SOL

Imagens caídas

Uma imagem vale mais do que mil palavras. Porque não fazer o contrário? Com as palavras construir e falar de imagens.

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I'm a Barbie Soul in the Barbie World - Cenas Cortadas 4

Vésperas de Natal. Centro comerciais. Uma mistura mais explosiva do que trinitroglicerina. Qualquer pessoa minimamente saudável deve fugir dela como o diabo da cruz. O pior é que mesmo batendo no peito e jurando nunca jamais, embarcamos mais depressa nesta combinação do que o Mário Lino com Alcochete.

 

Não adianta fugir, não há escapatória, como num filme de terror temos esse calvário à nossa espera. Há sempre um pendericalho de última hora que nos atira para lá. De um momento para o outro vimo-nos pior que Tarzan a percorrer a selva. Pena que não haja lianas para que se salte por cima de tudo e que as feras não obedeçam ao nosso grito. Pelo contrário, a própria selva encarrega-se ela de produzir uns gritos, vulgos cânticos de Natal, até à exaustão. Tanto que pavlovianamente, sempre que alguém por ventura murmura algo semelhante a Jingle Bells , somos tentados a virar o maior serial killer das redondezas

Já que o poeta diz que o Natal é quando um homem quiser, e porque o calor começa a apertar, nada melhor e mais refrescante do que introduzir um conto de natal. Neste não há velhinhos avarentos nem milagres licorosos, apenas um tipo à beira de um ataque de nervos.

Senhoras e senhores, mais uma entrega do Cenas Cortadas do Filmezinho das Nossas Vidas.

Com base em vários episódios que fui vivendo, bem exagerados, eis a última fatia da trilogia dedicada às compras (as outras 2 Aqui e Aqui ). Claro que não é uma compra qualquer, é a compra da boneca mais famosa do mundo, que só por si bem precisava de uma sessão de treino em acampamento militar antes de ser feita.

 

Repito o aviso de sempre, lá vem lençolada. Tem 4217 palavras e cheira-me que vai levar uns largos minutos a ler, se alguém chegar ao fim. Aceitam-se voluntários para cronometrar. Mesmo assim considero-me um rapaz sintético (não é para rir!).

4 Mais do que o simples desembrulhar de uma prenda, por vezes é o embrulhar que faz todo um acontecimento. Quando encolhemos os ombros e dizemos, oh, é giro, obrigado, não sabemos os reais dramas humanos que estão por detrás daquele pacote lindo com um laçarote. Com muito menos sofrimento há gente a combater em terras estranhas e a lutar com animais ferozes. Qualquer pé num centro comercial em vésperas de Natal transforma os arredores de Bagdad num passeio de monges tibetanos.

"""

O pior dos telefonemas para receber numa altura daquelas tinha acabado de acontecer. Pedro estava em pânico.

- Mas tem mesmo que ser? – perguntou ele.

- Tem – respondeu peremptoriamente Paula do outro lado da linha. – Amanhã é dia 24 e eu ainda não comprei a maldita boneca. Tu estás aí mesmo perto do shopping, não te custa nada, ainda por cima a sobrinha é tua.

- Mas aquilo vai estar um caos, estamos em véspera de Natal. Vão lá estar todos os tolinhos atrasados nas prendas a atropelarem-se uns aos outros.

- Não queres que eu vá sair de casa a esta hora à procura da boneca? Já corri seca e meca e não a encontrei. Numa loja de um outro centro disseram-me que nesse há.

- Mas não pode ser outra coisa?

- Por amor de Deus Pedro, já me chegou a cena do Natal passado com os crayons, em que já não sabia em que havia de dar um par de estalos primeiro, se na criancinha se na mãe da criancinha.

"""

 

E não tinha sido para menos. Bárbara, sobrinha de Pedro, ao ver mais um presente do género escolar, uma bonita caixa de crayons, depois de já ter recebido uma outra de guaches e 2 dicionários infantis naquela noite, explodiu e atirou a caixa pelos ares, gritando agarrada à cabeça, nos seus pequenos 6 anos, “ mas que mal fiz eu a Deus, para merecer isto, e logo na noite de natal?!”. Para agravar, a mãe da criança, disparava ela também frases do género, “mas que mal fiz eu a Deus para merecer uma filha como esta” enquanto despejava a sua carteira à procura da embalagem de Lexotans, o seu elixir das crises. Talvez por ser a noite do menino Jesus, Deus esteve bem de serviço naquela casa, pois não parava de ser chamado de urgência para prestar explicações, o pai, a fumar cigarros de seguida na varanda, vociferava também que mal tinha ele feito a Deus para lhe calhar na rifa uma mulher e uma filha destrambelhadas.

Pedro bem que tentou manter o espírito de natal, comendo doces em ritmo acelerado, enquanto que Paula tentava controlar o pequeno Miguel que estava eufórico com todo o espectáculo da prima, mas a tarefa estava difícil. Em parte porque uma boa parte dos crayons tinham voado para a mesa dos doces e a rabanadas começavam a ostentar um colorido estranho, muito pouco natalício. O que restava da consoada foi salvo pela D. Genoveva, mãe de Pedro, que acalmou a neta ao lhe prometer um presente segredo que guardava numa caixa e que só elas as duas iam saber.

 

Mesmo assim não se podia dizer que tinha sido a pior noite de Natal de sempre, pois todos tinham na memória a consoada de há 2 anos quando o Miguel apanhou o trem de cozinha em miniatura, acabadinho de oferecer à prima, resolveu meter cada uma das mini-peças de alumínio na frincha da porta e, com o acto de abrir e fechar, deu uma nova forma aos objectos. É para alisá-las, foi a sua explicação técnica quando foi apanhado com as mãos na massa, neste caso no alumínio. Mas nem teve tempo para entrar em detalhes muito técnicos, pois uma impressão bem digital das mãos da mãe arrancou-o da sua tarefa de engenharia.

No hospital, o médico teve que retirar alguns restos de arroz-doce da cara da mãe da pequena Bárbara para a examinar, quando ela meia desfalecida lhe pousou numa maca. Afinal ter tomado uma dose exagerada de lexotans, para afogar a histeria estridente da filha ao ver o abate sucateiro do seu brinquedo, só podia acabar assim, a aterrar com a cabeça bem em cima da travessa do doce de natal, quando todos já estavam bem mais calmos. Uma lavagem ao estômago depois de uma consoada não é propriamente a melhor forma de acabar uma noite de Natal, inclusive para uma urgência hospitalar.

"""

- Mas tu não vês que tenho o Miguel no carro – insistia Pedro – e que não é o melhor sitio para o levar, especialmente nesta época.

- Pelo contrário, ele é uma excelente companhia – retorquiu Paula. – Chato como costuma ficar é um autêntico motor de aceleramento para nos pormos andar das compras mal se tenha o necessário nas mãos.

Era verdade. Ao contrário de outras crianças, Miguel detestava ir às compras, mesmo que fossem para ele, e impunha uma quota de aquisição, logo à partida, querendo saber quantos coisas iam comprar, quantidade que logo que ultrapassada era incessantemente avisada pela sua voz lamuriante até os nervos ficarem moídos e se desaparecer pela porta fora da loja.

- Mas eu não sei comprar bonecas – tentou uma última vez Pedro.

- Ó filho, isso é fácil, chegas lá e vás à zona das bonecas e procura a Barbie na Neve, pega na caixa e zás.

