SOL

Imagens caídas

Uma imagem vale mais do que mil palavras. Porque não fazer o contrário? Com as palavras construir e falar de imagens.

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A Bela de um Dia como os Outros - RAP

Com tantos prémios e galas de mérito é pena que ainda não tenham instituído um troféu para a mãe que consegue levantar duas crianças perdidas de sono, obrigá-las a higienizarem-se, dar-lhes de comer, ajudá-las a vestir, verificar o estado de todo o espólio escolar, metê-las no carro, enfrentar umas longas filas de trânsito e estar à porta da escola 5 minutos antes de tocar a campainha. Tudo isto em menos de hora e meia e antes de estar à beira de pregar um bom par de estalos a cada uma delas por nunca lhe obedecerem. Assim pensava Laura, todos os dias quando pintava esta rotina na sua tela doméstica.

 

- Mãe, compra-me o GTA 4! – pediu Gabriel ainda antes de sair do carro, à porta da escola.

- Tu deves pensar que eu ando a roubar! – respondeu-lhe Laura enquanto verificava se não ficava nada esquecido no banco traseiro. – Além do mais, esses jogos só trazem maus exemplos com toda aquela violência gratuita. Portem-se bem!

Laura arrancou a toda a velocidade. O tempo parecia que lhe fugia, especialmente naquele dia especial. Perto de casa, parou o carro e dirigiu-se à loja onde costumava comprar as verduras e as frutas. Ficou escandalizada com os preços.

- Assim, não vai dar! – desabafou ela consigo mesma. – Qualquer dia não se consegue comprar nada com estes preços.

 

Mas o apocalipse monetário depressa foi esquecido quando se olhou no vidro da montra e viu uma imagem bastante desalinhada. O eterno furacão da saída apressada de casa arrastava-a sempre para essa paisagem descomposta, que só depois, no regresso, tinha um arranjo mais cuidado. Mas naquele dia, não esteve para menos, entrou de imediato num cabeleireiro e pediu um tratamento de choque. Nem as empregadas, habituadas a todos os cromas capilares possíveis, queriam acreditar quando viram a cor de cabelo alourado que Laura escolheu. Ela queria mesmo uma mudança forte.

Ao chegar a casa quase que não se reconheceu quando se viu reflectida no espelho, mas era assim que se queria sentir. Pegou num conjunto de maquilhagem, ainda quase intacto, e empreendeu mais uma transformação, através de um longo trabalho de definição de cores e traços no seu rosto. No fim gostou da imagem sofisticada que o espelho lhe devolveu.

O guarda-roupa não lhe mostrava grande oferta, mas Laura também não ficou preocupada, sabia o que queria vestir naquele dia. Escolheu de imediato um conjunto vermelho-púrpura, que tinha mandado fazer na sua antiga modista e que era a cópia exacta de uma peça assinada por um grande estilista internacional. Inclusive tinha chapéu a condizer. Estava guardado para uma ocasião especial, e ela ia ser hoje.

 

Nos sapatos hesitou mais um pouco, pois não sabia se aqueles vermelhos escuros, os seus preferidos, seriam os mais adequados, por ostentarem uns saltos demasiado altos. Mesmo assim, com todos os contras, acabou por optar por esses, afinal não ia estragar toda a composição com uns simples sapatos rasos. Podiam não dar muito jeito e até serem cansativos, mas uns bons saltos altos davam sempre uma outra elegância.

Antes de sair de casa olhou-se novamente no espelho. Estava irreconhecível naquele seu porte. Sentiu-se bela e poderosa, como convinha. Também um pouco nervosa, mas isso era normal, pois apesar de ser um dia como os outros, havia nele algo de muito importante e excitante.

 

Quando entrou no banco sentiu que todos olharam para ela. Também não era para menos, não era todos os dias que entrava uma elegante e sofisticada mulher vestida de vermelho, como se fosse para uma festa da alta sociedade, pelas instalações adentro, ocultando misteriosamente o rosto num longo chapéu a condizer.

Quando se aproximou do balcão, sorriu e abriu a sua pequena bolsa de veludo.

- Quietos! – gritou Laura, depois de ter tirado uma pistola e de a apontar a quem estava à sua frente. – Isto é um assalto!

vvv

 

Neste RAP (Rápidas, Anacrónicas e Pérfidas) uma homenagem, mesmo muito anacrónica e enviesada, à Catherine Deneuve em La Belle du Jour.

