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Imagens caídas

Uma imagem vale mais do que mil palavras. Porque não fazer o contrário? Com as palavras construir e falar de imagens.

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O Meu Cinema já não é o Meu Cinema - A Arte Escondida

Se há 20 atrás eu dissesse a alguém conhecido que tinha papado todos os filmes blockbuster e que tratava o Top Ten US por tu, por certo que me mandavam internar, ou então saíam desarvorados comigo para um exorcismo bem forte, num cineclube qualquer.

*

Uma coisa é certa, para uma pessoa que navegava quase que em exclusivo por cineclubes, ciclos Carlos Alberto, numa primeira fase no Porto, e Cinemateca e Quarteto, numa segunda em Lisboa, ter agora no curriculum os Spider-Man I, II e III é motivo para ser excomungado de todos os cardápios cinéfilos de dita qualidade.

*

Mas o que me fez mudar? Que divórcio tenho eu com o cinema de autor para agora andar tão amantizado com o cinema comercial? Ainda por cima se tiver que fazer uma lista dos filmes da minha vida, daqueles que marcam a nossa memória, não faltam os ditos autores nos contemplados, quase todos europeus, só Fellini é capaz de ter 3 na conta final.

*

Poderia dizer que os bons autores já morreram e que dos actuais, tirando um Almodôvar, um Techiné ou um Kusturika poucos são capazes de surpreender – se calhar estou a ser injusto, afinal Spielberg também é um autor e dos grandes.

Poderia até dizer que uma boa parte deles ficaram chatos e cristalizaram na forma como apresentam o cinema – o cinema é predominantemente técnica e como tal evolui –, em que, por vezes, muitas formas de estilo escondem deficiências assustadoras – é muito mais fácil colocar um tripé e ficar à espera que as coisas aconteçam do que estruturar movimentos e planos para captar a acção.

Poderia mesmo avançar para a desculpa do novo tempo que nos devora, em que tudo tem que ser muito rápido e pronto a ser compreendido de imediato - pensar é um exercício difícil, o melhor é darem-nos já o pensamento feito, viva a fast mind.

Tudo pode ser verdade, mas, como dizia o poeta, não, não vou por aí. Porquê? Porque sei que nenhuma das justificações apontadas é a verdadeira razão.

*

Para se continuar a perceber a minha ideia (ou a falta dela) terei que esclarecer que quando falo em ver determinados tipo de filmes, falo em vê-los no cinema, claro está. Porque em TV ou em vídeo sempre vi de tudo.

*

 ratatoille

*

Não sei se por preconceito, se por vergonha, não ia ver filmes de animação. Via alguns quando passavam na televisão, mas nunca me atraíam muito.

Há cerca de uma dezena de anos, porque apareceu uma pessoa que mudou a minha vida, comecei a ir ver tudo o que se estreava de cinema de animação. Não só era uma coisa diferente para fazer com uma criança, como também era a única forma de a manter sentada ao colo e não me exigir que andasse. Ela, que por caso é um ele, divertia-se com meros 2 anos a ver a bonecada, e eu, refastelado, ferrava um galho, vulgo passar pelas brasas. Pena que os malditos filmes fossem tão curtos.

Uma coisa é certa, mesmo com um olho meio aberto, meio fechado, fui começando a gostar dos filmes de animação, e graças a este palmo e meio de gente descobri todo um universo que me fugia. Só assim posso considerar Ratatouille uns dos melhores filmes de 2007.

*

Mas ansioso de coisas diferentes, levei-o, com 3 anos, a ver o Star Wars – A ameaça fantasma. Não sei se um dia ainda vou ter que pagar muita conta de psiquiatra ou se vou estar emocionado numa plateia, a chorar baba e ranho, quando ele receber a Palma de Ouro em Cannes, mas o certo é que o puto sabia mais depressa dizer May the force be with you do que quero pão com manteiga. Só espero que quando tiver idade para dizer ó pai quero levar o teu carro, saiba antes dizer coisas do género ET phone home, acho que vou gostar mais de ouvir.

*

 Spider M

*

Como não se contentou com o volume I da exalogia, há que aviar o II e o III, os Harrys Potters, os Senhores todos que tinham anéis, os Matrixapesar da idade penso que terá percebido o último episódio tanto quanto eu, nada – os Aranhiços Homens e por aí fora. Como não há filmes destes todos dias, valha-nos Deus, eu ia depois arranjando tempo para ver os meus.

*

Mas as crianças crescem e agora, mesmo não tendo uma idade muito recomendável, insiste em me acompanhar a quase todos os filmes. Assim, lá vou ter que ir fazendo uma selecção aceitável do que pode ver, como se eu fosse uma pessoa muito responsável para isso, mas pronto, faço o meu melhor. Tento conciliar uns tiros e umas explosões com algo um pouco mais suave de vez em quando. Ganho assim alguns direitos – olha que este filme Scoop do Wood Allen é capaz de ser giro, afinal é um morto que regressa para revelar um crime – para olhar outros filmes com menos $$$ - claro que depois de ele assistir ao Scoop fui amaldiçoado e interditado a sugerir qualquer filme durante uns meses, até ao Zodiac. O problema é que ele tinha razão quanto à qualidade do filme, Allen voltou ao seu pior.

 Depois deste jogo do escolhe-escolhe já me resta pouco tempo e dinheiro para outras aventuras.

*

Já estou mesmo a ouvir o pessoal, olha-me este, a armar-se em fino intelectual, que só gostava do autores, que comia nouvelle vague logo ao pequeno almoço, mas no fundo o que gosta é de uma boa cowboiada, nem que para isso tenha que arranjar a desculpa de uma criancinha. Faz lembrar alguns que compravam a Playboy porque tinha sempre muitas boas entrevistas.

*

Mas podem crer que é a pura verdade. Arrependido? De forma alguma, descobri um outro tipo de cinema, se calhar o verdadeiro cinema, o cinema espectáculo, ou já nos esquecemos que os primórdios da 7ª arte foram nas feiras, como uma atracção?

*

 transformers

*

Pelo facto de serem produtos comerciais não significa que são obras menores. Têm na sua essência tudo aquilo que o cinema deve ter:

.

  • Óptimo grafismo -  resumido no bom cruzamento da fotografia e da cenografia, apresentam uma estética e uma plasticidade muito interessantes com arquitecturas e designs cénicos, muita das vezes, fabulosos. É preciso lembrar que o fabuloso boneco do Alien foi criado por um grande artista plástico suíço, o H.R.Giger.
  • Bom ritmo - determinado por uma montagem sempre cuidadosa, que elimina o desnecessário e faz um encadeamento adequado entre cenas.
  • Castings acertados - não tendo, normalmente, grandes interpretações, pois exageram muito no overacting, apresentam quase sempre actores adequados aos papeis.
  • Personagens coerentes – apostando nos bonecos tipificados, apresentam personagens envolventes e fáceis de captar.
  • Rigor Técnico – Não só os efeitos especiais são a excelência, mas iluminação, som, pormenor dos adereços, nada é deixado ao acaso.
  • Dinâmica filmíca – os planos, a sua concepção e a sua sequência, criam uma emoção quase sobreposta ao enredo, como se uma segundo filme contassem.

*

Ok, os argumentos muitas das vezes parecem idiotas, mas também não se pode ter tudo. Ninguém espera, quando vai ao circo, encontrar lá a mesma profundidade que sente no Nacional quando assiste a Beckett. No entanto, não deixa de se emocionar e de sentir o brilho da trapezista voadora ou de se empolgar com o domador de leões.

*

Pode ser este tipo de cinema arte?

Pode. Desde Andy Warhol a Jeff Koons que sabemos que a arte pode estar em qualquer objecto banal com que lidamos todos os dias. A qualidade não se fabrica, acontece (ver Eu quero, posso e mando... criar quase nada.).

*

alien

*

O nosso problema é que tentamos ver um filme como um quadro, uma pintura, uma obra de arte. Mas não, um filme encerra em si, quando é bom, muitas artes, a fotografia, a interpretação, a cenografia, etc. Ou seja, um filme não é um quadro exposto mas sim a própria galeria. Já visitei muita boa galeria com maus quadros lá dentro e, pelo contrário, quadros muito bons em galerias mixurucas.

O que terá mais arte, pôr uma câmara numa sala para uma senhora com um longo chapéu dizer umas frases profundas, ou conceber estruturas e objectos, ao detalhe e com um bons designs, para criar um espaço cénico credível e vistoso, que vai ser filmado em diversos ângulos, ainda que servindo, por vezes uma história banal?

Não haverá neste tipo de filmes comerciais um exercício de estilo e de criação tão valioso quanto a concepção filosófica dos filmes de autor?

Sem fundamentalismos, no cinema cabe lá tudo como se fosse a própria torre de Babel em formato artístico. Mais do que a Obra, é apenas um suporte imenso onde a arte depende das diversas propostas estéticas e dramáticas apresentadas. No fundo, acaba por estar mais ligado ao prazer que causa a sua visualização do que ao conteúdo exclusivo ideológico da narrativa, ainda que também seja importante.  A arte está na luz que enche os nossos olhos.

*

Com o início do ano vem a temporada dos balanços e das análises. Vamos espreitar os filmes mais vistos nos anos 2007.

*

piratas

 *

Rank

Filme

Receita Global

EUA

Rest. Mundo

Rec.

Rank

Rec.

Rank

1

Pirates of the Caribbean: At World's End

961,0

309,4

4

651,6

1

2

Harry Potter and the Order of the Phoenix

938,5

292,0

5

646,5

2

3

Spider-Man 3

890,9

336,5

1

554,3

3

4

Shrek the Third

796,0

321,0

2

475,0

4

5

Transformers

706,3

319,1

3

387,2

6

6

Ratatouille

617,0

206,4

8

410,6

5

7

The Simpsons Movie

525,6

183,1

10

342,5

7

8

300

456,1

210,6

7

245,5

9

9

The Bourne Ultimatum

441,2

227,5

6

213,7

10

10

Live Free or Die Hard

382,1

134,5

16

247,6

8

11

Ocean's Thirteen

311,3

117,2

24 

194,2

11

12

Fantastic Four: Rise of the Silver Surfer

288,3

131,9

17

156,4

13

13

I Am Legend

266,4

205,1

9

61,3

35

14

Rush Hour 3

255,0

140,1

15

114,9

14

15

Wild Hogs

252,8

168,3

11

84,6

25

16

Ghost Rider

228,7

115,8

25

112,9

15

17

Mr. Bean's Holiday

224,7

32,6

74

192,1

12

18

Knocked Up

218,9

148,8

13

70,1

29

19

Bee Movie

230,4

123,6

19

106,8

16

20

Hairspray (2007)

200,2

118,9

22

81,3

26

Fonte: IMDB, com adaptação própria. Os filmes a cinzento ainda seguem em 2008

.

  • O mercado extra-EUA é cada vez mais determinante para o sucesso de um filme, pois representa cerca de 60% das receitas, mesmo os filmes com maior sucesso no EUA tiveram receitas superiores fora.

