SOL

Imagens caídas

Uma imagem vale mais do que mil palavras. Porque não fazer o contrário? Com as palavras construir e falar de imagens.

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Fascinante Humilhação ? Janela Indiscreta da Dor Alheia - RAP

Ao som dos primeiros acordes, um conjunto de 6 belas bailarinas desceram uma pequena escadaria cenográfica e, envoltas nuns acetinados e coloridos shorts bem shortes, iniciaram um coreografia estudada enquanto faziam um playback bem sorridente:

- Humiliation, it’s a fascination!

 

Após a repetição exaustiva do refrão solitário, elas pararam, como se tivessem ficado congeladas, numa pose provocante e novamente bastante sorridentes. Ouviu-se uma voz em off:

- Senhoras e senhores, convosco Cláudio Guilherme.

O apresentador desceu também a escadaria colorida e luminosa, colocando-se entre as assistentes bailarinas, agradeceu os aplausos, bem vigorantes e comandados do público, e dirigiu-se a uma das câmaras:

- Bem-vindos a mais uma edição do Fascinante Humilhação, um concurso onde ser humilhado é uma tentação. Além dos eternos 15 minutos de fama pode ainda levar valiosos prémios, tanto maiores quanto a humilhação a que se sujeitar. Para isso, contamos com o já famoso Humilhómetro, que irá medir o tamanho da humilhação a que os nossos concorrentes se vão sujeitar. E por falar em concorrentes, onde estão os nossos sortudos de hoje?

 

Aplausos. Entrou uma senhora, bem desenvolvida no peso e tímida no sorriso, que se dirigiu para uma das três cadeiras destinadas aos concorrentes. A voz off reapareceu:

- Maria do Carmo Silvestre, 51 anos, separada e com três filhos. Maria do Carmo casou cedo, aos 19, e desistiu de uma carreira para se dedicar aos filhos e ao marido.  Durante mais de 20 anos dedicou-se apenas à família, fazendo de tudo para que nada faltasse. E não faltou, inclusive um peso exagerado que aos poucos foi ganhando, por não cuidar de si. Baleia, vaca e monstro foram alguns dos bonitos apelidos que foi ouvindo entre risadas. Há 5 anos o marido, apreciador de linhas mas finas, resolveu encontrar outros pesos e partiu como uma colega de trabalho, mais nova em 15 anos e em muitos kilos. Agora, os filhos, já independentes e bem colocados, praticamente não a visitam. Maria do Carmo é uma mulher só. Será que é uma boa humilhação?

- Será que é? – interrogou também o apresentador. – Humilhómetro, diz de tua justiça!

 Em função dos votos do público apareceu no ecrã a pontuação de 63. Aplausos.

Entra o segundo concorrente. Vem com um andar um pouco descoordenado.

 

- António Manuel Lopes, 48 anos – anuncia a voz off. – Vendedor de automóveis, casado e com 2 filhos. Sempre se achou um grande profissional, mas os seus últimos patrões não acharam o mesmo e acabou por ser despedido 2 vezes nos últimos 3 anos. Sem emprego e com uma idade já adiantada para o mercado de trabalho, António não consegue emprego. Talvez por isso encontrou na bebida o único refúgio. Quem não achou piada neste novo gosto foi a mulher que o deixou, levando consigo os filhos. É mesmo caso para dizer, Fascinante Humilhação?!

Novos pontos no ecrã, desta vez 77.

- Carlos Maria de Oliveira, 39 anos – apresentou a voz off quando deu entrada o terceiro elemento. – Desde pequeno foi sempre uma criança especial, gostava mais de brincar com bonecas do que com bolas. Na escola, por ter um jeitinho especial, era sempre gozado, verbal e fisicamente, com alguns espancamentos pelo meio. Nunca fez amigos. Não escolheu a carreira que quis, porque o seu pai achava que designer não era coisa para um homem. Tirou um curso de Gestão, onde foi um dos melhores alunos. Mesmo sem vocação, no trabalho todos se aproveitam dele para lhe pedirem coisas. No entanto, no momento certo nunca o reconhecem para uma promoção, pois pode dar uma má imagem da empresa. Recentemente foi espancado por um grupo anónimo, ao sair de um bar gay onde tentava ir pela primeira vez.

58 pontos foi o que conseguiu este terceiro concorrente.

 

- O desafio seguinte vai ser difícil – esclareceu o apresentador Cláudio, que se juntou ao grupo de concorrentes. - Mas antes de avançarmos no jogo vamos ver se algum de vocês quer já apresentar o Joker. Relembro que o Joker, uma humilhação surpresa e desconhecida da produção, permite duplicar, triplicar ou quadruplicar os pontos na prova humilhante em que for apresentado. Neste caso, o desafio que se segue, consiste numa dança em que vão estar nus a dançar com um animal. A Maria com uma vaca, o António com um porco e o Carlos com uma jibóia. Querem então apostar?

Maria do Carmo quis apresentar o seu Joker, a sua humilhação escondida:

- É que… - disse ela timidamente, - tenho um cancro.

Aplausos, muitos aplausos. O Humilhómetro deu-lhe a ponderação máxima de 4 vezes.

- Muito bem jogado, é um jocker muito bom – comentou o apresentador. – António quer apresentar o seu?

