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Imagens caídas

Uma imagem vale mais do que mil palavras. Porque não fazer o contrário? Com as palavras construir e falar de imagens.

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Mentiras Reais - As Máscaras do Outro lado do Espelho

Uma imagem vale mais do que 1000 palavras. E porque não fazer o contrário? Com as palavras construir imagens. Diz uma palerma qualquer por aí. Mas a construção ou a queda de imagens pelas palavras aproxima-nos da verdade ou da mentira? Não será que por detrás de uma simples imagem, em que os pixels se definem por questões semânticas, se esconde uma complexa máscara? Talvez!

 

O mundo virtual abriu portas a novos mundos. O maior, talvez o maior importante, foi a vasta janela que escancarou à pessoa anónima para que ela, não só pudesse espreitar os mundos que outros lhe pintaram, como colorir todos os seus próprios universos, através de uma interacção directa.

De um momento para outro, quem sempre viveu fechado nas suas armaduras psicológicas, pôde mostrar-se de diferentes maneiras, abrindo caminho a um palco onde começaram a desfilar personagens escondidas.

Através dos chats, e com o escudo protector do nick, iniciou-se a primeira fase desta nova conquista. Simples e sem muitos truques aparentes, foi a fast perfomance deste novo espectáculo do fingidor, que finge tão-somente a dor que deveras sente.

Mas essa forma imediata de ser Rudolfo Valentino ou Jessica Rabit, já para não falar de um Zéze Camarinha ou de uma Mata Hari, tornou-se rapidamente obsoleta, de tão insatisfatória. Havia necessidade de meter num armário a bonecada mais primária e tirar de lá algo mais elaborado, que ficasse bem neste teatro virtual, espelho de um outro que vive eternamente de uma estreia adiada. Florbelas Espancas, Professores Marcelos, Gabrieis G. Marquez, Maludas, mais do que avatares, eram assim ícones desejados para incorporar. Então, eis que surge um novo domínio, o Blogue, que permitiu mais uma conquista no novo universo, agora mais intelectual, mais substantiva, e dar início a uma invulgar passerelle de figuras abstractas.

Com os Blogues, aquilo que era um privilégio de uma casta erudita ou profissional, ficou aparentemente ao alcance de qualquer um. Assim, a trupe a que eu já chamei os Talentos Anónimos Reunidos (Ou o dia em que The Blog Killed The Newspaper Star), rompeu por aí fora, aos saltos e aos pinotes, desfilando palavras e imagens de todas as cores. Talentosas ou não, as suas.

 

Anónimos ou não, com ou sem avatares, os post emergem aos molhos, construindo uma personalidade própria, ganhando por vezes uma vida para além do seu criador, como se fossem pequenos Frankensteins. Mas a criatura tem mesmo corpo ou é apenas uma máscara do criador. Voluntária ou involuntária? Eis a questão!

Independentemente do conteúdo de cada um, o que é certo é que neste cosmo cibernético surge um Carnaval de Veneza todos os dias. Máscaras para se falar da verdade, máscaras para construir a mentira. No fundo é sempre uma outra máscara que acaba por ser pintada, a das mentiras reais.  

Provavelmente muitos, para não dizer a maior parte, andarão a fazer passar por aqui uma simples água cristalina do seu rio, mas não deixa se interessante analisar aqueles outros que largam as simples margens do seu percurso e criam um autêntico oceano em cima de um palco. Sem grandes rigores, sem grandes amplitudes, eis as principais máscaras que julgo habitarem a peça que vamos escrevendo todos os dias.

Cyrano de Berjerac

 

Ela quis conhecê-lo. A força das suas palavras, a determinação das suas ideias, fazia dele um homem invulgar. Muito diferente de todos o que ela conhecia, as imagens que ressaltavam da sua e-literatura era a de uma homem sensível nos aspectos mais intelectuais mas muito viril nos actos que parecia defender. Talvez por isso, quando marcaram um encontro, ela pensou que lhe ia aparecer uma mistura de George Clooney – num percebi porque é que as mulheres, sempre que idealizam um gajo interessante, pensam neste tipo como referência - com Jude Law. Mas mal ele se aproximou, com o objecto senha de identificação, ela verificou que estava afinal num outro filme, um de género mais pesado, talvez até num de terror ou então de inspiração de um velho conto francês. Ele poderia ter mesmo desempenhado o papel de Quasímodo em qualquer versão da velha história de Notredame.

Com caricatura ou não, o que é certo é que através das palavras que vão caindo, as pessoas constroem imagens etéreas que depois não correspondem à verdadeira dimensão daquela que lhe está realmente esculpida a nível pessoal.

Qual Cyrano de Berjerac, são as suas palavras que seduzem ou iludem. Numa espécie de impressionismo virtual, os diversos pontos coloridos das palavras formam à distância uma figura e um conceito, que não sendo muito reveladores, não deixam de aparentar um rosto, o rosto que se quer ver. Este tipo de mascara é quase sempre involuntária e resulta, simplesmente, da eterna ilusão da leitura. A mesma que nos cria a perpetua desilusão ao vermos um filme do qual lemos antecipadamente o livro que o inspirou.

 

Mas será que a máscara é mesmo sempre involuntária? Não gostamos nós de projectar nos outros uma imagem agradável?

Até podemos durante um tempo produzir luz hipnotizadora, no entanto, mesmo escudados no socialmente correcto, é difícil manter o show em cena durante uma grande temporada. Num momento mais quente, quebra-se o espelho das palavras e o nariz do Cyrano começa a espreitar, mostrando assim que o tal rosto de Christian de Neuvillette, um Adónis idealizado, era meramente uma miragem.

Aos lermos o que cada um escreve, não só fica a porta aberta para que todas as imaginações possam entrar, como também se liberta a doce brisa de todas as seduções. Será que podemos contrariar isso? Penso que não, pois seria impedir as pessoas de exercerem a maior das liberdades, o pensamento.

Apesar de tudo, mesmo com as possíveis armadilhas da sedução a serem accionadas, não podemos esquecer que alma verdadeira é de Cyrano e ele está lá sempre no que escreveu. Cristian é apenas um corpo que o desejo das palavras teceu.

Mr. Hyde

 

Felizmente que os cromossomas que aportam consigo trazem também com eles esta genética portuguesa de brandos costumes e de uma certa rebeldia cobarde. Caso contrário, estariam a subir ao telhado de um edifício, mais perto das estrelas, e a disparar nos pobres transeuntes que passariam na rua.

Não se sabe se por uma vida triste, recalcada e sem horizontes, ou se pura e simplesmente por um feitio adquirido em doses de má educação maciça que lhe foram servidas ao longo do tempo, o certo é que foram adquirindo estranhos hábitos, nomeadamente o de vestirem a papel de um terrível mauzão, sempre que escondidos num anonimato virtual. 

Lembra-me um tipo de colegas escolares que se escondiam atrás dos mais altos, para dizer, bate, afinfa-lhe que o gajo é um palerma, lá vem o mariquinhas passa-lhe uma rasteira, olha a boazona apalpa-lhe o rabo, and so one, and so one …!

O problema é que o tempo passa depressa e eles deixam de ter os amiguinhos corpulentos para se esconderam e fazerem de carpideira venenosa. Enfrentar a vida como ela é não é fácil, especialmente porque as nossas fraquezas não podem ser ter eternamente almofadadas. Daí, aparecer um meio onde se pode exorcizar todos os fantasmas que habitam as mansões empoeiradas da psique, foi um autêntico achado.

 

Sem a necessidade de subirem ao tal telhado para dizimarem fisicamente quem quer seja, depois de se sentirem eles próprios dizimados com o seu fracasso, podem agora, munidos de um avatar e um nick, chamar a si o Mr. Hyde escondido em cada um e, qual menino endiabrado por detrás da janela a atirar ovos aos passeantes, começar a fazer partidas ridículas no mundo cibernético.

Divertem-se não só a dificultar a vida aos outros, como a ridicularizá-la segundo um padrão ainda mais ridículo, o seu. Das várias armas apresentadas o insulto está sempre a mão, quando o Mr. Hyde é um bocadinho mais pseudo corajoso e resolve mostrar-se, ainda que mascarado. Quando a cobardia é total, nem o avatar se mostra, a sua arma preferida tem silenciador para disparar sobre os objectos que apanha sem ser detectado. Por vezes, quase que é audível o seu riso miudinho perante as malandrices que faz. Mas é um riso triste, é um riso só.

Mr Hyde vive num universo pouco luminoso. Todas as estrelas são poucas para alimentar a sua máscara. Um dia, quando crescer, verá que o seu prazer pode também advir do compartilhar um outro alguém sem máscara, na nudez conjunta da sua vivência. Nirvana, afinal, pode estar nas estrelas, mas só naquelas que ele próprio irá criar.

Archie Bunker

 

Bem-vindos ao Táxi de Portugal!

