Oscares - And the nominees are ? Palpitar à Portuguesa
Falar do que não se sabe. Desporto preferido dos portugueses. Eu, como portuga de gema, assim vou fazer. Afinal, se andou meio mundo a discutir Ota versus Alcochete, como se de um Benfica-Sporting se tratasse, sem perceberem a mínima do que é um investimento público estratégico, porque não eu também botar faladura. E não estou a falar do Zé Povinho que gosta sempre de subir ao táxi das reclamações e endireitar este país em menos de um fósforo. Estou a falar daqueles que vestem o seu melhor fato Massimo Duti, em saldos, ou seu tailleur tipo Channel, da sua modista de estimação, e vão à televisão participar em debates sem nunca terem lido a ponta de um corno de um dossier que seja.
Assim, minhas senhoras e meus senhores, vou falar dos Óscares de 2008. Mas o que tem o Óscar a ver com a Ota e Alcochete? Tudo. Assim como assim, não tenho grande conhecimento da matéria de ambos, pois a maioria dos filmes ainda não estrearam. Além disso, vou mandar palpites sobre quem devia ganhar ou perder, sem ter visto quase nenhum filme. Porque não? Faz bem ao fígado e sempre parece que somos um bocadinho cultos.
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Faço também um desafio àqueles que por vezes me comentam, quando escrevo sobre cinema, e me dizem que não podem falar muito porque não vão ao cinema ou não viram os filmes. Força rapaziada, animem-se, falem disto tudo, ou de qualquer outra coisa, mesmo que não tenham ideia nenhuma do que se fala, mesmo que possam pensar que Juno é apenas uma das minhas gralhas ao escrever um mês do ano. Afinal se os eruditos e as elites o fazem, porque não nós, simples mortais bloguianos?
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And the nominees are:
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Melhor Filme |
 Podemos passar já para a categoria seguinte que a coisa já deve estar resolvida por aqui, com o Óscar na mão de um não sei quê producer lá por volta das 5 da matina, Oporto time, pelo seu belo trabalho em Expiação. Não é que o filme seja mau, esperava muito pior (afinal menti, já vi alguns dos nomeados, mas poucos), mas não deixa de ser um exercício muito académico, todo direitinho a abrir caminho para a passadeira vermelha. É uma bonita história de amor, mas que passada a rodagem das salas e dos dvd’s já toda a gente se esqueceu. Alguém ainda se lembra do Paciente Inglês? É um filme que se vê bem em sala, boa fotografia, grandes planos, boa música e afinal uma história de amor cai sempre bem. Tenho uma teoria: Em determinados filmes há cenas que são definidas em função do Oscarómetro, aparelho que mede a probabilidade de a cena piscar o olho á Acadamia e assim derreter o coração do homem nu agarrado à espada. Vamos lá ver, este plano em profundidade do homem na guerra com uma musica de fundo tem 17º graus do Oscarómetro, vamos fazê-lo. Mas é pena que a estatueta expione para esse lado. Cheira-me que o País do tio Óscar não é para velhos, o filme do Ethan Coen e Joel Coen, o meu grande palpite em termos de “encher as medidas”, vai ficar de fora, tal como a comédia Juno, que parece ser bastante desconcertante e ser, talvez, a Miss Sunshine deste ano. Digamos que será tudo Uma questão de consciência, não do Michael Clayton, mas dos votantes e Haverá Sangue se a escolha sair daquilo que está previsto. Só espero que seja ano de Colisão com uma boa surpresa. |
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Melhor Realizador |
 Como Joe Wright, o realizador de Expiação, ficou de fora, o que faz sentido pois o homem só vai no 2º filme, pode haver aqui mais justiça e os irmãos Coen (Este País não é para velhos) ou Paul Thomas Anderson (Haverá Sangue) podem subir ao palco para agradecer à mãe e ao periquito. De fora deve ficar Jason Reitman (Juno) pois além de vir com uma comédia, género mal amado da Academia, é um realizador bem comercial, vejam lá que o homem até já andou no Jardim Escola com o Arnold Schwarzenegger. A haver surpresa pode vir do Tony Gilroy (Michael Clayton - Uma Questão de Consciência) que terá assim uma compensação pela falha de não obter o prémio do melhor filme. O verdadeiro outsider é Julian Schnabel (O Escafandro e a Borboleta) que não obstante falhar as categorias principais é o grande vencedor, pois vem, apesar de ser americano, a concurso com uma co-produção francesa, a história do editor da revista Elle que comunicava através do piscar do olho esquerdo após um AVC. Uma curiosidade PRIMEIRINHA, o actor principal deste filme, Mathieu Amalric, vai ser o vilão do próximo 007. |