António quase não levantou a cabeça, pois o álcool já ingerido dava-lhe uma certa sonolência. Acenou que não. Carlos, em contrapartida, quis também ali jogar a sua oportunidade e revelar o seu jocker:

- Apesar de tudo o que dizem de mim, ainda sou virgem.

Risos na plateia. O próprio apresentador lançou uma valente gargalhada.

- É quase surrealista! – glosou Cláudio. – Então o meu amigo levou a vida toda a ser gozado por andar enrolados com homens e nem sequer provou um? Essa é demais!

Apesar dos risos não conseguiu mais do que a ponderação de 2 vezes.

 

Quando se preparavam para se despir e começar as danças com animais, António, um pouco a cambalear, chegou-se perto de Cláudio e disse, numa voz um pouco empastelada:

- Eu… eu quero jocker… agora.

- Ó homem, decida-se – respondeu o apresentador um pouco contrariado. – Vá lá, diga então o que tem para nos apresentar!

- Eu sou… um assassino!

- Puxa, essa é forte. Vai estourar com todas as escalas. Assassino de quem?

- Seu!

Mesmo com os movimentos desconexos, António saca a pistola do casaco e abate o apresentador, que tomba no palco.

Primeiro silêncio, depois aplausos, imensos aplausos!

 

???

Este RAP também contém uma pequena homenagem, anacrónica como convém, a esse grande vulto da (nova) cultura portuguesa, Teresa Guilherme.

Posted: domingo, 22 de Junho de 2008 18:05 por bp63

Comentários

bp63 said:

[YouTube:2jMIP1uZ-gU]

# Junho 22, 2008 18:34

bp63 said:

[YouTube:3RK0A7UOA3w]

# Junho 22, 2008 18:53

bluewater68 said:

bp63,

que grande programa do Ratinho que tu aqui apresentas. Por falar nisso, há uns anos atrás, estava eu no Hospital de Faro à espera de notícias de um familiar. Existe uma sala de espera já do lado de lá do segurança que não deixa passar ninguém. Nessa sala podem-se misturar aqueles que estão a ser atendidos com aqueles que esperam por desenvolvimentos. Estava eu meio em transe quando olho para a TV e reparo que estava a dar a versão portuguesa do tal programa do Ratinho (ou semelhante). Foi a única vez que vi. Na primeira fila, um tipo com um enorme penso na testa, meio desdentado e ligado ao soro, virava-se para trás e tentava ganhar adeptos para debater o que via. "O gajo foi encornado pela mulher. Olha a gaja a mentir! grande vaca. Cornudo!". Um outro, com ar que tinha acabado de sair de uma Overdose, lá esboçava uma espécie de gargalhada ou de espasmo (nunca percebi). Foi um momento deveras deprimente.

Este tipod e programas é como a droga. Existe um conjunto de produtores que nunca sabem onde parar em termos de objectivos humilhantes ou degradação humana. Depois, existe sempre audiência para os conteúdos. Se não houvesse consumidores, a droga nunca existiria, certo? e para quê assistir a um conjunto de gajos com discurso enfadonho a falar de política quando se pode assistir a algo que goza com a desgraça alheia? gozar com a desgraça de terceiros ainda é um tónico nos dias que correm. Podemos estar mal, mas ver-mos que ainda existe pior, dá sempre alento. Depois, existe sempre um aspecto muito importante. Mudar de canal ainda é algo que se pode fazer de livre vontade. Só que, quando se vê um pouco desses concursos viciantes, é difícil mudar. "Que horror! como é possível alguém sujeitar-se aquilo? isto é uma tristeza e uma exploração da desgraça" e com isto, vão assistindo a tudo. è tipo acidente. "Eu não quero ver". Mas nem os olhos se fecham, nem a mão tapa a vista.

O primeiro bom exemplo a denunciar aqueles que exploram a degradação humana não foi feito pelo Sydney Pollack, no "Os cavalos também se abatem"?

E esse Cláudio Guilherme foi em honra da grande figura da nossa televisão, um homem que tem o dom da palavra e do conhecimento, que dá pelo nome de Cláudio Ramos?

Abraço

# Junho 22, 2008 19:51

bluewater68 said:

E uma nota. Os gajos do Jackass não são propriamente uns desgraçadinhos que se sujeitam a todas as humilhações para ganharem uns cobres. É verdade que o seu momento de fama foi conseguido graças à sua estupidez. Mas eu acredito que eles precisem desses actos para se sentirem vivos :))) Broncos são todos os outros que procuram imitá-los.

E os concursos Japoneses (Coreanos?) são um caso de estudo em termos de humilhação :))

# Junho 22, 2008 19:56

Anahory said:

Olá Bp63

Não costumo ver os géneros de programas que aqui satirizas mas mesmo assim considero esta tua sátira magnifica.

Beijos

Kiki

# Junho 22, 2008 20:37

maresia said:

Podiam abrir um blogue no Sol... :|

Fantástico!

Abraço e boa semana,

Maresia

p.s. O final surpreende, como sempre.

# Junho 22, 2008 20:56

bp63 said:

Blue

Tens cada uma. Sabes que o primeiro subtítulo que tinha para isto, era "Os cavalos também se abatem", não só porque o título assentava que nem uma luva, como era um dos filmes que mais me marcou na época em que o vi. Depois desisti porque achei que o titulo era demasiado revelador.

