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Imagens caídas

Uma imagem vale mais do que mil palavras. Porque não fazer o contrário? Com as palavras construir e falar de imagens.

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O Holcausto não exisitiu, o Holocausto não existirá!

"Que se tenha o máximo de documentação, façam filmes, gravem testemunhos, porque, em algum ponto ao longo da história, algum bastardo se erguerá e dirá que isto nunca aconteceu"

General Dwight D. Eisenhower ao encontrar as vítimas dos campos de concentração, ordenou que fosse feito o maior número possível de fotos, e fez com que os alemães das cidades vizinhas fossem guiados até aqueles campos e até mesmo enterrassem os mortos

 

Realmente foi presságio, pois pouco mais de meio século passou e parece que já se põe em causa o que aconteceu.

Há tempos, li que o Reino Unido removeu o Holocausto dos currículos escolar, pelo menos na sua obrigatoriedade. A ser verdade é quase que surrealista. Não só por remover um dos piores horrores de sempre, como por o próprio Reino Unido ter tido o seu sangue derramado na luta contra o episódio que agora tenta não dar importância.  

Um Estado laico não se deve confundir com o alzeimerização da História. Todos sabemos que é a História que nos traz os nossos maiores pesadelos, mas também é ela que nos devolve a nossa maior condição: Sermos um animal cuja memória é uma partilha comum e de futuro.

Talvez o tempo tenha esculpido demais a monstruosidade. Talvez seja tempo de fazer um refresh na nossa capacidade de indignação.

E que tal se:

5.6 – 6.1milhões

Judeus

Bombardeássemos o Paraguai, o limpássemos completamente do mapa?

Tem 6 milhões de habitantes e já dava ela por ela

2.5 – 3.5 milhões

Polacos não-judeus

Qual torre Eifel, qual quê? Vamos arrasar Paris inteira. Com os seus mais de 2 milhões de habitantes era capaz de ficar parecido.

3.5 – 6 milhões de Outros civis

E Londres, com os seus 8 milhões, se desaparecesse do mapa? Bom, poupávamos alguns para só atingir os 6 milhões.

2.5 – 4 milhões Prisioneiros de guerra soviéticos

E porque não agora limpar Berlim, com os seus 3 milhões de habitantes?

1 – 1.5 milhões

Dissidentes políticos

Se Varsóvia já foi arrasada uma vez, se voltasse a ser a sua população cobria a parada.

200 000 – 300 000 Deficientes

Fazemos uns jogos de amizade com os deficientes nos estádios portugueses e depois implodimos tudo com todos lá dentro.

10 000 – 25 000 Homossexuais

Faz-se um espectáculo no pavilhão atlântico, põe-se lá esta cambada toda e depois lançamos gás e pronto, é 1 festa

2 500 – 5 000 Testemunhas de Jeová

Aqui um Coliseu do Recreios deve chegar. Discretamente electrificar tudo.

E se aparecesse um louco e executasse o plano acima? Será que daqui uns anos alguém iria dizer que afinal era capaz de isto tudo nunca ter acontecido, ou que se aconteceu não tinha sido uma coisa tão tão?

.

 

O 11 de Setembro vitimou cerca de 3.000 pessoas, o que chocou o mundo inteiro. Seriam necessários 2.000 atentados iguais para igualar o nº só de vítimas judaicas, bem como 5 anos e meio a serem executados diariamente.

.

Alguém suportaria tal barbaridade? Mesmo que passado 100 anos?

.

Nietzsche disse que a memória é o maior tormento do Homem, talvez seja, mas é a memória que aporta a nossa herança e nos abre portas para que o futuro possa entrar sem fantasmas do passado.

.

Mesmo num tempo em que as sombras de vítimas e carrascos, por vezes, se confundem, há que trazer a luz da memória para que esse tempo não volte a ser tempo que se apague assim.

Posted: sexta-feira, 7 de Março de 2008 21:49 por bp63
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Comentários

Anahory said:

EXCELENTE !!!!!!

MUITOS E MUITOS PARABÉNS!!!!

No entanto tenho que fazer uma rectificação.

Em Inglaterra o ensino do Holocausto não foi totalmente retirado das escolas, ficando ao critério dos professores ensiná-lo ao não, o que eu ainda considero mais vergonhoso, pois o Governo não teve a coragem de tomar uma medida e deixou algo tão importante como o ensino do Holocausto ao critério dos professores.

É INADMISSÍVEL!!!!