Posted: terça-feira, 10 de Junho de 2008 18:10 por bp63
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Comentários

PSCGF said:

Olá :))

Eu venho aqui numa "corridinha" contra o tempo . Mas li e adorei ...

Mais ... Tu sabes!!! Tu sabes o trabalhão que dá levantar duas crianças , vesti-las etc etc e etc...

As mulheres vão agradecer esta tua visão masculina . Mas tambem focas a parte monetária e da futilidade que nos rodeia .

Bp a sociedade , os homens e as proprias mulheres exigem que uma mãe seja uma "máquina" , mas não uma máquina qualquer ... Uma máquina bela, trabalhadora e com um sorriso.

Isso é sobrehumano... È impossivel. E realmente não existe outra solução que o desespero.

Tu aqui ilustras-te o mesmo , como um roubo . Mas na vida real é a depressão, a solidão , a falta de animo , o remar constantemente contra a maré e nunca conseguir seguir seguir em frente firmemente.

Mas sim é um roubo , um assalto á vida ...

E existe aqui outro ponto importante ...Muito importante que deixo aqui .

Qualquer mulher para estar elegante e bonita necessita de dinheiro , muito dinneiro... Eu tenho um post sobre isso que só publicarei mais tarde .

Bp está muito bem composta esta tua RAP e como sempre voltarei ...

Vou deixar avançar os comentários e tambem estou em Stanby provisóriamente , mas aqui os meus amigos publicam e publicam....

Um beijinho

Paula

# Junho 10, 2008 18:54

bp63 said:

[YouTube:__2Br3RVSQU]

# Junho 10, 2008 19:02

bp63 said:

[YouTube:FJXLCYZMGQ8]

# Junho 10, 2008 19:03

OlindaGil said:

Parabéns BP63

Adorei esta história.

Vai ter continuação?

Esperemos que sim.

Beijinhos

# Junho 10, 2008 19:37

bp63 said:

Paula

Esta história é apenas mais um anacronismo surrealista dos nossos tempos.

Pode ter muitas interpretações (o objectivo é esse).

Achei muita piada às tuas e à forma como foste recriando as cores que nela estavam.

O roubo é mais uma das metáforas que por aqui andam. E como todas as metáforas podem ser vistas de muita maneira. Gostei como olhaste. De uma forma mais séria e introspectiva. Porque podia ser encarado de uma outra maneira, como uma simples piada por exemplo. Porque não?

Mas vou deixar as interpretações para os olhos dos outros.

Beijo

(em segredo: também ando um pouco em stand by, nota-se? Smile)

# Junho 10, 2008 19:58

bp63 said:

Obrigado Olinda.

Quanto à continuação, é assim: A série RAP, irá ter mais alguns apontamentos, mas com outras histórias, igualmente anacrónicas, talvez mesmo surrealistas.

Sobre esta personagem deste post, penso que pode morrer aqui.

Talvez um dia a vá unir a todos os RAP e construa uma outra história que explica o porquê disto tudo. Se o tempo for meu amigo, claro.

Beijo

# Junho 10, 2008 20:01

camionista said:

Depois de VER esta sequência, só posso levantar-me para aplaudir. Um acontecimento especial, não podia ter senão uma preparação muito especial. V.sabe como criar o 'suspense'.

E, por favor, não se devaneça com os elogios. São sinceros.

# Junho 10, 2008 21:04

bp63 said:

Camionista

Desvanecer não vou, mas ainda me vou convencer de um alto talento e terei que ser eu, a entrar pela porta adentro de uma editora com uma pistola na mão e gritar: - Quero isto editado, já!

Claro que não iria vestido de vermelho. Talvez num carmim seco (não faço a minima ideia que cor possa ser esta!!! mas que devia ficar um espanto, devia!).

Obrigado pela sua sinceridade.

# Junho 10, 2008 21:33

maresia said:

Adorei. ADOREI! Um RAP conseguidíssimo, elegantíssimo e com um final surpreendente; Na escrita, a perfeição, o detalhe.

Abraço, Bp63.

Boa Quarta.

Maresia

# Junho 10, 2008 22:40

bp63 said:

Obrigado Maresia (engraçado, adoro esta palavra, tem um pedaço da minha infância escondido nela) pelas estimulantes palavras.

