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Imagens caídas

Uma imagem vale mais do que mil palavras. Porque não fazer o contrário? Com as palavras construir e falar de imagens.

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Ai estas Mulheres - Ai estes Humanos - Ai estes Americanos - Ai a Invasão destes filmes!

“- No dia em que no mundo deixar de existir a guerra, a violência, a exploração, a miséria, é porque simplesmente os humanos deixaram de ser humanos.” – do filme Invasion, citado de memória.

Num filme, aparentemente sem grandes contornos profundos de reflexão, não deixa de ser interessante 3 questões que acabam por ser levantadas.

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Sinopse
O misterioso despenhamento de uma nave espacial leva à terrível descoberta que um alienígena (vírus) se encontra nos escombros. Todos os que entram em contacto com ele estão a sofrer alterações inexplicáveis. A psiquiatra Carol Bennell (Kidman) e o seu colega Ben Driscoll (Craig) descobrem a verdade por detrás da epidemia: as vítimas são atacadas durante o sono, ficando fisicamente intactas mas estranhamente desumanas. Com o alastrar da infecção, a única esperança de Carol é manter-se acordada o tempo suficiente para encontrar o seu filho, que poderá ter a solução para a devastadora invasão...

              In cinema.ptgate

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 invasion 1

1 - A Indiferença ao Sentimento

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Não mostres sentimentos. Parece ser a palavra de ordem para fazer face ao vírus que se alastra e que está a criar um novo grupo de pessoas, sem emoções, que aparentam viver numa certa alienação, numa certa desumanização. Com esse estado vão criando uma nova ordem mundial.

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E o que acontece nessa nova ordem? As guerras acabam e instala-se uma certa paz no mundo. Vamos vendo pelas notícias televisivas que a Coreia do Norte assinou o tratado da não proliferação nuclear, que no Paquistão os diferentes grupos se unem e a paz volta a reinar, que no Iraque deixa de haver atentados, param as mortes, e o governo iraquiano consegue reunir todos os consensos. São apenas algumas coisas que me lembro.

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Que bom que seria um mundo assim. Bom? Mas se ele está a começar a ser governado por pessoas que não têm emoção, logo não têm ganância e ânsia de poder, mas também não têm vontade de amar o próximo.

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A frase de abertura deste post, aparece num simples jantar, dita por um diplomata Russo, mas é crucial para a compreensão do restante filme.

Afinal, os actos bárbaros que vamos cometendo, tão desumanos, resultam apenas de uma coisa simples, sermos humanos com emoções.

A nossa capacidade para amar é também a mesma que nos levar a odiar.

“ A paixão que nos beija é a mesma que nos vai cuspir” - Djavan

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Não deixa de trazer também uma certa metáfora sobre a sociedade moderna e as suas grandes metrópoles, onde cada vez mais a ausência de emoções perante o que está mesmo ao nosso lado, começa a ser uma constante. Será que a nossa indiferença (alô Nemesis - Da indiferença) ao que se passa à nossa volta é o tal vírus que estamos a construir, não proveniente do espaço mas sim de nós mesmos, para que o contentor da vida nos seja mais leve?

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Não mostres a tua emoção. Sê indiferente, assim eles não notarão.”

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 Invasion 2

2 - Afinal somos culpados

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Uma coisa que eu gosto de alguma malta americana, ligada ao cinema e arredores, é a sua capacidade de se rirem de eles próprios, de apontarem as suas próprias feridas ou então do assumirem a sua má-consciência do que vão fazendo por aí.

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O dito vírus que leva a que as pessoas fiquem sem emoções e cria uma nova ordem mundial mais pacífica e “potencialmente” próspera, nasce, ou cai, na América e é lá que se alastra. Ainda vai mais longe e com maior precisão, pois fazem com que o grande ataque viral seja em Washington DC (lindas imagens no filme, aproveitei para rever uma cidade que me surpreendeu pela sua beleza), cidade de todas as decisões e onde vamos tomando contacto com a tal nova população “tranquila”.

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Ora uma mensagem mais subliminar que ali passa é a seguinte, a partir do momento em que os americanos, e os seus governantes, passam a ter menos emoções nas suas decisões o mundo fica melhor. Ou seja, parece-me a mim que o autor quis deixar ali uma indirecta que as coisas do Iraque, Paquistão, etc só existem dado o interesse inflamado dos States no assunto. A partir do momento que eles ficam mansinhos e amorfos tudo fica bem.

Será que o Bush viu o filme? Duvido, mas se viu esteve mais entretido a ver as fugas dos carros e os tiroteios.

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Claro que o vírus alastra à escala mundial e os dirigentes dos outros países também vão ficando com as emoções paralisadas e por isso as coisas vão também mudando. No entanto, não deixa de caricato a primeira imagem que é deixada: Se os americanos ficarem indiferentes, o mundo ficará melhor. Será?

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A versão original do filme, Invasion of the Body Snatchers (o de 2007  já é a 3ª), apresentava uma certa parábola sobre o Anti-McCarthysmo. Será que esta é uma metáfora sobre o Bush’s Age?

Ou apenas sobre a falta de emoções e a indiferença nos tempos em que vivemos?

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 invasion 3

3 - Elas, as meninas guerreiras de saltos altos

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- Sabes porque é que o nosso casamento falhou? Porque a tua ordem de prioridades foi sempre, 1º o filho, 2º a tua carreira e finalmente eu. (frase do ex-marido da personagem da Nicole Kidman).

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Quantos maridos, companheiros e associados não quiseram já dizer isto quando, ao olhar só para um lado, vêem a sua relação ir por água abaixo? Ok, não estarão propriamente de arma em punho para limpar o sebo à sua amada, como estava este senhor, mas que pensam, pensam.

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Numa sociedade moderna em que a mulher saiu para a rua a conquistar o seu lugar é bem natural que a ordem das prioridades seja essa, mais coisa menos coisa. O tempo dos seus lindos olhinhos só verem o seu queridinho maridinho acabou. Quando ainda não terminou é porque elas, ainda antes de o verem só a ele, vêem sempre primeiro a sua carteira.

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O cinema não escapa a esta imagem, mostrando lindas mulheres, que agora arregaçam as mangas das suas blusas de angorá e saem para a rua de pistola em punho, ou de garras afiadas, a pôr ordem nas coisas, dado que o bicho-homem não anda a tomar conta do recado. Primeiro tivemos a Jodie Foster, agora temos a doce Nicole Kidman.

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 Nicole

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A Nicole, outras das minhas actrizes preferidas, é um daquelas meninas que mesmo de arma em punho e pronta a disparar sobre um grupo de manfios, tem sempre aquele ar de quem antes ainda foi comprar uma blusinha de seda ao Macy’s e que a seguir, depois de os ter mandado para os anjinhos, vai sentar-se numa linda esplanada de cadeiras de verga, pedir um chá e bebê-lo com o dedinho espetado. 