  • A herança cinéfila mais sofisticada da Europa, ela é o principal mercado fora dos EUA, continua patente. O facto dos Piratas e do Harry Potter serem os principais filmes não escondem um gosto mais barroco, menos imediato, mais sofisticado, mesmo quando se fala em comercialite pura.

  • O relativo fracasso do Die Hard, Quarteto Fantástico e Ghost Rider. Nem sempre a fórmula da eterna fábrica summer blockbuster funciona.

  • Boas surpresas de 300, Hairspray, Wild Hogs e Knocked Up (sem carreira terminada).

  • A ausência completa de um filme estrangeiro (não EUA) nos primeiros 20. Nem mesmo um filme inglês, que costumam por vezes dar o ar da sua graça. Mr. Bean que foi um sucesso por causa da sua carreira na Europa não é propriamente um filme inglês, mas sim uma co-produção americana.

  • A galinha de ovos de ouro dos filmes de animação, com 4 bons exemplos na lista. Alguém dúvida que Ratatouille vai levar o Óscar? Não admira o filme é perfeito.

  • Desta lista só sairão os Óscares técnicos, lá como cá, o preconceito contra o cinema mais comercial também é uma constante, no fundo aquele que sustenta depois todos os outros que vão levar as estatuetas. Talvez Hairspray seja uma surpresa.

*

Mais uma ano que passou. Noto que cada vez vejo menos, em sala, o outro tipo de cinema. Depois vingo-me e, em DVD, vejo o resto, que também é importante. No fundo vejo o grande espectáculo no grande ecrã e o mais intimista numa pantalha mais pequena.

*

cinema

*

Na sexta-feira, no Público, Pedro Costa, que vai receber um prémio da Associação de Críticos de Los Angeles, desdenha do filme de António Pedro Vasconcelos Call Girl e, de uma certa forma, de todo o cinema comercial. Se o cinema fosse só como ele o preconiza, já tinha acabado e andava aí a ser só mostrado em caves soturnas para meia dúzia de eleitos. Graças ao cinema que ele desdenha, e a toda a sua dinâmica de mercado, pode, além de receber o tal prémio, continuar a fazer os seus de filmes, que também são importantes, e a mostrá-los no mundo. Nostálgico de um certo cinema clássico, não vê que foram eles, a seu tempo, também suportes comerciais cinematográficos.

*

No ano passado, por esta altura escrevi 12 post, de seguida, intitulados 12 meses 12 filmes. Fiz um balanço, quase em solidão. Mesmo assim deu-me muito gozo. Talvez a luz do que queria dizer ofuscou-me a imagem da plateia vazia. Mas não caí no fosso. Espero.

*

O meu cinema já não é o meu cinema, de outrora, mas ainda assim, é cinema eterno. Não uma arte, mas um conjunto delas, em que cabe lá tudo, de Chaplin a Spileberg, é o meu grande caldeirão.

Posted: sábado, 5 de Janeiro de 2008 19:48 por bp63
Arquivado em: , ,

Comentários

Nemesis said:

Será que vou comentar em primeiro? Azar o teu, porque eu, que também já fui um ratinho de cineclube, ando cada vez mais afastada das salas de cinema. Porquê, nem sei.

Chego lá e fico desiludida, gosto pouco de filmes de acção, etc e tal, sei lá, mais do que tudo porque passei muito tempo num país onde não conseguia perceber bem os filmes, que dobravam,  e depois entrei numa fase de bicho do buraco e perdi o Vício, simplesmente, embora tenha visto filmes espectaculares na televisão.

Mas adoro e também por isso me dá tanto gozo ler os teus posts sobre cinema.

Agora fiquei cheia de vontade de ver o tal Ratatouille.

Essa do comercial versus o artístico e que um alimenta o outro, coisa que já tinhas afirmado num outro post pelo menos, é uma chatice, não é, mas é o mundo em que vivemos. Mas parece-me um fluxo que podia correr ao contrário.

O consumidor gosta e o produtor oferece, esse foi também o motor de tanta música pimba e tanto programa "hortera" na nossa rádio e televisão, tanta notícia absurda na imprensa. Mas uma coisa gera a outra. É um círculo vicioso. O pimba e o comercial abafam o bom. O la feria não gerou teatro nem cultura no porto, gerou espectáculo medíocre e comercial e dinheiro nos bolsos dele e de mais alguém, não sei :)

É mau, Bp. Uma multidão ignorante e de fast mind entretida a não pensar, é muito mau.

Parabens pelo excelente post.

Beijo

nemesis  

# Janeiro 5, 2008 20:44

lilica said:

Boa noite bp63,

um post muito bonito e interessante de se ler...

Bom resto de fim de semana....

Beijinho,

Estrela

# Janeiro 5, 2008 20:51

camionista said:

Eu devia desviar-me de blogues como o seu. Por uma questão de educação, de coerência. Se não tens nada a acrescentar a uma discussão, o melhor é ficares calado. Bom conselho. Que, apesar  da colherada, sigo. É que, de cinema, sei nada. Mas apostaria, mesmo assim, que V. sabe o bastante para ter o direito de falar do assunto.

Porque venho aqui botar palavra, então?

Para dizer 'Não entendi nada, mas falou muitíssimo bem!'?

Pronto, sou um tipo metediço. Mas aposto que, neste post, o Manuel de Oliveira levou que contar...

Bom fim-de-semana

# Janeiro 5, 2008 21:30

pessoalissimo said:

BP

Desde que os irmãos Lumiére inventaram o cinema que esta forma de arte global - sim, tens razão, o cinema é um conjunto de artes associadas visando um objecto comum, contar uma história, com recursos sonoros e visuais - tem vindo a aumentar o seu número de adeptos.

Também eu não abdico das salas de cinema até porque não tenho em casa condições para ver cinema com qualidade visual e sonora. E vejo todos os filmes cujas histórias ou sinopses me agradam, independentemente do tipo ou origem dos filmes. Mas reconheço que a filmografia americana, pela sua elevadíssima capacidade artística e comercial (e vice-versa)tem a minha preferência.

Mas sou incapaz de falar de um filme. Gosto de ficar a pensar nele (se valer a pena, claro) mas rapidamente sai forta dos meus circuitos cerebrais, a não ser que seja um grande filme.

Também eu, quando ainda imperava a animação "à mão" da Walt Disney, levei o meu filho a ver filmens de animação. Talvez por isso, ele se tenha apaixonado pelo cinema de animação durante uns bons 4-5 anos, chegou a fazer uns pequenos filmes em plasticina que guardo religiosamente em formato digital, depois os gostos dele evoluiram para a música, a acústica e pesada...

O cinema, como outras formas de arte, tem um papel importante no desenvolvimento da imaginação nas crianças e, mais tarde, nas sua percepção do mundo. Pena que este (cinema) se esteja a tornar somente numa forma de divulgação da cultura popular americana.

E continua a papar os filmes de preferência do teu rapaz. Ajuda a descontrair, às vezes, dormitar.

Abraço

Fernando

# Janeiro 5, 2008 21:52

bluewater68 said:

bp63,

quase que me apetece começar como geralmente termino neste blogue: voltarei.

Não vale a pena tentar comentar tudo de uma vez. Existe aqui material para 30 trilogias e 23 remakes.

Começo por falar do menos óbvio. O teu texto. O ano passado, fazias 12 longos textos, com muitos quadros comparativos e eu gostava de os ler. Mas tanto aqui como na comida, os olhos também comem. A diferença entre alinhar à esquerda ou a justify é a diferença entre ler com gosto ou ter de voltar atrás inúmeras vezes. E para quem queria contruir imagens com palavras, digo-te que não é uma desonra incluir imagens 'à maneira'. Achei piada aos separadores de estrelinhas. Terá o texto ficado com um ar judaico? :))

Falando agora dos conteúdos.

Em tempos eu disse: acho que consigo gostar do Woody Allen. Por mais que tentasse, ficava sempre cansado e farto. E descobri o porquê: O Woody Allen cansa-me de tanto falar. Aliás, cansa-me ele e cansa-me o Martin Scorcese, que em qualquer entrevista parece exactamente o Woody a falar. Os filmes que eu mais gostei foram sem dúvida aqueles onde ele não entrava. E veja-se a diferença do 'Match Point' para esse...cansativo(?) 'Scoop'.

Andava eu a começar a dar passos no SOL e apanho com o seguinte comentário:

«A piquena não vai mal. É bonita, é talentosa e é loura. Este pequena detalhe que a enfia no disparador automático de louras de hollywood. De 3 em 3 anos saí uma assim, linda e talentosa. Faz uns filmes, repara-se nela, faz uns filmezões, os mestres chamam-na e depois é nomeada, não ganha, e começa a ser esquecida até vir a outra grande loura. Quantas podiamos encaixar neste breve perfil?

Claro que há todas as outras, ainda mais louras, ainda em maior nº, que nem nos lembramos dos nomes a seguir à projecção. Mas essa nem reza a história, e a Scarlet Johansson não cabe, sem dúvida, neste lote.»

.

Eu só pensei. Mas quem é este magano para vir aqui dizer mal da minha Scarlet Johansson?

Hoje, graças ao Woody (terá ele hipnotizado a tipa?), estou a começar a deixar de admirar a Scarlet e a desejar que ela faça um 'Lost in Translation II'.

.

Esperava uma boa surpresa do Wild Hogs e saiu-me uma coisa sem graça.

E fugindo à tua lista, tal como já dei a deixa no meu texto, avisa se vires o "Jogos de Poder". Acho que é um filme à minha medida. Com os meus actores favoritos e que aborda uma conspiração com os Afegãos para derrotar os soviéticos. Só pode ser bom. Será?

A minha vida não é isto e ainda tenho de ir ver o DVD do Kevin Costner, em que ele faz de assassino.

Abraço

# Janeiro 5, 2008 22:28

PSCGF said:

Oi Bp,

Nem sei como começar ... Tal como o Blue disse temos aqui temas para os seguintes meses.

Mas vou tentar.

Não limito as minhas escolhas cinefilas, literárias , artisticas pela qualidade que os pseudo-criticos lhe atribuiram.

Isto é , tanto posso ler um romance "de cordel", como uma grande obra literária.

O romance de cordel é para os dias em que estou feliz.

A grande obra literária é para os dias em que me tento encontrar ou estou em franca nostalgia.

Com o cinema funciono no mesmo sistema . Depende dos dias , retirando o Manuel de Oliveira do qual ainda não consegui passar dos primeiros 15 minutos.

Para mais,  considero que tudo o que fazemos tem que nos dar prazer e sair da sala de cinema com uma sensação de "leveza" é uma maravilha que não deve ser posta de lado,  porque simples e unicamente não  estamos a fazer uma escolha de qualidade mas sim uma escolha de consumo massivo sem um grande argumento .

Relativamente ás escolhas infantis, descobri que as crianças entendem mais de arte do que pensamos e as suas escolhas tem razões que muitas vezes não entendemos ,mas são as mais genuinas e validas.