Talvez seja mais a anti-mascara das máscaras, tiram uma para colocar a outra, a mais verdadeira. Por vezes, o mundo lá fora ainda os vai vendo com alguma naturalidade e algum sorriso na cara, mas no espaço sideral, mal embarcam na nave digital, arruma-se a máscara, que ainda tem alguns laivos de alegria que compõe os seus dias, e solta-se uma outra, a mais real, fria e amargurada.

Um cenário desolado, em que tudo está mal e ninguém vê, só cheio de gente ruim que ninguém repara, repleto de péssimas ideias que ninguém alcança, é sempre a sua tela. Daltónico compulsivo, pensa pintar uma colorida paisagem mas nunca abandona o preto e branco da sua paleta, nunca há espaço entre o sim e o não.

É Governo? Sou contra. É sobrinho de uma irmã do tio do motorista do Governo? É gente do pior. A esquerda? É má, porque este Governo é de esquerda. O Governo vai mudar para direita? É mau na mesma, isto não tem compostura. Em resumo todos os idiotas do mundo e atrasados mentais vão para o Governo, qualquer que ele seja. Os inteligentes estão todos cá fora anónimos, a comentar.

 

Louvar o que quer seja é tarefa difícil, para não dizer quase impossível. O importante é dizer mal, dissecar a incompetência de quem decide e levantar todos os problemas que existem perante qualquer situação. Soluções? - a assobiar para o lado -  Bom, isso é mais complicado! À parte das eternas limpezas generalistas, em que barcos e terras distantes são instrumentos equivalentes a grandes baldes com detergente, nunca sai uma solução arrojada que permita encarar de frente o problema. Vem à memória sempre aquele velho princípio do se só vês problemas e nunca uma solução, então é porque fazes parte do problema.

Em nome do combate ao politicamente correcto e do exercitar uma certa rebeldia colocam ou despem a sua máscara e ficam orgulhosos das suas ideias. Mas a nova máscara que vão construindo tem apenas reflexos de correntes já vindas de longe e que há muito perderam o rasgo de inovação na História. Afinal temos que aprender a inventar um novo tempo a cada momento e transformar os nossos erros em novas peças adequadas ao caminho que agora calcamos. Estamos em tempo de reciclagem, my friends!

Chaplin

 

Lá fora não é só a chuva que cai. O mundo também. O seu.

Quando escolhe as palavras para desfilarem, primeiro no seu monitor, depois numa página electrónica residente algures num endereço cibernético, sente que não é desse cinzento que elas vão ser feitas. Não porque que queira construir uma personagem simétrica ao seu estado de espírito, não porque queira arquitectar a mentira, mas apenas porque precisa de criar uma ilusão, a dele mesmo, como se uma catarse fosse.

O e-clown semeia ou colhe o riso? O Chaplin precisa de sentir risos para não chorar. Mas mesmo na gargalhada da palavra há sempre um olhar triste que não se esconde totalmente, pois entre os próprios risos há espaços onde é visível o traço da melancolia.

Ao observarmos os contornos da sua máscara, verificamos que eles são apenas feitos das linhas trémulas que as suas palavras traçam. Aparentemente vão desaguar numa praia cómica natural, que parece reflectir a próprio água do seu criador. Mas se olharmos bem, lá no fundo, está um rio perdido e amargo que, ao ficar retido na represa ensolarada das palavras, apenas se transformou num lago feliz para não morrer no mar.

Mesmo quando tropeça e a plateia ri, há tristeza no olhar de Chaplin.

 

Não pretendo aqui fazer uma critica à mascara, apenas trazer um olhar contemplativo sobre a sua própria sombra. Até porque a máscara é apenas uma ponte com o outro lado de cada um. Um lado construído com a imagem das palavras ou com ausência delas.

Mas fica sempre a questão:

Será que nos despimos por detrás das palavras ou nos vestimos com elas?

Posted: sexta-feira, 16 de Maio de 2008 16:48 por bp63

Comentários

bp63 said:

Tive algumas dúvidas na publicação deste post.

Primeiro porque a escrita saiu demasiado barroca e sombria e não era este o meu objectivo. Talvez até em círculos.

Depois porque ele próprio poderá ter uma leitura semelhante ao objecto em causa, criando assim um efeito de matrioska, a máscara dentro da máscara. E não era isso. Muito menos uma atitude de sobranceria sobre os outros. Apenas um reflexão sobre paisagens onde por certo me incluo.

Acabei por editá-lo. Já era a segunda vez que tentava abordar o assunto, a primeira foi uma atitude falhada que acabou num post melodramático sobre as pontes do espelho, e tinha que arrumar o assunto.

http://sol.sapo.pt/blogs/bp63/archive/2007/11/20/Imagens-Ca_ED00_das-_2D00_-Pontes-no-espelho.aspx

Com este post completo, assim a trilogia sobre o novo mundo virtual, iniciada com os NBC

http://sol.sapo.pt/blogs/bp63/archive/2007/10/28/NBC-_2D00_-Os-Novos-Broncos-Cultos-ou-as-e_2D00_Cinderelas-dos-Novos-tempos.aspx

e seguida com os TAR já referido no post (link no texto superior).

Sem guerras sexistas, que ainda acabo fuzilado, queria só dizer que como ícones das máscaras utilizeis apenas homens porque são personagens mais fáceis de identificar.

Não quero de forma alguma dizer que só os homens põem máscaras e as mulheres apenas são vitimas. Ná, o Carnaval quando nasce é para todos!

# Maio 16, 2008 17:05

bp63 said:

[YouTube:70Jq2jRh5xI]

# Maio 16, 2008 17:08

bluewater68 said:

bp63,

mal seria vir aqui e não dizer um "voltarei", etc e tal.

Por agora, só duas notas:

- "Video Kill the Radio Star" está na berra. Também tinha usado o termo em "Video Kill American Cop Star"

- Em relação às "Guerras Sexistas",  fica a nota de eu pretender assinar uma possível petição que tenha como objectivo esquecer todas as Guerras do Sexos que possam existir, ou, 'não será hora de esquecer essas guerras'?

E termino com um "Corra tudo bem"

Abraço

# Maio 16, 2008 17:23

bp63 said:

Blue

já tinha reparado no "uso". realmente é um titulo que dá jeito, não só porque ilustra o facto de uma coisa vir substituir outra, como também mostra que afinal depois as consequências não são assim tão esmagadoras.

Quanto à guerra dos sexos, penso que é apenas uma fase e que deriva muito do facto da eterna diferença igualitária. Também assino a petição :) mas que dá jeito para ums picardias inocentes, dá.

Já agora, que não tem nada a ver, penso que vem aí um filme Acontecimento. Será que pela primeira vamos ter um filme catástrofe de qualidade?

M. Night Shyamalan filma muito bem o medo.

http://www.imdb.com/title/tt0949731/

Abraço, vai correr tudo bem.

# Maio 16, 2008 18:17

Talina said:

Olá bp

Excelente texto... O que relatas, está mais que  provado, que cada vez mais a realidade vai se confundindo com a virtualidade, ou será o contrário?

Abraços Talina

# Maio 16, 2008 18:31

bp63 said:

Obrigado Talina.

Quanto à questão ela é verdadeira nos 2 sentidos. A realidade vai sendo virtualidade, tudo começa a exisitir desde que aqui, e a virutualidade faz existir realidade (ver o post do Blue sobre o videojogo GTA)

Abraço

# Maio 16, 2008 18:38

bluewater68 said:

Ui, a saliva já escorre :))) quando é que sai em DVD?

já vi um Trailer e aquilo promete.

Decididamente (talvez escreva sobre isso) cada vez tenho mais a certeza que o fim da humanidade será por causa de um vírus. Isto tendo por base as fontes 'altamente cientificas', relativas aos últimos filmes que tenho visto.

MAS, um mas bem grande, espero que aqui não descarrile para uma coisa fantástica tipo 'Senhora das Águas' (e temo que possa ser isso)

# Maio 16, 2008 18:42

gattopardo said:

Ola

Um post muito eloquente mas que pode ter premissas falaciosas. O tema é muito interessante e naturalmente mais do que actual ( é um futuro assumido ). São diversas e multiplas as motivações da mascara por detrás de um nick. Mas se atentos ao conteudo da mensagem recolhida no que é postado, retirarmos a essencia do que é comunicado, facilmente constataremos ( na generalidade ) a psicologia por detrás do icon assumido. No que me diz respeito ( gattopardo ) se não revelo mais promenores quanto à pessoa. faço-o por protecção òbvia. Quanto ao resto são humildes tentativas de escrita que esta coisa dos blogues veio permitir numa vertente editorial grátis e acessivel. Além disso permite o intercambio de ideias e a aquisição de algumas informações uteis para uma certa cultura geral. Como acontece, quando visito espaços como este ( e outros há por aí ) onde convivem, com toda a naturalidade, uma escrita eficiente com conteudo e sem pretensões e um conjunto de informações sempre enriquecedoras.

abraço

# Maio 16, 2008 18:42

PSCGF said:

Bp,

Consideras a escrita neste post demasiado barroca... Mas acredita , é dos textos que mais prazer me deu em ler.

