser por excelência a imagem.

Mas além da limitação das palavras que me impôs, o caríssimo está na génese deste post, porque re-comentando um comentário meu ao BW, em que eu falava que as coisas eram assim desde a queda do muro, desabafou, feito M no último filme do James Bond (?ai que saudades que eu tenho da  guerra fria?),  que tinha saudades do Muro de Berlim.

Além disso, porque no outro dia houve uma discussão num post da meia sobre o cinema comercial e cinema arte, em que cada vez mais os Estados não vão sustentar a arte e vão deixar que seja o comercial a levar o caminho (o cinema comercial pode ser e é na maioria das vezes arte), por questões orçamentais, resolvi juntar as 2 peças e fazer a historieta.

Os sistemas políticos também concorrem entre si, como qualquer produto comercial, e a existência de um concorrente leva a um esforço de melhorar. Com a queda do muro isso acabou, o nosso sistema capitalista não têm com quem se confrontar, logo não se sente obrigado a nada, como acontecia antes em que eram dadas muitas regalias porque era preciso impedir que determinadas classe, não altas, cultivassem desejos de socialismo marxista. E isto fazia criando uma classe média forte e com qualidade de vida.

A agravar temos o problema da globalização e da concorrência mundial, em que se consegue produzir a custos muito mais baixos, precisamente porque não há regalias.

A forma como os estados foram sustentando isso foi com o grande crescimento económico, uma parte sim, derivada de alguma exploração neo-colonialista como disse, mas outra pela grande produção desenvolvida na própria Europa, sempre com o chapéu fiscal (uma espécie de Dona Branca em que se iam aumentando impostos para tudo cobrir). Mas tudo chegou a um ponto de ruptura, especialmente porque a 3ª vaga está a deitar para o ?lixo? toneladas de mão-de-obra que, por muito que se tente, não se vai conseguir reciclar.

O objectivo das empresas é o lucro. A mão-de-obra é o custo fixo mais caro a longo e médio prazo. Tecnologicamente cada vez mais são precisos menos trabalhadores. Logo, equação matemática, empresas a despedirem e a não reconverterem o factor humano. Mas o problema é que esta visão está a chegar ao próprio Estado.

Uma visão pessimista: Isto é só o princípio, o pior está para vir.

Uma visão optimista: Um dia as próprias empresas, logo o capital, também elas vão ser substituídas pelas máquinas que nos dão tudo.

Uma visão fatalista: A própria natureza encarregar-se-á de pôr tudo no seu lugar, ainda que violentamente.

Não abusou nada da liberdade e gostei muito do seu comentário (aliás esperava por ele).

Quem é falou em comentários pequeninos e em limite de palavras?

Abraço

BP63

# Setembro 14, 2007 10:04

bp63 said:

Bom fds Annnnnita

A minina adbirta-se!!!!

Beijos

# Setembro 14, 2007 10:26

Nemesis said:

Olá bp63

Este post deu-me que pensar. E cheguei à conclusão que não partilho a tua visão duma dicotómica divisão em mundo a cores e mundo sem cores.

Sobretudo, não vejo que a nossa sociedade consumista e capitalista tenha mais cor que outras por causa da variedade das guloseimas ou das pratinhas das guloseimas.

De facto, temos a ilusão de viver num mundo onde podemos e devemos optar por ideologias, filosofias e estilos de vida que garantam a nossa identidade única e a nossa plena liberdade individual, social e política...

Na verdade, salvo uma minoria de privilegiados, o povo, mesmo com a escolaridade, a cultura e a oferta diversificada de produtos ao alcance, vive vidas, segue interesses e faz opções caracterizadas pelo script que a publicidade e os media impõem e a tua liberdade de escolha  consiste em poderes escolher entre trinta marcas de after shave e não puderes ir de barba para o emprego. E mais não digo, que o post é teu ;)  

beijos

nemesis

# Setembro 14, 2007 19:11

Nemesis said:

ps

o verdadeiro post é para mim a resposta que deste ao pessoalíssimo. Esse abre perspectivas muito mais profundas e interessantes do que se podemos ou não avaliar o colorido das pessoas e das suas vidas segundo a sua (aparente) liberdade, variedade de escolha e os sistemas políticos que as governam. Por essa resposta os meus parabens e vou ficar a pensar nisso.

mais um beijo

nemesis

# Setembro 14, 2007 19:33

bp63 said:

Nemesisis

Ainda bem que não concordas e assim desfaz-se a dúvida que não és mesmo um heterónimo meu (ainda que eu pudesse ser psicótico ao ponto de ser bipolar em termos de personalidades).

As coisas nunca são assim são redutoras, e a questão das cores era apenas uma simbologia entre um mundo que alinhava por uma sociedade padronizada e um outro mundo que alinhava por uma sociedade com o caos da escolha. Da mesma forma que as meninas representam mais do que as pessoas, são ali, um símbolo do trabalho e os doces as liberdades que eram dadas.

No entanto sobre as cores ?não vejo que a nossa sociedade consumista e capitalista tenha mais cor que outras por causa da variedade das guloseimas ou das pratinhas das guloseimas? é uma frase verdadeira se olharmos para o miolo, mas se olharmos para o embrulho, a nossa sociedade é mesmo muito mais colorida (o marquetingue disso se encarrega).

Posso adiantar que visitei, por motivos profissionais, imediatamente após a queda do muro um país do lado oriental e a sensação com que fiquei foi mesmo a falta de cor. Começava a ter alguma cor nos espaços que os ocidentais começavam a montar para eles? verem apenas, porque poucos podiam aceder. Queixavam-se que não tinham os perfumes franceses, passaram a ter para ver, pois não os podiam comprar. Adiante que isto ir-nos-ia levar muito longe. Só para dizer que as sociedades de consumo são mesmo muito mais coloridas, pela quantidade da oferta que temos. O problema é o preço que vamos ter que pagar por todo o gasto de recursos em consumo excedentário, daqui a alguns anos.

Quanto à publicidade e às liberdades de escolha, concordo. Se leres o post do Bluewater sobre os telemóveis para crianças, vês o que disse sobre isso. As minhas necessidades são aquelas que eles me dizem, não as que eu sinto. Levei nas orelhas logo a seguir, mas é uma verdade nua e crua.

A historinha só tentava trazer à reflexão o que pode vir acontecer ao nosso mundo e a tudo aquilo que chamamos liberdades, garantias e privilégios sociais, quando os estados começam a ficar falidos e não têm pressão politica e ideológica sobre eles, a não ser a do tão lindo e bonito metal? Money, Money, makes the world go on round?

Beijo e fica assim mais vezes zangada comigo para eu não adormecer? nas ideias.

