SOL

Imagens caídas

Uma imagem vale mais do que mil palavras. Porque não fazer o contrário? Com as palavras construir e falar de imagens.

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A minha vida dava um telenovela... e das más (TIFAMI)

Folhetim, o passatempo nacional.

Isso é coisa de mulheres, dirão já alguns machos, enquanto ajeitam virilmente algumas partes mais íntimas e arrojam no ar algum som mais ecoante da via oral.

Não duvido muito disso. Até admito que a Soraya que vive com Adilson mas que ama Fábio, que por sua vez está perdido de amor por Cassandra, mas não é correspondido porque ela tem uma doença incurável e afinal era irmão da Adilson, possa interessar a algum núcleo mais feminino, mas sublinho, só algum.

No entanto, se olharmos para Licenciatura PM, Charrua, Pinto da Costa e Carolinas, Maddies e derivados, só para citar casos deste ano, vemos que afinal, homens e mulheres, saímos de um folhetim para entrar noutro. Não perdemos uma pitada do que vai acontecer, do que pode ter acontecido e do que me disseram que aconteceu.

Então se olharmos o panorama televisivo é caso para perguntar, há vida para além das telenovelas, quer sejam as verdadeiras, quer sejam as dos noticiários?

Num país de fracos argumentistas, construímos diariamente o episódio da vida do outros para dissipar, se calhar, o capítulo mais cinzento e trágico, o nosso.

Assim, num novo delírio de uma noite de verão outonal, construí mais um TIFAMI (Trailer Imaginário de Filme Ainda Mais Imaginário), desta vez uma homenagem ao folhetim, a essa forma de narrativa que tanto adeptos tem a nível nacional, quer seja a clássica de cordel, quer seja a dos cordelinhos da política e afins.

Mas, como sou mauzinho e as coisas nunca são o que parecem, não sei se isto de folhetim tem muito.

A ver vamos. Quem irá sobreviver?  Não no enredo, mas leitura.

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Simplesmente Maria

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SINOPSE/Conto:

Maria do Rosário, trabalha num call center. Solteira, na casa dos 30, vive sozinha num apartamento nos subúrbios. Nunca conheceu o pai, não teve irmãos e a sua mãe morrera há pouco mais de um ano.

Preparava-se para entrar de férias, no entanto, Maria do Rosário sabia que as mesmas iam ser bem diferentes. Quando voltasse o seu contrato, à semelhança de tantos outros, não iria ser renovado. Teria que voltar novamente ao desespero de procurar um novo emprego.

Mas, como se de um golpe de mágica se tratasse, tudo irá mudar no primeiro dia de férias. Uma senhora muito elegante entra-lhe pela porta dentro e diz-lhe:

- Maria, eu sou a tua mãe.

        De um momento para o outro, Maria do Rosário, vê-se filha de uma aristocrata, D. Antónia, a condessa de Pampilhosa da Serra, e herdeira de um vasto império financeiro, a Cordex SA, grande empresa do fabrico de cordas e cordéis.

        Agora ela é simplesmente Maria, Rô ou Rosarinho, e vive um autêntico conto de fadas. Ela é capa de revista, ela é entrevistada na tv, ela assiste a reuniões empresariais de alto nível, ela é apresentada à sociedade em grandes festas.

        O conto não estaria completo se não lhe aparecesse um lindo príncipe loiro. Cláudio Ramm é um monarca de um principado muito pequeno, mesmo mínimo, no meio do Mediterrâneo, que vive exilado em Portugal. Depois de lhe ser apresentado, depressa ficam noivos e com casamento marcado, não obstante os olhos de Maria fugirem sempre para o atlético jardineiro.

        De uma família insignificante passa agora a um autêntico clã, pois desde 2 pais em disputa, uma prima cientista de física nuclear, um irmão morto que reaparece, uma tia louca, todo um conjunto de personagens são agora um rol de parentes que se aproximam.

        Mas todo o conto de fadas tem um fim, e aquilo que são os lindos dias dourados de sonho da sua nova existência, depressa começam a transformar-se no seu grande pesadelo.

        O Império começa a ruir, o seu irmão morto-vivo quer tirá-la do seu caminho, e até o seu tio, que afinal era um possível pai, acaba por morrer ao tentar revelar um grande segredo. Maria é a principal suspeita.

        Como se não bastasse, Maria vê-se vítima de estranhos acidentes e perseguições, que culminam com o seu rapto. Disposta a querer ver-se livre de toda esta nova roupagem que lhe arranjaram, só pode contar com Marisa, uma amiga intima que sempre a acompanhou.

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Será que consegue? O quê e quem está por detrás de todos os acontecimentos?

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            Não perca as cenas dos próximos capítulos.

Cena 1: Emprego. Interior. Dia.

Grande sala com várias secretárias divididas por separadores. Panorâmica da sala até Maria ficar no plano. Está com os auscultadores. Fala com alguém.

Maria: Sim? Agora carrega na tecla cardinal duas vezes... As teclas são todas pretas? Não, minha senhora cardinal não é cor, é um símbolo. Normalmente está ao lado da tecla zero… Parece umas grades da prisão? Sim, essa mesma.

 Maria

Maria 29 anos, ainda Maria do Rosário.

·         

Maria coloca coisas numa caixa. Surge Marisa.

Marisa: Já vais, amiga? (Maria encolhe os ombros) Não fiques assim. Vais ver quando voltares tudo se resolve e eles renovam o contrato.

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Maria e Marisa abraçam-se. Maria pega nas coisas.

Maria: Pessoal, portem-se bem. Até ao meu regresso. (Maria pega na caixa e dirige-se para a porta)

Colega 1: (não tirando os olhos do computador) Porta-te tu bem mal e diverte-te nas férias.

·         

Maria sai. Colega 2 aproxima-se de Colega 1 com um copo de plástico na mão.

Colega 2: Vai divertir, vai! A olhar para a televisão o tempo inteiro e a dar uns passeios pelos hipermercados. É o que estas gajas solteironas fazem.

Colega 1: (continuando a olhar computador) Deixa lá a coitada. Quando voltar já nem secretária vai ter.

Colega 2: Pois é. Mesmo assim desengonçada ainda deve ser uma boa volta. Eu cá tratava dela. 

Cena 2: Sala de casa de Maria. Interior. Dia.

Maria dá de comer ao seu cágado Salgueiro. Tocam à campainha. Maria abre.

D. Antónia: (abre os braços) Maria, abraça-me que eu sou a tua mãe.

Fade out (a imagem desaparece). Fade in (a imagem surge aos poucos). Maria e Antónia estão sentadas no sofá.

 Antonia

D. Antónia Condessa da Pampilhosa da Serra.

D. Antónia: (acaricia as mão de Maria) Maria, eu sei que tudo isto deve ser estranho, que te habituaste a ver como mãe uma outra mulher, mas eu naquela altura não podia assumir-te. Etelvina foi a minha salvação pois criou-te como uma filha. Esperei que ela morresse para te dizer toda a verdade, não a queria magoar. Maria tens toda uma nova vida à tua espera. Vem e torna-te a legitima herdeira da D. Antónia (bate com a mão no peito) Condessa da Pampilhosa da Serra.

Maria olha D. Antónia de boca aberta sem dizer nada. Grande plano do cágado Salgueiro, que com a cabeça de fora parece estupefacto a escutar a conversa.

Cena 3: Alameda. Exterior. Dia.

Uma grande limousine atravessa uma longa alameda de cedros. Maria e D. Antónia viajam na parte de trás do carro. Maria olha a paisagem, vê um grande palacete ao longe, que se vai aproximando. Salgueiro olha também através dos vidros.

 Salgueiro

Salgueiro

Cena 4: Salão de entrada do Palacete. Interior. Dia.

O mordomo abre a porta. Maria entra na casa timidamente, com D. Antónia, olha admirada para tudo. Um grupo de empregados, todos jovens, está alinhado à espera da nova inquilina. O mordomo apresenta os empregados e D. Antónia e Maria fazem uma espécie de revista às tropas. Maria fixa o olhar no jardineiro.

Cena 5: Quarto de Maria no Palacete. Interior. Dia.

Maria olha, com Salgueiro na mão, uma pintura de um jovem na parede que parece espiá-la. Salgueiro recolhe a cabeça.

D. Antónia: (aproxima-se de Maria) É Francisco Mello de Carvalhais. Teu irmão. Morreu num desastre de avião há 2 anos na Amazónia.

Maria está deitada na cama. Fala ao telefone com Marisa.

Maria: Tens que vir ver, nem parece possível. A casa é linda, as pessoas são lindas. Nem quero acreditar. Tira uns dias de férias e vem para cá, preciso de alguém que me ampare para eu não desmaiar. Ganhei uma família nova.

