SOL

Imagens caídas

Uma imagem vale mais do que mil palavras. Porque não fazer o contrário? Com as palavras construir e falar de imagens.

News

Às Compras, Às compras, Sobre a Terra, Sobre o Mar! - Cenas Cortadas 2

Vai uma aposta?! Cortar o oxigénio ou o cartão de Crédito, em qual das 2 situações se dá primeiro uma entrada num Hospital para reanimação? Quase que arriscava a segunda, tal é o vicio de comprar e comprar. Compramos o que precisamos, o que não precisamos e aquilo que alguém nos fez crer que íamos precisar. Para satisfazer o vício temos que entrar nos “casais ventosos” do consumo, os ditos shoppings, enfrentar a selva dos consumidores concorrentes e fazer uma luta labiríntica para que os dealers satisfaçam os nossos desejos, antes que entremos numa convulsão de abstinência.

.

Nessa nossa árdua tarefa vamo-nos deparando com determinadas situações que balançam entre o caricato e o ataque cardíaco histérico, sempre ao som das teclas dum Confirme, Ok, Código, Ok.

.

Assim, retomo as Cenas Cortadas do Filmezinho das Nossa Vidas onde trago, com alguma imaginação pelo meio, passagens da minha passagem pelo submundo do consumo. Uma comédia pouco sexual numa tarde de Inverno.

.

      

2 Os saldos são a época das pechinchas. Como se não bastasse tudo o que comprámos no Natal, em que o stock das nossas casas foi recheado das coisas mais desnecessárias ao efectivamente necessário elevado ao quadrado, desaguamos de imediato numa outra época em que voltamos a encontrar as mesmas coisas, mas agora a preços muito mais baratos, mostrando como fomos levados há meia dúzia de dias atrás. O pior de tudo, é que mesmo assim voltamos a comprar. Porque precisamos? Não, porque é mais barato. Grande fado, somando todos os baratos que adquirimos chegamos mais tarde à triste conclusão que afinal adquirimos um longo caro.

"""

Pedro e Paula finalmente conseguiram entrar no parque do centro comercial. Depois de terem perdido imenso tempo em ir levar o pequeno Miguel à casa da avó, não só para o pouparem da confusão, mas também para evitarem o seu eterno ataque súbito de pedir alguma coisa completamente despropositada, ainda tiveram que esperar quase uma hora para poderem entrar no piso -3 do mega parque de estacionamento, pois todos os outros estavam completos. O problema é que também este parecia estar cheio, apesar do indicador electrónico apontar o contrário. Ninguém compreende porque depois do tsunami de compras do natal, em que as pessoas se enchem de tudo e de nada, passado uns dias voltam todos em massa às catedrais das compras para se atafulharem de novas coisas. Paula jurava que estava a precisar de algumas peças novas de vestuário. Todas as manhãs abria o roupeiro e não via lá nada. Pedro jurava o contrário.

"""

Já tinham dado duas voltas ao piso – 3 e nada. De repente viram um senhor com um carrinho de compras dirigir-se a um automóvel. Antes de colocar qualquer compra no carro abriu a porta de trás e colocou a criança que o acompanhava no assento. Ia sair, pensaram Pedro e Paula. Foram de imediato para o seu lado a aguardar a sua saída. O senhor, com aspecto de ser avô da criança, colocou cada compra meticulosamente no carro, como se estivesse a arrumar já a própria despensa de casa. Depois de algum tempo, e também de algum desespero por parte do par candidato ao lugar de estacionamento, o Senhor do Lugar fechou a bagageira e dirigiu-se novamente para a porta de trás do carro. Para grande espanto de Pedro e Paula retirou a criança do carro e retomaram o caminho para o Centro novamente.

- Ah, estavam à minha espera?! Eu não vou sair – comentou o senhor quando passou por Pedro e Paula e os viu com um ar de quem ia explodir. – Se calhar por meter a criança no carro pensaram… sabem eu meto-o lá sempre, enquanto arrumo as compras, porque tenho medo que ele me fuja e se meta à frente dos carros. Já sabem como são as crianças…

Pedro nem deixou acabar a frase arrancou furiosamente. Não se sabe o que fez mais fumo, se os pneus se os seus olhos de tanta raiva.

- Dez minutos à espera que o imbecil arrumasse as comprinhas todas direitinhas para depois ir outra vez passear – disse Paula, enquanto ruía as unhas para não sair do carro e começar à estalada ao pobre senhor. – Como eu gosto destes Mr. Security, deve ser do tipo que antes de dar uma queca dobra a roupinha toda muito bem.

Viram novamente uma pessoa a dirigir-se para um lugar de estacionamento.

- Vai sair? – perguntaram ambos em coro, o que quase assustou a senhora por ouvir a frase bem forte e em estereofonia. Mesmo assim ela acenou afirmativamente.

Não tinha muitas compras para colocar, apenas 2 sacos, o que indiciava uma certa rapidez. Engano. Depois de entrar no carro, a senhora procurou durante algum tempo um objecto que teimava em não encontrar. Quando o encontrou ainda foi tempo de se olhar no espelho e dar um jeito no cabelo. Finalmente a luz de marcha-atrás. Ela ia sair. E como ia sair! Ao contrário do que fazia supor encetou uma manobra complicada de marcha-atrás numa trajectória colidente com o carro de Pedro.

- Olha-me esta gaja, com tanto espaço para o outro lado tinha que fazer a manobra para aqui. Mulheres! Nunca acertam com uma marcha-atrás. – Resmungou Pedro. Paula fingiu que não ouviu. Pedro recuou um pouco para facilitar a manobra. Paula ruía ainda mais as unhas. Pedro voltou a recuar um pouco mais, porque o espaço para a senhora fazer a manobra ainda era insuficiente. Quando por fim ela conseguiu ter o carro em condições de arrancar, tinha um outro em frente que não a deixava prosseguir. Talvez por isso o terceiro carro não esperou mais e ocupou o lugar deixado livre pela senhora.

Antes de Pedro poder comentar o quer que fosse já Paula estava a bater com a porta do carro e a sair disparada em direcção ao ocupa motorizado que tinha agora aparecido. Nem que fosse com os dentes, como um doido qualquer dos records, mas ela havia de arrastar aquele carro do lugar que era seu.

- Se calhar estava à espera do lugar, não? – referiu o condutor ao sair. Paula ficou com todas as asneiras, que estavam em fila de espera na sua boca, entaladas. Não teve coragem. Do carro saiu um simpático casal, que se não fosse octogenário parecia que caminhava para lá ainda mais rapidamente do que o acto de rapina do estacionamento.

"""

Quando um jovem casal desceu a escada rolante e foi abordado por uma senhora que lhe ofereceu 5 euros pelo seu lugar de estacionamento, pensaram que era uma partida de um qualquer programa estúpido de televisão, ou que se tratava de uma louca, tal era o ar alucinado da proponente. Mas não, Paula estava mesmo decidida a arrancar um lugar de estacionamento a qualquer custo e nada melhor do que ficar ali, mesmo à entrada do parque, captar a sua presa. O casal acedeu, não se sabe se por temor de estar a ser filmado para televisão, se por temor de não contrariar alguém que parecia estar à beira da loucura.

