Ai estas Mulheres - Ai estes Humanos - Ai estes Americanos - Ai a Invasão destes filmes!
“- No dia em que no mundo deixar de existir a guerra, a violência, a exploração, a miséria, é porque simplesmente os humanos deixaram de ser humanos.” – do filme Invasion, citado de memória.
Num filme, aparentemente sem grandes contornos profundos de reflexão, não deixa de ser interessante 3 questões que acabam por ser levantadas.
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Sinopse
O misterioso despenhamento de uma nave espacial leva à terrível descoberta que um alienígena (vírus) se encontra nos escombros. Todos os que entram em contacto com ele estão a sofrer alterações inexplicáveis. A psiquiatra Carol Bennell (Kidman) e o seu colega Ben Driscoll (Craig) descobrem a verdade por detrás da epidemia: as vítimas são atacadas durante o sono, ficando fisicamente intactas mas estranhamente desumanas. Com o alastrar da infecção, a única esperança de Carol é manter-se acordada o tempo suficiente para encontrar o seu filho, que poderá ter a solução para a devastadora invasão...
In cinema.ptgate
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1 - A Indiferença ao Sentimento
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Não mostres sentimentos. Parece ser a palavra de ordem para fazer face ao vírus que se alastra e que está a criar um novo grupo de pessoas, sem emoções, que aparentam viver numa certa alienação, numa certa desumanização. Com esse estado vão criando uma nova ordem mundial.
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E o que acontece nessa nova ordem? As guerras acabam e instala-se uma certa paz no mundo. Vamos vendo pelas notícias televisivas que a Coreia do Norte assinou o tratado da não proliferação nuclear, que no Paquistão os diferentes grupos se unem e a paz volta a reinar, que no Iraque deixa de haver atentados, param as mortes, e o governo iraquiano consegue reunir todos os consensos. São apenas algumas coisas que me lembro.
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Que bom que seria um mundo assim. Bom? Mas se ele está a começar a ser governado por pessoas que não têm emoção, logo não têm ganância e ânsia de poder, mas também não têm vontade de amar o próximo.
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A frase de abertura deste post, aparece num simples jantar, dita por um diplomata Russo, mas é crucial para a compreensão do restante filme.
Afinal, os actos bárbaros que vamos cometendo, tão desumanos, resultam apenas de uma coisa simples, sermos humanos com emoções.
A nossa capacidade para amar é também a mesma que nos levar a odiar.
“ A paixão que nos beija é a mesma que nos vai cuspir” - Djavan
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Não deixa de trazer também uma certa metáfora sobre a sociedade moderna e as suas grandes metrópoles, onde cada vez mais a ausência de emoções perante o que está mesmo ao nosso lado, começa a ser uma constante. Será que a nossa indiferença (alô Nemesis - Da indiferença) ao que se passa à nossa volta é o tal vírus que estamos a construir, não proveniente do espaço mas sim de nós mesmos, para que o contentor da vida nos seja mais leve?
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“Não mostres a tua emoção. Sê indiferente, assim eles não notarão.”
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2 - Afinal somos culpados
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Uma coisa que eu gosto de alguma malta americana, ligada ao cinema e arredores, é a sua capacidade de se rirem de eles próprios, de apontarem as suas próprias feridas ou então do assumirem a sua má-consciência do que vão fazendo por aí.
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O dito vírus que leva a que as pessoas fiquem sem emoções e cria uma nova ordem mundial mais pacífica e “potencialmente” próspera, nasce, ou cai, na América e é lá que se alastra. Ainda vai mais longe e com maior precisão, pois fazem com que o grande ataque viral seja em Washington DC (lindas imagens no filme, aproveitei para rever uma cidade que me surpreendeu pela sua beleza), cidade de todas as decisões e onde vamos tomando contacto com a tal nova população “tranquila”.
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Ora uma mensagem mais subliminar que ali passa é a seguinte, a partir do momento em que os americanos, e os seus governantes, passam a ter menos emoções nas suas decisões o mundo fica melhor. Ou seja, parece-me a mim que o autor quis deixar ali uma indirecta que as coisas do Iraque, Paquistão, etc só existem dado o interesse inflamado dos States no assunto. A partir do momento que eles ficam mansinhos e amorfos tudo fica bem.
Será que o Bush viu o filme? Duvido, mas se viu esteve mais entretido a ver as fugas dos carros e os tiroteios.
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Claro que o vírus alastra à escala mundial e os dirigentes dos outros países também vão ficando com as emoções paralisadas e por isso as coisas vão também mudando. No entanto, não deixa de caricato a primeira imagem que é deixada: Se os americanos ficarem indiferentes, o mundo ficará melhor. Será?
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A versão original do filme, Invasion of the Body Snatchers (o de 2007 já é a 3ª), apresentava uma certa parábola sobre o Anti-McCarthysmo. Será que esta é uma metáfora sobre o Bush’s Age?
Ou apenas sobre a falta de emoções e a indiferença nos tempos em que vivemos?
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3 - Elas, as meninas guerreiras de saltos altos
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- Sabes porque é que o nosso casamento falhou? Porque a tua ordem de prioridades foi sempre, 1º o filho, 2º a tua carreira e finalmente eu. (frase do ex-marido da personagem da Nicole Kidman).
