A história de uma eleição ? parte I
Os factos tendem a esfumarem-se com o tempo. A memória dos acontecimentos passados a ser substituída pela actualidade. Vem isto a propósito da última campanha para a Federação do Porto que levou à eleição de Renato Sampaio. E, ao contrário do que muitos possam pensar, começou (pelo menos) 8 meses antes. Mais concretamente em Agosto de 2005.
Assim, e porque vamos entrar num “novo Agosto” é importante fazer um resumo de todo o processo que conduziu a eleição da actual direcção da Federação do PS Porto. O objectivo: evitar que se repitam os erros do passado (até porque, o descontentamento com o rumo da actual Federação é já notório nas páginas dos jornais).
Os factos serão relatados ao longo de 4 artigos.
Por agora relembro que foi no dia 22 de Abril de 2006 que o actual Presidente da Federação Socialista do Porto sucedeu a Francisco Assis e que contou com o apoio de ambas as “facções internas” na Distrital:
- a do líder cessante o eurodeputado Francisco Assis, e
- a do ex-autarca de Matosinhos, Narciso Miranda.
Num universo de mais de 15.000 militantes, Renato Sampaio recolheu cerca de 4.150 votos. No discurso de vitória Renato Sampaio comprometeu-se a lutar pela unidade interna, pela aprovação da regionalização (num referendo a efectuar em 2009 !) e, para esse efeito, a criar um movimento cívico de âmbito distrital. Garantiu ainda que iria iniciar uma ronda de contactos com os agentes da região, incluindo empresários, associações, sindicatos e universidades, para debater a melhor forma do Porto «inverter o declínio em que entrou nos últimos anos».
Na moção «Novos Horizontes – um Norte para o Porto» Renato Sampaio assumiu em síntese os seguintes compromissos:
- novas políticas nas áreas da saúde, cultura, educação, ambiente e ordenamento do território;
- a defesa da concretização do Centro Materno-Infantil do Norte;
- a defesa da concretização do Hospital de Gaia;
- a defesa da concretização do Hospital da Póvoa de Varzim;
- a criação de um cluster na área das ciências da saúde;
- a defesa da aposta na ferrovia, designadamente na rápida concretização da ligação Porto/Lisboa e Porto/Vigo por alta velocidade;
- a ligação fluvial dos centros históricos de Porto e Gaia;
- um partido “moderno e aberto sobre si próprio e ao exterior”;
- criação de secções sectoriais;
- criação de departamentos de políticas temáticas;
- formatação de propostas concretas do PS nas mais diversas áreas;
- criação de um Conselho Consultivo;
- criação de “um fórum permanente” pelo desenvolvimento do Porto, aberto a militantes e independentes, de forma a aproveitar o contributo de todos os que se revêem no espaço político do PS.
- “construir alternativas” às câmaras do distrito que são detidas por outros partidos, sendo objectivo criar um gabinete autárquico no PS/Porto
- lançar um amplo debate para que a Área Metropolitana seja repensada nos seus limites geográficos
- encontrar uma nova forma de eleição dos órgãos dirigentes da Área Metropolitana
- encontrar um norte para o Porto.
- especial atenção ao Vale do Ave e a crise social
- unir os socialistas
- abertura do partido à sociedade civil
A história segue dentro de momentos.
Celso Guedes de Carvalho
celso.guedes.carvalho@gmail.com
www.viagensnomeupartido.com
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