- Mas não há tamanhos diferentes nem roupas diferentes?

- Não, aquilo é tudo igual.

- E se não houver essa da neve, não pode ser outra?

- Nem penses, tem mesmo que ser a da neve, se fosse outra eu já tinha comprado. A miúda é essa que quer e já sabes, com o feitiozinho que tem, se não tem a maldita loura anoréctica com uns esquis nos pés amanhã ao desembrulhar as prendas, ainda nos arriscamos a levar todos com as rabanadas nas ventas. Isto, na melhor das hipóteses, porque na pior ainda temos um coma profundo da tua linda cunhada.

- Miguel, temos uma missão – avisou o pai quando entraram com o carro no parqueamento do centro comercial. – Vamos entrar na selva e enfrentar os leões para resgatar uma princesa oxigenada. Se conseguirmos sobreviver amanhã teremos prendas a dobrar.

- Ó pai, não inventes! – respondeu o miúdo já amuado – Eu já sabia que tínhamos que ir às compras, sempre compras, sempre compras.

- É rápido, é entrar num pé e sair noutro.

- Quantas coisas vais comprar?

- Uma, é só mesmo uma coisa.

- Não sejas mentiroso, nunca cumpres o que dizes. Quando dizes que são 4 ou 5, compras 10.

- Desta vez é mesmo uma, prometo.

Se tivesse que esperar por um lugar de estacionamento bem que podiam trazer já para ali o bacalhau com as couves, tal era a confusão para estacionar. Assim, armado em esperto distraído, parou o carro em cima de uma passagem interna de peões e saíram disparados, antes que viesse um segurança chamar à atenção.

"""

 

Quando entraram no piso principal do shopping quase que não conseguiram sair da escada rolante, tal era a multidão que circulava. Pedro deu a mão a Miguel para que não se perdesse e tentou seguir apressadamente para a grande loja de brinquedos. Pelo caminho reparou que estava ali uma loja de produtos naturais que vendia os filtros para a sua cafeteira da água. Resolveu entrar para comprar uma caixa.

- És sempre a mesma coisa, dizias que era só uma coisa, a porcaria da boneca, e já estamos aqui – barafustou Miguel mal entrou.

Pedro nem lhe respondeu, pegou nos filtros e dirigiu-se à caixa.

- Vou lhe dar estas amostras destes nossos produtos – disse a empregada enquanto lhe colocava uma série de pequenas embalagens num saco, junto aos filtros. – Agora temos uma linha de produtos de cosmética para homem muito boa, tudo com produtos naturais.

 

Pedro sorriu e agradeceu. Ele que não ligava muito a essas coisas de cremes achou piada terem-lhe oferecido as amostras, provavelmente a simpática e bonita empregada tinha-o achado um homem interessante e moderno. Mas o contentamento depressa lhe passou quando cá fora resolveu dar uma espreitadela aos produtos e viu que faziam parte do saco da oferta um creme anti-rugas, um outro para o anti-envelhecimento das mãos e ainda um gel reparador de idade. Afinal a simpática menina não o tinha achado um homem moderno e interessante, mas sim um tipo acabado e a precisar urgentemente de uma restauração.

- Ó pai, estás-me a aleijar a mão! – gritou Miguel ao sentir uma pressão enorme da mão do pai na sua, o que era simplesmente um sintoma da fúria com que ele agora caminhava pelo corredor, já que não podia voltar à loja e apertar o pescoço a quem lhe traçou um tão deprimente retrato.

"""

Quando entrou no palácio dos brinquedos Pedro depressa esqueceu o seu mau humor. Não porque ficasse propriamente bem disposto, mas porque foi substituído por um outro ainda pior, tal era o cenário dantesco que se apresentava a seus pés. Quando se fala a seus pés, não se fala metaforicamente. Crianças, com birras estridentes, rebolavam-se pelo chão por não conseguirem os brinquedos que pretendiam. Antigamente elas ficavam em casa à espera de um menino Jesus bondoso que lhes podia trazer um pouquinho dos seus sonhos. Agora, num tempo mais moderno e pragmático, não há que ficar à espera de um velhote pançudo vestido de vermelho, vindo sabe-se lá de onde, há que ir sim directamente à central de compras e aviar de vez os sonhos que se querem. Mas como nem sempre o tamanho dos seus sonhos é coerente com a dimensão da carteiras dos pais, há que fazer grandes manifestações de desagrado e nada melhor que fazer uma berraria deitados no chão, qual pose mais extremada de reivindicação sindical em tempo de lutas laborais.

 

- Xavier, tu vai-me pôr mão no teu filho! – pediu uma senhora, já com o penteado desalinhado e um pouco descontrolada, a um dos dois homens que caminhavam em passo calmo por um dos corredores. – Eu não o consigo travar, parece que está possuído, está-me para ali aos pinotes ao pé das bicicletas do action man. Diz que quer uma.

Mas o dito senhor, pai, tinha mais que em que pensar, havia uma grande estratégia futebolística do seu clube a discutir com a outra presença masculina que o acompanhava, e por isso encolheu o ombros e não deu ouvidos ao apelo da mãe da criança.

 

Pedro quase que deu um salto, com o susto, quando viu uma fila de bicicletas desabar, como um jogo de dominó, e deitar abaixo um escaparate cheio de pequenas figuras do filme de animação de grande sucesso desse Natal. Na verdade, mais do que o estrondo e do que a sementeira de bonecos pelo chão, foi um autêntico exorcismo que ali se passou. A suposta criança possuída, motora de todo aquele acontecimento em cadeia, ficou imediatamente calada e correu de mansinho para o pé de sua mãe, qual anjinho devolvido aos céus. Enquanto os empregados aflitos avaliavam a dimensão da tragédia daquele tsunami biciclético, a família abençoada com a expulsão dos maus espíritos que tinham baixado no seu petiz, prontamente abandonou o recinto, talvez para ir dar graças divinas pela bênção, nem que seja a de não ter pago os prejuízos causados. 

Pedro avançou pé ante pé no meio daqueles caos, não queria, qual Gulliver, esmagar as pequenas criaturas de propileno que agora habitavam aquele chão. Miguel não foi tão generoso e gostou de ouvir os seus pequenos pés a dizimar aquela pequena população, como se um autêntico Godzila se tratasse.

"""

Lá estava ela. Numa zona com grandes letras cor-de-rosa, a anunciar o império Barbie, no meio de uma prateleira, uma pequena embalagem parecia dizer qualquer coisa de Neve. Se fosse um filme, Pedro caminharia em slow motion ao som da música de Vangelis, Chariots of fire, até erguer na mão triunfante, a bendita boneca. Mas não era um filme, ou pelo menos este. Se calhar devia ser uma versão mais pós-moderna de Aliens, pois no momento em que Pedro se preparava para colocar na sua mão a caixa rosa com uma boneca loura e um par de skis, eis que uma outra loura, bem mais pesada, arrancou completamente da prateleira o seu troféu.

 

- Olha que gira, vou levar mais esta – comentou euforicamente uma senhora com um louro tão platinado quanto a boneca, mas com uma figura muito menos esguia, ainda que a roupa não tivesse tido conhecimento desse pequeno pormenor, tal eram os bocados de carne que lhe sobravam de um mini blusa e umas calças de Lycra bem justas.