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Neste filme essa figura não está longe disso. Com os seus saltos altos, o seu colar de pérolas e a sua blusa de angorá ela percorre solitariamente as ruas de Washington numa peregrinação do medo, escondendo as emoções, à procura de uma solução para os seus anseios, encontrar o filho. A cena em que ela finalmente retira os sapatos altos num túnel do metro e caminha com as suas meias de vidro, é disso emblemática. Giro é que chega à rua e volta a estar de novo de saltos altos, noblesse oblige.

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Mas no fundo são assim as mulheres de agora. Elas traçam os seus caminhos, com saltos ou sem eles, e, metaforicamente no cinema, vão despachando a rapaziada que se lhes mete pela frente e para a qual elas não estão pelos ajustes. Neste nem o Bond se safa de ir ao castigo.

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Não tenho dúvidas que perante uma questão como a que foi colocada à Nicole, elas não hesitariam em responder-lhe:

- E tu? Primeiro a tua carreira, depois os teus brinquedos e de novo a carreira. Haja paciência – e zás, tiro numa qualquer parte, que isto de pontaria não é o seu forte, e batida em retirada pois ainda tem que dar uma saltada aos saldos antes da reunião com a Administração. – Já agora, vê se vais adiantando o jantar. Não venhas cá com essas tretas que estás a sangrar por todo o lado. Estes homens são mesmo uns mariquinhas!

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 invasion

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O FILME

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O Filme deu com os burros na água no States. Estreado a 18 de Agosto o filme não obteve mais de  15.074.191 de receita, o que para um orçamento de 80 milhões é muito pouco. No resto do mundo ainda só tem 17.262.802, já superior ao EUA, mas deve subir um pouco mais dado ter praticamente estreado nos finais de Outubro e princípios de Novembro, especialmente na Europa. Ou seja, tudo se encaminha para que seja mais um filme com maior sucesso fora do que dentro.

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Tratando-se um filme de terror-thriller-científico está logo um pouco condenado se não tiver grandes efeitos especiais. Este não tem. Nem tão pouco tem uma narrativa acelerada, com uma chuva de cortes de planos, pois, especialmente na 1ª parte, apresenta uma certa lentidão em desenvolver o seu conteúdo. Mas essa lentidão é necessária para irmos começando a valorizar o aspecto interior das personagens, afinal a Nicole é uma psiquiatra.  Também derivará do facto de ter a mão de Oliver Hirschbiegel, realizador alemão, responsável pelo recente “As últimas horas de Hitler.”

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A menina Nicole está soberba neste filme. Frágil e arrebatadora, apavorada e lutadora, sexy mesmo que desalinhada, contida e explosiva, tudo isto por uma procura, a da sua cria. Fera ferida.

Lembra-me a versão feminina de Tom Cruise (coincidência, não é?!) no excelente Guerra dos Mundos, filme com que, aliás, tem um certo paralelismo.

Nunca irá ser nomeada para o Óscar, primeiro porque o filme é de Verão e foi um fracasso, depois porque a sua personagem está metida num horror movie. Não devem faltar senhoras com saias a arrojar e um accent bem subliminar para levar a estatueta. Mas que ela merecia, merecia.

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Cheira-me que em Portugal vai passar despercebido. Nem sequer teve grande campanha publicitária. Apostaram mais numa outra mulher a Elizabeth. Mas isso são outras cantigas, ou pelo menos outros saltos altos. Desta vez coroados.

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Pronto, já sabem, se querem viver bem nesta sociedade moderna e chegar bem alto:

Do not trust anyone. Do not show emotion. Do not fall asleep

Posted: segunda-feira, 5 de Novembro de 2007 19:55 por bp63

Comentários

Nemesis said:

Lá está. Heaven, heaven is a place, a place where nothing, nothing ever happens...

Mas parece-me que essa visão é um atalho curto para a maturidade da espécie, como um andaime da evolução que tivesse errado a vocação  e passasse a bisturi dissecador, não para apresentar a solução do problema, nem os sintomas, como de costume, mas sim as causas.

Ou a causa, provavelmente o apego. Mas amor ágape, amor eros e amor maternal e medo stress de sobrevivência e ganância e ânsia de poder, poderá tudo meter-se no mesmo saco do apego?

Achas que as mulheres saíram para a rua para conquistar o seu lugar? Atem-me a um poste e ateiem, se quiserem, mas eu estou plenamente convencida que as mulheres saíram para a rua para trabalhar porque isso interessou ao sistema, durante a revolução industrial e continuou a interessar, até agora. E desculpem o tom panfletário, mas acho que interessa apenas porque quem detém o capital e os meios de produção passou a ter dois trabalhadores em cada lar pelo preço de um.

beijo

nemesis

# Novembro 5, 2007 20:48

Talina said:

Àh Granda  nemesis

Subscrevo na integra

Abração para os dois

Talina

# Novembro 5, 2007 21:31

bluewater68 said:

bp63,

lembras-te daquela história de um texto poder encaminhar os comentários num determinado sentido, quando afinal o objectivo até poderia ser outro. Aqui, aposto que a maioria dos comentários vai girar em torno dos 3 parágrafos que estão a seguir ao ponto 3. Fazem-se apostas.

Li a tua descrição e sem o ter visto, apenas com as tuas palavras, não vejo a Nicole como versão feminina de Tom Cruise mas sim com muita analogia ao papel recente de Julianne Moore, no filme The Forgotten (2004) (http://www.imdb.com/title/tt0356618/). Esse, também um filme de terror-thriller-científico com muito poucos efeitos especiais. Mas daqui a vários meses, logo te dou outra opinião :)

Fica uma dúvida. Enquanto ela tenta descobrir o que se passava, ela vai dormindo. Nesse período teve muita sorte em não ser infectada? (deixa, não contes).

E voltamos à mesma questão. Preferimos estas versões recentes ou as antigas. Os miúdos de hoje sabem que houve duas versões desse filme? os miúdos de hoje ficam satisfeitos ao ver o "Um Crime Perfeito", sendo incapazes de ver o original "Chamada para Morte" a P/B? é que as versões são sempre um aproveitamento de uma fórmula que pode dar lucro. O "Kink Kong" é um bom exemplo dessa situação.

«O cinema não escapa a esta imagem, mostrando lindas mulheres, que agora arregaçam as mangas das suas blusas de angorá e saiem para a rua de pistola em punho, ou de garras afiadas, a pôr ordem nas coisas, dado que o bicho-homem não anda a tomar conta do recado», achas que perante esta imagem é possível enquadrar a personagem numa relação estável e duradoura? não me parece. Se for possível, o marido terá de ser uma espécie de James Bond para ser credível.