Pequena nota: Apesar de tudo, a cor que eu mais gosto é a da liberdade, com todos os seus defeitos? Yo tengo tanto hermanos que nos los puedo contar, y tengo una hermana hermosa llamada libertad

Bp63

# Setembro 14, 2007 20:08

bp63 said:

Nemesis again

A história era apenas uma metáfora sobre as razões que estão por detrás das razões das nossas cores e doces, e porque é que eles estão a cair e nós impotentes, vamos apenas contemplando o desmontar do espectáculo.

Bp63

# Setembro 14, 2007 20:11

bluewater68 said:

bp63,

depois dos comentário de nemesis, dos teus e do pessoalissimo, pouco resta a acrescentar.

Quando li o texto, achei foi que o lado oriental tinha muitos mais espectos negativos do que o lado ocidental. Se fosse um puto ocidental, teria sem dúvida muito mais medo em saltar o muro.

"O problema é o preço que vamos ter que pagar por todo o gasto de recursos em consumo excedentário, daqui a alguns anos.", tema complicado ao que eu poderia responder que a tónica dominante é: gasta hoje pois poderás não ter amanhã.

Sobre a opinião que me perguntaste por MP, posso responder agora que gostei muito de ler esta historinha que acho estar enquadrada no mesmo âmbito.

Tinha curiosidade em ver aqui enquadrado o esquema de senhas de racionamento que existe em Cuba.

Abraço

# Setembro 14, 2007 22:49

bp63 said:

Bw

Dos aspectos negativos a História estará ai para falar, os meus eram apenas caricaturas. A ideia era falar mais do da lado ocidental, o nosso, e o porquê de já termos tido tanto (Portugal chegou tarde a esta corrida e não chegou a ter tanto quanto isso) a nível social e cultural, criando um bem-estar mediano generalizado, claro que a pobreza nunca foi erradicada (mas no outro lado também não e eu vi isso), mas que o evoluir dos tempos parece querer desfazer.

E se a nível da segurança já vimos que o mundo era aparentemente mais seguro quando havia 2 blocos (até a M do James Bond diz isso), a nível do desenvolvimento económico não sei se nós ocidentais ficámos a ganhar pois não temos nada para negociar. Qual é o poder económico que tem medo que a esquerda, ou até mesmo uma determinada esquerda mais radical, chegue ao poder? Nenhum, pois eles sabem que ou caminham numa determinada direcção ou serão trucidados pelos sistemas globais mundiais. O caso do Lula é o mais gritante, pois era o sonho, era a utopia, mas no final é como diz a canção ?entra ano, sai ano e o sertão contínua ao Deus dará?. Mesmo o Chavez, com toda a loucura, alguém se importa muito? Deixam-no andar lá, mais tarde ou mais cedo ira ir pelo caminho do capital. Noutros tempos já lhe tinha sucedido o mesmo que aconteceu ao Allende.

Com isto não quero dizer que esteja a ser saudosista do quer que seja, pois não sou. Detesto qualquer tempo que tenha passado. O importante é o que está para vir. Apenas temos que olhar com atenção para trás e tentar aprender, só isso, mais nada, aprender para corrigir.

Sobre Cuba não falo porque ainda não conheço, mas não me agrada muito nenhuma das partes, nem o tio sam, nem o avô castro. A liberdade para mim é muito importante.

Pode ser estúpido mas uma coisa que me faz gostar mais ou menos de um país, ou pelo menos contribuir para a minha análise, é a forma como trata a sua pobreza. Ricos são ricos em qualquer parte do mundo e em qualquer sistema, mesmo naqueles que teoricamente lutaram contra eles. Não meço um país pela sua riqueza (todos os economistas já me estão a bater, eu sei). Agora a sua pobreza dói-me muito, porque todos os sistemas têm os seus pobres (infelizmente), mas muito deles conseguem colocá-los numa situação infra humano. Apesar de tudo, a nossa pobreza é ainda menos pobre do que a maioria das pobrezas no mundo, e não é só pelos rácios e indicadores económicos, é pela envolvência social, o tal estado providência, pouquinho é certo, que ainda vamos tendo.

?A paixão que nos beija é a mesma que nos vai cuspir? (Milton Nascimento). Com a sociedade de consumo também vai ser assim. É tão bom ter tudo. Mas será este tudo que nos pode trazer nada num futuro? O Socialismo ideológico morreu mas está aí a vir, e não deve estar muito longe, o eco-socialismo. Já começam alguns ventos. Kyoto foi o primeiro passo. Por alguma coisa Bush e afins deram com os pés.

Voltei a fazer uma coisa que já tinha jurado não fazer, um post dentro do post. Pelo menos estou no meu post e não chateio ninguém. Agora quando me ponho a fazer isto nos postes dos outros acabo por ficar irritado comigo mesmo.

Mas o que é me deu para falar de política? Estava tão bem a falar de cinema e da sua pimenta, que ia tudo feliz?

Abraço

Bp63

# Setembro 15, 2007 0:53

Piquita said:

SI USTED

http://www.presentaciones.org/pp120.pps

Un abrzo desde Madrid

# Setembro 15, 2007 9:46

bluewater68 said:

bp63, estou a escrever isto a correr, o qu eme desagrada bastante, mas é apenas para não me esquecer de te dar uma resposta.

Quanto mencionei Cuba, fiquei a pensar no assunto e depois achei que era realmente um exemplo óptimo que se adaptava na perfeição ao que dizias no teu texto.

Temos o desperdício e o esbanjamento que é feito por todos aqueles que estão de férias em Varadero e que são servidos por aqueles que têm licenciaturas, que são obrigados a trabalhar na hotelaria para terem uma vida melhor e que vltam para casa onde se têm de confrontar com um esquema de senhas de racionamento.

Quanto ao post dentro ou sobre ou à volta do post, acho que ao fim de muitos anos ainda teremos este tipo de conversa :)

Sem quere dar um exemplo muito banal, diri que os posts são tipo iceberg. A parte visível já poderá ter muita qualidade, mas existe uma parte escondida dos olhares que por vezes engloba uma qualidade ainda superior, tudo graças aos comentários que estão associados.

Não voltar a fazer post dentro do post? chatear? tu é que sabes.

Nos meus posts, insisto que és livre de fazer o post dentro do post que está à volta do post e que fica por cima do post. Tú e todos os que lá aparecerem para comentar. Só não sirvo é cafés.

Abraço

# Setembro 15, 2007 11:55

pessoalissimo said:

(desculpe o intróito)

Como assim, BW? Não serve cafés? Então vou já para o blogue das tertulianas!!! É que está cá a apetecer-me um cafezinho?

Gostei da sua metáfora do iceberg, é bem verdade. Ainda me recordo de um pequeno post que escrevi para a minha companheira sobre a importância dos comentários dos posts e caiu-me literalmente a comunidade em cima. Nesse caso, porque o que foi lido pelos comentadores excedeu largamente os objectivos do autor do post. Neste caso, porque o postante nos provocou para um debate sobre as cores de duas meninas e já estamos a falar de política internacional;)

---

Caro Bp63 (bp? Bernardo Pereira? Accionista da BP?)

