SOL

Imagens caídas

Uma imagem vale mais do que mil palavras. Porque não fazer o contrário? Com as palavras construir e falar de imagens.

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Estradas de Papel - As Sombras do Medo - TIFAMI

Num tempo de GPS, os nossos verdadeiros caminhos ainda se definem e se cruzam por desígnios pouco electrónicos. Qual folha de papel, os seus traços desenham-se grosseiramente com a tinta das marés, ora calmas ora agitadas, que nos embebedam os dias.

Nessa confluência de trilhos em que acabamos por desembocar, por vezes perguntamo-nos porque razão a nossa estrada nos trouxe para ali, porque nos juntou a outros para viver uma situação que em nada estava programada?

Com base nesse mapa traçado por um acaso, em que várias personagens se cruzam para misturar os seus próprios caminhos e enfrentar os seus próprios medos, baseei o meu próximo TIFAMI (Trailers Imaginários de Filmes Ainda Mais Imaginários). 

Aviso à Navegação, não se trata do clássico filme de terror, em que um grupo de pessoas, com alguns traços em comum, se junta numa casa assombrada. A existir terror será o que cada um constrói dentro si mesmo. É apenas um projecto de história em que por força de um acontecimento forte, diferentes personagens vão entrar em rota de Colisão.

ESTRADAS de PAPEL

 

 Amélia

Sem olhos doces, vive fechada no seu mundo e nos seus 70 anos. Não conseguindo distinguir já muito bem a realidade do que espreita na sua janela televisiva, acredita que o mundo vai acabar dentro em breve, por ter visto isso num filme. Assim, abastece-se de compras e fecha-se numa parte de um velho casarão que habita sozinha, à espera do Apocalipse. No entanto, uma companhia muito especial e confusa vai interromper a sua solidão.  

Cena 1: Supermercado. Interior. Dia.

Plano geral de um pequeno supermercado. Amélia está junto à caixa registadora a colocar produtos no tapete. Coloca quantidades enormes de pacotes de batatas fritas, chocolates e bolachas. Empregada olha atentamente a pilha de produtos.

Empregada: Dona Amélia tem a certeza que quer levar isto tudo? Vai acabar o prazo antes que consiga comer tudo.

Amélia: Pois vai, o prazo e o mundo. Não passa desta semana e termina tudo.

Empregada: Lá está a senhora com isso.

Amélia: É verdade. Ontem à noite voltaram a anunciar. Vai cair um “esteroide” ou lá que é e vai destruir quase tudo. Vai se terrível.

Empregada: Terrível vai ser para o seu estômago a comer estas porcarias todas.

Amélia: Ó filha, a dizeres tão bem dos produtos que vendes não vai longe. O teu patrão que não se ponha a pau que ainda lhe dás cabo do negócio. Só não dás porque tudo isto vai estourar.

Cena 2: Sala de Amélia. Interior. Anoitecer.

Amélia fecha todas as janelas. Coloca Oreos, batatas-fritas e chocolates no prato do gato. O gato olha para o prato e vai para debaixo do sofá.

Amélia: Arma-te em esquisito, arma-te! Agarro em ti e ponho-te lá fora, levas com o meteorito na cabeça começas logo a gostar do manjar.

Ouve-se um barulho forte. Ouvem-se gritos. A casa treme.

Amélia: Pronto, chegou (ajoelha-se).

Plano picado de Amélia de joelhos no meio da sala.

 

Gustavo de Almeida

Cirurgião Plástico.  Considera o corpo a obra de arte suprema. Vive fascinado com os corpos que modificou, considerando-se um seu verdadeiro criador, como se fosse uma extensão de Deus. Numa velha mansão faz réplicas das suas obras. Amélia, que habita por cima, pensa que são corpos verdadeiros que se armazenam lá e que isso também é um sinal do fim do mundo.

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Alexandre

Jornalista especialista em famosos. Tem uma coluna num jornal, a célebre coluna da direita de Alex, onde faz um ranking dos famosos. Com uma fórmula desconhecida, mas onde se misturam critérios de eventos, as roupas, as obras, todos lutam para figurarem na coluna. Alexandre como fabricante de famosos está agora interessado em promover Gustavo, pois espera poder obter uma operação de borla. Marcou com ele uma entrevista no velho casarão.

Cena 3: Salão do Casarão de Gustavo. Interior. Final de tarde

Alexandre entra na sala. Grande plano do olhar de Alexandre. Panorâmica da sala. Diversos corpos e parte de corpos estão expostos pela sala.

Alexandre: Isto parece o Madame Tussauds.

Gustavo: A técnica é a mesma. Refaço os corpos com o antes e o depois. (vai acariciando algumas das peças)

Alexandre: Mas porque faz isto? Dá imenso trabalho. Não era mais fácil fotografar?

Gustavo: (acaricia uma réplica de uns seios) Não é a mesma coisa. Só assim posso voltar a ter uma parte da minha criação. Deus fez uma parte, eu faço a outra.

Alexandre: Acha-se um pouco como ele?

Gustavo: (continua a acariciar, parecendo tirar um prazer erótico) Melhor. Ele criou uma obra incompleta, deficiente, eu tornei-a perfeita… (mostra uns seios flácidos) Está a ver isto? Isto era uma mulher infeliz. (apresenta outros seios, com um bom volume e rijos, que fazem farte de um manequim completo) Esta é a mulher feliz.

Alexandre: Mas essa parece a Vivi.

Gustavo: Ops, já fui descoberto.

Alexandre: Esta não vou perder (prepara-se para fotografar o modelo com o telemóvel).

Gustavo: Não! (grita) Nunca, não volte a fazer isso. Ninguém retrata as minhas divas.

Alexandre: Só ia fazer uma chamada.

Gustavo: Ia?! Aqui não adianta, nesta casa não há rede. Nunca percebi que estranho fenómeno se passa aqui, mas não há nenhuma rede de telemóvel que funcione. Por isso resolvi montar aqui o meu Olimpo, ninguém me incomoda.

Ouve um barulho forte. Alexandre fica assustado.

Gustavo: Não se assuste, deve ser a D. Amélia a correr atrás de um gato. É uma velha criada dos meus pais que eu deixei ficar a viver num piso de cima.

O barulho intensifica-se. Ouvem-se gritos. O barulho aproxima-se. Ecrã negro.

