Só a regionalização permitirá "emancipação política" do Norte
Se Rui Rio, presidente da Junta Metropolitana do Porto, considera que o actual regime político está a dar "sinais preocupantes de ingovernabilidade", Carlos Lage, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte pede um "simplex político descentralizador que dê aos municípios o que é, ou deve ser, dos municípios, e às regiões o que deverá ser das regiões". Regionalização e descentralização foram as palavras mais vincadas, ontem, nos discursos de abertura do terceiro encontro "Porto Cidade Região", que termina hoje no Palácio da Bolsa.
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Centrando-se na região, Rui Rio defendeu o fim do "pessimismo", considerando que "a Área Metropolitana atingiu já um nível de desenvolvimento que lhe permite ter a força necessária para ultrapassar a crise".
O fim das "lamúrias" defendeu também o reitor da Universidade do Porto. Para José Marques dos Santos, na "ausência de órgãos regionais com legitimidade democrática", a sociedade civil nortenha não tem outra opção que não seja a "coopetição" (junção entre cooperação e competição) entre instituições.
Longe da Galiza
Os números da crise foram apresentados por Carlos Lage baseado em estatísticas do INE, "com dois anos de atraso". O presidente da CCDRN considera que a região está "num momento de viragem" e perspectiva que, até 2010, a economia regional deverá convergir com o crescimento médio nacional e, nos anos seguintes, crescer pelo menos 1% acima daquela taxa de crescimento". A ambição não chega, porém, aos calcanhares das metas estabelecidas pela Galiza, que quer atingir a média europeia em 2015. "Não podemos. Essa oportunidade perdeu-se há anos. E porquê? Porque a Galiza possui duas vantagens uma economia espanhola dinâmica que puxa pela economia das suas regiões e um governo regional eleito e competente", sublinhou Lage.
Para o secretário de Estado das Cidades, João Ferrão, "as cidades ocupam cada vez mais um posição central porque é nelas que se concentram factores decisivos no que respeita ao conhecimento, informação e desenvolvimento. O governante defendeu o conceito de "hiperporto", uma cidade/região que ultrapassa as fronteiras geográficas e em que todos estejam mais disponíveis para defender projectos comuns.
Alguns dos projectos que a região quer desenvolver nos próximos anos para se tornar mais competitiva
Pólo na área das Ciências da Saúde
O Bio Atlantic/Health Cluster vai funcionar como uma ponte entre as instituições do conhecimento e as empresas e ficará sediado na Comissão de Coordenação da Região Norte. Aquele pólo de competitividade na área das Ciências da Saúde vai, numa primeira fase, integrar as empresas de saúde, os hospitais e a faculdade de Medicina.
Aproveitar os milhões do QREN
A Região Norte está "num momento de viragem", como classificou Carlos Lage, e a diferença poderá ser conseguida com uma boa aplicação dos milhões do Quadro de Referência Estratégico Nacional. Até 2013, a região receberá mais de oito mil milhões de euros .
Promover a info-inclusão
O presidente da Junta Metropolitana defendeu a info-inclusão de toda a Área Metropolitana, alargando a espaços mais desfavorecidos a oferta de comunicações e plataformas digitais em banda larga.
Reorganizar parques
Rui Rio considera que urge reorganizar os parques empresariais da Área Metropolitana, sem descurar a necessidade de uma rede de parques de Ciência e Tecnologia na região.
Fonte: JN, 29 de Janeiro de 2008