"""

Quando finalmente Pedro e Paula pisaram terras do patamar de cima, já a hora de almoço ia alta.

- O melhor é comermos já qualquer coisa, para depois ficarmos com o resto da tarde livre para as compras.

Pedro tremeu quando ouviu aquilo do resto da tarde. Era sinal que a mesma ia ser muito longa, com um entrar e sair das lojas a um ritmo superior ao que um comum mortal, ele, aguentaria.

- Comemos uma sopa e uma salada, que além de ser mais rápido não faz tão mal como essas coisas todas gordurosas que andam por aqui.

O cenário piorava com mais esta sugestão de Paula. Bem que preferia as tais coisas cheias de colesterol a uma refeição dietista. Afinal não era ele que queria caber dentro uma blusa XS no início do Verão.

- Sim, mas com batatas fritas – precisou Pedro sobre a constituição do seu pedido, o que deixou a empregada não só de boca aberta como também algo desorientada, pois como ia ela registar aquele menu, nunca lhe tinham pedido sopa, salada e batatas fritas.

Depois de Paula ter barafustado que era uma vergonha comer batatas fritas com salada, tinha mesmo que levar uma pequena sapatada na mão quando tentou roubar uma ao pacote que Pedro segurava religiosamente. Ele riu-se. Ela fingiu ficar zangada, mas também se riu por dentro.

"""

Já tinham entrado e saído numa série de lojas quando Pedro tentou ficar preso a uma montra, onde vários televisores passavam um jogo de futebol.

- Pedro, poupa-me! – disse Paula arrastando-o de um pequeno aglomerado de homens estáticos, quase em estado de hipnose em frente a uma montra. – Não vais fazer a figura deprimente de ficar a ver jogos de futebol num corredor de um centro comercial enquanto a esponja anda a fazer compras. Só te falta arranjar um fato-de-treino.

- Bom, com a quantidade de lojas que já batemos bem que podíamos comprar um.

Paula, com aquele jeito eterno das mulheres segregarem os assuntos que não lhes interessam no momento, mais uma vez fingiu não ouvir e entrou de imediato numa grande loja de roupa, como que a dizer, ora aqui tens mais uma para falares com razão.

Pedro olhou para o cenário quase catastrófico da loja, uma pequena multidão mexia e remexia amontoados de roupa. Não imaginava como as próprias pessoas se encontravam ali dentro, quanto mais encontrar alguma peça de roupa. Mas logo de seguida teve a resposta, Paula encontrou de imediato uma peça no meio de um grande monte de vestuário avulso. Encontrou ela e uma outra mulher, pois ambas puxaram pela mesma peça. Sorriram-se, uma para a outra, com o incidente mas ambas não a largaram. Depois das cenas do estacionamento Paula não estava disposta a mais situações de stress. Mudou de estratégia.

- Pode ficar com ele – informou Paula, largando o vestido bourdeaux que lhe tinha saltado à vista naquele balcão e olhando de alto a baixo a sua concorrente. – Acho que esse número é capaz me ficar largo. Vou procurar algo mais pequeno e mais juvenil.

A outra senhora ainda balbuciou um tímido agradecimento, embora aquele gesto de boa vontade lhe tivesse trazido uma certa amargura. Mais uns minutos e o vestido já estava novamente pousado.

 

- Vai-me buscar aquele vestido bordeaux que aquela deixou ficar ali, enquanto eu vou experimentar esta blusa.

Pedro olhou para o vestido e verificou a etiqueta.

- Não achas que te vai ficar pequeno? – perguntou ele quando chegou ao vestiário.

- Não, isso é um M.

- Mas parece-me um M pequeno.

- Sim, mas eu estou mais magra. Não achas?

Merecia. Ele tinha ido buscar lenha para se queimar ao comentar tamanhos. Já sabia que vinha a aquela pergunta sacramental. Sabia também, que por muito esperto que tentasse ser, ia dar uma resposta errada, especialmente agora que ele notava uns gramas extraordinários a saírem por debaixo da lingerie que Paula exibia dentro do vestuário.

- Sim, talvez - respondeu Pedro.

- Bom, ou estou ou não estou, agora talvez é que não.

- Não, estás mais magra.

- Não parece, dizes que um vestido M não me serve.

- É que ele é mesmo muito pequeno. Sabes que eles agora só fazem roupas para anorécticas. Só isso, nada mais.

- Isso é ilusão tua, o tecido estica.

Mas parece que não esticou. Quando Paula pediu a Pedro para puxar o fecho e este o fez, depois de ela conter bem a respiração, ouviu-se um pequeno som indiciador de algo a descoser. Fez-se um breve silêncio entre ambos.

- Sabes – disse Pedro para amenizar - estes gajos para praticar estes preços poupam nas linhas, depois é o que dá.

Quem passava pela zona dos vestiários ficava intrigado com os sons de uns risos abafados que provinham dentro de uma cabine. Houve até que suspeitasse de outra coisa. Foram precisos uns largos minutos para que Pedro e Paula contivessem o ataque de riso que a suposta falta de linhas deu.   

"""

- Gostava deste mas tem um defeito, está descosido aqui de lado – disse Paula à empregada enquanto pousava o vestido em cima do balcão. – Acho que vou procurar outra coisa.

Ainda a empregada estava a conferir o tamanho da descosedura e já Paula deitava o olho à única peça de roupa que estava arrumada nas prateleiras.

- Podia mostrar-me aquela camisola azul, se faz favor!

Realmente não fazia sentido estar ali aquela pobre peça tão solitária no cimo da prateleira, havia que a fazer descer para se envolver na orgia têxtil que vigorava por toda a loja.

- Não deve ser o seu tamanho – respondeu a empregada, não muito ciente do verdadeiro tamanho da camisola, mas sim da pouco vontade em desarrumar a última peça.

- Não? Mas eu gosto das camisolas largas.

- Sim, por certo, mas aquela é um tamanho S.

- E quem lhe disse que eu não visto S?

- Desculpe, eu só disse isso porque experimentou o vestido M.

- Mas ele até me estava um pouco largo.

- Sim, sim. Provavelmente a senhora que o vestiu anteriormente é que lhe devia estar um pouco apertado, pois até o descoseu.

Pedro sentiu saudades do tempo em que fumava. Estaria na altura em que ele, por certo, iria dizer que ia até lá fora fumar um cigarro. Mas não, não se lembrou de nenhuma desculpa e respirou fundo para testemunhar aquela troca de galhardetes entre Paula e a empregada. Já sabia que como iria terminar. Só se também as linhas não aguentassem é que aquela camisola não viria com ela, nem que fosse para oferecer. Não era uma empregada que lhe ia dizer que ela estava a precisar de uns tamanhos acima, logo agora que ela achava que estava mais magra. Eu quero é ver se ela quando tiver a minha idade ainda fala assim, ouviu Pedro ao sair de loja com o saco na mão, onde repousava a tal camisola azul.