Cá venho outra vez, depois de me resolver a ler tudo outra vez até aqui, porque me pareceu que tem aqui post (ou posts?) para muito tempo! Não ponha já outro, por favor!

Meteu-se a falar de política, ainda que por caminhos ínvios, e agora está a apanhar com um debate, que quer? Ainda há uns tantos que acham que a política é a mais nobre das actividades humanas (depois da barriga cheia, claro)!!! E que debate!

Depois de tudo o que já foi escrito sobre as cores e a ausência delas na política e na vida das pessoas, tive de arrumar as questões que queria responder, sem correr o risco de isto se tornar um novelo de Ariadne sem fio, a desenrolar num labirinto de Creta. ;)

O BW não se picou (ou achou que era verdade?) com essa frase assassina ?Ai que saudades que eu tenho da  guerra fria?. Mas você tinha de se vingar num prato igualmente frio, uma inocente historieta de crianças! Aí vai o que penso do que já foi dito:

1 ? Achei muito interessante essa sua abordagem, num certo estilo publicitário de que ?Os sistemas políticos também concorrem entre si, como qualquer produto comercial, e a existência de um concorrente leva a um esforço de melhorar.? Eu sempre achei isso mas de outra forma, que os dois sistemas acabariam por adoptar o melhor dos dois sistemas numa simbiose estratégica. E isso aconteceu nos últimos anos da Perestroika! A Europa estava a aproximar-se da União Soviética, para grande desespero da Administração dos EUA. E quando o Muro de Berlim caiu, eu acreditei que o apelo da liberdade, agora recuperada, seria uma oportunidade para a regeneração dos regimes comunistas em vigor. Puro engano! Ao invés de apostarem na liberalização dos regimes, os PCs locais entraram em desagregação com o consequente aproveitamento político pelos seus oposicionistas;

A Europa precisa de apostar seriamente naquilo a que você, e bem, chamou de eco-socialismo. Como contraponto do capitalismo selvagem, sem leis, sem regras e sem direitos que grassa em grande parte do mundo. Já me referi a isso em posts anteriores e voltarei a faze-lo;

2 ? Você diz a páginas tantas: ?A agravar temos o problema da globalização e da concorrência mundial, em que se consegue produzir a custos muito mais baixos, precisamente porque não há regalias.? É verdade. Mas por muito pouco tempo! Em breve, os níveis de desenvolvimento que os países árabes, africanos e, sobretudo, os orientais, como a China e a Índia, começarão a arrefecer as suas economias. E as classes baixas passarão a dispor de melhores condições de vida, logo mais poder reinvindicativo. As regalias (ou direitos?) também aí chegarão. Até por imposição dos mercados!

3 ? Não gostei, digo-o com franqueza, das suas ?visões?. Como sou naturalmente optimista e acredito na capacidade de regeneração humana, também acredito que as empresas, com a actual configuração ou com outro formato, irão subsistir. Precisamos delas, porque são elas que produzem a riqueza e proporcionam o trabalho aos seres humanos.

4 ? Gostei sobretudo desta sua referência: ?Pode ser estúpido mas uma coisa que me faz gostar mais ou menos de um país, ou pelo menos contribuir para a minha análise, é a forma como trata a sua pobreza?. Nem mais! Se a democracia é o regime do povo, então a sua primordial preocupação deve ser com os pobres, os marginalizados e os indefesos (crianças, velhos, doentes). Custe o que custar. Por isso gosto tanto do sistema cubano de educação e saúde (esta é para o BW)!

5 ? Gostei muito do modo como Nemesis lhe fez o contraditório, como denunciou o ?poder? do marketing.

Como nota final, também eu ?Apesar de tudo, a cor que eu mais gosto é a da liberdade, com todos os seus defeitos??

Da história que nos deixaste poderia extrair-se outra moral: ?A verdade tem sempre duas faces, como as de uma moeda?

Parabéns pelo post mais curto e os comentários mais longos!

Um abraço.

Fernando

# Setembro 15, 2007 16:26

pessoalissimo said:

Só mais duas ?coisinhas?, eh, eh, eh!!!

Quando estive no final dos anos 80 na ex-União Soviética, na Hungria e na Bulgária, uma das coisas que reparei era precisamente a falta de cor e de luz nas cidades!

Como, por esse tempo, não havia por lá centros comerciais nem lojas comerciais nos centros históricos, fez-me impressão. Afinal, onde estava a animação comercial que eu estava habituado a ver nas cidades europeias? E a vida nocturna também não existia, só nos hotéis frequentados por estrangeiros.

Afinal a cor e os néones sempre nos fascinaram. Quem não fica deslumbrado com Las Vegas à noite? Ou Los Angeles, Nova Iorque, Paris, Londres? todas, símbolos da vida cosmopolita!

---

Tenho pensado muito (e lido alguma coisa) sobre a função das empresas e das organizações económicas em geral. Alguns gurus da actualidade tem-se vindo a referir cada vez mais às funções sociais das empresas.

É verdade que o seu principal objectivo é o lucro, obter mais-valias para os seus donos ou accionistas. Mas, na sua essência a ideia de empresa vai muito para além do conceito capitalista que se tornou dominante. Elas têm igualmente (ou devem ter) uma função social. Além de investirem na qualificação dos seus recursos humanos, devem participar nas iniciativas locais e regionais, exercer mecenato. Já existem em Portugal algumas empresas com essa vocação, que me abstenho de referir. São ainda poucas.

Elas têm igualmente a obrigação (legal e moral) de contribuir para um mundo melhor, no sentido ecológico do termo, utilizando cada vez mais recursos bio-degradáveis ou adoptando fontes de energia limpas. O nosso futuro passa por aí.

Não o maço mais.

Fernando

# Setembro 15, 2007 16:42

bp63 said:

Este fernando lixou-me a vida!

tenha aqui matéria suficiente para que a minha cabeça fique um moinho.

Logo agora que vou sair para ver uma cowboiada americana (acho eu)... queria ir ver o o último da angelina mas a minha companhia não quer e qunado a companhia tem 11 anos tem o poder todo na mão, nós é que pensamos que não.

Voltarei para responder ao Pesssssss e ao BW.

inté

# Setembro 15, 2007 16:58

bp63 said:

?Quando uma criança escolhe a mama direita porque a direita não tem tanto leite, isso já é política.?

Não sei quem disse ou escreveu.

Se calhar ninguém e já estou a fazer confusão com coisas minhas (isto quando se começa a confundir o pensamento dos outros com o nosso, não é grande sinal, já deve ser tempo para deitar num divã e começar a cantar a nossa ladainha a um sujeito que a ouve atentamente durante uma hora, como se fosse um taxista do nosso ?eu?).

Coloquei como um intercalar entre respostas porque ilustra o que tem vindo a ser falado por aqui, o pensamento político pode estar em qualquer gesto, mesmo numa historinha de embalar, mesmo num gesto simples de crescer.