Pedro não conseguia fechar a boca. Não porque tivesse ficado siderado com a figura da senhora, mas porque os seus olhos saltitavam entre a caixa, quase sua, refém daquela versão instantânea da Miss Piggy e uma prateleira vazia, onde não restava nenhum vestígio de quaisquer férias na neve da sua querida Barbie.

- Nádia, olha o que encontrei aqui – disse a senhora voltando-se para uma menina de peso, uma autêntica versão em miniatura da mãe. – A Barbie na neve. Vais ficar com mais esta na tua colecção.

Mas a miúda não prestou muita atenção à mãe, preferiu antes dirigir-se a Miguel, que estava de volta de uma casa da Barbie, a abrir e a fechar as janelas. Ainda que a casa fosse de exposição a pequena não gostou muito de ver por ali um menino à volta de coisas de menina e tentou empurrá-lo. Pedro não prestou muita atenção no segundo assalto que aquela família feminina estava a fazer aos varões da sua estirpe. Ele vasculhava a prateleira à procura de uma caixa perdida. Por fim encontrou uma, mas o seu contentamento foi efémero, pois dentro da caixa já rolava um braço solto da serena Barbie.

- Meu Deus, se me atrevo a levar isto ainda acaba a noite de Natal com uma corporação de bombeiros em casa a apagar um fogo – pensou Pedrou ao olhar para o bracinho que rebolava dentro da caixa.

  Miguel, que já tinha mandado abaixo umas portadas de tanto abrir e fechar com força, enfiou uma mão numa das janelas da casa e acenou ao pai, mas este, quase em transe com tudo o que lhe estava a acontecer, nem reparou. Tão pouco viu que a menina furiosa com a apropriação de Miguel à casa, resolveu dar-lhe novamente um empurrão, desta vez com mais força, o que fez com que o pobre miúdo largasse o pequeno condomínio de quatro assoalhadas.

Não contente com a sua conquista de território a guerrilheira Kátia resolveu ela também enfiar a mão na janela e fazer adeus à sua mãe. O problema é que tanto a sua mão como o seu pulso, apesar da tenra idade, já apresentavam algumas dimensões generosas e, se foi difícil entrar, tornou-se quase impossível sair. Ao tentar desesperadamente tirar a mão da janela toda a casa tremia como se tivesse no meio de um epicentro sísmico. Mas por muito que tentasse o sucesso era nulo. Kátia desatou num choro e a chamar pela mãe. 

 - Ai, que a minha menina está entalada! – gritou a mãe, que prontamente se dirigiu para o local do acidente doméstico, em versão miniatura.

Mas nem com a ajuda da mãe se conseguiu chegar a bom porto. Katia permanecia com a sua rechonchuda mão enfiada na janela do quarto do primeiro andar da mansão rosa. Havia que chamar reforços. Primeiro um empregado, depois pai e irmão, chamados de urgência pelo telemóvel, que estariam num outro sector da loja.

- O melhor é pôr água com sabão – sugeriu o pai.

- Mas onde se vai arranjar água? – rebateu o empregado. - As torneiras da casa não funcionam.

- Não se arme em engraçadinho, que eu arranco já a porcaria da janela.

- Pode arrancar, só que vai ter que pagar a casa.

- E se comprássemos a casa? – sugeriu o irmão. – Assim levávamos como está, com a Katia pendurada, e depois em casa com jeito desmontava-se a janela.

O pior não foi a criança ter sugerido uma ideia meia cretina. O pior foi todos pararem para pensar se realmente não seria boa ideia. A mesma só não avançou porque afinal a Kátia, por momentos aparentada a Martim Moniz, já tinha uma bendita casa quase igual no seu quarto.

- Só os cortinados e o papel da parede são diferentes – afiançava a Mãe.

Não havia outra alternativa, só mesmo ensaboando o pulso e a mão a libertação era possível. Mas como fazer isso?

 

Enquanto acertavam detalhes sobre o resgate da princesa das masmorras janeleiras, Pedro num gesto súbito, mas que nada o orgulhou, passou pelo local onde estava repousada a primeira boneca, que tinha sido quase sua, e fez a troca com a outra meio desmembrada. Sentiu-se um autêntico agente secreto a trocar mensagens.

Mal fez o câmbio, pegou no braço de Miguel deu-lhe um beijo e arrancou-o dali. Ele nem percebeu o porquê do gesto meigo do pai, nem porque estava a ser considerado o grande herói.

Pelo caminho, Pedro ainda assistiu à procissão da menina pela loja fora, todos com a casa às costas para a casa de banho. Pai e empregado seguravam na casa ao alto, mãe segurava a filha no colo, esta seguia pegada ao objecto e o irmão ria com todo o cenário. Mas não era o único, uma grande parte da loja ria com todo aquele desfile estranho em que uma casa parecia ir voar com uma miúda dependurada.

"""

A linha da meta final parecia avistar-se, com a fila de caixas já no horizonte, ainda que esse mesmo horizonte estivesse bem encoberto com a multidão que o envolvia. Antes que começasse a suspirar pelo tempo que ia perder até conseguir pagar, Pedro deu por falta de Miguel. Era só o que faltava, depois de ter conquistado a pulso o troféu louro perdia agora o outro, menos louro, mais irrequieto mas muito mais importante. Já a suar, encontrar uma criança naquele caos seria tarefa difícil, começou a percorrer os corredores à procura do filho. Não foi preciso andar muito, ele estava bem parado em frente a uma vitrina, como se tivesse ficado colado ao chão por força de uma onda hipnótica.

 

- Pai, olha o relógio do Starwars! – apontou Miguel, com o dedo e com o olhar radiante, para o escaparate, onde além do relógio figurava uma série de bonecos do filme. – Eu quero um!

Pedro antes de ralhar por ele se ter perdido ou mesmo de responder negativamente à proposta, deu uma olhadela ao objecto causador daquele incidente, especialmente ao preço, mas não gostou do que viu.

- Nem pensar, isso custa uma fortuna. É um roubo.

- Mas eu quero!

- Amanhã o pai Natal vai trazer muita coisa. Não vamos agora entrar em mais despesas.

- Mas é isto que eu quero – continuou Miguel já com as lágrimas nos olhos.

- Como tu me fizeste prometer, só viemos comprar uma coisa. Já compramos, agora vamos embora.

- Não sejas mentiroso, tu já compraste outra coisa.

- Isso não conta.

- É sempre assim, só para mim é que conta.

- Não há mais discussão, vamos embora!

Pedro pegou na mão de Miguel e arrastou-o para as caixas, como quem arrasta uma mula teimosa empancada. Este, por não ter forças para resistir, canalizou toda a sua energia para a garganta e, para grande espanto do pai, resolveu mostrar a toda a gente como ainda estava bem treinado no choro birrento.

- Ah, um menino tão grande a chorar! – comentou a empregada da caixa, quando viu Miguel naquele estado choroso. – Assim ficas feio.

- Ora, e tu és gorda – respondeu prontamente Miguel suspendendo de imediato o ataque de choro.

- Eu sei que sou, mas não precisavas dizer – referiu timidamente a empregada, colocando os olhos apenas nas teclas da máquina, como a tentar ocultar os seus largos kilos, que de um momento para outro foram desnudados.

- Miguel, isso diz-se? – ralhou Pedro já a caminho do carro. – Não se diz que é gorda.

- Mas ó pai, ela é.

- Mas não se diz, não se diz a ninguém que é gordo.

- Mas eu disse a verdade.

- Não digas, fica calado.

- Então queres que eu minta?