Cena 6: Montagem da apresentação da família

 Carina

Carina Cientista de física nuclear

·         

Carina: Eu sou Carina, tua prima. Espero que não te importes que eu esteja cá em casa. Sou cientista de física nuclear mas estou muito cansada e estou a viver por aqui uns tempos.

·                     

Violante: Eu sou Violante, sua tia (começa a arfar)… não sei se por muito tempo. (ri-se em gargalhadas altas) Tenha muito cuidado, mesmo muito cuidado.

·                     

Camilo: Eu sou Camilo Mello de Carvalhais, seu tio (olha para os lados)… Precisamos de falar. Tenha algo muito importante para lhe contar.

Claudio 

Cláudio Ramm Príncipe de Lytonos

·                     

Cláudio: Eu sou Cláudio Ramm, ainda somos parentes afastados, encantado! (beija-lhe a mão)

Amilcar: Eu sou Amílcar, o tratador de cavalos. Sabe, menina nunca ninguém lhe disse mas eu sou seu pai.

·                     

Camilo: Rô, não posso calar mais isto. Eu sou teu pai.

Cena 7: Quarto de Maria no Palacete. Interior. Dia.

Maria está com Marisa no quarto. Entra D. Antónia

D. Antónia: Ainda está assim? Já está lá em baixo a televisão para a entrevistar. Por favor, arranje-se e desça, não há nada mais possidónio que fazer esperar as pessoas. (sai)

·                     

Maria: Não sei se vou aguentar. Detesto televisão e essas coisas. Lembras-me quando quase me obrigaste a participar num concurso?

 Marisa

Marisa a amiga

Marisa: Se lembro, deixaste-me lá especada e saíste porta fora ainda antes de entrares em estúdio. Que vergonha, a fugires pelos corredores com os rolos na cabeça. Mas agora a tua vida mudou, tens que te preparar para isso. Todos querem falar de ti, como a menina pobre que virou uma rica herdeira. Embora ainda não percebi como é que a fazer cordas esta gente ganhou tanto dinheiro. Se calhar foi a mexer os cordelinhos.

Cena 8: Salão do Palacete. Interior. Noite.

Festa. Os convidados estão espalhados pelo salão. Ouve-se uma voz.

Voz: (em off) Senhoras e Senhoras, Rosarinho Mello de Carvalhais.

Maria começa a descer as escadas lentamente. Todos a olham.

Maria Rosarinho 

Maria agora Rosarinho

o        

Cláudio: (aproxima-se de Maria e pega-lhe na mão) Concede-me esta dança?

Maria e Cláudio dançam.

Camilo: (ao ver o par dançar) … Fazem um lindo par, não fazem?

o                    

D. Antónia: Claro, porque pensa que ele cá está? Vamos fazer casamento. A festa verdadeira vai agora começar… Ah e nas grandes famílias não se casa por amor, não se esqueça. (pousa o copo nas mãos de Camilo e afasta-se)

Cena 9: Montagem da capa de revistas

Imagem de várias capas de revista com Maria e grandes títulos:

- Maria, a Cinderela dos tempos modernos

- Rosarinho Mello Carvalhais a figura do ano

- Cordex tem novo presidente, Rosarinho Mello Carvalhais

- Príncipe Cláudio e Rosarinho casamento anunciado

Cena 10: : Sala da Administração. Interior. Noite.

Maria e Marisa entram numa grande sala, com uma mesa comprida, onde estão vários homens e mulheres. Anunciam-na. Eles põem-se de pé.

Administrador: Senhoras e Senhoras, Rosarinho Mello de Carvalhais, presidente do Conselho de Administração da Cordex SA.

Marisa: (susurrando a Maria) Vê lá se param de te anunciar em altos berros, parece sempre que estou entrar num palácio da Idade Média.

Maria senta-se na presidência. Marisa procura sentar-se mas não tem cadeira. Olham para ela.

Marisa: (olhando fixamente para o Administrador anunciador sorri) Eu sou a amiga da presidenta, assim a uma espécie da assessora presidenta amiga.

Cena 11:  Jardim na piscina. Exterior . Dia.

Maria e Marisa estão sentadas à beira da piscina. Observam o jardineiro. A criada Letícia coloca na mesa 2 sumos de laranja. Retira-se.

Marisa: Ai filha, esta tua família parece que foi tirada de um casting de uma agência de modelos. A mãe é bonita, a prima é bonita, o príncipe é o máximo, até o jardineiro e a empregada são lindos de morrer.

Maria continua a olhar o jardineiro. Este olha também para ela.

 Fabio

Fábio Jardineiro

Marisa: Deixa-te dessas coisas. Tu ficas com o príncipe, que é loiro de olhos azuis e rico. Já sabes que rico tem que ficar com rico. Só nas novelas é que se fica com pobre.

Maria: Mas esta é a minha novela. De tanto as ver acabei por viver uma.

Marisa: Então se a novela é tua vai com o teu príncipe para as Bahamas, que já vais muito bem servida. Deixa-me ficar a mim com o jardineiro, que também sou filha de Deus. Ai que Deus ele é!

Cena 12:  Jardim. Exterior . Dia.

Fábio, o jardineiro, segura Maria.

Fábio: Dona Rosarinho, não fuja de mim. Os nossos destinos estão traçados.

Maria e Fábio beijam-se.

Maria: Não, eu não posso. Sou uma mulher comprometida. Tenho um nome a defender.

Fábio: Mas os nossos corações já estão juntos.

Maria: Então há que fazer um transplante, que eu não vou perder tudo o que conquistei. Agora sou a única herdeira dos Mello de Carvalhais. Tenho o mundo à minha frente.

Tudo era bom demais para ser verdade

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Cena 13: Salão do Palacete. Interior. Noite.

Ouve-se um grito. D. Antónia desmaia. Francisco está no meio da sala

Francisco: (abre os braços) Voltei. Estou vivo.

Francisco

Fransciso irmão de Rosarinho

Francisco: (bebendo champagne) O avião caiu mas eu consegui sobreviver. Lutei desesperadamente durante 2 anos na selva, comi de tudo, lutei contra tribos inteiras, dormi ao lado de anacondas, mas voltei. Voltei para assumir aquilo que é meu.

Cena 14: Salão do Palacete. Interior. Noite.

Marisa espreita uma conversa numa outra sala, entre Francisco e Carina.

Francisco: (irado) Ela que não pense que isto vai ficar assim. De um momento para o outro chega e toma conta do que é meu. Fui eu que construiu isto tudo.

Carina: (abraça Francisco) Tem calma priminho. Tudo se vai compor, eu tenho um plano infalível. Afinal sou cientista de física nuclear.

Cena 15: Quarto de Marisa Palacete. Interior. Noite.

Marisa entra repentinamente

Marisa: (sufucadamente) Maria tens que sair daqui. Estás em perigo.

Cena 16: Piscina interior. Interior. Noite.

Maria sai da piscina e veste um roupão. Ouve um barulho

Maria: (olhando à volta) Está aí alguém?

Grande plano de um leão. Ruge. Ouve-se um grito. Fade out.

Cena 17: Salão do Palacete. Interior. Noite.

Há uma festa. Camilo manda parar a música. Os convidados olham para ele

Camilo: (olha para Francisco) Francisco, lamento ter que estragar a tua festa de boas vindas ao reino dos vivos, mas preciso revelar uma coisa. Um segredo que andou guardado muitos anos.

Apaga-se a luz. Ecrã negro. Ouve-se um tiro. Novamente a luz. Camilo está estendido no chão envolto em sangue.

Cena 18: Quarto de Marisa Palacete. Interior. Noite.

Maria sentada na cama fala para Marisa.

Maria: Eu que gostava tanto de me sentar em minha casa a ver as minhas telenovelas, começo a estar cansada de viver numa.

Marisa: Será que isto é como aquelas coisas que vemos nos filmes, em que de um momento para outro o espectador entra dentro da própria história do filme. Mas se isto é o teu filme, eu o que é que sou? Oh meu Deus, eu sou o idiota do filme. Todos os heróis têm um amigo idiota. Eu sou essa a idiota amiga da heroína, que fica sempre com um idiota secundário qualquer. (senta-se também na cama) Não posso crer!

Grande plano de Salgueiro numa almofada. Assiste com a cabeça de fora à conversa.

Cena 19: Quarto. Interior. Noite.

Maria está sentada numa cadeira num quarto com pouca luz. Está amarrada e amordaçada. Um vulto desliza à sua volta

Vulto: Pois é Maria, pensava que ia ser sempre um conto de fadas. O sucesso, o dinheiro, a vida fácil pagam-se caros. Muitas vezes o seu preço não está apenas numa simples moeda. Está em algo mais profundo… Não se lembra de nada Maria, de nada mesmo?