 """

 

Quando Paula escolheu uma sapataria para entrar, Pedro agradeceu aos Deuses. Normalmente estas lojas tinham sempre uns bons sofás onde se sentava e, repousadamente, dava os seus sábios palpites enquanto Paula desfilava em frente a espelhos colocados no chão. Mas enganou-se. Fruto dum certo minimalismo decorativo, a loja apenas tinha um cadeirão, onde já estava, bem refastelada, uma senhora que não dava ares de se levantar tão depressa. Não só porque denotava também um certo cansaço, talvez derivado aos seus largos kilos a pedirem uma série de dietas em cadeia, como também tinha ao seu lado uma série de caixas de sapatos que um empregado todo solicito tentava calçar-lhe. Pedro teve, assim, que aguentar estoicamente a sessão de compras de pé.

Paula foi directa aos sapatos que lhe tinham ficado no olho ao passar por eles na montra. Experimentou, olhou, pediu opinião e gostou. Como qualquer mulher, apesar de ter gostado procurou outros também para experimentar e para pedir opinião. Pedro conhecedor do histórico costume, em que as mulheres acabam sempre por comprar os primeiros sapatos que experimentaram, que no fundo são os que tiveram o seu enamoramento na montra ou que lhes saltaram à vista na prateleira mal entraram, adoptou a técnica de elogiar sempre os primeiros.

- Não estão mal, mas os primeiros ficavam-te melhor e eram mais bonitos.

Tentava assim não só ganhar tempo, incentivando a uma desistência naquele campeonato de experimentação, como também poupar discussões futuras – Parece-me que tu gostavas mais dos outros, nunca gostas nada do que eu gosto. – Nada adiantou, a saga continuou até ter a seus pés um autêntico lago de sapatos, suas caixas e aqueles papéis irritantes que os enchem. O empregado, apesar de jovem, suava ao tentar contemporizar o voraz apetite sapateiro das duas mulheres na loja. A regra funcionou, Paula saiu da sapataria com os primeiros que tinha calçado e sobre os quais tinha recaído de imediato a sua paixão. O mesmo não pôde Pedro concluir relativamente à outra senhora que lá ficou, afundada no cadeirão, a experimentar mais sapatos, provavelmente até descansar completamente as suas pernas.

"""

 

A tarde estava no fim. Regressar a casa seria agora outro calvário.

- E que tal se víssemos um filme e jantássemos mais tarde? Fugíamos desta confusão do final de tarde. Eu telefone à tua mãe - propôs Paula.

Escolher o filme. Normalmente Pedro escolhia o filme desde que não houvesse zumbindo intelectual. Azar, havia. Alguém devia ter recomendado o último filme de Woody Allen, Paula insistia para o ver.

- Pronto, tem estrelinhas há que ver. Quem foi a sabichona que desta vez te recomendou?

- Por acaso foi um sabichão. Mas tu até gostavas do Woddy Allen.

- Disseste bem, gostava, mas agora ou a paciência já não é muita ou ele já não é o que era. Mas pronto, se tem que ser, tem muita força. Bom, mas temos que comer qualquer coisa antes.

- Pedro já não há tempo. A sessão está quase a começar.

- Então vou comprar pipocas, com o estômago vazio é que eu não vou.

- Sabes que detesto estar no cinema com alguém a comer pipocas ao lado.

- Então devias ficar em casa, porque isso é quase impossível.

Se bem o disse melhor o fez. Como a fome era muita, Pedro comprou um pacote dos grandes, mesmo sabendo que no final iria ficar bastante enjoado.

"""

 

Ao entrar na sala reparou que os restantes espectadores olharam para ele e para o seu amado pacote com um ar reprovador. Pedro procurou desesperadamente alguém na sala que estivesse acompanhado com o mesmo objecto de milho expandido, precisava de um certo companheirismo para não se sentir um autêntico alien naquela nave cheia de pessoas de ar circunspecto e de idade já relevante. Conseguiu finalmente vislumbrar no fim da sala um sujeito enfiado pela cadeira abaixo a trincar pipocas quase que clandestinamente. Trocaram um olhar cúmplice de miúdos perdidos. Talvez por isso Pedro não reparou no degrau, tropeçou e entornou seguramente mais de metade do pacote de pipocas.

- Lembra-me para a próxima deixar-te a ti em casa da tua mãe e trazer o miúdo, sou capaz de passar menos vergonhas – atacou de imediato Paula.

Pedro olhou desolado o monte de pipocas no chão, hesitando o que fazer.

- Bom, se atreves a baixar e apanhar as pipocas do chão vais ver o filme sozinho, este e todos os outros.

- E isto fica aqui?

- Não, mete no bolso. O que queres fazer? Nem uma empregada vais encontrar agora. Deixa lá que as pessoas quando entram numa sala de cinema vêm com os olhos postos no chão por causa do escuro e tomam cuidado. Não são como alguns parolos que vêm a olhar para o balão.

Mas Paula estava enganada. Não faltaram retardados que, ao entrarem, pisaram as benditas pipocas, o que além do barulho do milho a ser esmagado provocava outro tipo de sons menos próprios, nomeadamente as vociferações sobre o suposto autor daquilo.

Pedro tentou comer o máximo de pipocas durante os longos anúncios de início mas não conseguiu completar a tarefa. Mal pôs à boca um pedaço de pipocas, durante os primeiros fotogramas projectados do filme, sentiu, mesmo através do escuro, o olhar fulminante dos seus companheiros de sala. Adoptou a estratégia de esperar pelas cenas com um som mais alto para comer o que lhe faltava. O problema era que o filme tinha longos silêncios ou diálogos sem muito alarido. Mal ouvia uns acordes de música, zás, pipocas na boca. Não resultava, pois a banda sonora apenas tinha umas breves notas musicais, o que não dava tempo suficiente para mastigar. Assim, Pedro deixava derreter na boca as pipocas, como se uma pastilha elástica se tratasse, para não se ouvir o som crocante do trincar. Com tanta concentração naquela técnica de mastigação silenciosa, perdeu o fio ao filme e acabou por adormecer.

- Poupa-me a qualquer comentário teu sobre o filme – disse Paula quando as luzes se acenderam ao som da música final. – Dormiste o tempo todo, parece impossível!

- E tu gostaste?

- Sabes, tenho estado aqui a pensar, eu vou lá trocar a blusa azul, nem sequer gosto muito dela.

"""

Genoveva não percebeu muito bem porque razão o filho e a nora lhe entraram em casa com tão mau humor. Afinal tinham ido só os dois a passear.

Posted: segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2008 21:06 por bp63

Comentários

bp63 said:

Peço desculpa, mas coloquei inicialmente uma versão não corrigida. Como se não bastasse a minha dislexia e as gralhas que só tarde vou ver, ainda tinha que exibir as da versão zero.

Agora já está menos mal? espero eu!

# Fevereiro 11, 2008 22:36

PSCGF said:

AHHH AHHH!!!rsssss

Adorei ...Sabes que eu tenho razão ?

Existem coisas que os homens e as mulheres não podem fazer juntos :-)))

E isto é uma delas. Depois de um ano de casamento ás compras , chega o divorcio ...

E pergunto-me porquê irem ás compras juntos ?? Estava no contrato de casamento??

