EDITORIAL Pronto já estão despachados os de 2008. Venham os de 2009 que o forno já está a aquecer.
Sem grandes surpresas na noite do dia 24 os irmãos Coen foram finalmente coroados. Demorou mas foi. Talvez a única surpresa foi terem feito a dobradinha, deixando para trás o academismo da própria Academia e terem obrigado a sentar o bico-de-pés e académico Expiação. Este País não é para Velhos é mesmo o melhor que se apresentou naquela noite. Com a regra de todos os nomeados passarem a ser membros da Academia, tem vindo a assistir-se a uma renovação dos seus membros e dos seus gostos. Daí filmes como Colisão, Entre Inimigos e este dos Coen conseguirem o palmarés, deixando para trás todos aqueles que há uns anos levavam sempre melhor. Lembram-se que Kramer Contra Kramer venceu o Toiro Enraivecido e que um bocejo televisivo chamado Gente Vulgar venceu Apocalypso Now? Pois é my friends os tempos mudaram. O Silêncio dos Inocentes inaugurou a era. Foi talvez o ano mais consensual. Ganhou o que melhor havia. Nem mesmo o filme do Tim Burton, injustamente esquecido nas nomeações, deixou de receber um prémio que seria escandaloso não o levar, o da Cenografia. No campo da representação também foi um ano de premiar os melhores. No lado masculino não havia hesitações, os meninos Daniel e Javier já o tinham no papo. No feminino, a francesa Marion Cotillard (La Vie en Rose) surpreendeu ao bater os 2 pesos pesados Cate Blanchett e Julie Christie, devendo esta última receber o Oscarito do sorriso mais amarelo da noite. Nos Argumentos voltou a ser La creme de La creme, Coen por este País e a louca Diablo Cody, por Juno, receberam a estatueta e foi mais que merecido. A diabinha, nova menina bonita da escrita, que está a escrever uma série para Spielberg, protagonizou uma das tricas da noite a propósito de uns sapatos da Stuart Weitzman, avaliados num milhão de dólares, cravejados a diamantes, e que depois a menina não quis levar porque estava a ser usada. Uma coisa ela levou, a longa tatuagem que ofuscou a sala. Gostava de ser mosca e saber o que disseram os Carlos Castros locais. Por último Ultimato. Não se encaixando nos perfis académicos acabou por ser o 2º grande vencedor ao ganhar tudo nas categorias ditas técnicas, recriando o fenómeno do King Kong há 2 anos atrás. Um dia, à semelhança do que acontece já com o filme negro e violento, os filmes de acção vão entrar pela porta da frente e uns bons metros da passadeira vermelha vão ser deles. Estão a ficar muito modernos estes senhores da Academia. Para fechar, relembrar que nos Razzies Norbit e o Eddie Murphy estiveram em alta, como não podia deixar de ser. Morangos silvestres não facilitaram a digestão nessa noite. |
Esta malta passou-se toda Lá para os lados de Hollywood anda tudo louco. Senão vejamos:
No começo de Fevereiro, a actriz Sarah Silverman apresentou no talk show de Jimmy Kimmel, seu namorado, um vídeo bem sugestivo "I´m Fuc.king Matt Damon". No divertido vídeo, ela e Matt Damon cantavam sobre seu suposto caso juntos. Não foi uma vingança em directo mas apenas uma brincadeira. [YouTube:wnVJZkDuVBM] Só que ele, o apresentador não esteve com meias medidas e contra-atacou com um vídeo "I´m Fuc.king Ben Affleck", o melhor amigo de Damon. Além do próprio, participaram ainda Brad Pitt, Harrison Ford, Cameron Diaz, Joan Jett, Macy Gray, Robin Williams, Don Cheadle, Pete Wentz, Perry Farrell, Lance Bass, Huey Lewis e mais não sei quê. É talvez dos momentos mais divertidos da televisão americana dos últimos tempos, até mesmo uma versão bem apalavrada do We are the world foi feita. Para quem não acredite veja o vídeo abaixo e diga de sua justiça. [YouTube:sIQrBouWRiE]
Mas a história não termina aqui, pois um amigo de Affleck e Damon, o realizador Kevin Smith resolveu entrar na brincadeira e aproveitou a onda para divulgar seu novo filme, Zack and Miri Make a Porno, onde a Elizabeth Banks, a protagonista, canta uma letra "I´m Fucking Seth Rogen", o outro actor do filme. O enredo de Zack and Miri Make a Porno fala de dois amigos, Zack (Rogen) e Miri (Banks), que chegaram aos 30 anos sem grandes realizações na vida. Problemas financeiros e uma reunião de antigos colegas fazem os dois despertarem um para o outro e decidem então montar um negócio amador de cinema pornográfico. Desconhece-se a qualidade do filme, mas por certo tem uma das campanhas mais divertidas. Esperemos que depois o DVD traga como extras os famosos vídeos.  |