Começa

a ser mau demais para ser mentira

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Cena 20: Corredor do Palacete. Interior. Noite.

Maria corre como se estivesse a ser perseguida. Letícia, a criada, abre-lhe a porta.

 Leticia

                                    Leticia, a criada 

 .

Letícia: Fuja por aqui. Lá fora está Fábio que a leva para bem longe.

Maria: Venha também, fuja connosco.

Letícia: Não posso menina. Estou a morrer, tenho uma doença grave, já não me adianta fugir.

Maria: Mas o bebé?

Letícia: Morrerá comigo. O príncipe Cláudio jamais o aceitaria. Vá, parta, eu detenho-os aqui.

Cena 21: Salão do Palacete. Interior. Noite.

Maria está no meio do salão, vestida de noiva, com uma arma na mão. Aponta para alguém.

Maria: (grita) Basta! Chegou a minha hora de me divertir um pouco, não?

Maria dispara. A imagem dissolve-se (Fade out).

Simplesmente

MARIA

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Um conto de fadas

Que ninguém quer viver

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Cena 22: Bosque da propriedade. Exterior. Noite.

Ouve-se um tiro. Maria e Marisa correm pelo bosque.

Maria: (olha para trás) Meus Deus, acho que matei alguém!

Marisa: (puxa Maria) Deixa lá, se for o zombie do teu irmão ele já está habituado!

Grande plano do cágado Salgueiro que viaja no bolso de Maria, olhando toda a correria.

Meus caros e caros podem libertar os cintos de segurança. A viagem chegou ao fim. Agradecia que os sacos do enjoo não fossem atirados contra o ecrã.

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Pensem que poderão ser a próxima vítima. Quem vos diz que amanhã ao sair de casa não vos acontece nada e que a vossa vida não vai ser um longo e delirante Folhetim?

Posted: segunda-feira, 15 de Outubro de 2007 20:56 por bp63

Comentários

josefadobidos said:

A sua produção de histórias, historietas, novelas e folhetins é impressionante. Quase não dá para acompanhar. Quando vou comentar uma, já está outra fresquinha ou quentinha a sair. Benza-o Deus, homem!

Folhetim com todos os ingredientes, tenho pena de não saber quem é que morreu, mas palpito que o irmão não foi, num folhetim ninguém morre assim tantas vezes, deve ser uma coisa muito mais trágica, é? é? é?

Espero que a resposta apareça, de um momento para o outro, noutra história qualquer, como o cágado salgueiro, que apesar de cágado, também dá saltos mortais de uma história para outra. Adorei o alterego. E as suas histórias.

Beijos

Jo

# Outubro 15, 2007 22:23

Nemesis said:

Ui... Eu tinha ficado encantada por encontrar o cágado Salgueiro outra vez por aqui. Foi roubado? E ainda por cima, honestamente roubado? Acho que até o Salgueiro pensou que convidado especial. Deve estar a atirar furioso com o algodão desmaquilhante para se ir travar de razões contigo: - "Porque a mim ninguém me rouba, percebeu, quando muito, citam-me! Pós-modernamente, claro! Humpf!!!".

Por esse caminho ainda te cobra pela participação...

Isto fez-me pensar numa coisa... Com as quantidades industriais de informação, como é que a gente, sobretudo depois dos quarenta, ainda consegue distinguir uma ideia própria duma alheira? (duma alheia, não duma alheira) (nemesis, já para a cama!)

# Outubro 15, 2007 23:01

bp63 said:

Um folhetim nunca é muito original.

Penso que tem algo de canibalesco, come-se sempre um bocado de um outro anterior.

Sobre este pseudo folhetim, pensei a história toda, penso eu, sem tentar incluir nada que tivesse já passado por aí.

No entanto quero repor 2 coisas que roubei:

- O titulo -  retirado de uma radionovela que me lembro de ouvir falar quando era miúdo. Ou seria fotonovela? Já nem sei.

- Cágado Salgueiro ? roubado de um conto interactivo do blogue. Na altura pedi licença a uma das suas donas, à Maresia acho eu. E ela autorizou.

Sou ?Roubão? tipo Robin Hood,  um pulha honesto blogueano.

Está feito o reparo.

# Outubro 15, 2007 23:02

bp63 said:

Jo

Eu sou assim uma espécie de Luky Luke, mais rápido do que o próprio teclado. É por isso que as histórias saiem em catadupa, e as gralhas também, benza-me Deus!

Também acho que ninguém morre 2 vezes (de repente lembrei-me de um livro que adorei há muitos e longos anos ?ninguém morre de véspera? um doce para quem adivinhar o autor), o rapaz já penou bastante, se bem que já está habituado e não lhe deve custar muito. Uma dica o morto pode estar para além das personagens.

O salgueiro achei tanta piada ao bichito que o resolvi resgatar, ele tinha que ganhar vida própria. No fundo ele é o narrador silencioso.

Beijo

Bp63

# Outubro 15, 2007 23:12

Nemesis said:

Já viste? Agora até faço profecia comentarial... Um dia destes acordo e sou a chefe espiritual de uma seita de trans-qualquer-coisa-da-psique...e a minha vida vai ser um longo e delirante Folhetim... :)

beijo

nemesis

# Outubro 15, 2007 23:13

bp63 said:

Nemesis

O Salgueiro é tão convidado especial que me vai roubar a história, ninguém fala doutra coisa. Faz lembrar aquelas pequenas figurantes que, de tão louras, tão boas, quando entram roubam a cena à protagonista. Aquelas que antes de serem boas actrizes querem ser actrizes boas.

Mas pronto, tirem lá as fotos todas ao bichinho.

Com que então a partir dos 40 não se pode ser original? Era só o que me faltava ouvir. Velho e copião. Olha que a outra dizia que a vida começa aos 40.

A criação é apenas um conjunto de ideias que se misturam com tudo o que somos. Aos 20 ainda somos muito pouco.

Beijo, apesar de não merecerO Salgueiro é tão convidado especial que me vai roubar a história, ninguém fala doutra coisa. Faz lembrar aquelas pequenas figurantes que, de tão louras, tão boas, quando entram roubam a cena à protagonista. Aquelas que antes de serem boas actrizes querem ser actrizes boas.

Mas pronto, tirem lá as fotos todas ao bichinho.

Com que então a partir dos 40 não se pode ser original? Era só o que me faltava ouvir. Velho e copião. Olha que a outra dizia que a vida começa aos 40.

A criação é apenas um conjunto de ideias que se misturam com tudo o que somos. Aos 20 ainda somos muito pouco.

Beijo, apesar de não merecer

Bp63

Bp63

# Outubro 15, 2007 23:20

bp63 said:

É que não sei porquê apaguei o comentário e tive que o voltar a inserir, claro que depois apareceu a menina Nemesis no meio e ficou a dizer uma coisa ainda antes de ser dita.

É o principio do folhetim... dos comentários

E se calhar o fim.

"Qui mais me irá acontecer?"

# Outubro 15, 2007 23:23

Nemesis said:

Adoro quando te zangas. eheheh

E aviso já, desde que li este folhetim e desatei a ser atacada por super-poderes, também consigo por o editor ainda mais doido do que ele já é. Não te admires se, para além de comentários em duplicado,  aparecerem uns dez retratos do salgueiro ali em cima...

AHAHHAHAHAHHHHH (riso cavernoso a ecoar por toda a blogosfera)

# Outubro 15, 2007 23:31

pessoalissimo said:

Nem penses que eu vou ler e comentar isto!

Talvez no próximo fds, e com boa vontade. A não ser que alguém me faça um resumo. ;) Ainda por cima andas a meter os pés pelas mãos.

Ah, as promessas esquecidas...

Fernando

ps - afinal devo voltar amanhã, sou um bonzão! [:D)]

# Outubro 15, 2007 23:50

Nemesis said:

"Toda citação maior é uma espécie de pensamento lúcido, fragmento condensador de uma possível beleza-verdade, farol que ilumina o mundo em ruínas. A citação é nuvem "onde o sol cala", como no "Inferno" de Dante: "No meio do caminho desta vida/ me vi perdido numa selva escura,/ solitário, sem sol e sem saída".

Jorge Luis Borges era um escritor pródigo em citações. Rescreveu argumentos, lendas e fantasias deste e de outros séculos. No ensaio intitulado "Livro", Borges anota que, "certa vez, perguntaram a Bernard Shaw se ele acreditava que o Espírito Santo havia escrito a Bíblia. Ele respondeu: Todo livro que vale a pena ser relido foi escrito pelo Espírito Santo". A Bíblia não é nada mais do que um mosaico de citações, sermões e parábolas.

