Em que país vivemos?
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No meio da visão catastrofista do PSD e do imaginado oásis do PS vivem milhões de portugueses que não se alimentam de discursos políticos. Não passam fome e não agitam bandeiras negras, mas também não vivem felizes e agradecidos com o que têm.
Ouvir o PSD e o PS dizerem uma coisa quando estão na Oposição e coisa diferente quando chegam ao Poder é um clássico. Quando não têm responsabilidade de governar, prometem tudo; quando têm, apresentam desculpas.
Os ecos do discurso de posse de Kennedy, no início da década de 60, nunca chegaram a Portugal. O discurso de exigência, com que o presidente americano se dirigiu aos seus compatriotas pedindo-lhes que não perguntassem o que o país podia fazer por eles, mas sim o que podiam eles fazer pelo país, não serve aos nossos políticos.
Por cá, o que continua a dar é pintar de negro quando se está na Oposição para prometer tinta laranja ou cor-de-rosa em troca do Poder.
A Oposição presta um mau serviço a si própria. Ao descredibilizar o seu discurso, ajuda a credibilizar o descredibilizado discurso do Governo. Foi sempre assim. PS e PSD gostam é de alternar no Poder.
Fonte: JN, 16 de Janeiro de 2008