As Leis Absurdas Secretas Portuguesas - Os nossos Códigos penais nunca editados
Sabiam que existe um conjunto de Leis Absurdas e Secretas que estão constantemente a serem aplicadas? Elas estão aí por todo o lado, ainda que não seja visível o seu suporte legal. Mencionadas secretamente em Códigos com tinta invisível, qual Hogwarts Jurídico, são autênticas pedras basilares que disciplinam o comportamento dos portugueses.
No Reino Unido recentemente foi feito um Ranking das leis mais absurdas (ver). A diferença entre nós e as terras de Sua Majestade é que enquanto lá, apesar de terem corpo e poderem ser visíveis, as mesmas praticamente não têm vigência prática, em Portugal, apesar de ocultas, elas são de aplicação directa e assumidas por qualquer um de nós.
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L A S
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Leis Absurdas Secretas
Assim todos os Códigos têm um outro, alternativo e secreto, que nos rege neste nosso subconsciente jurídico.
Vejamos alguns exemplos do Código da Estrada:
o Artº Passadeira – Qualquer peão, ao atravessar a passadeira, deve agradecer ao simpático condutor que interrompeu o seu percurso para o deixar passar.
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o Artº Luz Amarela – O código real diz que perante um semáforo com luz amarela se deve parar, a menos que não se consiga fazer em condições de segurança, mas o Código das Estrada Secreto diz que Amarelo é para acelerar, pois senão vais ficar aí parado, ó morcão.
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o Artº das 2 vias no mesmo sentido – As 2 vias não servem para escoar mais trânsito mas sim para permitir sempre o estacionamento em 2º fila.
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o Artº Luzes de emergência – As luzes de emergência não se devem ligar quando há um problema, mas sim para assinalar um ir ali e já venho, pois temos que parar o carro mesmo em frente á porta da padaria, ainda que 5 m à frente tenha lugar
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Mas o Código Civil também tem a sua versão mais secreta. Só 2 exemplos:
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- Artº Mini-saia junto a obra – Obrigatório mandar piropo brejeiro. Este artigo está directamente ligado a um outro que diz que quanto mais alarve for o piropo maior é a produtividade na obra. Assim já sabe, se levar uma boa mini-saia e ao passar na obra só ouvir - és boa como o milho! - não dê grande coisa pelo prédio. Agora se ouvir - Ó filha com esse c* até te arrebentava toda! - aí sim, está perante um bom empreendimento, de excelentes acabamentos, aconselha-se a comprar no mínimo dois T3 para investimento.
- Artº Detentores de animais domésticos – É obrigatório que todos os detentores de animais, especialmente cães, saírem para a rua com os ditos e estrumarem bem passeios e relvas, fazendo assim uma compostagem cívica e ambulante que permite depois a qualquer sola de sapato fazer a competente disseminação, para construir assim uma autêntica seara de mer’da pública não trangénica.
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Pronto estas são algumas apreciações simples sobre algumas das diversas LAS que me ocorreram de imediato.
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Mas como eu não quero que vos falta nada, e porque vivemos num tempo em que as leis do trabalho têm uma validade quase inferior ao de iogurte, deixo uma pequena tese sobre 3 artigos (que afinal são 4) do Código do Trabalho Secreto, vulgo CTS.

Artº THP – Tolência do Horário Português 15 Minutos depois é chegar cedo, 30 minutos é chegar a horas |
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A pontualidade é mesmo uma lei para os Britânicos. Dizem. Em Portugal temos outro fuso horário, o da hora mais uns pozinhos.
Qualquer evento, qualquer situação com tempo marcado, começa uns minutos depois. Isto não quer dizer que se comece atrasado, não! Isto quer dizer que começou apenas com a THP, a Tolerância do Horário Português. Diz essa lei que chegar até 15 minutos depois é chegar cedo e fazer boa figura. Chegar até 30 minutos depois é chegar a horas. Depois dos 30 minutos, pronto, é que já se pode dizer que se está atrasado, mas só um pouquinho. Vá lá, uma hora depois já merece um pequeno sermão. Se for 2 ou mais, ou merece um grande raspanete ou então merece toda a atenção do mundo, pois devemos estar perante uma grande tragédia, o trânsito foi esmagador, a criança resolveu vomitar no carro, o cônjuge não veio dormir a casa, enfim, cenas suficientes para não só não se falar mais no atraso, como também para dar-lhe todo o apoio psicológico possível. Aconselha-se a que nesse apoio não lhe dê colinho, ainda que possa ser uma versão lusa da Angelina Jolie. Não é porque possa ser mal interpretado pelos restantes colega, não, é só porque para a próxima pode vir a ter uma também versão bem lusa dum Brad Pritt, que por sinal vai chegar bem cedo, a querer algo também do seu colinho, mas por certo será mais com os pés.
