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Viagens no meu Partido

discussão e partilha de opiniões sobre política. by Celso Guedes de Carvalho
10 novos contributos para o aumento da participação dos militantes

O Partido Socialista não consegue produzir debate entre os militantes. Há muitas pessoas que querem dar o seu contributo mas, não tem meios para o fazer. As novas fronteiras, a Universidade de Verão, e o “Acção Socialista” são as poucas plataformas que ainda permitem alguma participação. Esta situação leva à desistência e apatia por parte de um número significativo de militantes.

 

Em Março, do ano passado, apresentei no Acção Socialista (n.º 1260), uma lista de 10 contributos para aumentar a participação dos militantes. Pelas respostas que recebi acredito que esta iniciativa cumpriu o seu objectivo.

 

Um ano passou e, o objectivo de aumentar a participação dos militantes continua a ser válido.

Aproximar os militantes, promover o debate, combater a informalidade e concretizar soluções são desafios que todas as Federações e Concelhias deveriam prosseguir. Porque acredito no potencial dos militantes, nos seus conhecimento e competências, decidi apresentar 10 novos contributos:

 

1. Manual de Acolhimento:

Como acontece em inúmeras organizações, o acolhimento de um novo elemento contribui decididamente para o papel que este possa dar à organização. Através deste documento será possível partilhar a visão, missão, valores. Se quiserem, o ADN da estrutura. Cabe aos dirigentes a responsabilidade de integrar cada um dos novos militantes e de aprender com todos eles.

Alguns dos conteúdos que na minha opinião devem ser incluídos neste manual:

História da Federação, Concelhia, Núcleo. Códigos de conduta, regulamentos, objectivos. Moradas, contactos, horário de funcionamento, órgãos, cronograma de actividades, lista de FAQ´s.

Este manual deve ser entregue ou enviado por correio (juntamente com uma carta de acolhimento) a todos os militantes.

 

2. Presidente por um mês:

Implementar um programa que permita aos militantes apresentarem as suas soluções, a sua visão sobre a estrutura da qual fazem parte.

 

3. Grupos de trabalho temáticos:

Criar grupos de trabalho, que se reúnam bimensalmente. Uma plataforma concelhia constituída pelos militantes, tendo por base as suas competências formais e o seu contributo individual.

 

4. Universidade (Think Thank):

Temos de formar líderes. Educar para uma cultura democrática e para iniciativa cívica e politica dos cidadãos.

A Universidade de Verão é uma plataforma muito válida para o debate e para o aumento das competências politicas dos militantes. Defendo que esta plataforma deve passar a ser trimestral. Esta mudança contribui para o alargamento da base de conhecimentos adquiridos pelos militantes. Aumenta o número de militantes envolvidos. Torna o trabalho da Universidade de Verão mais produtivo

Deve ainda adaptar-se aos modelos de Bolonha. Os militantes devem participar. Devem existir mesas redondas. Debates. Contributos dos militantes. Trabalhos a desenvolver.

 

5. Decisões dos órgãos nacionais:

Enviar por e-mail para os militantes, as decisões dos órgãos nacionais. Envolvendo os militantes, disseminado a informação, teremos militantes mais motivados e com maior capacidade para envolverem outros cidadãos para os combates do PS.

 

6. Reuniões mensais dos órgãos locais:

Se até o Primeiro-ministro tem de ir ao Parlamento uma vez por mês, para prestar contas do trabalho do governo e debater com a oposição, porque é que os órgãos Federativos ou Concelhios não o fazem?

 

7. Voluntariado:

Existem muitas pessoas e instituições a precisarem de ajuda nas mais variadas áreas: contabilidade, informática, trabalho de pintura, consultoria, serviços jurídicos, formação. É possível por em comum as competências dos militantes com as necessidades existentes. Os órgãos Concelhios e Federativos devem promoverem uma vez por mês, entre os seus militantes, um trabalho de voluntariado. Este trabalho será baseado nas competências que cada um já possui.

 

8. Organização de WorkShops:

Organizar Workshops em que os oradores são os próprios militantes. Estes fóruns de debate devem ser centrados nas temáticas que mais preocupam os jovens: 1.º emprego” (como fazer CV, entrevista – simulação, motivação, gerir carreira), “porque devo votar, “para que serve um curso superior”

 

9. Benchmarking:

O Benchmarking é um “Processo contínuo e sistemático que permite a comparação das performances das organizações e respectivas funções ou processos face ao que é considerado "o melhor nível", visando não apenas a equiparação dos níveis de performance, mas também a sua ultrapassagem" (DG III – Indústria da Comissão Europeia, 1996).

Através da implementação desta prática de gestão será possível identificar e avaliar as melhores práticas. Os melhores desempenhos. A troca de boas práticas.