Quanto aos reality são um fenómeno do nosso tempo e, como tu bem dizes, aquilo é como uma droga, depois da primeira dose há sempre que ir mais longe. Quando vejo começar um penso sempre que já baterm no fundo e não possível ir mais longe. Mas é.

E o pior de tudo nem são os reality (alguns até é tudo combinado como aquele que referiste dos encornanços). É a informação normal que apresenta as notícias sempre na mesma base, da exposição visceral das pessoas (lembro-me que já tocaste nisso, mas em relação à imprensa).

?Augustina tiene un câncer, un aplauso para Augustina?

Abraço

# Junho 22, 2008 21:11

bp63 said:

Jackass

Eu só me apercebi disso quando vi uma parte de um filme quando passou na TVcine. Penso que é a cretinice levada ao extremo, o que não deixa de ser humilhante. Mas os americanos sempre foram experts em fazer dinheiro com o lixo.

# Junho 22, 2008 21:13

bp63 said:

Olá Kiki.

Eu também não costumo ver, mas que por vezes tropeçamos neles e ficamos de boca aberta, é bem verdade.

Qual será o limite?

Beijos

# Junho 22, 2008 21:15

bp63 said:

Maresia

Essa do blogue está bem apanhada, foi uma pena não a teres dito antes, pois seria uma boa piada a lançar no show, numa das biografias dos concorrente. Acho que ficava um  private joke nonsense.

Talvez numa versão revista.

Abraço e boa semana, com outras realidades (nada tv).

# Junho 22, 2008 21:20

maraolonge said:

Amigo BP63

A ironia, a sátira, a mordacidade percorrem todo o texto num desfecho magnífico.

Um abraço da

mar_ao_longe

# Junho 22, 2008 22:43

bp63 said:

Obrigado mar_ao_longe

Abraço e uma semana cheia de mar, bem perto.

# Junho 22, 2008 23:38

camionista said:

A denúncia corrosiva está muito bem, sim.

Mas os gajos (e as gajas) responsáveis por estas barbaridades querem lá saber... O que conta são os índices (e a 'pasta' proporcional).

A m**** ainda pode servir como estrume, mas esses programas...

O Povo é quem manda!

Grande abraço

# Junho 23, 2008 0:39

PSCGF said:

Bp,

Adorei a RAP ...Não faltará muito tempo para se tornar num efectivo programa de telivião em horario nobre.

Bp, o mundo está a alterar , mas nem todas as alterações estão a ser conduzidas com uma restia de consciência moral...

O mundo do audivisual é um deles. Em paises como Portugal em que os carros param literalmente numa autoestrada para ver um carro parado a mudar um pneu ...

Num pais em que se torna assunto do dia as desgraças alheias e ninguem faz nada por elas efectivamene .

Num pais aonde o vizinho zangado rejubila e faz uma festa porque o outro foi assaltado ...

Num pais em que os telejornais vendem diáriamente as desgraças e não contextualizam uma unica boa novidade...

Num pais em que as pessoas utilizam a curiosidade morbida (porque a outra até é saudavel) como alimento intelectual diáriamente ...

Temos que ter programas exploradores da desgraça alheia, porque tem publico .

E isto é triste ... Muito triste .

Porque existem neste pais exemplos humanos e civicos tão extraordinários de quem ninguem fala e que ninguem divulga e seriam uma mais valia intelectual e um bom remedio para a nossa autoestima nacional.

Beijinhos e parabens

Paula

# Junho 23, 2008 1:01

josefadobidos said:

Bp

A cena mais humilhante que vi, e que penso retratar esta espécie de concursos, passou-se num filme:

A cena do quiz no magnólia, quando aquele miúdo "genial" que ganhava sempre (e o pai esperava isso dele), tem uma "branca", e se urina em frente de todo o público....

Ainda não consegui ver nada pior em termos de humilhação possível em televisão, embora essa fosse uma representação cinematográfica...

Quanto aos programas "reais" que se vão vendo por aí, não me parece que os intervenientes sintam o que quer que seja, como humilhante.

Se o sentissem seriam incompatíveis com essa espécie de programas.

A não ser que sofram de uma espécie de "masoquismo mediático" ... será? De qualquer forma, também não seremos muito saudáveis se promovemos esse tipo de acontecimento, o que parece que está a acontecer.

O culto do mórbido, não sendo um fenómeno moderno, se nos lembrarmos por exemplo, das arenas romanas, penso que se associa a épocas onde existe confusão entre o bem e o mal, o que provoca clivagens...

doenças da alma, neste caso, da alma social??? A propósito... a sociedade tem alma?

PS - A teresa guilherme e afins também me irritam... mas daí a dar-lhes um tiro... não é excessivo!?!?

:)))))

Escrita sublime as usual

beijos

# Junho 23, 2008 1:42

bp63 said:

Camionista

Tem razão. Lembra-me quando na altura do BB o Rangel disse que havia limites e que havia patamares a que nunca iam. Viu-se. Desesperados face ao sucesso do BB lançou outros, o Bar da TV, Acorrentados e um outro que não me lembro o nome (em que lançou aquela coisa de uma tal Gisela).

Os princípios são bons mas face aos números que eles rendem não há limite. Aquela brincadeira do Transplante na Holanda demonstrou isso. Era uma brincadeira e todos pensaram que era a sério. Já esperamos tudo.

Abraço.

# Junho 23, 2008 10:21

bp63 said:

Paula

Concordo com o que dizes, com excepção de 1 coisa, não é ?neste país?.