Relativamente aos filmes , comento depois , pois sinceramente nunca estou muito actualizada . Vejo tudo , mas em DVD . Salas de cinema não são do meu agrado e por motivos profissinais tambem não tenho a disponibilidade e horarios compativeis , assim fico por aqui e pela minha sala.

Adorei o post.

Beijinhos

Paula

# Janeiro 6, 2008 0:26

bp63 said:

Antes de recomentar queria apenas deixar 2 notas:

1 - Fui roubar o titulo do post a uma tag da meiadeleite "O meu cinema é o meu cinema". Um beijinho para ela.

2 - A tabela acima foi feita no dia 2 Jan, com os dados lançado do dia 31 do Dez (especialmente US). É natural que vá sendo alterada com as novas receitas dos filmes estreados ainda em 2007 mas com carreira em 2008.

# Janeiro 6, 2008 10:37

bp63 said:

Ainda uma outra coisa e voltando àquelas coisas das pontes, republico aqui um comentário que fiz num post da meia (acho que ela não se importa), pois acabam por estar ligados na discussão:

?A arte não tem que ser feia para parecer inteligente?

Provocação de Pastrick Mimran na bienal de Veneza de 2005 que escreveu a frase numa faixa sobre a ponte da Accademia.

Sendo uma frase meramente provocatória, tem o valor que tem, no entanto, vem-me à ideia frequentemente por comungar alguns dos seus princípios, nomeadamente no que diz respeito ao cinema. Se chato, comprido, cheio de deficiências técnicas disfarçadas de tiques de autor e profundo no pensamento, temos uma grande obra, se tecnicamente perfeito, com tudo a correr às mil maravilhas, ritmo, narrativa, eficaz no seu género, mas puro divertimento, então obra menor para satisfazer gosto de massas.

O problema é que estamos a assistir sempre à mistura de conceitos e a não valorização da obra pelo que ela significa. Ainda neste Verão assisti ao ?espezinhamento? cultural sobre um filme de Verão, Transformers, só porque era um género de aventuras, de adolescentes e cheio de efeitos especiais. Esqueceram-se que um filme tem que se apreciar dentro do género que ele representa, e no género o filme era muito eficaz, logo bom. Ainda por cima até é uma filme que tem uma ironia muito grande sobre as idiossincrasias americanas (a paranóia da guerra, a mania da perseguição, a fast food, etc).  Se tiver tempo e quando sair em DVD irei falar sobre ele (preciso de rever alguns detalhes para falar). Mas não é para isto que comecei o comentário.

O filme do Blinkity Blank, na minha modesta opinião, é interessante. Tem alguma beleza, traz um certo experimentalismo. Cumpre uma função. Ser diferente, chamar á atenção para uma técnica. Mas é um filme de 1955. Há que deixá-lo ficar nessa data e fazer a sua leitura enquadrada nesse tempo. Como já escrevi, normalmente o cinema envelhece mal, porque é fundamentalmente uma técnica, e as técnicas acabam por ser só referências com o tempo.

Qualquer filme de animação de hoje terá mais beleza e é muito agradável à sensibilidade humana corrente, vamos chamar-lhe mainstream. Não temos ficar chocados por ser assim. Ainda não vi o Rata Tui, mas acredito que os tais 15 minutos de filme sejam superiores à maioria dos filmes de animação apresentados pelo Vasco Granja (que foi importante NO SEU TEMPO).

Um carro de hoje é melhor que um carro de há 50 anos. Mas não invalida que um carro de há 50 anos seja considerado uma peça de arte.

No cinema não que distinguir arte de produto comercial. Tudo é produto comercial, com excepção das obras experimentais (que fazem umas loucuras porque há um dinheiro que não interessa). O que acontece é que os produtos comerciais podem depois arte (Andy Warhol provou isso).

Aliás basta ver o que aconteceu ao cinema europeu versus americanos pós anos 70.  Os europeus acharam que tinha que ser arte e há que se pôr em bicos de pé para os festivais, os americanos (bendito Spielberg que salvaste o cinema moderno) viraram-se para o cinema espectáculo. O que aconteceu à arte? A maioria das grandes obras artísticas de referência do cinema 80/2007 são americanas e não europeias. Trágico não é?

Concordo com a meiadeleite quando diz que não que se compara um produto experimental de 1955 com um de 2007, não concordo que arte não pode ser um produto comercial.

Quando diz que BW não precisa de arte e que para ele a dita não serve para nada, não concordo. Não conheço o BW pessoalmente, nem ninguém da Comunidade, mas pelo que me é dado ver gosta bastante de arte, pois para invocar os filmes da Pixar e da Dreamwork tem que gostar, pois a maior parte deles são puras manifestações artísticas, para o mainstream é certo, umas mais felizes do que outras é certo, mas ainda assim eternamente arte.

O facto de ser obra a uma mão e as outras de industria também não invalida que estas possam também ser arte e que a outra tenha obrigatoriamente que o ser. Faz-me lembrar aquela velha história do ? se é clássico é bom. C?um raio no antigamente também se fez muita porcaria.

Mas se falamos de animação temos o melhor júri do mundo para avaliar, as crianças, pois são o alvo prioritário destinado, e temos que ver por quem os sinos dobram, os seus olhinhos, quando há um filme a passar. Numa discussão com a Ana Tarouca acabei por falar nisso, até que ponto não queremos que o nosso imaginário não seja o imaginário das crianças, quando elas querem coisas muito mais simples e de acordo com o novo tempo?

Para terminar uma historia.

Era uma vez 2 crianças que assistiam ao programa do Vasco Granja. Uma, de classe média alta, vivendo na capital, já tinha visto museus, assistia a concertos, tinha imensos livros de tudo, outra, classe média baixa, vivendo na província, o mundo que conhecia era o pouco que dava na televisão. As 2 crianças viam o programa em com os mesmos 2 estados de espírito, o primeiro de uma certa curiosidade e cansaço com os primeiros filmes, o segundo de euforia quando aparecia a pantera cor-de-rosa no fim.

2 crianças com referências culturais completamente diferentes, mas reagiam da mesma maneira aos diferentes estímulos da animação que era apresentada.

Já agora a criança bronca era eu.

Um abraço a todos

(In http://sol.sapo.pt/blogs/meiadeleite/archive/2007/08/26/A-persist_EA00_ncia-da-vis_E300_o_3A00_-Blinkity-Blank-_2800_1955_2900_.aspx

no dia 26 de Agosto de 2007)

# Janeiro 6, 2008 11:08

bluewater68 said:

Continuando...

Esse "O meu cinema é o meu cinema" teve aspectos muitos interessantes para debate. Entre vários textos sobre essa TAG, eu saliento:

http://sol.sapo.pt/blogs/meiadeleite/archive/2006/11/18/O-senhor-Smith-foi-a-Washington.aspx

e

http://sol.sapo.pt/blogs/meiadeleite/archive/2006/11/09/Alice_2C00_-cinema-europeu-vs.-cinema-norte_2D00_americano.aspx

Sobre este último, transcrevo o meu comentário:

«Quanto ao teu texto, acho que identificas muito bem o que difere o cinema Europeu do cinema Americano, um procura fazer 'arte' enquanto que o outro procura o lucro.

No entanto, eu afirmo que sou adepto incondicional do cinema Americano, vejo pouco cinema Europeu, e em particular, é raro ver um filme Português.

Mencionas-te o Tim Burton. Ontem, no 'MaréBaixa' eu dizia que um filme que me marcou tinha sido o "Grande Peixe". Foi candidato a 7 óscar e não ganhou um que fosse. Mas, como dizes, tem uma qualidade excepcional.

Uma pergunta: Os filmes "Delicatessen" e "O fabuloso destino de Amelie" foram feitos para a 'industria do cinema'? é que foram exitos de bilheteira. Esquecia-me também do "Os Visitantes".

E o Almodovar? que filma na Europa e faz filmes europeus?

O que eu tenho dificuldade é em entender o que por vezes se chama de 'arte', em particular quando esta é feita à custa de subsídios do estado. Deverei mencionar o "Branca de Neve" do João César Monteiro? será 'arte'?

Este 'Alice', tal como acontece com os outros, irei vê-lo em DVD pois não vou ao cinema. Mas, não ponho em causa que não possa ser merecedor de subsídios.

Depois de ler o teu resumo do filme, fiquei com vontade de o alugar esta semana.»

Nesse texto, um tal de bp63, talvez por ainda não conhecer os cantos à casa, foi bastante poupadinho no seu comentário :)

.

Quem é gosta de cinema e/ou da 7ª Arte, tem (corrijo, deverá) de ver tudo. Seja Europeu, seja Blockbuster, seja Série B ou Z. O que me custa a aceitar é que algumas 'elites' resumam a sua vida às sessões do King ou do Quarteto e que olhem para o cinema americano como um produto de baixo nível que só interessa a quem se enfia aos Domingos num Centro Comercial, vestido com um fato de treino e disposto a ir ao cinema para comer muitas pipocas.

Custa-me que as críticas de cinema que aparecem nos jornais sejam feitas por essas mesmas elites. Os tais filmes 'estranhos' são sempre os que obtêm pontuação máxima. Os outros, ter que os comentar, é quase uma ofensa para esses críticos.

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Este Natal diverti-me (ri à gargalhada novamente) a ver o Madagascar. O senão é a tradução. Para o efeito ser perfeito, tem mesmo de ser na língua original e a imaginar os actores a fazer os diálogos (processo descrito aqui http://sol.sapo.pt/blogs/bluewater68/archive/2006/12/08/Filmes-para-Adultos.aspx)

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Nos últimos dias diverti-me a ver os banhos de sangue do 'Hostel 2' e as filmagens tipo anos 70 do 'Death Proof'.

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Hoje, volto a lançar o alerta para quem tem a FX e gosta destas coisas da 7ª Arte. A Série "De Improviso" (22:00) voltou na semana passada ao episódio 1. Hoje, se virem o 2º episódio vão perceber o enredo e podem acompanhá-la a partir de agora. Para quem queira ver a luta dos que procuram atingir o estrelato e são vistos na maioria das situações como um pedaço de carne, perfeitamente substituível por centenas de outros pedaços. E prova que o Clooney (realizador) não é apenas aquele que foi considerado o homem mais sexy do mundo.

# Janeiro 6, 2008 11:24

bp63 said:

Ai Nemi, nemi, eu sem grande tempo e a menina a esticar a corda com tanta coisa para eu responder.

Para começar republiquei um comentário que enquadra bem esta discussão.

Em primeiro lugar queria esclarecer que eu não quero mais espaço para o cinema comercial, ele já tem bastante. A única coisa que chamo à atenção é para a qualidade que ele também pode ter e para o valor artístico do mesmo. Sem preconceitos. Já reparaste nas linhas no boneco do Alien, naquela mistura gótica com arte noveaux (olha que eu sou um bruto em termos de escola de arte, é so a minha impressão)? Não terá aquilo tanta ou mais arte do que um plano simples do nosso Manel? É apenas isso.