- Não, quero que fiques calado.

- Ah, ela pode dizer que eu sou feio e eu não posso dizer que ela é gorda, quando ela é mesmo gorda.

- Mau, mau, mau! Estamos a desconversar. Há situações na vida que não podemos dizer a verdade.

- Sempre a mesma coisa, se minto é porque minto, se digo a verdade é porque digo a verdade.

Pedro só ansiava por um bom sofá, longe de tudo aquilo, para afogar toda a neura com que foi presenteado naquele fim de tarde. Talvez por isso mal se apanhou no carro tentou sair dali o mais depressa possível. Tão depressa que nem viu um sinal.

 

- Pai, passaste um sinal vermelho – apontou de imediato Miguel.

- Olha, vai fazer queixa à polícia – respondeu Pedro sem paciência para mais observações.

Miguel devia ter assumido que queria ser um menino bem comportado a partir daquela altura, fazendo sempre o que lhe mandavam, pois mal pararam num novo semáforo cumpriu a recomendação que o pai lhe fizera.

- Olhe, o meu pai passou um sinal vermelho – gritou Miguel, depois de ter baixado o vidro do carro, a um polícia que estava junto ao semáforo.

Pedro e o polícia olharam um para o outro. Não só ambos fingiram que não ouviram, como o olhar do polícia denunciou um certo suspiro, como quem diz, lá em casa tenho um ainda pior.

"""

E a famosa Barbie teve a sua noite de encanto. Tanto encanto que quase acabavam em desencanto. Por muito que fosse o contentamento da pequena Bárbara perante a boneca, o facto de a receber em triplicado depressa trouxe aquele ambiente bem poético de um contentamento descontente.

- Na minha vida nunca nada dá certo, sou uma infeliz! – berrava ela agarrada à cabeça pela sala fora, como se fosse um adulto numa marcação teatral trágica, perante a visão triplicada da sua Barbie e a Neve.

 

A avó apanhava as pobres bonecas do chão, para não serem pisadas pelo andamento desenfreado da neta, e tentava convencê-la como era bom ter em triplicado um desejo, assim a Barbie tinha 2 irmãs gémeas.

- Mas onde é que já se viu a Barbie com irmãs, ela é filha única como eu – reagiu ainda pior a eterna azarada de natal.

Os outros habitantes daquela noite barafustavam entre si pela descoordenação, era preciso azar os 2 tios e o pai terem a mesma pontaria. Felizmente que a mãe de Bárbara nada daquilo assistiu, pois a combinação do Lexotan, que tomara bem antes por via das dúvidas, com um bom vinho tinto que acompanhou o bacalhau resultou num sono bem profundo.

Feliz estava apenas Miguel com o seu relógio do Starwars. O seu pai acabara por ter ido bem cedinho, naquela manhã, comprá-lo, enfrentando de novo o inferno que ele já tratava por tu cá tu lá. Pedro estava tão feliz por ter sobrevivido a tudo, que nem se importou muito com os cinco pares de meias, uma gravata fluorescente e uma camisola que não lhe servia, que recebeu nessa noite. Paz aos homens de boa vontade, e ele tinha tido mesmo muita.

Posted: segunda-feira, 14 de Abril de 2008 19:51 por bp63

Comentários

Meduarda said:

bp63,

Isto não é ir às compras - é ver um filme de terror!

mas com o teu humor tão peculiar, até via este filme ( o das compras...)

Terá o Sr.Lino ido também a este shoping? Era capaz de lhe fazer bem andar no meio do "povo"...

Coitada da Barbie!...então já tem irmãs? Só se foram clonadas...

E de facto no maio das amolgadelas, bem que o Pedro ficou contente com os presentes.

bjs

Eduarda

# Abril 14, 2008 20:22

bp63 said:

E se o mundo Barbie fosse um pouco diferente?!

[YouTube:mDijMVBimbo]

# Abril 14, 2008 20:23

bp63 said:

E quando o Ken habita um motel Hitchcokiano?!

[YouTube:fn8Wg21CuUw]

# Abril 14, 2008 20:25

bp63 said:

Afinal há bigodes no Barbie World

[YouTube:rrdtXxzhBWA]

# Abril 14, 2008 20:26

bp63 said:

Eduarda

É realmente um filme de terror em que, mesmo sabendo o fim, teimamos reinventar cada ano. Masoquistas ou meramente distraidos?!

Se calhar precisamos destas idiossincrasias para tornar toda esta vida estupidamente deliciosa.

Bjs

# Abril 14, 2008 23:12

pessoalissimo said:

BP

É pá, eu já tinha jurado a mim próprio deixar de vir aqui a este blogue sempre que não cumprisses com a LOP. Mas não tenho emenda, acabei por espreitar e entrar, sobretudo quando reparei que tinhas aqui uma história sobre a bonequinha mais famosa do mundo.

Mas não contes com um juízo da tua história agora, vou tentar digeri-la com calma quando estiver em relax numa qualquer piscina de mar de S. Tomé e Principe. Olallá!

Até já

# Abril 15, 2008 13:07

portocego said:

Bom! Acabei...Não pude cronometrar o tempo porque foram tantas as interrupções que bem podiam ser intervalos de um filme de longa metragem...

- Foi,no desire dos crayons, o cara metade a chamar-me para ver um programa na TV sobre massagens de chiatsu,(davam jeito à consumidora de lexotans..eu prefiro;

- Foi, na cena ilariante das bicicletas,"olha tens aqui o programa do ZON tvcabo";

-Foi, "vem,  o almoço está na mesa" com a cena da mão da "Cinderela" entalada na fresta da janela...

Digamos que depois do almoço, lá consegui, finalmente ler tudo até ao fim, compor o puzzle e passar ao comentário.

Gostei muito do Pedro...A cena do polícia está o máximo.Andam por aí muitos vultos públicos a quem não devem ter explicado em pequenos a diferença entre mentir e alindar a verdade feia. Depois na dúvida mentem sempre.

Parabéns Bp, mais uma vez me divertiu ao ler esta história que, com todos os excessos que possa parecer ter, não exagerou na realidade dos efeitos do consumismo.

Abraço,

Daniela

# Abril 15, 2008 13:29

josefadobidos said:

10 minutos de puro divertimento.

beijos

Jo

# Abril 15, 2008 16:34

bp63 said:

Pessoalissimo

Bem melhor digeri-la num pub Irlandês, porque são precisos uns bons litros de malte para engolir as quase 4.000 palavras a mais sobre a LOP.

Abr

# Abril 15, 2008 19:35

bp63 said:

Daniela

Isso foi quase uma telenovela dentro da telonovela que é esta saga.

Realmente há pessoas que confudem o não referir com o mentir, e mesmo este acto por vezes é confundido com a hipocrisia, mentir para querer ser verdade.

Abraço

# Abril 15, 2008 19:49

PSCGF said:

Bem... 15 minutos !

Quando vejo um post teu , venho espreitar olho para o texto e vejo a palavra lençol e saio a correr ...rsss

Eu sei que me vou divertir e gostar , mas tenho que escrever na agenda : 15 minutos para ler e outros tantos para comentar .Escolher o dia e a hora rsss

Adorei o Miguel ... Esse menino é muito parecido com o terrorista que por aqui tenho :-)

Ele tambem tem umas frases que tu adorarias transpor para os teus textos.

Compras... Eu penso que já o tinha dito :ODEIO .