 

Vivi

Dama da Sociedade, não se lhe conhece profissão a não ser participar em eventos.  O seu sonho é entrar na coluna de Alex. Pensou que com a operação que fez aos seios já tinha conseguido. Organizou uma grade festa em nome de uma associação de crianças deficientes, para mostrar a nova grande obra do seu corpo. Mas não foi suficiente, não alcançou pontos suficientes. Agora tentava levar a cabo um desfile de moda a favor dos sem-abrigo. Acha que desta vez vai capitalizar os elementos necessários para figurar na dita coluna.

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Mimi

Filha de Vivi, ex-estudante de Jornalismo, ex-estudante de psicologia, ex-voluntária, tem agora uma única obsessão, fazer uma plástica para conseguir um nariz e um queixo diferente para entrar no mundo da televisão.

Cena 4: Festa de Vivi- Jardim. Exterior. Noite

Panorâmica da festa. Vivi conversa com um convidado.

Convidado: Está estupenda Vivi. Os anos por si são ao contrário, só lhe dão juventude.

Vivi: Simpatia sua, António. (Mimi acena-lhe) Peço desculpa a pequenota chama-me. (Vivi afasta-se)

Convidada: (para o outro convidado depois de Vivi se afastar) Juventude! Não fosse o bisturi do Dr. Gustavo de Almeida, eu queria ver. Onde já se viu uma senhora na idade dela com umas maminhas assim? Devem pensar que viemos lá da serra.

 Convidado: Antónia, a menina por vezes fica tão povo, agora parecia uma porteira.

Convidada: É! As outras é que ando a pavonear o corpo emprestado e eu é que sou porteira. Olhe, António, arranje-me mais champanhe que estou a ficar possessa.

Vivi chega junto de Mimi.

Vivi: Mimi, veja se não me monopoliza, sabe que a mãe tem que dar muita atenção, está muita coisa em jogo.

Mimi: Mamã, já viu o Dr. Gustavo?

Vivi: Não.

Mimi: Será que ele vem, mamã?

Vivi: Sabe como são os médicos têm sempre coisas de última hora. Fique tranquila que o mundo não acaba hoje.

Mimi: Mas mamã eu preciso tanto de falar com ele. Sabe como essa operação é importante para mim, só mudando o nariz é que serei alguém. E os médicos cá não gostam de fazer operações a pessoas muitos jovens. Quem me dera estar no Brasil.

Vivi: Acha que eu tenho cabeça para pensar nisso? A minha coluna está em jogo, nunca mais consigo as estrelas necessárias. Ninguém merece estar lá tanto quanto eu. A menina está com muita ansiedade, vá tomar um calmante.

Mimi: Acho que vou chorar se ele não vier!

Vivi: Quer levar um estalo? Olhe, vamos fazer o seguinte, se ele não vier, vamos nós ter com ele. 

Mimi: Mas no consultório nunca mais vai chegar à minha vez.

Vivi: Por isso mesmo. Eu sei que ele todos os fins de tarde vai a uma velha casa em Sintra, nós vamos lá ter e fazemos uma surpresa. Ele quando me vir a mim não vai dizer que não, estava tão orgulhoso da sua obra… Ó Mimi, trate-me de pintar esse cabelo. Como quer que as pessoas me vejam como loura se a menina começar a virar morena?

Cena 5: Jardim da Mansão. Exterior. Anoitecer

O carro de Vivi entra no jardim. Vivi e Mimi saem do carro e dirigem-se à casa.

Mimi: Mamã, a casa é assustadora!

Vivi: Tenha calma Mimi, que o pior é lá dentro, parece o laboratório de Frankenstein.

Mimi: A mamã já cá veio?

Vivi: Como pensa a menina que consegui a operação? Acha que foi por uma consulta simples, faz ideia do que custam as mãos daquele homem?... Aviso-a de uma coisa, se ele se mostrar um pouco atrevido não se faça de pudica. Deixe-o seguir, ele só quer mexer na sua obra antes de a esculpir.

Ouve-se um barulho enorme. Vivi e Mimi gritam. Correm para a casa. Ecrã negro.

 

Adelina

Emergente da Sociedade, gosta que a tratem por Deli. Casou em segundas núpcias com Dr. Gustavo. Tentou a todo o custo ser aceite na alta sociedade, mas apenas foi tolerada por estar casada com um homem bastante importante, afinal uma manicure ainda não tem o pedigree suficiente para entrar pela porta principal do glamour social. Percebendo que o casamento estava por um fio e que, face à cláusula de um contrato, o divórcio a ia deixar sem grandes recursos, procurou uma solução mais drástica.

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Pibe

Rapaz sem profissão, cujo caminho, que cedo começou a traçar, não tinha cruzamento com o lado legal da vida. Furtos, agressões, burlas, tudo palavras que o seu vocabulário e o seu cadastro bem conheciam. Cansado de uma marginalidade menor resolveu fazer um up grade na sua vida. Tornou-se um criminoso a soldo. Por intermédio do amante de Adelina esta contratou-o para matar o marido.

Cena 6: Esplanada. Exterior. Dia

Grande plano de um cheque. Adelina assina-o. Pibe e Adelina estão sentados numa mesa de uma esplanada.

Pibe: Mas o que está a fazer? Vai assinar um cheque?

Adelina: Não quer assim? Pensei que não queria andar com o dinheiro por aí.

Pibe: Eu não acredito nisto, ainda me vou passar. A dona manda-me despachar o seu querido e quer pagar-me com um cheque?

Adelina: Fale mais baixo que ainda nos podem ouvir.

Pibe: Pelo menos a burrice não a deixou surda.

Adelina: Quem pensa que é para me tratar assim?

Pibe: Sou o ca.brão que vai limpar o sebo ao seu marido e que a dona contratou, por isso não me venham com mer.das.

Adelina: É melhor esquecermos tudo (tenta-se levantar mas Pibe agarra na mão).

Pibe: Onde pensa que vai? Sente-se! (Adelina volta a sentar-se). Vamos esclarecer uma coisa, este negócio não tem volta atrás. Mesmo que não faça o serviço quero a massa. Ou quero que eu vá chibar tudo á móina?

Adelina: Vamos acalmar-nos, eu estou muito nervosa. Eu vou já levantar o dinheiro e entregá-lo.

Pibe: Ok, assim é que é bonitinho. O doutor vai lá estar?

Adelina: Sim, ele vai lá estar, não falta uma tarde. Eu depois apareço depois das sete para dar o alarme.

Pibe: Não, só vai quando eu lhe der sinal.

Adelina: Mas a maldita casa não tem rede.