Muitos leitores acreditam que os citadores são pensadores originais. Lucrécio achava que "nada pode ser criado a partir do nada". Já Andre Gide, por sua vez, diz que, "todas as coisas já estão ditas, mas, como ninguém escuta, é preciso recomeçar sempre". A citação é uma lembrança do que "poderia-ter-sido", do "não-mais" ou do "tarde-demais". "O que não é destino é frivolidade", diz Ortega e Gasset.

Poetas, filósofos, pregadores e animadores sempre foram mestres em citar o pensamento dos outros. Mas há quem use as sentenças para ter uma visão do mundo ou para simplesmente levar a vida. No entanto, "um fragmento tem de ser como uma pequena obra de arte, totalmente separado do mundo circundado e perfeito e acabado em si mesmo como um porco-espinho", como definiu Friedrich Schlegel.

Erza Pound, que ditou as regras usadas pelos poetas concretos, era um citador dos tempos medievais, um reinventor dos caracteres (ideogramas) orientais. Vivia com o nome de Confúcio e Bashô na ponta da língua. O visionário Nietzsche desenvolveu toda a sua filosofia a partir dos pensadores gregos. Seu pensamento filosófico é uma trama de fragmentos, máximas e relâmpagos. Para ele, "aquele que escreve em sangue e em máximas não quer ser lido, mas aprendido de cor."

James Joyce, em Ulisses, disse uma frase que ficou célebre: "depois de Deus, Shakespeare foi quem mais criou". A obra de Joyce serviu como fonte de idéias, e ainda recurso estilístico para a construção da obra de Samuel Beckett. Por sua vez, Joyce bebeu nas águas da memória de Proust.

A República, de Platão, outro exemplo de livro de citações, é uma narrativa, discussão dialética encabeçada por Sócrates a um auditório anônimo. Segundo Goethe, a dialética é um desenvolvimento do espírito de contradição, dado ao homem para que ele aprenda a reconhecer a diferença das coisas.

A citação nos leva a um livro, a um lugar qualquer, a um tempo exato. Desafia a realidade, ensina a ver o mundo com os olhos dos outros e a conhecer as coisas do nosso jeito de ser. "Ser ou não ser, eis a questão", pergunta o poeta. Já Freud afirma que "sou onde não penso". "Nada do que é humano me é estranho", pensa Terêncio. Esse era um dos aforismos preferidos de Karl Kraus, especialista em citar para ironizar.

Um aforismo é a síntese do conhecimento. No entanto, segundo Kraus, um aforismo jamais diz a verdade; ele sempre diz uma meia verdade, ele sempre diz uma verdade e meia."

honestamente citado/roubado em

http://www.letraselivros.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=853&Itemid=65

beijo

nemesis

# Outubro 16, 2007 23:05

bp63 said:

Fernando

Não lê, mas devia ler, como penitência.

E por falar em penitência, o que é que eu fiz para meter os pés pelas mãos (se bem que hoje não é bom dia para perguntar isto)?

Que promessas foram esquecidas?... Não sei porquê isto lembrou-me um verso de uma canção de um eurofestival qualquer? hoje não estou mesmo para humor de jeito (se é que algum dia tive)

Amanhã acertamos contas.

Abraço

Bp63

# Outubro 16, 2007 23:29

bp63 said:

Nemesis

Já li o texto 2 vezes. Ainda não percebi que Xá é que a menina me está a mandar.

Mas tendo em conta o dia que tive e estes olhos cansados, amanhã tentarei ler melhor e descortinar o que está por detrás da ?Trapobana! destas letras.

Estou mesmo a precisar de chá, mas do quentinho mesmo. Para adormecer ideias e imagens, que hoje caíram-me muitas.

Beijos

Bp63

# Outubro 16, 2007 23:33

Nemesis said:

Olhe menino Bp63, nem tudo é Xá nesta vida. Digo eu, que passei o dia a chá de limão, tal foi não a trapobana mas a tramontana de gripe que há três dias me caiu em cima.

Relaxe, o dia lá de fora já acabou e por trás dessas letras não está coisa nenhuma.

Acrescento, a título de consolação, já que tudo é relativo, que ainda o menino usava fraldas, já eu usava pião, patins, ió-ió e fisga. Está mais contente?

beijo

nemesis

# Outubro 17, 2007 1:01

pessoalissimo said:

BP63

Como de costume não percebi nada de nada deste folhetim, sou mesmo básico. Talvez seja falta de hábito de acompanhar as novelas escritas e televisionadas, não tenho pachorra para coisas que deviam acontecer hoje e que, por decisão superior do argumentista e do produtor, se arrastam até às calendas.

E não me consigo, felizmente, a imaginar a ser mais uma vítima dos teus devaneios criativos e das tuas histriónicas histórias.

Claro que gostei de algumas personagens desta história, fiquei de olho na Carina, a tal Física nuclear, ela é o máximo em termos de beleza e de perfidia. E aquele ?jardineiro? deve ser a perdição de muitas mulheres, até eu fiquei com ciúmes dele?

Mas o verdadeiro protagonista só pode ser o tal cágado Salgueiro (onde é que eu já ouvi este nome num cágado?), um filósofo que tudo observa e analisa.

Mas não me importava mesmo nada de viver esse conto de fadas com uma verdadeira princesa (que tal a criada Léticia desta história?), nem que fosse por um dia.

Tiro o meu chapéu (ah ah) ao delírio narrativo do dono deste blogue, será ele o cágado Salgueiro?

Fernando

# Outubro 17, 2007 2:08

eeu said:

Eu já penso que o cágado Salgueiro deve ser a alma-gêmea da Maria enfeitiçado por alguma bruxa má... rsss

Simplesmente Maria era uma rádio novela da qual a minha mãe e outras Marias não perdiam um capítulo !

Eu aguardo pelo próximo...

eeu

# Outubro 17, 2007 11:29

dissidencias said:

Olá Brad Pitt,

Pois, pois, para além de te endares a lambusar com a Angelina, ainda tens tempo para os teus fantásticos argumentos. Faço minhas as palavras  da Josefa... ainda não digeri uma história e já vens com mais folhetins...   Os meus neurónios não conseguem acompanhar tanta coisa... Mas, pronto... continua com as tuas fotonovelas... desde o tempo da crónica feminina que não via nada assim...

Mas há em todos nós uma Maria... Porque todos nós temos um pai tratador de cavalos... que come no estábulo aos domigos e feriados... Será que percebi bem o folhetim?

Abraço folhetinoso

dissidencias, o pivot-sanitário

# Outubro 17, 2007 14:04

bp63 said:

Fernando

É engraçado como as pessoas só se prendem ao lado telenovelesco da coisa e não ligam muito aos outros contornos. Tal e qual como o TIFAMI anterior este não pretende caminhar pelo sinal mais evidente (o anterior era a bomba, este a vida cor-de-rosa).

Há uma questão importante ali, o que é está por detrás de tudo que pode levar a mudar a vida toda de uma pessoa e a colocá-la perante novos desafios? Foram deixadas algumas pistas.

Numa história acho piada sempre ao desmontar de uma solução aparentemente fácil. Mais do que situações muito complexas, prefiro ir sempre pelo contrário, arquitectar coisas simples, que depois podem ter algo muito mais urdido por detrás. No fundo como a vida de todos nós.

Quanto às personagens vejo que tem bom olho pela Carina e pela Letícia. Só uma pequena explicação porque utiliza fotos de actores/actrizes. Como não há muito tempo para descrever as personagens como eu as imagino trago um possível estereotipo daquilo que me estava na cabeça. A Carina era uma piada às séries americanas dos anos 80.

Queria ter um conto de fadas? Mas sabe que não é difícil, se ao olhar ao seu lado é capaz de encontrar um, basta querer embarcar num esquema, como a Maria embarcou, mesmo sem se lembrar. O pior é se termina num pesadelo.

Achei piada à tal ?decisão superior do argumentista?. Em jeito de ligação ao teu post (escrevi primeiro seu e depois apaguei) poderei dizer que o homem mais perto de Deus é o escritor, pois ambos são criadores de universos e seus matadores. Pomos e dispomos (olha eu a armar-me em escritor) da vida das criaturas, ainda que em mero viver de personagem.

Pronto, eu já sábia o raio do cágado ia me roubar o protagonismo, a mim e á obra. É o que faz ficar ao lado de algo mais bonito. Mas gosto daquele olhar dele alentejano, que em silêncio vai nos mostrando o caminho.

Fiquei sem saber o que afinal não cumpri.