Já agora também uma boa quarta e, especialmente se viver para os lados da capital, uma excelente quinta para um bom descanso na sexta.

Se não viver, uma boa semana também.

Abraço.

# Junho 10, 2008 22:59

pessoalissimo said:

BP

É pá, até me ia assustando com a tirada final da ponderada e sofisticada Laura. A pedir continuação, claro está. Sim, eu sei? Já disseste que não, é uma pena, estava a pensar num certo desenvolvimento da história.

Depois de reler o post e considerando ser uma RAP (ai estas abreviaturas!) tenho uma questão delicada a colocar: - Se se trata de uma senhora da classe média-baixa como se pode depreender pela linguagem usada com os filhos onde foi ela buscar aquele guarda-roupa?

Mas realmente estas mulheres que vivem sozinhas (?) e do seu trabalho, com filhos à perna não terão, qualquer dia, outro remédio que começar a assaltar bancos (se não puderem assaltar a carteira do pai dos filhos), ao preço a que as coisas estão.

E achei piada quando ela diz, em resposta ao filho Gabriel ?- Tu deves pensar que eu ando a roubar!? Então, não é que foi roubar um banco?

Abraço

Ps ? Se ela tiver sucesso com o assalto (na tua imaginação, claro) pede-lhe emprestada a pistola para assaltares o tal editor e o obrigares a publicar. Costuma resultar :)

# Junho 11, 2008 1:23

bluewater68 said:

bp63,

não sei se foi o ano passado, um banco em Almada (Setúbal?) teve uma tentativa de assalto por parte de um indivíduo. A sua justificação era que não tinha dinheiro para alimentar os filhos. Neste caso, a diferença é que ele vestiu a sua roupinha do dia-a-dia para executar esse acto tresloucado. É esta a grande diferença para o sexo oposto. Quando querem, sabem como arrasar.

Mas ela era novata na coisa ou a ideia era ofuscar as câmaras de vigilância com tanto vermelho? :) Uma 'profissional', teria apanhado o cabelo, calçado uns ténis, vestido umas calças de ganga e uma T-Shirt e o toque final seria um boné com uns óculos escuros que lhe tapassem a cara por completo. Depois, ou entregava um papel ao senhor da caixa a dizer "isto é um assalto", ou saltava para cima do balcão, ao estilo Tarantino, e gritava "Minhas senhoras e meus senhoras, sou uma mãe desesperada, que passou várias horas no carro e que está com pouca paciência para heróis. Fiquem calmos e tudo correrá bem. Obrigado"

Um pormenor. Conclui-se que ela não trabalhava e que o pouco dinheiro deveria vir por parte do marido que a essa hora estaria descansado a trabalhar. Então ela toma essa atitude e nem faz um telefonema do tipo: "Querido, vou ao Banco. Precisas de alguma coisa?"

Abraço

# Junho 11, 2008 12:02

gomes2000 said:

olá bp,

gostei muito desta história. Também acho que ela foi ousada na roupa que escolheu para o assalto mas...

Qualquer dia sou eu! Como isto vai.... Teve sucesso, a Laura?! Espero que sim. Começo a ser a favor de assaltos a bancos sem feridos ou vítimas, claro! Eles é que são uns ladrões de fato e gravata!

Beijinhos, bom resto de semana

# Junho 11, 2008 14:37

pessoalissimo said:

:))

A (des)propósito do comentário da Gomes2000, e considerando que a premissa dela está correcta (que são os bancos que nos "assaltam" mensalmente o nosso vencimento com juros e comissões cada vez mais altas, e considerando não haver outro sítio onde possamos guardar o nosso dinheiro (antes havia o velho truque de guardar o dinheiro debaixo do colchão, mas já não resulta) eu julgo de é de todo legítimo esse "assalto" para depois o voltarmos a depositar sem os juros e comissões extravagantes que eles costumam aplicar.

Lá diz o ditado "Quem rouba ladrão, perdoado está"

Abraço

# Junho 11, 2008 15:15

bp63 said:

Pessoalíssimo

Essa mania dos homens de não reconhecer que para uma senhora um guarda-roupa é sempre um guarda-roupa. Elas reciclam tudo. Além disso ela apenas copiava o que via nas revistas.

Mais do que vestir a personagem procurei vestir o momento, só assim, criando um ambiente com alguma sofisticação e apontar pista opostas, podia ser criado o efeito surpresa final.