Pibe: Apareça então quando quiser, se tiver que fazer o serviço à sua frente, faço. Tem mesmo a certeza que não está ninguém por lá?

Adelina: Tenho. Ele vai sempre só. Vive lá uma velha senhora, mas está fechada no piso de cima e já está choné. Mesmo assim vai-me dar jeito para ser minha testemunha.

 

Salvador

Cansado de uma vida fausta, em que já tinha viajado o mundo e experimentado todas as sensações, Salvador procura agora novas emoções que o retirem do tédio da sua vivência abastada, em que tudo está sempre resolvido pela passagem eterna de muitos cartões de crédito dourados.

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Cena 7: Festa Vivi - Sala. Interior. Noite

Francisco e Nuno estão sentados num sofá com copos na mão. Salvador está de pé em frente a eles.

Salvador: Deixem-se disso, essa adrenalina é para bebés. É preciso coisas fortes, para speedar altamente.

Nuno: O que vais fazer, matar alguém para sentires uma adrenalina forte?

Salvador: Exactamente. (olha para a sala, que está vazia, ouve-se barulho no jardim)

Salvador tira uma pistola do bolso e encosta-a à cabeça de Francisco.

Salvador: Então?! Está carregada.

Nuno: O que estás a fazer?

Francisco: Pára, Salvador, por favor!

Nuno: Passaste-te?

Salvador: Nuno, disparo?

Nuno: Salvador, com isso não se brinca.

O suor escorre pela cara de Francisco, Nuno está estático com um olhar incrédulo, Salvador olha directamente para Franscisco e guarda a pistola. Começa a rir-se. Francisco levanta-se e agarra Salvador. Nuno tenta separá-los.

Salvador: Calma, era só uma brincadeira.

Francisco: Com isto não se brinca.

Acalmam-se.

Salvador: Eu que queria mostrar é como podemos encontrar uma adrenalina verdadeiramente nova, a da morte.

Nuno: Mas vamos sair por aí a matar pessoas? Por amor de Deus, poupa-me!

Salvador: Não. Mas podemos sentir essa mesma adrenalina no olhar. Tu viste o olhar do Francisco? Nunca olhou assim, sentir que o fim podia estar próximo. Vamos fazer uns assaltos e curtir esse olhar nas pessoas. Sentir o quase cheiro da morte nas nossas veias.

Francisco: Isso não faz, andar a assustar as pessoas.

Salvador: Não sejas puritano, todos os dias assustamos pessoas. O pessoal que despediste na empresa do teu pai de um dia para o outro, o que lhe fizeste? Não lhe provocaste um susto de morte? Que tipo de olhar eles levavam quando saíram? Ao menos o que eu proponho é uma brincadeira e no fim podemos soltar umas notas, dar uma chuva de dinheiro às vitimas. Vão ver que eles trocam logo o medo pelo cash.

Vivi: (entra na sala) O que é o que meninos estão a tramar?

Cena 8: Rua. Exterior. Noite

Francisco, Nuno e Salvador, mascarados, estão à volta de um sujeito. Salvador tem a pistola encostada à cabeça da pessoa

Salvador: Passa para cá a carteira!

Assaltado: Eu não tenho dinheiro nenhum, só vim passear um pouco.

Salvador: Ai, ai! Passa para cá a carteira ou levas já um tiro nos miolos.

Assaltado: Pronto, pronto!

O sujeito tira uma carteira e entrega-a a Salvador. Este atira-a para o chão.

Salvador: Não quero isso. Eu quero isto (e aponta a pistola ao centro da testa do assaltado, dispara, ouve-se um click sem disparo). Para já tiveste sorte.

O sujeito treme todo. Salvador estica a mão e Nuno passa-lhe um conjunto de notas. Salvador despeja-a na cabeça do assaltado.

Salvador: O teu prémio, rapaz.

Os 3 fogem. O Assaltado fica só caído no chão, coberto com algumas notas.

Cena 9: Rua. Exterior. Dia

Pibe caminha na rua para o seu carro. Quando se prepara para entrar sente algo. Vira-se. Tem uma pistola apontada à cabeça.

Salvador: Passa para cá a carteira!

Pibe: Ó meu, sabes o que estás a fazer?

Nuno e Francisco aproximam-se.

Salvador: Deixa-te de conversas ou vais fazer companhia aos anjinhos.

Pibe: Eu perguntei, não perguntei?

Antes que Salvador pudesse reagir já tinha também uma pistola apontada á cabeça. Os dois olham-se mutuamente, cada um com uma pistola apontada.

Pibe: Agora, se eu for não vou só. Queres arriscar, tens tomate para isso?

Salvador: (gagueja) Ó pá, já que estamos em igualdade de circunstância vamos ficar pelo empate.

Pibe: Empate? Nunca! Nesta vida é ganhar ou perder. Temo meu menino é que o teu jogo já acabou. Nem balas deves ter nessa porra. Vamos experimentar, disparamos ao mesmo tempo.

Salvador: (baixa a arma) Pronto, levas a melhor. Isto era só uma brincadeira.

Pibe: Já sou muito crescidinho para brincar. Gosto mesmo é de uma tusa a sério.

Pibe empura Salvador contra o carro.

Salvador: (grita) Fujam!

Nuno e Francisco fogem.

Pibe: Agora vamos brincar nós, nem imaginas quanto. Entra aí!

Salvador entra na bagageira.

Cena 10: Jardim da Mansão. Exterior. Anoitecer

O carro de Pibe aproxima-se da casa. Pára antes do portão. Pibe entra no jardim e caminha para a casa.

Cena 11: Bagageira. Interior. Anoitecer

Salvador dentro da bagageira tenta sair. Ouve-se um barulho forte. Salvador dá voltas e voltas dentro da bagageira.

Cena 12: Jardim da Mansão. Exterior. Anoitecer

Salvador sai da bagageira do carro, que está virado ao contrário já dentro do jardim da casa. Salvador meio atónito tenta colocar-se pé. Olha aterrorizado à sua volta. Corre para o interior da casa.

Cena 13: Jardim da Mansão. Exterior. Anoitecer

O carro de Adelina pára junto ao portão da casa. Ela sai, repara no carro de Pibe parado um pouco mais à frente. Sobe as escadas que vai dar á porta de Amélia.

Adelina: Boa tarde Dona Amélia, por acaso viu o Dr. Gustavo?

Amélia: Não vim.

Adelina: Ficamos de nos encontrar aqui, mas eu bato á porta e ele não responde. Ainda tem a chave?

Amélia: Tenho aquela que liga por dentro. Entre.

