
quando a corda vibra
e o compasso se descobre
neste silêncio se quebra
a razão cada vez mais pobre
depois toca o solista
tudo nele se concentra
no meio de tantos salta à vista
a verdade que na fé não entra
na escuridão da última fila
não se distingue a percussão
depois de tanto senti-la
esmoreceu a paixão
o maestro indica o caminho
os olhos fazem a leitura
fechando os olhos, sozinho
principia a abertura
e se alguém desafina
na orquestra ou na plateia
renasce o que se imagina
em noite de lua-cheia
ouve-se aquilo que se gosta
descobre-se outra verdade
mas quando ela depois assusta
já nem serve a amizade