Penso que o fenómeno mórbido do espreitar a desgraça alheia é algo bem universal. Talvez tenha a ver com um lado sombrio do carácter humano. Espreitar pela fechadura é algo que nos cola, por muito que sejam os princípios que tentemos adquirir. A simples fofoca é o princípio desse lado que tem o expoente máximo nos Coliseus romanos que ainda andam por aí.

Penso que quanto mais medíocre for a vida das pessoas mais elas se interessam pela vida alheia. O problema é a pedra primeira e a aquela maldita telha de vidro que todos temos.

Beijos

# Junho 23, 2008 12:54

bp63 said:

Jo

Lembro-me da cena, mas infelizmente já assisti a outras coisas também bastante humilhantes e não eram representações cinematográficas.

Quanto à não humilhação dos que se sujeitam, até concordo que numa primeira fase, anestesiados com a projecção das suas vidas em formato televisivo, a cegueira da fama, eles se sintam bem com aquilo tudo. Mas com o apagar dos projectores é impossível que não se sintam esventrados nos seus sentimentos mais reservados. Ou será que a cegueira se mantém?

Mas se ainda entendo as pessoas que embarcam nessa cegueira, fico pasmado com o salivar das pessoas quando assistem a isso. O tal Coliseu romano ainda existe. Basta ver o concerto da Amy Winehouse no Rock in Rio. Como é que alguém pode delirar com aquilo, divertir-se com o estado da cantora em palco. Eu vi o concerto com um aperto enorme no coração, não queria acreditar naquilo, naquela arena de degradação pública. Senti-me aliviado quando acabou. Mas parece que o desporto favorito dos espectadores dela é ver como ela estará em palco, já faz parte do folclore o seu estado (e é pena, porque ela é uma cantora com C grande).

Sobre a Teresa G, era apenas uma piada sobre o que ela simboliza num determinado tipo de televisão. Como pessoa até me parece ser muito humana e simples. Como já disse todos temos uma pequena telha de vidro, se telhado completo não for, e por isso temos que ter cuidados com as pedras.

A sociedade tem alma? Boa pergunta. Assim de repente não sei, talvez tenha apenas um pequeno sentimento, nem que seja o imposto pelas balizas da lei. O que sei é que a televisão não tem, por muito que nos queiram mostrar o contrário.

Beijos

# Junho 23, 2008 14:33

bp63 said:

A propósito do tiro... é metafórico, certo?

Um dia destes ainda me assaltam bancos vestidas com YSL ou me disparam sobre apresentadores em programas cretinos, com base nas ideias malucas com um lunático blogueiro apresenta aqui.

A continuar assim, com o próximo RAP tenho que me exilar.

# Junho 23, 2008 14:40

bp63 said:

A propósito do tiro... é metafórico, certo?

Um dia destes ainda me assaltam bancos vestidas com YSL ou me disparam sobre apresentadores em programas cretinos, com base nas ideias malucas que um lunático blogueiro apresenta por aqui.

A continuar assim, com o próximo RAP tenho que me exilar.

# Junho 23, 2008 14:48

josefadobidos said:

:))))

Claro que é metafórico!!!! Mas as metáforas tem muito que se lhe diga!!!

:))) Fica descansado que não estou com ideias, e já me fizeste rir, obrigada

Quanto à Amy Winehouse, concordo contigo, ela tem uma das melhores vozes que já ouvi e é pena o que lhe está a acontecer. Na minha opinião, as promotoras, não são inocentes no que lhe está a acontecer. Pelo que ouvi, ela nem queria subir ao palco no Rock in Rio (nem sequer sair de londres), mas depois de muito beber, lá conseguiram que "cantasse", e como dizes, houve pessoas que até ficaram contentes com isso, e é por isso que ninguém a protege - o vil metal é um deus muito poderoso.

A pergunta já não será "onde é que vamos parar?", mas sim "quando é que vamos parar?", porque a resposta à primeira pergunta já a temos, não é??

beijos

:)

# Junho 23, 2008 15:48

gomes2000 said:

olá bp,

gostei do post, satirizaste e realmente existem programas e apresentadores que poderão ser fonte de inspiração para posts como este. Gostei da discrição feita pelo blue ao Grande Sr. Parvinho Claudinho. Desculpa mas é mesmo a minha opinião sobre ele.

Eu lamento que na maioria dos programas, com o público alvo - donas de casa "desesperadas" seja falarem, descreverem e ainda aumentarem histórias dramáticas! Será que a fulana A ter um cancro e Sr. B ter esfaqueado a mulher em frente dos filhos serão o melhor que há para ter audiências?! Como aqueles programas tipo tentações e coisas assim onde se desfazem casamentos e depois brigam em palco.... Aplausos, muitos aplausos....

Eu já confessei ser muito crítica e acredita que se mandasse nalguma televisão, despedia quem me viesse com ideias, reportagens e perguntas "estúpidas". Será que não há nadinha melhor???????????!

O chocar as pessoas, é psicológico, sabes?! Aprendi e acredito ser verdade que quanto maior é a tragédia ou o acidente, mais curiosidade há. Se vires um carro todo espatifado com um bocado de um pé no vidro, tens mais curiosidade em assistir do que se for só um farolim partido. Isso já não é interessante. Triste mas verdade, ou não?!