Bp63

# Setembro 16, 2007 12:16

bp63 said:

BW

Vocês no almoço e eu vingo-me a mandar daqui bitates.

Espero que a sobremesa não seja Iceberg com chantilly. Smile.

Apenas 2 notas sobre o teu comentário.

Cuba ainda lá não fui. Tenho agora um conhecimento maior porque amigos acabaram de chegar. O que me contaram não me surpreendeu. Especialmente porque eles não ficaram a pastar num bom hotel e foram mesmo ver a vida acontecer. O problema é que acontecem coisas que tornam a vida não muito bonita. Há realmente educação e saúde (das melhores do mundo) mas as pessoas querem mais (este ser humano é tão complexo, nunca está contente com o que tem). Como não têm, não se esforçam em nada e deixam mesmo a vida acontecer.

Antes de Castro, Cuba era o Bordel dos EUA. Agora é uma colónia de sexo mundial (com excepção dos EUA), só que bastante letrado. Conta-se lá, pelos locais, que ao acusarem Fidel que muitas das licenciadas eram prostitutas, ele respondeu que não, o que aconteceu, por terem um bom sistema de ensino, foi que eles licenciaram até as prostitutas. Piada de mau gosto à parte, acaba por ser uma verdade.

Os fulanos que servem um café nos hotéis são todos licenciados. O grau de frustração é enorme, o esforço deles é quase sempre nulo (excepto nos hotéis privados em que a garantia de trabalho não é eterna), não têm motivação. Ter um bom sistema de educação pode te este efeito perverso, de desmotivar quando o conhecimento adquirido se torna nulo face à aplicação real.

Mas Cuba não pode ser comparada com uma cultura social europeia, temos que a ver lado a lado com os outros países iberoamericanos.

Quanto ao iceberg, este está quase do tamanho de um continente. Daqui a pouco ainda afunda um Titanic chamado Imagens Caídas, que era tão bonitinho a falar de cinema.

Mas o problema é que as minhas ideias andam sempre por aí, na parte oculta do gelo, que apenas quando a maré vaza (com os comentários dos outros) vêm ao de cima.

Boa digestão, bom regresso e boa soirée soleriana, se for caso disso.

Bp63

# Setembro 16, 2007 14:43

poetacomalma said:

Bela metáfora, muito interessante e bem conseguido!

Apesar de não concordar com todo o teor do post, mas não deixa de nos levar à reflexão...

Um abraço!

Poetinha

# Setembro 16, 2007 15:01

maris said:

oioi...

Grande perspectiva!

Parabéns

# Setembro 16, 2007 15:15

bp63 said:

Pessoalíssimo

Antes de começar 3 notas:

- Espero que o almoço tenha caído bem e que o encontro tenha sido prazenteiro (olha o invejoso a falar!!!) pois o relambório a seguir pode provocar indigestões;

- Pode e deve tratar-me por tu (como já os fez noutros comentários), se eu não faço são apenas palermices minhas, até porque gosto de brincar com o vc, mesmo em conversas ao vivo;

- BP são apenas a iniciais do meu nome, que por ser único não me dá muito prazer atirá-lo aqui às bocas do mundo. Há quem paplpite para Brad Pitt, mas aqui entre nós, sou muito melhor que ele, o mulherio assim o diz.

1 ? Em tempos também acreditei que os sistemas irão caminhar para uma confluência. Olhando para as democracias escandinavas, assim o preconizei. Também a perestroika parecia caminhar para aí. Mas depressa a história no demonstrou o contrário, especialmente porque os PC?s de Leste assassinaram qualquer hipótese de socialismo marxista nos próximos 100 anos. Que partidos foram aqueles que criaram disparidades sociais maiores que ditaduras das bananas da América latina, criando um grau de pobreza material imensa para uma grande parte da população e uma opulência na oligarquia dos aparelhos. Que partidos foram aqueles que conseguiram criar estados fascizantes, quando o socialismo era todo o oposto?

Assim as pessoas mal apanharam a porta aberta, deram um chuto em tudo e quiseram a fartura dos supermercados, as cores da modas, e todas as luzes do capitalismo. Mas especialmente os ventos de liberdade.

Também houve a queda do Gorby antes de tempo.

2 ? O Eco-socialismo (baptizei assim esta ideia mas não sei se já existe o termo) terá que ser uma realidade, só que poderá vir tarde demais. Esta curva exponencial de toda a oferta da sociedade assentar apenas em factores de incentivos loucos ao consumo vai rebentar. Não só não vai haver recursos (é da lei económica que o recursos são escassos), como também a produção em massa de coisas desnecessárias ainda os vai fazer esgotar mais, desde o seu esvaziamento por consumo até às alterações climáticas.

O problema deste modelo é que só faz sentido à escala planetária, senão ficamos na mesma, uns a furarem os outros.

3 ? ?Em breve, os níveis de desenvolvimento que os países árabes, africanos e, sobretudo, os orientais, como a China e a Índia, começarão a arrefecer as suas economias. . E as classes baixas passarão a dispor de melhores condições de vida, logo mais poder reivindicativo?

Não acredito, primeiro porque acho que esses países dificilmente se irão desenvolver, tal como estão as coisas, o seu crescimento apenas irá desenvolver outros ou minorias dentro dos próprios países. E sendo um bocado egoísta, para nós ocidentais arrogantes, aqui bem instalados, será muito mau se eles se desenvolverem e atingirem padrões de consumo semelhantes os nossos. Já pensou o que é cada chinês ter 5 ou mais pares de sapatos como nós. Vai arrasar com os mercados. Veja o que já está acontecer com o petróleo, nunca mais vamos conseguir baixar os preços aos níveis de há 10 anos, precisamente porque a China entrou em força na procura. Acabei de ter um pensamento em voz alta politicamente incorrecto, mas por vezes penso nisto.

Quanto ao poder reivindicativo não comungo que o desenvolvimento assim o determine. Os americanos estão bastante desenvolvidos mas os trabalhadores não têm poder nenhum. Especialmente porque o mundo mudou e o poder do trabalho (ao contrário do inicio do século XX) não é importante e vai ser cada vez menor. Por um lado as máquinas têm hoje mais importância do que os homens (os patrões arrancam mais os cabelos se os sistemas informáticos lhe falharam do que se lhe faltarem metade dos empregados), por outro há um excesso de oferta de mão-de-obra ou de procura de emprego, logo facilidade em substituir quem pede mais.

4 ? Também tento ser optimista, e penso sempre que as sociedades vão evoluindo para um grau melhor. Vivemos melhor do que há 50 anos. Mas para isso os poderes têm que estar desconcentrados e nunca num só pólo. Agora há uma coisa que nos assombra a todos, o poder da natureza e ela não está a gostar do que estão a fazer. Começou a reagir, para já de mansinho. Um dia vai berrar de vez.

