PS PORTO - Confidencial - A década de Sampaio em Belém (I)
Os partidos políticos são, por natureza, realidades complexas, em que se cruzam interesses divergentes, com conflitos de protagonismo, e onde os consensos têm de ser muito trabalhados para serem alcançados. Esta e a lógica de qualquer partido.
O poder provoca divergências e gera atritos e os partidos como instrumentos de poder reflectem essa dificuldade.
Esta regra vale para todos os partidos, não há excepções, a esquerda ou a direita. Entre a gente valida e aqueles que vivem do partido geram-se relações de equilíbrio instável, em que a antiguidade e o vínculo ao aparelho suplantam, na maior parte das vezes, o mérito ou a qualidade dos que vão chegando. Depois, juntam-se os feitios e os egos de alguns.
Em Fevereiro, Sampaio tinha conseguido impor-se a estrutura nacional do Partido Socialista, anunciando-se candidato. Agora - as portas da campanha - era necessário pacificar a Federação Distrital do Partido Socialista do Porto e impor uma solução para a estrutura de campanha local. Tarefa bem mais complicada do que fora a primeira. Aquela estrutura suplantava em complexidade e cheque de protagonismos a realidade do partido, em Lisboa. No PS Porto soprava sempre uma tempestade de divisão.
Há, entre os seus membros, diferenças na substancia e no estilo, que geram, com anormal frequência, um circulo vicioso com dinâmicas - quase sempre irracionais - em que o colectivo cede perante as singularidades envolvidas.
Vem isto a propósito do organigrama pensado para a estrutura de candidatura de
Sampaio. Cada distrito teria um mandatário e um director de campanha.
Os primeiros - obedecendo a uma lógica definida desde a génese da candidatura - seriam indicados pelo candidato, no pressuposto de serem - pela origem politica, pelo prestigio ou pela capacidade intelectual uma mais-valia para a campanha.
Os directores de campanha seriam indicados - com a concordância de Sampaio - pelas estruturas locais do partido socialista. O papel deste ultimo era fundamental, dele dependia toda a tarefa de organização e mobilização distrital.
Fonte: Excerto retirado do livro "Confidencial - A década de Sampaio em Belém" de João Gabriel, edição de Junho de 2007 pela Prime Books
Continua…(ver parte II)
Celso Guedes de Carvalho
celso.guedes.carvalho@gmail.com
www.viagensnomeupartido.com
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