Quanto ao Jackass, vais desculpar-me mas eu acho que são uns doidos que arranjaram maneira de ganhar a vida a fazer coisas mesmo absurdas! Mas não sei se esses serão humilhados, eu acho que gozam a fazer aquilo. E, vou confessar-te que me rio que nem uma perdida com alguns dos programas deles. Então meter um carrinho miniatura no rabo, ir a um radiologista dizer que na noite anterior foi a uma festa, que não se lembra e tal..., que doi a andar. Havias de ver a cara do médico quando viu um carrinho minúsculo na radiografia ao ânus! Enfim... Há ideias piores e eu até tinha algumas se lhes pudesse sugerir.. eh eh...

Esse video aí desses chineses é que... enfim... cada programa.. realmente...

Humilhação?! Olha, assisti a um desencarceramento de uma senhora tombada naquelas motinhas azuis fechadas, a mulher era tão gorda que os traseuntes estavam todos no gozo. Eu também parei, mas sabes o que me doeu?! O olhar da senhora, envergonhada, magoada com o riso de alguns. Eu não a conhecia mas fiquei triste. Talvez, num programa de televisão ela tivesse ganho o primeiro prémio.

Também ainda não se lembraram de filmar partos em directo ou mesmo exames médicos dolorosos e depois faziam um concurso para ver quem chorou mais!!!! Aplausos... muitos aplausos.... As pessoas são muito tontas, absorvem estas coisas e depois vão moldando a mente e ficam como o Claudinho... Ainda bem que eu sou crítica e que não tenho tempo para ver! Se não, aí é que eu lamentava mesmo os tempos em que vivemos. Já me basta o telejornal, já disse que vejo, com notícias más, algumas reportagens absurdas e enfim... lembro-me uma em que mostrava um casal com uma grande "pedra", a mãe grávida fumava um cigarrito e a jornalista ouvia a tristeza da senhora por lhe terem tirado os dois filhos anteriores. Além de viverem numa barraca, havias de ver os efeitos do consumo da heroína visíveis que o casal emanava...Estava quase quase a dormir e a jornalista muito muito profissional. Aplausos... muitos aplausos... para o casal. Por terem aparecido na televisão....

Olha bp, fico-me por aqui, já nem vou reler o meu comentário e vou já clicar no "enviar". Beijitos e boa semana para ti. (acho) que já te disse que escreves textos fabulosos.

# Junho 23, 2008 16:01

josefadobidos said:

Suponho que haverá quem diga "ela é maior e responsável pelos seus actos".....

Que fartinha que estou desse discurso!!!! Não há (_|_) que aguente esse pensamento que é estarmos sentados a beber imperiais e a assistir a outros (como nós) a atirar-se ao rio....

Bem... em boa verdade, o pior já nem é não ajudar, é o convite à miséria e que é precisamente sobre o que escreves neste post.

Os cavalos também se abatem, de facto, o problema é que as árvores já não podem morrer de pé.

São cortadas ainda novinhas para fazermos papel.

mais beijos

# Junho 23, 2008 16:09

josefadobidos said:

E pronto! Já me estiquei outra vez.

# Junho 23, 2008 16:10

bp63 said:

Jo

Parar! Até que ponto ainda se consegue esse ponto? Numa sociedade em que o mercado anda livremente torna-se difícil saber que há que parar. Se os homens tivessem boas intenções podíamos regulamentar tudo isto e impedir a exposição da dor ou da ignorância humana. O problema é que não há boas intenções, o homem abusa das coisas e daí à censura vai um passo.

Deveria ser a sociedade a autoregular-se. Como? Desprezando esse tipo de produtos. Mas as pessoas querem-nos e muito. Pois querem porque o nível cultural ainda não saiu debaixo da linha de água. Lembro-me que quando estive uma temporada na Dinamarca havia lá um BB qualquer, que não tinha muito êxito, apenas nas camadas mais jovens. Mas não aguentou muito tempo porque um dia todos os concorrentes basaram porta fora porque não estiveram para aguentar aquilo. Realmente há países diferentes.

A miséria é ainda mais miserável quando se torna vendável e nós a consumimos. Deixar que alguém se atire no abismo só porque é essa a sua vontade não me parece uma boa forma de estar na vida.

?que as árvores já não podem morrer de pé. São cortadas ainda novinhas para fazermos papel.?

Isso mesmo.

Estica-te sempre

beijo

# Junho 23, 2008 16:53

bp63 said:

Gomes  

A humilhação pode ter muitos rostos. Mesmo quando eu me exponho por vontade própria, o facto de não ter discernimento para perceber a exposição acaba por ser humilhante, nem que seja para a dignidade humana.

Daí eu não compreender esses senhores do Jackass, ou melhor, se calhar nem tenho que compreender, pois mesmo sendo cretinice e havendo humilhação, são jovens maiores e vacinados que querem fazer aquelas doidices. É cowboyada americana no seu melhor. Que enfiem todos os carrinhos nas traseiras que quiserem. Até podem pôr uma locomotiva em tamanho real. A haver miséria é apenas a sua intelectualidade.

O mau mesmo mau, é a tal adoração pelo sangue alheio, que tu bem referes nos acidentes que presenciaste. Porque será que as pessoas têm esse gosto mórbido? Será pelo mesmo motivo que vamos ver filmes de terror? Os abismos do ser humano são imensos, ou então é apenas a marotice cruel infantil que nunca nos larga.