Eu vou digeri-lo :-) Pois teria muito a comentar... Mas vou pensar se devo ou não.

Só que estou triste ... "a guerra dos sexos".

Estou a sentir o "peso" de uma "culpa" que eu não vislumbrei .E eu gostei , aliás amei a nossa "guerra" , possivelmente pela 1ª vez não reparei nos efeitos...

No fundo, este é o post mais espectacular que li .

E subscrevo-o na integra , se tal permitires... :-)

Os meus parabens.

Paula

# Maio 16, 2008 18:46

eeu said:

Está muito bem observado e escrito, Bp.

Concordo e já muito do que escreves pensei também.

Saliento o facto de haverem equivalentes femininos para todas essas máscaras além de outros, típicos da classe (e já agora, também assino a petição do Blue ! rss).

É claro que todos queremos mostrar o mais bonito que há em nós -e que às vezes não será nada aparente, o que causará essa ânsia de se adornar de palavras.

Eu também quero que a palavra me faça bela -ou corajosa ou inteligente ou engraçada ou, ou... -mas por ter mais medo da mentira ou do trabalho que a ilusão exige, do que de ser rejeitada pela verdade, esforço-me sempre para arrancar qualquer sugestão de máscara. Mas atenção, porque recorrer à máscara é o primeiro impulso muitas vezes e nesse caso tirá-la é que me exige esforço !

Há máscaras que são tão óvias que pretendendo ser uma caem sempre na do ridículo. Há outras mais bem delineadas que geralmente se percebem nas entrelinhas, nos atos falhos e nos comentários.

Acho que às vezes o que define melhor as pessoas e a melhor maneira de conhecê-las acaba por ser a análise das máscaras que elas escolheram usar...

abraço

eeu

# Maio 16, 2008 19:00

bp63 said:

Blue

Vê lá o que escreves :), olha que também tenho em carteira um PDF sobre esse facto.

Só espero que não seja a desilusão da Senhora das Águas.

Estreia a 12 de Junho.

# Maio 16, 2008 19:10

bp63 said:

Gattopardo

Achei o seu comentário muito interessante por 2 ordem de razões: pelo que lá explicitou e porque me levou ao seu blogue. O seu nick é um exemplo das tais imagens que se criam. Não sei se por fazer uma associação de ideias com outro, se por confundir a personagem, é certo que construí uma determinada imagem que me levou a não ir lá, ou se fui, a esquecer. Bom agora que fui prometo voltar porque finalmente há outro corpo para além das palavras.

Concordo com o que quase tudo o que escreve, digo quase porque me fica uma dúvida, a facilidade de identificar a psicologia que está por detrás de quem escreve. Não tenho tanta certeza. Se há situações em que é mais fácil chegar a uma imagem próxima da realidade, não nos podemos esquecer que é só uma imagem. O verdadeiro eu, está do outro lado e não sei bem de vê o mesmo espelho que eu.

Abraço

# Maio 16, 2008 19:20

bp63 said:

Paula

Acho que deves comentar, seja a tua opinião qual for.

O silêncio também pode ser uma máscara.

Quanto à guerra dos sexos, foi apenas um descomprimir num tempo em que as coisas andavam um pouco sombrias por aqui. Acho que nos divertimos e que ficaram as ideias.

Tudo tem um princípio e um fim. O que não invalida que se volte a comentar as diferenças.

Eu quando faço um post como o anterior, ao contrário do que as pessoas pensam, é mais uma reflexão sobre nós homens, como andamos neste mundo, comparando-o com o outro mundo, o das mulheres. 2 mundos na mesma casa.

Com isso do mais espectacular, fico lisonjeado, mas também percebo é sexta-feira, final de tarde e a menina já está por tudo? ;)

Beijos

# Maio 16, 2008 19:27

bp63 said:

Eeu

Acredito que há equivalentes femininos, mas a preguiça é muita e não tive tempo para por os neurónios da memória a funcionar. Podia vir daí uma ajuda!

Mas também como há sempre uma dose de autocrítica, não me ficava bem um ícone de saia travada! :)

Claro que todos gostamos de agradar, a menos que se tenha uma costela SM. Por isso é sempre difícil saber onde está a verdade das pessoas. Mas a verdade também pode ser a tal ilusão criada, acaba por fazer parte dela. Daí eu concordar em muito com o:

?Acho que às vezes o que define melhor as pessoas e a melhor maneira de conhecê-las acaba por ser a análise das máscaras que elas escolheram usar...?

Abraço

# Maio 16, 2008 19:34

josefadobidos said:

"Será que nos despimos por detrás das palavras ou nos vestimos com elas?"

Não sei bem, mas penso que as duas coisas: se te despes e te vestes ficas completo. As duas juntas fazem um "eu", porque aquilo que vestimos é sempre um reflexo daquilo que está por debaixo da roupa.

Quando assim não é, estamos mal. Significa que há uma clivagem, que é como quem diz uma separação, que mais do que com os outros, connosco mesmos.

A sombra em vez da vida: O terror.

Uma "verdadeira" máscara, cai sempre, acaba por cair mais tarde ou mais cedo, é inevitável. Um dia o espelho devolve essa imagem e tudo se quebra.

É uma das formas de nascimento de um autor em detrimento de um actor.

Grande post (avaliação qualitativa)

beijos e bom fim de semana

jo

# Maio 16, 2008 20:51

bluewater68 said:

:))) é o que dá misturar assuntos nos comentários e poder gerar más interpretações no caso de não se ler todo o contexto. Lança lá esse PDF para eu ver se sobra alguma coisa para falar. Mas depois de ter visto o "Eu sou a Lenda" fiquei mesmo com vontade de escrever sobre isso.

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Falando do texto. No mesmo dia em que o publicas, eu posso dizer que comecei mal a manhã ao ter lido um texto neste SOL (http://sol.sapo.pt/blogs/oidotsuc/archive/2008/05/16/Mediocridade-Gritante.-Valer_E100_-a-pena-continuar-aqui_3F00_.aspx). Ainda pensei em dizer alguma coisa, mas depois de ler o comentário perfeito do gattopardo, achei que de facto não haveria nada mais a dizer. Não se trata de uma máscara (será?), mas representa um conceito que só pode resultar deste micro-cosmo que são os blogues do SOL. Noutra plataforma, o autor daquele texto seria muito certamente alguém que ninguém daria por ele. E falar em mediocridade noutras plataformas seria algo sem sentido, talvez pelo simples facto de não se saber que blogues existiriam nessa plataforma. Aqui, graças a uma lista de recentes publicações, e a uma coluna que só serve para deixar alguns Mr. Hyde ainda mais paranóicos do que já são, existe sempre a hipótese de alguns darem por esse texto. E com isso alimentam-se comentários e a sensação de alguém os ouvir do outro lado. É por isso que este SOL tem mel. Por mais que muitos Archie Bunker digam mal, sem nunca apresentarem soluções ou ideias, os mesmo nunca saiem daqui. É que quando vão para outras plataformas acabam por descobrir que aquilo é um deserto em termos atenção de terceiros. Por isso, nada como ficar por aqui, nem que seja à custa de uma máscara de cada tipo, conforme o estado de espírito do momento ou hora do dia.

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Os Blogues acabam por ser de facto uma evolução dos Chat, no que toca às máscaras. No extremo, o Second Life será a mistura de tudo, Chat, Blogues e Máscaras.

Os Chat tinham, no mínimo, a característica de exigirem um diálogo. Ninguém andava nos Chat a falar sozinho. E esse é outro aspecto interessante das máscaras. Nos blogues, cada autor tem a hipótese de falar pró boneco e de usar a sua máscara de forma livre. Em último grau, até poderá criar outras máscaras para comentar o que a máscara principal vai escrevendo. Não será um Mr. Hyde, mas talvez uma máscara do tipo "O Chacal", o assassino dos mil disfarces.

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Pode-se falar da máscara "Mimo"? aquele que imita (copia) tudo o que vê?.

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As máscaras são fundamentais à blogagem, e são poucos os casos onde a identidade real é assumida pelo autor. Por sinal, neste mesmo SOL, aqueles que 'postaram' dando a cara, acabaram por ter problemas, Dissidencias, Helder Fraguas, Marta. A máscara não é apenas uma ponte com o outro lado de cada um. Nos blogues, acaba mesmo por ser uma necessidade.

Acho que voltarei a comentar isto. Por isso, fica um até breve

# Maio 16, 2008 20:59

bp63 said:

Jo

Já li e reli o que escreveste. Ligaste as pontas e fizeste de novo o laço. Despimo-nos e vestimo-nos ao mesmo tempo? Talvez. Mas acho que por vezes há um tempo separado para cada coisa. Utilizar as palavras, de uma forma indirecta, para dizer o que se quer mostrar é despirmo-nos, escolher as palavras para escondermos o que não queremos dizer é vestirmo-nos. Era nesse sentido que falava, daí poderem ser coisas diferentes. Mas sei que ambas podem fazer parte do mesmo processo num determinado momento, o tal eu interior.