Também há uma outra explicação mais técnica-polical mas essa guardo para dar ao senhor engenheiro mais abaixo. Espreita.

Abraço

# Junho 11, 2008 20:25

bp63 said:

Blue

Pois gostei da tua versão mais atarantinada, fica em carteira. Então a questão do vou passar pelo banco, está muito boa, podia figurar numa versão mais alargada da história.

No que respeita às vestes, além do tal facto de criar ambiente, penso que ela pode ser explicada de 2 maneiras:

Uma metafórica, e aí quando um encontra na forma de ela se vestir e na cor uma interpretação. A da Paula não deixou de ser curiosa. Não vou dizer a minha para não condicionar.

Quanto à policial (a outra forma de explicar), senhor engenheiro, penso que faz algum sentido. Não era ofuscar as câmaras mas sim ofuscar a capacidade de memorização da cara dela. Com toda a produção pouco iriam recordar os seus traços. Mesmo a cor louro choque que ela escolheu para o cabelo levaria depois a toda a gente pensar que seria uma peruca. Foi como quem diz, reparem no boneco, na máscara que pus e não em mim.

Além de tudo, como o momento era especial ela vestiu-se também de uma forma especial, como qualquer mulher faz. Não foi ?Vestida para Matar? mas quase.

Ora venham lá agora os defeitos técnicos Smile

Abraço

# Junho 11, 2008 20:35

bp63 said:

Gomes

Só espero não ter vindo a criar um web case, que depois +e referenciado quando começarem a perseguir as "criminosas" glamourosas e veja isto como a inspiração, assim tipo aqueles sites diabólicos que inspiram os putos a fazer maldadas da grossa.

Era mesmo só uma historinha, viu? Amanhã quando for á caixa multibanco, pode ir linda, mas leve umas asinhas brancas bem colocadas para não cair em tentação.

Beijo

# Junho 11, 2008 20:39

bp63 said:

Pessoalissimo

Os bancos assaltam?

E as seguradoras? E os supermercados? E os serviços todos que precisamos? Nos últimos tempo sinto-me assaltado logo que ponho o pé na rua.

Uma coisa curiosa, quer seja tempo de vacas gordas ou magras, os bancos engoram semprem. Porque será?

Abraço

# Junho 11, 2008 20:41

Meduarda said:

bp63

Um hino a todas as mulheres, que como a laura têm uma vida de super- mulheres.

Como mulher e mãe passei pelo mesmo e senti-me na alma da Laura.

A sociedade e a vida rouba a todas as mães muitos sonhos.

Adorei o ritual do vestir!

bjs

eduarda

# Junho 11, 2008 23:11

cintia12 said:

Adorei este texto.

Bjs.

Cíntia

# Junho 11, 2008 23:14

bp63 said:

Meduarda

A vida tem desafios às próprias forças de cada um. Um dia as pessoas cansadas vão desafiar elas própria o que as oprime na vida. Talvez daí a metáfora do assalto. Talvez, não sei, fica depois ao entender de cada um.

E se o vestir fosse apenas o despir de uma personagem?

Mas fico lisonjeado por ser entendido como um hino. Tem, sem dúvida, o som que lhe quiserem pôr.

Beijo

Beijo

# Junho 11, 2008 23:29

bp63 said:

Olá cintia

Bem-vinda a esta casa.

Obrigado pelo comentário

Bjs

# Junho 11, 2008 23:30

desabafosdaminda said:

Bêpê?

Perguntaste á Paula, em segredo, se se nota que andas ocupado e com falta de tempo?

Nah? só reparei que li este texto, maravilhoso e apesar do desfecho delicodoce, em 5 minutos quando costumo levar 50? eheh quer dizer alguma coisa?

Adorei esta tua abordagem da vida de uma mulher moderna, desesperada, irritada e que arregaça as mangas e bora? vamos lá á vida!!

Assaltar a vida? é do que se trata aqui, Cá pra mim?

E uma homenagem ao mulherio que devia ver que tá na hora de puxar pela pistola e gritar: parem com esta m? já! Quero viver!

Beijos

minda

# Junho 12, 2008 23:26

bp63 said:

Minda

Mas a escrita curta não é só falta de tempo, é para mostrar que o je também pode escrever curto se o objectivo for esse.

Os assaltos e as mulheres!

Mas não podemos esquecer os manos, que cada dia levam mais tareia e são roubados por tudo e por nada.