5 ? ?Por isso gosto tanto do sistema cubano de educação e saúde?

Em parte já falei disto na resposta ao BW. Só que esse sistema não resolve o problema da pobreza. Passaram a ser pobres letrados. Aliás acho que a educação é importante e devia ser igual para todos até um determinado nível. Depois há que segmentar e só seguir estudo quem estiver capacitado para tal e de acordo com as capacidades provisionais mercado. Se numa sociedade de mercado já me custa a entender que se abram vagas que se sabe, à partida, não haver necessidade, então em países socialistas, em que tudo pode ser planeado, ainda me custa mais. Porque abro todos os anos 100 vagas para um curso de Filosofia que sei que nos próximos 10 não necessito de nenhum professor?

Mas para mim Cuba tem um problema ainda maior que são os tais ventos de liberdade.

Pinochet chegou ao poder para tratar dos interesses dele (e da sua classe) e dos States. Fidel chegou ao poder para tratar dos interesses de todo um povo. Uma grande diferença e uma enorme simpatia. Passados estes anos, Pinochet e Fidel foram ambos sanguinários, mataram quem foi diferente (Fidel matou quem inclusive era diferente por outras causas que nem sequer eram politicas) e os pobres do Chile são menos pobres que os do Cuba. É triste ver que caminhos mais bonitos não tiveram metas mais felizes.  

6 ?  Todos nós sabemos que o Marketing tem o poder que tem, mas mesmo nos países socialistas o marketing esteve sempre em força. O Slogan ´?Proletários de todo o mundo uni-vos!?  foi mais forte que qualquer anúncio da coca-cola. Volto ao que disse inicialmente, os sistemas políticos são também produtos comerciais.

7 ? O que disse das empresas tem razão. O bom empresário (que nunca mais chega cá) começa a ter isso em conta. Um funcionário bem instalado produz melhor. E âmbito da empresa pode ir muito além do que o lucro, mas sempre e desde que nunca comprometa o lucro, pois se há problema de finanças vão-se logo os ideias todos para o galheiro e começa-se por cortar de imediato nos custos dessas vontades todas de melhorar a sociedade (?que fique para o eEstado que é obrigação dele?)

8 ? Por último e para fechar. O socialismo tinhas ideais muito nobres mas cometeu um grande erro, esqueceu-se que o homem não é bom, ou pelo menos consegue ser mau, e que poderia deturpar tudo. O tal homem-novo em construção nunca saiu do esboço dos calcanhares. Por isso, mesmo com a possibilidade de ter educação e saúde, o homem quer é o tal néon de uma grande cidade à noite.

Somos fracos, precisamos de tal cor no nosso olhar.

Pode maçar sempre

Um abraço.

Bp63

# Setembro 16, 2007 16:07

bp63 said:

Obrigado poetinha

Não concordar é importante. A ideia era reflectir e que cada um visse um olhar consoante o seu pensamento.

Abraço

Bp63

# Setembro 16, 2007 16:11

bp63 said:

Maris

Obrigado

A perspectiva pelo menos é grande em termos de reacções... vai por aqui cada lençol de comentários.

bp63

# Setembro 16, 2007 16:13

bluewater68 said:

bp63,

este iceberg é mesmo um perigo para a navegação :)

muito rapidamente, venho aqui dizer o seguinte:

- prepara-te, pois ouvir falar do encontro de blogues será comum nos próximos dias.

- estive com o pessoalissimo e quero apenas dizer que fizeste lá falta. O grupo dos 'lençois' teria certamente muita coisa para debater.

- e quando estive em Cuba, a pior parte foram os dias passados em Varadero. Bom bom foram os contactos com a população. Mau mau é toda a prostituição existente.

Abraço

# Setembro 16, 2007 22:14

bp63 said:

BW

Com que então a vir aqui causar-me inveja com o Encontro Smile

Realmente este FDS em que tive todo o tempo do mundo, parecia aquela canção do Rui Veloso "o mundo inteiro uniu-se para me tramar". Fica para uma próxima. Acredito que vá haver.

Imagino os lençois que desfraldaram.

E quanto à Cuba Livre, conheço do que leio e do que me contaram.

Abraço

# Setembro 16, 2007 22:57

pessoalissimo said:

Oi,oi, amigo! :)

Venho só aqui para dizer que saimos de lá (do Encontro de Blogues) todos vivos, bem dispostos e com uma enorme vontade de armar barraca em alguns blogues, nos próximos dias... Claro que não confirmo, é só de ouvir dizer, um boato, talvez.

E já vi que você aproveitou bem o tempo que andámos a desperdiçar no Hotel Al-Foz, escreveu provavelmente o maior comentário que li até agora, senão o maior de sempre nesta blogosfera. Onde é que isto vai parar?

Mas é bem verdade o que o BW disse aqui, você fez lá muita falta, estava a contar contratá-lo para uma tertúlia, fica para depois.

E fica para depois uma leitura atenta do coment que me dirigiu, agora tenho um trabalho em mãos, uma reportagem completa do Encontro a publicar ainda esta noite. :)

Um abraço amigo

Fernando

# Setembro 16, 2007 23:02

Nemesis said:

tchhhh... pode lá alguém conseguir pegar o fio à meada deste estendal...

Sabendo perfeitamente que vou deixar o essencial passar-me desapercebido, vou só referir alguns pontos que me lembro que me chamaram a atenção.

- chineses com muitos sapatos. Não é que eu não aprecie a noção de que o único socialismo válido é o que igualiza por cima e o campo dos sapatos também não é exactamente o melhor campo para eu mandar bitaites moralistas, mas parece-me que grande parte do nosso problema consiste em termos literalmente vendido a alma ao diabo do consumo. A gente já não consegue imaginar-se com pouco e muito menos, dentro do muito, conseguimos estabelecer verdadeiras prioridades (como a saúde e a educação).

E isso não é bem assim. A vida pode ser boa sem neons, sobretudo se houver um motivo de força maior para isso e se forem encontradas as alternativas que nos farão sentir compensados. Um bosque de castanheiros tem milhões de micro-estímulos luminosos, sonoros, olfactivos, tácteis e cinestésicos, que são ancestralmente perfeitos para estimularem o nosso organismo em todas as suas necessidades dos sentidos. Acharmos que o mundo só pode ser belo e a vida só pode ser colorida com luzes esfuziantes da cidade, televisores de plasma e toda essa parafernália do upa upa ao ultimo modelo, só pode ser um envenenamento do gosto.

Eu posso ser formada em filosofia e apreciar uma boa jornada de trabalho em cima dum tractor, abrir regos à sacholada, meter os pés na água e na lama e ainda servir umas cocas aos amigos à noite no café, enquanto discutimos sofistas e pré-socráticos. Desde, é claro, que não anseie a um lugar de catedrática como ao único que provará a mim e ao mundo o correcto aproveitamento do oxigénio que respiro.