Como já esscrevi em diveros posts e comentários que tenho feito, quanto mais a Europa tiver medo de agir contra o fundamentalismo islâmico e contra o terrorismo,pior vai ser, pois quando um dia acordar já vai ser tarde demais.

Shalom!!!!!

Kiki

# Março 7, 2008 22:09

bluewater68 said:

bp63,

um texto com muitos links sobre aqueles que negam o Holocausto

http://sol.sapo.pt/blogs/bluewater68/archive/2007/01/05/Holocausto-_2D00_-Revisionismo-_2D00_-Israel-_2D00_-Mahmoud-Ahmadinejad-_2D00_-Nuclear.aspx

Nesse texto houve uma enorme troca de ideias com um tal 'altofalante'. Tenho a suspeita que foi o tal português que esteve presente no encontro no Irão.

Abraço

# Março 7, 2008 22:13

ramodebarro said:

Faço minhas as excelentes e judiciosas considerações de Kiki Anahory...

Está uma visão acutilante de uma realidade doentia!

# Março 8, 2008 14:25

gomes2000 said:

olá bp63,

desconhecia essa situação no Reino Unido. De qualquer forma penso que não se pode esquecer o que aconteceu, assim como outros acontecimentos a nível mundial. Não podemos esquecer e devemos estudar e aprender com todas as guerras, ditaduras, atentados, catástrofes e suas consequências, pré-guerras por incidentezinhos diplomáticos..... Nada se deveria esquecer.

Acrescento que tudo o que li, sei e filmes que vi sobre a segunda Gurerra Mundial me chocaram muito, como a todos.

O diário de Anne Frank também é estudado na escola, penso eu, pelo menos nas alemãs. Eu, estudei na EAL e posso dizer que era um assunto muito abordado. E se alguns alemães se envergonhavam ou incomodavam com o assunto, alguns/poucos, também não se manifestavam contra algumas ideologias hitlerianas...

E por aqui me fico.

Beijinhos, bom fim de semana

# Março 8, 2008 19:49

Meduarda said:

bp63,

Este teu post é do ponto de vista Histórico Admirável1

A história repete-se, vestida com outras cores, mas repete-se...

fico agora por aqui, pois agitaste a minha alma.

bjs

eduarda

# Março 8, 2008 21:09

portocego said:

Excelente poste!

Muito oportuno para reforçar a memória  que parece um bem escasso neste mundo alucinado.

Abraço,

Daniela

# Março 8, 2008 21:59

KURIOSO said:

Brilhante e oportuno!

O que me espanta nesta sanha de branquear o Holocausto, é a tortuosidade do motivo.

O Ocidente não está a negar uma das maiores vergonhas da humanidade, para desculpabilizar o ofensor (o Nazismo), mas sim para diminuir ou fazer esquecer o que sofreu o ofendido (o povo Judeu). E tudo isto para não ofendermos uma parte do mundo que não tem o mínimo pejo de insultar os nossos valores.

Por outro lado, é para mim inconcebível que, numa época em que as pessoas estão dispostas a tomar o primeiro boato como verdade absoluta, não se sinta vergonha de negar factos documentados.

Parece que o MEDO pode ser capaz de transformar verdade em mentira, e tornar obsoletos valores como ética, verticalidade e bom senso.

Maus sinais...

Abraço,

Kurioso  

# Março 8, 2008 23:13

bp63 said:

Obrigado Kiki.

Já rectifiquei o texto.

Em informação costuma-se dizer que o que não é obrigatório é não informação, pois passa a não ser transmitida.

Penso que aqui vai acontecer a mesma coisa.

A verdade não pode chocar a cultura de ninguém. Se o fizer então é porque há algo de errado nessa mesma cultura.

Beijo

# Março 9, 2008 10:08

bp63 said:

Blue

Lembro-me desse texto, por várias razões, entre elas o facto de o ter lido bem longe e de achar que foi talvez a melhor coisa que li sobre o assunto (e não estou a falar de Blogues).

Quando editei este post, fiz questão de não o ir ler, nem fazer grandes pesquisas, porque queria apenas que ficasse aqui um registo emocional cruzado com factos históricos.

As consequências da 2ª guerra são imensas e muito discutíveis, mas o que aconteceu é imutável. Até aceito que possam não ter sido 6 milhões de Judeus, mas que diferença faz entre terem sido mortos 6 ou 2 milhões? Não é bárbaro na mesma.

A questão Israel-Árabe, como tu bem dizes lá, é outro departamento e aí toda a gente tem sangue nas mãos. Incluindo ?nós?.