Sobre as tais personagens que depois embrulham a dor alheia em papel cor-de-rosa e a comentam, ainda conseguem ser piores. Fazem-me lembrar moscas de estrumeiras. Mas sobre isso voltarei um dia com um RAP.

Beijo e sarava para ti.

# Junho 23, 2008 17:22

OlindaGil said:

Parabéns pelo post fenomenal.

# Junho 23, 2008 21:53

bp63 said:

Obrigado Olinda e bom S. João

# Junho 23, 2008 23:04

Humana said:

Olá BP

Não vejo esse tipo de programas mas sei do que estás a falar.

A culpa não é só deles; é de quem lhes dá "ouvidos"

Gostei da forma como apresentas e ironizas, e amei o final - matar o apresentador. Não podia estar melhor, e parece que o público até aprovou o fim do programa, não?

Não consegui ver o 1º vídeo, mas gostei muito do 2º.

Uma boa semana,

Beijinhos,

Mulher

# Junho 23, 2008 23:35

bbebiano said:

já que se fala em concursos de humilhação...

[YouTube:sHGhzrx1i6k]

;))

# Junho 24, 2008 0:09

bp63 said:

Humana

A culpa é mesmo de quem dá ouvidos e visão ao assunto.

Cabe a nós "matar" o apresentador remetendo tudo isto para ignorância.

O publico aplaude. Se calhar como aplaude o viciado depois de lhe terem eliminado a droga.

Beijo

# Junho 24, 2008 0:40

bp63 said:

Humana o problema do video deve ter sido por eu ter posto um codigo errado. Foi azelhice minha. Vou apagar.

# Junho 24, 2008 1:09

bp63 said:

bbebiano

Pois!

Os idolos foram em muitos casos um gozo à tristeza da falta de talento dos outros, o que tb é humilhação.

O caso apresentado é representativo porque ela nem se sentiu humilhada, como sempre acontece com as vitimas.

# Junho 24, 2008 1:15

portocego said:

Bp63,

Mais uma vez um grande poste a identificar um lado mau do humano se de humano se pode qualificar quem sobrevive fomentando um tal sub-mundo, explorando-o.

Infelizmente foi de todos os tempos este tipo de expedientes mas eles tambem foram intensificados em periodos da história de abrandamento de valores, de exacerbação de egoísmos e outras carências.

Parabéns pelo tema.

Abraço,

Daniela

# Junho 24, 2008 14:13

pessoalissimo said:

BP

Gostei da sátira à condição humana, ao lado negro da humanidade, daqueles que vislumbram prazer na miséria e tragédia alheias.

Eu creio que já passaram pelas televisões portuguesas vários programas com esse género de orientação, recordo vagamente um em que os concorrentes tinham de mexer em animais perigosos ou repelentes a troco de uns tostões. Mas houve certamente situações bem mais degradantes, nisso as televisões brasileiras e americanas levam-nos a palma.

Do que eu me livro por apreciar pouco televisão...

Mais um RAP à maneira com um final "feliz" e o público a aplaudir. As massas precisam de ser estimuladas, nada como um bom assassínio em directo. Esse homem nunca será preso.

Grande abraço

# Junho 24, 2008 21:45

eeu said:

Bp

...e por falar em humilhação... rs

É nisto mesmo que a televisão se está a transformar. E como disseste em relacção à publicidade, o que importa é estar a cumprir o seu objectivo que é vender, não importa a que custo.

Particularmente, vejo e gosto de alguns reality shows que dão no People and Arts como aquele troca de esposas ou de maridos. Ou um americano em que os homens tinham que viver e se arranjar como mulheres ou o Beauty and the Geek (não vi a versão nacional), embora esse, para ser mais interessante, devesse ter uma versão com as feiotas e os bonitões, isso sim era um sucesso !

O que gosto nesses programas é ver como as pessoas evoluem e se tornam melhores ao ser confrontadas com um tipo de vida e valores totalmente diferentes. Foge da humilhação gratuita.

E em relação a essa e porque citaste a Teresa Guilherme, lembro-me de ver há muitos anos um, "Não se esqueça da escova de dentes" em que ela incitou alguém a mostrar os seios e no meio daquela histeria colectiva,uma miúda fê-lo. Fiquei a pensar no tamanho da vergonha e arrependimento que ela ía sentir quando passasse o torpor e se apercebesse do que fez...

Conheci a TG pessoalmente uma vez e ela foi tipo: é apresentada, faz(-me) uma pergunta, responde ela mesma com uma piada (humilhante) para ser muito "espirituosa" e rir à gargalhada com os puxa-sacos todos à volta dela. E passa ao próximo a ser apresentado para fazer o mesmo... como imaginas, não me causou boa impressão ! rs

Aliás, essas figuras da TV que vão falar sobre os novos programas que têm e só falam do share do programa, da posição nos índices de audiência, mostram bem que estão ali para servir interesses económicos, não o prazer, a cultura e os interesses de quem os assiste.

E eles ficam mais ricos à custa da humilhação e nós mais pobres em todos os aspectos, humilhados como um todo, mas satisfeitos por não sermos os únicos...

abraço

eeu

ps- deixei-te um vídeo na Paula.

# Junho 24, 2008 22:14

bp63 said:

Daniela

Sim, a exploração da degradação e da dor sempre foi  um passatempo humano. Mas numa era em que se foram fechando os coliseus que ainda havia por aí, um outro se inventou, a televisão.