Abraço

# Novembro 5, 2007 21:48

bp63 said:

Nemi

Há dias em que acordo e acho que a espécie anda a ser má desde sempre mas que aos poucos vão também aprendendo a ser boa. Por cada vez que somos maus seremos um pouco melhores amanhã (andou uma ideia tua à volta disto há um tempo). Os homens e as mulheres (apesar daqui gostar mesmo só de pôr os homens), apesar de tudo, são menos bárbaros do que há um século atrás e ainda muito menos do que há 2 ou 5.

Mas tenho dias em que acho que a espécie está perdida e não vai lá. Nem mesmo com apego.

As mulheres saíram para rua conquistar um lugar. No início do século XX saíram para a rua porque tinham fome e os empregadores aceitaram porque queriam mais mão-de-obra e menos dinheiro. Certo. Mas a partir dos anos 60 foi mesmo porque quiseram um lugar. Foi sempre esse o peixe que me venderam.

A tese de que falas é a partilhada por muitos movimentos anti-feministas que dizem que se a mulher ficasse em casa os homens ganhavam mais e havia pleno emprego. Será?

Afinal em que ficamos. O mulherio quer ou não quer sair de casa?

beijo

# Novembro 5, 2007 23:13

bp63 said:

Talina

Pronto, ora aqui temos o bloco feminino a desenvolver o seu núcleo expansivo e agregador.  Smile

Abraço

# Novembro 5, 2007 23:15

bp63 said:

Blue

Tenho um bocado dificuldade em responder, pois corro o risco de ser estraga prazeres. Mas vamos lá, em bico de pés, para não estalar o soalho da descoberta filmica.

Não sei se o Post irá caminhar nesse sentido que falas. Até porque no post anterior já se dissecou o fuzilamento da espécie masculina por nascer cheia de defeitos. Mas vamos lá ver, isto é sempre uma caixinha de surpresas. Quantas vezes penso que uma ideia pode funcionar e é interessante para ser discutida e depois o pessoal passa por ela como cão por vinha vindimada. São mesmo como a caixa de bombons do Forest Gump.

Continuo na minha, cai mais para o lado do Tom. A personagem da Julian era mais o aspecto do medo neurótico porque a realidade lhe estava a ser negada, lembra mais a Jodie no Pânico a bordo.

Pessoas que estão a viver uma vida normal e que de repente lhes cai uma guerra em cima, de naves ou vírica, que lutam para sobreviverem sem perceberem bem o que se está a passar, até um determinado momento, em que toda a sua bravura não é para salvar a humanidade mas sim os filhos, é o registo comum das 2 personagens do parzinho de ex?s. Mas depois vê.

Sobre o dormir não falo mesmo, porque é uma das cenas mais forte. Digo apenas que há uma luta contra o sono.

Quanto ao saírem para a rua de armas em punho e terem uma relação duradoura, penso que com a Nicole a coisa vai. Nem que seja, como tu dizes, por ter um Bond a seus pés.

Nem sempre as novas versões têm que ser más. Tenho uma vaga ideia da 1ª versão deste filme, num ciclo da cinemateca acho eu, da 2ª nem me lembro, mas acho este muito melhor, nem que seja pela evolução técnica, nunca nos podemos esquecer disso, o cinema têm uma componente fabril imensa.

Sobre o King-Kong a versão do Peter J. é sem sombra de dúvidas a melhor. O homem tem 3 filmes num. Tem lá tudo. Mesmo com toda a aventura na ilha, há muito que não se filmava uma NY dos anos 20/30 tão bem, meia dúzia de planos e tivemos a depressão, outra meia dúzia e tivemos a folia para esquecer a dita.

Abraço.

# Novembro 5, 2007 23:37

pessoalissimo said:

Meu caro BP

(esta sigla anda a bater-me na cabeça, não sei porquê)

Tenho de reconhecer, és o nosso cinéfalo de serviço aqui nos blogues do Sol.

Mas estou zangado contigo! Então não podias esperar mais uns dias para eu ter tempo de ver o filme e assim, poder interagir com outros argumentos? Mas eu já desconfiava que nos ias impingir mais cinema, perdão, mais crítica de cinema, perdão, reflexão filosófica sobre o futuro da humanidade. E até premonizei (nova expressão verbal) que ias falar sobre este filme, descaíste-te aqui ontem ou anteontem quando disseste, num comentário, que o ias ver.

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Vamos ao teu post.

?- No dia em que no mundo deixar de existir a guerra, a violência, a exploração, a miséria, é porque simplesmente os humanos deixaram de ser humanos.? ? Este é um pensamento quase fascista, monstruoso mesmo. Então andam aqui, neste mundo, tantas almas bondosas a lutar contra o Mal (Bush incluído) e tu dizes que não vale a pena? Quer dizer, diz lá o fulano no filme. Mas que é perigoso é, até pelas inplicações sociais e políticas que ele encerra.

Da tua lavra: ?Afinal, os actos bárbaros que vamos cometendo, tão desumanos, resultam apenas de uma coisa simples, sermos humanos com emoções.?. Caro amigo, mas que pensamento ou conclusão tão simplista!!! Então eu vou ali parto os c***** a um fulano e depois digo candidamente ao polícia que veio tomar conta da ocorrência que foi um apelo do coração, uma coisa mais forte que eu.

Dito de outro modo: então as emoções é que devem governar as decisões humanas? Que raio de humanidade é essa, não a reconheço! Os actos bárbaros devem-se a gente sem escrúpulos, mal-formada ou alienada por qualquer ideologia desumanizada.

Os seres humanos educados nos valores primordiais comportam-se com decência e respeito pelo próximo.

Sim, eu sei, estamos a falar de um filme e num filme o real tem pouca importância?

E ainda: ?Será que a nossa indiferença (alô Nemesis - Da indiferença) ao que se passa à nossa volta é o tal vírus que estamos a construir, não proveniente do espaço mas sim de nós mesmos, para que o contentor da vida nos seja mais leve??. Esta é uma questão verdadeiramente importante e para a qual temos de encontrar respostas positivas, senão?

E, claro, como bom anti-militarista que sou, tenho de acreditar que se os EUA (e já agora a China e a Rússia) deixarem de se imiscuir nos assuntos dos outros países, o Mundo pode ser bastante melhor. Tenho (quase) a certeza disso. Não apresento argumentos político-filosóficos, basta fazer contas: um dia que os EUA reduzirem significativamente os seus gastos com armas militares, os recursos disponíveis para apoiar o desenvolvimento noutras partes do mundo aumenta exponencialmente. E o mesmo se aplica a todos os outros países cujas despesas militares excedam os 0.1% do seu PIB.

Fico-me por aqui. Tenho de ir ver o filme.