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Acham que estou errado? Tentem marcar uma reunião para as 9. Qual é a hora que vão acabar por fixar? 9.30. A THP já interiorizada nas nossas veias. E se formos amiguinhos até marcamos para as 10 para o pessoal ir tomando um cafezinho antes. Claro que depois faz-se um intervalo às onze para o café na mesma, mas pronto, ficou a intenção, e tomar 2 cafés até põe o pessoal mais cafeinamente animado.
O problema desta THP é que ela tem uma progressão aritmética. É para as 9, mas por causa da THP marco para as 9.30. O pessoal vendo que é para a 9.30 activa uma THP2 e chega às 10, o que faz com que na próxima se marque para as 10, para ficar mais próximo da realidade. Vai daí o pessoal através da THP3 chega às 10.30. A continuar assim, ainda antes da pausa para café fazemos logo a pausa para almoço.

Penalização: Para os que chegam antes do THP, umas bocas em surdina do tipo, este deve querer dar graxa ao chefe ou então, não deve ter palha na cama.
Para os que chegam depois do THP, deve-se dar uma certa segunda tolerância pois pode acontecer a qualquer um, quanto muito um olhar a fingir zangado, só para criar uma certa autoridade.
Revisão: Quer mudar esta lei para que as coisas comecem mesmo à hora que pretende? Faça a THP ao contrário. Era bom que a reunião começasse mesmo às 9 em ponto. Marque para as 8.30, pois não só ganhará no tempo de 30 m que diminuiu, como também a própria THP irá ser reduzida, visto que todos pensarão que o assunto é deveras urgentes para ter sido marcado tão cedo e apressam-se mais um pouco. Como quando um assunto é urgente cheira a sangue, ou muito me engano ou o pessoal às 8.45 está toda sentadinho e já com o café tomado.

Artº ILP– Índice de Levantar Problemas Quanto mais problemas e menos soluções maior a eficácia & Artº RFR – Reuniões a Fixarem Reuniões Marcação da próxima Reunião, a grande conclusão da Reunião |
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Alguém disse que para entrar com um problema e sair com dois, basta marcar uma reunião.
Estamos muito aflitos, não sabemos como resolver determinado problema ou então não queremos assumir a decisão sozinhos. Vai daí pega-se no telefone, mail ou sinais de fumo e convoca-se os colaboradores mais próximos para uma Reunião.
Além do mau humor de quem se teve que levantar da secretária, teve que parar a leitura na net das últimas notícias ou teve mesmo que fazer um esforço para sair um pouco mais cedo de casa, apesar de chegar atraso na mesma, vamos ter ainda que enfrentar dois tipos de olhares assassinos:
o Os dos não me perguntes nada que o que eu quero é paz e descanso;
o Os dos pergunta-me tudo que eu tenho monte de questões a colocar, cada uma pior do que a outra para criar ainda mais problemas.
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E assim, se entramos apenas com um problema, depressa temos vários nas mãos. Português que é bom pensa lá alguma vez na solução, o que ele gosta mesmo é de encontrar vários problemas. Há aqui, então, o primeiro artigo desta LAS, o dos ILP, que é quanto mais problemas levantamos mais eficazes somo no serviço. Este índice faz mesmo parte de uma fórmula secreta de promoções. Assim, quando vemos alguém a fazer uma carreira abismal não pensem que é um pára-quedista ou que tem grandes padrinhos. Não. Ele apresenta um ILP de alto nível, logo avança mais rápido na carreira do que a própria carreira, uma espécie de Lucky Luke administrativo.
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Voltando à reunião, com o artigo do ILP, ainda não temos 30 minutos passado e já está montado um autêntico carrossel de problemas. Podia o objectivo até só ser uma mera escuta de opinião para saber onde colocar um quadro na parede, que o mais provável é que no fim, além de o quadro já se ter transformado num painel de azulejos, já nem sabemos se existe a própria parede.
Mesmo os tais de olhar cansado, que não querem ser chateados, e que numa primeira fase não aplicam o ILP, dão o ar da sua graça e começam a colorir o cenário com pinceladas de assuntos que mesmo não tendo nada a ver com a discussão acabam por se integrar, qual lapa na rocha.
Assim, no final e para poder acabar a reunião, não há outra solução senão aplicar o segundo artigo, o RFR. Distribui-se uma série de tarefas em função dos problemas que levantaram e, ó grande decisão, marca-se uma nova Reunião para avaliar as novas questões encontradas. Com boa sorte, um assunto que começou a ser tratado ainda antes do pessoal de se mascarar para o baile de Carnaval vai ter a solução aproximada lá próximo das rabanadas. Isto se a coisa correr bem, pois a correr mal, aplica-se um terceiro artigo do CTS, criam-se 2 comissões e elas que se entendam.
