EDITORIAL Estamos de volta e logo num mês bastante sui generis em termos de cinema, dado que é o mês de todos os prémios. Encabeçado pelos Óscares, esta época é um levantar de estatuetas e de agradecimentos à mãe e ao passarinho, que Deus nos acuda! Os Bafta, uma espécie de sucedâneo dos Óscares com um inglês mais british, já aviaram a sua dose. Expiação levou a coroa do melhor filme e os irmãos Coen a de melhor realizador, ou muito me engano ou é assim que vai ser na noite dos Óscares. Daniel Day-Lewis levou a melhor nos actores mas não tinha Depp na competição. Na contabilidade dos prémios o Daniel leva vantagem mas tenho em mim que a Academia vai fazer um surpresa e vamos ter um prémio à navalhada. Javier Barden amealhou mais um e prepara assim a rampa de lançamento para a noite de 24 agradecer à América com sotaque hispânico. Cate Blanchett lá deixou fugir os 2 pássaros e deve continuar assim, sem nenhum na mão.
Rivalizando com os Oscaritos, temos os Razzies, entregues nas vésperas dos Óscares. Entregues pela primeira vez em 1981, as Framboesas Douradas foram criadas por John Wilson a partir das festas que ele organizava com amigos na noite da entrega do Óscar. Com a fama que ganhou, em 1987 criou-se uma cerimónia de entrega no Hotel Roosevelt, local onde foram entregues os primeiros Oscares. Normalmente os premiados não aparecem, mas já houve excepções. Em 1988 Bill Cosby recebeu os seus três Framboesas como Pior Filme, Pior Actor e Pior Argumento de TV. Ben Affleck recebeu e quebrou o seu prémio de Pior Actor por Gigli no programa Larry King Live. O troféu quebrado foi vendido e o dinheiro arrecadado serviu para alugar o local para a cerimónia de entrega dos prémios no ano seguinte. O rapaz pode nem valer muito como actor, mas tem sentido de humor e generosidade. Em 2005, Hale Berry compareceu à cerimónia das Framboesas para receber o seu troféu de Pior Actriz por Cat Woman, e fez seu discurso com o Oscar por Monster’s Ball numa das mãos e a Framboesa na outra. Este ano, Eddie Murphy deve levar uma mão cheia, tal é a quantidade de nomeações que tem o seu Norbit. Até pior actriz secundária lhe coube.
Na próxima edição faremos um balanço dos Óscares. Espero é que não malhe da cadeira abaixo. |
Saramago Parece que é desta que vamos ter uma obra de Saramago adaptada ao cinema e em grande. Rejeitando todas ofertas milionárias americanas que lhe fizeram para o Memorial do Convento, apenas acedeu a que se adaptasse a Jangada de Pedra, para mal dos nossos pecados. Uma co-produção Holandesa, espanhola e portuguesa que saiu um autêntico europudim estragado. Agora com Fernando Meirelles, o Ensaio Sobre a Cegueira promete. Blindness é o título do filme, que parte do livro de Saramago onde é narrado uma inexplicável epidemia de cegueira, e traz com ele um elenco bem interessante, Julianne Moore (As Horas), Mark Ruffalo (Zodiac) Danny Glover (Arma Mortífera), Gael García Bernal (Diários de Che). Rodado em Toronto, Montevideu e São Paulo tem tudo para ser um dos filmes mais curiosos de 2008. Como irá ficar o frenesim das imagens de Meirelles (A Cidade de Deus) com a palavra extensa de Saramago? A ver vamos. Curiosidade, este filme tem um blogue onde se tem feito o diário de produção. Visite Aqui. Ferando Meirelles soma e segue. Parece que o homem também se quer divertir e vai realizar um filme do agente Jack Ryan, quase tão famoso como o seu colega Bond. Ainda não deu como certo mas está interessado, tudo depende de conciliar a agenda. Depois de Harrison Ford, Alec Baldwin e Ben Affleck que iremo ter no papel do agente?