- empresas a gerir o mundo - Não acredito. empresas funcionam com capital e capital funciona com crescimento, através do abalroamento, abordagem e ocupação de empresas mais fracas. isso só funciona numa lógica de lucro, que submete tudo aos seus ditames. Tudo, inclui a saúde pública, a biodiversidade, o equilíbrio dos eco-sistemas, o domínio dos médias, a propaganda e colocação dos políticos certos no lugar certo. Se estivermos à procura dos bons fígados das empresas para resolver os nossos problemas, o mundo vai entrar em hecatombicos becos sem saída.

abraços a todos os participantes desta lençolada.

beijo, bp63

nemesis

# Setembro 17, 2007 0:15

bp63 said:

Não sei porquê, mas relendo tudo isto e especialmente o último comentário da Nemesis veio-me à ideia umas das canções que eu mais gosto da MPB, especialmente cantada pela Elis Regina.

Vou deixá-la ficar aqui como interlúdio a toda esta lençolada que vai para aqui em dedicação a todos o que nela participaram, mas particularmente à Nemesis por me ter feito lembrar este ambiente.

"Não quero lhe falar meu grande amor

Das coisas que aprendi nos discos.

Quero lhe contar como eu vivi

E tudo que aconteceu comigo.

Viver é melhor que sonhar

Eu sei que o amor é uma coisa boa, mas também sei

Que qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa

Por isso cuidado meu bem há perigo na esquina

Eles venceram e o sinal está fechado pra nós que somos jovens

Para abraçar seu irmão e beijar sua menina, na rua

É que se fez o seu braço, o seu lábio, e a sua voz

Você me pergunta pela minha paixão

Digo que estou encantado com uma nova invenção

Eu vou ficar nesta cidade, não vou voltar pro sertão

Pois vejo vir vindo no vento, o cheiro da nova estação

Eu sei de tudo na ferida viva do meu coração

Já faz tempo eu vi você na rua, cabelo ao vento gente jovem reunida

Na parede da memória essa lembrança é o quadro que dói mais

Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo, tudo que fizemos

Ainda somos os mesmos e vivemos, ainda somos os mesmos e vivemos

Como nossos pais

Nossos ídolos ainda são os mesmos

E as aparências não enganam não. Você diz que depois deles

Não apareceu mais ninguém. Você pode até dizer

Que eu estou por fora ou então que eu estou inventando

Mas é você que ama o passado e que não vê

É você que é ama o passado e que não vê que o novo sempre vem

Hoje eu sei que quem me deu a idéia

De uma nova consciência e juventude, está em casa guardado por Deus

Contado o vil metal

Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo, tudo que fizemos

Ainda somos os mesmos e vivemos, ainda somos os mesmos e vivemos

Como nossos pais"

[YouTube:19uOvusyzI4]

Boa Noite e bons sonhos coloridos

bp63

# Setembro 17, 2007 1:08

pessoalissimo said:

Eh, eh! Isto está demais!

A nossa querida bloguer Nemesis conseguiu resistir até aqui, merece um brinde, um prémio, sei lá...

E o seu ultimo comentário é um hino à inteligência e ao bom senso. Nemesis, VOCÊ vai ter de aderir a esta tertulia!

Bp63

Conto voltar amanhã. Só para lhe deixar uma pequenas notas. Sem direito a mais contra-comentários, eh eh eh!. Mas temos de voltar a discutir estas questões, temos aqui "material" que os políticos profissionais deviam ler com atenção. O futuro passa (também) por aqui. Pelos blogues, claro!

Fernando

# Setembro 17, 2007 1:32

aocontrariodepenelope said:

bp63

Deus meu!

Eu juro que vim até aqui para sorrir ao comentário sobre a Penélope que não é Cruz e juro-vos que estava longe de vir encontrar uma tal palestra a várias vozes!! Este post está extraordinário pela rectidão, pela discordância, pelo que muito se lê, se aprende e se pode reflectir. Bom seria que de outras discordâncias nascessem situações semelhantes.

Já pensaram editar? Que não parem. Isto por aqui está brilhante.

Não sei, bp63 se vamos ter mais cinema mas com a sua visão dita inicialmente "barroca" da "coisa", o que não conseguiu.

Parabéns a todos e beijinho grande ao homem que carregou no botão vermelho.

Bjs

penélope

# Setembro 17, 2007 2:39

mcardoso said:

Esta conversa está animadíssima!

Registo apenas uma "tirada" acima sobre "eco-socialismo". Pois. Devem ser remorsos, só pode. É que se houve regimes que ao longo da história têm sido tudo menos "eco", são os socialistas! Basta ver onde estão os maiores pontos negros de poluição industrial do globo e de esgotamento de recursos para perceber isso. Curiosamente não é nem o atol de Bikini nem nenhum dos locais de experiências dos "ocidentais" com as bombas A e H...

Quanto às cores das meninas que deram início a esta discussão, estão correctas em tudo menos numa coisa: não acabaram porque o muro tenha caído (embora tivesse sido um bom e grande começo, esse do muro a cair). É que há ainda muitos sítios com meninas cinzentas. Até cá. Mudar mentalidades é algo de muito difícil.

Boa semana!

manuel

# Setembro 17, 2007 9:10

pessoalissimo said:

Bp63

Juro-te (cruzes, abrenúncio!) que vou ser breve, tanto quanto a leitura do teu contra-comentário (não tenho outra palavra) me suscitou algumas muito breves reflexões e interrogações, a saber:

1 ? Referes-te acima ao conceito de eco-socialismo, pressupondo que estás a inventar algo, dizes mesmo que não sabes se o termo e o conceito já existe.

Pois é claro que já existe, amigo! E existe de uma maneira que, se calhar, te vai assustar um pouco. Fiz uma brevíssima consulta do termo na wikipédia, sem resultados e a seguir no google (cuidado, o google apanha tudo!) e eis dois interessantes resultados:

a) o primeiro é um texto pdf traduzido para português onde, a páginas tantas se diz que  ?O eco-socialismo, também intitulado ?eco-marxismo? ou ?ecologismo popular?, parte do pressuposto de que os problemas ambientais são decorrentes da organização social e do modo de produção capitalista, que tomam os recursos naturais (matéria-prima) e humanos (trabalho) como bens passíveis de apropriação e exploração à exaustão pelo capital, visando a maximização do investimento. Oferece como perspectiva, o controle social da Sociedade ou do Estado democrático sobre o Mercado. Vislumbra-se aqui, com nitidez, um agudo conflito polarizando a tendência eco-capitalista que deseja efectuar a completa privatização da natureza, contra a tendência eco-socialista, que deseja consolidar a natureza como um património público e colectivo.? E esta, ein???

Mais aqui: http://material.nerea-investiga.org/publicacoes/user_35/FICH_PT_36.pdf

b) E agora, surpresa das surpresas, o conceito já foi debatido no último congresso do PCP (XVI Congresso) por um tal João Paulo Avelãs Nunes, embora de raspão (Ver aqui http://www.pcp.pt/avante/20001019/403s2t.html ).