A vida anda mesmo a ser roubado, aos poucos.

Beijo

# Junho 13, 2008 23:09

Luana said:

Tu estás sempre em alta na criatividade.

O texto é muito bonito e a Laura é especial.

Ser mâe é muito especial e define uma atitude de vida de grande singularidade.

Um bom fim-de-semana, se possível com sol.

Um beijinho

Luana

# Junho 14, 2008 11:22

bp63 said:

Luana

A minha criatividade é como a montanha-russa, umas vezes vou lá acima, outras vezes venho por aí abaixo.

Qualquer dia ainda descarrilo.

Bom fds com bons passeios por aí. Por aqui está muito londrino.

Beijo

# Junho 14, 2008 11:30

Humana said:

Olá

Cheia de pressa, mas lembrei-me de ti e quis deixar-te:

[YouTube:OeuN5de3_XM]

Voltarei com mais tempo

Um beijo

Mulher

# Junho 14, 2008 15:23

adri said:

Caro Bp63,

Grande Laura!

Pode parecer uma história surrealista,mas,como as coisas estão decerto que amanhã teremos Lauras, Marias,Joanas e,...outras personagens trasvestidas na "Bela de um Dia".A vida,Costa!

Os Bancos, as grandes empresas de Obras Públicas, os donos das Grandes superfícies nunca ganharam tanto dinheiro.A classe média está moribunda e, daquí uns tempos temos 20%de ricos e 80% de Pobres.

Um abraço e parabéns pelo excelente post.

# Junho 14, 2008 16:17

bp63 said:

Obrigado Humana

Um video self be cool. Bem precisamos.

Beijo

# Junho 14, 2008 16:31

bp63 said:

Adri

Sinto que estamos no principio de uma nova era e não é de aquarius seguramente.

O seu comentário é bastante pertinente e aponta as feridas que alastram dia a dia. Será que o nosso caminho é "sul-americanizarmos-nos"?

Abraço e bom fds

# Junho 14, 2008 16:36

portocego said:

"A Bela de um Dia como os Outros". Porque não? Infelizmente...! já dizemos nós, como quem começa a achar que é normal o estado de coisas que nos cerca e retira o "poder de manobra". Esse poder aparente que nos foi publicitado de forma enganosa.E como enganou?

Mas reparemos que continua...o seu objectivo não coincide com o do cliente e é preciso estar atento...

Numa digressão que fiz durante uma semana por terras portuguesas que já não visitava desde o inicio de setenta,verifiquei o óbvio - o contraste visível com essa  época - E seria muito bom se esses sinais de progresso e de riqueza para uns ou de de remedeio, para muitos, fossem efectivamente sustentáveis.Mas não, todos sabemos que não. Porque o endividamento das famílias foi generalizado e, se os que ainda têm alguma capacidade de ganho, mais ou menos permanente,começam a ter dificuldades, imagine-se os outros que a  perderam por razões de vária ordem e bem conhecidas. É olhar por esse país fora e ver as ruínas das centenas de fábricas que fecharam, os campos abandonados, ainda que cruzados por pontes e estradas "alfa-numéricas" e túneis... Betão e mais betão. Por todo o lado "mansões" de várias dimensões. De certeza inversamente proporcionais ao crescimento e desenvolvimento económico e social do nosso país.

De quem é a culpa dos assaltos? De ninguém, já se vê...! Mas,são muitos os Pilatos.

Gostei deste poste bem enquadrado no tempo e na forma.

Continuação de bom Domingo e um abraço,

Daniela

# Junho 15, 2008 19:01

sininho said:

Olá bp63;

Linda a sua homenagem a uma das mulheres mais bonitas.

Votos de uma boa semana

Lara

# Junho 15, 2008 20:19

KURIOSO said:

bp,

Vou passar por cima dos elogios, outros já trataram (bem) disso.

Já por aqui disse que trabalham comigo 9 mulheres em vários estados civis, etários, parentais, etc.

Das que têm filhos pequenos, uma parte trabalha quase só para pagar o infantário, e trabalha que se farta, porque na nossa empresa quem não trabalhava, já foi...

Será que compensa? Para estas mulheres trabalhar é emancipação ou escravidão?

Mas quando se lhes pergunta porque não ficam em casa a acompanhar o crescimento dos filhos, respondem: "Credo, morria de tédio".