| OO7 – Ordem para te callares Nos finais de 2008 eis que ele estará de volta, o mais mercenário de todos os Bonds. Daniel Craig volta a vestir os fatos caros e a parecer que é inteligente, apenas para dar uns murros e pôr os vilões na ordem. Partindo do final do filme anterior, procura descobrir a verdade por trás de Vesper, a bela que o traiu, e entra assim numa missão de vingança que o levará para a Áustria, Itália e América do Sul (Panamá a fingir que é a Bolívia). A Mathieu Amalri calhou um brutal homem de negócios que, ao fazer parte de uma misteriosa organização, tenta controlar uma vasta fonte de recursos naturais (Petróleo), com a ajuda de um General sul-americano, que dizem as más-línguas é uma referência a Hugo Chavez. As belas de serviço serão Olga Kurylenko, uma actriz ucraniana, e Gemma Arterton que fará o papel de uma também agente secreta. O Homem que ficou a dizer acção é desta vez Marc Forster, um senhor que nos habituou a coisas mais sérias como Contado Ninguém Acredita ou Depois do Ódio. Vai ter que suar as estopinhas para superar o anterior. Mas a grande bomba parece vir (é apenas um rumor) com a entrada de Al Pacino numa personagem não anunciada e que vai constituir a chave de todo o mistério. Marketing ou enredo mistério? Já agora quase que dava para montar um concurso para adivinhar como vai ser traduzido o titulo original Quantum of Solace. Aceitam-se apostas.  |
Sean Peann e o armário Parece que o armário vai voltar-se a abrir este ano novamente, pois Gus van Sant vai apresentar Milk, drama baseado na história do político de São Francisco Harvey Milk, o primeiro gay assumido a ser eleito para um cargo público nos Estados Unidos. Supervisor do município de São Francisco, Harvey Milk foi morto com dois tiros pelo militante anti-gays Dan White em 1978, ao lado do Mayor George Moscone. E quem virá para se assumir a personagem? Nada mais do que Sean Penn, que pôs uma longa cabeleira, não para actuar como uma Debora Krystal, mas assumir uma imagem bem seventies. James Franco (Homem-Aranha 3) e Emile Hirsch (Alpha Dog) são mais 2 gays de serviço. Curioso é o mergulho de cabeça do Hirsh, um jovem mais típico para filme de adolescentes, que se arrisca aqui numa personagem que se pode colar a ele para sempre. O filme estreia em Novembro de 2008, estão mesmo a ver para quê, não estão? Biopic, gays, boa consciência, final de ano, realizador conceituado mas não premiado, topam? Claro que o filme já vem em caminho acelerado para a passadeira dos Óscares. O pior é quando o tiro sai pela culatra.
| Star Wars volta ao orfanato Pois é rapaziada, todos os que sentiram órfãos com o fim da série Star Wars podem já começar o processo de adopção. O outro lado da força está de volta e com 2 frentes. A primeira trata-se duma produção para TV chamada Clone Wars. No entanto será exibido primeiro no cinema na forma de uma longa-metragem, e só depois estreia no Cartoon Network dos EUA para uma temporada regular de episódios de meia hora. Em entrevista à MTV, Hayden Christensen e Samuel L. Jackson disseram que estão dispostos a voltar para dobrar as suas personagens Anakin Skywalker e Mace Windu. O foco principal do Clone Wars, todo criado através de processamento digital, ainda é a batalha pelo poder na República entre os episódios II e III da saga. O Aankin já anda a “esparvoar” mas ainda não se passou para o outro lado da força. George Lucas confirmou também uma série com pessoal de carne e osso, que se vai passar entre o III e o IV, mas em locais distantes e com outras personagens. Daquilo que se conhece, Darth Vader já existe, só se vai ouvir falar como uma espécie de mito. Todos falam mas ninguém viu. Será que se passa em Portugal?  |
Heath Ledger e o Final Cut A morte de Heath Ledger deixou uma situação complicada com o filme The Imaginarium of Doctor Parnassus, pois as filmagens só tinham começado em Dezembro e não havia muita coisa gravada com ele, apesar de já terem ardido 15 dos 30 milhões do orçamento inicial do filme. A sua substituição não é bem vista até porque a presença de Ledger foi fundamental para convencer investidores a financiar o filme com a produtora francesa Davis Film. O realizador parece apostar em retomar o filme, pois o site voltou a estar disponível. Uma das ideias é fazerem aparecer a sua personagem com várias caras e vários tratamentos de imagem. Inclusive falou-se que Jonh Depp seria um deles, mas parece que é falso. Como o filme se desenrola num ambiente de magia, à volta de um trupe de teatro, tudo isso é possível, especialmente agora que os efeitos digitais tudo permitem. Mas não é esta a única obra que ainda temos para o ver. Batman, O Cavaleiro das Trevas, também conta com a sua participação, e ainda por cima numa personagem bastante aguardada, o Joker. Como se irá ele safar do confronto com Jack Nicholson? Em Portugal ainda nos falta ver o filme I'm Not There, em ele que encarna um dos muitos Bob Dylan. Uma coisa é certa, depois destes o pano fechou-se definitivamente para Heath Ledger.