Fernando

# Novembro 5, 2007 23:47

Nemesis said:

A  partir dos anos 60 saíram por sua vontade mulheres vindas da pequena, média e alta burguesia. Não todas essas e não todas as mulheres, nem nada que se pareça. Algumas pagaram bem caro essa decisão. Porque embateram com toda a força com a onda de energia antiga.

Há mulherio que quer sair e há mulherio que quer ficar. Há mulherio que quer sair e é obrigado a ficar e há mulherio que quer ficar e é obrigado a sair.

Todo o mulherio sabe que quem põe a comida na mesa é que manda. Isso é um grande incentivo para sair, poder dispor de si e da sua vida e não ter que ficar em casa uma vida pra poder comer e calar o que aquele que se pode vir a revelar ser um tiranete doméstico faz e quer só porque ele é quem manda e a pode coagir com a ameaça de a abandonar. Ele que come em casa e onde lhe apetecer. Além de que todos descobrimos de repente que o amor não é eterno e muito azeda para intragável.  Mas muito boa mulher ainda acha que isso é melhor do que trabalhar fora mas viver sózinha.

As mulheres pequeno-burguesas e proletárias, operárias e camponesas, com relações assentes em bases nada ou pouco emancipadas (de ambas as partes), só saíram porque o sistema quis. Senão, para ganharem uma miséria e voltarem para casa para a dupla jornada, ainda hoje estavam massivamente em casa.

Beijo

nemesis

# Novembro 5, 2007 23:51

pessoalissimo said:

Só mais uma coisa: agradecer-te mais um esplêndido post recheado de questões importantes, o filme está lá em papel de fundo? E esqueci-me de clicar nas estrelas, esqueço-me sempre.

# Novembro 5, 2007 23:54

bp63 said:

Ora,  já estava eu a fechar ass cortinas caí-me o comentário pessoalissimo mais forte que todos os virus do filme.

Não, isto tem mesmo que ficar para um momento com mais forças.

A dica que eu deixei foi dizer no post do Picasso e sobre a barbaridade, é que afinal os humanos agem assim porque são humanos. Ou não?

Abraço

# Novembro 6, 2007 0:00

josefadobidos said:

A ?paz podre? ou a ?existência asséptica?da humanidade, é uma ideia que me assusta, mas também me assusta que se use esse argumento, para justificar o ?caos universal? em que aparentemente nos encontramos. Sem querer ser catastrófica, tacanha ou pessimista, palpita-me que estamos ?mais coisa menos coisa?, com um espírito tipo idade média, só que muito mais modernos. Na idade média, justificavam-se todas as barbaridades em nome de causas nobres. Matava-se e esfolava-se por deus, pelo rei, pela humanidade, etc, etc. Espero que este filme não seja a colherada americana do costume, para nos fazer acreditar (mais uma vez), que mais vale andarmos a matar-nos uns aos outros no Iraque e afins, porque isso é que é humano, do que ficarmos todos contaminados com a peste moderna do vírus destruidor dos sentimentos. É que parece que querem que nos esqueçamos que, entre o preto da peste e o branco da pureza, há o colorido de um parto, de um abraço de amigos, de uma cara sem vergonha de uma criança, de uma discussão à italiana, da democracia grega, dos direitos do homem, de um arroz de lingueirão, de uma morte serena, de uma dor de perda, de dois corpos sôfregos um do outro. Tantas coisas que sabemos fazer, mais e melhor que isso! E com todos os sentimentos à mistura. Não vale a pena escamotear a realidade.

A justificação americana para a guerra/invasão do Iraque (sem aval das nações unidas) e a apatia com que a aceitámos é que é o vírus para os sentimentos. Se a maldade fosse evidente, era tudo mais fácil, mas não: leva-se o outro à loucura e quando está louco manda-se internar por invalidez. Ora nesse e noutros casos, os loucos somos nós.

?- No dia em que no mundo deixar de existir a guerra, a violência, a exploração, a miséria, é porque simplesmente os humanos deixaram de ser humanos.?

Digo que essa frase do filme é de uma perversidade tão grande que até parece verdade. O que é que isso quer dizer afinal? O que é que se quer justificar? O injustificável? É precisamente por isso que a América é tão poderosa: ?dividir para reinar? é o lema. Dividem tudo em 2 absolutos, como se isso existisse nalgum sítio para além das suas cabeças.

Vou reformular essa frase:

- No dia em que no mundo deixar de existir uma nação, que acima de tudo, promove o poder, e que por isso patrocina a guerra, a violência, a exploração e a miséria, é porque simplesmente os americanos acordaram do seu sonho mau, assinaram o tratado de Kyoto, interiorizaram o livro ?O Triunfo dos Porcos? e foram todos a correr para os seus psicoterapeutas, por descobrirem que afinal são humanos.

Beijos

jo

PP ? sinto que me excedi na irritação, que exagerei, afinal é só um filme. Mas irritou-me a ideia de me estarem a lavar o cérebro com isso. Ainda não lhes perdoei a do tabaco e agora esta dos vírus. Ó pá, tou tão lixada com eles! É que são tão bons numas coisas e tão maus noutras. Deviam ser invadidos por hordas de monges budistas, por exemplo, a ver se equilibravam!!! É que neles, de facto, não se pode confiar!

# Novembro 6, 2007 0:54

josefadobidos said:

Quanto ao mulherio, assino o que diz a nemesis. Cada um é que sabe da sua vidinha. Não será igual para todas.

bjs

# Novembro 6, 2007 1:10

josefadobidos said:

Bp63, ainda volto para dizer o mais importante, de facto, e que por causa do "transe" em que entrei, não disse.

É que mais uma vez o seu texto está fantástico, bem escrito, muito claro, as suas ideias a sugerir pistas sem dar respostas... enfim, um must de post, como sempre, obrigada.

# Novembro 6, 2007 1:23

eeu said:

Bp63, não vi o filme, vou só comentar as ideias.

A primeira coisa que me afligiu foi esta:

"Sabes porque é que o nosso casamento falhou? Porque a tua ordem de prioridades foi sempre, 1º o filho, 2º a tua carreira e finalmente eu." -mas porque é que o filho tem que ser um rival do pai ?!

Porque é que muitos homens continuam a ver as mulheres como as suas mãezinhas incestuosas e acham que os miminhos ao filho roubam os que eram seus ? E ao mesmo tempo porque é que muitas mulheres vingam-se da desatenção do marido devotando ao filho um amor exclusivo como quem diz: vês ? Se te portasses bem comigo, eu também te tratava assim...

Se os dois, marido e mulher, pai e mãe, vissem os filhos como a sua prioridade número 1, acredito que a união daí decorrente só aprofundaria a união do casal.

Ponto dois: é claro que não acho que a falta de emoções é que acaba com as guerras. Parece que as emoções são fatalmente negativas e nos empurram para o mal.