Quanto ao pimba, vamos lá a ver se nos acertamos. Pelo facto de ser comercial não tem que ser pimba. Vê que mesmo na música a maioria dos grandes sucessos são de bom gosto, discutível alguma grande qualidade, mas ainda assim são bem feitos e musicalmente criativos (não é fácil fazer uma boa melodia). A tal música pimba é um fenómeno marginal que num determinada altura fizeram-nos querer que era isso que se consumia. Mas não.

Da mesma forma, olhando para o cinema o grande cinema de sucesso não tem nada de pimba. Os mais pimbalhados acabam por não ter grande sucesso, quanto muito são pirateados e vistos em versão doméstica em cópias deploráveis. Da lista acima, talvez só o Rush Hours 3 se enquadra, talvez, nesse rótulo. O Hairspray também poderia lá caber, mas a sua abordagem over kitch acaba por levá-lo em sentido contrário, a uma comédia irónica sobre isso mesmo.

O gosto do mercado não condiciona necessariamente a coisas pimba, com excepção da televisão, mas isso é outro departamento, pois é um mercado muito passivo e as pessoas engolem o pior que têm nelas em termos de gosto. O cinema é o sapato Prada que se põe para sair (nem que seja para assinar um Tratado) a televisão é o chinelo da loja dos chineses que calçamos na intimidade, depois de descalçar os Prada.

O mercado está aberto a inovação, até porque o mercado satura facilmente. Sendo um cinema um fenómeno de massas há que procurar inovar e surpreender sob pena de o mesmo mercado se afastar do produto. Por isso não há formula para o sucesso. Penso que o esforço estatístico que se faz para conceber uma coisa para surpreender é grande e merece mérito. Mesmo por computador não achas que o design que concebeu o boneco dos Transformers (imagem acima com 2 cabeças) não tem o seu quê de artístico?

O mercado é aquilo que temos. Dependemos dele mesmo quando fazemos alguma coisa sem pensar nele. O cinema sempre viveu dessa relação mercado arte. As obras mais experimentais e alternativas acabam por beneficiar da estrutura do mercado para se financiarem e se exporem. Da mesma forma que o cinema comercial beneficia da inovação desses autores, não só os captando para o seu universo, como copiando alguma das suas formulas. O cinema americano cresceu imenso, durante a II guerra e no pós, graça aos know how artístico europeu que ele recrutou. O problema é que o cinema comercial dessa época a lápide do tempo já os transformou em clássicos e hoje são considerados bons pela mesma elite que desdenha os comercias de agora. ?Tudo o vento levou? e Quo Vadis são tão pastelões e comerciais como um Senhor dos Anéis ou um Matrix. A única diferença é que os gostos mudaram e em lugar de quererem ver um senhor musculado num atrelado de um cavalo querem ver o mesmo musculado a voar.

Quanto ao fast mind, é só uma questão de olhares. A Guerra dos Mundos, um dos últimos grande autores de Cinema, Spielberg, é talvez o olhar mais profundo sobre o 11 de Setembro feito até hoje. Da mesma forma que a A Vila é talvez o mais pertubador filme sobre o pós 11/09, mostrando como o medo é apenas uma forma de criar sementes para o fascismo e para o culto.

Já me estendi.

Já agora o La Feria faz apenas um género. É teatro musical, comercial puro. Faz dinheiro mas isso não é crime. Seria se ele tirasse o dinheiro a outros tipos de teatro. Mas não tira.

Beijos

# Janeiro 6, 2008 11:54

bp63 said:

Caro Camionista

Num simples comentário apontou aqui uma série de questões interessantes.

Em primeiro lugar essa de se desviar do meu blogue. Só o deve fazer se não gostar do que lê e isso não lhe der prazer, pois não se deve torturar ninguém, a menos que se esteja de cabedal preto e chicote na mão Smile (acho que estou a ficar repetitivo). Nunca porque se acha que não se pode meter a colherada. Pode e deve. Conhecendo ou não o assunto. E acho que conhece.

Habitamos universos diferentes. Por isso gosto de ir lá espreitar o que escreve no seu blogue. Porque gosto de ver os outros olhares. Penso que é o mesmo que se passa com o Camionista.

Quanto ao eu saber muito de Cinema e o Camionista não saber nada, penso que estão ambas exageradas. Nem eu sei muito, nem vc sabe tão pouco.

O que sei do cinema, apesar de muitas leituras e estudos, em tempos, deriva daquilo que é o mais banal, ser espectador. Se lhe parece que sei muito, pela leitura do meu texto, então acho que transmiti uma ideia errada. Apenas quis levantar algumas questões sobre uma forma de ver o cinema mais intelectual e menos popular.

Já agora, aqui entre nós, que ninguém nos ouve, deixo ficar um aviso, não acredite piamente em tudo o que digo nos postes, normalmente aquilo que escrevo lá no post tem mais de provocação do que afirmação. Não escondendo o meu pensamento, exagero-o de forma provocatória e irónica, apenas para tornar a leitura mais apetecível e leve. Aquilo que realmente penso e sei, sem ser exagerado, acaba por estar mais por aqui nos comentários que faço depois.

Não quis dar porradita no Manel de Oliverira, porque o senhor não merece. Quis apenas que não dessem tanta porrada no imaginário dos filmes mais populares, apenas isso.

Meta sempre a colherada, mesmo para dizer mal, é um direito seu e mesmo pelo que li da sua parte, quer aqui quer noutros blogues, a boa educação andou sempre de braço dado consigo, e isso torna a sua opinião, qualquer que seja, numa boa opinião.

Abraço

# Janeiro 6, 2008 12:34

bp63 said:

lilica Estrela

Obrigado por ter vindo a esta sessão na minha sala.

Uma boa semana e boas fitas em 2008, sejam elas quais forem.

Bjs

# Janeiro 6, 2008 12:49

Nemesis said:

Que é que hei-de acrescentar, depois de tão sábias e cultas palavras? Talvez me reste apenas dizer que  acho a comparação de cinema difícil de entender porque não tenho televisão nem chinelos do chinês,  e ir assinar tratados de pravda é supimpamente pimba;

acho o alien mais parecido com uma louva a deus cinzenta vista à lupa que com uma xcelente criação em misto de linhas arte nouveaux e sei lá que mais;

E gostaria de maior honra para a criatividade que ser fonte de roubo de idéias para as produções comerciais.

Quanto ao la Feria, o convidado da câmara sem concurso ou com concurso da treta e cartas marcadas, aconselho-te a que te informes do estado de coisas nas contas entre o referido empresário e os dinheiros do erário público geridos pelo gabinete de Rio, coisa que, conhecendo-te minimamente, sei que farás sem qualquer dificuldade, e depois me voltes a dizer quem é que rouba quem.

(Acordei de rabo para o ar, ok.)

beijo,

nemesis

# Janeiro 6, 2008 13:25

bp63 said:

Fernando

Não há nada como chegar a uma sala de cinema, ficar tudo escuro, descontrair e deixarmo-nos levar pela sua magia. Mesmo quando adormecemos é um sono diferente.

Chegar a um final de sábado, depois da paulada da semana sabe bem ficar tudo à porta e entrarmos num universo diferente.

?O cinema, como outras formas de arte, tem um papel importante no desenvolvimento da imaginação nas crianças e, mais tarde, nas sua percepção do mundo. Pena que este (cinema) se esteja a tornar somente numa forma de divulgação da cultura popular americana?

Concordo plenamente, penso que os Americanos já perceberam isso há muito e que em tempos a Europa também (os grandes ditadores serviram-se do cinema, inclusive Salazar). Pena que esta nova Europa não perceba isso e não tente, em conjunto, criar cinema de massas para que os miúdos do futuro se revejam no nosso imaginário e não no americano, pelo menos totalmente. Mas para isso são preciso 2 coisas, perdemos a arrogância do cinema de festivais e criar uma estrutura de marketing semelhante á americana. Em tempos comecei a desenvolver um trabalho (académico) sobre a estrutura do mercado americano e sua possível adaptação a uma Europa alargada, nomeadamente as 4 politicas do Marketing Mix (Produto, Preço, Distribuição e Promoção), mas como na altura não havia internet e estava a ser muito difícil a pesquisa acabei por partir para outro assunto. Mas acho que o caminho passa por aí, da mesma forma que criamos o Euro para fazer face ao dólar, há que criar um mercado europeu sem preconceitos, bem comercial, para fazer ao americano. A arte virá por acréscimo.

Abraço

# Janeiro 6, 2008 13:28

bp63 said:

Paula

Gostei dessa do romance de cordel. Acho fascinante esse universo da pulp fiction que nos trás, aparentemente, a vida em pequenas doses de xarope para combater a nossa tosse irritante do viver o dia a dia.

Num dos meus post TIFAMI, tentei fazer uma certa homenagem a esse universo, com o Simplesmente Maria, uma espécie de filme telenovela, que depois acabava por virar mais um thriller negro de outra coisa. Mas as pessoas acabaram-se por se fixar mais num cágado do que no mistério que estava por detrás de tudo.

Voltando ao assunto, o cinema para mim tem que ser um prazer. Não é porque alguém diz que é bom que eu aguento um filme chato. Isso não invalida que eu não considere a critica. Quando um filme tem boas referências fico com curiosidade para o ver e para depois confrontar a opinião. Agora quando eles dizem mal, faço logo uma despistagem do género pois já sei que eles fogem da diversão pura como o diabo foge da cruz. Eu não.

Como bem disse o prazer de entrar na sala e sair de lá bem é sempre o mais importante, porque antes da arte está o espectáculo das imagens.

Beijo

# Janeiro 6, 2008 13:39

bp63 said:

Nemesis

Isso foi mesmo de rabo para o ar.

Depois respondo quando tiver maior conhecimento e respondido um pouco ao blue que está a ficar para último, por ter tanta informação a analisar.

beijos

# Janeiro 6, 2008 13:42

bp63 said:

Blue

Bom, isto mais uma vez tem que ser em fatias.

Sobre os post do 12 meses, não eram aqueles das tabelas comparativas mas uns anteriores, com o balanço de 2006. De qualquer forma ainda bem que deste a dica do alinhar, eu como estou sempre a saltar de linha pensei que o defeito era meu e não do facto de estar justificado. Relendo os post estão um pouco complicados.

Comecemos por Woody Allen. É capaz do melhor e do pior. Como escritor de diálogos acho-o genial, mesmo a seca do Scoop tinha boas falas.

Nos filmes que ele entra constrói sempre a mesma personagem, ele próprio. Quando o enredo está bem aparado ele fica que nem ginjas, quando a história não vai muito bem ele fica ainda pior. Lembra-me um pouco a personagem do teu avatar numa versão mais polite.

Vamos esquecer a sua primeira fase que já está muito longe e todo foi dito.

Da 2ª fase dele recomendo-te Vigaristas de Bairro Small Time Crooks (2000), As Faces de Harry Deconstructing Harry (1997) e Toda a Gente Diz que te Amo Everyone Says I Love You (1996). São 3 comédias geniais, em que ele está no seu melhor. Os viagaristas é um gozo à nata inteligente de Manhatan, as Faces de Henry tem momentos perfeitamente hilariantes e algumas considerações fabulosas sobre a religião, advogados, escritores, etc. O toda a Gente é o musical mais estúpido algumas vez feito onde desafinar é a palavra de ordem.

