O Peso dos Dias

Porque há dias em que o tempo nos pesa. As sombras e as luzes dos caminhos que traçamos entram nessa balança, ela própria temporal e devoradora de pesos.
Tentamos contornar as suas arestas, mas aí, esse tempo, cria novas marcas.
Saltar para cima de um muro e gritar eu estou aqui!!! Devolve-nos um eco, sim estás aí como estão todos. Quem pensas que és?
Porque não pintar o muro com cores diferentes, tijolos de vidro e deixar que as imagens atravessem os dois lados, criando pontes entre os espelhos?
Simplesmente, porque uma parte do tempo teima sempre em betonar ainda mais essas paredes, tornando-as opacas de frio, enquanto a outra vai desfazendo e reduzindo a pó de memória os seus alicerces.
No seu alto, sentimos que há uma parte que parte, deixando ficar uma parte do que construiu. No entanto, a que fica, fica em silêncio criando margens que se pintam com as vozes do tempo que partiu.
Porque há dias em que o tempo não tem tempo assim, apenas a tolice dos dias gastos que se esquecem de mim. E ainda bem!
14-03-2008