Pois é, enquanto a China e outros mercados emergentes tinham economias pobres, o mundo era quase cor-de-rosa e a vida era muito mais simples. Depois das últimas crises petrolíferas (1ª guerra do Golfo) as coisas tinham acalmado nos reinos que controlam as produções de petróleo e os preços tinham-se mantido em níveis aceitáveis. E sempre se pensou que só uma nova crise militar poderia causar instabilidade nos preços do fuel. Puro engano, como se vê! O consumo é cada vez maior nos países asiáticos, os preços obviamente dispararam e cá estamos todos a lamentar a situação.

Os trabalhadores americanos não tem poder nenhum? Creio que estás muito enganado. Se calhar referes-te ao poder dos sindicatos. Se for esse, ok. Apesar de subsistirem grandes e fortes confederações sindicais (AFL-CIO ver aqui: http://www.aflcio.org/index.cfm). Mas os seus direitos estão consagrados na legislação dos diversos estados da União. Desde há muito tempo. Se são ou não respeitados, isso é outro tema de discussão.

E é claro que tens toda a razão no que respeita ao sistema cubano. Mas essa é apenas uma visão pequeno-burguesa da realidade. Quem quer saber da democracia, se os estômagos estão vazios? No caso cubano, os estômagos estão cheios ou remediados, o conceito de pobre ali não existe, pois quase todos se sentem relativamente satisfeitos com o que tem. É tudo uma questão de educação e de cultura política.

Mas claro que falta liberdade, muita. Não sei se falta lá muita cor, como faltava (e ainda falta) nos países eslavos do leste europeu. O povo cubano não tem a cultura dos povos europeus e anglo-saxonicos, são caribenhos.

?Os sistemas políticos são também produtos comerciais?. Não gostaria de ver as coisas assim. Os sistemas políticos tem sempre um suporte ideológico que os alimentam, por mais mesclado que ele seja por sub-produtos. E o suporte ideológico é a base existencial dos indivíduos, o alimento organizacional das sociedades, tal como as religiões são a base espiritual que alimenta as crenças populares.

Dixit.

As minhas desculpas, mas tinha de dizer isto.

Fernando

# Setembro 17, 2007 20:22

bp63 said:

Ao contrário, Penélope de mi Cruz

Isto não foi botão vermelho, foi uma autêntica caixa de Pandora.

Imagino o susto que levou ao vir aqui passear tranquilamente e levar com a biblioteca alexandrina das ideias avulsas.

Mas não tenha medo, prometo que na próxima arranjo-lhe uma mesinha e até sirvo um café (ao contrário do BW que é um unhas de fome) para assistir tranquilamente a este combate de werstling berliniano das cores do sec XX.

Bjs

Bp63

Nota: Não sou tão chato quanto aparentei ser aqui, também sei ficar calado, mordo-me todo é certo, mas sei.

# Setembro 17, 2007 22:31

pessoalissimo said:

Bp63

Sinto-me culpado!!!

Sim, CULPADO!

Depois dos extraordionários progressos que relevou nos últimos tempos (deixou-me há pouco o comentário mais curto que li até hoje no meu blogue) eu continuo a encher-lhe o blogue com o meu palavreado redundante!

Repito: Aceite as minhas desculpas. Vou tentar seguir o seu exemplo!

Um abraço

Fernando

# Setembro 17, 2007 22:39

bp63 said:

Caro Manuel

Quanto ao eco-socialismo foi apenas um tirada minha, desconhecendo até que já existia uma corrente. Nada tem de remorsos. Até porque andei por lá (Leste) pós queda do muro e pude verificar que o ambiente era mesmo uma coisa deprimidíssima, fiquei com a ideia que tinha voltado no tempo, àquela imagem londrina dos tempos de revolução industrial. Daí ter escolhido a cor cinzenta como metáfora. Mas essa foi apenas a minha imagem, que vale o que vale.

No entanto, mesmo com as cores todas ocidentais não podemos esquecer que o cinzento é também uma cor do nosso espectro.

Boa semana e volte sempre.

Bp63

# Setembro 17, 2007 22:40

bp63 said:

Vou tentar fechar.

Quando me ponho a falar de coisas que cabem dentro de mim, nunca mais me calo.

Assim vou ser muito resumido e tentar só recolorir alguns pontos finais que a Nemesis, o Fernando Pessoalíssimo e o Blue pintaram por aqui.

(estão com sorte, abram já as garrafas de chamapanhe, um grande cansaço físico impede-me de lançar de novo os meus relambórios)

SAPATOS

Era só uma forma de dizer que a produção em massa excedentária nas sociedades de consumo emergentes terão grandes consequência na afectação de recursos.

ECO-SOCIALISMO

Um alerta para a necessidade de planificar o impacto da produção e da utilização de recursos no meio ambiente. A sociedade de Mercado livre pode não saber responder às novas exigências da humanidade e do seu meio. Não pensei propriamente em colectivização pública dos meios de produção (isso seria muito mais complexo), um tal eco-marxismo, mas apenas no poder publico a regrar as condições de produção e consumo do mercado. Exemplo: Há um estudo que aponta como insustentável as piscinas particulares de água-doce daqui a 50 anos, tal vai ser o problema do recurso água. Consequência, adeus lindas vivendas de "pixina".

TRACTORES-FILOSOFIA

Bonita imagem. Eu queria viver num mundo assim. Mas as massas médias da população não querem e são elas que governam o mundo, independetmenete dos seus gostos serem criados e manipulados por outros meios.

LEIS TRABALHISTAS

Uma coisa é o que está consagrado, outra coisa é o que a sociedade deixa impor. Só quando a entidade reguladora e empregadora é a mesma se consegue alcançar o pleno. Caso contrário não há força. Os tempos mudaram mesmo.

SISTEMAS POLITICO-COMERCIAIS

Mais uma metáfora para dizer que há necessidade de evoluir e a evolução só se faz com insatisfação e com o perigo de sermos ultrapassados por uma outra alternativa que não queremos.

HOMEM, O CORAÇÃO, E COR DA RAZÃO

Todos nós pensamos numa sociedade mais justa, por diferentes palavras estivemos todos a falar do mesmo. A diferença por vezes é termos modelos que nos encantam o coração, mas sabemos que o tempo, deu uma outra cor à razão.

# Setembro 17, 2007 23:11

bp63 said:

Em jeito de grand final

e porque o que ficou por aqui, pelo menos da minha parte, foram alguns gritos de alerta para situações que estamos a viver e que, por muita emoção e carência que haja nos nossos corações, há este lado da vida da gente a dizer que não, e que o caminho tem que ser muito realista,

deixo ficar parte de uma canção do Gonzaguinha que a Maria Bethania popularizou chamado grito de Alerta.  É uma canção de amor, mas também pode ter uma segunda leitura, como tinha a outra da Elis.