Tenho um autêntico terror . Odeio grandes superficies e a unica razão porque algumas vezes as frequento é os Supermercados que têm uma maior oferta ... Mas no dia anterior já estou streesada com a prespectiva.

Quanto a esta Cena Cortada como sempre considerei hilariante . Está bem escrita e prende-nos ao texto até ao fim :-) Por isso os 15 min!

Não gostei dos videos ! O que se passou BP ? Tu passas-te mesmo por esta Cena Cortada e ficas-te com um odio extraordinario pela bela Barbie...

A boneca é tão gira ! È loira , mas nem tudo é perfeito... rsss

Quanto aos presentes de Natal eu sou uma afortunada o meu homenzinho mais pequenino pediu aos 2 anos um Sol ( que tive que fazer em cartolina e ficou uma obra de arte !) , aos 3 anos pediu um coração ( outra vez , trabalho manual) e aos 4 anos (este ano) uma bola .

Os outros nada pedem eu é que entro em stress nos meses anteriores para tentar supreender :-)

Sou realmente uma felizarda e nunca tive que correr á procura de uma Barbie e depois disto , nem a minha nova afilhada vai ter essa sorte ..rsss

Beijinhos

Paula

# Abril 15, 2008 19:50

bp63 said:

Jo

Ufa! Afinal não bati o record dos 21 minutos.

Mas pronto, com esse detalhe técnico fica o resto do pessoal já avisado.

Beijo

# Abril 15, 2008 19:55

bp63 said:

Paula ele há pessoas com sorte, que não metem os pés nos CC. Deviam ser obrigadas a fazer trabalho civico para a comunidade, como penalização de tanta felicidade :)

Realmente os miudos são um autentico achado em humor, depois de nos ter passado a neura que nos causaram. O Miguel é a personagem mais verdadeira que aqui está, todas as suas falas são reais, para mal dos meus pecados.

Vou ter que pedir um 3º para a consolidação, afinal são 15 ou são 10?

Beijo

# Abril 15, 2008 20:18

desabafosdaminda said:

Bêpê?

Adorei!!! Não contei o tempo, porque além de ser lenta a ler (ainda leio a apontar com o dedo e a juntar as letras?) tive quase tantas interrupções como a Daniela!!!

Detesto as coisas programadas e o Natal transformou-se numa época de susto, quer para os nossos nervos quer para as nossas bolsas?

Esta descrição está fantabulastica!

Beijocas e continua a fazer-me rir!

Minda

# Abril 15, 2008 20:50

bluewater68 said:

bp63,

de todas as histórias que aqui apresentas-te, se tivesse de escolher apenas uma, numa decisão bastante difícil pela qualidade de todos os textos, eu diria que esta seria a minha favorita. Está perfeita, imaculada, numa narrativa absolutamente cativante.

Pelo que já li, existirá aqui uma parte realista que corresponde ao Miguel. Espero que o resto não seja.

É uma história com muito humor e ao mesmo tempo a revelar muita tensão.

Não vejo a situação da família da sobrinha do Pedro, apenas como resultado de uma tensão normal da época natalícia, mas como algo que parece preso por arames ao longo de todo o ano. São demasiados problemas para desaparecerem apenas com Lexotans ou com cigarros fumados à janela.

E no meio de todo o humor, surge essa imagem de um momento que parece ser incómodo para todos, onde se tenta ter um espírito familiar para que a quadra faça sentido, mas onde tudo não passa de falsas aparências, onde cada gesto ou frase pode ser suficiente para desencadear uma discussão de faca e alguidar. Daqueles momentos que todos desejam que termine rapidamente e onde participar ne-les é um verdadeiro suplício.

Houve uma cena que me fez lembrar de imediato um filme daquele que agora é governador da Califórnia (http://www.imdb.com/title/tt0116705/)

E com isto, há que salientar aquele que deverá ser considerado um verdadeiro super-herói, o Pedro. Primeiro, pelo facto de ter superado a primeira prova que exigia um esforço titânico de paciência e organização para ser superada. Depois, por ter conseguido repetir a proeza, para provar que também é um super-pai.

Abraço

# Abril 15, 2008 21:23

josefadobidos said:

Um homem entra no Harrod's e pede ao funcionário, uma Barbie (é para ler com pronúncia Very British):

- I want a Barbie, please!

O empregado ia buscar a Barbie e o Sir pergunta:

- Does she comes with Ken?

E o empregado responde:

- No, sir... she fucks with Ken... she only comes with Action Man.

beijos

(desculpa a audácia, mas foi mais forte que eu)

# Abril 15, 2008 22:35

gomes2000 said:

olá bp,

demorei 12 minutos e conseguiste fazer-me rir. Quanto a algumas fotografias, tenho que falar na "multidão" quando eles entram no shopping, só com o exagero, ri mesmo; e no aspecto do arroz doce (era impossível ser meu!!!)

Agora, sobre o Miguel, bem a minha pequenina já me fez estragos em supermercados; não por birras mas por correr e brincar! Numa das suas idas aos Três Mosqueteiros, mandou uma data de garrafas de groselha ao chão, muito vidros e choro porque se assustou. Aliás tal, como o Miguel que estava possuído e deixou de estar.. mais ou menos. Mas enfim veio tudo a correr, não sabiamos se o vermelho seria algum sangue, mas não. Estava só suja de groselha, mesmo..

Sobre o denunciar o pai ao polícia, a minha fez-me o mesmo porque passei um vermelho daqueles de controle de velocidade... Foi a correr ter com uma GNR à porta da escola e disse.

Quanto a birras por receber três bonecas iguais, penso que não fazia...

Acho deliciosos esses beijos que os "teus pais" dão aos filhos quando ficam com a consciência pesada com algo que fizeram. Lembro-me do final de uns "sapatos vermelhos..."

Gosto muito da maneira como "exageras" algumas situações mas, afinal até não são assim tão exageradas. Passam-se com todos nós... bocadinhos delas.

Ah... e a minha pequenina de 5 anos perguntou a uma senhora porque parecia um palhaço? (devido à maquilhagem mesmo demasiado excessiva!!) e no supermercado local diz às senhoras que vão de chinelos que "não se vai de chinelos ou pijama à rua..." ficamos sempre mal, e começamos: "Então, isso é feio. Diz-se?!" Mas.... explicar.....

Gosto muito das tuas histórias.

Beijinhos

# Abril 15, 2008 23:52

gomes2000 said:

The Joke from Jo is very cool..............

# Abril 16, 2008 14:26

Talina said:

Olá bp

Realmente isto parece um filme de terror, mas o que é esta sociedade de consumo desenfreado  senão criar no consumidor desejos incontrolados. Parabéns pelo post e pelas belas risadas que dei.

Abraços Talina

# Abril 16, 2008 19:17

bp63 said:

Mindinha

Eu por vezes também ando a juntar as letras, mas é quando tenho que fazer a revisão do texto para pescar as minhas gralhas dislexicas.

O Natal transformou-se um muita coisa, mas ainda vamos a tempo de o mudar. Ele só será aquilo que quisermos que seja.

No entanto toda aquela loucura paranoica acaba por fazer parte do nosso foclorezinho que anima esta vida. Se tudo fosse correcto talvez a vida ficasse um bocado chata. Não?!

Beijinhos

# Abril 16, 2008 19:46

bp63 said:

Blue

Engraçado dizeres que será a tua favorita.