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Penalização: Se não se aplica o RFM ou se não se dá valor ao ILP, além de prepotente para cima, vai ter de certeza o Serviço de Estrangeiros à perna para ser repatriado, porque nacionalidade portuguesa não tem de certeza.
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Revisão: Quer contornar estes 2 artigos desta LAS? Marque uma agenda da reunião bastante pesada mas em que o assunto que é importante está no último ponto chamado Diversos. Marque a reunião a seguir ao almoço, sabendo que foi dia de cozido à portuguesa ou tripas à moda Porto. Regra infalível, que haja também um bom jogo de futebol ao final da tarde. Assim, ou muito me engano, ou até um Regulamento a determinar que o pessoal viesse a trabalhar todo nu seria aprovado.
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Artº SBT – Sair Bem Tarde Entrar tarde e tarde sair a promoção há-de vir |
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Podemos até ser um povo que chega sempre tarde, mas há uns tempos a esta parte resolvemos compensar e começar a sair também mais tarde. Desta forma damos uma ideia de muito profissionalismo. Não importa se a vida pessoal vai ficar um caos, se tudo fica para trás, se enquanto lá estou não produzo a ponta de um corno, trabalho fora de horas, eu sou Workaholic. Fica-me bem.
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Posso estar todo o dia a dormir. Chegar e ir tomar café e voltar a tomar café ao meio da manhã, porque um bom trabalhador tem que consumir muita cafeína, vemos isto nos filmes. Depois saio para um bom almoço, de caminho até faço umas compras, e quando regresso, lá pelas 3 e tal, ninguém me segura. Aquilo é papeis a voar, telefonemas que nunca mais param, peço tudo e mais alguma coisa ao pobre palonços que estiveram lá todo o tempo a trabalhar e estão a roer as unhas para se irem embora. É um gosto passar pelo meu gabinete. Só dinamismo. Felizmente que uso um bom desodorizante, daqueles que não deixam manchas, vi na televisão que havia um assim de bom, tão eficiente quanto eu mesmo.
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Quando o pessoal mais certinho, o que andou lá o tempo todo, for embora posso então relaxar de novo. Até navegar numa páginas de Internet que preciso ver mas que não me dá muito jeito com o pessoal a entrar e sair.
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Quando já for noite alta, encho o meu peito de ar, daquele que tem 90% de convencimento de que sou bom e 10% de orgulho de dever cumprido, saio digo boa-noite às empregadas da limpeza e aos seguranças, para ser retribuído com uma despedida típica para as pessoa importantes, e vou para casa. No metro já não me encontro com a populaça simples, mas sim com todos os SBT, como eu, que sabem que é com uma lei destas e pessoas como nós que o país vai para a frente.
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Alguém disse, se não disse digo eu, que num serviço em que as pessoas saem sucessivamente tarde é muito mau sinal, ou o serviço está mal estruturado ou as pessoas nada fizeram durante o dia. Quem começa às 9 em ponto com bastante energia e atira-se logo ao leão, não vai estar, por muita cafeína que tome, depois das 6 da tarde, em grandes condições de rentabilidade, pelo menos dias sucessivos. Mas pronto, isto é apenas uma teoria minha.
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Em contraponto a estes SBT há ainda os ET-SC, Entrar Tarde e, para compensar, Sair Cedo. Nada como uma boa coerência compensatória para tornar este povo feliz.
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Penalização: Se não for um SBT é um preguiçoso, não dá o litro, não veste a camisola, só quer cumprir horário. As suas hipóteses de ascensão serão mínimas, a não ser que seja para ascender ao andar que faz os pagamentos antes de descer para a porta da saída.
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Revisão: Não quer ser um SBT mas não quer sofrer penalização? Simples. Faça bem o seu trabalho durante o horário normal, por certo terá feito muito mais do que quem só andou a entrar e a sair, mas quando chegar à sua hora não o entregue, diga que ainda lhe falta rever ou que ainda vai no ponto 35, quando já vai no 53. Depois do horário de saída, apanhe a carteira e diga que vai comer qualquer coisa, apanhar ar, mas que ainda volta. Deixe ficar um casaco (tenha um suplente para o efeito) ou, se for senhora, deixe ficar uns sacos. Saia e não volte. No outro dia apresente então o trabalho no ponto 53. Todos os SBT vão pensar que ainda voltou depois deles e esteve até às tantas. Claro que quem tiver que picar ponto tem depois que contornar o assunto, mas pronto, também não posso pensar em tudo.
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Já sabem, quando estiverem a estudar uma lei olhem bem, abram bem esses olhos, procurem inclusive lupas de auxilio, e vejam se não encontram, lá bem escondidinhas, um conjunto de regras absurdas que vamos cumprindo com todo o rigor, como se houvesse um qualquer tribunal secreto dentro do nosso psi a criar sentenças todos os dias.
Desafio, assim, para que publiquem aqui aquelas que são as vossas
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