Abraço

# Outubro 17, 2007 22:55

bp63 said:

Eeu

O Cágado Salgueiro poderá ser muito mais do que isso. Poderá ser ele a chave de todo o mistério. Quase que podia dizer ?O Cágado que sabia demais?.

Bp63

# Outubro 17, 2007 22:57

bp63 said:

Dissi

Espero que entre uma ida à casa de banho e um noticiário possa entrar a telenovela, que afinal não é, pois a coisa que dizia que era, não era, porque era ela.

Confuso? Mas os folhetins são sempre assim. Mas a maior piada é que o último capítulo podia ser colado ao primeiro que ninguém dava pelo salto.

A minha esposa, a senhora dona Angelina, manda saudações e pede que não ocupe muito tempo a casa de banho pois ela está um pouco apertadinha.

Abraço

Bp63

# Outubro 17, 2007 23:02

bp63 said:

Nemesis

Ainda estou para perceber o porquê do texto das citações. Mas reli e reli.

Percebi que era a indicação que aos 40 já somos fruto de muita coisa e que se calhar não podemos falar de originalidade.

Nesta coisa estou à vontade, porque nunca achei que tudo o que faço seja 100% original.

Advogo que nós somos os outros. Em partes, pedaços, construímos a nossa identidade com as partículas dos outros. No todo parece que somos originais mas não somos. Afinal até as minhas células originais foram do pai e da mãe.

No que escrevo ou invento, trago tudo o que aprendi.

Claro que muita das vezes são imagens que me ocorrem de momento e nem ligo que possa haver uma outra muito parecida.

Acho piada teres ido buscar isto, porque uma das coisas que me dá mais gozo é apanhar numa frase, ideia, obra, etc, de alguém e começar a derivar, acabando por construir uma coisa bem diferente. Normalmente tenho algum pudor em fazer isso porque parece que andamos a copiar ou então que estamos a brincar com coisa alheia.

Uma ideia de blogue era precisamente isso, apanhar em ideias dos outros e colori-las pela minha pena. Fiquei a meio caminho. Agora quando isso acontece é acidental e quando não é tenho o cuidado de o dizer. O Post anterior do Estaline, quando vires o Stardust, vais ver que a ideia do La vie en rose afinal não era assim tão original, apesar de ter sido inventado por mim a situação, a referência vem doutro lado.

Mas afinal se os grandes autores andaram a citar outros, porque não este pobre diabo que nem escritor é, talvez apenas um pintor de palavras, um contador de histórias apenas. Ai como eu gosto sempre de este final melodramático a puxar ao sentimento literário!!!

Bp63

# Outubro 17, 2007 23:21

Annnna said:

Ultimate

Tá a ver não vou ter muito tempo pa ler mas o menino podia sei lá , fazer um resumo eheheheheh

Um beijo enorme meu querido

Annnna

# Outubro 18, 2007 9:15

Nemesis said:

Citar outros é muito mais do que não ter ideias originais. é, como tão bem dizes, saber-se os outros, homenagear esses outros nesse ser-se, é criar em relação, generosamente, e não num autismo "lourófago" (acabei de inventar a palavra, não tem a ver com comer louras, claro).

Estou a gostar do rumo que isto está a tomar... É um folhetim e ninguém está a dar a mínima para o dito cujo - embora a Letícia e a Carina já tenham tido efeitos visuais nalgum participante mais entusiasmável - e até agora tem-se falado do cágado Salgueiro (que delícia de nome) que entretanto começa, entre uns e outros, a adquirir uma espécie de personalidade contemplativa mas não só, e que vai de narrador silencioso, porque cágados não falam, a alguém que, entre encolhidelas de cabeça na carapaça e olhares curiosos, pode até ser o manipulador dos cordelinhos (o narrador por detrás do narrador, ou seja, aquele que, quem decide a estória, decidiu que decide a estória, neste caso, o cágado Salgueiro inventado a decidir por detrás de si mesmo, aparentemente personagem narrador silencioso - a título de esclarecimento, só tomei cêgripe) e também se tem falado de citar e citações. Porque, citado, volta ao assunto o cágado Salgueiro, que deve estar a rir-se, silenciosamente.

Um reparo; aliás, um pedido: Se é para voltarmos a fazer uma caçada, desta vez ao morto misterioso, não dava para fazer um resumito, conforme outros já pediram? É que isto está um relambório dum folhetim...

beijo

nemesis

# Outubro 18, 2007 9:54

bp63 said:

ANNNA

A Nini tá o máximo mas tá a pedir o mínimo, é irreal!

Resumo? De todo. Espere que saia uma versão em papel coupé e assim pode ler no cabeleireiro, que é o único sitio onde a gente gira lê estas coisas, tá a ver? Sim, porque em casa é sô de Tolstoi para cima, pelo menos nas piquenas estantes do escritório, que são o máximo.

Beijo (só 1 para ser chique)

Bp63

# Outubro 18, 2007 22:06

bp63 said:

Nemesis

O Salgueiro é apenas um alter-ego de muito de nós, quando, pequenos espectadores, vamos observando os detalhes da vida dos outros e em silêncio encolhemos ou esticamos a cabeça, construindo a nossa carapaça, para que a dor dos outros não seja também a nossa dor e assim se possa ir sobrevivendo.

Apesar de ser uma brincadeira e um gozo (e porque não uma homenagem?) à literatura de cordel, génese dos folhetins modernos (será que ninguém reparou que a fábrica de corda e cordéis, o império Cordex, era uma metáfora? Caramba sou um mero escrivão de literatura rasca, para não dizer de ?cãum?, mas tenho que dar um ar intelectual á coisa), pondo lá todos os rodriguinhos e as voltinhas necessárias, o processo seria mais um triller de comédia negra sobre os destinos de cada um.

Resumo? Mas que interessa se ela casa ou não casa com o príncipe, se tem 2, 3 ou um regimento de pais? A questão está mais porquê é que tudo isso lhe aconteceu? Como é que podemos criar um folhetim para nós mesmos? Tudo isto pode ser uma fantasia, mas essas fantasias existem, basta olhar à nossa volta.

O que é real e o que é ficção? Porque é que umas vezes a realidade é a nossa melhor ficção e outras vezes a ficção é a realidade que julgamos inventar?

Confusa? Há pistas que são dadas, talvez por um segundo narrador, dado que o primeiro é mudo.

O morto, é apenas aquele que tem a chave do mistério. Mas o verdadeiro verdadeiro não é o do bosque, que apesar de ser a última cena mostrada no trailer não é a da narrativa. Digamos que a noiva vai estar, não de luto, mas em luto. Há quem diga que o dia do casamento é o dia mais marcante da vida das pessoas. Pois Maria vai tratar que assim seja. Afinal ela sempre sonhou subir uma escadaria de braço dadocom um homem mais velho, a lembrar o pai, nunca pensou é que poderia ser um policia e em lugar das alianças brilhantes umas algemas já baças.

Beijo

Bp63

# Outubro 18, 2007 22:29

josefadobidos said:

Desde que comecei a ler esta história, que não sei bem porquê, me lembrei de uma outra, de nome "O Assassinato de Roger Ackroyd? da Agatha Christie. Essa história, de todas as misteriosas que li, foi a que teve o final mais surpreendente, pois o narrador, afinal, é que era o assassino. Acho que me lembrei, por causa da atmosfera excessivamente suspeita desta história tão bem engendrada. A presença do cágado como alter-ego, veio ainda sublinhar mais essa sensação, porque dá logo à dica que o autor quer ser um interveniente da acção. Então: por mais estapafúrdia que possa parecer a minha ideia, a ?idiota? da amiga ?deu-me? ainda mais pistas para a minha hipótese:

?Marisa: Será que isto é como aquelas coisas que vemos nos filmes, em que de um momento para outro o espectador entra dentro da própria história do filme. Mas se isto é o teu filme, eu o que é que sou? Oh meu Deus, eu sou o idiota do filme.?

Ou seja, vou tentar pôr alguma clareza no que estou a tentar dizer, vamos ver se consigo: o autor de uma história faz, desfaz, encanta, desencanta, dá vida ou mata as personagens a seu belo prazer, construindo assim a história. Neste caso, o autor dá o seu salto mortal, continuando vivo e uno na pele do cágado, mas ?morrendo? também ás mãos da personagem: ?Maria: (grita) Basta! Chegou a minha hora de me divertir um pouco, não?? ? se repararmos, no final o autor escreve:

?Maria dispara. A imagem dissolve-se.? O que suponho que quer dizer que acabou a ilusão e que a partir daí, ?já entrou pela realidade? ? a nossa, de todos nós, é um "estalo" que nos quer dar e dá. Resumindo e baralhando, vários saltos mortais que no final, trazem a acção direita a nós. Espero não ofender, mas também me lembra o Woody Allen, com os seus egos e alter egos a pulular para dentro e para fora das narrativas ? Interior ? Exterior. Quanto à moral escondida dentro da história, isso já não faço ideia, mas talvez um velho provérbio sirva: ?O mais cego é o que não quer ver?. Boa?