A verdadeira máscara cai? Nem sempre. Nem no mundo real, quanto mais aqui. Há actores que se confundem com a sua própria personagem. Conseguimos ir vendo um pouco por detrás dela, nas tais vestes das palavras, mas fica sempre muito por descobrir num espaço virtual, em que o mundo se constrói de impressões e sugestões.

Mas prefiro o autor ao actor, sem dúvida.

Beijos e mais que bom fim-de-semana, boa semana também. Voltarei.

# Maio 16, 2008 22:45

bp63 said:

Blue

Em primeiro lugar sobre o virus e o PDF, força, não esperes, porque o meu ainda demora, primeiro ainda vem um sobre a escola e as aprendizagens ao longo do tempo, que já tenho esboçado.

Quanto ao post que falas também passei por lá e vi apenas uma opinião interrogativa que já foi bem respondida. Só mesmo o concurso de Misses do Pessoalíssimo para me fazer rir hoje (claro que, mesmo cansada, a mente fervilhou logo com uma estorinha do género os post/blogues a serem coroados e a fazerem um discurso salvem as baleias e muita paz no Sol).

Mas a comunidade é mesmo como dizes um microcosmo. Sempre que as pessoas não passem a linha da mesquinhez pessoal acho que cada um abre a janela e grita ?eu estou aqui? com a voz e o talento que lhe deram. Por vezes sai um falsete engasgado, mas enfim estão todos no seu direito.

A vantagem desta Comunidade, e aqui o Sol está de parabéns pela ideia, é mesmo que se possa ir vendo tudo o que anda por aqui, o que entra e sai. Mesmo uma pessoa novata pode de imediato ser notada. Como tu bem dizes aqui qualquer um pode ser lido e não ficar esquecido no buraco negro do espaço bloguiano. Há um elemento agregador.

Uma vez li uma coisa, penso que num cartoon do Sol, em que uma dizia que os blogues eram bons porque qualquer desconhecido podia publicar e ser lido. Depois perguntavam-lhe se ela era muita lida e ela dizia que não, só os conhecidos é que eram.

Ora isto é o que acontece nos outros sítios. Todos publicam mas fala-se quase sozinho.

Aqui também se fala um pouco pró boneco, eu falei durante muito tempo. Mas mais tarde ou mais cedo há sempre alguém que se cruza, lê e volta, criando-se assim um pequeno circulo, com os seus defeitos e virtudes. Com a tal vantagem de ter os post recém-publicado listados a probabilidade aumenta.

A grande vantagem dos Blogues sobre os chat?s é que se pode construir uma identidade, não há que começar de novo sempre que se inicia o diálogo. Mesmo quando se fala só.

Aquilo a que chamas máscaras de protecção eu chamo de biombos. Como num teatro chinês vamos mostrando os contornos dos corpos, que acabam por ser o nosso pensamento.

Mas concordo, o mostrar tudo só deu problemas a quem o fez. Mesmo que isto seja um palco esquecem-se que há sempre na plateia quem está disposto a atirar tomates sobre o actor. Não porque a representação fosse má, nem sequer a apreciaram, mas sim porque se enganaram na entrada e o seu lugar seria no Coliseu romano. Pena que não tropecem e caiam aos leões. E não penses que estou com pensamento sanguinários, pois não seriam comidos, apenas acasalariam. Afinal as bestas amam-se.

Abraço

# Maio 16, 2008 23:25

josefadobidos said:

Lá está a problemática da comunicação virtual. Cada vez sinto mais dificuldade em expressar por palavras aquilo que quero transmitir, penso que isso acontece à medida que os conteúdos se tornam mais complexos... a escrita pode ser ás vezes um pouco redutora da comunicação, ou não tenho jeito... mas adiante...

Talvez tenha interpretado mal o que quiseste dizer... Se te vestes com palavras ou te despes atrás das palavras, desde que sejas genuíno, são formas de te dares... uma pode ser mais clara que outra, mas és à mesma tu. Agora se aquilo que vestes é uma máscara para te esconderes, então tás tan tan e precisas de tratamento. Se as tuas palavras coincidem com quem tu és, tudo bem, mas senão.... das duas uma, ou sabes isso e vais ao psicanalista ou não sabes e tás lixado... mas ainda assim a máscara vai acabar por cair. Não quer dizer que seja para os outros verem que cai, mas cairá... ok... talvez esteja a ser ingénua, mas como sei que essas pessoas são muito infelizes e estão sós, acredito que um dia se fartarão de si mesmas e Plim....

falei demais

beijos e fica bem. Cá te espero

# Maio 17, 2008 1:06

josefadobidos said:

....hummmm.... estive a ler o que escrevi e não sei se me consegui explicar....

da forma mais simples que consigo, o que quero dizer são 2 coisas:

1 - que se alguém se esconde porque tem medo, é mau para si mesmo, mas menos mal (há-de descobrir o prazer do amor). Se se esconde para ser mau para os outros, é muito mau para todos, mas principalmente para o "Hyde Himself"(e um dia, ele, completamente sózinho, vê o "bicho mau" no espelho). Creio nisto, que hei-de fazer?

2 - que gosto do que escreves!

Fui mais clara agora?

hummmmmm.....

beijos

# Maio 17, 2008 1:20

josefadobidos said:

Um dia, por qualquer motivo, normalmente com origem no coração... ele olha para o espelho e vê isto:

[YouTube:1hYg_CED1cI]

E depois..... ai, ai.... o coração já fragilzinho rebenta, estatela-se no chão, parte-se em mil pedaços. É o seu fim (do actor), mas também é o nascer do autor. Mas atenção... isto é partindo do princípio que onde há um Hyde, há um Jekyll.

Mas há quem defenda que a maldade pura existe, a perversidade sem volta a dar.

E aí não há só uma máscara, mas também uma arma. A máscara pode servir para te protegeres ou para atacares... mas isso é bem diferente.

Lembro-me disto mesmo num filme.... Edward Norton em Primal Fear, lembras-te?

PS - a sequência de lencois deve-se ao facto deste ser um assunto, que me interessa muito, mas talvez seja melhor fazer um post. Desculpa....

# Maio 17, 2008 1:40

Humana said:

Olá BP

Levantaste uma questão que julgo difícil de comentar, e não sei se algum dia alguém saberá responder com a certeza devida à questão.

Se nos despimos ou vestimos com as palavras? não sei, mas penso que são as duas coisas; despimo-nos com as palavras, mas as palavras também nos ajudam a vestir, a compreender, a evoluir, e acabamos muitas vezes por começar a usar uma "roupa" melhor com o passar do tempo.

Com a máscara passa-se o mesmo. Muitos de nós são uma pessoa com um determinado carácter na profissão, (intransigentes ou flexíveis, sérios ou risonhos, etc), e na sua vida particular dão uma volta completa à sua maneira de ser.

Poderá chamar-se máscara a esse comportamento necessário a uma profissão? que até nos muda no nosso gosto pela maneira de vestir? Penso que não, mas é sem dúvida uma máscara necessária. No vestir dou-me como exemplo, pois quem me vê em trabalho sempre "encadernada" e de saltos, não me reconhece fora dele, numa maneira de vestir o mais prática possível.

Penso que muita gente gosta de escrever, cada qual à sua maneira, e que os blogues vieram permitir essa realização pessoal que na prática seria impossível de outra forma. Permitem também uma comunicação através dos comentários, à hora mais conveniente para cada um, pois o tempo livre não é igual para todos. Com essa variedade de escrita em que surgem os mais diversos temas, permitimo-nos uma leitura bastante variada, aprendemos uns com os outros, e até fazemos pesquizas de assuntos que antes não nos passariam pela cabeça. É claro que haverá gostos bastantes diferentes, e uns textos melhores outros piores. Quanto aos post tipo "má-língua" (também fui ver o link do Blue) penso que só há que ignorar e seguir em frente.

Concordo inteiramente com os NICK, pois ficamos defendidos de quem não nos interessa, sobretudo profissionalmente. Existem outras razões: um romântico exagerado pode só querer deixar-se transparecer na forma escrita, por exemplo, e etc.

Será esse NICK uma máscara? Sim e não. Sim pela razão acabada de expôr. Não porque se o fosse não andaríamos a tentar conhecer outros bloguistas e a promover esses felizes encontros.

Quanto à guerra dos sexos, só em filme, pois julgo que não existe. Não é uma troca de opiniões, donde muitas vezes nasce a luz, que faz uma guerra. Devemos dialogar e expressar as nossa opiniões, senão para que são os comentários? só para dizer - ámen, gostei, adorei...beijinhos?

Por mim gosto de escrever, utilizo um nick conhecido dos meus amigos, os inimigos (que penso que não tenho) e pessoas com quem lido pela profissão, faço questão que não me reconheçam.  Máscara? Talvez sim, talvez não - depende do ponto de vista.