ShereK, afinal havia outro Ao que parece, o aspecto do personagem de um dos filmes de animação de maior sucesso de sempre não foi nenhuma criação original, pois as suas “trombas” foram criadas a partir de uma máscara mortuária do francês Maurice Tillet. Poeta e actor, Tillet nasceu em 1903. Muito inteligente, falava 14 idiomas. Na adolescência, contraiu uma doença rara, chamada acromegalia que lhe causou a desfiguração de partes do corpo.  Ele emigrou para os Estados Unidos e converteu-se num profissional da Luta livre, com o nome de 'Assustador Ogre do ringue'. Estão a ver, Ogre e tal, era mesmo a pedi-las. Lutou até quase à sua morte. Morreu em 1954, aos 51 anos, de um ataque cardíaco. Pouco antes, seu parceiro de partidas de xadrez, Bobby Managain, pediu para fazer um lifecast (máscara mortuária) dele. Tillet concordou e Bobby fez cópias em gesso da cabeça do amigo. Uma delas foi para o Museu internacional da Luta Livre, em Iowa. A outra foi para o Hall of Fame do York Barbell Building para mostrar os primórdios das formas da luta livre moderna e do halterofilismo. Dizem que foi esta última que serviu de modelo para a construção de Shrek. Afinal, tanta criação, tanto prémio, e andamos todos a rir daquilo que já tínhamos chorado, ao ver o Homem Elefante de David Lynch.
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O Homem da Mancha está de volta Ridley Scott, ainda com O Gangster Americano quente, já terminou aquele que é um dos projectos mais aguardados, a longa-metragem, Body of Lies, com Leonardo Di Caprio e Russel Crowe. No filme, DiCaprio vive um ex-jornalista que vira agente da CIA e é enviado a Amã, capital da Jordânia, para ajudar os serviços secretos locais a caçar um suposto líder da Al Qaeda que planeia atacar os Estados Unidos. Crowe será o chefe do agente. Estes americanos não largam esta paranóia. Qualquer dia ainda vão dizer que o 11 Setembro foi apenas abrir um caminho para depois terem argumentos para filmes. De qualquer forma este filme vem com uma boa chancela, pois o argumento é do William Monahan, vencedor do Oscar por The Departed, o que faz supor uma boa intriga. Mas a maior noticia nem sequer é este filme mas sim o próximo projecto de Ridley. Então não é que o homem se “amandou” à guerra-fria, mais propriamente ao seu fim e vai fazer um filme sobre o histórico encontro de Mikhail Gorbachev e Ronald Reagan, respectivamente o secretário-geral da União Soviética e o presidente dos Estados Unidos, na conferência de Reykjavik, na Islândia, onde foi colocada a primeira pedra sobre a nova era. Desconhece-se o elenco, mas aceitam-se apostas. Para mim Russel Crowe vai levar o papel de Reagan, amigo do realizador e com aquele “trombil” bastante duro encaixa perfeitamente no cowboy actor que virou presidente. O Mika é que não sei, se não estivesse tão velho, penso que o Bob Hoskins levava jeito.  |
Bin Laden e a MacDonald’s Isto da Al Qaeda começa a ser quase como pão para a boca para a rapaziada americana dos filmes. Também, depois dos comunistas se terem derretido com o Muro de Berlim tinham mesmo que arranjar novo papão para os movies, ou isto ia ficar muito monótono só com as asteróides a destruir o planeta, leia-se EUA. Bom, mas o rapaz do Super Size Me, Morgan Spurlock, o tal que andou uma temporada a pastar na MacDonald’s e depois queixou-se que estava mal do colesterol, está de volta com outro documentário, espera-se que menos cretino: Where In The World Is Osama Bin Laden?. Armado numa espécie de Indiana Jones - ou será que vem à boleia do marketing da sequela? - Spurlock faz uma caçada ao terrorista mais procurado do mundo, misturando humor, ideias e sabe-se lá mais o quê. Filmado em todos os cantos do Médio Oriente, o filme pretende traçar um panorama da região e mostrar a delicada relação entre os destinos desses povos e o consumo norte-americano. Talvez a luta contra a América seja apenas uma resistência a um modelo fast-food, que chegado lá deitará abaixo todas as convicções seculares. Não sei se irá tão longe, se calhar não vai passar de um Borat em versão arabesca. Vamos ver no que isto dá. 