Não percebo! Mas eu já sou velho, fui criado pela minha Mãe, quando o dinheiro era pouco usei sapatos com sola de pneu, e os brinquedos (poucos) eram só no Natal. Bons velhos tempos????

Como já alguém disse, trabalhamos como doidos para arranjar dinheiro para comprar o que realmente não precisamos, e depois não temos tempo para usufruir (eu tenho uma moto a ganhar bolor na garagem).

Fique o melhor que conseguir!

Abraço,

Kurioso

# Junho 15, 2008 23:07

bp63 said:

Daniela

Numa resposta já atrasada só para dizer que, mesmo brincando com este país nas minhas análises, é uma dor ver o estado deprimido em que a sua paisagem se transformou, como a Daniela bem descreve nessa sua viagem.

Abraço

# Junho 18, 2008 0:25

bp63 said:

Obrigado Sininho (Lara)

Pela suas palavras. Volte sempre.

Abraço

# Junho 18, 2008 0:29

bp63 said:

Kurioso

Eu penso que as mulheres saíram para a rua do trabalho, primeiro porque a sociedade precisava de mão-de-obra mais barata e depois porque elas precisavam de dinheiro para o orçamento familiar. Uma vez li que a emancipação, normalmente atribuída à conquista do mercado de trabalho, foi apenas um acidente.

Hoje nenhuma das partes está disponível a ficar em casa (e não tem que ser a mulher) sabendo que isso implica perder o acesso a determinadas coisas. Mesmo quando as contas estão mal feitas e o que ganham acaba por ser gasto em infantários, colégios e tal (como o caso que refere).

Um dia uma mulher, que eu pensava ser bem feminista (?fémina? pelo menos é) disse-me de caras se pudesse escolher ficava em casa e não se ia sentir mais frustrada do que já sente hoje, com um trabalho desinteressante e não muito bem remunerado. Pelo menos podia tratar e dedicar-se aos filhos para que eles pudessem ter uma vida melhor do que a dela. Eu sempre pensei que ela trabalhava para realização pessoal. Quando lhe perguntei porque não ficava, ela disse-me que ia perder algumas coisas que já estava habituada, como férias e tal, porque o orçamento só com o marido não aguentava.

Não sei, acho que o feminismo hoje tem um outro lado neste estranho mundo.

Abraço

# Junho 18, 2008 0:38

jota40 said:

Caro BP

Uma história com um começo trivial que caracteriza o modo de vida tradicional das mulheres que correm, correm, para levar os filhos à escola, e que depois, quando param um pouco, percebem que a vida não é só isso e resolvem qual "camaleona" fazer uma metaformose visual, enveredando pelo outro lado da vida, mesmo que ele seja o lado errado.

Catherine Deneuve em La Belle du Jour, caracteriza essa duplicidade de comportamento, embora seguindo um caminho diferente.

Eu já vi esse filme há muito tempo, e julgo não estar errado na analogia que o amigo faz com a sua história.Certo ou errado?

Agora uma paranóia já o amigo arranjou com este post. Já estou vendo assaltos a bancos, a multibancos, a bombas de gasolina, tudo já em configuração, na mente de muita boa gente, com devoluções à mistura de juros e comissões, com assaltos a editoras de livros,tudo porque a vida está uma treta, e porventura a personagem dupla poderá pegar de estaca!!!!!e ser uma solução......

Fiquei como sempre, agradado e divertido.

Um abraço

# Junho 18, 2008 1:09

jota40 said:

BP

Eu sei que já ando atrazado por este post, mas como sempre tive uma grande admiração por Catherine Deneuve, artista mais do meu tempo da casa 30 e depois da casa 40, deixo-lhe um video como oferta, da nossa sensual Séverine / Laura / Catherine:

[YouTube:zayRXGnUdhk]

Um abraço do amigo

# Junho 18, 2008 1:52

bp63 said:

Jota40

Está certo na analogia com a Catherine. A vida nem sempre é como a vemos, é como as pessoas a sentem.

Claro que há aqui uma metáfora nisto tudo. Não quero abrir a página de um jornal e sentir-me responsabilizado. Afinal são apenas histórias da Carochinha, mas para adultos. Espero eu!

Abraço

# Junho 23, 2008 0:06

bp63 said:

Já agora, obrigado pelo video homenagem. Muito bonito.

# Junho 23, 2008 0:07
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