Indústria perde para serviços liderança na economia do Norte
A indústria deixou de ser a principal fonte de valor acrescentado (a diferença entre quanto custa produzir um certo bem e por quanto ele é vendido) da região Norte, em 2005. E o facto de continuar a ser a área onde trabalha a maioria das pessoas, ajuda a explicar que, em média, o rendimento das famílias da região tenha perdido terreno face ao resto do país, revelam as Contas Regionais de 2005, ontem divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
A ocupar o lugar da indústria apareceram os serviços (excepto o comércio, banca, imobiliário, restauração, por exemplo), representando 26% do valor acrescentado bruto (VAB) produzido no Norte, contra os 25,1% da indústria. De acordo com a classificação usada pelo INE, as actividades financeiras, imobiliárias e serviços às empresas conseguiram 17,6% do VAB, e o comércio, restauração, transportes e comunicações atingiram 21,1%. A construção ficou-se pelos 8% e a agricultura por 2,2%.
O relatório do INE traduz em números concretos o que tem sido repetido por economistas e governantes que a indústria região deve repensar o tipo de bens que produz. Fabricar vestuário e vendê-lo ganhando uma margem de lucro muito baixa, por exemplo, atira para o fundo a produtividade (a quantidade de bens produzidos com determinados meios).
De acordo com as Contas Regionais, só o Norte e o Centro apresentavam uma produtividade abaixo da média nacional e, dentro das duas regiões, as áreas mais desfavorecidas continuavam a ser o Tâmega e o Pinhal Interior Sul, com o Grande Porto e o Baixo Mondego no extremo oposto. A instalação no Litoral do Alentejo de algumas indústrias que exigem grandes investimento em tecnologia ajudou esta zona a aparecer, em 2005, como a mais produtiva, acima da Grande Lisboa.
O baixo nível de produtividade ajuda a explicar as diferenças de rendimento bruto disponível (antes de pagar impostos e Segurança Social e onde se incluem os subsídios dados pelo Estado, por exemplo). De 2004 para 2005, em média, as famílias viram o seu rendimento subir 3,7%, mas nem todos beneficiaram de igual maneira em Lisboa, em média, o dinheiro disponível aumentou 5,5% e na região Norte as famílias viram o rendimento subir 2,9%. O Alentejo teve a pior evolução, tendo crescido apenas 1,1%. A região continua a sentir os efeitos da quebra da agricultura, cujo peso na economia regional ainda é significativo.
Em consequência disso mesmo, o Alentejo foi a única região do país onde a riqueza produzida em 2005 diminuiu face ao ano anterior (-0,9%). No Norte (1%), Lisboa (1,2%) Madeira (2%), Açores (2,1%) e Algarve (2,7%) cresceu acima da média nacional de 0,9%. O Centro praticamente estagnou, ao crescer apenas 0,2%.
Contas Regionais do ano 2005
- 8,1 mil euros: Rendimento médio disponível das famílias do Norte. A média nacional é de 9,7 mil euros e, em Lisboa, sobe para 12,6 mil euros
- 56 por cento: Em 2005, a região Norte não conseguiu recuperar, no que respeita à riqueza (Produto Interno Bruto) produzida, face à União Europeia a 15 países. Só Lisboa está dentro da média, enquanto que todo o país não passa dos 71%.
- 82 por cento: Percentagem da produtividade do tecido económico do Norte face à média portuguesa, uma ligeira melhoria face a 2004. Só o Centro apresenta piores valores (80%).
Fonte: JN, 26 de Janeiro de 2008