Vá, agora mandem lá vir o colete-de-forças. Mas não vou oferecer resistência, nem vale a pena o colete.

Beijos da Jo

# Outubro 19, 2007 1:21

josefadobidos said:

Ando a ver muitos filmes, não é?

# Outubro 19, 2007 1:24

bp63 said:

Jo

Anda, anda... mas desta vez são dos bons.

Voltarei

# Outubro 19, 2007 8:15

pessoalissimo said:

Bp63

O que é que não cumpriste? A promessa de posts com menos de 2000 caracteres... Obviamente. Mas como não és Deus e és pecador, vais continuar a pecar e a penetenciar-te.

Bom fds

Fernando

# Outubro 19, 2007 12:51

bp63 said:

Jo

Em primeiro lugar a boca do ?mas desta vez são bons? dizia apenas respeito ao contraponto com as más leituras de filmes que anda a fazer por esta bandas e não porque tem ou não o hábito de ver maus filmes, coisa que além de desconhecer, não acredito muito, mas se vir mesmo, todos nós somos por vezes entalados nesse limbo que é ?ser ou não ser bom??.

Voltando ao laborioso post comentário que fez, realmente ele é avassalador e traz logo ao de cima questões que se queriam bem no fundo para não levantar suspeita.

Não sei se fui buscar inspiração ao livro de Agatha, até porque não li essa obra, tenho uma vaga ideia de uma amiga me ter falado. Eu sobre a Agatha tive um divórcio litigioso já há muito. Com este terrível defeito que tenho, de tentar perceber como se fazem as coisas, quando toca à criação, comecei a ver que a velha senhora me enrolava pois distribuía pistas por todo o lado e depois na noite de escrever o desenlace atirava moeda ao ar e decidia qual. Sentia-me enganado. Mais tarde, quando comecei a escrever umas coisas, então senti o quanto saboroso é essa perversão da manipulação do enredo e do leitor. Quanto mais mauzinho melhor. Hitchcock mostrou-me isso também. Só que era depois já era tarde demais para pedir perdão e continuei com o arrufo com a Agathinha.

Este terrível defeito por vezes tira a ?boniteza? às coisas. Por vezes vêm-me dizer, ?já viste aquela cena, tá gira, fez-se isto e aquilo? e eu ?ok, isso é só porque deu jeito assim, o homem lá não quis pôr a câmara de outra maneira?.

Mas a amiga Jo realmente anda perto nas questões do narrador. O problema é que este enredo tem 3 narradores. 2 já estão encontrados.

O cágado que com o seu enredo vai narrando o que pode estar por ali. Ele é mais do quem um alter-ego do verdadeiro narrador ou do autor, ele representa o espectador. Aliás, pensei nele como uma metáfora para um objecto que vai estar sempre presente na história. Percebendo o que será essa metáfora quase que se desvenda o porquê da telenovela.

O segundo narrador é um narrador personagem, a própria Marisa. Ela vai dando as dicas do que realmente se está a passar, tendo uma intervenção directa e interior na própria história.

O terceiro narrador é o narrador clássico. Nos trailers normalmente aparece um narrador que depois no filme não existe. Ora aqui fiz o contrário, o trailer não tem, mas o filme tem e é ele que vai, ao jeito do conto sinopse, explicando o que se está a passar.

Um dos motivos porque também não coloquei esse narrador foi porque poderia levar à comparação com ?O contado ninguém acredita?, que apesar de ser um filme interessante nada tem a ver com o que aqui é contado.

Da conjugação destes 3 elementos temos a resolução do mistério.

A Jo fala da cena do disparo, em que ela desperta para a realidade a acaba a ilusão. Quando ela dispara já entrou numa outra realidade por isso resolve fazer justiça. O problema é que há disparidades entre as realidades, a que ela encontrou e aquela em que realmente está.

Mas concordo, tudo anda à volta de narradores e narrativas, mas não tem nada de transcendente ou alucinado, e muito menos fantasioso. Por muito etéreo que possa parecer terá sempre uma explicação bem racional e básica. Woddy Allen não mora aqui.

Retomando o post-recado da Nemesis, sobre as citações, não deixei de ter em mente 2 filmes que achei muito interessantes há alguns anos, apesar das voltas serem muito diferentes.

Afinal como já disse, eu sou os outros.

Beijo

Bp63

# Outubro 19, 2007 19:55

bp63 said:

Pessoalissiomo

Mea culpa, mea culpa

? Mas assim sempre posso torturar um pouco os neurónios de alguém? Devil

Bom fds

Bp63

# Outubro 19, 2007 19:59

Inocentementefalando said:

Mas caganda Pinta.

Boa...

Com amizade

Clique por favor abaixo:

http://www.portaltaurino.com/goya/

Ou, como disse o Primeiro Ministro de Portugal, para o Presidente da Comissão Europeia, em Lisboa, a propósito do "Tratadinho" (que não vai a lado nenhum)e, para todo o Mundo ouvir...

...PORREIRO PÁ.

Só nos saem duques...

Um abraço

# Outubro 20, 2007 12:20

bp63 said:

Só nos saem duques mesmo!!

bp63

# Outubro 20, 2007 13:33

desabafosdaminda said:

olá olá...

este ramalhete burlesco- satirico é todo perfumado e florido! até o jardineiro é garboso!!!

levo quase 15 dias para ler cada post teu, mas lá acabo por chegar ao fim...

as histórias reais não são mesmo assim? ora, ora, e eu que julgava!!!

olha, se calhar, hoje sou eu que estou con falta de hunor...

mas devo dizer: gostei, viu! (bota-lhe um tom de português do brasiu!)

bejinho

minda

# Outubro 23, 2007 18:42

bp63 said:

Tô vendo que gata Minda

Curtiu a novela, né?

Mais a novela não é uma novela, viu?

É apenas uma coisa que pareci outra. É como a vida, né? A genti escolhe uma caminho e vai dar noutro.

Gostou do gato do jardineiro, é? Pois é apenas uma velha foto minha que andava por aí perdida.

O meu próximo post só leva 13,5 dias. Pode ir fazer umas comprinhas e voltar.

Beijo do Corcovado

bp63

# Outubro 23, 2007 21:17

desabafosdaminda said:

bêpê, amigo,

Quando comecei a ler o teu post até dei um grito que se deve ter ouvido nas Cucuías? Não ouviste?

Bolas, é que me assustei a valer, porque tu dizias que novelas, pelo menos as tele era coisa de mulheres? Como eu não vejo televisão, não acompanho as ditas, quer virtuais quer as tristemente reais, comecei a duvidar da minha feminilidade? ou da minha sanidade!

Porque, tenho vida para além da televisão, serei normal? Deixaste-me uma dúvida existencial grave?

( só depois de respirar fundo, beber três copos de água com açúcar, levar 3 estalos da vizinha do lado, é que tive a calma e o descernimento para ver que falavas pela boca dos Zézés Camarinhas cá da terra!)

Atão desde quando novela não é novela? Eheh!

As novelas da vida, caminham por caminhos torpes e tortuosos, mas a gente acaba mesmo por seguir os caminhos que escolhe.

A gente, às vezes, até pensa que está a escolher um caminho certinho e bem construído, sem pedras nem engulhos, a nossa mente educada e bem comportada, vai-nos soprando aos ouvidos:

- Não vás pela floresta, cuidado com o Lobo Mau?

Ah, mas o corpo, as fibras das curiosidades, as leis da imaginação, as rebeldias acumuladas, compadecem-se com isso?

As minhas não! Felizmente não! Gosto de ser eu a ler a minha partitura, a escrever o meu guião.

Nota: e como também sou mazinha, sobrevivi!

# Outubro 24, 2007 12:14

bp63 said:

Mindinha

A vida tem mesmo voltas e voltas. Algumas delas somos nós que as traçamos, mas outra há, que foram escavadas por mãos que nos fogem de controlo.

Escrevo guiões, mas acho que nunca o meu. Porque se escrevesse já me tinha colocado com um bom 007 cheio de emoção e não este pobre Chaplin em versão mais colorida.

As novelas são novelos. Por vezes perdem-se por lá. Neste caso, a da Maria, até não porque ficou por desfazer.

Já agora, há vida para além da televisão. Passam-se dias que não olho para ela. Também o tempo não é elástico.