Aconteceu-me que ao escrevê-la senti bastante prazer nisso, gosto de me rir quando escrevo, e achei que estava menos cinzenta e amarga do que os últimos escritos, que andavam todos com uma certa nebulosidade. Apesar de já estar rascunhada há muito, comecei a escrevê-la num sítio de bastante luz (quando não chovia), talvez por isso.

Realmente aquela consoada já tinha ali algumas tensões e foram colocadas propositadamente, pois acho que alguns eventos, como Natal, Casamentos, etc, em que forçam a ficar junto no mesmo espaço pessoas que não estão muito bem entre si, são sempre um panela de pressão à beira de ferver. Especialmente porque as pessoas sentem-se obrigadas a estar bem e a divertir-se quando não estão e também porque se misturam pessoas que não fazem parte dos clãs. Se tiver tempo, um dia hei-de trazer aqui mais 2 tipos de Cenas, uma sobre Casamentos e outra sobre as primeiras visitas a casas da família dos cônjuges. Há nisto tudo uma espécie de Big Brother não televisionado.

Sobre o filme, não só me lembro dele como o tive em mente quando descrevi a cena, não porque ela não tenha existido, mas porque achei que esse filme foi das poucas coisas que o Arnold fez e que retratava muito bem o stress natalício com as compras.

Abraço

# Abril 16, 2008 20:03

bp63 said:

Blue

Já que se falou na veracidade de Miguel, infelizmente tenho que dizer que o resto também não anda longe de algumas realidades. Escrever esta historieta foi montar um puzzle de várias coisas.

Contrariando aquilo que nunca se deve fazer, dizem que quebra o mistério da escrita, eis o desvendar do que está por detrás, os factos inspiradores:

1 ? Por motivos imprevistos vi-me atirado num sábado à noite, no Toys, dia 23 ou 22 de Dezembro à procura de um brinquedo de última hora, não era uma Barbie. O que vi ali naquele espaço foi seguramente muito pior do que escrevi. Só via miúdos aos berros, mães a bater nos miúdos, mães aos berros com os pais que andavam de mãos nos bolsos. Só me vinha à ideia os Gremlins. Meti também as mãos no bolso e zarpei porque não me queria ver naquele filme. Voltei no outro dia, bem cedo.

2 ? Barbie - A ideia  surgiu porque uma senhora na caixa estava desesperada com as voltas que já tinha dado à procura da boneca só porque uma sobrinha lhe tinha pedido.

3 ? A criança com as mãos na cabeça a dizer, que mal fiz eu a Deus, também verdade pois a ela só recebeu prendas escolares e ela não estava contente com a escola. Felizmente que era uma criança meiga e além dos dizeres nada mais fez.

4 ? Lexotans ? Uma homenagem a uma pessoa que resolve tudo, de uma dor de barriga a  um enjoo, com Lexotans.

5 ? Jogo de alumínio nas portas ? Uma homenagem a mim mesmo Smile pela patifaria que fiz em pequeno a uma prima.

6 ? Quotas de aquisição de Miguel ? O meu ?Miguel? fazia-me sempre isso o que me enervava ainda mais.

7 ? Cremes ? Aconteceu com um colega e ficou furioso porque achou que o estavam a chamar de acabado.

8 ? Crash das Biciletas ? Um miúdo furioso deu um esticão nas biciletas e mandou abaixo logo 2 ou 3 (o escaparate é invenção);

9 ? O roubo da barbie ? acontece-me imenso quando vou comprar uma coisa especial, chegar lá e a pessoa que vai à frente ficar com a última, já perdi a conta às vezes que isso me aconteceu, uma delas com uma senhora muito parecida à que descrevo e que eu educadamente deixei passar à frente na porta.

10 ? Criança entalada ? um miúdo espreitou numa cancela de plástico de uma casa de brincar em exposição e ficou lá entalado com a cabeça. A cena original não foi tão engraçada, pelo menos no momento.

# Abril 16, 2008 20:23

bp63 said:

(saiu disparado o comentário)

11 ? Relógio Star Wars ? Foi rigorosamente assim, mas já tinha sido natal, por isso não comprei nem voltei lá, não fui tão bom como o Pedro.

12 ? Insulto empregada ? Uma cena que me fez corar por todo o lado e em que tive muito dificuldade em fazer entender que não se pode dizer tudo (tinha +- 4 anos).

13 ? Queixinha Policia ? Foi pior porque não foi a um polícia mas a 2 ou 3, numa porta de uma esquadra.

14 ? Barbie triplicada ? contado por uma colega cuja filha por tanto querer a boneca X, toda a família lhe ofereceu a boneca.

Pronto, acho que foi tudo. Se calhar quebrei o encanto da história, mas esta foi a verdade, TODA A VERDADE.

Mas pronto, para um ?enginheiro? fica o rigor dos factos pois são sempre importantes Smile

Como podes ver a vida real por vezes é quase tão ?divertida? quanto a de ficção, não tem é possibilidade de escolhermos só o que queremos e fantasiar o resto.

# Abril 16, 2008 20:33

bp63 said:

Jo

Devia ter sido avisado do conteúdo da anedota Smile, porque acabei a rir-me num sitio onde não devia, só porque resolvi espreitar o mail.

O pior é que quis ficar sério para não dar nas vistas e acabou a emenda pior do que o soneto.

Está very cool, como diz a gomes.

Beijo

# Abril 16, 2008 20:36

bp63 said:

Gomes

Em primeiro não percebi porque não podia o arroz doce ser teu. Havia aí alguma ironia? Ou a menina nunca faz :)

Quanto à tua pequena, realmente ela faz o que todos fazem. A propósito da groselha eu também tenho uma que guardarei para uma próxima, pois é a bastante divertida apesar de quase ter provocado um ataque cardíaco a que assistiu.

Aquela do palhaço (não deixa de ser divertida) também passei por algumas pelo facto do raio do miúdo ter sempre o coração ao pé da boca e dizer o que pensa sem pensar primeiro. Por azar começou a falar muito cedo e explicado.

Quanto aos exageros, penso que já podes ver, pelo comentário acima, a dose que uso e abuso. Mas a ideia destas Cenas Cortadas é precisamente isto, exagerar factos da vida para ver se ela se torna menos pesada.

Beijo

# Abril 16, 2008 20:50

bp63 said:

Talina

A eterna tragi-comédia dos nossos dias. É assim que vamos levando isto, como diz a canção "rir para não chorar"

Abraço

# Abril 16, 2008 20:51

gomes2000 said:

bem.....desculpa, parece-me um arroz doce com penas!!! e o meu é tão delicioso que não dura o tempo suficiente para alguém mergulhar nele.. ah ah Modesta, a menina! Beijinhos

# Abril 16, 2008 22:35

bp63 said:

Tive mesmo que ir rever a foto e com penas.

Como aquilo é um pintura o que parece penas são pinceladas grosseiras de creme (acho eu).

Mas ficou uma ideia gira de arroz-doce com penas.

Fiquei com água na boca no que respeita à especialidade da casa. :)

# Abril 16, 2008 22:42

gomes2000 said:

Receita:

colocar uma casca de laranja em água e cozer o arroz. Quando estiver já naquele ponto que está "quase" cozido; retirar a casca, acrescentar o acúcar, muito leitinho, colocar um pau de canela e ir mexendo com lume baixinho. Sempre até estar o arroz cozido. Nos últimos minutos acrescentar um bocadinho de pudim micau ao leite o que vai fazer o arroz ficar com um aspecto amarelinho e com um ligeiro cremezinho. O arroz deverá ter 3x mais de leite porque ele ainda vai engrossar. (O problema é que faço tudo a "olho" e não faço ideia das medidas)/ (e foram necessárias várias tentativas para ficar au point!).