| As loucuras do Mestre Scorsece, depois de terem dito que o homem ia fazer não sei quantas sequelas do The Departed, afinal mudou de rumo e virou-se para outras loucuras mais profundas. Mas parece que não foi só de projectos que mudou, pois até o título do filme, inicialmente Shutter Island mudou para Ashecliffe, referência ao hospital psiquiátrico do filme. Mais uma vez conta com o seu menino querido, Leonardo DiCaprio, que aparece aqui no papel de uma agente federal, Teddy Daniels, que investiga o desaparecimento de uma assassina que escapou de um hospital psiquiátrico. A remota Shutter Island, mais propriamente Ashecliffe, é o seu possível esconderijo e onde acontece a maior parte da acção, que será dividida com vários flashbacks de campos de concentração na Segunda Guerra Mundial. Com este ambiente de loucos, será que é desta que o menino Leonardo vai aos Óscares? O filme está baseado no 3º livro do escritor Dennis Lehane que já foi adaptado para o cinema 2 vezes, com Mystic River e Gone Baby Gone. A julgar por esta amostra temos bom enredo. Vendo o que Bem Affleck fez, ou melhor, não fez, com o Gone Baby Gone, qualquer coisa que o Martin faça será uma obra-prima. As filmagens começam em Massachusetts, em março. Michelle Williams, Ben Kingsley e Mark Ruffalo também estão no elenco.
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Clássico – A Leste do Paraíso O rapaz até podia gostar muito de Ashes Party, ao que consta gramava que lhe apagassem um cigarros no corpo, mas que James Dean trouxe neste filme uma outra dimensão à interpretação, lá isso trouxe. E não foi propriamente nos diálogos que fez, mas na forma como geriu os silêncios. Baseando-se no livro de John Steinbeck, East of Éden, Elia Kazan conseguiu aqui um dos seus melhores filmes de sempre, enquanto se entretinha a denunciar os seus colegas às bruxas de MCCartney. A Leste do Paraíso é, assim, um retrato duplo e amargo de uma América a entrar na depressão, em que James Dean para agradar ao pai acaba por sacrificar o próprio irmão ao lhe mostrar a verdadeira razão da ausência de mãe, um bordel. Abel e Caim em versão revisitada. James Dean não teve muito tempo para mostrar que era um grande actor, mas com este filme ganhou um lugar entre os grandes.   | A Ferver com Sónia Braga Acho que tinha 14 anos. Conhecia a Sónia das suas aventuras de canela na Gabriela. Nunca tinha visto um filme com cenas de sexo, pelo menos em grande plano. Conseguir fingir que tinha 18 e ir ver aquela insónia braba toda descascada e às voltas com o fantasma do marido. Dona Flor e os seus Dois Maridos deixou-me completamente banzado. Hoje, as cenas do filme, comparado com tudo o que já vi, parecem retiradas de um diário das irmãs Paulistas. No entanto, à época, aquilo pareceu-me do mais quente que havia. Ainda guardo em memória algumas imagens difusas das cenas tórridas entre a Sónia e um tal Wilker. Guardo também o escabeche que uma senhora deu ao ter ido ver o filme com a filha menor e ter deparado com todos aqueles preparos entre a sua Gabriela e o Dr. Mundinho. A pobre senhora tentava tapar a cara à filha para que não visse o filme. Um espectáculo dentro do espectáculo.
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Garganta Funda o Parece ser muito mau para ser verdade, mas é mesmo. Knight Rider está de volta. Esse mesmo, o Kit, aquele carro horrível com um actor ainda pior, David Hasselhoff, vai regressar para um telefilme especial na NBC. Não haverá por lá ninguém que lhe passe com um camião por cima? o Paris Hilton, com o filme The Hottie and the Nottie, foi considerada o pior filme de todos os tempos na IMDB. Parece que afinal o avô era um bom crítico de cinema e por isso a deserdou em jeito de antecipação. o Jim carrey pulou de bungee jump para promover filme Yes Man. A ver como está a carreira dele bem que podia saltar de um avião sem pára-quedas que a malta já não lhe ia achar piada.