Fiquem bem.

São tantas coisinhas miúdas

Roendo, comendo

Arrasando aos poucos

Com o nosso ideal

São frases perdidas num mundo

De gritos e gestos

Num jogo de culpa

Que faz tanto mal...

Não quero a razão

Pois eu sei

O quanto estou errado

E o quanto já fiz destruir

Só sinto no ar o momento

Em que o copo está cheio

E que já não dá mais

Prá engolir...

Veja bem!

Nosso caso

É uma porta entreaberta

E eu busquei

A palavra mais certa

Vê se entende

O meu grito de alerta

Veja bem!

É o amor agitando o meu coração

Há um lado carente

Dizendo que sim

E essa vida dá gente

Gritando que não...

[YouTube:VGdaOfN-Kpk]

# Setembro 17, 2007 23:25

aocontrariodepenelope said:

bp63

Não o achei nada chato - o queremsaberaminhaopiniao é meu  :) interesso-me por estas coisas, é tudo - o teu percurso cinematográfico é fascinante - e apesar de não ser a Cruz de seu nome e fico a aguardar que me chegue o aroma do tal café.

E isso de nos mordermos por dentro e não soltarmos os malditos dos demónios que nos nascem como apêndice consta-me, não é nada bom para a saúde.

Por último, adorei a melodia aqui deixada que é uma das minhas preferidas, não pela segunda leitura aqui adequadamente proposta, mas pela outra. Que implica igualmente um soltar de demónios.

O seu humor cai mesmo bem numa polémica como a que aqui se proporcionou.

Beijinhos

penélope

# Setembro 17, 2007 23:45

pessoalissimo said:

Ok! Está eleito!

De ora em diante este blogue será conhecido na blogosfera como o "REINO DA LENÇOLADA"!!! eh, eh, eh!

E na melhor tradição cinematográfica, deixou-nos aqui um GRAN FINALE! Temos realizador!

Abração ;)

Fernando

# Setembro 18, 2007 15:22

Nedra said:

Um Conto a merecer cinco estrelas

Abraço

# Setembro 18, 2007 16:07

unroyal said:

Que bela estória. Superiormente bem contada.

O comunismo é um regime que, de certa forma, viola a natureza do homem, quando assume que todos devem ser iguais, algo que vai contra a liberdade de escolha e limita o empreendedorismo porque o Estado procura canalizar todos os talentos em prol de toda a comunidade (teoricamente) equitativamente.

Vivi parte da minha vida numa Angola mais ou menos comunista e outra parte em Portugal, hoje sobrevivo numa Angola que não é nem democrática nem comunista, é uma espécie de ditadura meio democrática e über desigual, com excesso de consumo de um lado e inexistência do outro :(.

Hugo Chavez não iria gostar nada desta alegoria, mas eu gostei tanto que vou recomendar a minha irmã mais nova que se deliciou com o livro "Bom dia camaradas" de Ondjaki que conta a infancia dele nos anos de socialismo em Angola.

# Setembro 19, 2007 0:09

querofalarcontigo said:

Uma história pode parecer patética, sem sabor, sem razão, pouco ou muito criativa?

Mas a moral dessa mesma história essa sim é que nos diz muito, esta é um exemplo...

Um abraço e estou de volta?

# Setembro 19, 2007 8:41

dissidencias said:

Olá Brad Pitt,

Então, agora passaste do cinema para as histórias infantis? Deve ser para entreteres a tua descedência que não pára de aumentar... hehehehe...

E o welfare-state é algo que já foi destruído à muito tempo, não obstante continuarem a existirem países que ainda teimam em seguir esse modelo, ainda que muito residualmente, sem nunca o terem sido verdadeiramente, como é o caso de Portugal. Como é que pode haver Estado-Providência se o monopólio do Estado nas mais diversas áreas, tem vindo a ser susbtituido pelo monopólio (ou oligopólio) das grandes empresas multinacionais...???

Temos de organizar uma mesa redonda só para debatermos estas questões... o que achas???

um abraço

dissidencias

# Setembro 20, 2007 0:30

bp63 said:

Aocontráriodepenelope

Venham de lá essas opiniões que eu quero saber. E quanto ao humor, tem dias.

Dias há que é mais um des?humor total. Mas a minha capacidade de palhaço das palavras, faz com que quase não se note.

Obrigado pelas bonitas palvras

Bjs

Bp63

# Setembro 21, 2007 21:14

bp63 said:

Pessoalissimo

Até acho que vou montar mesmo uma fácrica de lençóis. O tempo está mau para investir mas confio nos meus lençois de pura seda... e que é o nacional

abraço

bp63

# Setembro 21, 2007 21:16

bp63 said:

Obrigado Nedra.

Volte sempre.

Abraço

# Setembro 21, 2007 21:17

bp63 said:

Querofalarcontigo

Ainda bem que voltou.

Que venham todas as historias e com muitas morais...

Abraço

# Setembro 21, 2007 21:20

bp63 said:

Unroyal

Bons os olhos o vejam por aqui.

Já tinha encerrado a questão da política da história, mas a sua intervenção obriga a uma excepção.

O curioso é que escrevi a história para reflectir, não propriamente sobre os 2 sistemas, mas  sim, na situação de conforto que as sociedades têm e que vão perdendo, pelo facto de não haver contraponto com outro sistema. Muito do que temos, na Europa Ocidental, devemos ao medo que havia dos ventos marxistas.

É bonito os homens serem todos iguais, mas a velha questão da impureza do ser humano faz ditar que não, que é utopia. E os sistemas igualitários acabam por ser subvertidos pelo próprio sistema que criou a igualdade.

Quanto a Angola estive aí há alguns anos (3, talvez). E deixou-me triste pelo que vi. Como pode um país tão bonito estar assim? Talvez por serem ricos demais em termos naturais e os homens não serem o tal homem-novo que se quer. Não sei, é muito complexo. Mas custou-me ver a gente ligada ao poder estar tão bem instalada e a miséria estar ali nas ruas ao encontro dos seus carros blindados. Dói.

Também sei que nós, do alto da nossa arrogância ocidental e bem instalada, temos por vezes dificuldade em compreender detalhes de outros mundo.

Mas que a pobreza dói sempre, dói.

Abraço

bp63

# Setembro 21, 2007 21:58

bp63 said:

Dissidências

De vez em quando tenha estas recaídas. Apago a luz do imaginário e começo a disparatar sobre as coisas mais palpáveis. Depois é o que dá. Quase que tive ser internado com um esgotamento.

Quanto à mesa redonda era uma boa ideia, mas olhando para as coisas que preconizas, não seria melhor ser quadrada? Assim sempre podíamos convidar o Pacheco-Pereira e o Jorge Coelho. Depois seria transmitida na Dissidências TV.

Abraço

# Setembro 21, 2007 22:02
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