Nas tacinhas, pode enfeitar com penas ou polvilhar com canela...

Big Smile

Muito bom! beijinhos

# Abril 16, 2008 22:56

gomes2000 said:

bem, receitas à parte... tornei a ler a história todinha e ri-me outra vez imenso. E não é fácil fazer rir. Mas as histórias "reais" podem ser assim, quando muito bem contadas. Os pormenores das palavras, como os quilos "desnudados" são um primor... e outros que enriquecem todo o resto. E fujo....

# Abril 16, 2008 23:01

KURIOSO said:

bp,

Desta vez não cronometrei, mas vou começar a fazer como a Paula. Avaliar o tamanho do lençol e reservar tempo.

Brilhante descrição de factos quase banais.

Eu agora estou na fase de já não ter miúdos, e ainda não ter miúdos. Estou em estágio.

Mesmo assim, aqui há uns meses entrei pela primeira vez no Toys, e num dia perfeitamente calmo, enchi-me de suores devido às tropelias de dois ou três pestinhas que, fugidos dos pais, abriam, experimentavam, abanavam tudo o que estava à mão.

E parece que há histórias que se repetem. Porque não somos muito religiosos, a primeira vez que a minha filha entrou numa igreja foi com a minha mãe. A miúda, espantada, foi observando tudo à sua volta, e às tantas grita: Olha Avó já chegou o palhaço. A minha Mãe ficou para morrer.

Quanto ao Natal, os últimos têm corrido com alguma tranquilidade, mas bom mesmo é o dia 26.

Abraço,

Kurioso    

# Abril 16, 2008 23:01

bp63 said:

Gomes

Isto tá gira, está... começa-se a falar de barbies e acaba-se a trocar receitas. Bom, se calhar tem tudo a ver.

Qualquer dia isto tudo ainda vai ser um study case de algum e-sociólogo :)

Mas vou apontar, embora não seja muito dado a fazer doces, mas alguém há-de fazer :)

Beijo

# Abril 16, 2008 23:07

bp63 said:

Kurioso

Simplesmente essa do "palhaço" supera qualquer imaginação de um qualquer imitador de escritor. Está supinpa!

Também andei por uma fase em que bom era mesmo o dia 26, especialmente quando fazia as tais correrias das compras. Agora não, acho bom o dia 24 porque não tenho pressão a nada, se comprei comprei se não comprei compro depois se for caso disso.

Quando passar o estágio e tiver que voltar a entrar em locais de brinquedos, pois considere interdito em qualquer fim de semana do mês de Dezembro. É preferivel fazer uma viagem ao Iraque, ao menos aí leva-se capacete.

Abraço

# Abril 16, 2008 23:12

JAMES said:

Olá Amigo 'bp'

15 minutinhos deliciosos...até eu via este filme!!!! hahahah.... :o))))

Os meus parabéns pela imaginação!!!! uma autêntica "barbarie"....

Abraço

James

# Abril 17, 2008 18:31

bp63 said:

Obrigado James

Mas mais do que um filme é assim uma espécie de catarse.

Abraço

# Abril 17, 2008 22:07

anatarouca said:

Bp63,

ainda não li toda a "lençolada" da Barbie mas já me estou a rir: "Qualquer pé num centro comercial em vésperas de Natal transforma os arredores de Bagdad num passeio de monges tibetanos." Tem sempre um texto não direi sintético :))) mas enxuto e com as palavras certas para o desenrolar da acção cinematográfica com muito humor.

Voltarei para continuar as compras de Natal à beirinha do Verão.

Beijos

Ana

# Abril 18, 2008 0:16

avomilu said:

bp63

Querido amigo, adorei o que contas sobre o Natal e realmente aSSIM....

Então a história da boneca é ridícula, é só consumismo

imcrível.

Beijinhos e bom fim de semana. um beijo milu

# Abril 18, 2008 10:55

Humana said:

Olá BP

Devo dizer-te que li toda a história, que está muito bem descrita, não digo com imaginação porque é a realidade.

Não te ofendas comigo, mas não me ri, apesar de ter ao meu lado acompanhantes na leitura que se fartaram de rir.

A razão de não ter achado graça, é que me fizeste recordar as minhas vésperas de Natal, em que quase entro em pânico, ou entro mesmo; a casa cheia de gente, camas e comidas incluindo o arroz doce enfeitado com penas, para fazer, os "convidados" a requererem atenção e o meu tempo, compras de última hora, ou todas por fazer, vou para os big centros, onde posso encontrar de tudo (e onde já não encontro nada)..... multidões infernais... e eu começo a dar razão ao Michael Jackson que tem medo de pessoas!...

Quando alguém vir num parque de estacionamento uma mulher dentro do carro com a boca toda aberta aos berros.... sou eu! (com os vidros fechados).

Além do mais assustaste-me com a tua história, porque me fizeste contar os poucos meses que faltam para a minha próxima "guerra" (compras de Natal).

Tudo isto me acontece porque tenho uma altura de bastante trabalho nessa época e é-me de todo impossível antecipar as compras.

Mas todos os anos prometo fazê-lo mais cedo! :))))

Não quero dizer com isto que não gosto da época; depois de todas as aventuras por que passo, vale o sorriso e gritos de alegria das crianças quando vêem o Pai Natal com o saco às costas, e até nós adultos quase acreditamos que é real.

Toda a união familiar no fim é compensatória, e penso que valeu a minha histeria e trabalho anterior.

BP, gostei mesmo do teu texto.

Fico à espera do próximo.

Bjinhos

Mulher

# Abril 18, 2008 17:16

bp63 said:

Ana

É a altura em que se faz melhor compras de Natal, o Verão.

Conheço uma pessoa que assim faz, começa logo nos saldos de Janeiro e quando chega a Setembro tem tudo comprado. O problema é que se arrisca alguém a receber um bikini em pleno de Dezembro.

Beijos

# Abril 18, 2008 19:20

bp63 said:

Obrigado avó.

Beijinhos e bom fim-de-semana.

# Abril 18, 2008 19:21

bp63 said:

Humana

Oh, como eu a compreende. Em tempo entrava em curto circuito com toda a época pré-natal (não confundir com a feminina) mas felizmente tudo já passou. Também sem tempo tinha que resolver tudo à última da hora.

Agora continuo sem tempo, mas faço como na anedota do Prozac, não resolvi o problema mas já não me importo.

Da próxima vez que vir alguém aos berros dentro de um carro vou lá dar um pouco de oxigénio :)

Beijo

# Abril 18, 2008 19:25

jota40 said:

Olá BP

Um filme dantesco.

Já vivi algumas cenas cortadas deste filme, porque também no Natal, sou muitas vezes o PEDRO porque a minha PAULA, tem artes para me lançar para o meio das feras, nos circos de gente louca, em que se transformam os centros comerciais, por alturas do NOEL.

4217 palavras é obra. Não cronometrei o tempo de leitura, porque hoje estava preparado para o embate.

Voltando ao tema, e como também escreve, por vezes já não sei onde existe maior loucura, se na altura da compra ou na altura do desembrolhar !..