Cena 14: Corredor da Mansão. Interior. Anoitecer

Adelina e Amélia caminham pelo corredor que liga à parte debaixo da casa.

Amélia: Temos que nos despachar. Vai ser hoje, a grande tragédia. Tudo vai acabar.

Ouve-se um grande estrondo a casa treme. Adelina grita e corre pela casa. Abre a porta da sala, quando o marido, ainda vivo, lhe aparece por trás ela grita ainda mais.

 

Mafalda

Os seus dias estão muito azedos. Acha sempre que tudo lhe corre mal. Depois do divórcio, em que ela apanhou o marido com uma adolescente na sua própria cama, nunca mais conseguiu um equilíbrio com o mundo. Vive em rota de colisão com todas as pessoas, especialmente com o seu filho Ricardo. Em vésperas de uma viagem profissional vai levar o seu filho para a casa dos avós.

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Ricardo

Filho de país divorciados, tenta tirar partido dessa situação criando imensos problemas à sua volta, por forma a chamar a sua atenção. Como compensação tem um mundo material a seus pés.

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Cena 15: Parque. Exterior. Dia

Mafalda conduz o carro. Ricardo segue no banco de trás, a jogar com a PSP

Mafalda: Podes tirar o som a essa coisa? Já não suporto tantos pis pis.

Ricardo: Tu nunca suportas nada. Se é o computador é porque é o computador, se é a televisão é porque é a televisão, o mundo para ti tinha que ser todo mudo.

Mafalda: Se tivesses tanta astúcia nos estudos como tens para dares respostas parvas, não tínhamos os problemas que temos.

Ricardo: Já cá faltava a escola! Se tu tivesses mais calma éramos todos mais felizes.

Mafalda: Ricardo, não me dês respostas tortas que eu paro o carro e dou-te um par de estalos.

Ricardo: (baixinho) O namorado dá-lhes com os pés e eu é que aguento.

Mafalda: O que disseste? Sabes que detesto que fales para dentro. Nunca mais este miúdo tem maneiras. Mas que mal fiz eu a Deus para ter este calvário? (ouve-se um ruído no carro) Oh, não! Era só o que me faltava, um furo.

Ricardo: Pelos vistos fizeste muito, pois o calvário está a aumentar.

Cena 16: Parque. Exterior. Dia

Mafalda entra por um portão dos fundos da casa de Gustavo.

Ricardo: Ó mãe, tens a certeza que não era melhor tentarmos mudar o pneu ou chamar alguém? Esta casa parece assombrada.

Mafalda: Andas a ver muitos filmes, é o que é. Bom, se não ajudarem pelo menos podemos telefonar.

Ricardo: A não ser que eles também tenham as baterias descarregadas como alguém que eu conheço.

Ouve-se um grande estrondo.

Mafalda: Meu Deus, o que terá sido?

Mafalda e Ricardo contornam a casa para ver o que se passa. Ricardo vai frente. De repente começa a correr.

Ricardo: (grita) Foge mãe, foge!

Mafalda agarra no braço de Ricardo, bate num porta furiosamente, a porta abre-se e eles atiram-se para dentro da casa.

 

Henrique

Camionista, vive uma vida de constante mutação. Cidades e mais cidades são o seu território, quase família. A família, essa cada vez mais longe, não ela separação dos quilómetros, mas porque cada vez mais a voz de cada um se ouve menos. Sabia que mais dia menos dias ia ouvir, está tudo acabado.

Restava-lhe uma grande paixão, a Ópera. Quando parava o camião nas grandes cidades, não procurava a folia nem o descanso, como a maioria dos seus colegas, mas sim os grandes espectáculos que pudessem estar em cartaz. Desta vez tinha ido levantar uma carga que lhe estava a complicar um espectáculo no S. Carlos.

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Cena 17: Parque. Exterior. Dia

Henrique pega nuns papeis que o cliente lhe entrega.

Cliente: Tenha muito cuidado com a carga, olhe que é mesmo muito perigoso conduzir isso. Mas também não vá muito devagar porque tem que fazer a entrega ainda anda do fim da tarde, senão já não está ninguém para a receber.

Henrique: Pode ficar descansado que estou habituado. Também não me posso demorar muito porque tenho que estar às 9.30 no S. Carlos.

Cliente: S. Carlos?

Henrique: Sim, vou ver o Rigoletto outra vez.

Cliente: Nunca imaginava que o meu amigo fosse a uma ópera.

Henrique: Porquê, por ser camionista? Acha que tenho que gostar de Quim Barreiros?

Henrique olha o camião e sobe.

Cena 18: Estrada. Exterior. Dia

Henrique conduz. Ouve o Tannhauser de Wagner. Relembra (flashback) algumas palavras da sua mulher em discussão. Sobe o volume do som da ópera. Algo não perceptível atravessa-se de repente no seu caminho. Ele trava. Fundo negro. Ouve-se um estrondo.

Cena 19: Mansão. Interior. Noite (montagem de várias cenas)

Plano picado sobre o salão. Todos tentam desesperadamente comunicar com os telemóveis.

Gustavo: (ri-se) Não adianta, estamos só com o mundo!

Adelina: Deves ter sido tu que montaste aqui alguma coisa para não haver rede.

Alexandre: Tenham calma que alguém vai vir nos procurar.

Ricardo: Sim, mas primeiro vão ter que morrer alguns quantos. É sempre assim nos filmes. A minha sorte é que as crianças safam-se sempre.

Mimi: (grita, toda ensaguentada) Mamã, mamã, acho que tenho o nariz partido!

Gustavo: (aproxima-se da cara de Mimi e sussurra) Isso não é nada! Imagine o que seria se fosse a minha faca a deslizar suavemente por aí (lambe um pouco do sangue da cara de Mimi).

Mimi: Mamã, começo a pensar que estou bem assim. Não sei se a operação é uma boa ideia.

Vivi: Alex, com este pesadelo todo acho que já mereço estar na sua coluna, bem no topo. Quem dos seus eleitos já passou por uma experiência assim?

Alexandre: Não sei Vivi, não sei. Olhe que quem provou os seus canapés na sua última festa não sei se não teve uma experiência de maior risco.

Pibe aparece e dispara sobre um manequim, aquele que representa a Vivi. A cabeça solta-se e rola no chão.

Mimi: Mamã, mamã!

Pibe: Vamos lá por ordem nisto, parece um galinheiro.

Ricardo: Eu diria que parece mais uma tourada.