| Sopa de Estrelinhas Cá está novamente uma apreciação deste colectivo de jornalistas sobre filmes ainda não vistos, pois nada nos impede de já fazer, à semelhança de muitos, os nossos palpites do que vem aí: Diário de uma Nanny - ** Este País Não É Para Velhos - **** Michael Clayton – *** Juno - **** 10.000 AC - ** Apostamos nos irmãos Coen, nada nos leva a supor o contrário. Michael Clayton deve ser mais um filme bem feitinho. Diário de uma Nanny é para mostrar que a Scarlett também sabe fazer rir. 10.000 AC mais um 300, apenas para mostrar os efeitos digitais. Juno vai ser a grande surpresa. Apostamos.
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MINI-CRÍTICA A Expiação, as telenovelas e as navalhas intelectuais de um Barbeiro.  Menina rica apaixonada por rapaz pobre. Rapaz pobre sofre uma cilada e é culpado de um crime que não cometeu, parte para a guerra. Menina rica, rebelde dedica-se a nobres causas. Não é propriamente a sinopse da próxima telenovela da Globo, mas podia ser. O enredo de Expiação, e a forma como é apresentado, não deixa de se aproximar do tradicional folhetim, ainda que tenha requisitos de produção bastante superiores. Tal como as telenovelas mostram o mundo dos ricos para os pobres sonharem, este filme, e quase todos os de época ingleses, mostra a alta burguesia para a média burguesia intelectual amar. Cheio de filtros, banda sonora a embalar a narrativa, cenografia ao detalhe e um encher de cenas para mostrar tudo isso, o filme tenta a todo o motivo encher o olho e dar um ar de muito culto. Mas é um mau filme? Não, é um bom filme. Primeiro, porque o folhetim não tem que ser necessariamente menor. Até uma telenovela é boa, quando bem contada. Depois porque tem uma produção muito bem cuidada e não há defeitos a apontar, a não ser o academismo a preceito. A cena da fonte e do quase toque, por parte do amado, na água que banhou a amada, é das cenas mais românticas apresentadas no cinema. Só quem não amou profundamente não pode perceber o que é tocar em algo que a pessoa amada tocou. O desfecho final traz também uma certa surpresa e uma coerência com a narrativa. Vale por isso. Afinal, uma boa história de amor e sempre uma boa história de amor!
Tim Burton é dos cineastas mais complexos do cinema comercial, sim porque ele faz parte do sistema, é bom não esquecer. Aportando sempre o seu imaginário gótico, traz-nos quase sempre obras em que a morte, o sangue e os fantasmas são personagens e peças cénicas. Sweeney Todd: O Terrível Barbeiro de Fleet Street não podia deixar de trazer essas características mas com uma delas elevadas exponencialmente, o sangue. Pondo de parte toda a excelência do filme, cenografia, musica, representação, etc, esta obra apresenta-nos um manancial de cenas grotescas e arrepiantes em que não somos poupados a nada. O sangue, as vísceras, os corpos esmagados, tudo isso no é presenteado em primeiro plano. A pergunta a colocar é se havia necessidade? Não tenho a resposta, mas sei que a intelectualidade, só por ser de quem é, não põe isso em causa. Fossem essas cenas filmadas por outro e já estava emprateleirado numa estante dos Gore. Claro que podem sempre dizer que as cenas são importantes para a narrativa. As cenas são mas a forma como são mostradas não necessariamente, pois passávamos bem sem elas. O que eu acho é que havia piscar o olho ao pessoal dos filmes de terror, pois já sabemos que os musicais não pagam a água e luz que gastam. Com tudo isso vale a pena? Vale e muito. É mesmo um grande filme. Esperemos que para aproxima que um outro tentar caminhos destes, se lembrem que o sangue afinal pode ficar bem na fotografia.
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ULTIMA HORA: Parece que as greves ainda não terminaram, apesar dos argumentistas já terem posto um fim. Ainda não é desta que os produtores podem respirar de alívio, pois um outro sindicato e peso pesado está prestes a iniciar negociações, dado que o último acordo firmado termina em Junho. E quem é? Nada mais do que o Screen Actors Guild. Já se fala que os actores podem vir a ser os próximos a paralisar a Meca do cinema. Vai ser giro, as estrelas, vestidas de Prada, com cartazes na mãos a exigirem mais uns míseros cobres. |