Um bom fim de semana

bjinhos

Mulher

# Maio 17, 2008 2:15

jota40 said:

BP

Nunca consigo acabar a leitura dos seus posts, por uma razão muito simples. Como já conheço a fruta, deixo sempre para o fim e depois não consigo tirar a casca. São quase 3 da manhã e estou mais para lá do que para cá.

Vou tentar arranjar um espaço no meu tempo, porque para si BP, é preciso marcar na agenda, porque não me arrisco a fazer comentários só para dizer "Olá".

Indirectamente estamos a falar das Máscaras, ou não será?

Eu estou a falar das máscaras porque é por aí que começa o texto.

Há quem meta máscaras, consoante as ocasiões. Para escrever um post, fazer um comentário !!!

Fora dos blogues e na vida real, parafraseando alguém com "chapéus" direi "máscaras à muitas".

A máscara do "Nick" é uma máscara inocente. Que interessa à comunidade que eu seja Jota ou Repsol.

O meu nome real não vai deixar de camuflar a máscara que se esconde ou poderá esconder-se quando se escreve um post.

Posso já estar a divagar a dizer tonterias, por isso prometo voltar breve e ler com a devida atenção o seu post.

Um abraço

# Maio 17, 2008 3:06

bp63 said:

Jo

Sem muito tempo (ainda estarei a subir no avião e a responder?).

Escreves muito bem, a única questão é que a tua escrita é profunda e com muito sumo, o que por vezes aqui se torna difcil de espremer bem.

Mas na tua primeira resposta percebi bem o que querias dizer e concordo em absluto.

Tens razão, o que disseste dava para um post, força. Até para eu responder aquilo que não tenho tempo aqui, agora.

E o Edward Norton estava muito bem nesse Mr. Hyde.

# Maio 17, 2008 9:42

bp63 said:

Ah,

Sobre os espelhos, o problema é quando eles devolvem uma imagem que as pessoas não querem ler. Olá esquizofrenia!

beijo

# Maio 17, 2008 9:43

bp63 said:

Humana

Gostei muito do que escreveu e concordo em muitas das coisas. Infelizmente não poderei agora devolver uma boa réplica. No entanto faço o desafio que fiz à Jo, a matéria que introduzia merecia ela um post.

Beijo

# Maio 17, 2008 9:45

bp63 said:

Jo40

As máscaras podem ser protecções para uma certa liberdade e evitar os Mr Hyde. Essas são as normais.

Mas há a questão daquelas que vestimos sem querer, ou porque a liberdade das palavras nos permitiu ou porque inconscientemente para lá encaminhámos.

A pessoa, no virtual, é sempre aquilo que fazemos dela.

Não foi delírio  sua apreciação.

Abraço

# Maio 17, 2008 10:42

bp63 said:

Mas quem quiser pode replicar o que foi e vai ser ecrito, agora que ficará em stand-by durante uns dias.

Mi casa es su casa. Deixo a chave debaixo do vaso tapete. Há bom vinho na garrafeira e copos no armário. É só servirem.

O presunto é melhor trazerem porque senão ficava seco.

Abraço

# Maio 17, 2008 10:42

josefadobidos said:

Boa viagem

leva uns beijos....

# Maio 17, 2008 11:06

bluewater68 said:

Uma mulher norte-americana vai ser julgada em tribunal pela prática de cyber-bullying, acto de intimidação por meios electrónicos. Lori Drew é acusada de ter criado um falso perfil no MySpace para intimidar e gozar com uma rapariga de 13 anos que acabou por se suicidar.

De acordo com a acusação a ré criou uma página na rede social onde se fez passar por um adolescente com o objectivo de ser um amigo de Megan Meier, filha de uma vizinha.

Quando este «falso amigo» de Megan decidiu terminar com o relacionamento virtual, a rapariga apareceu enforcada em Outubro de 2006.

Segundo a BBC este acto desesperado foi tomado depois de o suposto amigo ter enviado uma mensagem à rapariga onde afirmava que o mundo seria bem melhor sem ela.

Lori Drew, de 49 anos, nega as quatro acusações que lhe são impostas, cada uma das quais pode levá-la a passar até cinco anos na prisão.

Para Thomas O?Brien, procurador federal de Los Angeles que levou o caso a tribunal, «qualquer adulto que utiliza a Internet ou um site de encontros sociais para intimidar ou molestar outra pessoa, sobretudo uma jovem adolescente, tem de saber que as suas acções podem ter sérias consequências».

(http://news.bbc.co.uk/2/hi/americas/7403957.stm)

Uma máscara, entre outras.

.

Ó josefadobidos, eu vou abrir uma garrafinha de vinho alentejano. És servida? O que é que o dono da casa disse sobre o presunto? nem deixou um queijinho?

# Maio 17, 2008 12:49

avomilu said:

bp63

Querido amigo

Gostei do texto é optimo, mas difícil de comentar, depois de ler tantos e tão bons, que posso dizer, o não tenha sido dito  e bem dito.

Só posso dizer que não uso máscara, mas acredito que muita gente usa a sua máscara de manhã à noite, ou seja já nasceram com ela.

Beijinho milu

# Maio 17, 2008 17:12

gossip said:

Neste meio (ou talvez por isso mesmo), esta coisa de ter um blogue ou comentar em blogues ou foruns ainda não deixou de me fazer reflectir.

E quanto mais longe me encontro dos tempos da descoberta, em que tudo o que  alguns escreviam me parecia absolutamente extraordinário, ou nem tanto. mais estranheza me causa esta  necessidade, quase compulsiva até, de aqui desenvolver uma vida paralela.

Não se pense que venho armar-me em socióloga de pacotilha, analisar cientificamente o que são e para que servem blogues ou produzir uma dissertação sobre este fenómeno em expansão. Tudo isso já foi feito por muita gente  em blogues, tertúlias sobre blogues, posts sobre blogues. Não tenho qualificações específicas ou sequer pretensões a dizer aqui seja o que for com essa classificação.

E estou-me nas tintas para a hipótese de quem tinha a pachorra de ler o que escrevia poder achar irrelevante ou não o tema ou comentário, nunca o fiz com essa pretensão, mas tão somente pelo gozo pessoal ou pelo efeito lúdico que me proporcionava.

A mim, continua a intrigar-me esta  motivação para aqui chegar e despejar os  pensamentos mais íntimos, perante uma plateia de olhos desconhecidos. Uma espécie de monólogo sob o holofote, alguém a desenvolver um guião, ao longo de meses e anos, uma voz solitária a ecoar sobre o escuro da sala. A sala em suspenso, apenas se percebe um subtil rumor de ?respirações?, algumas vezes quase presas, para não interferir na linha de raciocínio de quem actua.

Depois as palmas. Apenas em alguns casos, aqueles que permitem a interacção e abrem a hipótese de comentar. Nem sempre as palmas, a bem dizer. Mas uma reacção do público seja ela qual for. E novamente o guião.

O que nos leva, pessoas das mais diferentes naturezas e campos profissionais, ou desempregados, ou simplesmente desocupados a chegar aqui, depois de mais uma ?operação cirúrgica?, um caso ganho na barra do tribunal, uma reportagem exclusiva, um discurso aclamado, uma aula muito participada pelos alunos ou a louça lavada e camas feitas, a vir aqui despir essas peles para entrar na massa indiferenciada de gente que pinta o seu template das cores que mais gosta, configura títulos e sidebars, escolhe fotografias e imagens a condizer com os textos e planta palavras como quem o faz com uma árvore que quer ver crescer?

Que mecanismos mentais estão por detrás desta existência que aqui se leva, dissociada das vidas que se tem lá fora? Tantas vezes completamente antagónica. E doutras quase como que um espelho de quem somos na verdade.

Transpõe-se a porta que se abre para outra dimensão e passa-se a tratar por tu o médico, o jurista ou o carpinteiro que escreveu sobre o PM, o que discorre em discursos intolerantes ou não, a doméstica que produziu um texto sobre a fome no mundo, o professor universitário que esgalhou um poema sobre qualquer coisa, desata-se a criar laços (imaginários, quantas vezes) com pessoas que estão na outra ponta do país ou do mundo e que nunca vimos e dificilmente chegaremos a ver, na generalidade dos casos.

E assim substituí-se as antigas  conversas reais com amigos e conhecidos, as conversas de fim de dia com a família, as idas ao cinema e ao teatro, a concertos, as conversas de café. Há dias (mais ou menos, muitos ou poucos, conforme os casos) em que foge de tudo isso para construir tudo isso de novo, por aqui, do lado de cá de um monitor.

Ouvi um dia, numa conferência, alguém credenciado afirmar que, ter um blogue ou ser frequentador da internet em geral, é uma estranha tentativa de evitar a solidão, feita por pessoas que querem evitar a intimidade. Será uma falácia?

Ou então é apenas, a forma que se encontra de poder aqui "brincar" aos heróis imaginários, em que somos nós o que carrega a capa nas costas...