Emoções não são ódio, inveja, cobiça, raiva. Isso são emoções doentes. Amor, prazer, satisfação, tolerância, compreensão, são emoções sadias e portanto só as emoções são capazes de curar o mundo.

Acho que as guerras e as catástrofes só são necessárias porque são elas que reduzem todas as pessoas à mesma miséria. E sendo todos miseráveis não temos o que cobiçar ou invejar nos outros. Resta-nos dar as mãos e ajudar-nos mutuamente. Por isso a solidariedade só parece visível em cenários de tragédia.

E por agora é isto que me ocorre...

eeu

# Novembro 6, 2007 10:30

desabafosdaminda said:

Bêpê

Para que não volte a ser acusada de escrever comentários enooooooooooooormes (LOL) vou apenas ater-me à frase com que terminas:

Do not trust anyone. Do not show emotion. Do not fall asleep

É assustador para mim, para a minha maneira de ser hiper-emotiva, verificar que estamos a viver uma época em que ter sentimentos é um jogo, uma roleta-russa.

Se por um lado, somos obrigados a tê-los e a mostrá-los, pelo menos os que tenham uma carga sexualizante, por outro mostrá-los pode tornar-se ?perigoso? se estivermos a pensar na nossa área profissional e social.

Mostrar afectos e sentimentos pode ser tomado como sinal de fraqueza, pode ser usado como ?arma de arremesso? nas contendas pela subida na carreira?

E se até aqui isto era apenas apanágio do mundo masculino, agora passa a ser também fantasma nas carreiras das mulheres.

Não cabe ter família e gostar de a mimar (primeiro e sempre a empresa!), não cabe o direito à assistência à família em caso de doença, não nos cabe o direito à paz na própria doença (e estou a lembrar-me da noticia de ontem em que uma funcionária foi obrigada, apesar de altamente incapacitada, a voltar ao local de trabalho)?

Que sociedade estamos a deixar criar?

Beijinhos

minda

# Novembro 6, 2007 16:41

bp63 said:

Fernando

Reli o comentário. Posso-te dizer que o filme aponta 2 caminhos de leitura. Um social, em que a apatia leva a que as sociedades sejam mais pacíficas por deixar de haver interesses, emocionais ou não. Outro pessoal, em que mostra como as pessoas vão largando as emoções e seguindo uma carneirada para viverem melhor, sem grande sobressaltos.

Confesso que gosto mais desta segunda leitura.

Como tu bem dizes o 1º encerra um conceito fascista de sociedade (mas já o da Jodie Foster tinha esse perigo). Claro que não admito que o melhor é ter uma sociedade apática e mais submissa para que aparentemente tudo esteja melhor. Mas que o filme levanta essa questão levanta. Por muito que me custe tem lá no fundo uma certa dose de verdade ao dizer que sãos as emoções que fazem tudo, o bom e o mau. Basta ver os grandes ditadores, nunca são pessoas tranquilas. Agora daí dizer vamos lá castrar o sentimento para vivermos melhor, vai um passo grande. Gigante. Com a emoção eu erro, mas é também com ela que luto por uma sociedade melhor em que haja menos erros.

Claro que a história de dar um murro no focinho de um gajo e depois dizer que foi um impulso do coração é exagerada. Mas a violência é sempre um impulso das emoções

O segundo caminho, a ironia sobre a forma de estar nas sociedades modernas, é mais conseguido, porque mostra que se for indiferente a tua vida segue melhor, ninguém te vai chatear. Um pouco como o que assistimos. Agora, sem emoção, mesmo que soubesse que iria viver mais tranquilo, não queria isso. Prefiro a dor ao nada sentir.

Mas um filme é sempre um filme. Se calhar eu vi coisas a mais. Era só um filmezeco para assustar as pessoas e mostrar a Nicole, cândida e bela, a ser a nossa heroína.

As interrogações são apenas deambulações deste lunático que apanhou o vírus inverso, tem que dar palpites em tudo.

Abraço

Também me esqueço disso das estrelas.

Bp63

# Novembro 6, 2007 18:41

bp63 said:

?Espero que este filme não seja a colherada americana do costume, para nos fazer acreditar (mais uma vez), que mais vale andarmos a matar-nos uns aos outros no Iraque e afins, porque isso é que é humano, do que ficarmos todos contaminados com a peste moderna do vírus destruidor dos sentimentos?

Jo esta frase resume mesmo um caminho do filme. É que é mesmo assim, se não tivermos cuidado nas interpretações, podemos sair de lá com essa ideia. Tanto mais que a cena final poderá ser assustadoramente fascista. Não a conto para não estragar. Mas há muito para além daquele jornal.

Claro que o filme também aponta noutro sentido, os das sociedades controladas não tornam a pessoas felizes, bem como oe para se estar bem há que não ter emoções.

A frase inicial do post, dos humanos não serem humanos, como diz,  é muito perversa. Porque ninguém a quer, mas todos sabemos que há pouco de verdade. Estragamos o mundo com a nossa ambição. Só que também é com esta mesma ambição que tentamos construir coisas melhores.

?No dia em que no mundo deixar de existir uma nação, que acima de tudo, promove o poder, e que por isso patrocina a guerra, a violência, a exploração e a miséria? Essa ideia também está lá, não muito directa mas acaba por sobressair, eles deixam ter interesse e o mundo começa a ficar melhor. O pior é que a falta de interesse é também apatia.

Confesso que é um filme muito estranho nas suas leituras. O resto é uma boa hora e meia bem passada de um trhiller bem doseado. Just a movie.

Essa dos monges budistas é digna de um filme bem surrealista à moda antiga.

Acho piada quando entram por aqui a dentro e zás, toca a disparar. Faz lembrar quando entro em casa de uma pessoa amiga e como vou a explodir, nem boa noite digo e já estou a desbobinar o que me vai na alma.

Que venha o transe.

Bp63

# Novembro 6, 2007 20:09

bp63 said:

Nemesis

Concordo com tudo o que tu dizes, mas não invalida que uma grande parte das mulheres saíram para serem donas do seu destino e não ficarem dependentes de quem as alimentava.

Durante muito tempo, especialmente na época de juventude acreditava que as mulheres que saíram para a rua era par ser independentes e livres, para serem iguais. Só as de classe mais baixa saíam por necessidade. Mais ou menos o que tu dizes.

Mas mais tarde vim assistir que nas classes média e média-alta se elas se pudessem, algumas também ficariam em casa. O que me deixou surpreendido. Mesmo mulheres esclarecidas, acabaram por me confessar que só não ficavam em casa porque queriam manter o padrão de vida que gostavam.

Por essas e por outras é que tentei de deixar de entender o feminismo. Isto tem muitas voltas.