 

10. Novo processo de adesão de militantes:

Não faz sentido que a adesão ao nosso partido seja feita através de uma Ficha de Adesão que nem sequer faz referência aos direitos e deveres dos militantes. Assim proponho que seja anexada à Ficha de Adesão um resumo dos estatutos do PS, nomeadamente no que diz respeito aos direitos e deveres dos militantes (artigo 14.º e 15.º) e um resumo da Declaração dos Princípios do PS.

Mais, proponho que a Ficha de Adesão seja enviada directamente para a Sede Nacional. Após a aprovação pelo Secretariado Nacional (aprovar o quê?) deve ser enviada uma cópia para o secretariada da sessão, concelhia e federação. Com esta medida conseguimos acelerar o processo de adesão e diminuir eventuais atrasados provocados por processos eleitorais em curso. Aumentamos a transparência e a rapidez do processo.

 

Dizem que o tempo muda as coisas mas verdadeiramente somos nós que temos a responsabilidade de as mudar. Até porque "as pessoas não votam no que o político fez no passado recente. Votam no que esperam que ele faça no futuro" (Bo Krogvig).

E…por incrível que pareça, já passou um ano desde as ultimas eleições Federativas e Concelhias.

 

Celso Guedes de Carvalho

 

Posted: sexta-feira, 27 de Abril de 2007 14:16 por celso
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Comentários

celso said:

Prezado Sr

Permita-me que lhe ocupe uns quantos minutos para lhe manifestar a minha opinião sobre o artigo ?Dez novos contributos para o aumento da participação dos militantes? que publicou no ?Acção Socialista?, de 17 de Abril de 2007, que li, reli, guardei e voltei a reler com atenção e preocupação. Sou militante do PS desde 2004. Até à presente data, na Secção concelhia a que pertenço apenas se realizou uma única Assembleia de Militantes (quando segundo me parece os estatutos determinam que deveria haver uma de seis em seis meses) e foi essa a única actividade partidária em que me deixaram participar. De resto o PS apenas quer que lhe pague as quotas. Fraco contributo aquele que se fica por um mero contributo monetário de uns quantos euros por ano. Por isso não poderei estar mais de acordo quando escreve ?o Partido Socialista não consegue produzir debate entre os militantes?, tal como também é verdade que ?há muitos camaradas que querem dar o seu contributo mas não têm meios para o fazer?. Pessoalmente bem gostaria de me envolver e de me sentir envolvido na vida do PS, mas essa possibilidade está de todo fechada. O PS seria a via para me envolver na vida da terra onde vido, e para onde queria ver mais desenvolvimento. Como quero o melhor para a minha terra, e se a via da acção politica me está fechada naturalmente procurei e terei que continuar a procurar outras alternativas de participação. Porque fui desprezado ou ignorado nas últimas autárquicas acabei por integrar uma lista de independentes e estou na oposição, onde com os dois eleitos do PS, temos feito um trabalho de oposição como nunca tinha sido feito na nossa freguesia. Acho que o meu contributo foi ou está a ser importante, e não percebo como o PS mesmo não tendo nada melhor não o quis aproveitar.

Como se poderá participar, estar informado numa Secção que não reúne os seus militantes desde Junho de 2004, apenas em Maio de 2006 se pediu aos militantes que elegessem uma nova Comissão Politica Concelhia. É assim que se pode aproximar os militantes, que se pode promover o debate, que pode haver mobilização eleitoral?

Seguramente que não. Mas todas as estruturas do Partido estão fechadas e enfeudadas nos seus burgos e esquecem por completo os militantes que também são eleitores e o povo que vota. Não ouvem e não querem ouvir relatos desta e de outras situações que muito pouco abonam a imagem e credibilidade dos partidos. Parece que o partido foi feito para uma meia dúzia de dirigentes que se conseguem fazer eleger. Isto não prestigia os partidos, sobretudo não prestigia o nosso Partido.

As eleições intercalares para a Câmara de Lisboa mostraram que 74% dos eleitores estão de costas voltadas para os partidos pois uns nem sequer foram votar e outros, numa percentagem que não se pode desprezar votou em listas de independentes. Isto deve ser um alerta aos partidos, mas como com o mal dos outros podemos nós muito bem, isto deve ou deveria ser um alerta para ?nós? Socialistas ou para o Partido Socialista, da elite de dirigentes.

Por isso os dez novos contributos que apresentou são uma interessante proposta, mas não são seguidos, pelo menos na Secção Concelhia a que pertenço. A finalizar, deixe-me que lhe confesse nem sei como o jornal publicou o seu texto, que me parece ser uma ousadia que desafio ao ?status quo? instalado.

joaquim marques

Militante 79472

Alcobaça

# Agosto 20, 2007 14:35
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