Pibe: Não te armes em engraçadinho, senão és o primeiro a fazer companhia à boneca que perdeu a cabeça por me ver.

Mafalda: Se gastasse os tiros naquilo que está lá fora, talvez fosse melhor e não se perdia tempo.

Pibe: E que tal perdemos um pouco de tempo, só nós dois?

Gonçalo: Mas de onde apareceu esta criatura agora? Será que hoje despejaram o circo em minha casa?

Pibe: Pergunte à sua mulherzinha e vai ver quem é o palhaço principal?

Salvador: Temos que fazer algumas coisas, não podemos ficar fechados aqui. Há que enfrentar as feras.

Pibe: Concordo, ó palhaço!

Pibe agarra em Salvador e antes que ela possa reagir atira-o pela janela.

Pibe: Estão a olhar para quê? Nunca ouviram que é necessário um sacrifício para acalmar a besta?!

Mafalda: (olhando para Mimi, com a cara ensanguentada) Engraçado, acho que a conheço de algum lugar.

Mimi: (mexendo na cara e espalhando mais o sangue) Não creio, deve ser das revistas.

Vivi: (olhando o molde do seu peito antes da operação) Quando sair daqui vou organizar o maior evento do mundo, a festa dos mártires.

Amélia: (grita, toda ensaguentada) Mas acha que vai sair? Estamos condenados, eternamente condenados. Porque é que todos os caminhos os conduziram até aqui, hoje precisamente no momento da tragédia? Porque há um ponto para o qual estávamos todos destinados, o ponto final.

ESTRADAS DE

PAPEL

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Cena 20: Mansão. Interior. Noite (montagem das cenas de correria)

Gustavo corre atrás de Adelina com um bisturi na mão, depois de saber que ela encomendou a sua morte. Mafalda corre atrás de Mimi, quando finalmente descobre quem ela é. Vivi corre atrás de Alexandre com a prótese dos seus seios novos para que este valorize a sua acção. Ricardo e Amélia estão sentados a contemplar toda a histeria. 

Ricardo: Adultos! É por estas e por outras que eu compreendo bué o Peter Pan.

Porque todos os caminhos paralelos se encontram um dia

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Cena 21: Corredor da Mansão. Interior. Noite

Mafalda e Alexandre correm. São perseguidos por algo que provoca um barulho enorme com os seus passos. Caem. Ecrã negrão.

Cena 22: Abrigo. Interior. Noite

Salvador e Henrique estão abrigados num local apertado. Ambos estão ensanguentados.

Salvador: Acho que começo a curtir de novo umas ondas no Hawai.

Algo sopra ao lado deles. Ecrã negro.

O MEDO é apenas uma SOMBRA das nossas VERDADES

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ESTRADAS DE

PAPEL

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Posted: segunda-feira, 17 de Março de 2008 18:33 por bp63
Arquivado em: , ,

Comentários

josefadobidos said:

Bela catarse.

A magia das tuas palavras encanta, ó Einstein literário!!!

beijos

# Março 18, 2008 3:17

bp63 said:

Jo

Se é uma catarse já vem de longe porque já estava na panela de pressão há muito. Só faltava a pressão final.

Beijos

# Março 18, 2008 8:47

JAMES said:

Caro ?bp?

Li, vi? ri? e fiquei a pensar no enredo!?

M A G N Í F I C O !!!!

Não tenho mais palavras?.ADOREI!!!

StarStarStarStarStarStarStarStarStarStar

PARABÉNS!!!!!!

Um Grande Abraço

James

# Março 18, 2008 12:35

portocego said:

Olá Bp63

Grande filme, bem documentado. Já os cenários foram deixados à imaginação mais ou menos fértil do leitor.

Os papéis dos personagens vão lindamente com os bonecos. Porque será que a beleza exterior e interior, em regra, mesmo a natural, entra quase sempre em colisão...? Que pena! Claro, de outro modo não tinha graça nenhuma.

Gostei também como crítica sátira, bem sublinhada a uma certa faceta fútil, gratuita, da sociedade.A minha leitura....já se vê.

Em suma. Parabéns!

Abraço,

Daniela

# Março 18, 2008 13:15

bp63 said:

James

Obrigado. Quase que tenho que cantar a canção do Rui Veloso... Não há estrelas no céus... estão todas no seu comentário. Obrigado.

Abraço

# Março 18, 2008 15:10

bp63 said:

Obrigado Daniela pelo bonito comentário.

Sobre a beleza ainda bem que é assim. Já viu a injustiça, alem de serem belas por fora ainda eram mais belas por dentro, capitalizavam tudo. Ná, tem que ficar alguma coisa para os feios :)

A sua leitura está certa, digamos que é uma mistura entre os abismos de uma certa sociadade e os que cada um tem dentro de si.

Abraço

# Março 18, 2008 15:15

bluewater68 said:

:)) Uau. Parabéns é pouco.

Lá vem a história das Imagens Caídas e do facto das fotos até poderem ser dispensadas. E ainda ninguém mencionou que os escolhidos são todos estrangeiros. Mas deixa-me disfrutar da escolha dos actores e mencionar alguns aspectos: O Pibe só podia ser o Liotta e o Salvador só podia ser esse mesmo :))

"Imagine o que seria se fosse a minha faca a deslizar suavemente por aí (lambe um pouco do sangue da cara de Mimi)" - Isto é sem dúvida Anthony Hopkins.

Do melhor: "Pibe agarra em Salvador e antes que ela possa reagir atira-o pela janela.". Só por esta cena o Pibe teria mesmo de ser o Liotta :)

"Depois do divórcio, em que ela apanhou o marido com uma adolescente na sua própria cama" era daqui que a Mafalda conhecia a Mimi?

Uma menção especial para a tal coluna onde todos querem aparecer. Muito bem enquadrado.

Explica-me só o que é um "Plano picado".

StarStarStarStarStar (isto devia ter o símbolo do Óscar)

# Março 18, 2008 21:32

KURIOSO said:

bp,

Li tudinho (21 minutos), e não custou nada.

Brilhante, mais uma vez.

Os cromos do society numa história bem mais interessante que a suas próprias vidas.

O camionista apreciador de ópera fez-me lembrar um pescador, de aspecto bem modesto, que ouvia música clássica à beira do Tejo, no sábado passado. Ah, e o camião foi de encontro a quê?

Abraço,

Kurioso

# Março 18, 2008 21:46

bp63 said:

Blue

Parece que as imagens andam mesmo a ganhar vida por cima do texto, é o velho problema.