Uns criam aqui as máscaras do personagem que gostariam de ser aos olhos dos outros e, sobretudo, aos seus próprios,(tão convincentes se tornam que, às vezes, até eles mesmos passam a acreditar nessa identidade e a esquecer quem na verdade são). Outros aproveitam para chegar aqui ao fim do dia e deixar cair as que usam lá fora. Raros, são aqueles em que o personagem é um decalque da pessoa de carne e osso que o compõe.

Outros há ainda que se servem deste meio e a coberto do anonimato, para caluniar, injuriar, provocar, criar confusão porque a pequenez do seu ser não lhes permite estar de bem nem consigo nem com os outros. Criam pântanos com o objectivo único de gerar mau estar, o que leva muitos à desistência. (No meu caso particular apenas aqui vim por o tema ter sido a consequência da minha e porque ainda não consegui arranjar anti-corpos que me imunizem relativamente aos meus receios).

Quanto à multiplicidade de nicks da mesma pessoa, em alguns casos, não são mais de tentativas desesperadas de se fazerem ouvir noutras perspectivas ou de enfatizarem e de espelharem narcisicamente o seu ego.

Dantes, entretinha-me a imaginar que tipo de pessoa estaria por detrás de textos muito bem escritos (exercício penoso e fútil? já o não faço). Agora, dou por mim a olhar para as pessoas reais e a imaginar que nick, ou que máscara esconderão por detrás das aparências normais com que se cruzam comigo na rua.

# Maio 17, 2008 18:34

josefadobidos said:

Posso trazer os queijinhos! Abre lá a garrafa, Blue. O dono da casa ainda chega a tempo de se juntar a nós. Ele traz o presunto.

# Maio 17, 2008 19:28

camionista said:

Quando olhamos para um objecto, o que os nossos olhos vêem é o próprio objecto ou apenas a luz que sobre ele incide?

Embora a resposta à pergunta seja óbvia (especialmente depois de esta ser feita...), estamos sempre a supor o contrário.

Mesmo quando o olhar se vira sobre si mesmo (ou principalmente então), subsiste a terrível dúvida: o que vejo é o real? De onde provém a luz que ilumina a minha própria imagem?

A identidade, a verdadeira, é um buraco negro que se sabe estar ali, mas que não devolve qualquer imagem. Se se lhe tenta colar a luz do adjectivo, então aí temos uma máscara. O objecto continua lá, mas por detrás dela.

Tudo o que diz sobre as máscaras é verdade. A diferença é que aqui (melhor do que na vida real, mas também ali não é impossível) é muito mais fácil construir caleidoscópios com os quais deslumbrar os olhos alheios (e também os próprios, por que não?)

A diferença existe, sim, mas é mais uma questão de grau.

# Maio 18, 2008 14:06

portocego said:

Olá bp63,

Já é lugar comum dizer que escreve bem, que tem uma capacidade de análise elevada e uma criatividade inesgotável. Continue assim, porque enquanto houver blogues como o seu, o meu objectivo de andar por cá vai-se atingindo.

Posto isto, e todas estas palavras porque não tenho imagem nem a sei colocar aqui, isto é real...Gostei do convite à introspecção.

Eu costumo dizer, e tenho para mim, que nós lutamos entre aquilo que somos ou do que temos a consciência ou ilusão que somos, globalmente, e aquilo que gostaríamos de ser.

De tal forma que, acreditando nisto e tendo esta premissa como certa ou válida, o que projecto é o resultado desse propósito convicto. Não será assim com toda as pessoas?

Depois, para avançar nesse percurso entre uma e outra imagem, usam-se diferentes meios ou apoios. Máscaras, espelhos, etc.. Pouco me importa o nome. Se calhar são máscaras, são espelhos, são sombras, faróis??? Serão tão só  o que me ajude  a ser o que tenho por bem ser.

Um abraço e um excelente Domingo,

Daniela

# Maio 18, 2008 15:43

desabafosdaminda said:

Bepezinho:

Será que nos despimos por detrás das palavras ou nos vestimos com elas?

Perguntas! E perguntas bem!

Responder é que talvez não seja assim tão fácil?

*

Opinas sobre perfis masculinos e, respondes em comentário que não tiveste tempo para os femininos!

Se calhar não são assim tão diferentes? Se calhar são mesmo igualinhos igualinhos, porque máscaras são sempre máscaras? são sempre veículos de escondermos o que somos, de encapotar as nossas fragilidades e os nossos defeitos. (Se calhar nas mulheres, e numa pequena perversidade minha, falta a máscara da viúva negra, com ar angelical?.  rsrsrs?)

*

Máscaras Voluntárias:

Aquelas que se usam para atrair sobre si atenções que não nos são merecidas? essas máscaras fazem do incompetentes um super-capaz, do egoísta um altruísta, do desmazelado um ?bom partido?,? (porque em português feminino/ masculino se escreve no masculino: nada de se porem já a pensar ?la tá ela toda sexista!!!?)?

Estas máscaras sempre existiram.

Se calhar já existiam na época das cavernas.

Mas hoje, com todas as ofertas, cibernéticas ou não, torna-se possível mascaras mais eficazes.

São estas máscaras que são usadas pelo pedófilo e pelo violador, quando nas teias da rede e dos nicks envolve crianças cândidas e desprotegidas.

São estas máscaras que o malandro usa, quando nos chats envolve mulheres desatentas e mal-amadas?

Mas também são mascaras deste tipo, o recurso ao silicone, ao botox, e outros artifícios: aquela não sou mais EU se quem eu não gostava: agora sou a outra?

*

*

Máscaras Involuntárias:

Aquelas que criamos sem querer porque nos vemos com uns olhos ?cor-de-rosa? mais ou menos distantes da nossa verdadeira personalidade.

Aqui, nos meandros dos blogues é fácil, mesmo sem segundas intenções, passarmos uma imagem mais idílica de nos mesmos? a nossa visão de nós aproxima-se muitas vezes do que nós gostaríamos de ser e distancia-se da nossa realidade.

*

E respondendo á pergunta?

Ás vezes estamos nus perante a vida e são as palavras que nos vestem?

Outras? aquelas em que queremos ser nós mesmos? talvez nos dispamos ao usa-las!

E nesse dia, SOMOS FELIZES!

Beijinhos e volta breve!

minda

# Maio 18, 2008 16:48

pessoalissimo said:

BP

Depois de já ter lido os teus anteriores posts desta trilogia (teremos aqui também uma Guerra das Estrelas?) e agora este verifico (não, confirmo) estarmos perante alguém que sabe reflectir sobre o mundo actual da escrita na blogosfera. Sorte a nossa ele andar por esta plataforma, se fosse noutra andaria por lá incógnito a pregar aos peixinhos. Parece que mesmo assim, andaste aqui algum tempo a perorar no deserto, porque não ponderas a republicação de alguns desses posts? É que dá um trabalho do caraças andar lá a pesquisar, e sempre poderia haver alguma troca de ideias extra.

.

Sobre a questão central deste post: Será que nos despimos por detrás das palavras ou nos vestimos com elas?

Dou-te a minha opinião.

Quando aqui vim parar, quase por acaso, eu era algo avesso à escrita pessoal, sempre tive o tempo muito ocupado. Mas passar a ter longos períodos sozinho, sobretudo à noite, levou-me à leitura e depois à escrita.

Nunca escondi quem sou e o que faço no meu perfil, cheguei a ter durante vários meses a minha fotografia no avatar. Vim para aqui de alma aberta e sem preconceitos. Com dois objectivos: passar à escrita aquilo de que gosto, seja uma reflexão política ou deixar um abraço a um amigo; e participar nos debates com a minha opinião, sempre gostei de opinar. E encontrei nesta plataforma o sítio ideal para cumprir esses objectivos.

Apenas coloquei uma limitação a mim próprio, não falar da minha profissão. Mas até já essa excepção quebrei num passado recente, a propósito da manifestação dos professores.

Sou talvez conhecido aqui, entre outras razões, pelo tom optimista que coloco naquilo que escrevo e defendo. É uma máscara, reconheço. Mas uso-a para cumprir o meu objectivo, o de fazer pedagogia com o aquilo que defendo. Sei que dentro de mim o discurso que faço nem sempre bate certo com a realidade que vivencio, mas nem por isso considero errado o que faço.

E não me incomoda mesmo nada que cada um escreva aqui o que lhe der na real gana, seja ou não o que cada um defende, acredita ou deseja realizar. Mesmo os blogues copy/past não me repugnam, são uma forma de comunicar, a que conseguem ou desejam usar, é preciso não esquecer que o tempo e a disponibilidade de cada um é variável. É a massificação da comunicação e quando assim é, há uns tantos que sobressaem positivamente e outros tantos negativamente. Mas todos tem ?direito à vida? blogosférica. Pelo menos, enquanto o servidor do SOL não der raia com tantos videotubes e pps lá alojados :)

Mas reconheço que talvez andem por cá uns tantos Cyranos, mr. Hydes, Archies (esses são os piores) e Chaplins. E a lançar confusões das mentes mais distraídas ou mais ingénuas. Eu leio por aí comentários do tipo ?tu cá tu lá? de gente que não se conhece realmente, mas que parecem os maiores amigos do mundo. E se calhar são. Como não sei interagir assim com ninguém sem as conhecer ao vivo, tenho promovido alguns encontros, para conhecer melhor com quem ando a trocar palavras, ideias e sentimentos. E não me tenho dado mal com o processo.