Abraço

# Março 9, 2008 10:34

bp63 said:

Ramobarro

Diz bem "uma realidade doentia".

Um abraço

# Março 9, 2008 10:35

bp63 said:

Meeduarda

A história não só se repete, como se pode repetir com maior intensidade nos seus erros, se a memória for algo diluida.

Bjs

# Março 9, 2008 10:36

bp63 said:

Gomes

É complicada a relação dos Alemães com este tema. Admito que não seja fácil lidar com a culpa. Mas há uma coisa que admiro neles, são dos que mais insistem em não deixar apagar a memória e fazer com que a História não possa ser revisitada com cores mais bonitas.

Beijo

# Março 9, 2008 10:39

bp63 said:

Daniela

"a memória um bem escasso", diz bem. O problema é que face à sua escassez começam aparecer sucedâneos, a trazer-nos um tempo de plástico, bem mais colorido, como se estivéssemos num parque de atracções.

Abraço

# Março 9, 2008 10:42

bp63 said:

Kurioso

?é a tortuosidade do motivo?. Sim.

Quando tivemos todo este tempo para dourar a pílula para desculpabilizar um povo ?irmão? europeu, os Alemães, e nunca fizemos, vamos agora começar a mudar o rumo porque há confrontos com o pensamento ou sensibilidades de partes que estiveram de fora (a questão Israel-Árabe é posterior).

Nem sei em nome de que valor se faz isto. Estado Laico? Não acredito. Defendo, sempre defendi, um Estado laico, em que a liberdade não seja uma coisa condicionada por valores religiosos já impostos. Mas isso não implica que se corte com as referências histórias. Uma coisa é a religião que eu professo, outra coisa é o contexto da cultura religiosa na sociedade e na história. Não há porque negar. Muçulmanos, e qualquer outro, não têm que ter os valores dos Judeus, ou outros, mas têm que saber os factos históricos que envolvem os que tinham valores diferentes. E vice-versa.

Uma dúvida existencial. Respeito todas as liberdades, mas será que valerá a pena respeitar a de quem não respeita a dos outros? Interrogo-me muitas vezes. Para já continuo a pensar que por princípio, respeito todas.

Abraço

# Março 9, 2008 10:53

PSCGF said:

Bp,

O holocausto existiu e permanecerá sempre vivo , apesar de algumas especies raras...

Eu estive a falar com um cliente Belga que é Judeu e comentei-lhe este assunto e ele disse-me :

"Não dou importância a essas atitudes porque nada vai branquear o que se passou e os tristes que hoje o querem fazer , são pagos para banalizar este holocausto e assim relativizam todas as guerras e mortes do passado , do presente e do futuro"

Foi mais ou menos isto ...E concordo com ele.

Quanto ao ensino em Inglaterra , quando a Kiki levantou esse problema , fui informar-me e realmente ficou ao criterio dos professores para certas idades . Isto é , os professores decidem qual a idade e classe que o Holocausto e a Escravatura deverão ser ensinados ,tendo em consideração a população escolar.

Temos que nos lembrar que uma criança africana numa aula ao ouvir que os seus antepassados foram escravos poderá deixa-la com a autoestima em baixo e deixará de certeza uma meia duzia de espertos a desejar escraviza-la...

O mesmo poderá acontecer com as crianças judias...

È a minha opinião . E admiro a abertura de certos povos ás diferenças culturais daqueles que lá vivem e frequentam as suas escolas.

Agora nunca por nunca alguem conseguirá anular esta monstrusidade da Historia , por mais que tentem...

Um grande beijinho

Paula

# Março 9, 2008 11:08

bp63 said:

Paula

Compreendo os teus argumentos e sei que não é fácil falar de algumas coisas em determinadas idades. Mas deixar que tudo fique ao critério de alguém é o mesmo que abrir a porta para não se falar.

Vejamos. Eu sou professor no ano X e acho que não está na altura de falar do assunto, até porque tenho em sala uma população susceptível. Eu sou outro professor no ano X+1 e acho que aquilo devia ter sido falado no ano X, pois tinha enquadramento e agora não tem, face ao currículo do ano, ou então achar que o ano X+2 era melhor.

Andamos assim e um dia destes as crianças saem da escola sem ter ouvido falar no assunto. Depois admiram-se que o neguem.

Sou pela objectividade clara nestas matérias. Deve ficar bem definido quando, como e por quem vai ser dada uma matéria.

Beijo

# Março 9, 2008 11:31
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