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Os meninos e as meninas portam-se…bem?! Se pusermos de lado o cinema porno, podemos dizer que raramente os órgãos sexuais são protagonistas ou relevantes num filme. Mesmo sendo a parte mais determinante para a vivência da espécie humana, conjuntamente com o cérebro, são sempre os parentes pobres nos enquadramentos cinematográficos. Nem sequer a um plano maior têm direito. As mãos podem ser protagonistas, os olhos uma constante, as pernas donas de grandes planos, mas o léu léu nunca. Mas não vamos por aí, porque na série sobre o Sexo e o Cinema já abordei o assunto. A questão passa porque vem aí dois filmes em que são os aparelhos genitais que levam a melhor. O primeiro estreia já este mês, dia 27, e chama-se Vagina Dentada. Uma comédia de terror que fez furor o ano passado no festival de Sundace, vencedor do prémio especial do júri. A esse propósito escrevi há cerca de um ano (Vagina Dentada uma nova Garganta Funda? - O Sexo Psicofilmico (é 1 post sério) ). Lidando com o mito freudiano, o filme parece trazer uma brincadeira interessante com a dita cuja que não está pelos ajustes e resolve morder quem se mete com ela. Na altura houve quem visse uma certa critica à América puritana, grande produtora de pornografia mais ciosa dos bons costumes. Um outro filme, sem data marcada, é o XXY, filme Argentino, vencedor do prémio da Crítica em Cannes, 2007, e lida com o problema quando a menina vê que tem ali uma coisa a mais, o hermafroditismo. Cheio de simbolismo o filme vai avançado aos poucos desvendando o mistério que encerra a personagem de uma jovem atormentada com a sua vivência. De tanto tempo encerrados no baú do pudor, vamos lá ver como se sai esta escapadela para a luz do dia dos aparelhinhos marotos. Engraçado é ver que 2 partes do corpo, tão ligadas ao prazer, vêm aqui nestes filmes trazer uma imagem de dor. Será que Freud também explica isto? 
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Whoopy e a síndrome de Trotsky O produtor da cerimónia do Oscar, Gil Cates, pediu perdão à actriz Whoopi Goldberg por a ter deixado fora de uma montagem vídeo sobre os grandes momentos das galas anteriores, exibida durante a festa da última cerimónia. "Foi uma absoluta distracção", afirmou Cates na terça-feira seguinte, acrescentando que "não houve intenção alguma" na hora de omitir a ex-apresentadora e também já ganhadora do Oscar de melhor actriz secundária em 1991 ("Ghost”). Era só o que faltava a Whoopi. Ela não está a passar um bom momento, pois inclusive em Outubro de 2007 anunciou sua pré-reforma do mundo do cinema porque não era mais chamada para papéis, pelo menos com interesse. Assim resolveu abrir novos caminhos e participa actualmente no programa "The view", transmitido pela rede ABC e apresentado pela jornalista Barbara Walters. No programa, a actriz e outras três mulheres oferecem seus pontos de vista sobre diferentes temas da actualidade, uma espécie de Marcelo Rebelo de Sousa ao cubo e de saia travada. A omissão de Whoopi do vídeo transmitido no Oscar foi comentado no próprio programa, o que levou a actriz a emocionar-se no ar. "Não houve nenhuma má intenção. Sinto-me muito mal pelo fato de Whoopi ter ficado fora. Vou procurá-la e dizer isso pessoalmente", disse Gil Cates. O produtor especificou que a peça era uma montagem sobre os momentos memoráveis dos 80 anos do Oscar e "não sobre os apresentadores", por esse mesmo motivo actor Stevie Martin também não apareceu no vídeo. Não sei não, a mim não me convence muito, até porque ela apresentou a cerimónia 2 vezes e com bastante sucesso. O que não se pode dizer deste ano, em que a audiência foi a mais fraca desde 1974. Apenas 32 milhões assistiram à cerimónia, um milhão abaixo do último record de baixa audiência, em 2003. Dizem que a culpa foi dos filmes que não eram cativantes. Será? O espectáculo foi mesmo muito fraco. Talvez pelo receio da continuação da greve dos argumentistas, a produção teve medo de um grande pré-investimento e não arriscou. Mas também não sei se o Jon Stewart não terá alguma coisa a ver com isto. Afinal foi ele a cara do espectáculo em que além de morno, parecia haver um certo cansaço. Ficará para a história a sua piada sobre os candidatos à presidência dos EUA, em que ele dizia que no cinema quando temos um negro ou uma mulher como presidente a terra é destruída por um asteróide. Lagarto, lagarto!