Ou será que as mulheres não têm cartão Gold ?? Daqueles que não é necessário olhar para as etiquetas ??E têm que levar o dono do cartão ???

Bem quanto á minha experiencia pessoal , eu odeio hipermercados, supermercados , centros comerciais e afins ...

Entro num centro comercial poucas vezes por ano e quando o faço ou vou sozinha ou levo uma amiga para me ajudar nas compras femininas tipo: perfumes, roupa ,lingerie , maquiagem e não estou a ver a utilidade de um homem nestas compras , só se for para conferir o tamanho que está nas etiquetas :)))

Beijinhos

Paula

# Fevereiro 11, 2008 22:49

bp63 said:

Olá Paula

O problema, e voltamos ao mesmo de sempre, é que de inicio tudo é agradável fazer juntos, mesmo quando os espaços não são comum. Depois criam-se hábitos e é uma tragédia.

Uma grande parte das minhas situações de stress privado, estão relacionadas com as malditas compras. Como eu queria ser um magnata e mandar comprar.

Folgo em saber que a menina não gosta de levar a homem às compras. Nunca conheci mulheres assim.

Bom, os homens além de verem os tamanhos servem também para fazer os cálculos e dizer que um desconto de 40% em 50 euros são apenas 20 e não 40.

Já corrigi este maldito texto não sei quantas vezes e só vejos gralhas.

Beijos

# Fevereiro 11, 2008 23:42

bluewater68 said:

bp63,

gostei muito destes clichês de Centro Comercial. Entre os vários apresentados, vou-me focar no aspecto das compras e também para comentar o que a Paula disse.

Vou a Centros Comerciais comprar os meus trapinhos, tal como a maioria dos mortais. Quando vou, gosto de ir acompanhado para obter uma opinião valiosa ou para me irem buscar um número acima, já que eu por vezes deliro, ao achar que ainda consigo usar um L. Mas eu a fazer compras sou bastante objectivo. Acabo por apenas entrar em duas lojas, Massimo Dutti e Quebra Mar, e uma vez dentro das mesmas, digo de imediato que não pretendo ajuda por que se oferece de forma muito prestável, percorro os expositores com olhar clínico, toco em alguns exemplares, olho para algumas etiquetas, e por fim, chamo a pessoa prestável e entrego e debito uma lista do que pretendo. Depois, é experimentar tudo de uma só vez, fazer algumas opções, pedir as valiosas opiniões, pagar e sair. Nisto tudo, devo gastar uns 30m. Se chegar aos 60m é porque a indecisão foi grande e o dia já não está a correr bem. Mais do que isso é porque devo ter sido injectado com hormonas femininas.

Aquilo que me tira do sério.

- andar a vaguear por inúmeras lojas, sem um objectivo concreto, com pessoas a experimentar muita roupa, a saírem das lojas sempre a dizer: "ai não sei, não sei, o que achas? é melhor voltar aqui depois". Por fim, depois de milhares de lojas percorridas, olhamos para essas pessoas e reparamos que nem um saco transportam;

- "Pedro olhou para o cenário quase catastrófico da loja, uma pequena multidão mexia e remexia amontoados de roupa" - isto significa que me recuso a entrar em algumas lojas. Tudo o que tenha ar de feira é pior que um crucifixo mostrado a um vampiro. A ZARA é um bom exemplo de feira.

E quem vai comigo não gosta de ter companhia para as compras? claro que sim. Só que a maioria das lojas de roupa feminina são um verdadeiro pesadelo.

«Pedro agradeceu aos Deuses. Normalmente estas lojas tinham sempre uns bons sofás onde se sentava e, repousadamente, dava os seus sábios palpites enquanto Paula desfilava em frente a espelhos colocados no chão. Mas enganou-se. Fruto dum certo minimalismo decorativo, a loja apenas tinha um cadeirão, onde já estava, bem refastelada, uma senhora que não dava ares de se levantar tão depressa»

Este é para mim o busílis da questão. Eu não me importava de andar um dia inteiro a ver roupa com a minha Princesa Jr, desde que existisse um conjunto mínimo de condições. Só isso, não é pedir muito.

O que me tira do sério na maioria das lojas é o facto de não terem um único sítio onde a pessoa se possa sentar, o que é uma estupidez. Um cliente cansado e com os joanetes a arder, fica rezinga e irá embora mais depressa. O problema é que a maioria das lojas é tão acanhada que quase nem tem espaço para exibir as roupas. E é nesses casos, quando a companhia feminina se esconde dentro de um provador por inúúúúúúúmeros, looooooongos e angustiantes minutos que o homem se sente verdadeiramente desprotegido, qual pinguim imperial isolado do grupo a observar ursos polares que se aproximam ao longe. Não tem onde se sentar, não sabe onde ficar a vista, o que está exposto pouco lhe interessa. Membros da mesma raça estão lá fora a fumar (já lá vai o tempo). É dessa forma que minutos parecem horas. E o pobre do homem vai agarrando à sua frente os vários sacos que lhe deram para carregar e fica numa posição vertical, firme e hirta, como se estivesse a tentar ganhar uns cobres numa rua de Barcelona. Por fim, quando sente que está prestes a desmaiar, lá avista a sua companhia feminina com um ar que aparenta ir para a caixa. Se esse pessoa lhe perguntar: "Olha, o que achas? levo este ou vou ainda experimentar aquele ali?", não será de estranhar que entre os dentes se vocifere: "eh pá, qualquer coisa! despacha-te que o Benfica dá às 19:45!". Prontos! tá o caldo entornado. "Obrigadinho! quando é contigo eu bem posso esperar, mas quando é comigo..."

Como inverter esta situação? muito simples. Bastava que as lojas tivessem lugares condignos para os homens se sentarem. Bom, um televisor ligado à SportTV também ajudava. Podiam haver algumas revistas com interesse para ler, tipo Motor, ou FHM com o artigo da Luciana Abreu. Bom, se houvessem tremoços ou amendoins já estaríamos à porta do céu. Para não dizerem que sou abusador, nem menciono um barril pequenino onde cada um podia tirar uma Imperial fresquinha. Cheguei a dizer que ligado à televisão também poderia estar uma PSIII?

É que podiam passar o dia todo a provar roupa que o sorriso do acompanhante masculino seria sempre de orelha a orelha. "Então? o que achas deste?", "Hum!?!? está assim assim, queres que te vá buscar outro para experimentares? assim ainda dará tempo para eu acabar de ler a revista"

Estão a ver? não é difícil. Basta reunir um pequeníssimo conjunto de condições. Só isso.

Abraço

# Fevereiro 12, 2008 10:11

eeu said:

Eu também acho que submeter a pessoa que supostamente amamos a uma sessão de compras deve ser algum tipo de vingança... ou uma dependência doentia !

Compras deviam ser como o carnaval de rua no Brasil. O casal chega junto e marca uma hora e lugar para se encontrar depois e cada um vai se divertir para o seu lado... rssss

Agora... o homem é necessário para calcular o desconto ?!!!! Hellôo ! Que conversa mais machista ! rsss

eeu

# Fevereiro 12, 2008 11:12

desabafosdaminda said:

Bepêzinho,

Para não variar deleitei-me a ler o que escreves?