Mas neste caso eu utilizo estes figurões porque tudo sem que ser imediato e não há muito tempo para descrever as personagens. Depois o aspecto físico é muito importante para criarmos o carisma da personagem.

Utilizo estrangeiros por uma questão de facilidade e porque correspondem mais o meu imaginário de cinema. Há muito poucos actores de cinema portugueses, existem actores que fazem cinema entre outras coisas.

Sim, poderia ser o Hopkins, mas a personagem tem mais de alucinado que maléfico e aí achei o olhar do Nicholson mais adequado.

Sim a Mimi é a tal adolescente mas como tem a cara com sangue só lá para meio ela é descoberta, o que vai exorcizar a Mafalda a sua separação.

O plano picado tanto quanto eu sei e me lembro do que li há muito é um plano que é filmado de cima para baixo para dar aquela sensação de pequenez às personagens, ficam sós, perdidas, confusas, para as diminuir em relação ao espaço, etc. No sentido antagónico temos o contrapicado, filmado de baixo para cima, e serve para engradecer a personagem. Bom, isto é assim de uma forma primária, depois todas estas interpretações podem subvertidas, depende da forma como se encaixa o plano.

Quanto a Oscares agora prefiro um ?Goivo? d?ouro, estamos na altura deles.

# Março 18, 2008 23:26

dissidencias said:

Olá Brad Pitt,

Confesso que ainda não estou refeito de tanta adrenalina, fruto do filme de terrir (terror + rir) a que acabei de assistir. Então... afinal morrem todos??? E essa a câmara da bala estar vazia foi de quase-morte... hehehehehe...

Acho que conheço o Dr. Gustavo de Almeida de algum sítio... E a Vivi... sempre jovem aquela mulher de grande boca.

Eça e Ortigão teriam gostado de ler este guião, pela referência à velha casa em SINTRA.

Bem, vou até ao meu planeta passar a Páscoa RIssólica.

Desejo-te uma Páscoa cinematográfica bem boa.

Abraço trailleriano

dissidencias

# Março 18, 2008 23:27

bp63 said:

Kurioso

21 minutos?  Não imaginava tanto. O que eu faço às pessoas!!!

A personagem do camionista foi inspirada em várias situações que já vi em que as pessoas fogem completamente ao padrão que por vezes se traçam delas. Em Portugal é que estamos mal habituados e achamos que a cultura é só para uma elite.

Chocar contra quê? E se for o próprio camião a origem do fenómeno? Mas nem tudo é o que parece. E nesta pseudo qualquer coisa estão alguns pequenos factos que vierem a lume em notícias.

Abraço

# Março 18, 2008 23:47

bp63 said:

Blue

Esqueci-me, há uma grande incoerência na narrativa, uma falha que tava aqui à prova :)

# Março 18, 2008 23:56

bp63 said:

Olha quem aterrou aqui!

Um  Dissi!

Cá para mim foi com esta vinda do planeta que colidiu com o camião e deu origem àquela confusão toda.

Mas tinha que ser assim, uma entrada em grande a marcar o meio cinematográfico.

Espero que a visita seja pra ficar.

Boa Páscoa e muitos rissóis

# Março 19, 2008 0:09

pessoalissimo said:

21 minutos?

:( Vou ali e já volto!

...mas volto mesmo!

# Março 19, 2008 2:26

pessoalissimo said:

21 minutos?

:( Vou ali e já volto!

...mas volto mesmo!

# Março 19, 2008 2:27

bp63 said:

Pess

Já agora toma um cafezinho para acalmar os nervos que vais ter ao desembrulhar semelhante lençol ;)

# Março 19, 2008 15:02

MarAzul2007 said:

Caro amigo BP63,

Estes filmes tem de passar a ser por episódios mais curtos. O amigo é um argumentista com muita classe. Espero que alguma produtora atente nos seus  trailers de filmes imaginários que revelam muita imaginação, critica social e sátira.

O Pibe tem a sua quota parte de razão quando diz que nesta vida é ganhar ou perder. O amigo BP63 não tem nada a perder se contactar alguém do mundo da TV ou da rádio na área da produção de programas. Boa sorte.

Um abraço e votos de uma Boa Páscoa,

Marazul2007

# Março 19, 2008 18:52

bp63 said:

Marazul

Essa dos episódios mais curtos já tem barbas e até já uma velha cunha do Pessoalissimo , mas é superior a mim :)

A sério, é um pouco difícil condensar as ideias todas em tão pouco espaço, mesmo assim corto algumas coisas, deixo ficar apenas aquilo que é importante para ficar uma certa compreensão da matéria.

Obrigado pelas suas palavras, mas quanto à possibilidade de alguém bater à porta ou ir bater, acho que esse mundo é muito fechado e está cheio de verdadeiros profissionais. O que iria lá fazer um amador.

Abraço e boa Páscoa.

# Março 19, 2008 20:44

desabafosdaminda said:

Bepezinho no seu melhor!!!

A mente retorcida (rsrsrs) le o conplicometro das vidas da nossa sociedade apodrecida?

A história está fantabulastica!

Cada qual com as suas loucuras e os seus podres? não há aqui gente normal. Ou há? Escapará o camionista?

Mas afinal? fica uma questão, para além deste texto, há alguém na vida que seja normal?

Adorei!!!!

Um beijo

Minda

# Março 19, 2008 23:20

pessoalissimo said:

Belo TIFAMI!

Vou ser parco em palavras, comungo das opiniões da maioria dos comentadores que já falaram... És um mestre na arte de revelar os pequenos podres, medos e idiossincrasias (que linda palavra!)desta sociedade do faz-de-conta que é essa gente do Jet7.

Essa das estradas paralelas que um dia se encontram fez-me lembrar uma coisa diferente e que conto rápido: Quando eu, na minha actividade lectiva, desenhava no quadro negro duas linhas em cunha, tipo V invertido e afirmava perante o espanto geral dos meus alunos, que eram duas rectas paralelas, eu ficava a gozar de fininho. E à espera que um deles mais esperto ou estudioso da matéria me explicasse a contradição... Será que tu sabes? (eheh)

Portanto, e retomando a ideia das Estradas de Papel eu diria que te devias fazer à estrada, àquela estrada que conduz ao sucesso e esfregar estes TIFAMI (devidamente actualizados com os cortes cinematográficos que lhe fizeste antes de os deixares aqui no teu blogue)nas fuças dos gajos que tem por obrigação descobrir talentos... tu és um deles!