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Melhor Actor |
 Só 2 dos nomeados George Clooney (Michael Clayton - Uma Questão de Consciência) e Daniel Day-Lewis (Haverá Sangue) fazem parte dos filmes principais. A restante rapaziada Johnny Depp (Sweeney Todd: O Terrível Barbeiro de Fleet Street), Tommy Lee Jones (No Vale de Elah) e Viggo Mortensen (Promessas Perigosas) fazem parte dos filmes esquecidos nas nomeações principais e que, na boa verdade, se calhar mereciam lá estar. Os palpites dos experts vão todos para o menino Daniel na sua vertente petrolifeiro vigarista do antigamente (vigarista no petróleo, será assim tão antigamente???). Dizem que é um excelente papel. Não sei, ele já tem uma estatueta lá na lareira de casa, não deve precisar de outra, a não ser que as queira tipo galheteiro. Eu tenho cá uma fezada no Johninho piratão saltitão Depp, não só porque é uma forma de compensar a ausência de Tim Burton na corrida, como se mata 2 coelhos de uma cajadada, pois premeia-se o Barbeiro e os Piratas das Caraíbas ao meu tempo. Afinal foi uma das melhores composições de Depp, que só não foi premiada anteriormente porque está associada a um filme de cowboiada geral, ainda que os cavalos sejam as caravelas. |
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Melhor Actriz |
Aqui a questão deve resumir-se numa luta entre 2 pesos pesados da representação. Afastem as cadeiras, ponham a lama no ringue, que a Cate Blanchett (Elizabeth - A Idade do Ouro) e a Julie Christie (Away from Her) já vêm aí de biquini para a luta final. A Marion Cotillard (La Vie en Rose), Laura Linney (The Savages) e a Ellen Page (Juno) apenas vão fazer parte da assistência desta luta de boas galinhas, bater palmas, fazer um sorriso amarelo e, quanto muito, aspirar os cabelos arrancados. O meu coração dava o senhor nu com espada todinho à menina Cate, esta australiana que parece inglesa. O filme é um pastelão histórico, mas ela aparece e está tudo dito. Faz parte daquelas mulheres que bastam dizer “I had a farm in Africa” e já nos partiu completamente. O seu grande inconveniente é que está nomeada 2 vezes, e normalmente a dobradinha cai mal no estômago hamburgueriano dos Académicos e perde-se pau e bola. Assim, Julie Christie deve dormir nessa noite agarradinha ao tal homem nu e à sua espada e sabe-se lá que mais. Apesar da grande carreira não tem um grande palmarés de filmes, repartindo-se entre séries de TV e filmezitos menores, mas como será sempre a eterna Lara de Dr. Jivago, a Academia não a vai esquecer. O facto de ela ter contribuído para avalanche de Laras nos registos civis portugueses é mais um motivo para eu embirrar com a senhora, mas pronto, deixa-la lá fazer os agradecimentos do costume. |
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Melhor Actor Secundário |
 Casey Affleck (O Assassínio de Jesse James pelo Cobarde Robert Ford) apesar de já lá ter o maninho Ben, não deve levar a melhor, porque tudo aponta para que, na noite de 24 de Fevereiro, se assista a mais um assassinato do inglês pela boca de um espanhol nos agradecimentos. Javier Bardem (Este País Não É Para Velhos) vai pôr, por certo, toda a academia a dizer “mas que raio o que é ele está a dizer?”. Philip Seymour Hoffman (Jogos de Poder) só não sobe ao podium porque já subiu antes com o seu Capote. Hal Holbrook (O Lado Selvagem) e Tom Wilkinson (Michael Clayton - Uma Questão de Consciência) baterão palmas. |
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Melhor Actriz Secundária |

Bom, se ao menos nesta categoria a Cate Blanchett (I'm Not There.) não mostra a sua farpela Versace ou Armani agarrada ao homem da espada, eu juro que me vou passar. Mas juro mesmo. Começo já aqui uma greve tal, que não vai haver lençóis nos próximos 2 anos. Qual greve de argumentistas, qual quê, não haver lençóis a serem estendidos na janela do SOL tem mais impacto do que aqueles senhores lá nos states, que fecharam as máquinas de escrever porque afinal queriam ganhar uns cobre à custa das suas próprias ideias. Onde é que já se viu isto, querer ganhar dinheiro à sua própria custa? Deviam ter vergonha naquela cara, toda a gente sabe que o trabalho intelectual serve para dar a ganhar aos outros, vem em qualquer manual de economia e boas maneiras. Voltando à Cate, o seu Bob Dylan tem que estar soberbo. Sinto-me sempre como o anão Gimli do Senhor dos Anéis, em que considerou o cabelo oferecido pela Galadriel (Cate) a melhor coisa do mundo. Hoje acordei para aqui, um lambe-botas da senhora (podia fazer aqui uma piada brejeira sobre esta actividade nobre de lamber, mas não faço, afinal entre mim e o Quim Barreiros ainda vai uma pequena distância, nem que seja o acordeão). Ruby Dee (Gangster Americano), Saoirse Ronan (Expiação), Amy Ryan (Vista Pela Última Vez...), Tilda Swinton (O Natal dos Nove Cães) terão que ser mesmo figurantes nessa noite. Só uma excepção os pode fazer levantar o rabo da cadeira, é se a senhora Cate subir na categoria principal e deixar a Julie a roer as unhas à conta de todas as meninas baptizadas de Lara por esse mundo fora. |