E lamento que só tenhas conhecido mulheres que gostem de arrastar, tipo mulheres das cavernas, homens pelos cabelos para dentro das lojas dos centros comerciais?

Para mim fazer isso é um puro acto de Sadomasoquismo.

Sadismo, porque o pobre desgraçado tem que estar me permanente stress para não se distrair e dizer a palavra errada? para não olhar distraidamente para o de cote da funcionária abonada em carnes na zona supratoraccica!

Masoquismo, porque para além de nos sujeitarmos a ouvir o que não queremos, sujeitamo-nos a ouvir? x por esse trapilho? E outras coisas do mesmo teor, com tanto tempo para escolher uma saia? Não sabes o número que vestes?, etc?

Ir ás compras é uma das funções instalada de base no kit ?amiga??  

*

Odeio apertos, odeio saldos?  

E se calhar está tudo dito?

Se, e já me aconteceu, precisar de ir ao centro comercial e não houver lugar na primeira ronda ao circuito, aqui eu, baso a grande velocidade de volta a casa: acabou-se a minha rara compulsividade consumista.

claro que também olho para o armário e digo, estou farta destes trapos? mas a preguiça é maior?

*

E?as respostas da ?Paula? podiam ser minhas? só que eu não o mandava pô-las no bolso?. (rsrsrs)

Beijinhos

Minda

Nota: desculpa-me responder aqui, em tua casa, á Paula. A maioria das mulheres que leva os homens consigo ás compras, não é para eles lhes cederem o cartão, é por mimo, por prezarem a sua opinião, não vendo que os estão a tortutar?

# Fevereiro 12, 2008 16:08

Tambuladeira said:

Olá bp63

Uma verdadeira narrativa sociológica do consumismo e dos saldos, é claro, que vai dar ao mesmo - consumismo tipo compulsivo.

Não vou negar que não me revi neste filme, embora com doses menores de sadomasoquismo...mas nos tamanhos, eventualmente,só que em números opostos.ehehehehe!

A realidade é que muitas pessoas que pensam ser minimamente informadas, sabem ou pensam saber, qual a psicologia que subjaz às grandes superfícies e exposição livre de produtos. Todavia, caiem que nem tordos em primeiros dias de caça...

Ainda me acontece entrar para comprar pão e sair com "n"compras. Juro que tenho saudades da lista que se entregava à mercearia  e em que nos era entregue em casa fielmente a encomenda.Isso é que era protecção do consumidor...Ai se os Belmiros me lêem!

Confesso que já não corro atrás de saldos nem a compras em períodos de ponta.Primeiro porque raramente  

encontro o que gosto no meu tamanho (não! não o vou confirmar...), depois porque comecei a pensar que monos por monos,salvo raras pechinchas que muitos "experts" da matéria dizem encontrar,tenho-os eu lá em casa para despachar para quem ainda aproveite.

Já para o cara metade, é mais fácil: primeiro porque as lojas não estão tão desarrumadas(porquê???),segundo porque são sempre as mesmas marcas e em geral nos mesmos espaços, finalmente porque também são menos propensos a tal deambulação...Claro que há sempre excepções.

Boas compras!

# Fevereiro 12, 2008 19:52

portocego said:

Bp63,

"O comentário anterior é da minha exclusiva responsabilidade".O costume! fora da linha...

Abraço,

Daniela

# Fevereiro 12, 2008 19:59

bp63 said:

Blue

Pois o teu comentário é quase um insert (técnica que consiste na introdução de uma imagem na narrativa, quer para a ilustrar, que para a distorcer) no meu suposto conto, pois tal é quantidade de detalhes fornecidos com o mesmo espírito que se pusesse alguns dos teus parágrafos em cima quase que podiam ser lidos em sequência.

Se houver umas cenas cortadas 2.1 algumas coisas que falaste tinham que migra para lá.

O cenário de uma loja com um autêntico catering de dolce vita está supimpa. Quase que eu até distribuía cartões de crédito pelo natal.

Regra geral o meu comportamento numa loja é muito parecido ao teu, com 2 pequenos detalhes:

- Normalmente compro sem ter intenção, acabei por passar, entrei e comprei. Se marco uma sessão para ir às compras fico logo neura, a menos que a loja tenha um F no início um C no fim e um N e um A de mão dada;

- Sou o terror numa loja, penso que só com o meu olhar já desarrumo tudo. Prateleira onde eu ponha a mão é sinal que coitados dos empregados vão passar a tarde a arrumar. Normalmente faço isto tudo em 5 minutos. Se estive horas na loja, teriam contratar uma empresa de mudanças para pôr as coisas no sítio. Não sei, não faço por mal, mas agarrado a uma camisola parece que vem sempre um monte delas. Devo ter um íman.

Abraço

# Fevereiro 12, 2008 20:15

bp63 said:

Eeu

Bom se é vingança então tenho muito que me odeie, especialmente colegas que não sei porquê, talvez porque tenho escrito na cara ?tanso?, acabam por me envolver nas suas peregrinações, quando fora em trabalho

Gostei dessa do Carnaval. Não devia ser só para compras, mas para muita coisa.

Aquela dos cálculos, era puro veneno, mas é certo que me pedem sempre para fazer as contas. Não sei porquê.

# Fevereiro 12, 2008 20:19

bp63 said:

Minda

Não percebi a do bolso.

Mas acho mesmo que só pode ser Sadomasoquismo, por tudo o que explicaste.

Que conheci já muito boa gente que não me ligou nenhum para as compras, mas coincidência também não ligaram par a o resto :)

Engraçado se alguém me quer para outras coisas também me quer para as compras. Deve fazer parte do meu contrato, cláusula secreta que nem eu mesmo sei.

Não percebo porquê, sou uma péssima companhia. Canso-me depressa e quando começo a ficar cheio dou as opiniões mais estapafúrdias, logo que isso me leve para fora dali. Podem estar a ver um vestido com lâmpadas fluorescentes que eu até digo que fica a matar para ir apanhar ar. Assim, não percebo porque me querem como companhia. Nem sequer pago nada a ninguém.

Os centros, tirando as romarias às salas de cinema, cada vez mais fujo deles como cão de vinha vindimada. Já me basta o stress de outras coisas.

Beijo

# Fevereiro 12, 2008 20:30

bp63 said:

Daniela

Eu percebi a troca.

Tem razão quando diz que caímos que nem patos. Uma das razões porque fujo sdos Shoppings e Hipers é precisamente por isso, somos facilmente seduzidos.

Uma vez, há 15 anos atrás, ao passar perto de um Hiper resolvi entrar para comprar leite. Saí de lá com uma factura de 20 contos e mal cheguei a casa tive que descer para ir à mercearia para comprar leite, que me tinha esquecido. A partir daí, tento passar o menos possível por perto dessas bandas, para evitar situações parecidas.

Mesmo gastando mais em supermercados mais pequenos, ou loja ao pé de casa, verifiquei que poupo dinheiro. Só compro o que preciso.