Abraço glorioso

Fernando

ps - Acho que vou apresentar um abaixo-assinado aqui na comunidade para te suspender o blogue se continuas a não respeitar os tais 2000 caracteres por post. Olha que vou ter muitas assinaturas...

# Março 20, 2008 0:02

bp63 said:

Minda

Há gente normal?

Eis uma dúvida existencial que começa logo pelo que é ser normal, o que é?

Aceitar o caminho padrão que nos traçaram? Talvez. O Problema está no facto que quase todos, mesmo dentro da tal estrada padronizada acabam por construir sempre umas pequenas variantes com tijolos amarelos para chegar a uma terra, se não é de sonhos, pelos menos é de um pouco de loucura.

Há muitos anos vi um filme chamado Contos da Loucura Normal, penso que era do Marco Ferrari (estou com uma net muita lenta para ir de NBC e confirmar). Tratava um pouco do mundo louco onde viviam as pessoas ditas normais. A minha série das Cenas Cortadas do Filmezinho das Nossas Vidas, era para ter esse título, mas depois para não ficar colado a nada reconsiderei e acabei por lhe dar um original.

Mas eu quero a minha louca anormalidade!

Beijos

# Março 20, 2008 16:21

bp63 said:

Fernando

Em primeiro lugar deixa-me dizer-te uma coisa, sempre que escrevo qualquer coisa e olho para o contador de caracteres e vejo que já ultrapassei as 1.000 palavras começo-me a rir e penso, pronto já pisei o risco. Será que alguém vai ter um ataque?

Mas venha de lá o abaixo-assinado que eu depois faço um referendo, ou então publico em tranches.

Quanto às estradas paralelas, eu aprendi que elas se encontravam num ponto infinito. Será? Sobre as outras do V assumo a minha ignorância. Claro com uma net mais rápida e algum NBCzismo era capaz de lá chegar (olha o convencido!) mas pronto, como estou NETando em terras de Além Tejo não me atrevo.

Com tantos elogios qualquer dia ainda me convenço e vou andar por aí a reclamar um Nobel, ou então ponho-me à entrada de uns ?Goivos de Ouro? com um cartaz ?eu é que sou o presidente da junta da criação nacional?

Abraço

# Março 20, 2008 17:43

Luana said:

Penso que nos podemos candidatar a fazer um filme com o teu guião. Faço qualquer um dos papéis de bom grado.

Que tal? Tu és um astro a escrever coisas destas. Não sou mesmo capaz de argumentar assim a fazer história. mas aprecio muito os teus textos.

Beijinhos

Luana

# Março 20, 2008 18:32

bp63 said:

Luana

Vamos nessa.

E que tal criar uma história a passar aí nessa magnifica ilha? Podíamos inventar muitos cenários. Imagina por exemplo a história de uma escritora, isolada nesse belo domínio, que um dia começa a receber umas visitas muito especiais? as suas próprias personagens. Era um bom papel para ti. Eu podia ser aquele personagem meio louco que um dia pensou que podia voar mas cujos pés nunca deixaram de sentir o odor da terra. Vale?

Beijinho

# Março 20, 2008 20:13

pessoalissimo said:

CERTO!

Esqueci-me de dizer que por cima do V invertido traçava uma linha horizontal tangente à cunha, era a linha de horizonte ou infinito, como tu lhe chamas.

Trata-se de um fenómeno visual, uma ilusão de óptica que é estudada em Desenho de Perspectiva.

---

Fazes um referendo uma ova! Fazes é a vontade ao público que gosta de te ler! (eheh)

Abraço

Fernando

# Março 20, 2008 23:48

OlindaGil said:

Olá Amigo BP63

Venho Desejar uma Páscoa Feliz

a ti e a toda a tua família.

Beijinhos

# Março 21, 2008 13:20

desabafosdaminda said:

Bepe

Defendo que não há por ai muita gente normal? e cada vez, criadas por esta sociedade que se está a tornar assustadora, aparecem mais pessoas anormais?

Mas essas já são casos patológicos que não me apetece discutir agora: são aberrações criadas por uma vida desenfreada e sem afectos.

Norma é um termo estatístico que significa o que surge mais vezes dentro de uma amostra padrão, do ponto de vista sociológico é o modo como cumprimos as regras sociais de acordo com padrões preestabelecidos.

E perante isto, nós, pessoas inteligentes e irreverentes, que nos orgulhamos de pensar por nós mesmos, fugimos á norma.

A norma social dita que se cumpram as regras? que se obedeça? que se sigam as instruções!

Assim EU NÃO SOU NORMAL!

Se juntarmos a nossa criatividade, cada um com a sua muito peculiar, com a nossa maneira de gerir a nossa produtividade e os nossos afectos, então NÃO SOMOS NOMAIS?  e inda bem!

Beijinhos

minda

# Março 21, 2008 13:25

bp63 said:

Fernando

Vá lá, não fiz má figura. É que eu fui sempre fraquito a geometria, especialmente que tinha qe representar a figuras no espaços. Uma nulidade.

Abraço.

# Março 21, 2008 18:45

bp63 said:

Boa Páscoa Olinda

Tudo de bom para todos os que lhe são queridos.

Beijos

# Março 21, 2008 19:11

bp63 said:

Minda

Havia uma canção que dizia, "sem cor, nem Deus, nem fado, eu sou desalinhado". É aqui que está a minha normalidade.

No fundo, todos procuramos a diferença. Mesmo as ovelhas.

Mas que o padrão está um pouco zangado comigo, está.

Beijinhos

# Março 21, 2008 19:21

jota40 said:

Olá BP

Tem um pouco mais de 21 minutos de leitura e de certeza mais de 1000 palavras.

Mas é um espectáculo. Imagens e texto tudo se harmoniza, num verdadeiro filme.

Como sempre os seus posts merecem nota alta.

Não faço comentários sobre o entrelaçar das histórias, mas que gostei isso não tenho dúvidas.

Boa Páscoa,

Jota

# Março 21, 2008 22:11

beatle said:

Boa tarde bp63,

Um blogue de ***** e sério candidato a todos os óscares do Sol!

Uma imaginação fabulosa e um argumento de "gabarito"!!!

Tiro-lhe o chapéu! ....PARABÉNS igualmente pela excelência da composição.

Abraço

beatle

# Março 22, 2008 13:49

beatle said:

AINDA A TEMPO:

E, para os mal intencionados...e muitos neste sol....

Os asteriscos que coloquei :

             *****

Significam 5 (cinco) estrelas!!!!