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Melhor Argumento |
Dividido em 2 classes, Adaptado ou Original, é das categorias que mais gosto, não sei porquê. No adaptado, naquele em andaram a copiar o que outros escreveram, Expiação deve vir à baila outra vez, não só porque tem um bom romance de um bom escritor na sua base, Ian McEwan (aqui falo por conhecimento próprio), como também a adaptação conseguiu uma narrativa muito própria conseguindo uma leitura autónoma. Mas é no Original que eu ponho todas as minhas energias. Já tenho aqui um cartaz enorme para empunhar e gritar RATATUI, RATATUI! Não sairei da minha varanda mas pode ser que lá para os lados dos Hollywood me oiçam, afinal se aquilo são Los Angeles, que mesmo não tendo sexo devem ter bons ouvidos supersónicos. Ratatui é, para mim, o filme do ano. Não tiveram a coragem de o nomear para melhor filme, mas o facto de obter 5 nomeações e ser o 5º filme mais nomeado da noite alguma coisa deve querer dizer. Normalmente os filmes de animação não saem da categoria própria e das canções, só me lembro do Bela e o Monstro ter sido excepção ao ser nomeado para Melhor Filme. Temo que seja o Michael Clayton a levar a melhor. Se fosse o Juno talvez também não fosse mal, parece-me que deve ser bem original. |
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Categorias Técnicas |
Os chamados Óscares menores. Para mim são maiores, porque normalmente são estas categorias que marcam a diferença entre ver um filme em DVD ou no grande ecrã. A grandiosidade da Cenografia, a profundidade da fotografia ou excelência dos efeitos especiais não são os mesmos visto num ecrã de 80 cm ou de 8 metros. Expiação deve embolsar a Fotografia, Cenografia (Direcção Artística) e talvez até o Guarda-roupa, se bem que neste último a Elisabeth tenha hipóteses, nada como umas saias a arrojar para que todos façam vénia. Transformers lá deve levar o senhor dos efeitos-especiais e do som, sim, porque um filme destes não é digno de entrar pela porta principal, digamos que vai receber o Óscar pela escada de serviço. Ultimato tem na categoria da montagem o prazer de fazer a sua própria expiação. Só mesmo o preconceito do filme de acção o pôde afastar de outras categorias, ditas principais. Claro, que o dia em que o realizador ganhar o Óscar por uma obra mais épica, e não deve faltar muito para isso acontecer, todos se vão inclinar e dizer que afinal a mestria já lá estava toda quando ele filmou este jogo de espiões. |
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Melhor Filme Estrangeiro |
Para terminar, quero só aqui deixar o meu protesto contra as poderosas indústrias cinematográficas do Cazaquistão, Mongólia, Áustria e Polónia, que face à sua grande máquina impedem países tão talentosos, como Portugal, de ter uma nomeação. Só assim se explica que estes países tenham filmes nomeados na categoria do melhor filme estrangeiro. Apontam Os Falsificadores (Áus) como potencial vencedor, mas cá para mim vai ser Katyn (Pol), ou não tivesse Andrzej Wajda em jogo. Claro que se os ditos lobbys funcionarem Beaufort de Israel terá grandes hipóteses, isto se não houver uma cabeça de cavalo a sangrar nalguma cama de um influente membro da Academia e assim sair vencedor 12 da Rússia. Surrealista seria mesmo Borat entregar o prémio a Mongol do Cazaquistão. |
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Mas tudo isto é meramente secundário, quando comparado com os Oscaritos. Mas que raio o que são os Oscaritos? São uns prémios que este alucinado inventou o ano passado e foram tão especiais, tão especiais que ninguém os viu. Assim, tipo invasão diária de elefantes disfarçados no Terreiro do Paço. Para matar a curiosidade, enquanto não vos mato a paciência com a edição de 2008, ver aqui os de 2007:
o OSCARITOS - Os prémios que chocaram a América;
o OSCARITOS - Mais um fornada
o OSCARITOS a sombra dos OSCARES - O Veneno Final
Vamos lá ver se os Deuses me inspiram para a edição dos Oscaritos 2008, pois o ano cinematográfico em causa, 2007, não foi lá muito inspirado.
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