Mas de vez em quando lá vai, para manter o hábito. Ou quando alguém me puxa.

Abraço

# Fevereiro 12, 2008 20:36

gomes2000 said:

olá bp63,

ganhaste ao Marquez outra vez!!! Adorei.

E olha, ainda este sábado fui sozinha fazer compras de mercearias para a casa, num hipermercado e despachei-me sem stress nenhum. Eu gosto de ir fazer as compras necessárias sozinha.

Quanto a saldos e afins, eu não tenho "pachorra" para experimentar muitas peças ou sapatos. Normalmente é à primeira. A sério. E até irrito por vezes a mana que gosta de experimentar várias peças e quando olha já eu paguei e estou de saída!!!

Claro que quando tenho que fazer um bocadinho de tempo à hora de almoço, gosto de deambular pelas lojas e espreitar as novidades que inventam. Mas, não quer dizer que compre. E também não sou daquelas que não compra e desarruma tudo.

Quanto ao teu post, é só ir a um grande hipermercado ou fórum num sábado à tarde e esperar... descreveste tão bem o que se vê, com úm pormenor (que não esqueceste) que os homens agora já não ficam à porta das lojas a fumar. Só na rua..

Olha, talvez te surpreendas mas eu acho que os homens nas compras só atrapalham. Está bem; podem haver excepções.

Mas, pessoalmente, até as compras natalícias despacho tudo numa tardinha. Não tenho pachorra para filas ou amontoados de roupa em saldo.

Já agora, conto um episódio a propósito do consumismo:

há dois anos pelo Natal, a minha irmã viu um computador portátil do "Ruca" no Jumbo e disse-me que era muito mais giro que o do Noddy e tal, tinha rato, enfim, ... quis dar o computador à pequenina. Fui a 3 Jumbos de propósito, em todos estava esgotado. Só o do Noddy e tal... Uma semana depois, já nem procurava o dito cujo, vi dois computadores do Ruca numa prateleira.

-OLHA! ESTÁ AQUI. OLHA, AINDA HÁ... - gritou a mana e eu agarrei num com uma convicção e alegria!!!

Uma senhora ao lado, que se viu mesmo que nem ía comprar computador nenhum, perante tal reacção ao objecto em causa, agarrou no outro e começou a ler a caixa...antes que alguém levasse o último!!!

E levou. E não vi mais nenhum!

Olha, eu não saía daqui.

Gostei muito, fartei-me de rir e tenho boas histórias nesses parques de estacionamento parecidas com a que descreveste!!! E também engulo a raiva com certas pessoas. Somos humanos.

E na última vez que fui ao cinema, quem adormeceu fui eu... Embarrassed

Mas, homem nas compras? NÃO.

Beijinhos

# Fevereiro 12, 2008 21:24

eeu said:

Bp

Sabes porque te perguntam ? Porque estamos ali com a cabeça ocupada com a escolha a fazer e tu estás ali sem fazer nada... ser homem não tem nada a ver com isso ! rsss

eeu

# Fevereiro 13, 2008 11:59

bp63 said:

Alô Gomes, fala Gabriel.

A propósito da tua história com o computador eu tenho uma de Barbies em época de Natal que talvez a venha pôr aqui, aliás era para vir conjuntamente com esta só que já estava tão grande o lençol que não fazia sentido. Tudo isto porque resolvi entrar numa loja de brinquedos no dia 23 Dezembro. Devo ter uns pecados valentes para expiar, para me atrever a uma coisa dessas. Só faltou a andar à estalada. Parece que fica tudo doido.

Mas homem faz falta nas compras, nem que seja para ser o chato de serviço e assim levar à poupança familiar.

Beijos

# Fevereiro 13, 2008 20:20

bp63 said:

Eeu

Ser homem não tem nada a ver com o quê, com o fazer cálculo ou não fazer nada?

Eu acho que a minha presença, e a vontade que eu esteja, deve ser para eu fazer de homem travão, pois com a minha impaciência e os meus suspiros profundos a vontade de comprar começa a ser menos.

Podia montar uma empresa disso, alugava-me para acompanhar nas compras. O que não iam poupar no orçamento familiar. Então se levasse o meu filho, e sua aversão a compras, a poupança era de tal ordem que as minhas clientes dentro em breve estariam ricas.

# Fevereiro 13, 2008 20:28

PSCGF said:

Bp,

Desculpa e desculpa e desculpa :-)))

Mas tenho que responder á Minda !!!

Minda!!!!

A maioria das mulheres que eu conheço querem ir ás compras com uma especie masculina para lhes pagar a conta!!!

Eu sei , que me vais dizer que conheço as pessoas erradas , possivelmente . Mas estas mulheres de que  falei são as que conheço profissionalmente e juro que um dia faço um post (para não abusar aqui do Bp) sobre isso e vais ficar pasma ...

O mundo lindo das tuas crianças é muito diferente deste outro mundo futil e artificial que eu infelizmento conheço.

Bem Bp ... Desculpa e diz lá que não conheces mulheres assim tambem ?? Deves conhecer de certeza ...

Ajuda-me :-)) que a Minda não acredita :-)))

Beijinhos para os dois

Paula

# Fevereiro 13, 2008 22:46

bp63 said:

Pois Paula à vontade

Só que lamento não te dar apoio, pois nunca conheci numa mulher assim, penso que a companhia era mesmo pela companhia. Ou então tenho cara de pelintra e nunca ninguém me cravou.

A mim já me fizeram o contrário, por me ter comportado tão bem, tipo doce a criancinha, tive direito depois a compra oferecida.

Portanto além de pelintra ainda devo ter um ar de cachorrinho!!!

Beijos

# Fevereiro 13, 2008 23:18

Luana said:

Bem ,este teu texto havia de fazer inveja ao Eça. Fiquei cansada só de o ler! Aqui nas ilhas os homens não passam por esse desafio. Nem compras nem saldos nem consumo. Nesta ilha fantástica, há dois ou três lugares que aceitam cartão de crédito. Apenas. Como vês, os riscos são poucos mas isso não impede que o realismo do teu texto nos chame a atenção para a febre do consumo. E eu garanto-te que uma mulher das ilhas em Lisboa é uma péssima companhia para os amigos.

Beijinhos

Luana

# Fevereiro 14, 2008 0:13

desabafosdaminda said:

eheheh

olha também ja nao sei porque raio apareceu o bolso na historia...

beijoca

minda

# Fevereiro 14, 2008 0:16

gomes2000 said:

alô,

olha, desculpa também mas vou acrescentar mais uma notinha por causa dos comentários da Minda e da Paula;

-tenho um familiar que adoooooooora ir às compras com a esposa e tem tempo e gosta muito!!!

Ela acha graça às outras esposas que se queixam da falta de companhia ou paciência masculina para o "shopping"...

Curiosamente, ela já comentou comigo:

- Bem, o meu marido não me larga! Às vezes queria ir sozinha para estar mais à vontade e ele vem sempre!!!

E esta, hein?!..........

Eu, pessoalmente continuo a preferir ir sozinha e "despachar-me". Claro que não mje importava de ter um cartão de crédito ilimitado do dito esposo!!!!!