Beijo

Bp63  

# Novembro 6, 2007 20:10

bp63 said:

Eeu

Retirei a frase do filme porque achei interessante do ponto vista da psicologia masculina. Encerra ali 2 (pre) conceitos sobre a forma como olhamos as mulheres.

A primeira é aquela que a eeu apontou, ou seja, o carinho não pode ser divido. Se amam os filhos os maridos têm que ficar para trás. O homem só reconhece o carinho se estiver à frente. Mas isso também nos leva àquela questão do ciúme. Vamos ter ciúme de uma criança?

A segunda é ele achar que ela em primeiro lugar punha o filho e não a profissão. Ou seja, por muito profissional que uma mulher possa ser ela tem que olhar primeiro para a família e depois para a profissão. A fêmea e os filhos a relação prioritária. Biológica.

Por isso escolhi a frase. Por conter uma provocação, mas que não deixa de encerrar uma verdade, se as prioridades do homem e a mulher estão desajustas vai levar ao fracasso da relação.

Sobre a guerra e as emoções. Não acredito que numa sociedade cerebral e matemática não houvesse guerras, nem que fosse fazê-la para reposição de valores de espécie ou macroeconómicos. Mas o filme passa essa mensagem.

Bp63

# Novembro 6, 2007 20:22

bp63 said:

Minda

Que sociedade estamos a deixar criar?

Esta:

Do not trust anyone. ? Todos te querem tramar, o perigo espreita a cada esquina, nunca conheces verdadeiramente as pessoas, a confiança é um sentimento ultrapassado pois tudo é volátil.

Do not show emotion. ? As emoções enfraquecem, mostram as tuas fraquezas, podem usá-las para conseguir algo de ti, podes ser ridicularizado,

Do not fall asleep ? Se dormires passam-te a perna, tudo é competitivo, tens que estar acordado e atento ao que outros fazem, dá o litro até cair para o lado pois caso contrário vão ficar com o teu lugar.

Isto está escrito em muitos manuais de sucesso por aí à venda, com outras palavras.

Acho o slogan do filme perfeito para ilustrar a sociedade moderna em que vivemos.

Agora é a velha história? Levanta-te e faz-te ouvir? mas cuidado quando te sentares podes já não ter a cadeira.

Desculpa a dureza, mas vejo isto todos os dias.

Beijo

# Novembro 6, 2007 20:31

KURIOSO said:

Olá BP,

A vantagem de chegar tarde é que há menos para dizer.

Muito bem escrito, e melhor comentado.

Sim, eu também acho que as mulheres quebraram um equilibrio que era favorável ao homem, e, enquanto novo equilibrio não for encontrado, vai haver muita confusão.

Sim, eu também concordo que os americanos, com toda a sua soberba e prepotência, se sentem donos do mundo, mas ainda assim são eles que o fazem avançar. Se será para o abismo, pode ser a dúvida.

Quanto às emoções, o meu espirito racional diz-me que são perigosas, mas viver sem emoção é vegetar.

Abraço,

Kurioso

# Novembro 6, 2007 22:58

Nemesis said:

Kurioso:

Não pode haver equilíbrio só favorável a uma das metades da humanidade.

Bp

mas essa cantiga repetida ad eternum (ou lá como se escreve) "o mundo é dos espertos", "Se dormires passam-te a perna, tudo é competitivo, tens que estar acordado e atento ao que outros fazem, dá o litro até cair para o lado pois caso contrário vão ficar com o teu lugar." não será, mais do que a receita do sucesso, a cantiga com que nos embalam para nos por a dormir a jeito?

Se eu não me levanto nem me faço ouvir com medo que me tirem a cadeira quando me sentar, que é que estou a fazer senão a engrossar as filas dos que calam e consentem, dos que se conformam, dos que tornam possível esta sociedade de pesadelo, em que cada vez há mais riqueza e cada vez mais mal distribuída.

E depois, há o tal problema. Pode ser que ma tirem não por eu me ter levantado, mas por eu estar a dormir face à realidade, sentada nela...

beijo

nemesis

# Novembro 7, 2007 18:38

desabafosdaminda said:

bp,

é bom sermos assim duros , por vezes!

faz-nos pensar e faz pensar os outros!

*

no meio em que trabalho as coisas ainda não são assim tão radicalizadas... (felizmente!) mas vejo isso no meio de trabalho dos meus filhos: o mais novo é músico e se calhat está tudo dito!

*

contudo, e ainda, e apesar de, eu continuo a preferir ser eu mesma, transparente!

*

beijocas, que enquanto criamos amigos criamos um mundo melhor!

*

minda

# Novembro 7, 2007 20:02

Nemesis said:

Ai Minda, mas tenho a sensação às vezes de, apesar de poder fazer uma data de coisas que outros não podem, senão ficam mesmo sem a cadeira, a minha profissão engole-me de tal maneira e dou tanto litro, que para todos os efeitos também há algo podre no reino da minha Dinamarca.

No entanto, conheço montes de gente (e montes é mesmo montes) que não podem faltar se estiverem doentes, não podem responder à letra a um patrão que os desconsidera e trata mal, não se podem recusar a fazer horas extraordinárias e fazem-nas não pagas, não podem exigir ser pagos a horas e na totalidade dos seus salários, por uma razão muito simples:

apesar de serem trabalhadores dependentes, são pagos a recibos verdes. Que é talvez a maior vergonha, em termos contratuais (se assim se pode falar) que grassa no nosso país.

Pessoas que são despedidas um dia antes de acabar o prazo legal para continuarem eventuais e readmitidas um dia depois.  

Pessoas que trabalham com salários que lhes garantem condições suficientes para se manterem vivos para irem trabalhar outra vez no dia seguinte, e além disso, mais nada.

Escravos que gerem o alojamento e a alimentação, passam o dia de pausa semanal a arrumar o quarto e a lavar a roupa e as fardas de trabalho e os restantes tempos livres num estado sonâmbulo entre a exaustão e a falta de meios para se cultivarem e divertirem. Mais nada. Se falharem ou adoecerem, há montes de gente para os substituir.

É horrível.

beijo

nemesis

# Novembro 7, 2007 21:49

KURIOSO said:

Nemesis,

Provavelmente, equilibrio não é a palavra certa. O que eu queria dizer é que havia uma situação relativamente estável, em que as partes sabiam as "regras" do jogo. Agora as regras estão a ser refeitas, e ninguém sabe muito bem com o que contar.

Havia "equilibrio" no colonialismo, atrás da "cortina de ferro", no "estado novo" e até no Iraque de Saddam, com todas as injustiças conhecidas ou suspeitadas.Eram equilibrios favoráveis a bem menos que metade da humanidade.

Quanto ao resto, não me vou pronunciar, pois sendo um privilegiado, seguramente a minha opinião será considerada não isenta.

beijo

Kurioso

# Novembro 7, 2007 23:31

Nemesis said:

Kurioso, tenho que discordar de novo.