Todo o resto que fez a seguir, com excepção de Match Point é muito repetitivo e sem chama.

Sobre a Scarlett, continuo na minha, mais uns anitos e vamos esquecê-la, embora reconheça que tem algo mais do que a simples chama das louras perante a câmara.

Penso que é uma espécie de Soraia Chaves, versão blonde e americana. Mas qualquer dia está aí a querer fazer filmes de feia e deslavada para ganhar uns prémios. Penso que ela tem um problema plástico, tem uma cara com uns traços algo infantis, o que vai ficar mal quando envelhecer. Pode ser que me engane.

Wild Hogs, surpreendeu-me. Pensei que era muito pior. Não sendo bom, achei piada à caricatura dos 40/50ões que se querem armar em teens. Tem alguns bons gags mas fica-se por aí.

Sobre o Jogos de Poder, ando em negociações secretas com outra parte para o ir ver. Já me mandou ir vê-lo à semana à noite. Logo agora que não tenho tempo.

Esta minha nova incursão no cinema leva-me a que vem aí os Óscares e pela primeira vez vou desconhecer a maioria dos filmes nomeados. Já me aconteceu com os Globos.

Voltarei (eu também me vingo) para continuar comentário.

# Janeiro 6, 2008 14:03

bp63 said:

Blue

Realmente fui poupadinho no comentário nesse post, mas também cheguei no fim da discussão e já tinha pouco para dizer. Mesmo assim ainda botei a seguinte faladura:

?Ai esta eterna discussão! O cinema europeu vs americano.

O que tem piada é que sendo o cinema americano mais industria e menos arte, acaba por fazer sempre as obras de referência do cinema, nos últimos 30 anos. Penso que o cinema europeu de tanto querer ser arte acaba por se esquecer do principal: um filme é apenas uma sequência de imagens que tem que contar um história. Boa, de preferência, e bem narrada.

Não gostaria que o cinema europeu ficasse igual ao americano, até porque iria falhar estrondosamente na comparação. Tem que ter uma identidade própria, mas sempre a pensar no olhar do espectador, que é o alvo final do seu disparo. Almodovar, o último dos grandes autores europeus, sabe disso.?

Quantos aos críticos e ao pavor de gostarem do cinema popular vou contar aqui uma história passada comigo há alguns anos:

Estava eu no cinema Londres (julgo eu), a ver talvez uma comédia daquelas de Natal, talvez o Sozinho em casa I, não tenho a certeza. De repente vejo que perto de mim estava um crítico, na altura do Expresso, que eu conhecia de ter visto na televisão uma ou outra vez a falar de cinema. Bom, durante quase todo o filme o senhor riu que nem um perdido, por vezes até de uma forma um pouco ruidosamente hilariante demais para meu gosto. O expresso normalmente publica uma crítica mais alargada quando a estreia, presumo que do critico que foi à sessão de apresentação, e depois vai publicando outras mais curtas nas semanas seguintes de outros críticos. Então o que vi eu na semana seguinte ou posterior? Uma pequena nota do dito do crítico em que malhava no filme dizendo, se me bem lembro, que era mais uma palhaçada de natal para a criançada. Foi incapaz de reconhecer que sendo o filme uma comédia estava bastante eficaz porque ele tinha-se divertido imenso. Mas se calhar ao assumir isso iria cair em ridículo entre os seus pares, que por sua vez se calhar também gostavam do filme secretamente.

Sabes, por isso, há 2 assuntos a que eu dou sempre um desconto enorme quando as pessoas falam, sexo e cultura. Por muito que se queira ser franco é sempre mais importante a imagem que criamos do que propriamente aquela que gostamos.

Madagáscar não sendo um filme com uma animação de excelência (anos luz do último da Pixar), pois não tinha nada de novo, em termos de argumento e de diálogos é alucinante. Talvez desde Sherek não aparecia algo tão corrosivo e ilustrador das idiossincrasias urbanas. Também me diverti imenso. Apesar dos diálogos originais serem muito bons a versão portuguesa não estava má, acho que captaram o espírito.

Não ganhei coragem para ver o projecto do Tarantino e do Rodriguez. Se aquilo é uma homenagem às GrindHouses onde se fazia cinema abaixo de cão, fico com um pé atrás, porque recuperar o que é mau? Mas sei que vou ver, nem que seja por curiosidade e como sempre posso ficar surpreendido. Estou um bocado entalado porque não gostei dos últimos projectos deles o Kill the Bill e o Sin City.

Ainda não vi o Hostel 2. Vem aí o Saw4. Por falar nisso e para cruzar com o comentário da Nemesis. Sendo a série dos Saw filmes que se enquadram (aqui a classificação está a ser minha) naquilo que é ela chamou de Pimba, venha sangue e gritos e tá andar, não deixa de ser interessante que o primeiro filme seja considerado de culto e tenha sido dos trhillers mais arrepiantes pós Seven. Sustentar um filme quase todo numa casa de banho imunda, com um nível de suspense elevado é obra. Pena que os que vieram a seguir sejam puro trash ou gore.

Vou tentar ver o de Improviso, embora hoje seja mau dia, porque amanhã espera-me um daqueles dias fatais e o domingo à noite vai ser de puro terror, mas sem serra eléctrica.

Abraço

# Janeiro 6, 2008 15:04

gomes2000 said:

bem, subscrevo o comentário do camionista, não vou ao cinema há 5 ou seis anos, só em "casa" e nem vou meter muito a colher. Vo^cê deve saber o que diz.

Eu relaciono cinema com pipocas e gosto muito de todos os filmes de animação (por causa da minha filhota, vi em DVD); Shrek 1, 2  e 3, Nemo, Gang dos Tubarões, Madagascar, ...

Filmes comerciais, se são os que passaram na Tv, também gostei do Teorema de Pitágoras e de um em que o actor principal supostamente bebeu o veneno para o cão e depois queria o antídoto, ...

Só queria desejar uma excelente semana, e já agora boas sessões com ou sem pipocas.

Beijinhos

# Janeiro 6, 2008 16:03

bp63 said:

É Gomes

Realmente os filhos obrigam-nos a ver esses filmes péssimos do Sherek, Gang, Nemo Madagáscar e afins Smile. Deve ser para nos torturarem!!!

Já agora não perca essa grande tortura que é o Ratatouille. Além disso tem uma coisa interessante, sendo um filme de ratos dá vontade de ir para a cozinha a seguir e começar a fazer experiências gastronómicas. Infelizmente que essa vontade passa depressa e depois há que ir por obrigação.

bjs

# Janeiro 6, 2008 16:50

bp63 said:

Bom, neste post já me chamaram 3 vezes de sabichão.

Acho que vou ter que fazer uma reflexão sobre que ideia ando eu a construir.

A minha ciência é apenas a imagem das impressões com fico das coisas. Nada mais.

# Janeiro 6, 2008 17:02

eeu said:

Bp

O comentário que estava a escrever já ía longo e... a internet foi-se abaixo e apagou tudo !!!!

Estou demasiado irritada para repetir !

Imagina o boneco do Alien a dizer-te com ar ameaçador: Voltarei !

eeu

# Janeiro 6, 2008 18:51

bp63 said:

Nemesis

Nem as palavras são sábias nem cultas. São apenas palavras impressionistas de quem quer alargar horizontes de criatividade. Nada mais.

Sim, o Alien até pode ser essa visão macroescópica de um louva-a-deus. Why not? Já reparaste que a maioria das construções do Calatrava são baseadas nas articulações e nas estruturas ósseas de algumas aves. Ele próprio diz que na construção da natureza já está lá tudo, a arte só tem que ir até lá e interpretar aquando da criação (palavras minhas derivadas de uma ideia).

Bom como sou bem mandado fui ver o que se passava com o Rui Rio e o La Féria. Aquilo que eu encontrei foi o que já sabia, que houve um acordo, que o concurso foi  uma treta e tal. Fiquei sem saber quanto pagou ao La Feria ou quanto o Lá Féria lhe paga a ele, CMP.

Do Rio tenho uma ideia de alguém sem o mínimo de projecto cultural para a cidade. Mas há outra ideia que tenho dele, que o homem é um rigoroso das contas. Não acredito que lhe tenham deitado a mão nos trocos. O homem pode não ser bom em mais nada, mas é bom em contas, pelo menos é o que dizem, que eu não o conheço.

Trazer espectáculo à cidade não é mau. Todas as grandes cidades precisam disso. Mau é que além disso depois seja o deserto. A cidade precisa de projecção, de ambição. Estrear um Musical na cidade e trazer gente de fora cria dinamismo e sinergias. Pena que as pessoas depois não aproveitam isso para dar o salto noutras coisas. Mas isso é a nossa tragédia grega ou fazemos uma coisa, ou fazemos outra. Nunca conseguimos juntar as 2 partes. Por isso somos o que somos. Basta olhar para Espanha aqui ao lado e ver que tudo é diferente. É a velha história do caldeirão.

Mas admito a minha ignorância nessa historia do musical laferiano, assim em como em todos outros assuntos. Sabichão era apenas o professo Baltazar, cartoon da minha infância e nem tinha grande piada.

beijo

# Janeiro 6, 2008 19:14

bp63 said:

pois é EEU

Não quero mesmo imaginar o boneco do Alien a dizer voltarei? Não era o Arnorld S que dizia? Bom se calhar a diferença entre um e outro não é muito grando.

Mas imagino o ET a dizer: ET write in word first!

# Janeiro 6, 2008 19:17

portocego said:

Boa noite bp63,

Talvez me vá repetir mas, eu nesta temática, gosto de ler o que de bem se escreve sobre a mesma e aqui vale a pena parar.

Assim, não serei grande interlocutora, mas apenas "consumidora" fiel.

Tenha uma boa semana,

Daniela  

# Janeiro 6, 2008 23:06

bp63 said:

Boa semana Daniela

e além de consumir sempre pode sempre dizer que o que lhe vai na alma cinematografica, mesmo não indo ao cinema. Muitas fitas das gosto também acabo por vê-las na TV.

# Janeiro 6, 2008 23:26

josefadobidos said:

Bp63

Como penso que já saberá daquilo que tenho escrito, os livros e os filmes são os objectos que mais amo (penso que não exagero em utilizar o termo amar, salvaguardando as devidas distancias). Por tudo o que representam: pelo significado artístico intrínseco e também pelo significado que tomaram ao longo da minha vida.

Por isso, já li este seu post e comentários algumas vezes, para tentar perceber o que quer dizer com as afirmações (ou provocações?), que faz.

Apesar de não ter percebido algumas das coisas (o Bp parece zangado), quis dizer a minha opinião, mas comecei a escrever acerca dos vários assuntos que aborda e desisti, porque o ?paleio? já era tão extenso, que ultrapassava o lençol aceitável.

