Um Homem não Ri - O Sorriso das Hormonas
Galinhas. Quando se juntam, as mulheres, parecem galinhas. Com mais ou menos penas é a imagem, na brincadeira ou não, que muitas vezes se atribui às mulheres quando convivem entre elas. A razão de tal caricatura grosseira pensa-se que é derivado do elevado frenesim que elas põem nas suas conversas.

Dotadas de um elemento neurológico mais conversador, comparativamente ao lado homólogo masculino, qualquer assunto básico vira nas suas mãos, que é como quem diz, na sua boca, um autêntico festival de palavras. Levando isto para o lado da festa, digamos que uma conversa de homens não passará de uma modinha cantada por um grupo coral Alentejano enquanto que uma tertúlia feminina será o próprio Eurofestival da Canção, inteirinho, com votação e tudo.

Tudo isto porquê? Porque causa lá um tal cortex e de uns tais lóbulos, já abordados aqui, que nos dão a nós homens um falar mais silencioso. Mas é só isso que leva a que sejam apelidadas de galinhas quando confraternizam? Penso que não. Aquilo que faz qualquer encontro de mulheres parecer uma festa é pura e simplesmente uma coisa muito simples, o riso.

As mulheres riem, os homens sorriem. As mulheres riem da vida, os homens riem quando se lhes conta a vida.
Mas vamos às práticas. Dois casos muito parecidos, mas tão diferentes. Cenário: Centros Comerciais, como não podia deixar de ser.

Primeira cena: Eu ia à pressa a sair do parque de estacionamento em direcção à grande superfície comercial, a tal que “vende tábuas e parafusos a bom preço”, quando reparei em 2 senhoras que seguiam à minha frente. Elas iam lá na sua conversa e, tal como eu, dirigiram-se para o tapete rolante. Como viram uma senhora a descer no tapete ao lado encaminharam-se para o outro que supostamente deveria subir. O problema é que aquele espaço tinha 2 tapetes rolantes no mesmo sentido. Assim, de um momento para o outro as senhoras viram-se a patinar, qual cena do cinema mudo, em cima de tapete que corria em sentido contrário ao seu. Resultado, depois de um tem não te caias, elas saíram disparadas a toda a velocidade pelo tapete fora e só não caíram as 2 nos meus braço, dando assim azo a uma eterna fantasia masculina, por um triz. O que fizeram as mulheres perante tal situação?

Riram-se, riram-se muito. Só não rebolaram no chão a rir talvez por vergonha. O riso foi tanto que tiveram que voltar costas uma para a outra porque não conseguiam parar. Pude observar tudo isto porque o tapete que realmente subia era do outro lado e bastante grande, o que permitiu ir apreciando a cena. Pude também apreciar como todos os homens que passavam ficavam intrigados por ver 2 “malucas” a rirem como umas perdidas. As mulheres não, passavam e sorriam de uma forma cúmplice. Não sei se ainda lá estarão, mas por certo ao fechar do centro foi necessário chamar o corpo de bombeiros para as remover.
Segunda cena: Ia eu também a caminho da parte comercial do shopping, com a sessão de cinema quase a começar, e vi que à minha frente iam 3 tipos numa alta discussão sobre futebol. A conversa ia tão animada que um deles, talvez por um empregado se ter esmerado na limpeza, foi de encontro a um vidro, pensando que era uma porta. A força foi tal que por momento pensei que aquele enorme painel em vidro vinha abaixo. Além de um pacote de asneiras novinho em folha que se soltou, e o “então pá, estás cegueta?!”, mais nada se ouvi. Risos? Ná, apenas um sorriso na altura, mas logo foi abafado pelo retomar da conversa. Então na altura em que se discutia se o Presidente do clube era ou não um vígaro, ia agora uma simples parede de vidro fazer perder a discussão!

Pois é! Parece que nós homens temos mais uma parte do cérebro atrofiada. Já não vemos as cores todas, já falamos menos, só conseguimos ter em atenção um problema de cada vez, temos uma visão mais reduzida, com menos lateralidade, agora só nos faltava esta, que até o desgraçado do riso também não foi fadado para nós.