Não havia "equilíbrio" em nenhuma dessas situações, havia apenas que os horrores não vinham no jornal.

abraço

nemesis

# Novembro 8, 2007 9:54

bp63 said:

Kurioso

Percebo perfeitamente o seu equilíbrio desequilibrado.

Sempre que há uma parte forte que faz impor o seu lado, consegue criar um equilíbrio nas forças, porque retrai tudo o que lhe seja contrário.

Realmente a sociedade há muito tempo aparentava um grande equilíbrio masculino. ?A sociedade era eu?. Com uma estruturação nova, de repente o homem não soube adaptar-se a todas as situações decorrentes. Muito deles querem o orçamento da mulher a contribuir mas quando chegam a casa querem ainda uma doméstica para os aconchegar.

Mas o mundo mudou e as mulheres também. Hoje estamos aí, lado a lado, mas ainda assim bastante diferentes, e ainda bem. Caso contrário seria uma canseira.

Abraço

# Novembro 8, 2007 19:33

bp63 said:

Nemesis

O Kurioso acho que falava de um certo establishment  masculino que fazia parecer querer que tudo estava bem. Acho que era isso.

Quanto ao levanta-te e o ter forças para não adormecer acho que cada vez mais começa a haver 2 mundos:

- Os trabalhadores públicos (funcionalismo, institutos e empresas do estado)

- E os da privada pura.

Os do 1º mundo ainda conseguem algum sonho no caminho. Os do 2º é mesmo como diz o filme, não adormeças e não confies em ninguém, qualquer um te passa a perna. E  ai de quem se levanta para dizer qualquer coisa. Nem se quer falo em contratos a prazo e recibos verdes, que isso já tem menos validade do que iogurte, falos dos quadros mesmo, qualquer indemnização é sempre inferior ao real valor do posto de trabalho, logo a facilidade com que a porta é serventia da casa é imensa.

beijo

# Novembro 8, 2007 19:43

bp63 said:

Minda

Retenho essa frase "enquanto criamos amigos, criamos um mundo melhor".

Não sei se o mundo fica melhor. O meu fica de certeza. E quando nós estamos bem, e isso é partilhado, algum pozinho devemos deixar cair no terreno da humanidade.

beijos

# Novembro 8, 2007 19:49

desabafosdaminda said:

nemi

(desculpa-me bepezinho, mas as mulheres são mesmo assim:tagarelam, tagarelam , até na casa alheia!)

sei bem do que falas...

os meus sobrinhos todos não trabalham a recibo verde, mas a bolsas, a projectos, que é com hoje se faz investigação em Portugal.. cenha o diabo e escolha!

beijinhos

minda

# Novembro 8, 2007 19:55

desabafosdaminda said:

bp

claro que o mundo fica melhor!

o nosso é óbvio que fica mais rico e colorido.

ficamos mais seguros e mais felizes.

e isso vai-se reproduzir nos outros, nos que nos rodeiam... mesmo que não sejam nossos amigos, lucrarão com a nossa felicidade!

há dias fui às finanças.

coisa ingrata, mas quem estava com cara de dor de estomago não era eu era a funcionária: tinha aquele perfil típico do FP chateado com a vida...

demorei lá algum tempo, porque o assunto era demorado.

quando de lá saí a srª até já dava gargalhadas, ao ponto de o colega perguntar se ela me conhecia.

valeu a pena eu ter amigos e ser feliz!

tás a ver o encadeamento retorcido deste meu raciocínio?

beijocas

minda

# Novembro 8, 2007 20:31

bp63 said:

Estou a ver.

É um pouco a filosofia da valsinha do chico.

(depois do amor todo)

O mundo compreendeu e dia amanheceu em paz.

Neste caso, o de fazer amigos, a nossa boa disposição pode ajudar os outros. Mas não podemos exagerar.

O problema é que em Portugal há uma coisa estúpida que é a inveja de ver os outros felizes.

# Novembro 8, 2007 23:34

dissidencias said:

Olá Brad Pitt,

Confesso que o que mais me atrai neste teu blogue são as doces tentações femininas, sejam elas terráqueas ou extra-terráqueas...

desde que tenham um bom par de mamas é o que interessa.

Não vi o filme "The Invasion", mas pelo que dizes sinteticamente em 36493574 páginas de post, cheira-me que tens razão quando dizes que isto poderá ser uma espécie de Guerra dos Mundos mais enfeminada...

Um abraço do dissidencias, aquele que já viu um OVNI a sobrevoar-lhe a casa...

dissidencias

# Novembro 9, 2007 2:02

Luana said:

Gosto muito da densidade dos teus posts porque já nos habituaste a este estilo que faz sucesso na comunidade.Gosto muito de todos os que falam de cinema porque é uma paixão mal correspondida na minha terra onde, infelizmente, não há cinema. Não é que seja uma coisa vital para a sobrevivência das pessoas mas, para mim, seria muito importante. Eu vejo muito mal e passo muito tempo no computador e a escrever. Seria muito bom ver um bom filme num écran com tamanho tal que me permita poupar a visão e encher os ouvidos com um som de qualidade. Mas, pronto, vivo sem cinema e é bom porque, sempre que saio da ilha, é um tal. Chego a ver dois por dia.

Este filme interessa-me porque me parece a projecção da realidade que já existe. Eu estou convencida que as pessoas perderam a capacidade de se emocionar. Eu própria, era uma piegas terível há uns anoa atrás e, hoje em dia, depois de já ter passsado por muitas coisas e ter resistido a muitas formas de sofrimento, já encaro tudo com um racionalismo que me preocupa. Tenho saudades da minha juventude e do tempo em que eu defendia os meus ideais aos gritos e amava os meus amigos com lágrimas e gargalhadas. Essa menina que existia dentro de mim morreu nestes tempos de engano.Obrigada por me teres mostrado tão bem esta trama.

Beijinhos

Luana

# Novembro 9, 2007 20:35

MULHERARANHA2007 said:

Desculpe, o meu fato,por favor?;-))

Gostei do seu post.Fala com propriedade.Ainda nao vi o filme.Porém a maneira como descreve a trama e sua consequente interpretação,aguça-me o apetite.

Vale a pena aqui vir.

M.A.

# Novembro 9, 2007 21:36

bp63 said:

Dissi

Posso dizer que das extra-terráqueas não sei se ias gostar de algum bom par do quer que seja. Aquilo era mais tipo amiba e assim pró gelatinoso. E não estou a falar de nenhuma donzela à saída de um cirurgião plástico.

Abraço

# Novembro 9, 2007 22:21

bp63 said:

Luana

Quase que ia dizer que não sei se conseguia viver sem ter o cinema.  Mas penso que seria arrogância da minha parte. Claro que conseguiria. Todos nós temos uma enorme capacidade de nos adaptarmos ao meio que temos.