Basicamente quero dizer que entendo ?arte? como todo o acto de criação independentemente das classificações mais ou menos eruditas que se possam desenvolver acerca de determinado objecto de estudo. E naturalmente, o valor do objecto tem total independência do seu valor comercial. A ideia de que, se tem valor comercial, não tem estilo, ou não é suficientemente artístico, até me agonia, embora na verdade, sou uma completa ignorante quanto ao rigor técnico de qualquer avaliação.

Como mulher simples do povo, sem qualquer falsa modéstia, afirmo que desprezo tanto uma critica de um livro ou de um filme quanto desprezo as opiniões alheias em relação a alguma pessoa que se conhece de novo ? dou-lhe apenas a devida importância (muito pequena, uma sugestão, vá). Toda a expressão artística é subjectiva e de avaliação subjectiva e relativa.

Na realidade, o valor artístico de determinado objecto, costuma variar de uma forma dramática até estabilizar, se é que isso vem a acontecer.

Resumindo e baralhando:

Adorei o Ratatouille, quase tanto como da Idade do Gelo. Gosto pra caraças do Woody Allen porque é dos poucos que já me levou ás lágrimas com o riso (o que não é fácil), Talvez por uma certa identificação neurótica, também. Quero lá saber se ele já não é tão bom. É um dos melhores de sempre, para mim.

Gosto do Almodôvar, mas não tanto como do cromo anterior, e por motivos diferentes e ainda gosto muito do Lars Von Trier que ultimamente é desses realizadores preguiçosos e passivos que apoiam a câmara no tripé e lá vai disto (mas fez o Ondas de Paixão que é tortuoso, mas magnifico. Quanto a esta nova forma de filmar que pertence a um certo estilo de facto, tenho também a minha opinião que é diferente da sua, mas que estenderia imenso o lençol).

O meu mais que tudo: Tim Burton (nem sei porquê).

Techiné infelizmente não conheço, mas dos modernos gosto também do Wong Kar Wai, o realizador da tristeza.

Agora, se estiver para aí virada, não me ensaio nada para estar uma tarde ou uma noite inteira feita lorpa a ver filmes românticos ditos foleiros e lamechas (os pimbas??? não creio), e adoro. Adoro os da Meg Ryan e do Tom Hanks (ai, ai?), os filmes dos livros da Agatha Christie e Jane Austen, ou a papar filmes antigos a preto e branco. Das minhas melhores noites de passagem de ano, quando ainda era só eu, estive a ver filmes a noite toda e a beber taças de champanhe. Um must!!!!

Nem era precisa tanta conversa, para dizer que gostei muito do post e agradecer por este bocado.

Beijos.

Estiquei-me afinal, mesmo só dizendo um bocadinho das opiniões (serei como o Woody Allen, Blue??? neurótica, verborreica, rssss).

Jo

# Janeiro 7, 2008 2:29

josefadobidos said:

xiiiiiiiii... vou ser expulsa????

# Janeiro 7, 2008 2:33

josefadobidos said:

Bem... perdida por 100 perdida por 1000...

manoel de oliveira... um filme dele tem uma marca de tal forma forte e inequivoca, que nos primeiros segundos se identifica. Ele é o filme e o filme é ele. Tal como há vozes inconfundíveis, assim é um filme de manoel de oliveira. Filmes "metabolicamente" lentos, como ele mesmo. Só um homem prestes a fazer a proeza de completar 100 anos, poderia fazer filmes daqueles. Ninguém "normal" aguentaria filmar um árvore persistentemente durante 15 min, mas ele aguenta. É genético. É único. Na sua especialidade, é brilhante.

Digamos que está para o cinema como um monge budista está para a vida banal.

# Janeiro 7, 2008 3:01

dissidencias said:

Olá amigo Brad Pitt (adoro chamá-lo assim... embora o ache muito mais inteligente do que o referido actor):

Confesso que até tenho receio de aqui vir, porque em embrenho na leitura destes seus textos e esqueço tudo o resto... e quanto digo tudo o resto, quero mesmo dizer "tudo o resto": mulher, filho, refeições, necessidade fisiológicas, etc. etc... Bem, para este meu comentário não cair para a escantologia, vou-me debruçar no que acho mais importante.

EM primeiro lugar, é preciso ter a sorte (ou azar) de morar numa das duas grandes cidades nacionais (Lisboa ou Porto), para se ter acesso com alguma regularidade ao chamado cinema menos comercial, e de maior profundidade intelectual). Em muitos desses filmes de autor ou mais alternativos, são difíceis de encontrar me edição DVD, porque as editoras acham que não compensa a sua edição.

Mas também não me envergonho nada de, tal como aconteceu consigo, começar a dar mais atenção aos filmes de animação das grandes produtoras norte-americanas, tais como a Disney, a Dreamworks... etc., desde que nasceu o meu filho. Comecei a levá-lo ao cinema com 2 anos e meio para ver o Winnie the Pooh, e agora, com 7 anos, levo-o também a ver filmes menos infantis, como o "Borat", que ele adorou. Mas, é claro, a maioria dos filmes que vejo, são em DVD, porque compensa mais comprar o DVD do que ir com a familia toda ao cinema. Mas tentamos ir ao cinema regularmente, porque todos cá em casa adoramos o grande ecrã, de preferência em formato Widescreen.

O meu filho devorou, por exemplo, os seis filmes da Guerra das Estrelas, e exigiu-me logo de seguida os respectivos jogos para PS2...

Também considero o "Ratatouille" o grande filme de animação de 2007. Mas acho que somos todos uma cambada de hipócritas... Porque afinal se eu convidasse o amigo para ir jantar comigo ao restaurante "Ratatouille", o amigo aceitava? Não me parece que o amigo gostasse de comer um prato confeccionado por ratos, por mais adoráveis que estes fossem... e eu também não...

Mas passemos adiante... Essa do ET telefonar para casa está muito bem apanhada... hehehehehe.. Quem me dera que o meu filho também se lembre disso quando for adolescente... hehehehe...

Quanto à entrevista que o Pedro Costa deu ao semanário gratuito "Sexta" (oferecido nas edições do público e da bola), acho que o indivíduo é presunçoso, não obstante a qualidade das suas obras cinematográficas. Não vejo mal nenhum fazer cinema tendo em vista um mercado mais vasto e com vista a atingir milhões de espectadores... Isto apesar de adorar filmes menos comerciais, sejam eles portugueses ou iranianos.

Para terminar, uma confissão:

Adoro ver a Soraia Chaves de chicote na mão... Que me importa que o Pedro Costa ache que aquilo não é cinema... O que me interessa é a Soroia... hehehehe

Só mais uma coisinha: O amigo de certeza que tem a sua vida ligada ao cinema... e não nos quer dizer... Vá lá, confesse... É crítico da sétima arte, não é???

Um grande abraço cinéfilo

dissidencias

# Janeiro 7, 2008 3:09

bluewater68 said:

bp63, os sócios do teu blogue devem ser os que mais escrevem neste SOL. Tinha jurado não dizer mais nada neste texto, mas depois do comentário da josefadobidos, não aguentei. Espero que a ASAE nunca imponha regras aqui.

:))) josefadobidos, se todos falarem como escrevem neste blogue, eu e os restantes seremos certamente verborreico compulsivos. Gosto do Woody apenas atrás das câmaras. Como actor, o tipo cansa-me a valer.

O Tim Burton (nem sei porquê) é o "Grande Peixe".

E se fundares o clube dos fãs da dupla "Meg/Tom", podes ter a certeza que eu serei o sócio nº1. No entanto, desde que a namoradinha da américa andou envolvida com um bruto ustraliano, ela nunca mais foi a mesma. Duvido que alguma vez, e infelizmente, volte a haver essa dupla.

Para breve, espero escrever sobre os grandes filmes românticos. Saliento que eu é raro gostar dos 'grandes' filmes românticos, e fico muito satisfeito com os 'médios' filmes românticos. Além dos da dupla "Meg/Tom", saliento

The Truth About Cats & Dogs* Toda a verdade sobre cães e gatos * (1996) Imperdível [http://www.imdb.com/title/tt0117979/]

The Family Man * (2000) [http://www.imdb.com/title/tt0218967/]

Serendipity * (2001) [http://www.imdb.com/title/tt0240890/]

bp63, estes excessos obrigam a pagamento de cota suplementar? creio que o valor de 365?/ano apenas dava direito a 40 comentários e/ou 36.000 caractéres

# Janeiro 7, 2008 10:14

bp63 said:

Jo

Em primeiro lugar não estou zangado com ninguém, nem com o cinema, nem com os críticos. Sobre estes quero acrescentar que nada me move contra eles, até porque eles exercem uma actividade que nós, amadoramente também o fazemos, que é transmitir uma ideia sobre as coisas, neste caso o cinema. Reconheço-lhe inclusive mais sabedoria técnica na matéria do que a maior parte de nós.

A única coisa porque me movo e tento chamar à atenção, é que a criação e arte estão para além das coisas convencionais. Fico desiludido quando vejo tanta criação, tanta inovação em determinados filmes e depois só porque fazem parte do entertainement são consideradas obras menores.

Mas não deixei de gostar do outro tipo de cinema, o menos comercial. Por força das circunstâncias, como expliquei, vejo menos, mas tento estar atento a tudo.

Dos nomes que referiu também gosto deles todos. Do Lars Von Trier já gostei mais.

Eu não preciso sempre de muito frenesim nos planos para gostar dos filmes. O André Techiné , por exemplo, é lento na forma como filma e gosto disso. Mas uma coisa são as imagens serem pausadas, outra são os actores e a acção estarem um pouco perdidos. Volto a repetir é uma forma e uma sensibilidade importante mas não a podemos considerar mais arte do que os outros mais frenéticos.

(este parágrafo é um 2 em 1 pois também é para o BW)

Tim Burton gosto bastante, sempre gótico mas ainda assim bastante original. Mesmo quando se rendeu ao tal dito cinema comercial deixou a sua marca. Planeta dos Macacos e Marte Atack (a melhor comédia de ficção-cientifica jamais feita) são disso exemplo. Ainda assim rendo-me sempre ao eterno Eduardo Mão de tesoura, um Frankenstein para crianças. Por falar disso ele está em pré-produção com Frankenweenie uma comédia de animação para a Disney baseada na sua curta gótica de 1984, seu segundo trabalho, sobre um menino que decide trazer o seu cãozinho de volta à vida no melhor estilo Frankenstein Franskestein. Pago para ver.

Ai a Meg, minha Meg. You have got a mail, adorei este filme. Aqui está outro género em que os Americanos fazem excelência (os ingleses também já dão algumas cartadas), a comédia romântica. Engraçado é que também é um género menor no cinema. Tirando o Harry Meet Sally, não me lembro de nenhum filme deste género, nos últimos 20 anos, ter ficado como referência cinéfila.

Sobre o Manel eu acho mais um filmador do que um cineasta. Para mim ele é um filmador literário ou teatral. Tem um estilo inconfundível. Quanto a cinema não quero falar. O senhor tem quase 100 anos e é uma lenda viva.

Quanto a lençóis, adorei o seu. Já o pus a corar para vir outro.