A blogosfera é apenas uma representação escrita e gráfica da vida real, talvez um pouco fantasiada, porque este é o espaço de todas as imaginações e todas as emoções? virtuais. E espero que continue assim por muito tempo.

.

Ah, as máscaras! Mas não as usamos todos os dias quando saímos de casa? Até dormimos com algumas, quando as coisas andam a dar para o torto.

# Maio 19, 2008 1:07

PSCGF said:

Bp,

As mascaras são uma proteção.

Contra a dôr , o medo , a solidão , mas tambem como proteção contra aquilo que amamos , gostamos e por "coisas" e pessoas  por quem temos carinho.

Todos temos uma mascara. A mais usual é a profissional . Hoje em dia a vida exige que exista uma metamorfe para sobreviver em certos ambientes.

Esta é a que mais uso. Depois temos outras para proteger os que amamos e esta todas as mães a sabem usar e penso que um pai também.

No mundo virtual , existe de tudo . Mas sinceramente acredito que por trás de cada palavra está uma pessoa e que a frase pode ser uma mentira , mas uma unica palavra dessa frase basta para assumir uma realidade e parte de uma personalidade..

Falando da minha experiencia , eu não entrei aqui no Sol , porque assim o decidi . Foi realmente um acaso.  Contrariamente ao senso comum escrevo sobre mim , isto é , o meu blogue é o resumo das minhas duvidas , das minhas alegrias , tristezas ... Está lá tudo ? Não . Mas estará lá a maioria do que compõe a minha personalidade.

E isto passa-se exactamente com todos quanto escrevem . A personalidade deles está lá . poderão escrever sobre a Lei do Trabalho ou sobre o Amor . Mas em ambos os textos está um bocadinho de cada um. Mesmo nos blogues que apresentam imagens , com ou sem palavras . Uma parte do autor está ali. Agora depende de quem vê ou lê e do conhecimento humano que possua .

Eu já escrevi muitas vezes que uma palavra escrita é perpetuada eternamente e o seu autor nunca deixará de ser o "dono" e consequentemente parte dele ficará sempre ali..

Relativamente ás mascaras que apresentas-te ...:-)

Eu vou comentar "com" mascaras  compostas sobre a minha pessoa...:-)

1. A Paula em dia que concorda até com uma invasão extra terrestre ...

Bp , Concordo plenamente com a tua disserção sobre as mascaras  já fazia falta um texto assim.

Que bom existirem textos destes por aqui...

2. A Paula no dia em que não pode ver os "homens"

Bp :-)) È exactamente isso ! A numero 1 está errada , não existem Clooneys em Portugal , a numero 2 sempre disse que era um homem a roubar estrelas , a 3 é exatamente assim que os homens fazem quando discutem politica comigo e a 4 assenta como uma luva na maioria .

3. A  Paula num dia nostalgico ...

Bp, vou reflectir sobre o teu excelente texto e depois comentarei.

4. A Paula  num dia optimista ...

Bp, a Mascara 1  : Ele está errado. Sabes é dificil conhecer alguem cujas palavras nos impressionou  e as pessoas não sabem como agir ou agem de maneira diferente  e ele interpretou mal. Mascara 2:  Sabes Bp, existem pessoas que na solidão e na dôr decidem infligir essa mesma dor aos outros e quando o fazem sentem-se aconchegados e com menos dor , só temos que agir perante a nossa consciencia e a minha diria para "passar" á frente e não "ligar".  Mascara 3 : Bp, existem pessoas que o unico escape para uma vida desinteresante é retirar de tudo , mesmo tudo o pior e como está mal para eles está mal para todos . Mascara 4 : Sabes Bp, o Chaplin necessita é de alguem que o faça sorrir , como ele faz os outros sorrir e como sou optimista ele irá sorrir tambem.

Estes são exemplos que todos nós poderemos vestir mascaras , muitas delas instintivamente e dependendo  somente do estado de espirito.

Agora seja ela qual  fôr , eu estou lá e todos estamos lá . Poderá não ser na totalidade , mas uma parte está.

Existe isso sim um grande defeito português , que é impor caracteristicas , defeitos , virtudes categoricamente sem direito a Recurso. Isto é , a primeira impressão é logo valida e consciente ou inconscientemente etiquetamos as pessoas : Bonitas , feias , inteligentes, burras , desesperadas , mal humoradas etc.

È esta imagem que tu falas que é construida sobre as palavras . Mas não concordo , só construirá uma imagem defenida e concreta quem não tem o minimo conhecimento humano ou quem queira viver de ilusões ou fantasias virtuais.

Um ser humano não pode nem deve ser caracterizado por excertos da sua vida , mas sim pela sua vida . Obviamente que levando isto para o campo virtual existem aqueles como o Blue aqui deixou que utilizam a fraqueza dos outros para alimentar a seu desiquilibrio mental. Mas isto existe no mundo real , não é necessário entrar no virtual. O modus operanti é outro , mas os resultados e consequencias são as mesmas .

Espelhos ? Mascaras ? Sim existem e todos usamos . Agora dependemos somente da nossa intuição e maturidade para os avaliar e nunca por nunca generalizar ou etiquetar.

Pronto e penso que escrevi este comentário com uma nova mascara : A Paula Lençol  ...rssss

Beijinhos e estou a ver o teu ar de desespero quando vires o tamanho dos comentários ...rsss

Bom regresso :-)

Paula

-

# Maio 19, 2008 1:41

pessoalissimo said:

À PAULA

:))

Que máscara é que o BP irá pôr para nos responder? Talvez uma daquelas máscaras africanas... (eheheh)

# Maio 19, 2008 11:44

pessoalissimo said:

Um exemplo recente, não nacional, dos efeitos da máscara "mr. Hyde", aqui: http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Tecnologia/Interior.aspx?content_id=93568

Estas situações são sempre mais frequentes nas crianças e adolescentes, ainda não preparados psicológicamente para lidar com as diferentes máscaras que a vida em sociedade nos impõe.

# Maio 19, 2008 12:27

PSCGF said:

Ao Fernando :-)

Deve ser a mascara : " Deixa-me fujir ..." e consiste em:

"Meus amigos obrigado pelo excelente contributo para este post e deixo-vos aqui uma musica que fala precisamente sobre mascaras "

E a seguir vem  outro post lençol ...rsss

E eu nem vou aproveitar os petiscos que ele deixou pois eu candidato-me a ser corrida daqui...

Beijinhos

Paula

# Maio 19, 2008 16:34

pessoalissimo said:

Boa, Paula! :)

Enquanto o gajo (expressão carinhosa) tá fora e não nos pode enxotar vamos botar aqui o nosso farnel e comer os queijinhos frescos da JO. O BW trás a selecção de filmes dvd de terror dele. Eu levo os sumos de laranja para ti, andas a precisar de sumos de (cor de) LARANJA... ooops! (eheh)

# Maio 19, 2008 16:51

adri said:

Caro Bp,

O seu texto está 5 estrelas e, digo isso com toda a propriedade.Desenvolveu o tema com rigor,humor e muita clarividência.A máscara,é o nosso pseudónimo por excelência.As motivações, as mais variadas e,cada personagem desenha, aquilo que lhe vai na alma, com palavras.As palavras são por definição,isso mesmo, máscara de realidades.O contexto,o tempo e o modo o invólucro desse esqueleto que ,nós representamos.

Parabéns

# Maio 19, 2008 19:43

gomes2000 said:

olá bp,

máscaras... quem não as usa?! Quando estou triste e  ou choro e depois tenho uma reunião com um cliente, uso uma máscara! Quando estou frustrada ou zangada e a minha pequenina quer respostas, uso uma máscara! Uso muitas. Tenho que as usar. Mesmo assim, acabo por ser uma pessoa demasiado transparente o que me traz alguma fragilidade. Não é bom mostrar as nossas fraquezas, pelo menos todas. A ninguém.

Mas, sabes, também há quem conheça as minhas "falhas" todas! Se a magia se esfuma?! Talvez não. Será a verdadeira amizade (os meus verdadeiros amigos já sabem como vou reagir a isto ou aquilo...), o amor de pais, de um marido... Para esses é-me difícil usar máscaras, pelo menos por muito tempo. "Descaio-me", ela cai logo.

Agora, aqui sobre os blogues. Eu não sei bem como explicar o que te quero dizer, mas...