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Quantos maridos, companheiros e associados não quiseram já dizer isto quando, ao olhar só para um lado, vêem a sua relação ir por água abaixo? Ok, não estarão propriamente de arma em punho para limpar o sebo à sua amada, como estava este senhor, mas que pensam, pensam.
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Numa sociedade moderna em que a mulher saiu para a rua a conquistar o seu lugar é bem natural que a ordem das prioridades seja essa, mais coisa menos coisa. O tempo dos seus lindos olhinhos só verem o seu queridinho maridinho acabou. Quando ainda não terminou é porque elas, ainda antes de o verem só a ele, vêem sempre primeiro a sua carteira.
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O cinema não escapa a esta imagem, mostrando lindas mulheres, que agora arregaçam as mangas das suas blusas de angorá e saem para a rua de pistola em punho, ou de garras afiadas, a pôr ordem nas coisas, dado que o bicho-homem não anda a tomar conta do recado. Primeiro tivemos a Jodie Foster, agora temos a doce Nicole Kidman.
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A Nicole, outras das minhas actrizes preferidas, é um daquelas meninas que mesmo de arma em punho e pronta a disparar sobre um grupo de manfios, tem sempre aquele ar de quem antes ainda foi comprar uma blusinha de seda ao Macy’s e que a seguir, depois de os ter mandado para os anjinhos, vai sentar-se numa linda esplanada de cadeiras de verga, pedir um chá e bebê-lo com o dedinho espetado.
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Neste filme essa figura não está longe disso. Com os seus saltos altos, o seu colar de pérolas e a sua blusa de angorá ela percorre solitariamente as ruas de Washington numa peregrinação do medo, escondendo as emoções, à procura de uma solução para os seus anseios, encontrar o filho. A cena em que ela finalmente retira os sapatos altos num túnel do metro e caminha com as suas meias de vidro, é disso emblemática. Giro é que chega à rua e volta a estar de novo de saltos altos, noblesse oblige.
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Mas no fundo são assim as mulheres de agora. Elas traçam os seus caminhos, com saltos ou sem eles, e, metaforicamente no cinema, vão despachando a rapaziada que se lhes mete pela frente e para a qual elas não estão pelos ajustes. Neste nem o Bond se safa de ir ao castigo.
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Não tenho dúvidas que perante uma questão como a que foi colocada à Nicole, elas não hesitariam em responder-lhe:
- E tu? Primeiro a tua carreira, depois os teus brinquedos e de novo a carreira. Haja paciência – e zás, tiro numa qualquer parte, que isto de pontaria não é o seu forte, e batida em retirada pois ainda tem que dar uma saltada aos saldos antes da reunião com a Administração. – Já agora, vê se vais adiantando o jantar. Não venhas cá com essas tretas que estás a sangrar por todo o lado. Estes homens são mesmo uns mariquinhas!
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O FILME
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O Filme deu com os burros na água no States. Estreado a 18 de Agosto o filme não obteve mais de 15.074.191 de receita, o que para um orçamento de 80 milhões é muito pouco. No resto do mundo ainda só tem 17.262.802, já superior ao EUA, mas deve subir um pouco mais dado ter praticamente estreado nos finais de Outubro e princípios de Novembro, especialmente na Europa. Ou seja, tudo se encaminha para que seja mais um filme com maior sucesso fora do que dentro.
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Tratando-se um filme de terror-thriller-científico está logo um pouco condenado se não tiver grandes efeitos especiais. Este não tem. Nem tão pouco tem uma narrativa acelerada, com uma chuva de cortes de planos, pois, especialmente na 1ª parte, apresenta uma certa lentidão em desenvolver o seu conteúdo. Mas essa lentidão é necessária para irmos começando a valorizar o aspecto interior das personagens, afinal a Nicole é uma psiquiatra. Também derivará do facto de ter a mão de Oliver Hirschbiegel, realizador alemão, responsável pelo recente “As últimas horas de Hitler.”
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A menina Nicole está soberba neste filme. Frágil e arrebatadora, apavorada e lutadora, sexy mesmo que desalinhada, contida e explosiva, tudo isto por uma procura, a da sua cria. Fera ferida.
Lembra-me a versão feminina de Tom Cruise (coincidência, não é?!) no excelente Guerra dos Mundos, filme com que, aliás, tem um certo paralelismo.
Nunca irá ser nomeada para o Óscar, primeiro porque o filme é de Verão e foi um fracasso, depois porque a sua personagem está metida num horror movie. Não devem faltar senhoras com saias a arrojar e um accent bem subliminar para levar a estatueta. Mas que ela merecia, merecia.
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Cheira-me que em Portugal vai passar despercebido. Nem sequer teve grande campanha publicitária. Apostaram mais numa outra mulher a Elizabeth. Mas isso são outras cantigas, ou pelo menos outros saltos altos. Desta vez coroados.
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Pronto, já sabem, se querem viver bem nesta sociedade moderna e chegar bem alto:
Do not trust anyone. Do not show emotion. Do not fall asleep