Beijo    

# Janeiro 7, 2008 21:04

bp63 said:

Dissi

Isto de ser mais inteligente? começo a suspeitar que me andam a querer dizer alguma coisa. Já é o 4º.

Realmente morar nas grandes cidades dá-nos todo um leque de perspectivas que não temos noutro sítio. Eu vivi até aos 18 numa pequena cidade e pude ver como tudo era limitado. Mesmo o Porto tem limitações. Alguns dos filmes que queria ver no ano passado só passaram em Lisboa.    

Quanto ao comer comida de rato presta-se a uma série de comentários brejeiros que irei evitar Smile no entanto não me quer parecer que pudesse haver essa hipótese. A nossa ASAE já tinha tratado do assunto e o restaurante estava encerrado.

Obrigado por esclarecer que a entrevista do Pedro Costa (eu li na versão online) saiu no jornal gratuito do Publico e não propriamente no jornal principal. Eu não desmereço o cinema dele (apesar de já ter saído antes do fim de um filme dele) mas não gosto de o ver a desmerecer o dos outros. Lembro-me em tempos, tinha ele feito só 1 filme ou 2, dele ter feitos umas considerações do David Lynch muito más.

A Soraia está a ficar a nosso pin up de serviço. Mas a Sophia Loren também começou assim. Em cinema o corpo também é um objecto, e se é belo a câmara gosta dele (as mulheres vão fuzilar-me).

Quanto ao estar ligado ao cinema, anda muito frio. Trata-se apenas de uma paixão, platónica talvez, porque nunca lhe pus a mão em cima. Para mim o cinema é como aquela vizinha que namorávamos secretamente na adolescência. No dia que ela sabia acabava-se o namoro. Lembrou uma canção do Chico ?A felicidade morava tão vizinha  Que, de tolo Até pensei que fosse minha?

Abraço

# Janeiro 7, 2008 22:02

bp63 said:

Dissi

Isto de ser mais inteligente? começo a suspeitar que me andam a querer dizer alguma coisa. Já é o 4º.

Realmente morar nas grandes cidades dá-nos todo um leque de perspectivas que não temos noutro sítio. Eu vivi até aos 18 numa pequena cidade e pude ver como tudo era limitado. Mesmo o Porto tem limitações. Alguns dos filmes que queria ver no ano passado só passaram em Lisboa.    

Quanto ao comer comida de rato presta-se a uma série de comentários brejeiros que irei evitar Smile no entanto não me quer parecer que pudesse haver essa hipótese. A nossa ASAE já tinha tratado do assunto e o restaurante estava encerrado.

Obrigado por esclarecer que a entrevista do Pedro Costa (eu li na versão online) saiu no jornal gratuito do Publico e não propriamente no jornal principal. Eu não desmereço o cinema dele (apesar de já ter saído antes do fim de um filme dele) mas não gosto de o ver a desmerecer o dos outros. Lembro-me em tempos, tinha ele feito só 1 filme ou 2, dele ter feitos umas considerações do David Lynch muito más.

A Soraia está a ficar a nosso pin up de serviço. Mas a Sophia Loren também começou assim. Em cinema o corpo também é um objecto, e se é belo a câmara gosta dele (as mulheres vão fuzilar-me).

Quanto ao estar ligado ao cinema, anda muito frio. Trata-se apenas de uma paixão, platónica talvez, porque nunca lhe pus a mão em cima. Para mim o cinema é como aquela vizinha que namorávamos secretamente na adolescência. No dia que ela sabia acabava-se o namoro. Lembrou-me uma canção do Chico ?A felicidade morava tão vizinha  Que, de tolo Até pensei que fosse minha?

Abraço

# Janeiro 7, 2008 22:05

bp63 said:

Blue

Parte do queria dizer já foi respondido ao comentário da Jo, nomeadamente sobre o Tim.

Ainda sobra a Meg Ryan o que é que a rapariga andou a fazer àquela cara. Ela tinha uma cara de menina e devia deixá-la passar para mulher adulta. Mas não foi meter-se nas mãos dos cirurgiões e zás, está inchada de silicone. Então aqueles lábios, eram tão bonitos., agora parecem umas ventosas. Será que não viu a personagem da Goldie no The First Wives Club?

Isto de ser namoradinha da América tem estes problemas. A Natalie Wood também teve o mesmo problema, até que se afogou de vez. Felizmente que a Júlia Roberts soube dar o salto.

Também gostei muito do ?Toda a verdade sobre cães e gatos?, um filmes simples, divertido e uma versão moderna do Cyrano de Berjerac.

Sobre o Allen, insisto, vê os Vigaristas do Bairro, ele está tão divertido. E nas Faces de Harry também está de mais, os diálogos dele com a prostituta e com a mão sobre religião são impagáveis.

Quanto à facturação, como aderiu ao plano noites de comentários sempre grátis, ainda tem muito crédito.

# Janeiro 7, 2008 22:24

josefadobidos said:

Há de factos notas reais curiosas. Ontem há tarde fui ás compras e vi lá um pack de filmes românticos da meg ryan: "a cidade dos anjos" (ultimo antes do silicone) e o "you've got mail". O cidade dos anjos é relativamente recente e vi não há muito tempo para aí pela 4ª ou 5ª vez. O outro já tinha visto nas calendas, mas mesmo nas calendas e estive a vê-lo ontem à tarde. E como é um filme também sobre livros.... melhor!

beijos

pôs o lençol a corar.... com este tempo??? isso é muito suspeito....

# Janeiro 7, 2008 23:10

josefadobidos said:

Já a "maluca" da Melanie Griffith também meteu silicone nos lábios. Xiiiiii, não lhe fica lá muito bem. Onde é que essas mulheres que eram tão bonitas (e em parte ainda são), andam com as cabeças?!?!

Venham mais posts cinematográficos e o dos filmes românticos do blue. Isso é que vai ser!!!!!

beijos

# Janeiro 7, 2008 23:15

KURIOSO said:

Bp63,

Está visto que lençol puxa lençol!

Felizmente são muitissimo interessantes, mas que levam tempo a ler, lá isso levam.

Notas:

1. Obrigado por corroborar a minha ideia de que podemos divertir-mo-nos no cinema sem sermos tolos;

2. Eu que já fui viciado em cinema, e pensei estar curado, andando por aqui sinto o vício renascer;

3. Em cinema, como em muitas outras coisas, ou percebo ou não percebo. Do que percebo, umas vezes gosto, outras não gosto. Do que não percebo, não posso gostar.

4. Quero acreditar que ao longo dos anos fui aumentando a minha capacidade de perceber, mas ainda não passa tudo...

Abraço,

Kurioso  

# Janeiro 7, 2008 23:36

bp63 said:

Por falar em silicone, havia um filme que era um autêntico retrato de humor negro de tudo isso, que se chamava A morte fica-vos tão bem,Death Becomes Her, com a Merly Streep, a Goldie Hawn e o Bruce Wills. Era genial.

Então a cena final demonstrava bem que elas não andavam com a cabeça no lugar. Ai não andam não.

A Meg Ryan devia despedir o cirugião plastico dela.

beijos

# Janeiro 7, 2008 23:39

bp63 said:

Kurioso

Do cinema nunca nos curamos, será que causa dependência?

Sobre a diversão e não sermos tolos, pode ser mesmo o contrário, pois ao divertir-nos ficamos melhor para pensar e agir, já dizia o Owasldo Montenegro numa canção chamada Incompatibilidade.

?Do que não percebo não posso gostar? Certíssimo. Será por isso que acho que muita gente finge gostar, para dar entender que perceberam. A velha história do rei vai nu.

Mas é isso que diz, o perceber também é insistir, vamos evoluindo. Por isso não devemos rejeitar nada.

Abraço

# Janeiro 7, 2008 23:46

bp63 said:

Não consegui arranjar o video do Oswaldo Montenegro mas fica aqui a letra da Incompatibilidade:

E bate louco, bate criminosamente

O coração mais do que a mente, bate o pé mais do que o corpo poderia

E se você mentalizasse na folia

Sabe lá se não seria a solução prá de manhã pensar melhor

E caso fosse a incompatibilidade entre o corpo e consciência

Iria desaparecer, você não vê

Como o corpo preparado pode ser iluminado

Como a luz de uma fogueira que precisa se manter

E atingido pela plena consciência

De que o corpo em decadência faz a tua consciência esmorecer

Pelos poros elimina-se o que o corpo não precisa

E não precisa pra pensar e abdicar esse prazer

Se você dançar a noite inteira não significa dar bobeira

De manhã se alienar ou esquecer

É a busca do supremo equilíbrio, num processo inteligente sua mente

clarear sem perceber

E a intelectualidade

Pode Dançar sem receio

Descanso é pra alimentar

E trabalhar sem anseio

Eu tô olhando pra ponta

Mas não esqueço do meio

Quem acha o corpo uma ofensa

Falo sem demagogia

Pode dançar essa noite

E amanhã pensar quem diria

Quem não entendeu eu lamento

Espero que entenda algum dia aaahhhhhh

E bate louco bate criminosamente...

# Janeiro 7, 2008 23:50

eeu said:

Vou tentar outravez:

Actualmente, desde que fui mãe para falar a verdade, desactualizei-me completamente (mas vi o Blue sem bigode no domingo, naquela mistura de filme e animação sobre os esquilos. A minha filha adorou os esquilos. Eu achei que o Blue sem bigode até é um tipo giro... rsss)

Antes do DVD e da filha, tinha umas 300 cassetes gravadas e a maioria eram os clássicos. Adoro a estética dos anos 30, 40, 50, 60... parou !

E pela estética um filme inspira-me, não importa se é comercial ou não. Mas posso esquecer a história pouco depois...

Porque a mim o que me seduz é a história, os diálogos. Lembro-me até hoje de ter apanhado um filme em andamento na Tv, francês, cuja história era a de um homem e uma mulher que se tinham acabado de conhecer e o filme era feito só com o quarto como cenário. Mas os diálogos ! Não sei o nome, nem os actores (a minha memória não é lá essas coisas...) mas nunca mais esqueci como me tocou.

E se me toca de alguma maneira, para mim é arte, não importa a intenção inicial.

O que não gosto mesmo -e trabalhar com aspectos artísticos que também são usados no cinema tem essa desvantagem do defeito profissional- é quando detecto qualquer falha que não torna o filme credível. Porque aí já não consigo ser arrebatada por ele e passo a ter uma visão demasiado crítica. Estraga tudo.

Nesse ponto o ininteligível David Lynch dá-me sempre a volta.

E claro que gosto da neurose do Woody Allen porque me identifico muito com ela.

Mas os meus favoritos, estão lá atrás no tempo...

Ufa, agora vai !

eeu

# Janeiro 7, 2008 23:59

josefadobidos said:

A morte fica-vos tão bem foi dos melhores filmes que vi com o bruce willis. Esse e a fogueira das vaidades, que bem vistas as coisas, até tem tudo a ver.

# Janeiro 8, 2008 12:44

chabeli said:

Olá bp

Os teus posts são duplamente interessantes. Primam pela forma ( escreves bem) e escolhes matérias aliciantes, ou seja o conteúdo concorda com o formato. Daí eu deixar, sempre ,para o final da viagem (pelos blogs).