Fica o esclarecimento.

Um Abraço

beatle

# Março 22, 2008 15:16

bp63 said:

Jota40.

Obrigado pelo comentário

Os 21 minutos quase que podiam ser um segundo titulo. Mas folgo que não se tenha perdido neste enleado de situações.

Boa Páscoa.

# Março 22, 2008 16:13

bp63 said:

Beatle

Obrigado pelas suas palavras.

Essa dos ***** foi muito bem apanhada. Embora eu tenha entendido logo, não deixa de ter piada a possivel confusão.

Abraço

# Março 22, 2008 16:21

Humana said:

Boa noite bp

Uma boa história com muita imaginação como sempre.

Muito bem retratadas as vidas fúteis que por aí andam, querendo ser alguém.

Uma grande idéia e muito barata realmente é partir o nariz (como aconteceu à Mimi) e fica a plástica resolvida.

Deu para imaginar e rir um pouco.

Realmente os caminhos paralelos muitas vezes cruzam-se. E quero ver como os GPS irão resolver a situação! hahaha.

Um bom Domingo de Páscoa.

Bjinhos

Mulher

# Março 22, 2008 22:10

PSCGF said:

Bp...:-))

Isto para mim é novidade... Não conhecia esta faceta do Bp ... Eu que tinha decidido que tinhas que publicar um livro , agora fiquei na duvida ...:-)))

Penso que escrever trailers tambem está no horizonte :-))

Gostei . E penso que sei onde foste "roubar" algumas caracteristicas das personagens ...rsss

Esta minha veia de bruxa , tem destas coisas..:-))

A sério...Muitas personagens me fazem recordar algumas pessoas que conheço e muitas situações me fazem lembrar umas quantas situações.

As estradas e o cruzamento das vidas numa estrada e num ponto crucial está excelente, apesar de ser um filme que me deixaria inquieta e não de sorriso aberto.

Não gostei da escolha de dois actores :-))) Tinha que ser...rss

Para a Adelina eu escolheria a Meryl Streep . Para o Pibe , Jeremy Irons.

Eu penso que a modestia imperou  na escolha destas duas personagens ... Falta de orçamento?

Bp e eu que passei só para desejar uma Boa Pascoa :-))) Abri o teu blog e fuji ..rsss

Fui desejar uma boa Pascoa aos outros meus amigos e disse para mim: " Bem...No final da lista voltas... "

Voltei , li e gostei.Os meus parabens embrulhados no desejo de uma Boa Pascoa.

Beijinhos

Paula

# Março 22, 2008 23:06

bp63 said:

Boa noite Humana

Antes de tudo uma boa Páscoa.

Realmente a encruzilhada dos caminhos é danada, mesmo com um nariz partido.

Bjs e um resto de Páscoa feliz.

# Março 22, 2008 23:26

bp63 said:

Paula

Apesar de ser uma "velha" amiga desta casa ainda tem algo de novata, pois este já é o 5º TIFAMI que escrevo.

A tua escolha também não é má, mas depois de gastar uns milhões com o Jack tinha que poupar no outro pessoal.

Realmente a encruzilhada é grande. O engraçado é que ainda ninguém palpitou sobre o que lhes aconteceu a todos.

Beijos e boa páscoa, ou que resta dela.

# Março 22, 2008 23:31

gomes2000 said:

olá bp,

olha, eu demorei dezasete minutinhos muito concentrados. Absorvi as palavras, entrei nos espaços e imaginei. Adorei, TIFAMI. Muito bem. Gostei da aposta da Paula para o Jeremy (com aquele olhar dele...) mas não coloco uma críticazinha de nadinha em nadinha mesmo. E, não li os comentários mas reparei em críticas a realidades sociais em todas as cenas; desde o ex-voluntária, ex-... para um nariz perfeito à esposa que contrata um assassino para matar o marido, às brincadeiras "parvas" que costumam correr mal, ... Olha, muitos óscares para ti. Talvez pudesses fazer isto com uma apresentação mais tipo filme com outro fundo e já agora som, pronto!!! Beijinhos

# Março 23, 2008 22:21

gomes2000 said:

Já agora, era uma criatura que andava por ali, algo maquiavélico?! Andava qualquer coisa.. e os estrondos que abanavam a casa?! Curiosidade... Ou não percebi algo!...

# Março 23, 2008 22:23

bp63 said:

Olá gomes

Tudo?

Vou abrir aqui uma petição para arranjar orçamento para o dito fundo queres, com som e tudo.

Quanto ao mistério, hum!... estão lá algumas pistas. Posso-te dizer que não é uma mas várias criaturas e que não é nada maquiávelico, a não ser os sentimentos que tudo aquilo gera. A chave é bastante mais simples do que aparenta.

Beijinho

# Março 24, 2008 0:14

PSCGF said:

Bem...

Eu sou mesmo muito recente nestas andanças...:-)))

Desculpa a ignorancia .:-))

Mas agora tenho mais um apontamento para o meu bloco de projectos nos proximos dias: Ler os textos mais antigos do Bp.

Vou vasculhar este blog para não ser supreendida :-))

Beijinhos

Paula

# Março 24, 2008 0:34

bp63 said:

Paula

Já acabou a época das penitências :)

Estamos na altura do "prá frente é que é o caminho". Deixa lá as loucuras do BP.

Beijinho

# Março 24, 2008 8:33

gomes2000 said:

olá bp,

a ideia era fazeres mesmo um filme por aqui!! Só o guião e o enredo já estáo um espectáculo! (não ligues). Depois vi que comentaste que ninguém falou no que lhes aconteceu... mas eu não consigo mesmo.  Poderia ter algumas teorias para os estrondos mas estes não provocavam sangue em ninguém! Agora estou muito muito curiosa... Beijinhos

# Março 24, 2008 10:28

bp63 said:

Gomes.....

E a curiosidade matou o gato!

ou foi o rato? Outro animal mais pesado?

;)

# Março 24, 2008 22:50

bp63 said:

Gomes.....

E a curiosidade matou o gato!

ou foi o rato? Outro animal mais pesado?

;)

# Março 24, 2008 22:50

Meduarda said:

bp

Davas um belo guionista! Farias melhor que muitos.

..

Adorei o futuro em rota de colisão.

...

Todas as estrelas que quiseres para este magnífico post.

bjs

eduarda

# Março 25, 2008 11:04

bp63 said:

Obrigado Eduardo

O futuro é sempre uma colisão de caminhos.

Bjs

# Março 26, 2008 12:52
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