Pessoalmente não me considero nem uma TAR e muito menos um SCT... Não sou nada! Não existe a categoria para aqueles que só gostam de escrever mas que não têm a qualidade de um escritor?! Que escrevem pronto, tipo escape psicológico! CEMNP (candidatos a escritor mas não ao psicólogo)?

Eu fiquei com um blogue assim meio sem saber o que era isto! E fico fascinada realmente com tudo o que envolve um espaço virtual (não conheço um milésimozinho).

Máscara aqui? A minha caiu logo no início com os comentários de "impulso" e sem poder anular o "enviar"! Já me "deram na cabeça"!...

Agora, talvez eu nunca publique um post sobre os meus defeitos horrorosos! Eu quero acabar com eles! Mas, o meu perfil está lá, no álbum está a minha "bela" pessoa...

Mas terei que perguntar... se, o facto de não comentar a alguns bloguers que pelo que li nos seus posts, os considero pessoas "estúpidas" ou se serão mesmo tontos, será isso uma máscara? Acho que não.

Porque insultar? Ou escrever: "Isto está uma treta..."?

Também já li posts muito interessantes e muito mal escritos! Eu própria, já li coisas minhas que gosto, outras nem um bocadinho. Mas sou eu que estou lá! É meu. E ser para o boneco também não faria diferença no objectivo do meu blogue... nenhum! Agora, saber que gostaram ou trocarem ideias comigo sobre algo que escrevi? Aí faz diferença porque sobe o ego! Sabem bem... os aplausos. Mas, quando vem uma boa crítica..., pelo menos eu, tenho a consciência das minhas "capacidades" literárias e volto ao ego normal de pessoa normal!

Mas existem por aqui excelentes escritores, poetas, jornalistas... Agora se o poeta é um malvado na vida real?! Não faço ideia... Mas por quanto tempo se consegue ser tão antagónico?!

Tenho aprendido tanto por aqui, posso até dizer-te que me "acanho" cada vez mais em escrever, ficando-me mais pelas leituras!!! Gosto de trocar ideias (é o que estou a fazer agora) e claro que tenho alguns bloguers que gosto muito de ler e elogio quase sempre. Também não acho isso uma máscara. Eu gosto de os ler mesmo! Seria uma máscara, se não gostasse e elogiasse, ou não?!

Como já comentaram, as máscaras vão-se revelando nos próprios comentários! Nas palavras.

Olha, pedacinhos da minha vida vão-se revelando por aqui. Já conheci alguns bloguers pessoalmente, não me desiludiram. O tempo foi curto e não deu para conhecer melhor! Se desiludi eu alguém?! Não sei. Não me escondo em nada. Também te posso dizer que os meus bloguers "preferidos" o terão que ser, pelo que escrevem e comentam. Não acredito que usem uma máscara muito diferente do que serão como pessoas no mundo real.

Os que não percebo..., vou-me acautelando.

E já é tarde, andam por aí uns comilões a aproveitar a tua ausência, eu fiquei-me por um copo de vinho. E agora vou dormir! Deve estar jeitoso (este comentário)!!

Uma boa estadia e viagem (não sei nem interessa onde), e uma excelente semana. Beijinhos

# Maio 20, 2008 0:42

Luana said:

O mundo é todo uma máscara. Neste espaço há muita gente só e com muitos problemas de afirmação. Achei piada à forma como tratas a questão.

Felizmente que, uma vez ou outra, tropeçamos em pessoas reias e muito interessantes. Não sou uma consumidora viciada mas também gosto de aqui estar.

Um beijinho

Luana

# Maio 20, 2008 1:47

ramodebarro said:

Este mundo é um baile de máscaras permanente.

Há máscaras de máscaras e tudo em conjunto não é fácil descortinar onde está o «rosto » original (originário?).

Boa deambulação introspectiva! A excelência na psicoanálise!

Temos Freud em perspectiva.

# Maio 20, 2008 14:24

dissidencias said:

Olá Brad Pitt,

O mundo virtual está ao rubro. Interessante esta tipificação de máscaras que nos propões. Até porque seguramente muitos de nós, usamos máscaras, e certamente, não nos ficamos por apenas uma máscara. Só é pena que a esmagadora maioria dos blogues sejam anónimos, o que contribui para a descredibilização destes espaços virtuais, alguns deles reveladores de enormer talentos das artes, sejam elas escritas, visuais ou sexuais... ;o))

A Maria Filomena Mónica diz que nunca lê blogues anónimos, e compara-os mesmo às mensagens que consporcalham as casas-de-banho públicas.

Mas sim senhor. 5 estrelas para este teu artigo em que metes oc bloguers a nu!!! Seu maroto!!!

Um abraço sem máscaras!

dissidencias

# Maio 21, 2008 16:48

KURIOSO said:

Bp

     UAU!! Agora falamos a sério! Li o post duas vezes e ainda não tenho a certeza de ter apanhado todas  as nuances. O que é certo é que você carregou nalgum botãozinho, pois o pessoal desatou a ESCREVER. Pela primeira vez, os comentários são mais extensos que o post.

Para mim o ?Teatro do SOL? não chega a ter uma dúzia de máscaras. Como gosto das palavras, e não é provável que venha a conhecer quem está por trás delas, estou bem assim. O resto é paisagem. Não me vou meter em tricas aqui, pois bem me bastam as do mundo real, onde, aí sim, quase todos usamos máscaras.

Então e aqui eu tenho máscara? Bem, é mais uma não-máscara. Não mostrando o exterior, eu posso mostrar o interior.

A minha atitude em relação aos blogues foi durante muito tempo semelhante à da ?gossip?: porque é que tanta gente se dá ao trabalho de escrever ?para o boneco?.

E, para saber, resolvi experimentar, definindo logo à partida algumas regras:

? Tentarei em cada post escrever sobre algo que me    marcou, chamou a atenção ou despertou pensamentos, análise ou crítica. Será muito mais um arquivo, do que um diário (se a minha vida não me parece interessante a mim, por que diabo interessaria a outros?( presumindo que alguém lerá isto)). Não vou andar a chatear os outros para que me venham ler, e não vou insultar ninguém.

 Esta actividade, para mim, é um escape intelectual, mas sendo uma actividade sedentária, será sempre preterida em favor de qualquer outra actividade ?dinâmica? que apareça.?

Pois passado quase um ano, percebi que gosto de escrever, confirmei que gosto de ler e comentar, e descobri que gosto que me leiam. Porque o tempo destinado a este passatempo, está perfeitamente estipulado, se uma das actividades crescer outra vai ter que diminuir. Estou aqui instintivamente, e por isso penso que não mascaro as palavras.

Sobre a psicologia da máscara, li aos vinte anos (quando me preparava para entrar no mundo dos mascarados) um livro admirável de Kobo Abe, que se chama simplesmente ?A Máscara?. Kuriosamente o livro acaba com as seguintes frases: ? Portanto não voltarei a escrever seja lá o que for. Talvez o acto de escrever só se torne necessário quando nada acontece.?

Abraço,

Kurioso

# Maio 23, 2008 23:49

pessoalissimo said:

É pá, isto está bonito, sim senhor!!!

O homem quando voltar (se é que não voltou já) dá-lhe uma coisa má. Só de imaginar como vai responder a esta pazada de comentários, é de mudar de cor várias vezes. Eu fugia e publicava já outro post, como diz a Paula. Mas este tipo é de boa cepa e gosta de um bom desafio, não nos vai desiludir... Ai não vai, não!

# Maio 25, 2008 0:29

bp63 said:

Voltei.

Chego aqui e o que vejo? Uma casa cheia. Plena de ideias.

E agora o que é eu faço? Não posso de forma alguma responder apenas com a cortesia e deixar cair o manancial de ideias que aqui correrem, mas por outro lado o tempo é neste momento uma areia no vento, face a tanta coisa que quero fazer.

Ainda por cima a cabeça ainda vem um pouco alucinada.

O que me ocorre será fazer um post em breve com base nos comentários e nas suas ideias, cruzando-o com as minhas. Talvez uma forma de não se deixar perder as palavras dos outros e transformá-las elas próprias em Protagonistas.

(Não sei se desiludi ó pessoalíssimo Smile)

Obrigado pela excelência dos vossos comentários

Abraço a todos

# Maio 25, 2008 11:21

pessoalissimo said:

:)

Claro que não desiludiste, afinal somos todos humanos e, neste caso concreto, compreensivos. Há lá humano que consiga tratar tanta informação, só talvez um robot e mesmo assim muito evoluido, coisa que ainda não existe, que se saiba.

Fico então à espera do meu (e dos outros) protagonismo em próximos posts teus. :))

# Maio 25, 2008 15:52

JAMES said:

Meu Caro 'bp'

Os meus PARABÉNS POR MAIS UM POST DE EXCELÊNCIA!!! ----

MAINADA!!!!

Uma maravilha de fazer "inveja" a qualquer bloguer da "concorrência"... ;o)))))

Abraço

James

# Maio 25, 2008 21:47
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