Não gosto de fazer "chapa5" leio e volto a ler. Concordo no essencial com a tua exposição,  não sou do género elitista, com um discurso que roça por vezes o ridículo, de tão cuidado que quer ser, por isso revejo-me na tua apologia, face ao cinema. Creio que o cinema de hoje não é de todo o cinema que se via antes...são os tempos modernos. Devo referenciar que gostei muito de um filme que me veio à ideia, agora...Cinema Paraiso e, ontem ,fui ver um que deixo aqui a ficha técnica : ( in cine cartaz do publico) .

O Assassínio de Jesse James pelo Cobarde Robert Ford

Título original: The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford

De: Andrew Dominik

Com: Brad Pitt, Mary-Louise Parker, Brooklynn Proulx, Casey Affleck

Género: Dra, Wes

Classificacao: M/12

EUA, 2007, Cores, 160 min.

Eu gostei muito, pese embora o facto de ser (quiçá) um pouco monótono. Mas se foste ver gostava de ouvir a tua opinião. Eu gostei, sobretudo, pela mensagem, interpretação, e fotografia...mas eu sou muito leiga nesta matéria...mas de espírito aberto para aprender, sempre!

Abraço

Chábeli

# Janeiro 8, 2008 17:35

gomes2000 said:

sabe bp, comentando a sua resposta;

eu TENHO que ver esse filme do ratinho. Já vi o documentário das filmagens e deve ser mesmo uma tortura giríssima!!!

E confesso que adoro cozinhar. Mesmo.

Outras tarefas domésticas já nem tanto, essas sim, vejo como obrigação.

Agora, cozinhar para mim/ it's a pleasure!

O Ratatouille deve ser o maximo.

(já agora por curiosidade, se conseguisse a "sua" sala de cinema colocava ou não uma maquina de fazer pipocas??)

Beijinhos

# Janeiro 8, 2008 19:40

OlindaGil said:

Adoro cinema... o Fellini, o Spielberg e o Almodôvar são dos meus preferidos.

Mas o meu actor mais estimado é o Dustin Hoffman.

Beijinhos

# Janeiro 8, 2008 20:04

desabafosdaminda said:

Sempre gostei de cinema, mas pouco o frequentei e, durante muitos anos, pouco vi!

Em casa dos meus pais, por militância cultural, não havia televisão?

Ir ao cinema nessa época era um luxo a que raras vezes tinha acesso? os meus pais eram os dois professores e os ordenados no antes 25A74 eram demasiado pequenos!

Fui mãe, pela primeira vez aos 21 e pela segunda aos 30, o que se traduz em duas décadas de filmes de desenhos animados e/ou infanto-juvenis!

Não sei se por causa disso, ou porque é essa a minha natureza, adoro desenhos animados!  Ainda hoje, sou capaz de ir sozinha vê-los (ainda tento convencer alguns amigos, mas normalmente em vão!)?

Estou ?estalando? que a Lia nasça e cresça para eu ter desculpas justificáveis!!! Rsrsrs

Gosto sempre, tanto, de ler o que escreves!!!

Beijocas

Minda

notinha: e os míudos pequenos ainda nem comem pipocas nem sorvem refrigerantes, não atendem telemóveis...

# Janeiro 8, 2008 20:04

bp63 said:

EEU

Clássicos! Para mim é complicado, há alguns que gosto, outros que nem tanto e tenho algumas embirrações de estimação. Se falar aqui no Casablanca sou excomungado.

Relativamente ao ditos clássicos realmente a estética é talvez o mais importante e aquilo que imutável no tempo. Todo o resto envelheceu, inclusive alguns diálogos. Como já referi os filmes envelhecem mal, porque são obras com uma componente técnica muito grande e isso começa a ficar ultrapassado com a evolução do tempo.

Se repararmos nos ângulos de filmagem e na montagem vemos que os filmes hoje são muito mais exigentes e criativos. Não invalida que os antigos possam ser bons, mas o problema é que o olho, o receptor primário priviligiado, evoluiu também e a imagem que capta já é a mesma que captava.

Talvez por isso o lugar bom para esses filmes é no pequeno ecrã que por ser pequeno compõe mais a coisa. Claro que O mundo a seus pés, do Wells, Do céu caiu uma estrela, do Kapra, A leste do Paraíso, do Kazan, e os Inadaptados, do Huston (só como exemplo9, são para mim filmes de eleição e como-me sempre que os vejo.

Mas continuo a afirmar que se fizeram coisas más e que agora a malta engole por ser clássico. Faz lembrar alguns tipos de música que eram maus e depois com tempo até já são considerados clássicos.

Quanto ao pormenor técnico que falha e estraga tudo, quando o vejo, se o filme for envolvente, acabo por esquecê-lo. Se o filme não me agarrar, então aí vejo aqui á lupa e fico mais critico do que uma sogra quando o filho único lhe apresenta a futura nora. Smile

Beijo

# Janeiro 8, 2008 20:47

bp63 said:

Jo

Fogueiras das Vaidades. Ui!

Achei uma má adaptação do livro mas gostei muito do filme. Acho que ele reinventou o livro.

Quando li o livro, que adorei (talvez o livro americano que mais gostei) achei que ninguém ia conseguir pôr aquilo no cinema. E realmente não conseguiram, por isso Brian de Palma deu a volta e reescreveu aquilo tudo. Foi o primeiro grande papel do Tom Hanks. Fartei-me de dizer isso (pena que não tenha ficado escrito). A critica arrasou-o por ser demasiado apalhaçado, ser um comediante sem credibilidade para o papel. No ano seguinte estava de joelhos perante ele quando interpretou Filadélfia. Caricato não é?

# Janeiro 8, 2008 20:52

bp63 said:

Obrigado Chabeli.

Sobre o Cinema Paraíso é aquela coisa, não é (o Blue que não nos oiça senão vai vir já aí a derreter e meter um vídeo do dito para choramos todos Smile.

Já agora o dia que poder espreitar o Splendor do Ettore Scolla veja porque é também é muito bom e enquadra-se no mesmo sentimento nostálgico do cinema.

Este último do Brad Pitt, ainda não vi. Tenho alguma curiosidade mas como o tempo para ir ao cinema é pouco e estou a ser muito selectivo, não sei. Se calhar ficará para o pequeno ecrã e deve ficar mal, tenho ideia que é um filme com uma fotofrafia para ser apreciado em grande.

Quanto ao ser leiga, somos todos. Apenas deixamos ficar as nossas impressões. É isto que fazem todos os amantes. O resto fica para os profissionais, mas este cantinho não é deles (acho eu).

Abraço

# Janeiro 8, 2008 20:59

bp63 said:

Gomes

Realmente cozinhar é bom, mesmo muito bom, quando não é por obrigação.

Sou um pouco como o rato, gosto de transformar a cozinha num processo de alquimia. Bom, num caos também.

Quanto às pipocas não sou fundamentalista. Não gosto muito do cheiro, mas pronto.

Na minha sala haveria uma máquina selectiva e inteligente que funcionaria com o seguinte programa:

- Se eu estivesse só não funcionava, mesmo que eu estivesse guloso e quisesse.

- Se tivesse crianças comigo, porque não? Gostaria que elas se sentissem bem. Mas emitia pacotes consoante o tipo de filme e consoante o peso delas ? faz-me impressão ver entrar crianças obesas com pacotes XXL no cinema.

- Se tivesse companhia adulta e ela quisesse muito, só se o filme tivesse muitas explosões e coisas assim para que mastigasse as pipocas quando os efeitos especiais tivessem a correr.

- Filmes calmos, em que o importante é mesmo os diálogos, a maquina não funcionava.

Mas também podia adoptar a modalidade de comerem as pipocas à porta.

Sobre as pipocas tenho uma provocação:

- Muito do cinema que temos hoje a elas (e não só) o devemos ? será objecto de um post lá mais para a primavera que mistura pipocas, guerras das estelas, ET, cinema moderno e pornografia.

Com esta me vou

Beijinhos

# Janeiro 8, 2008 21:15

bp63 said:

Olinda

Spielberg, Fellini e Almodovar, parece que andou a copiar o meu triângulo dourado. São os meus 3 cineastas de culto.

beijo

# Janeiro 8, 2008 21:16

bp63 said:

Minda

Também descobri o gosto pela animação depois de adulto e com filho.

Agora que ele está a crescer e não quer dar muito importância a esse tipo de filmes estou sempre a azucrinar-lhe a cabeça para irmos ver. Vendo-lhe cada história, que o realizador é importante, que vai ganhar um Óscar, sei lá. Mesmo assim não o convenci, até agora, a ir ver o Bee Movie.

Deixa lá, quando a crianças não quiserem ir, vamos nós os 2, inventamos uma desculpa, tipo a criança está ali mas já vem.  

Quanto ao comportamento prefiro mesmo o das crianças aos dos mais adultos armados em parvos que falam, mastigam alto e sorvem a coca-cola.

Beijito

# Janeiro 8, 2008 21:24

bp63 said:

Agora que este post começa a sucumbir no tempo ficam-me 2 pequenas coisas a roer e que me levam a 2 questões:

- 4 comentaristas directamente ou indirectamente acabaram por chamar-me de inteligente, sabe tudo, etc ? Que imagem afinal projectamos nós nas palavras para que um parco conhecimento ou uma ignorância mais colorida possa ser confundida com o excelentismo saber?

- vários referiram que gostaram muito apesar de não ter percebido muito bem ? até ponto é que uma escrita pode ter valor quando o potencial destinatário, apesar de embriagado pelas palavras, não encontrou nelas uma mais valia de apreensão?

Com este existencialismo de farinha amparo, me vou!

# Janeiro 8, 2008 23:58

gomes2000 said:

eu até nem gosto muito de pipocas...

beijinhos

# Janeiro 9, 2008 9:45

gomes2000 said:

eu até nem gosto muito de pipocas...

beijinhos

# Janeiro 9, 2008 9:45

anatarouca said:

Bp63,

grande texto... tem frases fantásticas sempre com uma pitada de humor que muito aprecio... tenho andado afastada mas sei que tenho perdido grandes posts, vou tentar pôr a leitura em dia.

Sempre gostei dos filmes de animação, mesmo quando já adulta mas ainda antes de ter filhos, procurava no cinema as versões não dobradas. Depois de ter filhos, então, comecei a coleccioná-los. Ainda não vi o Ratatoille mas agora fiquei com vontade!

Beijos

Ana Tarouca

# Janeiro 9, 2008 11:55

bp63 said:

Gomes

Pra quem não gosta as pipocas até vieram em dose dupla Smile

# Janeiro 10, 2008 22:30

bp63 said:

Olha a Ana T.

Bons olhos a vejam. Quando voltam em força aquelas fantasias todas? Para eu ir lá buscar inspiração.

Também fiquei um fã do cinema de animação. Não fui criança na altura certa, fiquei agora. Normalmente são os piores!

Beijo

# Janeiro 10, 2008 22:32
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