Eu sei que eles existem porque há publico. Mas não poderiamos mostrar outras portas ao público? Afinal uma Operação triunfo mostrou que o mesmo modelo pode ser usado de maneira diferente. Em lugar da facilitação o trabalho, e em lugar da exposição das fraquezas a mostra do talento.

Há caminhos novos mesmo dentro deste caminho.

Abraço

# Junho 25, 2008 19:06

bp63 said:

Pessoalissimo

As masssas deliram com o delirio em colectivo. Por alguma coisa ainda existem algumas pequenas restias de coliseus romanos. E nós temos uma bem nacional e chique a que até chamamos de Festa.

Embora o que esteja em causa sejam animais (que por muito que o poticamente correcto puxe para cima, ainda não estão ao nível dos seres humanos)não deixa do principio de ser o mesmo. Mas isso é outra discussão.

O R. Shou que falas lembro-me bem dele, pois ficou célebre o ponha, ponha, ponha (uma iguana na cabeça). Foi nele que me inspirei quando falo da dança nua com animais.

Bom se este RAP te surpreendeu espera pelo próximo, até tem sponsor solinano e tudo :)

Abraço

# Junho 25, 2008 19:13

bp63 said:

Eeu

Não conheço os RS que falas. Vi uma vez um que era a troca de famílias, inclusive depois foi aproveitado numa sitcom.

Falas numa coisa interessante, que é o possível interesse que alguns poderão ter do ponto de vista sociológico. Não sendo perito nessa área, muitas vezes quando passo os olhos num deles tento ver esse lado, pois como já te deves ter apercebido, pelo que escrevo, gosto de ser um "analista" do comportamento humano, ainda que grosseiro e anacrónico. Gosto de descodificar as coisas por prismas diferentes. Mas mesmo assim não consigo ir além do que é sofrível ver num programa desses. Sempre que atinge a barreira da humilhação e da exposição visceral dos sentimentos, não suporto. Por vezes isso acontece num simples noticiário e não em R. Shows.

Sobre a T. G. penso que sofre um pouco daquilo que sofrem as pessoas com muita exposição e alguma fama, criam uma certa elitização à volta delas e não descem do pedestal. Mesmo quando querem ser simples e dão muitos beijinhos.

Vi o video e gostei muito, foi uma boa troca de galhardetes. A caricatura sobre os homens está muito melhor do que a que é feita sobre a s mulheres. 1-0.

Abraço

# Junho 25, 2008 19:24

portocego said:

100% de acordo bp. Excelente exemplo. Mas, para construir, é preciso talento de todas as partes. O espirito amesquinhador, pode parecer talentoso mas não passa do lado negativo do ser humano.Desde logo pelos alvos que instrumentaliza, perfeitamente agrilhoados. Agora fez-me lembrar outra questão, mas fica para outra oportunidade.

Um excelente tema....!

Venha o próximo.

# Junho 25, 2008 20:06

bp63 said:

Daniela

Por vezes há talentos só são talentosos no exploração da falta dele.

Mas por falar em talentos e em próximo, o próximo RAP não anda longe.

# Junho 25, 2008 23:54

Luana said:

As circunstâncias fazem com que eu veja muita televisão actualmente. E vejo sempre aquilo que a minha mãe aprecia mais porque é em função dela que vivo. Sou muito critica em relação aos programas e telefono muitas vezes para as Relações Públicas, quer da Sic quer da TVI, quando considero que se está a desconsiderar o telespectador. A verdade é que, infelizmente, os media alimentam esse tipode programa porque têm que os veja. Lembro-me de um exemplo cruel, de que vi alguns excertos, que é aquele program do João Kléber "Fiel ou infiel".Mas tinha muita gente que via. É pena mas faz parte da forma como muita gente interpreta a "democracia".

Um beijinho

Luana

# Junho 26, 2008 19:54

eeu said:

Bp

É justamente esse aspecto de observação e análise do comportamento humano, e da sua evolução, que me fascina. Por exemplo, nesse RS sobre homens que se se vestiram, depilaram, fizeram compras e passearam como mulheres durante semanas, depois de acabado o programa eles deram depoimentos no programa da Oprah e um deles, mais gordinho e desajeitado disse que a experiência o mudou completamente: porque ele era o que ficava mais sem piada vestido de mulher e quando saíam todos juntos ele sentia-se invisível, pois todas as pessoas se metiam com os outros e nem sequer olhavam para ele. Ele diz que isso abalou totalmente a sua auto-estima e que finalmente compreendeu como se sentiam as mulheres mais feiotas a quem ninguém dava atenção e que nunca mais ía olhá-las da mesma maneira indiferente, agora sabia que corações de ouro -e magoados- se podiam esconder nelas. Não é lindo ? Eu choro sózinha a assistir a estas coisas... rs

Outros que me fazem chorar imenso são aqueles makeovers em que patinhos feios, homens e mulheres, se vêm bonitos e atraentes pela primeira vez na vida depois de uma vida de indiferença e sofrimento por humilhações sofridas só porque tiveram o azar de nascer feios...