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Um Clássico – Feios Porcos e Maus Normalmente ao falar de clássicos remetemo-nos para filmes se não a preto-e-branco, pelo menos bem velhinhos e que tenham nascido sempre antes dos sixties. Mas um clássico é aquele filme que amadurece com o tempo e tem sempre uma nova leitura, não deixando que a luz da técnica o queime na voragem dos dias, mesmo que seja de um passado recente. Feios, Porcos e Maus, (Brutti Sporchi e Cattivi), de Ettore Scolla é um desses filmes. Datado de 1976 é um relato angustiante sobre os bairros da lata de uma Roma esmagada pelo sua explosão demográfica e económica.
Posta de lado a dolce vita, vemos o dia a dia de uma família que se amontoa numa barraca e, com todas as agruras, segue em frente como se a vida fosse um rio ora tranquilo, ora cheio de curvas tortuosas que se contornam com alguma habilidade. Numa revisita ao neo-realismo dos anos 50, nunca a pobreza foi tão despojada de tudo, apenas fica uma miséria bruta, visceralmente mostrada, onde a nudez crua da suas gentes, dos seus vícios e do seu nada, contrasta com ainda uma certa alegria de viver. Ficará na memória a eterna avó, paraplégica, que matava os seus dias a ver televisão, sabendo, assim, qual papagaio, de cor todos os anúncios da TV. Afinal o início dos anos 70 ainda parece que habita este novo século.  |
A Ferver com a Grande Farra Mesmo sem peitos de frango, os prazeres da comida e do sexo ligavam-se. O excesso alimentar e sexual de mãos dadas. Numa sociedade de pseudo fartura os comensais enfartam-se até morrer. A degradação moral através do excesso gastronómico. Senhoras e senhores eis a Grande Farra, de Marco Ferrari. Corria o ano de 1973 e a Europa assistia à estranha e ousada ligação italiana de massas tenras com massas corporais. Só os novos ventos de 74 permitiram que a fita passasse por cá. Mas esses ventos não foram suficientes para chegar a um jovem menor na província que ficou com água na boca e não pode provar do manjar. Falar da Grande Farra era como falar de um antro de perdição a um seminarista atormentado.