Para evitar cenas chocantes e tempestuosas, existe um ritual caricato mas eficiente, cá para os meus lados.

Os mais pequenotes escrevem ao Pai Natal com a lista dos seus desejos, e depois logo se vê ! O problema é que como bom português que sou, fica tudo para o último dia e aí vem a cena de Bagdad. Ali pelo menos estamos preparados para a guerra !

Olhe amigo, gostei sinceramente da história, pois meteu de tudo o que normalmente acontece a um simples mortal quando se mete nestas alhadas natalícias.

O que vale é que no final da festa, sobra sempre para o PEDRO, uma gravatita, um perfumezito, e mais umas coisitas terminadas em ito ou ita. É uma fraca consolação, mas sabe sempre bem.

Estou brincando, porque no fundo de nós, todos gostamos do NATAL, nem que seja pelo calor da reunião da Família, da alegria dos mais jovens, e essas coisas.....

Amigo BP, não esqueça a aventura da "G".

Um grande abraço,

Jota

# Abril 18, 2008 22:27

pessoalissimo said:

Olá PEDRO, perdão BP Wink

Como eu te compreendo!

Em tempos que já lá vão (felizmente) também já fui o PEDRO da tua história.

Isso de ir comprar uma Barbie a um hiper em vésperas de Natal deve ser pior que passar por um campo de minas, é grande azar para o desgraçado que lhe tenha caído em sorte.

Agora as dicas:

1- A melhor forma de acalmar uma criança estancar o seu choro é dizer-lhe que tem uma prenda-surpresa para lhe dar. E mesmo que, devido à surpresa não tenha pensado em nada pode sempre adiantar-se que o momento da entrega é o dia seguinte ou para a semana que vem. Entretanto esqueceram o assunto. É que se há coisa que faça estancar uma zanga ou uma birra é a curiosidade e uma (boa) surpresa. Falo com experiência própria. Esta dica também se aplica às mulheres, em geral;

2 ? Se um dia (por certo, já foste) fores confrontado com um pedido-surpresa destes podes sempre usar o argumento da indisposição física ou outro ainda mais eficaz, que perdeste o cartão multibanco. Costuma resultar. :)

Acho que levei mais de uma hora a ler este post, tinha aqui uma senhora no Messenger a fazer-me pedidos insistentes sobre questões de passwords e de bloqueios informáticos. Nestes casos não resultam as dicas que te recomendei.

Se o Natal ainda vem tão longe (ainda me lembro do anterior) nem quero imaginar o que vais escrever quando este se aproximar, chegarão oito mil palavras? :)

Porque será que os rapazes não gostam de barbies?

Abraço

# Abril 18, 2008 22:57

gomes2000 said:

"há meninos que gostam de barbies......"

# Abril 19, 2008 9:39

bp63 said:

Jota 40

A canção dizia todos nós temos a Amália na voz, neste caso diria, todos nós temos Pedro na pele.

Ele é um bocado bem grande de mim, mas sei que será um bocado, se calhar ainda maior, de muitos outros.

Apesar de tudo, o Natal tem o seu encanto, nem que seja definir umas horas para o mundo parar e as pessoas confraternizarem. Parecendo que não isso é muito importante. Claro pelo caminho levamos o calvário das Barbies e outras que tais.

Sobre a G, está marcado. Espero é não desiludir porque eu depois enrolo sempre varias situações numa mesma personagem. A minha noiva por certo não será a sua G, mas que ela tem que ter aquele momento de honra no posto da GNR, tem que ter. É fabuloso.

Abraço

# Abril 19, 2008 9:52

bp63 said:

Pessoalissimo

Obrigado pelas dicas. Algumas delas já usei, umas vezes tive sucesso, outras não.

A prenda surpresa funciona, aliás ela é sugerida na história. Felizmente que o meu teve sempre um comportamento de tirar partido do que lhe cai do céu, mais vale um pássaro na mão do que a voar. Faz como a canção, quando não dá certo uma mudança muda de esperança.

Agora sobre as Barbies. Eu diria que os meninos não gostam, agora os rapazes... Eu sei porque os meninos não gostam de Barbies. Estão a poupar-se para quando crescerem pois aí são eles que querem brincar... e elas não.

Abraço

# Abril 19, 2008 10:03

bp63 said:

Ó Gomes

Eu sei que há, então se forem meninos já com uns anitos, ui, o que eles adoram Barbies. Especialmente se tiverem que andar por aí a tirar umas fotos das suas vidas.

# Abril 19, 2008 10:13

bbebiano said:

bp63,

é incrível como depois de todo este alvoroço para cumprir a missão de comprar uma boneca loura platinada, ainda se consegue fazer um post com este bom humor!

e quanto ao facto de se considerar ?um rapaz sintético?, devo dizer que estou totalmente de acordo. Afinal, nem nos disse se, quando voltou à loja no dia seguinte para comprar o relógio Starwars, a menina de peso continuava entalada?

eu até acho que esta história da menina presa à casa da Barbie, era um presságio que o Pedro não captou? é que se tivesse comprado a casa, a Bárbara já tinha onde alojar as gémeas e assim talvez achasse que na sua curta vida algo tinha dado certo!!

abraço

# Abril 19, 2008 15:45

bp63 said:

bbebiano

Se eu não conseguisse ter algum bom humor após os meus desaires, então este sitio aqui seria, por certo, um dos lugares mais tétricos e sizudos.

Felizmente há luar, meia bola e força, que a vida pode sempre ser vista de 2 perspectivas. O problemas é que nem todos os dias conseguimos manter este ânimo.

Mais, se o Pedro levasse a casa, além de alojar as outras barbies, ainda levava como brinde uma menina que a julgar pelo feitio ia dar autênticas sessões de wrestling natalicio lá em casa.

Abraço

# Abril 19, 2008 17:53

Luana said:

Fico siderada com as tuas histórias: o requinte das imagens e a magia dos textos. Demais mesmo.

Parabéns

Um beijinho

Luana

# Abril 19, 2008 20:15

bp63 said:

Pois é Luana

A diferença com as tuas imagens é que não fico siderado com a sua invenção requintada, mas sim com a imponência da beleza das coisas que mostras.

beijinho

# Abril 20, 2008 13:58

desabafosdaminda said:

Bêpê

Pois era disso mesmo que eu falava. Aqui a menina é disgráfica, bota erros a dar cum pau, tenho que estar sempre com todo o cuidadinho para não sair burrada e memo assim muitas vezes lá vai asneira!

Eu gosto do Natal, naquele aspecto saudável e gostoso do convívio em família. Somos uma família á moda do norte, que funciona tipo clã, traduza-se por na consoada estar cá tudo, tipo tudo ao molho e fé em Deus, montes de gente para pouco espaço?

Gosto de ver a família, de ver o que cresceram as crianças de um ano para o outro, e todas as coisas boas que só existem numa família grande? a balbúrdia e a barulheira, misturada com as tentativas de organização das matriarcas, a minha mãe e a minha tia.

Gosto. Mas ás vezes assusta-me e apetece-me fugir e refugiar-me nas teclas do meu computador? mas as coisas más que tem a minha idade é que já não posso e ainda não posso fazer destas coisas: há que aguentar firme e em sentido!

Apenas detesto o consumismo em que esta época, e outras, nos encarceram.

É! A vida tem que ter coisas que nos chateiem para não se tornar chata.

Joquinhas

Minda

# Abril 20, 2008 22:37
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