Não ver telenovelas nem é sinónimo de macho nem de fêmea tresmalhada. É apenas sinal de não ver, nada mais.

beijos

bp63

# Outubro 24, 2007 19:19

desabafosdaminda said:

Bêpezinho,

Eu acredito, que em parte, tudo que nos acontece também é culpa nossa: porque quisemos, porque desejámos ou simplesmente porque, de um modo ou de outro, permitimos. É evidente, que muitas destas coisas nos fogem do controlo, mas quantas das que fomos nós que escolhemos nos fogem também?

Mas estamos muito enovelados? Os novelos que se enrolaram pacientemente dos nossos braços abertos para os colos das nossas avós, desenrolam-se lentamente, deixando de ser linhas emaranhadas e confusas, para se transformarem naquela bela camisola, naquelas meias de lã, naquele gorro com pompom, que nos aqueceu os Invernos?

Olha queres ver, que começamos já a nos desentender?

Que tristeza me bateu na lama quando vi que escreveste que preferias ser um 007 a um Chaplin?

Que preferias ser o chauvinista do servo da rainha ao maravilhoso, inteligente, meigo e sedutor Charlot?

Poupa-me bêpêzinho, essa nem parece tua!!!

Nota: fiquei mais tranquila com aquela de não ver TV é somente isso mesmo! Ufa! Que alívio!

Beijinhos

Mindinha

# Outubro 25, 2007 20:15

bp63 said:

Mindinha

Não há desentendimento, quanto muito ponto de vistas diferentes.

O que sinceramente não é o caso.

Claro que a força está muita nas nossas mãos. E sei que muito do que tenho, foi porque fui à luta e bati-me por elas, nada me caiu do céu. Aliás tenho um amigo que diz que é notório quando eu não tenho interesse numa coisa, pois fico extremamente passivo e apático. Em contrapartida quando quero, ele acha que mesmo sem dar muito nas vistas, não desisto e sorrateiramente vou levando a água ao meu moinho. Moral da história, sou mula das duas maneiras.

Mas isto para dizer que sim que escrevemos os nossos guiões e fazemos camisolas nos novelos que nos dão. Mas só em parte, porque há vezes, outras forças se levantam e que nos baralham tudo. Há quem lhe chame desígnios de Deus, destino, etc. Eu chamo-lhe a vontade superior dos outros e o acaso.

Preferia um 007? A Mindinha vai levar tau tau, ainda não percebeu o tom irónico com que por vezes falo, ou quando escrevo, já não em meu nome, mas em nome de uma personagem qualquer que me sai na escrita. Um heterónimo parvo.

Olha, sabes? Deve ser mais caso de psiquiatria do que outra coisa. Mas enfim, escrever no blogue fica mais barato.

Beijos do Chaplin que quer ser Bond (ele tão bons carros e ando a precisar tanto de um)

Bp63

# Outubro 25, 2007 20:56

ElanaJanela said:

As tuas personagens, deixa que te diga, são das tais!!!

Claro que a novela é mais suave que a vida. Porque a vida, caro escritor, ultrapassa, por todos os lados, a impressibilidade das novelas. Não achas?

Beijos

# Outubro 25, 2007 23:03

bp63 said:

Elana

A vida é mesmo mais ácida do que qualquer novela. Ainda bem.

Mas a da Maria não, porque ela esqueceu que a vida só é novela porque ela abriu as portas dela. Confusa?

O cágado Salgueiro sabe disso e muito mais.

Beijos

# Outubro 25, 2007 23:16

Nemesis said:

De facto, a vida também tem planos para nós.`As vezes, não sabemos entender a nossa vocação e ela fecha-nos as cancelas todas e por muito que se queira seguir num sentido, não há volta a dar-lhe... Sinal fechado.

Depois, agarra-nos pelo colarinho, como uma grua, e atira connosco para o meio duma confusão qualquer, numa curva de caminho discreta e à qual não demos importância. E quando damos por ela, por ali se abrem cancelas atrás de cancelas, a indicar-nos o caminho.

Outras vezes, se é altura de mudar de vida e não damos por isso, esquece-se de nós numa arena de tédio. Aí somos nós que nos estamos a esquecer de nós mesmos e é a vida a lembrar-nos que também temos que aprender isso. A deixar ir o que não interessa mas a que nos acomodámos e a fazer lugar vazio para que algo de novo possa acontecer.

Mas que é que estou para aqui a dizer? Toda a gente vem aqui mandar bitaites e ninguém se lembra de solucionar o mistério da telenovela que não era telenovela com as suas bodas de sangue... O que se passa com este post?

Beijo

nemesis

ps - estou com a Minda - também gosto mais de Chaplins que de Bondes. Mas, é claro, eu tenho o privilégio de poder andar de metro e o meu carro, a que muitos chamam não sei se amorosamente de "carripana", move-se num contexto de muita liberdade artística, senão, não seria compreendido :)

# Outubro 26, 2007 21:12

bp63 said:

São esses planos que a vida por vezes tem para nós, os tais argumentos que não escrevemos, a tal força dos outros e o acaso, que por vezes faz com os caminhos não tenham sido abertos por mim, por muita mão arregaçada que tenha. É a minha arena. Não sei se tédio, mas que é uma arena esquecida, é.

A prova disso é o mau filme que estou a viver com o carro, não o escrevi e acabei por entrar nele, só porque entrei numa oficina errada na hora errada. Ninguém, nem mesmo um mau argumentista, consegue solucionar o que sucedeu. É por isso que queria ser um Bond, já tinha ido tudo pelos ares e não ficar, assim, triste como um Chaplim a comer cordões como esparguete e a pensar se quero um tribunal, se quero um carro ( o preço de um tribunal dará para pagar uma boa parte do popó)

Realmente a novela é um caso perdido. Ficou por aqui um cágado que de tanto o elogiaram, afinal ninguém o quis... solucionar.

Beijos

Bp63

# Outubro 26, 2007 21:45

Nemesis said:

A novela é um caso perdido? Nem penses nisso... Mas há alturas para tudo e esta novela apanhou-nos a muitos em má altura. Os teus posts e estas novelas com mistério, precisam de muita cafeína e gente bem-dormida, nada de pálpebras pesadas, que é o que temos todos, ao fim do dia por esta altura...

Apanháste uma dessas dores de oficina? Ao meu carro, ali para os lados de Matosinhos já me deixaram um uma parte vital desapertada!!! Aliás, se hoje estou viva, nem sei a que plano da vida o devo, porque essa estória podia ter corrido muito mal.

Achas que assumiram alguma coisa? Até os estragos tive que pagar. Noutra oficina, claro. Nem me passou pela cabeça ir a tribunal...

Mas se tens provas de que foram eles que causaram isso, e energia, essas situações merecem ter as pessoas confrontadas com as consequências dos seus actos. Senão daqui a pouco não há nada que não nos possam fazer. Mas falar é fácil, claro.

beijo

nemesis

# Outubro 26, 2007 22:58

bp63 said:

Nem sei o que apanhei. Mas se for o que eu desconfio é digno de qualquer episodio dos Sopranos ou coisa assim. A confirmarem-se a minhas suspeitas é crime o que fizeram.

O que sei é que entrei com um carro em bom estado, dentro dos anos que tinha, e agora está despedido dos médicos. Espero o seu falecimento a qualquer momento.

Quando vires uma fumaça no Porto, não te assustes, não é nada a arder, é apenas o meu bolinhas a morrer.

Entretanto ando a poluir a cidade, apesar de já ter reduzido ao máximo as minhas viagens.

Ainda por cima estou entalado com um estúpido imposto que, no caso de comprar novo, me obriga a pagar no final do ano o imposto na totalidade e em Janeiro outro. Mas sobre isto é melhor estar calado. É outro dos meus tabus.

A propósito, o que é que isto tem a ver com novelas?

Tudo, eles são os maus e eu o bonzinho, mas não o bom bonitão que leva a louraça para casa, sou o bonzinho idiota que leva apenas uma figurante no fim, quando leva.

Beijo

Bp63

# Outubro 26, 2007 23:27

Nemesis said:

Bem-feito, quem é que te mandou gostar de louras?

# Outubro 26, 2007 23:56

bp63 said:

Sim, mas no fim casa-se sempre com a morena.

# Outubro 27, 2007 0:06

Nemesis said:

Nem sempre.

Mas eu percebo o problema, porque eu cá gosto - teóricamente - de ruivos e nunca cruzei com um único por quem me apaixonasse.

Eu costumo dividir as pessoas que conheço em figurantes e personagens principais do meu filme, sobretudo quando tenho que me auto-consolar pelo mau desempenho de algun/mas artistas secundário/as. Ajuda muito um "deixa lá, é só um/a figurante..."