Sobre Teresas Guilhermes e outros que tais que se dizem muito bonzinhos e crentes e espirituais mas não hesitam em humilhar os outros nos programas porque isso é que dá boas audiências e depois desculpam-se com o trabalho que os obriga a tal, eu acho uma grande hipocrisia. Lembro-me de um perito nisso, o João Kleber que quando esteve a fazer aquele programa da infidelidade dava entrevistas a dizer-se muito devoto de Nossa Senhora de Fátima e depois apanhei um programa dele a pôr a tonta audiência de joelhos a rezar à Nossa Senhora da Bunda !!! OH, please, olhem o santinho !

Isso dos noticiários que exploram em directo a devastação humana quando acontece uma tragédia, com a desculpa da notícia e aproveitando o choque e a ignorância de muitos que quando vêem uma câmara de tv parece que estão na presença de uma alta autoridade estatal ou divina, é do mais abusivo que há. E quem faz isso para mim não é jornalista, é abutre.

Aliás, as pessoas não percebem uma coisa muito importante: hoje em dia a TV não é uma máquina de entretenimento, é uma máquina de VENDA. Está ali para vender e ganhar dinheiro a qualquer custo e usar e iludir os espectadores para isso. Ponto final.

abraço

eeu

ps-quanto à publicidade sobre o estereótipo masculino que eu pus lá, acho engraçadíssima, porque não a acho humilhante não, sabes ? O que eu vejo ali é o estereotipo a ser desconstruído. Assim como os homens e as crianças, mulheres também se coçam, arrotam e dão puns ! rsssssssss

# Junho 27, 2008 14:10

KURIOSO said:

bp,

Como chego atrasado, já foi quase tudo dito. Mas o tema é tão vasto que eu tentarei pegar-lhe por outro lado.

Há muitos anos li um livro onde a humanidade tinha evoluído para uma sociedade totalmente bipolar. De um lado havia uma elite altamente inteligente e educada que vivia numa torre fortificada. Do outro uma massa ignorante, que nem sequer tinha consciência da sua ignorância. O fosso entre elas era tão grande que os ignorantes já nem cobiçavam o mundo dos outros. Era-lhes culturalmente estranho.

Para mim o que está actualmente a acontecer nalgumas sociedades ocidentais é a criação desse fosso. Já não é a riqueza que separa as pessoas, mas sim os valores culturais. Aliás a cultura continua a separar os novos ricos dos velhos ricos.

Durante o feudalismo a diferença entre ricos e pobres era bem maior do que é agora, mas a diferença cultural era mínima. Hoje, apesar de tudo, os pobres são materialmente menos pobres, mas entretanto o fosso cultural alargou-se e continua a alargar-se.

Os comentários acima são bem prova disso.

Abraço,

Kurioso

# Junho 27, 2008 23:11

KURIOSO said:

oops!

Levei o assunto tão a sério que até me esqueci de referir a forma brilhantemente divertida como está exposto, desde as bailarinas "bibelot" (não se sentirão humilhadas?) até ao assassínio aplaudido.

Eu também bato palmas.

# Junho 27, 2008 23:17

pessoalissimo said:

BP

O "R. SOU" que referes na resposta ao meu comentário quer dizer "reality show", não?

Essa do teu futuro RAP ter um "sponsor solinano" deixou-me com a pulga atrás da orelha. Vamos lá a ver o que aparece...

# Junho 27, 2008 23:46

bp63 said:

EEu

Sem tempo para me alongar quero dizer que que gostei muito do teu comentário e tocas em 2 pontos interessantes:

- Mesmo sendo RS por vezes aportam para as pessoas algo de único que nem nos passa pela cabeça. Lembro-me de ter visto uma coisa chamada Cisne e se aquilo  me chocou à primeira vista, depois vi o que uma porcaria de um programa fez pela autoestima de algumas mulheres que me deixou arrepiado. Pessoas que nunca gostaram delas mesmo, de repente sentiram-se belas. Pelo menos para elas foi bom. A questão é até quando?

- A máquina de Venda da TV. Pois eu sempre disse que as televisões em sinal aberto apenas vendem intervalos o resto é paisagem.

Quanto aos Klebers apenas cito aquela velha canção da Adelaide Ferreira: Eu quero vomitar!

Abraço

# Junho 27, 2008 23:58

bp63 said:

Kurioso

O seu comentário acabou por ter a ver um pouco com o meus post seguinte.

Isso que falou das divisões culturais também concordo plenamente. Penso que hoje em dia não existe divisões de classes económicas mas sim de classes culturais. E o abismo é cada vez maior.

Numa coisa que "escrevenhei" há uns anos falava disso, de uma socieade no futuro apenas com 2 faces, os eleitos e os esquecidos. Talvez um dia pegue nela, aliás os PDF servem para ir respescando ideias.

Abraço

# Junho 28, 2008 0:01

bp63 said:

Pessoalissimo

Sim, é mesmo R. Show, É mais um gralha.

Quanto ao sponsor... que será, será!!!

# Junho 28, 2008 0:02

bp63 said:

Luana

Desculpa ter saltado o teu comentário. Mas só agora reparei que não te tinha respondido.

É interessante isso de ligar para dizer o que te vai na alma. Se todos fizessemos isso talvez eles procurassem caminhos novos pois eu dúvido muito dos processos de medição de audiência.

E quanto ao Kleber é algo de... sem palavras. Existe o palhaço rico e o palhaço pobre, mas agora mais um o palhaço parvo e cretino.

É estranha mesmo esta democracia.

Beijo

# Junho 28, 2008 14:34
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