E por aí, com o cine da Natureza, sempre é mais fácil substituir o grande ecrã, aliás não há melhor cinemascope como o grande e profundo azul atlântico. Bom, o da Pacifico também não é nada mau.

Viver sem emoções. Tenho medo que aos poucos vamos ficando assim. Mas se calhar é um ciclo da vida.

Beijos

# Novembro 9, 2007 22:26

bp63 said:

Mulher Aranha

O fato ainda não está pronto. Vai ter que ficar por aí, a tiritar de frio, nessas pequenas roupinhas.

Entretanto, para matar o tempo, pode ir passeando por esta minha sala e vendo as teias de palavras que andam por aqui.

bp63

# Novembro 9, 2007 22:29

desabafosdaminda said:

Bp,

Unh? unh?

Chico! Que bom sussurro no meu ouvido!

E estragando a poesia das valsinhas da vida e dos amanheceres em paz, ficam os sentimentos perversos, entre os quais as invejas, os ódios e rancores?

O meu amigo e professor de ioga, costuma dizer que sentimentos negativos ? mordem? a quem os sente?

Mas que por mais que o digamos ou que afirmemos ?escorrega na carapaça da minha indiferença?, vai fazendo alguma mossa!

Beijinho

Minda

# Novembro 9, 2007 23:43

leonoretta said:

o post é grande mas tinha que ser. está excelente.

sou essencialmente emotiva ( o que nao quer dizer que nao seja racional pois racionalidade e logica sao diferentes) e ha tempos fiz uma acçao de formaçao sobre literacia emocional e vi que nao estava sozinha no mundo.

sou emotiva e expresso sempre os meus sentimentos.

beijinhos

# Novembro 10, 2007 8:56

bp63 said:

Minda

Gostava de comungar essa filosofia do prof de ioga. Mas vejo tantos sentimentos negativos a morderem nos outros.

Aliás o ioga é outro mistério para mim. Quem me dera ter esse poder de abstracção para entrar nessa onda.

Nunca consegui.

beijos

# Novembro 10, 2007 13:01

bp63 said:

Sabe Leonoretta.

Eu comungo da ideia que mesmo com muita emoção se consegue ser sempre muito racional. Uma coisa não é inimiga da outra. Sempre andei lado a lado com as duas.

Penso que a ideia que nos querem vender é que para sermos eficazes temos que agir com frieza. Podemos demonstrar o contrário.

Beijo

# Novembro 10, 2007 13:05

desabafosdaminda said:

bp

queres que te diga com sinceridade? eu também...

e se calhar ele também...

porque uma coisa é o que defendemos e outra é o que somos capazes de fazer e de sentir...

contudo, amigo, se pensarmos bem... se soubermos escolher o nosso caminho é meio caminho (desculpa o pleonasmo) andado para o nosso sucesso interior, para o nosso bem estar, para o dos ourtos que nosa rodeiam...

pratico ioga há uns anos, mas ainda tenho dificuldade na tal abstracção de que falas...

para mim, o ioga funciona com um elo entre mim e mim... relaxa-me, faz-me pensar no que sou e no que quero ser. Feliz!

não consigo ir além disto, e se calhar já é muito, talvez por ter uma formação ateia. Não sei nem sei se me quero preocupar em saber.

beijinho

minda

# Novembro 10, 2007 13:41

Nemesis said:

Todos nos preocupamos em saber e se não nos preocupamos muuuuito foi por termos passado os melhores anos da nossa vida a questionar esse tipo de coisas e já termos concluído que nunca vamos saber.

A dúvida é boa conselheira (isto faz-me logo lembrar o Prof, Agostinho da Silva, mas que interessa quem disse?) e acho muito bom sinal que permaneçamos com dúvidas em vez de termos abraçado logo aí um pacote de sistemas com soluções.

O yoga é bom, quanto a mim, neste ponto de exigência que eu tenho comigo mesma mas que a vida também tem comigo, para fazermos a ligação entre o corpo e a mente, sem esquecer, de maneira nenhuma o coração.

O yoga e outras coisas, como o Tai chi, em que se visualizam objectos como esferas, que se rodam e movem no espaço, acompanhando tudo de uma respiração precisa no acto de inspirar, reter, expirar, o que nos obriga a fazer as coisas em unicidade e a usar todo o nosso ser na acção do momento presente.

Não tem nada de abstracção, aliás o esforço de abstrair é contraproducente, porque distrai, quebra, obriga a dispender energia de negação; tem tudo de concentração.

Ferramentas para subir os degraus da plena realização de nós mesmos...

beijinhos

nemesis

# Novembro 10, 2007 17:44

Nemesis said:

Tenho que acrescentar umas coisas.

A emoção, a racionalidade, a acção, precisam de andar sempre em parceria e de se compensar, quando umas excluem as outras durante largos períodos de tempo.

O caminho do meio, em que tudo é contemplado na sua devida proporção é o único caminho possível de dar bons resultados.

Nesta vida que levamos, nós os trabalhadores intelectuais (que somos todos os que andamos por aqui, não me venham com coisas) usamos muito a cabeça, alguns muito o coração (caso dos professores a sério, e outros) mas muito pouco o corpo.

Quando o usamos é em contextos que não pedem ou não implicam grande uso da cabeça. É muito mau, isso. Cabeça, corpo e coração deveriam ter oportunidades, renovadas diariamente de se harmonizarem num trabalho sincrónico e equilibrado.

A mesma coisa para os desgraçados dos estudantes, todos os nossos pobres filhos, os alunos das escolas que quase não se podem mexer da carteira e têm que pedir licença para ir deitar um papel fora ou aguçar um lápis. Horas e horas por dia sentados, a usar a cabeça como se não tivessem corpo - nem coração.

Quando não estão ali, estão a ver filmes ou jogos de acção muitas vezes violenta em que o corpo está quietinho e a cabeça se move em companhia dum ser onde projectam energias e que lhes despoleta emoções e produções de adrenalina e outras substâncias que ficam às voltas no corpo sem terem por onde sair.

Desgraçados. Depois explodem como panelas de pressão. Dá-me uma pena e uma revolta.

beijos

nemesis

# Novembro 10, 2007 18:22

eeu said:

Nemesis

Aqui tens uma revolta... e uma pena para que a escrevas.

Rsss... dezculpa, não resisti !

eeu

# Novembro 10, 2007 19:01

Nemesis said:

A vingança segue dentro de momentos :)

beijo

nemesis

# Novembro 10, 2007 22:35

bp63 said:

O giro disto é este cruzilhado de comentários... ou seja este post migrou para um outro

http://sol.sapo.pt/blogs/nemesis/archive/2007/11/10/Para-o-Bpzinho.aspx

beijo a todas

# Novembro 14, 2007 21:49
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