Se pudesse dizia-te "deixe lá, fofinho, amanhã meto um post cheio de anedotas de louras" mas não sei se conseguiria cumprir.

Um beijo

nemesis

# Outubro 27, 2007 0:26

bp63 said:

De quem eu gosto nem às paredes confesso, já dizia a canção.

Pronto, fui confessando por aí, não muito, e como sou sortudo, acabei por ter peixe na rede, independentemente das colorações capilares.

O problema da figuração é que ultimamente já estou como nas grandes produções da era moderna, já tenho muita coisa digitalizada. A parte real é cada vez mais um pequeno estúdio com croma, onde projecto imagens, caídas ou não, das sombras a que assisto de longe. Não sei de Platão ou se de Matrix, mas a coisa deve andar aí por perto.

Será delírio, será gente? Gente não é certamente e o delírio não bate assim.

Beijo

# Outubro 27, 2007 12:49

desabafosdaminda said:

Bp

Sabes que aqui esta pessoa, não tem mesmo feitio para desentendimentos: sou rabugenta, resmungona e muito, muito refilona, fazendo jus á má fama que têm os escorpiões? mas depois de deitar cá para fora os azedos de boca, sacudo o pó que ficou nos ombros, lavo as mãos, que é como quem diz lavo a alma e ?tá feito??

Claro que esta conversa toda altamente filosófica não se encaixa no nosso diálogo? onde se calhar, se formos ver bem nem há pontos de vistas diferentes, mas sim complementares.

É evidente que, quando defendemos qualquer posição em questões deste tipo, temos sempre tendência para sermos um pouco maniqueístas, eu pelo menos caio frequentemente (embora isso vá contra, curiosamente, a minha maneira de pensar?) nesse erro!

É evidente também que vitórias sem esforço não existem, pelo menos para o comum dos mortais?

Eu sou das felizes contempladas com o facto de ter estudado à custa dos pais, sem grandes larguezas económicas, mas também sem constrangimentos de maior.

Tive também a sorte de ter seguido a profissão que escolhi e me ter efectivado com alguma facilidade.

Posso dizer, que na vida não tive que ter grandes lutas? felizmente!

Mas não sou uma pessoa acomodada: o que vou é aceitando com alguma calma e ponderação os escolhos do caminho, para em vez de tropeçar neles, saltar por cima ou fazer com eles um murinho para evitar enxurradas maiores.

Como tu, vou tentando levar a água ao meu moinho, embora nem sempre de um modo pouco sorrateiro?

Como dizes, a vontade superior dos outros e o acaso, que é naquilo que eu também acredito, às vezes trocam-nos mesmo as voltas? e aí, das duas uma, ou damos-lhe as costas e encolhemos os ombros ou trocamo-lhes nós as voltas também!

***

Heterónimos nunca são parvos, são tão somente isso: heterónimos!

Escrever é das coisas que mais gozo me dá na vida? não tenho muita tendência para criar personagens, e quando o faço é em histórias para crianças? em parte porque elas são o centro da minha vida e em parte porque não tenho muito tempo para dedicar a coisas mais complexas.

A escrita, a pintura, a criação em geral, foi, é e será, sempre um modo de nos aliviarmos das tensões do dia-a-dia, das agruras dentro e fora de casa, de nos transmutarmos, se sermos aquilo que gostaríamos de ser e não somos capazes?

Estou em crer que se toda a gente tivesse capacidade de deitar para fora de si os fantasmas que lhe corroem a alma, através de um qualquer tipo de criação, os PSIS do planeta morreriam de fome.

Por isso, amigo bp, continua a blogar que o teu blogar tem graça!

Nota: Ah,ah,ah? agora apanhei-te! Afinal quem não topou o meu lado irónico foste tu! LOL

# Outubro 28, 2007 0:14

desabafosdaminda said:

(desculpa-me bp, mas tem que ser!)

nemesis,

obrigado por corroborares a minha opinião sobre Chaplins e Bondes.

quando raio é que os homens vão perceber que há vida para além dos carros?

e que se andarem a pé até perdem a barriguita que teima em nascer na fonteira entre os 30 e os 40?

LOL

beijinhos

minda

# Outubro 28, 2007 0:19

bp63 said:

Mindita

Pois é, uma coisa é aquilo que preconizamos e depois outra é, por vezes, aquela que efectuamos. Por isso não somos perfeitos, e por isso há algum interesse no vier. Nada mais maçadora do que uma pessoa eficazmente coerente. Por isso a gosta de ver assim, com as usas contradições a as suas lutas.

Relativamente às lutas e ao que nos é oferecido, penso mesmo uma grande parte me foi oferecido. Curiosamente aquilo pelo que lutei mais foi por coisas com que normalmente as pessoas não se arriscam, sonhos. Alguns consegui, outro não.

Sobre a escrita é realmente algo de muito compulsivo para mim. Preciso de escrever, de estar sempre a produzir, nem que seja na mente por não ter tempo para passar a papel (vulgo computador). Se pudesse voltar atrás teria aproveitado o pouco de ensino que tive nesta área, o meu negócio é mais números, pois sinto algumas falhas técnicas, já para não falar na minha dislexia silábica e de concordâncias.

Com heterónimos fantasmas ou não, ando por aí a fazer de tolo a pintar palavras. Se bem que algumas encarnações minhas idiotas podiam fazer o favor de ficar em casa e não virem para aqui atormentar-me o juízo, a mim e quem me lê. Alguns ?heterónimos? podiam desaparecer. Mas aí se calhar desaparecia eu.

Para rematar.

Com Chaplin emociono-me, com Bond bocejo (com excepção do último filme).

Mas agora pergunta a qualquer homem se gostaria de estar num porão de um barco a comer sola de sapato, ou se num hotel 5 estrelas a comer caviar e a beber champanhe, numa suite com uma linda louraça que, ó sublime do sublime, irá desaparecer logo nos próximos 5 minutos, antes que abre a boca para mais alguma coisa que não seja dar umas beijocas. Ora vamos lá ver quantos vão ser mentirosos. Smile  Qual dos meus heterónimos falou????

Eu acho que tenho toda a vida para além do carro. Para mim é só um instrumento de sobrevivência. Aí sou pouco homem. Logo que ande bem e me dê segurança, estou satisfeito.

Beijos

# Outubro 29, 2007 14:39

desabafosdaminda said:

Bêpêzinho

Sabes?

Conforme vais escrevendo os teus textos no blog, com os quais dou gargalhadas gostosas,

conforme vais escrevendo provocações às quais respondo e vice-versa, vou constatando que temos algumas coisas em comum.

- O gosto compulsivo pela escrita: escrevo todos os dias, nem que seja, como tu dizes, mentalmente: à espera que o arroz coza, no banho? eu vou magicando?

- Algumas inseguranças na escrita porque, tal como tu, tenho uma disgrafia (ufa eu sou horrível, escrevo sempre os comentários no Word, porque senão era um desastre!) e algumas limitações de carácter técnico visto a minha formação não ser dessa área: sou de Biologia?

- acrescenta-lhe ainda, o achar que o carro é uma coisa que me é útil, que sem ele a vida se me tornava mais difícil e ponto final!

?

O meu amigo precisa de melhorar a sua auto-estima, há dias eram heterónimos parvos, hoje são fantasmas e idiotas?

Atão? Queres vir fazer um pouquito de ioga comigo para melhorar esse ânimo e passares a saborear bem saboreado tudo o que a vida nos dá, mesmo que sejam heterónimos embirrantes que moem o juízo ao autor e ao leitor?

E se os heterónimos fazem parte das nossas entranhas, se eles são partes de nós que se degladiam dia e noite em busca da sua vez de ?luzes de ribalta?, então se eles morressem ou desaparecessem, seria como perdermos um braço ou uma perna, pior, seria perdermos a nossa essência!

Todos nós, temos nos nossos desejos escondidos e mais ou menos recônditos, a ideia de que um dia poderíamos ser aquele ser fatal, super charmoso e sensual, aos pés de quem todos cairiam seduzidos pela luz do nosso olhar? (eheheh) neste caso saem de dentro das arcas mofentas os Bonds e as BB, conforme o caso?

Por isso, é obvio que não há homem nenhum que não sonhe com ter uma Bond girl na cama, assim como não há mulher nenhuma que não sonhe ter o próprio Bond aos seus pés?

Olha se calhar, é dar lugar às doces incoerências entre o que defendemos e o que queremos. É tão bom sermos incoerentes! Sabe bem.

E agora fazendo de conta que estamos na bicha da Caixa eu vou dizer-te:

- próximo!

Porque vou saltar para outro post que já tou com bués de atraso?

Bejitos

minda

# Outubro 29, 2007 17:05
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