Gastava-o muito muito bem...

bjs

# Fevereiro 14, 2008 9:42

gomes2000 said:

esta de escrever à pressa e carregar nas teclas erradas......

ainda invento um novo dicionário por aqui!!!

# Fevereiro 14, 2008 9:52

bp63 said:

Luana

Depois de Gabriel, o Eça. Levo uma rica colecção. Estou a ver que os meus textos são piores do que as caminhadas pelos verdejantes campos numas certas Timberland.

Será que posso vender a patente para aos diversos ginásios? Ou será que cansaço é apenas a exaustão da seca das palavras?

Pois os homens aí devem ser mais saudáveis, além do bom ar atlântico ainda contam um reduzido nº e lojas por metro quadrado. Se bem que agora com a net temos ums shopping em qualquer lugar. O problema é que se puserem os homens a comprar na net, ou me engano, ou em lugar de livro encomendado algo mais provocante vai aparecer dentro de uma caixinha de cores provocantes.

Beijinhos

# Fevereiro 14, 2008 21:53

bp63 said:

Minda

Porque talvez um bolso dá sempre jeito!!! Smile

beijo

# Fevereiro 14, 2008 21:55

josefadobidos said:

Bp

Obrigada pelo prazer de mais este conto... as compras.... gosto muito de as fazer, mas é mais livros, filmes e bugigangas para a casa. Modelitos, adoro comprar aquilo que considero "as grandes oportunidades", e as minhas compras baseiam-se nisso. Prefiro ir só, porque comprar "individuais" em conjunto não é muito prático, e gosto de surpresas, mas não é rígido... ás vezes sabe bem ter companhia e fazer companhia.

E que tal escrever um livro?!?! A sério... o bp escreve tão bem, é pena se não partilhar para além daqui. Como escrita-bloguer já é tão boa!

Um livro de contos, talvez... sim...hummmm, é verdade que lembra gabriel garcia marquez, eça, e tal, mas nota-se que são estilos que escolhe e "veste" intencionalmente.

Sinto que a sua flexibilidade de escrita lhe permite criar livremente... é por isso que se percebe que é um dom.

beijo

# Fevereiro 14, 2008 21:58

bp63 said:

Bom, Gomes

Eu também conhecia um assim, que gostava muito de ir às compras com a sua senhora esposa, e mais que houvesse, e dar palpites por tudo e por nada. Só não conto é como tudo isso depois acabou.

Quanto às gralhas? bom, se inventas um dicionário eu tenho direito a uma enciclopédia em 20 volumes.

Beijo

# Fevereiro 14, 2008 22:01

josefadobidos said:

Queria trazer uma música para aqui, e estive a pensar... o bp gosta de musica brasileira, eu não conheço muito dela, mas há uma música linda, que se pode adaptar aqui porque fala de amor... a letra pode muito bem estar a descrever o que é um dom...

[YouTube:0S-dKqk2T3g]

beijo

# Fevereiro 14, 2008 22:09

bp63 said:

Jo

Eu é que agradeço as palavras.

Quase que decalcava das suas o meu tipo de compras, livros (agora nem tanto), filmes e bugigangas (posso incluir aqueles brinquedos todos electrónicos, não posso?). O resto é por obrigação.

Quanto ao livro, bolas, que calcanhar de Aquiles foi tocar.

Tenho um romance (será novela?) pseudo policial, meio crónica de costumes, escrito e guardado. Mas a minha insegurança em relação à escrita faz com que hesite e não vá bater à porta de ninguém. Insegurança essa derivada da minha dislexia e dos meus conhecimentos medianos linguísticos. Claro que também há uma preguiça minha em lapidar o texto de forma a expurgar aquelas construções orais e menos literárias que os meus textos têm, pois escrevo em função de um diabinho que me sopra no ouvido a uma velocidade luz.

Sei é que preciso imenso da escrita, é uma espécie de catarse comigo mesmo. Como se habitassem dentro de mim todas estas personagens e que estão oprimidas cá dentro. Talvez um dia ganhe coragem. Para já o blogue tem-me feito bem, pois ganhei mais alguma confiança. Sobre a tal obra escrita e guardada já publiquei por aqui penas partes, aquelas que podiam ser lidas isoladamente.

Quanto aos contos é uma forma divertida e fácil de escrever pois não existe a pressão da coerência. Gosto muito, assim como fazer sinopses de coisas que depois não pego, mas pelo menos fica o esboço feito.

E por falar em compras, o próximo Cenas Cortadas devia ser sobre as aventuras de um pobre tipo à procura de uma Barbie, acompanhado de um miúdo que apenas quer um boneco do Star Wars, tudo isto na véspera de Natal. Mas para não saturar mais com compras talvez vá antes contar um mistério sobre uns sapatos vermelhos.

Ou outra coisa, não sei.

Beijo

# Fevereiro 14, 2008 22:32

bbebiano said:

bem... se fosse o Bruno em vez do Pedro, nem sequer tinha chegado à parte "- O melhor é comermos já qualquer coisa, para depois ficarmos com o resto da tarde livre para as compras."? mas ainda bem que o Pedro ficou? só assim tivemos a oportunidade de tanto nos rirmos com estas peripécias!

E quanto à parte da ajuda na selecção de um par de sapatos, devo dizer que, quando uma mulher numa loja me pede a opinião, a minha estratégia não passa por aconselhar a primeira peça que experimentaram, mas a segunda? Isto porque se eu disser que a primeira é gira e lhe fica bem, ela acha sempre que estou a querer despachar o assunto? assim, quando digo que a segunda é que é e que a primeira não lhe ficava bem, ela convence-se disso e fica o assunto resolvido!

Numa coisa a Paula tinha razão? o fato-de-treino! Quem vai para o cinema ver um filme de Woody Allen  com um pacote de pipocas, podia muito bem usar um no seu passeio pelo centro comercial! Ehehe

abraço

# Fevereiro 14, 2008 22:42

bp63 said:

Antes de mais um muito obrigado pela música.

Não sei se é dom, se é pétala, se oceano? ou se é um sonho apenas.

Esta música, conjuntamente com Oceano são as músicas que mais gosto do disco do Djavan.

Beijo

Ps: Hesitei muito em publicar o comentário anterior ou mandar por MP. Acabei por achar que podia ficar aqui, não sei porquê, talvez por ser uma reposta aberta ao que me tinha sido dito.

# Fevereiro 14, 2008 22:48

bp63 said:

bbebiano

A técnica da segunda peça é bem pensada, mas por aquilo que tenho constatado no que respeita a sapatos acabam sempre por escolher os primeiros, talvez porque há um namoro prévio, não sei.

Mas numa próxima vou pensar nessa da segunda oportunidade.

Quantas as pipocas e ao fato-de-treino a coisa complica-se. Pois não sou amante das pipocas no cinema mas já por lá andei com elas na mão, especialmente quando se leva companhia mais nova, mas nunca de fato de treino, pelo menos que eu tenha notado. Distraído como sou!