Só em 1983, num ciclo de cinema italiano, pude saborear o prato que eu tinha mistificado. Foi uma mistura de desilusão, pois já tinha visto muito mais coisas, e de um certo encantamento pela forma como era desmontada uma sociedade burguesa opulenta que se afogava nos seus próprios excessos. Afinal, eu tinha 20 anos e estava na idade de todos os existencialismos tardios de 68. Apesar de tudo o filme ainda apresenta uma certa modernidade, se olharmos ao conceito de fast-food de consumismos obesos. No entanto, a provocação de outrora é agora muito inocente. Mesmo assim raramente se voltou a filmar e a ligar os 2 prazeres com tanta intensidade. Lembro-me apenas de 9 Semanas e Meia (a que hei-de voltar) e O Cozinheiro, o Ladrão, a Sua Mulher e o Amante Dela. Na memória ficou a Andréa Ferréol, mais uma “mamma roma” do cinema italiano, que com a sua professora Andrea tratava de satisfazer e apurar as carnes aos comensais, especialmente a célebre cena em que assentava toda a sua nudez traseira num enorme bolo.  |
Garganta Funda o Leonardo volta a ser traficante em Cocaine Cowboys, depois de ter sido traficante de diamantes. No próximo filme de Scorsese é um policia, e no do Ridley Scott um agente da CIA. Policia Ladrão. Será que o rapaz viu em pequeno o filme de Manoel de Oliveira, Ani ki Bóbó, e ficou traumatizado com a cantilena “tu és polícia, tu és ladrão”? Não sai disto. o Indiana Jones terá premier no festival de Cannes.Ai como eu gosto de ver estes europeus todos cheios de pompa e nariz empinado com o seu cinema, mas a precisarem do cinema americano como pão para a boca para animar a festa. Já em Veneza é a mesma coisa, premeiam os outros filmes mas mendigam pela presença das estrelas americanas. o Maria de Medeiros disse que não via os Óscares e que nem sabia os filmes. Estão verdes não prestam! Se um dia fosse nomeada era vê-la a correr, à procura de um costureiro, a contar tudo e a levar um discurso bem emocionado para ler na Academia. A humildade é uma coisa que fica bem, especialmente quando tem valor de mercado. | Sopa de Estrelinhas Mais uma apreciação dos filmes que vêm aí e que ainda não foram vistos: 10.000 AC – ** Horton e o Mundo dos Quem - ** Vagina Dentada - ** Nunca é tarde - *** 88 Minutos – ** Ponto de Mira - *** Não estou aí - **** Passados os Óscares não parece que seja grande temporada. 10.000 AC deve ser mais uma overdose de efeitos especiais, a julgar pelo trailler, sem nada para dizer. Vagina dentada passado a surpresa inicial não deve aguentar o ritmo até ao fim. Horton mais uma fita a querer Pixar. Nunca é Tarde e 88 minutos, o facto de ter Jack Nicholson e Al pacino deve dar para segurar os filmes. Ponte de Mira, alguma curiosidade. Pelo que foi visto podemos estar perante o primeiro bom trhiller de 2008. Não Estou aí, Cate Blanchett e as variantes de Bob Dylan promete. |
MINI-CRÍTICA Juno e a educação sexual  Menina pobre, adolescente, fica grávida, resolve dar a filha para adopção. O Drama, a tragédia, o horror. Não, uma excelente comédia. Partindo mais uma vez de uma família disfuncional, Juno traz-nos um novo retrato da América de subúrbios. Ao contrário de Miss Sunshine que pretendia desconstruir uma família para a voltar a juntar, Juno apenas tenta fazer pequenos esboços das encruzilhadas da personagem principal, que Ellen Page veste tão bem e que sustenta quase todo o filme. Se a mocinha ganhasse o Óscar não era de forma alguma uma injustiça para com as outras nomeadas, pois Ellen faz aquilo a que se pode dizer um papelão, tem o filme todo às suas costas, que é como quem diz, na barriga. Sabe bem ver um filme em que os diálogos são fluentes, incisivos e irascíveis. Almodôvar e Allen num só. Diablo teve bons mestres. Este País não é para velhos, é para a morte
Este País não é para velhos traz o melhor dos Coen. Esqueçam Fargo, eles voltaram a superar-se. Mas não deixa de ser inquietante esta presença, quase orgasmica, da morte nos filmes americanos de primeira água mais recentes. Tim Burton com Sweeney Todd: O Terrível Barbeiro de Fleet Street inundou-nos de sangue. David Cronnemberg nas suas Promessas Perigosas também não deixa ficar por menos, já para não falar de Uma história de Violência. Até o Oscarizado de ano passado, Entre Inimigos, aportava também quase que uma orgia de violência na sua parte final. Será que a América só se consegue reinventar no calor do crime? Ou será que esse trilho se confunde com o gatilho da sua própria História? De um momento para o outro parece que passamos a ter a morte como único ícone do moderno cinema americano. De qualquer forma o filme dos Coen é um grande filme. Mais do que a morte e a violência, é a profundidade dos abismos humanos que estão em causa, claro que sempre com uma certa dose de humor negro. Por vezes, fica a sensação que entramos na parte obscura da história de Capote, precisamente a que ele não mostra.
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