Um homem não ri? Ri, mas com moderação. A começar o homem só se ri se a situação lhe for contada, daí serem grandes apreciadores de anedotas. Já assisti várias vezes alguns homens, que lhe acontecerem algumas situações engraçadas (olha eu a olhar pró lado) e na altura não acharam grande piada, a rirem-se depois quando alguém conta o que se passou. Ou seja, riem-se deles próprios mas já na 3ª pessoa. Ao contrário a mulher ri-se dela própria e logo na primeira pessoa.
O riso faz bem à saúde, é uma boa terapia, pois é um elemento relaxante e alivia o stress.
Há vários estudos sobre os efeitos benéficos do riso. Todos apontam para o efeito vasodilatador o que permite a chegada de mais oxigénio ao cérebro e um menor esforço no coração. Segundo Michael Miller, da Universidade de Maryland, "a amplitude da alteração observada no endotélio (tecido que recobre a parede interna dos vasos) nas pessoas que riem é semelhante à que teriam numa actividade física intensa". Já viram? Sem grande esforço, umas gargalhadas e daqui a pouco temos uns bíceps capaz de passar a colecção masculina de Fátima Lopes no próximo Moda Lisboa.

Nesse mesmo estudo, Miller exibiu excertos de dois filmes, um cómico e outro dramático, a 20 voluntários cujo sistema vascular estava sob observação. A investigação centrou-se no comportamento do tal endotélio (qualquer dia vai haver uma personagem de uma telenovela com este nome), que se contraiu nas cenas mais tristes, reduzindo a passagem do sangue em 14 dos 20 voluntários. Em contrapartida, quando os espectadores riram nas cenas cómicas, o sangue fluiu muito mais livremente em 19 deles. Afinal o estado anda a subsidiar os filmes do Manuel de Oliveira, quando devia era servir Gato Fedorento em cápsulas.

Agora, se associarmos isso ao facto das mulheres terem uma maior esperança de vida, podemos fazer aqui já uma tese de pacotilha: Elas vivem mais porque riem mais. Espertalhonas! Além de gozarem mais com a vida (ler isto sem acordo ortográfico, apenas com o significado português) ainda estão a renovar o certificado de residência terrestre.
Agora percebo porque dizem que quem ri por último ri melhor, elas ficam cá a rir-se e nós lá vamos indo com as do Armindo.

Vamos acabar com isto. Homens de todo o mundo, toca a perder o preconceito. Vamos começar a rir. Qual ginásio qual quê?! Provoquem umas boas gargalhadas e além de poupar na conta do médico, sempre vamos andar por cá mais um tempito.
Mas isto levanta um problema, para não lhe chamar provocação: Se as mulheres é que são as detentoras do riso, será que um homem que ri muito é menos masculino, para não dizer mais efeminado? Será por causa disso que a parte masculina mais virada para outras opções sexuais alternativas acabou por ser adjectivada de gay?

Dizem que Deus fez a mulher a partir do homem. Não sei se foi, mas que depois ele resolveu acrescentar mais material à obra, lá isso resolveu. Será que foi para compensar o excesso de material que deu aos homens noutras áreas? É que me parece que tirando o sexo e os músculos, onde foi generoso em gramagem, em todo resto o Grande Criador esteve sempre a cortar naquele 6º dia. Depois na segunda versão já melhorou os defeitos da primeira. Digamos que o homem dever ter sido o Human1.0 e a mulher o Human2.0. É o que dá ficar logo com as novidades, não há nada como esperar pelos upgrades.
Bom, fazendo jus ao tema, isto não é para levar muito a sério, inclusive podem rir á vontade, se é que teve graça. Apenas quis fazer umas cócegas com este problema dos homens serem tão sisudos e as mulheres muito mais risonhas.
Não é estranho?! Ou será que não temos motivos para rir? Será que dentro delas habita uma força extraterrestre que as torna uns seres mais alegres, mesmo quando a vida pesa? Olha, se for, que a Força esteja com elas!
Enquanto a mulher se ri da vida, o homem espera que a vida o faço rir.