Mas sobre as pipocas é uma questão de hábitos. Por exemplo ao meu filho comecei por dizer que neste filme podia (se tivesse muito barulho) e neste não. Hoje já é ele que não quer pipocas em determinados filmes. A menos que eu com a pressa me tenho esquecido de lhe dar de lanchar. Ups!

Abraço

# Fevereiro 14, 2008 22:58

josefadobidos said:

Acho que o comentário ficou muito bem aqui, porque só "prova" a todos os que o lemos, que aquele que cria, ou o artista, é por natureza inseguro em relação à sua arte e isso seria inevitável, já que a arte chega de um não sabe onde, para dizer não sabe o quê.

Essa "falta de controlo" na criação, faz parte do processo, mas traz receios. A beleza da arte está precisamente na sua imponderabilidade, mas é também o que pode assustar... agora... tudo isso pode ser "trabalhado"... é só querer... e porque estou aqui a dizer aquilo que todos sabemos muito bem?

Porque com a idade ando com a mania de dizer coisas óbvias, o que hei-de fazer? beijo

# Fevereiro 14, 2008 23:32

josefadobidos said:

Pois... afinal a culpa é do diabinho soprador da escrita... logo vi, logo vi. E não há um anjinho soprador no outro ouvido?!?! Para o bp ficar de mediador e decidir aquilo que quer verdadeiramente?

ps- sim, vale os brinquedos electrónicos Smile

ps - quanto ao que nos vai contar a seguir... isso é o que estamos sempre curiosos por saber... uma coisa é certa... seja o que for cá terá o seu público.

# Fevereiro 14, 2008 23:51

gomes2000 said:

olá,

pensa nisso no do livro... Porque não?! Concordo com o dom que algumas pessoas têm com as palavras. E textos bonitos que interessam e cativam...

Beijinhos

(chata...)

# Fevereiro 15, 2008 12:48

bp63 said:

Jo

O meu Anjinho e diabinho acabam por se confundir, andaram na mesma escola. Aquilo que quero eu sei, aquilo que posso é que é diferente.

Claro que se tivesse uma oportunidade em menos de ápice apresentava o prato feito, dado que já está cozinhado, seria só aquecer e compor um pouco. O problema está então na oportunidade.

Mas isto faz lembrar a velha anedota do tipo que pedia insistentemente a Deus, ?ajuda-me meus Deus, faz com que me saia lotaria?, até que Deus cansado do ouvir disse, ?ajuda-me tu a mim, ao menos joga?.

Se calhar falta-me jogar.

Beijo

# Fevereiro 15, 2008 19:01

bp63 said:

Olá gomes não chata

Pensar eu penso. Mas como se costuma dizer, são precisos 2 para dançar o tango.

No caso do livro é preciso quem o escreva, isso não há problema, e é preciso quem esteja disposto a arriscar nele e o edite. Neste caso ainda é preciso um outro, quem o leia. Digamos que é uma dança a 3, o que convínhamos, é complicada. Pisadelas não devem faltar. Mas que é das danças mais divertidas é!

Mas obrigado pela confiança.

Beijo

# Fevereiro 15, 2008 19:08

PSCGF said:

Bem... Bem...

Tive que voltar ... Depois de ler os comentários :-))

Isso é mesmo de Calimero :-)))

Agora a sério , tudo tem um tempo na vida e acredito que quem tem um dom um qualquer dia alguem tropeça nele e ele cresce.

Verdade seja dita , este não é de todo o pais ideal para tal... Mas devemos sempre sonhar e tambem ajudar o sonho . E ajudar esse sonho é facil: Por nuns envelopes o texto , enviar e esperar que alguem tropece no texto...

È facil:-))) E tal como disse quem tem um sonho e acredita nele , esse sonho se realizará .

E isto é uma afirmação . E hoje não aceito discussão :-))) Tou cheia de sono ...

Beijinhos

Paula

# Fevereiro 16, 2008 6:10

gomes2000 said:

é verdade bp

conheço pessoas que dois "bons" escritores que editaram um livro e depois ninguém sabia do livro!!!

as editoras trabalham muito mal po aí...

fica a minha reserva autografada caso se concretize um dia!

**

Já agora, ainda sobre o post: gostava de perceber porque alguns homens "não gostam" de ir às compras com a esposa e um dia, arranjam nova esposa e passam a andar de carrinho na mão num hipermercado e é vê-los atrelados! Porquê?!

Afinal, a culpa é de ir às compras ou é da companhia?!

Confused

Se calhar, não são só as compras.. Ainda não percebi essa característica de alguns ex-maridos que conheço!! Não meus!!! (para não haver confusão..)

beijinhos

# Fevereiro 16, 2008 9:13

gomes2000 said:

percebeste a primeira frase?!?! ah ah

# Fevereiro 16, 2008 9:51

bp63 said:

Paula

Eu sei que o sonho comanda a vida e é com ele que devemos fazer o caminho.

Mas aquele diabinho a dizer, "não vás que não vale a pena, que como há tu há milhares e de talentos anónimos está o inferno cheio" acaba por vencer.

E a falta de tempo também. Mas é Calimero, lá isso é.

Beijo

# Fevereiro 16, 2008 10:09

bp63 said:

Gomes

Realmente já li e reli a frase. Acho que percebi a ideia :)

Quanto ao tema das compras e das 2ªs "esponjas" tem muito que se lhe diga.

Quando se vai para uma nova paixão cai-se de 4 e é fazer tudo aquilo que nunca se fez. Porquê? Não sei se é hormonas, se a paixão é uma coisa cumulativa e cada um tem mais força do que anterior. A primeira tem sempre o demarcar espaço, as exigências e tal. Nas outras perde-se a noção do limite.

Se calhar qualquer paixão é assim. As segundas só dão mais nas vistas porque são mais fortes, afinal à primeira qualquer um cai, à segunda só cai quem quer, só estamos lá porque queremos muito.

Mas tens toda a razão no que dizes. Basta pensamos nas figuras que já fizemos :)

# Fevereiro 16, 2008 10:53

bp63 said:

Para ilustrar essa loucura que se faz quando se está apaixonado e acabamos de carrinho de compras todo contentes, o Ivans Lins escreveu uma canção para a Simone muito bonita chamada É festa, e que ilustra isso.

[YouTube:nlRR-Zns24g]

# Fevereiro 16, 2008 10:55

Talina said:

Olá bp63

Uma verdadeira narrativa  do consumismo e dos saldos,  consumismo tipo compulsivo .Eu não tenho pachorra para os saldos, saldos por saldos tenho que baste cá em casa, com a minha idade é que ainda sou do tempo de se guardar tudo, ou dar a quem precise, não compreendo esta loucura do descartável, comprar só por o prazer de ir ás compras e não porque se precise de algo, e ainda menos que se leve a pessoa de quem se gosta para esse martírio que são os hipermercado ou os Super Mercados

Abraços Talina

# Fevereiro 17, 2008 14:08

bp63 said:

Talina.

Isso do guardar tudo, também tenho essa mania. Sou um antêntico ecoponto. Acho sempre que tudo ainda pode servir de uma outra maneira.

Abraço

# Fevereiro 17, 2008 21:54
Para comentar necessita de estar registado